Second Life
por Lariope
Capítulo 16
N/A: Todo o texto em itálico e qualquer coisa que você possa reconhecer pertence a JKR. Obrigada e abraços a maravilhosa beta, Shellsnapeluver.
“e a primeira coisa que veio em minha mente foi Sectumsempra, do livro do Príncipe”, Harry falou, declinado sobre um dos sofás do Salão Comunal e deixando sua cabeça caída entre suas mãos. “Então eu usei.”
Rony estava curvado para frente com interesse, embora Hermione pudesse dizer isso simplesmente pelo tom de voz de Harry e o salpicado de sangue nas roupas dele que o que tinha acontecido era muito ruim com certeza, e que ele tinha sido severamente punido.
“Então, o que aconteceu?” Rony perguntou quando Hermione falou, “Você usou um feitiço do livro do Príncipe? E sem saber o que estava fazendo?”
“Isto—isto era ruim. Eu feri ele. Ele estava todo sujo de sangue—“
Rony ficou em silêncio, mas Hermione sentiu-se perto de desmaiar. Se Harry tinha machucado Draco - mal o suficiente para detê-lo--
“Está tudo bem com ele?” ela perguntou calmamente.
“O quê? Sim, Malfoy está bem. Snape entrou de repente - -“
“Então, Snape estava perto,” Rony falou. “O que Malfoy estava fazendo no banheiro? Você acredita que seja parte do plano deles?”
“Eu não sei,” Harry disse, “Quando eu cheguei lá, Malfoy parecia realmente triste, como se ele tivesse...como se ele tivesse chorando.”
Chorando? Ela considerou o que foi apresentado para posterior especulação.
“Pobre sentimental Malfoy,” Rony começou.
“É claro que o Professor Snape estava perto,” inseriu furiosamente. “O escritório dele é logo no corredor abaixo do banheiro. O que ele fez?”
“Ele me deu uma detenção todo sábado pelo resto do semestre,” Harry declarou desanimadamente, e Rony arfou.
“Não, Harry”, Hermione disse em um tom que significava de que ela tinha o conhecimento de que ele foi punido brandamente da melhor forma. “O que ele fez para ajudar o Draco?”
“Oh. Bem, ele correu e utilizou a varinha para reparar a ferida profunda... e cantou um tipo de encantamento...”
“Ele cantou?” Rony declarou incredulamente.
“Sim, ele cantou,” Hermione rebateu. “A maioria dos contra-feitiços para cicatrizar são cantados. Nós aprendemos isso no último período em Defesa, mas eu acho que vocês não estavam prestando atenção. Vocês sentem que não precisam aprender nada de novo agora que vocês têm o livro do Príncipe, eu suponho.”
“Hermione,” Rony falou, “Você acha que poderia dar um descanso com relação ao livro?”
“Você está defendendo o livro quando Harry quase matou—“
“Olha, eu não quis dizer isso, ok? Você sabe que eu não usaria um feitiço como esse, nem mesmo no Malfoy, mas você não pode culpar o Príncipe, ele não escreveu ‘tente isto que será bom’.. ele só estava fazendo anotações para ele mesmo, somente ele, e ninguém mais...”
Hermione cedeu momentaneamente. “Eu sei que você não usaria, Harry, mas isso é sério. Você poderia ter sido expulso! Você poderia ter matado o Malfoy! Você teve sorte do Professor Snape estar lá.”
“ Eu sei”, ele falou. “Mas, o Malfoy está bem. Snape o ajudou –- sarou suas feridas, você sabe, e levou-o para a Ala Hospitalar. Disse que se ele usasse Dítamo provavelmente não teria até mesmo cicatrizes…”
De repente, na cabeça de Hermione, outra ficha caiu. No dia da aula de Defesa, quando ele amaldiçoou Harry… Levicorpus… livro de Poções… ‘ Meu pai era Trouxa’… o contra-feitiço do Sectumsempra... Snape era o Príncipe Mestiço.
“ … de qualquer jeito, ele está escondido agora. Mas, eu vou buscá-lo assim que for seguro.”
Hermione voltou do seu devaneio. “O que está escondido?”
Rony olhou para ela como se ela tivesse sugerido tentar entrar no time de Quadribol. “O livro do Príncipe”, ele falou devagar como se fosse difícil para ela escutar.
“Espere –volte, desculpe. Eu estava pensando, e acho claramente que perdi alguma coisa. Por que você escondeu o livro?”
“Porque Snape perguntou por ele! Ele viu em minha mente – ele soube onde eu tinha aprendido a maldição!”
“Professor Snape executou Legilimência em você?”, ela perguntou. Privadamente, ela duvidou que ele precisasse disso. Esta nova informação somente confirmou a suspeita dela. Ele soube de onde tinha vindo, porque ele mesmo pôs isto lá.
“Sim! E vocês sabem que eu sou uma droga em Oclumência. Ele achou o livro em minha mente imediatamente.”
Ou ele viu a culpa em sua face, ela pensou. “Onde você o escondeu?”, ela perguntou.
“Na sala Precisa. Vocês deveriam ter visto isso – era brilhante. Um acúmulo de coisas escondidas lá… livros, móveis, poções, animais mortos e coisas… eu tive de marcar onde eu deixei o livro, ou nunca o acharia outra vez. Eu coloquei uma cabeleira e uma tiara sobre uma velha estátua...”
Rony riu da descrição de Harry, mas a mente de Hermione tinha ido para longe de novo. O livro de Snape. Esse era o livro de Snape. Ela sempre desprezou aquela coisa, mas agora ela estava esperneando para tê-lo. Ela tinha muito que aprender sobre ele. A ideia sincera de aprender poções de Snape – não era um morcegão idiota que ensinava nas masmorras, mas o próprio Snape – era intoxicante. E alguma coisa que Harry falou tinha prendido a mente dela, Tudo que nós sabemos, ele estava fazendo anotações de alguma coisa que ele tinha sido usado contra ele! E se houvesse algum vislumbre, entre as linhas dessas páginas, do homem jovem que ele tinha sido?
Lá, também, ela poderia achar algo do qual eles precisassem, algo para prepará-los para caçar Horcruxes. Para Harry que finalmente tinha tido sucesso com Slughorn justo depois que Rony foi liberado da enfermaria. Ele tinha tomado uns goles de Felix Felicis e de algum modo... Tudo foi cedido pelo livro, ela se interrompeu. Tudo, tudo isso, cedido pelo Snape. Sem o livro, Harry não teria ganhado a Felix Felicis em primeiro lugar… Slughorn tinha admitido que ele tinha falado com um Tom Riddle jovem sobre a invenção horrível. Hermione estremeceu. Dividir sua alma… só pensar nisto era uma abominação. E ainda, Dumbledore acreditou que Voldemort tinha feito isto seis vezes.
Uma sétima parte da alma… isso era quase tão impensável quanto a ideia que os três partiriam logo da escola para perseguir e destruir estas coisas detestáveis. Harry não pareceu ter feito a transição da lógica pela qual eles tinham que percorrer ainda – mas então, ele não tinha tido lições guias com o Snape para pensar.
Hermione notou que ela tinha começado o melhor plano que os três tinham, havia muito que fazer antes do fim do ano escolar.
***
Hermione sentou em sua cama, cortinas fechadas, com as listas em volta dela. Primeiro, as coisas que eles precisariam: os livros dela é claro, e roupa para o s três. Suplementos médicos. Ingredientes de Poções. A bolsa ampliada. Alguma coisa para viver dentro… talvez uma barraca? Ela admirou no que tinham transformado uma na qual tinham ficado durante a Copa Mundial de Quadribol, e fez um apontamento sobre o pergaminho para discretamente perguntar sobre isso na Toca, contanto que eles fossem à Toca antes de partirem. Pote de comida – talvez ela afanasse alguma coisa dos pais dela? Isso era uma falha, a cozinha...
A segunda lista continha coisas que ela precisaria procurar. O que, exatamente, era uma Horcrux? Como iria atrás de alguma informação sobre como fazer uma? A lembrança de Slughorn tinha sugerido um feitiço. E como elas eram destruídas? A lista de Dumbledore sobre Horcruxes tinha incluído: o diário, o anel, a taça da Lufa-Lufa; o medalhão da Sonserina; a cobra, Nagini... e alguma coisa da Grifinória ou da Corvinal. O diário e o anel foram destruídos, mas ainda havia muitas coisas para encontrar. Portanto, ela deveria fazer uma pesquisa sobre as relíquias, se fosse o caso, que os famosos fundadores tinham deixado para trás.
Terceiro, as famílias deles. A família de Harry, ela hesitou em pensar neles de tal forma, precisariam de proteção, mas ela achou que poderia contar com a Ordem para mudar a família Trouxa para algum tipo de casa segura. Dumbledore traria paz a mente de Harry, mesmo se os Dursleys ficassem preocupados, uma prioridade. Mas, e a família dela? Estava claro para os três que não seria permitido falar para ninguém sobre que o que eles estavam fazendo. Se Dumbledore não contou até mesmo para Ordem que Snape não estava os traindo, por medo de que alguém fosse torturado, parecia lógico que não seria permitido a ninguém saber onde eles estavam e o que estavam fazendo. Ele pensaria em proteger a família dela, um casal de Trouxas que nunca tinha encontrado? Ela mesma teria que ver isso, nesse caso, ela fez uma anotação em um pergaminho para consultar Snape sobre isso. E, é claro, os Weasleys, que já estavam em grande perigo – pela quantidade deles na Ordem – como primeiros alvos. Ela não poderia deixar de nutrir a ideia de que eles seriam alvos de grandes perigos futuros. Alguma coisa teria que ser feita por eles.
Sentada ali, rodeada por livros e pergaminhos, Hermione permitiu a si mesma ser sinceramente paralisada pelo medo pela primeira vez. Oh, ela tinha sentido antes, ninguém poderia questionar isso. Mais esse ano, quando Voldemort tornou-se mais forte, e Dumbledore revelou mais do legado dele. Porém, ela sempre esteve disponível para agir – lançar um feitiço, cozinhar uma poção, começar um grêmio – até ali tinha sido sempre alguma coisa...bem, alguma coisa palpável e... atrevia-se a pensar nisso?... idade apropriada para fazer. Não houve nada apropriado sobre casar uma aluna com um professor, nada apropriado sobre enviar três adolescentes para tentar destruir um lunático. O coração dela acelerou. Um lunático que estava quase perto da imortalidade. E ela estava armada contra isso? Um disfarce e uma bolsa enfeitiçada? Com certeza, isso não podia ser real.
Ela varreu as listas para uma pilha e empurrou para debaixo da cama. Ela não poderia aguentar olhar para eles, ver a verdade nua defronte a ela e não muito longe. Ela estava começando a sentir-se como uma tola com pânico. Ela quis usar o anel, chamar Snape e sentir-se confortável com ele, que ridículo era, é claro. Ela não poderia arriscar fazer coisas desse tipo, e pensou que seria um insulto para o homem que arriscava sua vida diariamente. Quem era ela para pedir conforto, tendo inesperadamente descoberto que tudo isso não era um jogo? E mais, ela desejou ele, e insensível como era, ela achou que simplesmente olhar para ele no outro lado do quarto diminuiria furiosamente as batidas apressadas do seu coração. Isso era um sentimento que ela estava acostumando a cultivar, o sentido de que ela precisava pôr os olhos nele.
Ela deitou de costas e fechou os olhos. Ela tinha que dormir. Tinha. Se ela dormisse, logo seria de manhã, e manhã era café no Salão Principal, e café significava encontrar Snape. Mas, por baixo das pálpebras fechadas dela, ela viu o rosto de sua mãe, sua doce mãe que não tinha protestado quando a Professora Sprout apareceu na entrada da sua porta há seis anos para explicar que sua filha era uma bruxa. A mãe que lutou com o pai dela para permitir que ela fosse para Hogwarts, que nunca se queixou de que era tudo muito difícil de manter o segredo, que nunca insinuou que talvez ela pudesse encontrar companheiros menos... de alto nível; a mãe dela, que a aceitou em casa a cada estação com orgulho, pensou que ela não poderia entender as habilidades da filha. Ela tentou bani-los, sua mente estava repleta de pensamentos de intrusos mascarados e maldições chicoteando, os gritos da sua mãe, o corpo machucado do seu pai. Ela cobriu o rosto com as mãos como se isso fosse parar as terríveis imagens que a incomodavam. Ela não saberia quando isso aconteceu, ela estaria muito longe, sem comunicação, incapaz de ajudar ou enviar ajuda. Nenhuma lágrima traria o livramento de que todos os sentimentos construídos estavam perdidos. Eles teriam a certeza da falha – como eles poderiam ter sucesso? Eles seriam mortos, todos eles, Harry, Rony, seus pais, Snape, ela mesma. Eles seriam torturados, capturados, passariam fomes, arruinados. Todos os segredos descobertos…
Ela sentou de novo e pegou as anotações mais uma vez. Não havia sono essa noite, estava muito claro, e se ela não podia dormir então trabalharia. Trabalhar empurraria para longe o medo. Mas, o pergaminho permaneceu intocado diante dela, e os pensamentos dela voaram para o livro de Snape. Eu pus uma cabeleira e uma tiara sobre uma velha estátua, a voz do Harry insistiu em sua mente. Até mesmo quando ela ralhou com ela própria -- Snape tinha advertido a ela sobre andar furtivamente pelo castelo enquanto estivesse desilusionada – ela estava lançando o feitiço. Isso é uma coisa completamente estúpida a se fazer, ela pensou quando rastejou para fora da cama, escorregando para dentro dos sapatos. Você não é melhor que os meninos, andando furtivamente e quebrando regras. E para quê? Ela moveu com cuidado a porta para o dormitório aberto, respirava pesadamente quando deslizou por ele. Cada passo que ela deu ao descer a escada sinuosa era pontuado pela insistência dela em ir. Agindo como criança. Snape ficaria furioso se soubesse disso. É dessa forma que você espera que ele confie em você? Com certeza será pega. Expulsa, mais propriamente, a mente dela insistiu quando ela rastejou pelo buraco do retrato.
“Quem está aí?”, a mulher gorda perguntou, e Hermione correu.
Ela mal tocou no chão com seus sapatos, não queria fazer barulho. Atrasadamente, ela lançou o feitiço Muffiato sobre si. O que há de errado com você? Agora você não consegue se esconder devidamente? Use seu cérebro! Ela correu escada acima, permitindo a sua mente livre reinar castigando-a, até o ultimo momento manteve seu pânico cercado e seus pensamentos longe da tortura dos seus pais. Quando ela alcançou a tapeçaria de Barnabás, o Amalucado, ela volveu, pensando, eu preciso ver o livro do Professor Snape. Depois de três giros, nenhuma maçaneta tinha aparecido na parede, e ela achou que Harry, estava tentando entrar na sala que Draco usou. Ele não poderia entrar porque ele não sabia que sala era, ela pensou freneticamente. Eu preciso ir onde as coisas estão escondidas. Ela girou e pensou outra vez, eu preciso ir onde as coisas estão escondidas. Mais uma vez. Eu preciso ir onde as coisas estão escondidas. A maçaneta apareceu, e ela pegou-a e entrou rápido.
Embora Harry tivesse contado para ela como tinha visto a sala, ela estava completamente despreparada para o lugar. Acessórios em variados estados de dilapidação estavam aos montes quase até o teto. Entroncado, poções congeladas, endurecidas, fundidas parcialmente dentro dos caldeirões sujos sobre toda a superfície; inúmeras garrafas vazias; carcaças de animais dissecados – Hermione admirou-se muito mesmo com descrição de Harry, ela nunca acharia o livro no meio de tanto lixo. Estátuas quebradas; pinturas talhadas; os habitantes delas curvando-se miseravelmente em ângulos intocáveis; varinhas trincadas; joias manchadas... levaria anos para achar algo por entre aquilo tudo. Ela examinou cuidadosamente toda a sala, esperando em vão ver a estátua usando a cabeleira e um—
A esquerda dela apareceu ser um caminho recente no meio do lixo, e ela seguiu. Estantes de livros e velhos cabos de vassouras tinham sido colocados de lado, e então a poeira ali pareceu fina. Ela ansiosamente esquadrinhou o detrito acumulado, mas tudo que ela viu ao fim do caminho foi um velho armário, o qual pareceu como se tivesse caído de uma grande altura. Nenhuma estátua de bruxo vestido extravagantemente. Ela voltou, desapontada, foi para o centro da sala para continuar a busca. Era difícil contar para onde as coisas poderiam ter sido removidas, como tudo dentro da sala parecia estar abalado ou de alguma maneira perturbada. Mas, finalmente, quando ela já estava pronta para desistir do trabalho ruim, ela viu a estátua que buscava. Ela trepou sobre um banco mágico pichado – um número indeterminado de palavrões de bruxos moveram-se incessantemente sobre sua face, clareando e mudando de cor conforme eles quisessem – e pegou o busto. Como base descansava uma usada cópia do Livro Avançado de Poções.
Hermione correu a mão sobre a capa, quase esperando sentir um pouco de resíduo da essência de Snape ali, mas é claro, era só um livro. Ela abriu a capa e examinou as palavras escritas no precursor com o rabisco agressivo, ela soube que era o Professor dela. Propriedade do Príncipe Mestiço. Ela quis levar o livro e voltar para o dormitório, mas achou melhor deixá-lo. Harry tinha certeza de que voltaria ali, e como ela explicaria isso? Então ela empurrou para o lado uma pilha de roupas mofadas, aumentou o livro e desceu para o chão. Ela encostou contra a mesa quebrada e abriu o livro.
Ela passou pelas páginas devagar, parando para examinar cada modificação e nota nas margens. Ele tinha sido presenteado de muito novo, ela percebeu quando leu. Havia marcas de mão de criança envolta das poções mais básicas; uma anotação ao lado Poção Pra Cura de Furúnculos ela leu, Lacerar raiz de margarida antes de cortar. Parece que produz mais suco. Quando ele ficou mais velho, as anotações tornaram-se mais enigmáticas. Ao lado da Poção Polissuco, ele escreveu, dois anti-h p/ cada h melhor clareza (duas voltas no sentido anti-horário para cada volta no sentido horário para melhorar a clareza). Fascinante. Se ao menos ela tivesse tido os conselhos dele na primeira vez que ela preparou esta poção difícil.
Ela esqueceu as Horcruxes e planos e estratégias enquanto ela leu, simplesmente bebia da habilidade dele, e até ela chegar a página que continha anotações sobre Sectumsempra. Nvbl. Para inimigos, estava escrito com letra minúscula. Nada mais. Para inimigos, quem quer que eles tenham sido. Ela pensou nas lições de Oclumência do Harry. Para Sirius? O pai do Harry? Ele tinha usado esse feitiço contra ele? Ele tinha, por Deus, inventado isso? Hermione raramente permitia-se considerar o fato de que Snape tinha se juntado aos Comensais da Morte por livre e espontânea vontade. Agora, ali estava a evidência de que homem poderia ferir mais do que com a língua. Aquela noite – o calor subiu pelas suas bochechas só de pensar que – aquela noite na qual ela tocou a Marca dele, ela tinha somente pensado em ver o passado, ver através dele, do homem que ela conhecia embaixo daquela coisa horrível, daquelas roupas bonitas. Quem ele era na noite em que levou a Marca? Ela cobriu a escrita dele com a palma da mão e fechou os olhos, imaginando o menino que ele tinha mostrado para ela com o feitiço Dissimulo Juvenis. Mas, quando ela olhou para aquele rosto em sua memória, ela viu os olhos do Snape do passado nela, os mesmos que a tinham perfurado quando ele suplicou que ela falasse o nome dele.
Inesperadamente, os pensamentos dela foram interrompidos pelo discordante sibilo que o coração dela fez ao parar em seu peito. A porta estava abrindo.
Ela deslizou para baixo silenciosamente até deitar sobre a superfície fria, o chão de pedra. O Feitiço de Desilusão ainda estava sobre ela, e ela levantou a mão invisível para frente do seu rosto para confirmar que estava escondida. Ela manteve-se totalmente imóvel, apenas respirando, como se esperasse ver quem entrou na sala.
“… isso não é resposta para a questão de qual é o assunto que você tem na Sala Precisa às duas horas da manhã.”
Antes que ela reconhecesse o rosnado familiar do Professor Snape, os nervos dela tinham começado a tinir com a advertência dele. Quem estava com ele? Ele já sabia que ela estava lá?
Sua pergunta foi respondida por uma voz petulante imediatamente. “Eu perguntaria o mesmo para você, Professor. Eu tenho assuntos aqui. Isso é tudo que você precisa saber. Deixe-me ir.”
“Draco, com certeza você sabe que o Lorde das Trevas contou-me sobre seu armário.”
“Por que ele--?”
“Porque ele sabe o que você aparentemente é incapaz de compreender. Você precisa da minha ajuda.”
“Eu não preciso! Isso já está feito – Eu tenho um contato—“
“Madame Rosmerta, eu presumo?”
A voz de Draco estava aguda com a frustração. “Sim! Então, eu não preciso de você—“
“E se ele escolher o Cabeça de Javali em vez disso?”
“Ele nunca – aquele lugar imundo, ninguém quer ser visto lá --“
“Então, você não está ciente de que o irmão dele Aberforth dirige o bar Cabeça de Javali?”
“Eu –“ O som de Draco enfraqueceu. Hermione levantou o pé mais silenciosamente que ela possivelmente podia. Ela desejou ver os bruxos discutindo tão quietamente, ler os olhos nos rostos deles.
“Deixando apenas a possibilidade que ele poderia deixar a escola sem visitar um bar.”
“Mas você mesmo falou que ele sempre faz! O Lorde das Trevas falou—“
Snape golpeava de leve a varinha repetidamente contra a palma da mão. “O Lorde das Trevas quer que você falhe Draco. Ele quer punir seu pai pela… imprudência. Ele contou-me seu plano porque ele tenciona—“
Hermione estava distraída com o restante da declaração de Snape quando o anel dela começou a queimar furiosamente. Ela removeu o anel. FORA, ela leu. Então, ele sabia. Mas como ela poderia sair? Se ela abrisse a porta, Draco saberia que ela estivera ali.
Por um momento, ela quase decidiu correr para porta. Draco Malfoy nunca havia tido uma chance contra ela antes. Mas, então ela olhou para o rosto dele, e Hermione sentiu o frio terror passar pelos seus membros. Ela conhecia Draco desde que ele tinha onze anos, mas ela nunca tinha visto um olhar como esse tão presentemente esgotado. Esse olhar era o que ela tinha buscado nas lembranças dela o rosto jovem de Snape, a crueldade e o desespero no rosto de um Comensal da Morte. Para Draco, isto não era uma dança; não era um jogo; nem um complexo, e fraudulento plano. Ela e Snape conspiraram. Draco tencionava matar. Ela podia ver nos olhos dele enquanto estava ali, e repentinamente ela não tinha nenhum desejo de correr para porta. Se ele a encontrasse ali, ele a mataria; ou tentaria, e Snape teria que pará-lo, e seu disfarce seria descoberto. Ela colocou a vida deles em risco. Por que pareceu ser tão importante ver aquele livro?
Ela andou silenciosamente rumo a eles. Por um momento o coração dela pareceu que ia parar quando Draco pareceu girar e olhar direto para ela. Ela lançou os olhos selvagemente para Snape e pensou ter visto um dardo de medo através dos olhos dele, mas então eles ficaram negros de maldade mais uma vez. Ela circundou silenciosamente em direção ao banco no qual ela tinha subido. Não tinha modo de sair sem cruzar sobre ele. Ela sabia que tinha de fazer o melhor antes de ficar muito assustada para continuar e então, respirou profunda e silenciosamente, ela segurou as roupas com uma mão e caminhou sobre o banco. A voz de Snape aumentou quando ela desceu do outro lado.
“… esforços antigamente quase nunca tinham inspirado minha fé em suas habilidades! O colar, o hidromel… o embaraço com o Potter hoje – você teria se matado!”
“Eu não me importo com o que você pensa! O Lorde das Trevas acredita nas minhas habilidades! Ele confiou isto a mim, e quando eu matar—“
“Basta!” Snape trovejou, dirigindo-se rumo a porta onde ela permaneceu, tremendo, incerta de como fugir sem ser notada. Ele abriu a porta violentamente. “Sobre sua cabeça está isso, Draco. Você sabe quais serão as consequências se você falhar.”
Hermione passou pela porta e escondeu-se atrás de uma armadura. O coração dela batia aos trancos e barrancos; ela não parecia respirar completamente. Snape bateu a porta atrás dele e a puxou com violência de trás da armadura em um movimento fluido.
“Criança idiota”, ele sibilou, e não houve nenhum tom de afeição por trás daquele insulto. “Claramente, eu dei a você muito crédito. Apenas com sua desagradável arrogância assim como seu bando – incapaz de ficar fora dos assuntos alheios. Eu falei para você deixar Draco para mim.”
“Mas, professor, eu não tinha ideia de que Draco estaria ali – eu não imaginei –“
“Não? Você estava simplesmente dando um passeio?”
Ela olhou para baixo o livro ainda estava preso em sua mão. O livro dele. Ela tentou enfiar o pertence dentro da roupa. Ele ficaria furioso com ela invadindo a privacidade dele.
“O que você está escondendo, Senhorita Granger?”
Como ele soube? Em um movimento súbito a mão dele pegou e retirou o livro do aperto dela. Tão logo o livro deixou seus dedos, ele estava fora do alcance do feitiço e estava tão visível quanto Snape. Ele olhou do livro para ela com descrença e escárnio.
“Potter pediu para você reaver isso?”
“Não! Por favor, professor – eu só quis –“
“Quis?”
“Ver você.”
“Volte para o seu quarto,” ele declarou friamente. “Por mais que eu ame muito reduzir o restante dos poucos preciosos pontos da Grifinória, eu não quero nenhuma lembrança deixada de qualquer um de nós aqui essa noite. Como punição você terá o conhecimento de que as suas tolices quase destruíram os planos do Diretor, colocando não somente as nossas vidas, mas as vidas de todos que você conhece, em risco”.
N/T: Para os que ainda lembram e para os que já esqueceram. Espero que vocês tenham gostado do cap. Sorry pelos erros. Bjoks para Selena Black-Snape, Jessica Péince Snape Rickman, LadyLayla Thais Lupim, Nicolle Silva, Ana, Freya Jones e niniane snape.
Até o próximo! Dinha Prince/:*