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28. Lágrimas.


Fic: Até o amanhecer.


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O garoto foi para casa depois de tudo o que havia acontecido e como já era de se esperar, não conseguiu parar de pensar em todos os segundos que passou no quarto de Luísa. Tudo isso fez com que ele percebesse o quanto estava se envolvendo com a namorada. Uma amizade e uma intimidade estavam sendo criada entre os dois, coisa que jamais havia acontecido na vida de Frank.


Chegando a casa como já se passava das 20:00, foi tomar seu banho e depois iria dormir. No banho não conseguia parar de pensar em Luísa. Fechou seus olhos e começou a pensar na menina, em seu sorriso, seu corpo e até mesmo na sua voz ecoando por sua mente. Um sorriso maroto surgiu em seus lábios. Desde que conheceu Luísa, ele estava descobrindo o que era felicidade.


Antes de dormir, o menino ligou para Luísa, que rapidamente atendeu. A voz doce do outro lado do telefone parecia estar esperando pela ligação.


- Boa noite, bebê. – disse ela.


- Boa noite, minha pequena. – disse o garoto surpreso com o termo usado pela menina.


Os dois ficaram conversando sobre diversos assuntos. Frank contava sobre a sua vida nos Estados Unidos e a menina ficava admirada com todas as coisas novas que descobria sobre o garoto. Ela sentia que ele confiava nela, pois contava coisas que talvez nunca tivesse dito a nenhuma garota.


- Eu estou com sono agora, minha pequena. Temos que ir para a aula amanhã, acho melhor eu ir dormir. – disse o garoto já com a voz sonolenta.


- Eu posso te fazer dormir se quiser. – disse a menina. – Posso cantar para você, até você dormir. – concluiu.


- É claro que eu aceito. – respondeu.


Ele estava maravilhado com a proposta da namorada. Frank era apaixonado pela voz da namorada e isso realmente havia o surpreendido e o deixado muito feliz.


“Hello, good morning, how you do? What makes your rising sun so new? I could use a fresh beginning too. All of my regrets are nothing new. So this is a way that I say I need you. This is a way. “


Ao terminar a música a menina chamou pelo garoto que não respondeu. Ele já havia dormido e então ela ficou a escutar a respiração dele. Era como se fosse uma sinfonia, hora calma e hora acelerada.


Os pensamentos de Luísa estavam confusos, ela nunca havia sentido nada parecido. Nunca o barulho de uma simples respiração fez tão sentido em sua vida. Então, ela continuou com o celular no ouvido, o ouvindo respirar e se abraçou a um bicho de pelúcia que estava próximo de si.


Neste momento ela estava o desejando, ali com ela. Ela queria que os braços dele estivessem a envolvendo e lhe protegendo de todo o mundo que existia além da sua janela. Ela sentia a falta dele na sua cama.


Luísa queria que tudo desse certo entre ela e Frank. Ela precisava dele. Precisava de todo o carinho, os sorrisos, as brincadeiras e as palavras sem sentido que ele pronunciava enquanto dormia. Mas havia algo dentro dela que ainda não estava seguro. Ele era um garoto desconhecido até dias atrás e agora era a pessoa que mais a conhecia.


O dia amanheceu, e Frank como o de costume desceu para tomar café da manhã com a mãe. Mas ao chegar à cozinha teve uma surpresa nada agradável por sinal. O garoto encontrou a mãe aos prantos na mesa do café da manhã. Ao ver essa cena, o seu coração parou por uma fração de segundos.


- O que houve com você, mãe? – perguntou o menino apreensivo enquanto se aproximava.


- Nada, meu filho. – respondeu a mãe secando as lágrimas e tentando disfarçar a tristeza.


Mãe e filho eram muito amigos, não tinha segredos e possuíam uma relação de extrema confiança. O maior tesouro de Frank era a mãe e vê-la naquela situação o deixava em pedaços. Depois de muito insistir o garoto obteve uma resposta.


- Eu e seu pai estávamos conversando e ele acha que é melhor nos separamos. Não sei o motivo ao certo, mas é o que provavelmente ira acontecer. – disse a mãe.


O garoto ficou sem reação, não sabia o que dizer e o que sentir. Esse estava sendo o pior momento da sua vida. Ele era filho único e o pai e a mãe eram o que ele tinha de mais precioso. Ele os amava, e agora teria que escolher com quem viver. Ele sabia que a mãe iria precisar dele, mas ele não poderia deixar o seu pai ir embora.


Frank deu um abraço apertado na mãe e prometeu que tudo iria ficar bem, ele não sabia como, mas teriam que melhorar a situação. A mãe agradeceu todo o apoio do filho e ainda deu um sorriso. Ele então foi para o colégio com as lágrimas prendidas nos olhos.


Chegando ao colégio foi direto para a cantina. Não conseguia pensar em nada que não fosse às lágrimas da mãe e a triste decisão do pai. O menino então decidiu não ir para a sala de aula, ficaria ali em uma mesa até o termino das aulas. Sentado em uma mesa isolada ele tentava controlar as lágrimas.


Luísa passava pelo pátio e ia em direção a sala quando de repente encontrou o namorado na cantina e resolveu ver o que se passava, algo lhe dizia que o brilho daqueles olhos verdes não estaria ali hoje. Ela se aproximou e percebeu que o menino tinha lágrimas nos olhos, então em silêncio botou sua mão sobre a do menino e a segurou.


Ela não disse uma palavra apenas ficou ali, perto dele e em seguida o abraçou. Ela sentia o seu ombro sendo molhado pelas lágrimas do garoto. Não sabia o que se passava, mas sabia que agora, mas do que antes ele estava precisando dele, e então ela disse a única coisa que poderia dizer.


- Eu estou com você. – e foi o suficiente para ele. 

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