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27. A doação anônima


Fic: Ex-grifinória: A história de Gina Weasley


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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N/a: Eu queria pedir mil desculpas mais uma vez por todo esse tempo sem escrever. Esse cap já estava pronto desde o começo de Dezembro, mas eu viajei e só agora consigo postar, espero que nem todo mundo tenha desistido de mim...


E muito muito muito obrigada a todos que comentaram, apesar de que eu gostaria de esclarecer que essa é uma fanfic gina/draco, na verdade é muito mais sobre as mudanças pelas quais a gina passou depois da guerra, mas qualquer um pode ver que o shipper 2 da fanfic e gina/draco, sinto muito por não ter deixado isso mais claro.


Enfim, esse cap é dedicado a Ana Laura pelo seu aniversário e por me fazer voltar a escrever.




***


A Doação Anônima



Eu mal havia descido as escadas quando Neville praticamente pulou em mim, animado como uma criança pelo jogo de quadribol que teríamos em breve.


-Vendemos todos os ingressos em um dia! – Ele disse animado me sacudindo pelos ombros.


Repentinamente meu rosto e o dele estavam muito próximos e ele me soltou corando.


-Ah... – Ele murmurou nervosamente – Desculpe...


-Tudo bem Neville! – Eu falei rápido, tentando soar animada – Não foi nada...


Comecei a me afastar quando ele segurou meu pulso e eu fechei meus olhos com força. Por que é que todo mundo achava tão legal ficar me puxando pelo pulso?!


-Espera, Gina... – Ele pediu sem graça, fazendo com que eu me virasse – Eu só queria... Eu não sei se te agradeci ano passado, mas...


-Agradeceu, Neville – Eu cortei – E se desculpou, milhares e milhares de vezes. Agora podemos esquecer daquilo? – Falei entre os dentes, olhando para os lados com medo que alguém notasse.


-Você não falou nada para o Harry, não é mesmo? – Ele perguntou sussurrando.


-Só eu, você e a Lauren sabemos, agora você pode me soltar? – Praticamente rosnei de volta.


-É claro... – Ele pareceu aturdido e me soltou, olhando com uma cara estranha enquanto eu me afastava em direção a Harry, do outro lado da sala.


-Bom dia – Sussurrei na orelha de Harry, fazendo ele se virar sorrindo.


-Bom dia! Acordou animada? – Ele perguntou parecendo genuinamente feliz por me ver em algum estado que não choramingando ou brava com os outros.


-Acho que sim… E os preparativos do jogo de quadribol, como estão? – Perguntei tentando olhar a prancheta que Rony analisava – Não vejo à hora de voltar a jogar! – Sorri empolgada.


O silencio constrangedor que se seguiu me fez desejar ter permanecido calada.


-O que foi? – Perguntei insegura, sem saber se realmente queria ouvir a resposta.


-Ah... Acho que estávamos mesmo precisando de uma artilheira – Rony falou rápido demais – E você joga muito bem... Então... – Ele evitou me olhar, afundando a cabeça na prancheta e fazendo repetidas anotações.


-É claro – Eu fechei os olhos contendo a minha irritação – O Harry voltou... Claro – Abri os olhos e forcei um sorriso – Ele joga melhor que eu mesmo – Dei de ombros – Faz todo o sentido. Bem, eu vou indo tomar o desjejum, alguém me acompanha?


Harry imediatamente tomou minha mão e nos afastamos dali.


-Está tudo bem mesmo, Gina? Por que... Ah... A gente pode tentar pensar em outra solução...


-Está tudo ótimo Harry, só... Só esquece isso ok? – Eu pedi sorrindo ainda mais forçadamente – Por favor.


Ele ia responder alguma coisa quando um grupo de alunos do meu ano passou aplaudindo e gritando.


-Aê Harry! – Um deles gritou empolgado.


-Mandou bem!


E todos a nossa volta pareciam olhar para ele, gratos por algo.


-Muito obrigada – Uma menina do segundo ano disse timidamente quando ele passou – Você é meu herói.


-Gininha! – Gritou Lydia passando um braço pelos meus ombros ao se materializar do meu lado – Seu namorado é meu ídolo, sério.


-O que você fez? – Olhei desconfiada para Harry.


-Matei Voldemort? – Ele perguntou confuso arrancando gargalhadas de Lydia – Fiz parte do grupo que reabriu os jogos de Quadribol? – Ele perguntou mais confuso ainda.


-E ainda é modesto – Lydia revirou os olhos – Todo mundo sabe que foi você quem fez a doação anônima.


-Doação anônima?! – Eu e Harry estacamos, em choque.


Imediatamente Lydia nos empurrou no meio da multidão até uma sala vazia onde nos jogou e entrou, trancando a porta.


-Como assim que doação?! – Perguntou ela assustada – Quer dizer... Realmente não foi você?


Me virei para Harry que simplesmente engoliu em seco, parecendo assustado e confuso com toda aquela história.


-Essa manhã o marcador da Arrecadação estava completamente preenchido – Lydia falou em tom de mistério – Alguém doou, durante a noite, uma quantidade absurdamente grande de galeões. Eu, como toda a Hogwarts, achamos que tinha sido você, afinal quem mais tem uma quantidade enorme de dinheiro que pode decidir como gastar?


-Ah... – Harry pareceu extremamente sem graça – Não é tão enorme assim, eu tive muitos gastos nos últimos anos e coisa e tal...


Eu e Lydia o ignoramos e saímos da sala, as duas com a cabeça longe.


-Mas então... Quem doou? – Lydia perguntou pela milésima vez no dia, parecendo cada vez mais intrigada, olhando para mim como se eu soubesse a resposta.


-Ninguém da minha família eu garanto! – Sorri ligeiramente melancólica – Mal e mal poderíamos contribuir com o equivalente a parte do Fred – Dei de ombros.


-Ivy, que órfão milionário você conhece? – Lydia perguntou à menina que se juntava a nós no pátio externo, quando tentávamos aproveitar o sol que há tanto tempo não aparecia.


-Ah... – Ela pareceu duvidar da capacidade mental de Lydia.


-Estamos falando da doação – Esclareceu Lauren, fazendo um brilho de esclarecimento passar pelos olhos de Ivy.


-Ok... – Lydia cedeu, irritada pela nossa incapacidade de resolver aquele mistério – Quem aqui tem pais milionários e... Ah... Muito legais ou muito ausentes que doariam dinheiro para Hogwarts?


- Harry? – Lauren tentou cansada.


Nós quatro suspiramos.


-Nunca saberemos quem foi... – Lamentou a Lydia – E eu queria tanto... Agradecer propriamente a ele...  – Ela disse com uma cara desolada.


-Lydia! –Nós três berramos rindo.


-Lydia! – Protestou Brandon surgindo repentinamente – A única pessoa que você pode “agradecer propriamente” sou eu, está me entendendo?!


-Eu estou indo – Ela revirou os olhos se levantando e indo embora.


-Espera por mim! – Brandon correu atrás dela – Pode ME agradecer!


-Eles são um caso perdido... – Lauren riu, arrancando risos de Ivy também.


-Ela podia agradecer o Harry se quisesse – Murmurei irritada fitando o outro canto do pátio – Parece que ele não se importa de bancar o herói salvador para todas as meninas daqui.


Elas seguiram meu olhar, surpresas com o que eu tinha dito e viram Harry, meio sem graça, cercado por meninas de todas as idades pedindo autógrafos e tirando fotos e abraçando ele e mexendo no cabelo dele e dizendo como ele era uma pessoa incrivelmente maravilhosa.


-Eu vou embora daqui antes que eu vomite – Anunciei indo em direção a escola – Nem tentem me seguir – Avisei, sabendo que elas já estavam atrás de mim.


-Como ela descobriu? – Ivy murmurou irritada.


Com isso as duas suspiraram e voltaram a se sentar no pátio, enquanto eu entrava na escola, escura, fria e vazia há essa hora. Eu comecei a andar a esmo, querendo distancia daquelas nojentas idiotas cercando Harry, que não se contentavam em ficar com todos os meninos do mundo, não, ainda tinham que ir atrás do MEU namorado e ficar agindo como se fossem as pessoas mais doces do mundo. Eu estava cruzando um corredor vazio, gritando na minha mente para que todas aquelas meninas se afastassem de Harry, quando vi que tinha mais alguém ali.


-Olá Malfoy – Eu disse, parando a sua frente.


Ele estava sentado no chão, brincando com um saquinho vazio entre as mãos. Ao ouvir minha voz, virou-se para mim com uma expressão que se aproximava muito do ódio.


-Weasley – Ele disse meu nome com seu desprezo costumeiro.


Eu sentei-me ao seu lado, determinada a não deixar que ele me tirasse do sério. Ficamos os dois em silêncio olhando para o nada até que eu falei.


-Por que você fez aquilo? – Perguntei sem perceber que as palavras saiam da minha boca. Naquele instante, eu tive certeza de que estava certa em meu palpite.


-O que? – Ele me olhou confuso.


-Eu sei seu segredo Malfoy... – Sorri como uma chantagista – Eu sei de tudo. TUDO.


-Você não sabe de nada – Ele se virou novamente para frente irritado.


-Esse saquinho na sua mão não estava cheinho de galeões ontem à noite? – Eu perguntei indicando o saquinho com minha cabeça.


-Você andou me espionando?! – Ele pareceu ultrajado.


-Não, mas você acaba de confirmar – Eu sorri orgulhosa de mim mesma – Por que, Malfoy?


-Não te devo explicações, Weasley – Ele parecia decido a não falar comigo em hipótese nenhuma.


-Que droga Malfoy! – Eu me irritei – Você nunca fez nada bom para ninguém! O tempo todo só insulta a mim e a minha família! E mesmo assim eu estou te dando outra chance! Estou querendo ser legal com você, te ajudando quando ninguém mais quer te ajudar e você me trata assim! Que rabo de dragão! – Praguejei irritada.


-Exatamente – Ele disse olhando para frente, como se lhe doesse falar aquilo.


-Rabo de dragão? – Eu perguntei confusa – Me perdi...


-Eu nunca fiz nada bom para ninguém, você... Acho que tentou me ajudar aquele outro dia e... Eu sabia que sua família é pobretona e que tem mais filhos que um coelho e que nunca conseguiria contribuir com nada então... – Ele deu de ombros, parecendo frustrado por ter tido que confessar aquilo – O dinheiro nem vai fazer falta a minha família mesmo – Ele falou com sua arrogância típica.


-Obrigada – Eu sorri sincera.


-Tanto faz... – Ele nem sequer olhou na minha cara.


-E como é que você deixou o Harry levar todo o crédito? Você odeia ele.


-Ah é – Ele olhou para mim sorrindo irônico – Por que será?! Não sei como é no mundo de contos de fadas onde você vive Weasley, mas no meu mundo, as pessoas não costumam ser legais comigo, nem acreditar no que eu digo. E, além disso, se o Todo-poderoso-Potter não receber a dose diária de puxa-saquismo dele, ele pode acabar entrando em depressão e ficar choramingando até me enlouquecer.


Eu tive que rir depois disso, o que fez Malfoy me olhar espantado, segurando o riso também.


-Bem vinda ao lado negro – Ele disse – Mas cuidado para não ferir suas emoções pequena Weasley, porque a vida por aqui não é nada bonita.


-Acredite, eu não vou ver nada pior do que eu já vi – Eu olhei para ele irritada.


-Claro – Ele disse debochado – sua vida é lotada de problemas simplesmente TERRÍVEIS.


-Você não sabe NADA da minha vida Malfoy, nada! –Explodi fechando os olhos e os punhos de raiva – Eu me sinto um nada! Um enorme e gigantesco nada! – Olhei para ele exasperada – Eu me sinto presa em minha cabeça, como se estivesse sufocando, confinada e meus pensamentos ficam passando e passando até que eu me sinto a ponto de enlouquecer! E eu tento me distrair, mas nada me distrai! Meu riso soa forçado, por mais que eu tente, eu não me sinto completa ou feliz em momento nenhum, é como se eu estivesse me assistindo me divertir, mas eu não estivesse lá. A minha cabeça está tão confusa que eu sinto que vou explodir!


-Bem, mas você tem seu querido Potter e seus amiguinhos, isso não serve de nada?


-Se você quer saber a verdade – Suspirei cansada olhando para baixo – Não... Não me serve de nada. Na verdade, até piora um pouco as coisas...


-Eles são tão chatos assim? – O tom de deboche apareceu outra vez em sua voz.


-Para com isso! – Fuzilei-o com os olhos, irritada – É serio Malfoy, você acha que é divertido ficar em segundo plano do trio maravilha? De ser a mais nova? De me sentir o tempo todo como se eu gostasse muito mais dos outros que eles de mim? De sentir que sou que estou correndo atrás o tempo todo, mas mesmo assim ficando para trás? Eu me sinto uma segunda opção gigantesca, uma pirralha que tenta acompanhar os adultos, mas não consegue os alcançar, nunca... E eu me sinto assim o tempo todo, e a Lydia, Ivy e Lauren... Elas não me entendem! Ninguém me entende! Eu só estou... Tão cansada...  – Apoiei a cabeça na parede fechando os olhos – Tão cansada... – Foi quando meu rosto se franziu de leve e lágrimas começaram a aparecer por baixo das minhas pálpebras.


-Eu... – Ele quis dizer alguma coisa, mas nada saia de sua boca e ele simplesmente deu um tapinha desajeitado no meu ombro, sem perceber o que fazia, eu me inclinei mais para perto dele, apoiando minha cabeça no ombro dele enquanto continuava de olhos fechados. Ele mais desajeitadamente ainda passou o braço pelos meus ombros, ficando nós dois ali parados, sentados no chão com as cabeças contra a parede.


Quanto tempo ficamos ali, foi uma pergunta que sempre me fiz, mas foi tempo suficiente para que eu me acalmasse e me sentisse em paz, uma paz que não era comum a mim. E quando eu percebi como estava encostada ao Malfoy, o quanto estávamos unidos, eu me afastei surpresa e murmurei um “tenho que ir” de qualquer jeito antes de sumir da vista dele.



Continua...





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Comentários: 3

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Enviado por vritupotter em 23/02/2021
Se liga, Malfoy, faz teu nomeeee! Ou desfaz teu (péssimo) nome, no caso... Começou como aliado financeiro da causa, postura adequada. Rindo do Harry falando dos gastos que ele teve nos últimos anos (muita bala no trem pra Hogwarts, né, não tem como...). Tomara que Gina e Draco continuem entendendo suas semelhanças e despertem o que há de bom um no outro.
Nota: 5

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Enviado por Ana Slytherin em 04/01/2012

A cena Dg é muito lindinha mas fofinho foi o Draco tentando consolar a Gina 
Eu realmente amei e espero q o proximo caoitulo n demore 

Nota: 5

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Enviado por Carolina Matos em 02/01/2012

Adorei! Gente, que cena fofinha da Gina e do Draco! Mal posso esperar pelo proximo capítulo!

Nota: 5

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