— Vamos lá... É a última. Todo mundo sorrindo!
Gina sentia o maxilar dolorido pelo esforço de se manter sorridente. Em meio às fotos e filmagens, refletia ironicamente se sobrava algum tempo para as verdadeiras formalidades do casamento.
Harry, que estava ao lado dela, riu quando os trigêmeos se aproximaram correndo, pedindo colo.
— Ele tem jeito com crianças — comentou cansada a mais recente madrasta de Gina. — Não é para menos: todos sentem falta de um pai jovem e fisicamente mais energético. Harry tem filhos?
— Não tenho ideia — Gina respondeu secamente, dando-lhe as costas. Já percebera os olhares felinos de Lucinda na direção de Harry. Com certeza, a madrasta também estava sentindo falta de um marido mais jovem e mais energético...
Oh, sim, Harry estava fazendo um sucesso enorme, Gina admitiu. Até mesmo seu pai estava impressionado. Ela massageou as têmporas. A dor de cabeça com que despertara estava se tornando cada vez mais insuportável.
Estava pagando o preço por não ter aceitado a sugestão de Harry de terem viajado no dia anterior. Agora, não apenas sua cabeça doía, como seu humor estava péssimo.
Gina ficara chocada ao perceber o quanto o pai envelhecera, o quanto praticamente encolhera desde a última vez que o vira. Perto de Harry, parecia muito mais baixo, não lembrando em nada o pai alto e fisicamente poderoso de sua infância.
Mas ele ainda mantinha a vaidade e o egoísmo, Gina percebeu, quando ele insistiu em ser fotografado ao lado de sua prole, esposa e ex-exposas. Apesar de ele não ter perguntado sobre Molly, Gina fez questão de dizer que ela estava se casando com Arthur. A reaçào foi fria, quase brusca.
— Ele não liga — Gina resmungou ao aproximar-se de Harry, que testemunhara a cena a uma curta distância.
— Ele nunca ligou para ela, nem para mim.
— Está errada — Harry a corrigiu. — Eu diria que, na verdade, ele está se roendo de ciúmes.
— Ciúmes? De jeito nenhum! Foi ele que pediu o divórcio!
— Alguns homens simplesmente não soltam as amarras. A vaidade exige que se mantenham como força controladora num relacionamento e agora estou percebendo que você e sua mãe levaram a melhor, Gina.
— Melhor? De que está falando? — Gina estranhou.
— Olhe à sua volta — ele pediu — e conte-me o que vê.
— Meu pai — ela respondeu rispidamente.
— Seu pai e quem mais? — Harry inquiriu, cortês e paciente.
— Meu pai e seus filhos... os que ele realmente quis — ela disse, irritada. — Os filhos que ele realmente quis e suas mães...
— Hummm... Posso lhe contar o que eu vejo? — Sem esperar a resposta, ele prosseguiu: — Vejo um homem que não suporta ser ignorado, que precisa ser o centro de tudo. Um homem que não hesita em manipular aqueles que diz amar para assegurar-se de que sempre será o foco de todas as atenções. Veja como ele joga um contra o outro, da mesma forma que jogou você contra Emily... da mesma forma que jogou você, enquanto era criança, contra sua mãe e vice-versa.
Gina fez menção de negar o que ele dissera, mas Harry se adiantou:
— É da natureza humana, desejar que nossos pais sejam exemplares, perfeitos, Gina, especialmente quando o contato com eles é limitado. Eu sei porque passei por isso e sofri as consequências. É devastador para uma criança perceber que o pai ou a mãe que ela tanto ama não é perfeito. É duro a ponto de transformar esse ressentimento em ódio.
Tapando os ouvidos, Gina deu as costas a Harry e afastou-se para um canto. Entretanto, pouco depois, começou a observar como aquelas observações foram precisas.
O pai de Gina encorajara suas diferentes famílias a competir pela atenção dele, manipulara o caos ao invés de promover a harmonia. Não era ela somente que sentia-se como uma estranha no ninho. Sem dúvida, todos os demais membros das famílias que o pai criara compartilhavam do mesmo sentimento de exclusão.
Ao observar a forma com que Harry brincava com os trigêmeos, de forma a não deixar nenhum de fora, Gina percebeu que ele jamais seria como seu pai. Jamais magoaria alguém deliberadamente, muito menos alguém que julgasse amar. Harry era diferente... Harry era...
— Obrigada... por ter vindo.
A hesitação na voz de Emily, ao aproximar-se, enterneceu o coração de Gina.
— Você está muito bonita — ela disse à noiva, com genuína sinceridade. — Papai parecia tão orgulhoso ao entrar com você na igreja!
— Verdade? — Emily arregalou os olhos surpresos. — Lucius não gostou nada quando eu disse que iria me casar com David. Disse que conhecia a ex-esposa de David, que David ainda era louco por ela. Senti muita raiva; foi como reviver todo meu passado: o ciúme que tinha de você, enquanto éramos crianças, e o ciúme que minha mãe tinha da sua.
— Você, com ciúme de mim? — espantou-se Gina. — Mas você foi sempre a favorita, a...
— Não, eu não era — atalhou Emily, balançando a cabeça. — Ele sempre dizia que você era a mais inteligente, a mais bonita. Assim como sua mãe, segundo ele, fazia tudo melhor que a minha.
Uma sombra desceu sobre o rosto da linda noiva.
— Eu não queria nada disso, sabe? — Ela gesticulou para a marquise ricamente decorada, cheia de convidados. — Queria uma cerimônia íntima, mas Lucius foi tão insistente... Vivia dizendo que a festa do casamento de David e Naomi fora fantástica, que as pessoas comentariam se fizessemos por menos. Imagine que ele queria que todos os filhos fizessem parte do cortejo, inclusive você.
— Eu?
Emily riu ao ver a expressão ultrajada de Gina.
— Eu disse que você jamais concordaria... graças a Deus. É óbvio que ele logo reclamou, dizendo que, se você não estivesse no cortejo, nenhum outro filho estaria.
Elas se entreolharam e caíram na risada. O riso de Emily logo se transformou em lágrimas enquanto abraçava Gina.
— Oh, Gina, eu sempre quis tanto tê-la como irmã, mas nunca nos entendemos.
— Tem razão — concordou Gina que, para sua própria surpresa, acrescentou: — Mas nada nos impede de ainda sermos.
— Gina, querida... — Emocionada, Emily abraçou Gina com mais força.
— Está pronta para ir? — perguntou Harry alguns minutos mais tarde, tentando evitar a investida de uma criança enquanto se aproximava de Gina.
Harry parecia uma versão moderna do Flautista de Hamelin, Gina observou, fascinada. Nenhuma das crianças se cansava dele.
— Qual é o seu segredo? — ela perguntou, com um sorriso maroto. — É a sua loção pós-barba?
— Nada disso. — Harry riu, bem-humorado. — Nada de especial. Apenas gosto de crianças.
Gina desdenhou:
— Espero apenas que sua esposa, quando você se casar, compartilhe do seu entusiasmo. Afinal, ela carregará todo o peso de sua prole.
— Não necessariamente — Harry replicou. — Estou disposto a ser um marido doméstico e um "paizão", se for o caso.
Gina digeriu aquelas palavras em silêncio enquanto retornavam ao hotel. Sentindo a tensão de sua dor de cabeça espalhar para os ombros, tentava aliviá-los, massageando-os.
Preocupado, Harry perguntou:
— Está se sentindo bem?
— Apenas um pouco tensa — ela respondeu, empertigando-se. Não estava acostumada a que nenhum homem se preocupasse com sua saúde. Seu relacionamento com os homens não incluía aquele tipo de intimidade.
— Não se preocupe: tenho o remédio para isso — Harry assegurou, enquanto paravam diante do hotel.
— Não preciso de seus remédios! — Gina retrucou. Tipicamente, Harry não aceitou aquilo como uma ofensa e simplesmente sorriu.
A suíte era grande e confortável, com dois quartos, dois banheiros e uma sala de estar em comum. Gina, como Harry, levara uma mala pequena. Estava a ponto de colocá-la num dos quartos, quando ele informou:
— Cuidei para que a conta fique em meu nome; poderemos dividir as despesas mais tarde. Imagino que não queira que seu pai pague a conta.
Ela parou e o fitou, incapaz de dizer uma palavra, os olhos marejados.
— S... sim... Obrigada.
Como ele adivinhara? Ao entrar no quarto, Gina colocou a mala no chão e fechou os olhos. Do outro lado da porta entreaberta, ouviu Harry:
— Pedi o jantar no quarto, se está bem para você... Cansada como está, sei que não gostará de descer até o restaurante, mas se...
— Não... Está bem — ela assegurou, exausta. Sua cabeça agora doía de uma forma insuportável. Só desejava tirar o traje de festa, tomar um longo banho de banheira e deitar-se.
Ela fechou a porta do quarto e começou a se despir.
— Gina?
Ela abriu os olhos sonolentos. Estava deitada de bruços e Harry estava de pé, ao lado da cama, fitando-a com preocupação. O quarto estava na penumbra e ela automaticamente consultou o relógio, percebendo então que dormira por mais de duas horas.
— O que aconteceu ao jantar? — ela indagou com a voz enrouquecida. Ao mover-se, sentiu que a tensão permanecera em seu pescoço e ombros.
— Cancelei — respondeu Harry. — Podemos voltar a pedir mais tarde. Como está se sentindo?
— Péssima — ela admitiu.
— Talvez eu possa ajudar; onde está doendo?
— O que está fazendo? — Gina perguntou ofegante quando ele colocou as mãos sobre a pele nua de seus ombros.
— Massagem — Harry respondeu simplesmente. — É a melhor forma de aliviar a tensão provocada pelo estresse.
— Massagem! — Gina estava prestes a se levantar, quando lembrou-se de que estava completamente nua.
— Não preciso de massagem — ela tentou protestar, mas seu corpo começou a esboçar uma reação diferente, maravilhando-se com a sensação dos dedos hábeis de Harry que, pouco a pouco, desfaziam os nós em seus músculos tensos. Gina tentou pedir que ele parasse, mas seu protesto foi abafado pelo travesseiro, quando Harry pressionou com maior firmeza um ponto mais tenso.
— Não era para menos que estava com dor de cabeça — ele disse. — Está com todos os músculos das costas enrijecidos. Respire devagar e profundamente — ele instruiu. — Sei do que está precisando.
Do que ele estava falando?. Se fosse um outro homem, ela já conhecia a resposta. Mas Harry, claro, Harry era diferente.
— Está vendo? Já está tensa outra vez — ele reclamou.
Harry é diferente, ela ponderou intimamente. É diferente. Uma sensação estranha, um misto de alívio e leveza de espírito apoderou-se do corpo de Gina. Era como se um enorme peso fosse tirado de suas costas. Ela esteve a ponto de revelar isso a Harry, mas decidiu preservar-se. Ao mover a cabeça, viu roupas sobre a cadeira, perto das suas, e reconheceu que pertenciam a Harry.
— Fique onde está — ele ordenou antes que ela pudesse perguntar o que ele estava fazendo. — Já volto.
— Aqui está, pode se deitar aqui — ele anunciou alguns segundos mais tarde, ao sair do banheiro com uma enorme toalha. — Não tenho óleo de massagem, mas creio que isso servirá...
— Óleo de massagem?
Gina voltou-se na direção da voz de Harry. Ele estava ao lado da cama com uma amostra de algum tipo de óleo para o corpo. Estava apenas com uma boxer preta.
Gina não considerava a visão de um homem em roupas íntimas nada erótica. Na sua opinião, os homens ficavam sensuais vestidos ou simplesmente nus. Um homem de cueca e, ainda por cima, de meias, era o cúmulo da falta de sensualidade. Mas, no caso de Harry...
Ela respirou fundo e tentou olhar para outro lado. Pela forma com que seu pulso se acelerara, era uma sorte que ele não estivesse completamente nu.
— Não sei se isso é uma boa ideia... — ela começou a dizer, mas Harry recusou-se a ouvir.
— Não se preocupe. Sei o que estou fazendo — ele assegurou. — Pratiquei muito quando era adolescente.
— Obrigada — ela disse por entre os dentes cerrados —, mas não estou disposta a ouvir suas aventuras sexuais...
— Minhas aventuras sexuais? O que elas têm a ver com isso? — Harry indagou. — Como eu ia dizendo... tive um emprego numas férias de verão, trabalhando para o técnico de um time de hockey local. Ele só acreditava em massagem para curar pancadas e estiramentos musculares... Foi ele que me ensinou tudo. É uma pena que não tenhamos uma mesa adequada, mas creio que a cama servirá — ele acrescentou, afastando os lençóis antes que Gina pudesse protestar.
Ao contrário de Harry, ela tirara todas as roupas e não se sentiu nada tranquila quando ele estendeu uma toalha de rosto sobre seu bumbum.
— Agora respire lenta e profundamente e apenas relaxe — ele pediu.
Apenas relaxe. Como diabos poderia relaxar se Harry...? Gina retesou-se, surpresa, ao perceber que ele não estava estava massageando seus ombros e, sim, seus pés.
— São as minhas costas que estão doendo, não os meus pés — ela protestou.
— Seu corpo todo está estressado e tenso — Harry informou, com firmeza. — Agora fique quieta e apenas relaxe. Uma boa massagem deve ser uma experiência agradável, gratificante...
Gina olhou desconfiada por sobre os ombros. Harry estava de cabeça baixa, concentrado em massagear-lhe os tornozelos. Ela não conseguia ver seu rosto e, por sorte, ele não podia ver o rosto dela. As sensações que ela estava experimentando não tinham nada a ver com a massagem, e tudo com a eficiência do massagista.
Quando as mãos de Harry alcançaram o alto das coxas de Gina, ela já estava mordendo os dedos.
— Não consigo entender — Harry reclamou. — Não está dando certo. Você ainda está tão tensa como quando comecei...
Ao contrário, Gina poderia dizer. Estava dando muito certo, mas de uma forma muito diferente da que ele previra.
— Bem, de que adianta continuar? — disse Gina, aliviada.
Harry balançou a cabeça.
— Você precisa de uma série de sessões de massagem, com um fisioterapeuta qualifi...
— Tem razão — concordou Gina. — Cuidarei disso na segunda-feira...
— Mas preciso aliviar a tensão de suas costas — disse Harry. — Você terá que descer um pouco na cama, para que eu possa trabalhar melhor...
Trabalhar melhor...? Não, ele não estava pretendendo...
Sim. Harry afastou os travesseiros e ajoelhou-se na frente dela. Ele precisa fazer isso? Desesperada, Gina fechou os olhos. Normalmente, homens com mais de trinta começavam a perder a tonicidade dos músculos e ganhar alguns "pneuzinhos". Harry, porém... Ele simplesmente não tinha nada fora do lugar!
— Você está muito tensa — Harry reclamou. — Na verdade, está se contraindo.
Ora... Ele também se contrairia se... Ela sufocou outro gemido quando ele lhe massageou a coluna. Gina não sabia o que a estava torturando mais: a sensação daquele toque firme em sua pele ou a visão, o cheiro de Harry. Ela até podia fechar os olhos, mas o cheiro... o cheiro...
Gina aceitou com alívio quando ele pressionou um nó nas suas costas. Pelo menos a dor a afastava da tentação.
— Está tudo bem — ele assegurou.
Tudo bem? Tudo bem para ele!, Gina protestou intimamente. Afinal, o que ele estava fazendo era reduzi-la a um amontoado de músculos e hormônios sensualmente atiçados.
Quando Gina sufocou um gemido provocado pelo desejo que tomava conta de seu corpo, Harry perguntou:
— Doeu? Sinto muito... Aquilo foi o que bastou.
— Não, não doeu — ela respondeu entre os dentes.
— Então vire-se — Harry sugeriu —, para que eu possa... Vire-se!
Gina fechou os olhos.
— Não posso — ela disse num tom baixo e torturado, acrescentando, desesperada: — Harry, quer se vestir, por favor?
— Vestir? — Ele ergueu o corpo, com um sorriso malicioso. — Na verdade, pensei que quisesse me despir.
— Despi-lo? — Gina tentou se mostrar indiferente, mas a voz trémula a traiu.
— Foi o que ouviu — Harry ajudou-a a virar-se, para beijá-la terna e profundamente. Gina tentou resistir com desespero. Porém, como poderia, quando Harry, ao invés de ajudá-la, só fazia piorar a situação com aquele beijo insistente?
Gina quis protestar, mas Harry interpretou o movimento de seus lábios como um encorajamento. E, afinal, foi tão mais fácil e, oh, tão mais prazeroso ceder...
Harry ainda a massageava mas seu toque agora era definitivamente sensual, se não deliberadamente erótico.
— Tem alguma ideia do que está fazendo comigo? Do quanto está me excitando? — ele sussurrou, entreabrindo os lábios de Gina com a língua.
— Não vai me contar? — Gina murmurou, sentindo o corpo estremecer com a mão de Harry em seu seio, os dedos hábeis em seu mamilo.
— Hummm... você é tão gostosa... — Harry deslizou os lábios pelo pescoço de Gina, alojando-os entre os seios arredondados. — Tão gostosa... — ele repetiu, descendo-os para o ventre de Gina e afastando a toalha para o lado.
Gina sempre se imaginara uma mulher sexualmente sofisticada, mas não havia nada de sofisticado na forma com que estava reagindo. Seu corpo, suas pernas tremiam como resultado das sensações e emoções provocadas pela boca de Harry.
Tanta intimidade... tantas sensações... Gina sentiu uma enorme necessidade de corresponder à intimidade das carícias orais de Harry.
Ela se aproximou, hesitante.
Por um momento, Gina chegou a pensar que ele não estava entendendo mas, depois de um segundo de hesitação, ele se livrou da última peça de roupa que ainda usava e a fitou, o olhar intenso enquanto ela aproximava os lábios.
Ele estava rijo, poderosamente rijo ao toque e, contudo, ao mesmo tempo humanamente vulnerável. Ele não se movia, mas Gina percebeu a forma com que ele conteve a respiração quando ela pousou os lábios na coxa musculosa e começou a acariciá-lo.
Impossível saber qual dos dois estremeceu mais quando ela finalmente o tocou com a língua. Gina sentiu que sua própria reação à sensação e ao gosto de Harry foi tão poderosa e explosiva que seu ventre retesou-se numa urgência arrebatadora.
— Gina!
Ela ergueu os olhos ao ouvir seu nome pronunciado de uma forma tão rouca. Harry tinha o rosto levemente enrubescido, os olhos brilhantes, enevoados. Gina estremeceu como um filhote recém-nascido ao perceber a forma com que ele a fitava.
— Eu te desejo — ela murmurou, profundamente tocada por aquele olhar.
— Mas não se compara ao quanto te desejo — ele replicou, o tom torturado.
Gina sempre soubera que naqueles braços encontraria força, poder, mas o que não sabia era que também seria capaz de desfrutar, pela primeira vez na vida, a própria vulnerabilidade, sentir que alguém podia assumir o controle, saber que podia confiar em Harry... que estava segura com ele.
Gina gritou quando ele finalmente a penetrou, inconsciente de que gritara que o amava, ciente apenas da onda quase violenta de prazer que a engolfou.
Gina já conhecera o prazer físico antes, mas jamais atingira aquela satisfação emocional, jamais experimentara aquela imensa alegria de ser abraçada e de abraçar alguém como Harry.
Mas tampouco amara alguém como amava Harry... Jamais amara...
Gina despertou no meio da noite, repentinamente consciente de que Harry não estava na cama com ela. Seus olhos procuraram por ele na escuridão. Ele estava parado diante da janela, a cabeça baixa, a expressão sombria. Gina logo deduziu o que estava errado. O amor que sentia por ele falou mais alto. Ela saltou da cama e se aproximou, tocando o braço forte com ternura.
— Harry...
Ele a fitou, silencioso.
— S... sei no que deve estar pensando — ela balbuciou —, mas... não é o que está pensando... Não foi... Eu não...
Ela respirou fundo e murmurou, emocionada:
— Você não foi contra seu princípio... de não fazer sexo, de apenas fazer amor... De verdade. — Ela fez uma pausa. Era tão difícil dizer aquilo...
— Gina... — ele começou, mas ela o calou pousando um dedo em seus lábios.
— Não... por favor, deixe-me terminar — ela suplicou. — Não é fácil para mim. Vai contra tudo em que sempre acreditei, mas não posso deixá-lo pensar que... — Ela se calou, engoliu em seco e disse, a voz rouca: — Não foi apenas sexo. O que fizemos, o que compartilhamos — ela enfatizou — foi... — Ela umedeceu os lábios. — Nós realmente fizemos amor com emoção e envolvimento. — Gina olhou para o chão, incapaz de encará-lo. — Pelo menos de minha parte...
Ela se calou.
— Fale, Gina — Harry pediu, a voz grave.
Ela imaginou que Harry talvez ainda estivesse chocado com o que acontecera. Ainda era uma emoção nova preocupar-se com o sentimento de um homem, colocar a felicidade dele acima da sua.
— Eu fiz amor — ela declarou, com firmeza, finalmente erguendo os olhos. — Eu... eu fiz amor e eu... Harry... Harry... o que está fazendo? — ela espantou-se quando ele repentinamente a arrebatou em seus braços, erguendo-a no colo.
— O que estou fazendo? — ele repetiu, os olhos, os lábios tomados de um calor e de de algo mais que acelerou o coração de Gina. — O que estou fazendo — ele disse — é sequestrá-la para a cama, de onde só a soltarei depois de ouvi-la repetir o que acabou de dizer, e onde pretendo dar minha resposta, de forma verbal e física. Agora, repita — ele ordenou, prendendo-a na cama com seu próprio corpo.
— O que quer que eu repita? — ela indagou, um brilho malicioso nos olhos.
— Vamos... —Harry insistiu entre deliciosos e sensuais beijinhos. — Sabe muito bem o que desejo ouvir.
— Que eu fiz amor? — Gina repetiu roucamente, os olhos fixos nos dele. — Que não fiz apenas sexo? Que, para mim...
— Não — Harry corrigiu ternamente. — Nós fizemos amor. Hoje e sempre — ele prometeu. — E a razão por que nós fizemos amor é porque nos amamos... Eu te amo e...
— Eu te amo — Gina sussurrou, trémula. — Harry, eu te amo — ela repetiu, abraçando-o com ternura e enlevo.
Harry retribuiu o abraço, sussurrando, provocante:
— Eu sei que você me ama... Sabia o tempo todo.
— Você...? — Gina tentou protestar, mas Harry calou-a com um, dois, vários beijos.
Gina se aconchegou nos braços fortes.
— Hummm...
— Hummm... — Harry concordou, movendo o corpo contra o dela.