Cap 7 – Novo rumo
Severo acordou extremamente tonto, bem diferente das outras vezes que conjurava seu patrono. Ainda sentia o prazer da presença dela, sentia seu cheiro, e agora, parecia fazer parte dele mesmo.
Ajoelhou-se e olhou em volta, assustando-se ao perceber que estava acompanhado por um casal de unicórnios e cercado por um grande grupo de centauros armados. Sobressaltado, sabia que não tinha como fugir de seus algozes. Magicamente fraco pelo excesso de poder gasto e por sentir que mágica o impedia de aparatar, se viu pego por seus inimigos totalmente desprotegido.
- Fique tranquilo bruxo. Não podemos machuca-lo. – Disse um dos centauros que o estava olhando. - Sabemos quem é você, mas estes seres estão te protegendo. – Disse apontando para dois unicórnios.
- Se a pureza destas criaturas acharam algo que deva ser preservado em você, nós também não temos o direito de machuca-lo. - Disse outro centauro.
- Me proteger? – Questionou Snape.
- Nós sentimos que alguma coisa acontecia por aqui, e quando chegamos, esse casal de unicórnios te protegia. Não deixaram nenhum de nós nos aproximar do seu corpo.
- Mas agora que estou acordado, isso será diferente, não é mesmo?
- Não. – Disse o centauro.
- Um protegido de um unicórnio não deve se tocado, não por nós.
- Eles querem te proteger até o castelo. Eles sabem que você não está bem.
Então um dos unicórnios ajoelhou-se a frente de Snape. Ele montou o animal, segurando em sua crina com força.
- Obrigado. – Disse Snape.
- Não nos agradeça... Se eles não estivessem aqui, você nem saberia o que tinha lhe acontecido. – Disse um dos centauros.
- Apenas honre sua vida. Eles a salvaram com um propósito. Não desperdice. Não macule o que estes seres de luz protegeram.
Sem mais, Snape e os unicórnios saíram em disparada, de volta ao Castelo de Hogwarts. Ao chegarem próximo aos portões, os animais diminuíram o passo, parando próximo a cabana de Hagrid. Snape desmontou, afagou o animal e se afastou alguns passos.
- Eu não entendo o porque de terem feito isso, mas sou grato por sua proteção. – Então se curvou, saudando os unicórnios, recebendo o mesmo gesto deles.
Severo começou a andar de volta para o castelo, sendo acompanhado de longe pelo olhar dos animais. Quando Snape cruzou a ponte, eles já não podiam se visto.
Chegando a sua sala, trancou a porta com magia e chamou Alvo. Sua voz cansada e rouca demonstravam a aflição que sentia.
- Estou aqui filho. O que aconteceu? Por que demorou tanto?
- Que horas são?
- Quase três da manhã. Ficou quase um dia fora... O que viu? Foi atacado na Floresta?
- Nada disso. Eu fui protegido. Protegido pelos únicos seres que eu jamais pensaria que poderiam me proteger. Unicornios...
- Me conte o que aconteceu? Você disse que ia procurar Harry...
- Eu fui. Mas algo aconteceu... Eu não sei ao certo. Eu vi a Srta. Granger. Ela estava só, numa praia. Disse que eles iriam destruir uma horcrux... Eu... Eu fiquei furioso, de repente, não podia... Ela falou que iria morrer.
- Você ficou furioso porque ela estava correndo perigo de vida?
- Eu não sei Alvo. Eles são crianças... Ela não pode morrer...
- Não pode morrer como Lilian...
Severo olhou o quadro imediatamente. Silencio na sala, ambos se olhavam.
- Ela não é Lilian. São cabeças ocas que não sabem em que estão se metendo. – Disse friamente, pausadamente, pontuando cada palavra. – Não comece a imaginar coisas Alvo.
- Eu não estou imaginando nada, pelo menos ainda não. Continue... O que aconteceu?
- Eu só lembro de uma luz forte... Eu tinha que proteger aquela menina. Mas eu comecei a sentir coisas estranhas... Eu acho que perdi a consciência. Eu só lembro de sentir muito calor e acordar cercado por dois unicórnios e uma tropa de centauros armados até os dentes.
- Você ficou mais de vinte horas naquele lugar filho, pense nisso. Nunca ouvi falar de algo como a ligação que você estabeleceu com a srta Granger. Nem sobre essa luz. Você teve muita sorte de que esses maravilhosos seres tenham te protegido dos centauros. Com toda a certeza eles não hesitariam em mata-lo. Você ainda acha que não tem uma ligação única com ela... Acha que seus sentimentos não estão mudando, se transformando em algo...
- Não termine essa frase Dumbledore. Eu não sou um moleque. Conheço e sei o que sinto. A srta Granger é um caminho para chegar aos meus objetivos. E ela nem faz ideia de quem é essa pessoa que se comunica com ela. Se ela imaginasse que fosse eu, com toda a certeza ela se afastaria. Lembre-se bem que a última vez que ela me viu foi logo antes de que eu o matasse. Eu sou o bruxo que tirou sua vida tão preciosa. Quem em sã consciência se aproximaria de mim, estando do lado de Harry Potter? Eu te respondo Alvo: NINGUÉM!
- Tudo bem Severo. Acredite no que quer verdadeiramente acreditar. Mas saiba que nunca será só o que você vê. Mas, que eu me lembre, unicórnios são seres puros e mágicos , extremamente inteligente e sensitivos que só protegem os seus ou algo que valha a pena ser protegido. E você, meu caro, é algo para eles que deve ser protegido.
Severo não respondeu. Não tinha uma palavra a falar sobre aquele assunto. Mas até ele mesmo duvidada do que dizia. Ele estava ligado a Hermione Granger. E ele se lembrava das suas últimas palavras: ”Minha Hermione... Minha.” Não sabia o porque de ter dito aquilo, mas desejava dentro de si que ela se sentisse dele. Ele queria sentir novamente o que sentiu no clarão. Que ambos se pertenciam.
- Vou dormir o pouco que me resta Alvo. Boa noite.
- Boa noite filho. Descanse.
Depois desse dia, Severo evitou buscar novamente sua Hermione.
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Cameron foi até o corujal, que estava fechado por ordens do diretor. Era um dia austero, frio, assim como aquele lugar. Sua impressão era de que algo aconteceria pra mudar tudo, mas ele sabia que seria mais um dia morto como muitos dos que já tinha passado ali. Ficar do lado de fora do castelo próximo ao corujal, ali era seu lugar favorito em toda Hogwarts. Podia passar horas somente olhando pra tudo que o cercava ou simplesmente ouvindo os som dos animais que estavam próximos ou do vento batendo nas árvores. A natureza o acalmava.
- O que faz por aqui? – Disse uma voz feminina que ele já conhecia de cór.
- Esperando ser assustado por você Weasley...
- Você ainda não me respondeu.
- Estou pensando, algum problema com isso?
- Os monitores vão criar problema pra você.
- Eu avisei que vinha ficar aqui. Eles deixaram você sair sem problema?
- Não, eu fugi. – Disse Gina de forma petulante.
- Bom pra você. Espero que não te encontrem. – disse Cam, dando um sorriso torto.
- É só isso? Não vai me seguir?
- Eu? Não tenho vontades transloucadas de seguir as pessoas.
- Sabe... Por um momento pensei que você estivesse do lado dos Comensais...
- Não sirvo pra esse tipo de papel. Mas se não tomar cuidado vai ser novamente castigada por eles.
- Então você presta atenção as coisas que acontece no castelo?
- Como todo bom aluno...
- Eu também presto atenção, senhor Grant. Sei que tem se isolado de todos, que não fez amigos, muito menos inimigos...
- Não vi necessidade.
- Poucos sabem sobre sua vida. Dizem que você é neto da Professora Minerva, que o Diretor te odeia e por isso vive te cercando...
- E isso não é bom? Quando ninguém sabe de você não sabem do que você é capaz. Agora sobre o diretor viver me cercado... Acho que ele tem medo de eu ser um espião... Ou algo do tipo. Você sabe bem que quando Snape implica...
Gina riu. – Espião eu acho demais... Mas dizem que você não gosta dos comensais...
- Não gosto de alguns métodos de ensino. Mas são grande bruxos.
- Grandes bruxos? Você não está qualificando demais esses assassinos?
- Então você é partidária do Grande Potter?
- Ele não é grande... Apenas luta pelo que acredita ser o certo.
- E você luta por ele...
- Eu luto também pelo que acredito.
- Você e seus amigos gastam energia demais e do modo errado lutando pelo que acreditam.
- É mesmo?!? – Ironizou.
- Eu penso que deveriam buscar uma forma de ajudar a causa do Potter, sem serem castigados todas às vezes, como tem acontecido com você, Neville, Luna e os outros da Armada...
- Então você já ouviu falar da Armada Dumbledore?
- Escutei algumas coisas... Quem sabe o que procurar sabe onde buscar...
- Esperto. Você então já escolheu o seu lado nessa guerra?
- E é preciso escolher um lado?
- Mas é claro! Ou você está contra Você-sabe-quem ou está a favor.
- Decidi ser neutro. Posso?
- Ajudar os dois lados?
- Não. Não me comprometer com nenhum deles... Ajudar quem precisa.
- Eu realmente não te entendo Cameron.
- Me chame de Cam. E não precisa me entender.
- Quer que eu fique um pouco com você aqui?
- Se você não temer o frio e o monitores...
- Sabe, amanhã muitos voltaram pra casa. Acho que não há problema de ficar um pouquinho aqui com você.
- Você é quem sabe... Mas, e como vai os treinos quase secretos da AD?
- Muitos estão com medo das represálias, por isso só o grupo inicial ainda está unido. Somos pouco e treinamos quando dá. Você não pode comentar sobre isso com os outros.
- Não se preocupe, não vou delatá-los. Não sou disso.
- Obrigada. Eu imaginava que você dissesse isso.
- Como você pode saber? Mal nos falamos... Não sou do seu grupinho...
- Isso pode parecer ridículo, mas não sei, senti que posso confiar em você.
- Sentiu?
- Você não confia no que você sente?
- Às vezes, mas preciso conhecer pra confiar em alguém.
- Concordo, mas isso não me impede de dar uma chance as pessoas.
- Acho que você conviveu muito com Harry Potter.
- Você chegou a conhecer o Harry?
- Quem nunca ouviu falar de Harry Potter, ainda por cima agora que é procurado pelo Ministério.
- Então como pode saber como é o Harry?
Fui pego! – Pensou Cam. – Tenho que sair dessa...
- É o que falam dele... Não tinha como não conhecer o grande Potter e seus feitos morando em Hogwarts. Não é mesmo Weasley?
- Weasley? Agora eu voltei a ser Weasley... Droga, eu pensei que você era diferente dos outros... – Disse ficando de pé na frente dele.
- Não falei pra ofender. Não é o seu sobrenome? – Disse sarcástico.
- Mas quem me chama assim são os sonserinos e partidários de você-sabe-quem. Eu não gosto.
- Me desculpe, como disse, não era para ofende ou magoá-la.
- Como você disse, não se preocupa com os que sofrem, com as mortes dos outros, somente o que te prejudica te importa?
- Não. Não sou insensível, somente me intrometo onde posso, não fico caçando confusão como vocês tem feito. Quanto mais confusão, mais vigiados vocês serão.
- Mas temos que fazer algo para tentar ajudar.
- Ajude, mudando o foco para os outros, assim será mais fácil e vocês conseguiriam o que planejam.
Gina então se aproximou de Cam. Ele a olhou um pouco assustado e com surpresa. Ela estendeu sua mão ao rosto dele e o tocou levemente.
- Quem é você?
- Você sabe quem eu sou.
- Eu não digo aqui por fora, digo aqui dentro. – Disse tirando sua mão do rosto e a colocando no peito dele.
Cameron se arrepiou e a olhou profundamente. Os olhos de Gina brilhavam.
- Você esconde algo Cameron. Disso eu tenho certeza.
- Então você deveria ter medo de mim. – Disse engolindo seco.
- Não é medo... Eu não sei o que é... Mas seus olhos... Ele me fazem confiar em você.
- Os olhos são o espelho da alma...
- Sim, uma amiga minha me disse isso uma vez.
- Não confie assim tão facilmente nas pessoas Ginevra Weasley.
- Cameron... – Ela o olhou com súplica. – Confie em mim!
- Sinto muito, mas não posso. – Levantou e então saiu. Não queria olhar para trás, mas não consegui. Não queria olhar para trás, mas não conseguiu. Ao olhar sentiu algo diferente. Ele vi os olhos claros fixos nele, o olhando com curiosidade e parecia que havia carinho neles ou algo mais.
- Eu não posso me apaixonar por você Gina, simplesmente não posso... – Disse sussurrando enquanto voltava apressado para o castelo.
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Meses se passaram rapidamente. Para muitos os dias se passavam tão lentamente, carregado de angustia e medo da perseguição contra os nascidos trouxas ou meio sangue. E o tempo voava para aqueles que trabalhavam sem cessar seguindo os rastros dos seus fugitivos, suas presas; ou trabalhando para o Ministério da Magia ou como escravos dos novos Mestre bruxos, partidário do Lorde das Trevas. Draco e Cam continuavam com seus planos, a Armada com seus treinos e a vida se limitava a rotina. Cam passou a evitar Gina, assim como os outros da Armada. Draco continuava com seu treinamento de Comensal, tentando saber o que acontecia no meio de Voldemort.
O Castelo de Hogwarts está um reboliço só. As aulas tinha sido canceladas repentinamente e por tempo indeterminado, visto que Lorde Voldemort necessitava de seus maiores seguidores para caçar Harry Potter, e eles eram os professores. Harry havia escapado do Banco Gringotes e não foi seguido. Havia sumido novamente igual a fumaça. O mito estava sendo criado e Voldemort não poderia deixar que o nome de seu maior inimigo fosse maior que o seu próprio.
Mas isso não queria dizer que haveria paz e tranquilidade em Hogwarts. Pelo contrário, as coisas tinham se mostrado piores. Todos os alunos que não pertenciam ao grupo seletos de alunos da antiga Sonserina eram tratados como detentos. Tinham toque de recolher, comida controlada e não era permitido sair de dentro do Castelo, mesmo acompanhados por um professor.
No salão Comunal reservados aos excluídos, a novidade era a nova passagem que fora descoberta, ligando Hogwarts ao Cabeça de Javali, em Hogsmeade. A oportunidade de comer algo mais decente ter contato com o mundo lá fora diminuía a insegurança e a ansiedade deles. Porém era um segredo que deveria ser mantido, e Cameron não foi avisado sobre o achado, mesmo ele sabendo que a passagem existia. Isso lhe mostrou o quando aquele grupo confiava nele. Ele não fora aceito. Era a primeira vez que não era aceito em um grupo, e isso o feriu.
Era já primavera, e a cada vez mais se aproximava o dia da grande Guerra. Cam sabia bem que muitos ali iam morrer, talvez até ele próprio, mas o destino de seus pais tinha que ser mudado. Revisou seu plano novamente com Draco depois do treino. Relembrou que em poucos dias Harry chegaria à Hogwarts e a Guerra explodiria. Tinha que ter tudo pronto, nada poderia faltar. Cada poção tinha sido feita para esse grande dia, seu pai iria precisar, assim com sua mãe.
Saindo da sala secreta, Draco voltou para a sala de poções enquanto Cam foi para a torre de Astronomia. Saiba que não estaria sozinho mas surpreendeu-se quando viu Neville olhando a paisagem. Neville se virou.
- Pensei que iria demorar mais um pouco, já estava desistindo.
- E por que já não foi? O que você quer?
- Gina disse que eu poderia encontra-lo aqui. Bem, ela realmente sabe onde cada um pode estar nesse castelo.
- Perguntei o que quer...
- Ok. Sempre direto ao assunto, não é?
- Exato.
- Vim avisá-lo sobre a passagem que encontramos para fora de Hogwart.
- Eu já sei. A que vai pra Hogsmead, no Cabeça de Javali. O que mais? – Disse Cam presunçoso. – Alguma novidade que deva ser escondida de mim??
- Eu devia ter imaginado que você saberia. Nada te passa despercebido.
- Realmente não. E o que acontece quando você mora com outras pessoas. Você apenas sabe. Mais alguma coisa?
- Pra falar a verdade sim. As coisas que você está pegando emprestado na estufa vão acabar semana que vem. Deixe, pelo menos eu refazer o estoque para a escola. E a Gina pediu que você parasse de devolver os livros com atraso, principalmente os que tem somente uma edição.
- Mais alguma coisa Longbottom??
- A Gina está estranha... Você sabe de alguma coisa?
- Não, eu não sei. E mesmo se soubesse não acho que é da sua conta. Será que poderia sair, tenho que fazer algumas coisas...
Sem mais, Neville foi embora, deixando Cam possesso. Ele e Draco tinham sido descuidados, já que Neville tinha percebido seus saques. Em menos de 4 dias ele não precisaria desse estoque. Ele pegaria tudo logo de uma vez e faria o seu estoque pessoal. Sua mãe estava chegando juntamente com todo o inferno. Nada nem ninguém iriam perturbar seus planos, muito menos uma maldita ruiva que cheirava a frutas e jasmim.