"A criatura em seu peito rugiu triunfante, Harry sorriu para Ginny e fez um gesto mudo indicando a saída do buraco do retrato. Um longo passeio pelos jardins parecia o mais indicado, durante o qual, se tivessem tempo, poderiam discutir o jogo."
Harry e Ginny estavam andando pelos corredores em direção ao hall de entrada. Embora Harry tinha decidido que pouparia a fala, como fez minutos atrás beijando Ginny, a decisão tinha sido adiada, porque, agora, sua atenção foi completamente consumida e direcionada para a cabeça-vermelha bonita ao lado dele, apaixonadamente dizendo-lhe a incrível história daquela final...
- ... e Cho, certo? Ela avistou o pomo 3 segundos depois que eu avistei, nem mesmo se deu o trabalho de procurá-lo - ela ficou na minha cola o tempo todo! -, e nós duas disparamos como um tiro. E então, você acredita, ela praticamente me empurrou da minha vassoura depois que eu já tinha pego o pomo! - Ginny exclamou, jogando as mãos para cima para provar seu ponto de incredulidade da questão. Ela, andando com um salto ligeiro em seus passos, ainda vestindo seus trajes enlameados de Quadribol escarlates, estava ansiosa e demonstrando cada movimento.
Ela se aproximou dele, abraçando-o pela cintura e posicionando sua cabeça em seu ombro.
E assim, eles continuaram rumando pelo castelo.
Harry abriu um sorriso enorme. Tudo bem, ele queria ter ido ao jogo e feito tudo isso, mas ver Ginny assim, tão feliz, fez Harry esquecer-se disso tudo. Ele, também, sentiu a sensação - já familiar - de poder ser capaz de loopings, ao seu toque.
Seu afeto por ela cresceu ainda mais.
- Ranhoso é um estúpido, eu...
Harry parou de andar.
- Espere, do quê você o chamou? - as únicas pessoas que ouvira chamarem Snape de Ranhoso, eram seu pai e padrinho.
Ginny corou e sorriu timidamente:
- Bem, eu ouvi Sirius chamá-lo assim uma vez, e eu achei perfeito, não é? Se encaixa perfeitamente nele.
Ele sorriu e colocou um braço sobre os ombros dela em resposta.
Eles continuaram a andar, Ginny tentando explicar o jogo para que ele se sentisse como se Harry não tivesse perdido tudo. Ele riu alto toda vez que ela representava Cho chorando sobre a perda da partida. Quer dizer, se foi ou não, ele não perdeu muito tempo contemplando.
- ... e antes que eu percebesse, ele estava na minha mão. Eu não daria essa sensação por nada nesse mundo.
Os olhos dela estavam fechados, como se estivesse revivendo o momento. Com um sorriso significativo em seu rosto. Harry entendeu-a completamente. Ele conhecia esse sentimento. De repente, seus olhos se abriram. Ela parou de andar, fazendo com que Harry parasse, também, e ela olhou para ele. Olhando para trás, ele notou que ela estava sorrindo para ele. Sua respiração engatou em sua garganta quando ela estendeu a mão e acariciou sua bochecha, suavemente.
- Tudo bem, eu posso dá-lo em troca de algumas... coisas.
Harry deu-lhe um olhar desafiador por um momento, querendo ver aonde ela iria, e então respondeu, enquanto retirava uma mecha vermelha do belo rosto dela.
- Eu, por exemplo, acho que você é maluca. - ele contornou os lábios dela com o polegar, se divertindo de como de repente a respiração dela ficou descompensada - Não há nada melhor que essa sensação.
As palavras de Harry tiveram o efeito desejado; Ginny pegou a frente de suas vestes e, com um aperto não tão chocantemente forte, puxou-o para ela. Pela segunda-terceira-quarta-quinta-sexta-sétima vez naquela noite - ele não tinha a mínima ideia -, Harry Potter beijou Ginny Weasley e ele não se importava que ela era irmã de seu melhor amigo. Harry não se importava com Voldemort ou o que ele devia fazer sobre ele e ele não se importou com a detenção de Snape fazendo com que ele perdesse a final da Copa de Quadribol como capitão. Seus braços estavam em volta de Ginny, seus lábios a dançando juntos, em sincronia perfeita as duas línguas se enlaçando, e isso era tudo que importava para ele.
Ele quase gemeu em protesto quando ela puxou de volta, mas se conteve de fazê-lo. Ela, sendo muito menor do que ele, estava olhando para ele, sorrindo, com o rosto um pouco corado. Harry não tinha certeza se ele já tinha visto nada mais bonito.
- Você é louco - Ginny respirou -, existem, definitivamente, sensações melhores.
Harry riu:
- Obrigado por me corrigir.
Ele não tinha tirado seus braços longe de sua cintura, tendo sido completamente satisfeito com o funcionamento de suas mãos para cima e para baixo de suas costas lentamente.
Para sua surpresa, Ginny estreitou os olhos para ele.
- Eu deveria ter visto isso vindo - ela tirou o cabelo do rosto, impaciente. - Você só disse isso para me beijar... como a aquela vez, discutir o treino, heh? Potter, você tem esse costume de abusar de artilheiras do seu time?
Ela não esperou pela resposta dele, e se apressou a continuar seu caminho sem ele.
Harry a seguiu, obviamente, se divertindo com aquilo, mãos enfiadas nos bolsos e um sorriso estúpido no rosto.
Puxando-o pela mão, Ginny e Harry tinham, finalmente, chegado aos terrenos de Hogwarts.
Sorrindo maliciosamente, Ginny se virou para ele. Harry olhou-a com cautela.
- Ginny... - ele começou.
- Siga-me - ela sussurrou antes de decolar, correndo como uma criança.
Harry revirou os olhos, mas sorriu e seguiu, no entanto. Perseguindo sua cabeleira vermelha cortando o vento, ele percebeu, provavelmente devido ao Quadribol, que ela era muito rápida.
Harry realmente riu.
Olhando para trás, ele não achava que tinha conhecido alguém com o espírito livre de Ginny. Ela não era imatura, apenas se divertia e tentava ajudar as pessoas, para que estas se importassem em fazer o mesmo. Ele gostava da atitude dela de não se importar com o que as pessoas pensavam sobre ela ou sobre a maneira como se parecia (que era muito bonita, muito bonita e a maioria dos caras de Hogwarts queríam tê-la), nem ela dar para si um segundo antes de pensar em quebrar as regras. Ginny também era, extremamente, corajosa e poderosa, ele meditou. Ela tinha ido para o Departamento de Mistérios com ele no ano passado sem olhar para trás e absolutamente aperfeiçoou uma azaração realmente boa em um Comensal da Morte.
E ela também participou do Clube do Slugue. Onde só os talentosos entram, segundo Slughorn.
O que era uma honra, não era?
Perdido em seus pensamentos, ele quase colidiu com ela, não tendo notado que ela já tinha parado. Atrás dela, encontrou-se no Lago Negro. Ele se sentou na areia, um pouco sem fôlego de tanto correr e puxou Ginny para junto com dele, ela se sentou ao seu lado. Ela descansou a cabeça em seu ombro e ele sentiu o sopro do aroma de seu perfume floral, que fez formigamento em seu nariz de uma maneira agradável. Ele suspirou, inclinando o rosto em seu cabelo vermelho e olhou para além da água. Observando a forma como a luz da lua brilhava nas ondulações, Harry imediatamente lembrou da excitação dançante nos olhos de Ginny. Ele não conseguia se lembrar da simples presença de alguém fazê-lo tão feliz.
- Eu esperei tanto tempo por isso...
- Não - Ginny o corrigiu -, eu esperei tanto tempo para isso.
Ela riu da verdade de suas próprias palavras.
Harry não achou cômico. Ele se sentiu um idiota, para falar a verdade.
- Eu sou tão estúpido. Se eu ape...
- Não há nada que você pudesse ter feito. Você não gostava de mim na época... não desse jeito, pelo menos.
Ela saíu de sua posição confortável, levantando a cabeça para encontrar o olhar dele.
- Apenas levou um pouco de tempo para perceber. Eu sempre soube... além disso, você chegou lá, não é? - ela perguntou gentilmente com um pequeno sorriso.
Com um sobressalto, Harry pensou em outro casal: um de cabelos tão confusos quanto os dele e uma jovem de cabelos vermelhos flamejantes, em uma situação bastante parecida...
- Sim, graças a Merlin - brincou.
Para seu deleite, o sorriso de Ginny se alargou.
- O que você acha que Ron vai dizer? Não que ele vá mandar na minha vida...
Harry engoliu em seco e seu estômago pareceu cair levemente; Ron havia deixado sua mente por algum tempo...
- Eu não sei, ele é parte da razão pela qual eu realmente não te convidei para sair, em primeiro lugar...
- Ele é o quê? O que ele disse? - Ginny perguntou com raiva, os olhos se estreitando.
Harry ergueu as mãos, defensivamente.
- Não, não - ele disse suavemente -, ele não tinha a mínima ideia. - Quando Gina visivelmente se acalmou, ele continuou. - Eu não sabia como ele reagiria se eu lhe dissesse que não conseguia parar de pensar em sua irmã mais nova. - Ele não quis dizer isso dessa forma. Harry teria preferido que ela não soubesse que tinha tomado a maior parte de seus sonhos e devaneios.
Maldição, ele corou com essa confissão.
Tentou por tudo, conter o calor subindo para seu rosto.
- Que não conseguia parar de pensar em mim? - Ginny repetiu em voz baixa. Harry acenou com a cabeça, embaraçado. - Eu nunca pensei ouvir você dizendo isso...
- Honestamente, eu não me importo com o que ele tem a dizer sobre isso agora, no entanto. Tentei desde aqueles treinos, me manter longe de você. Mas agora, que... bem, todo mundo sabe, não vejo porquê pararmos. - ele sorriu levemente para seus grandes olhos cor de chocolate. - Eu não quero desistir disso para ninguém.
Ginny deitou a cabeça no colo de Harry, e Harry agradeceu, a fim de esconder o rubor que tinha começado a subir, e olhou para o lago.
Então ele percebeu que, eles tinham apenas uma espécie de aventura louca após os treinos de Quadribol e começaram a ficar ocupados com tantos amassos, que ele nem perguntou. Ele imaginou que, agora, era um momento tão bom como outro qualquer; o coração bombeando alto em seus ouvidos, mexendo em seus cabelos inquietamente, ele sussurrou para ela:
- Ginny?
Sim, ele iria pedir-lhe aqui.
Ginny rolou de costas para olhar para ele:
- Humm?
Ele respirou fundo, mas quando ele olhou para ela agora, todos os seus nervos tinham ido embora com a mesma rapidez que veio:
- Seja minha namorada? - Ele perguntou com um sorriso, esperando que o fizesse parecer mais confiante do que ele realmente se sentia. Claro, ela gostava dele, mas talvez ela não quisesse um relacionamento. Talvez-
Seu coração encheu-se de felicidade quando ela abriu um sorriso enorme para ele.
- Como eu poderia dizer não? - ela respondeu suavemente.
Harry sorriu enormemente para ela agora.
- Vou tomar isso como um 'sim', então, sim?
- Não, eu estava apenas perguntando como eu poderia dizer 'não', obviamente.
Foi uma maravilha como namorada de Harry Potter foi induzida a ter sessões de cócegas torturantes e risadas genuínas que poderiam ser ouvidas até dentro do castelo.
N/A: E aqui está. Eu amei cada segundo. Quis algo não tão hot quanto o anterior, pra poder mostrar que a relação dos dois não é só aquele fogo todo, hehe. Achei que mostrei bem como eu imagino o relacionamento deles: Ginny é forte, segura de si e é isso que o Harry procura em uma mulher. Agradecimento a JK Rowling, dona desses personagens fantásticos e a você também, que acompanhou essa fic. Quem sabe, role um bônus. Apreciem.