Passaram-se horas. Horas em que os pensamentos de Harry haviam ido de uma imagem para outra, procurando encontrar um sentido naquilo tudo. Mas era impossível, por mais que ele tentasse explicar a ausência e o retorno dela.
De súbito, a porta do quarto abriu-se e entrou o Dr. Carl Willis, que estava cuidando de Ginevra.
_ Vim falar com o senhor – disse o médico.
O coração de Harry deu um salto.
_ Já tem os resultados dos exames, doutor?
_ Da maior parte deles.
Sem perceber que cerrara os punhos, Harry deu um passo à frente.
_ Drogas?
O Dr. Willis fez um gesto de impotência.
_ Não sei o que foi injetado nela, mas não se trata das drogas que está pensando. Aliás, os sintomas que apresenta não são os de viciados em drogas que já vi. Não há traços de substâncias ilegais no organismo dela. Só foram encontrados indícios de sedativos. Sua esposa tinha dificuldade para dormir?
Harry estava surpreso. Não se tratava de drogas? Olhou para Ginevra, tentando assimilar a informação. Se não eram drogas, o que seria?
_ Sr. Potter?
Ele quase saltou.
_ Desculpe, doutor. O que disse?
_ Perguntei se sua esposa sofria de insônia.
_ Não... Não que eu saiba.
A mão de Harry acariciou a face de Ginny. Queria que ela acordasse. Precisava dizer-lhe que sentia muito, que precisava saber em que inferno ela estivera.
_ O que há de errado com Ginevra, doutor?
_ Ela sofre de grave concussão cerebral, e há marcas de ferimentos nas costas e no ombro, que indicam que foi vítima de um acidente.
Harry estremeceu, lembrando-se das palavras dela antes de perder os sentidos. Cuidado com o ônibus!
_ É possível saber quando esse acidente aconteceu?- perguntou.
E Harry contou ao médico, resumidamente, o que acontecera dois anos antes. O Dr. Willis lembrou-se de ter lido e visto notícias do caso Potter e envergonhou-se por ter pensado que o marido da desaparecida havia cometido o crime. Agora que sabia a verdade, sentia-se quase na obrigação de ajudar a resolver aquele mistério.
_ O sangue na cabeça dela ainda está exsudando um pouco de sangue e soro, o que indica que foi ocasionado a cerca de três ou quatro horas.
Harry empalideceu, lembrando-se que chegara a zangar-se com Ginny, e sua voz tremeu quando falou.
_ Ela vai ficar bem?
O médico hesitou, o que bastou para fazer o peito dele apertar-se.
_ O que é, doutor? – insistiu.
_ O senhor me disse que sua esposa parecia confusa a respeito do tempo que decorreu desde seu desaparecimento?
_ Eu pensei que ela estivesse fingindo – disse Harry.
_ Talvez – o Dr. Willis sacudiu os ombros._ Mas existe a possibilidade de que ela realmente não se lembre. A pancada na cabeça foi bastante violenta. A crescente a isso o estresse, o trauma mental, e é possível que esteja ocorrendo um caso de amnésia seletiva.
_ Ela vai se recuperar? Recuperar a memória, eu quero dizer.
_ Provavelmente, mas não se pode saber quando.
_ Quer dizer que talvez eu nunca fique sabendo o que aconteceu com minha mulher?
O Dr. Willis procurou falar de maneira encorajadora, porém nunca havia sido bom em consolar os outros.
_ Há sérios motivos para acreditar que, com o tempo, ela se recupere inteiramente. Mas até então o senhor precisará ter paciência.
Harry suspirou. Não era o que queria ouvir.
_ Ah, eu ia me esquecendo!- disse o médico. _ Há dois policiais lá fora querendo falar com o senhor.
Depois de mais um olhar para Ginevra, Harry saiu do quarto.