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10. Ciúme


Fic: Cansei de Ser a Mesma III


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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10


Ciúme


 


         - Não é aconselhado que qualquer auror do Ministério durma em hospedagens trouxas. – Falkes fazia um pequeno discurso para uma centena de pessoas no átrio do Ministério. – Não queremos alardes e mais pessoas inocentes feridas. – Alguns protestos, outros apavoramentos, mas nada fora do comum.


 


         - Aonde iremos dormir essa noite? – Perguntou perto do meu ouvido, ainda observando o velho falar.


 


         - O Caldeirão Furado está interditado para eventuais investigações, mas existem milhares de hospedarias bruxas por Londres.


 


         Vasculhei minha mente e nada me ocorreu.


 


         - Você acha que ficar com Ron e Luna é arriscado? – Perguntei e ele nem precisou responder. – Então, teremos que dormir em sua sala.


 


         - Ou talvez, nem dormir.


 


         Trocamos olhares preocupados.


 


         Voltamos ao nosso departamento como os outros. Alguns estavam decepcionados, peguei alguns pais de família chorando com a foto de mulher e filhos nas mãos e senti aquele clima de guerra como nunca tinha sentido antes.


 


         Enquanto caminhávamos, lado a lado, sua mão foi de encontro a minha, entrelaçou seus dedos gelados nos meus e segurou forte. Enchi os pulmões de ar necessitado e observei o rosto sério do rapaz.


 


         Tudo parecia em câmera lenta: Harry andando com passos firmes e decididos rumo ao desconhecido, seus cabelos mexendo com a leve brisa que invadia o espaço e seus olhos serrados, presos em seus pensamentos. Desprendi-me de sua adorável visão e paramos na frente de sua sala.


 


         Ele fez uma coisa que nunca fizera: passou a sua mão em minha cintura e colou seu corpo ao meu.


 


         Harry respeitava a linha tênue entre o trabalho e a nossa vida pessoal, sempre foi um chefe muito centrado e muito respeitoso, mas estávamos no meio de uma guerra, com cada passo controlado e sem lugar para morarmos. Nada podia ficar pior.


 


         Ficamos com um palmo de distância entre nossos narizes. Sua respiração estava presa, coisa que nunca estava. Ele estava com medo. Harry Potter estava com medo.


 


         - Me prometa.


 


         - Não comece com isso, não irei prometer.


 


         - Você nem sabe o que eu irei dizer.


 


         - Eu sei, você sabe disso. – Ele torceu o canto da boca.


 


         - Ok, vou reformular: Tente- Consenti com a cabeça. – ficar longe de encrencas.


 


         Eu ri e deitei minha cabeça em seu ombro, acariciando seus braços.


 


         - Oh, senhor Potter, - Imitei um sotaque francês. - até parece que você não me conhece há dez anos...


 


         Riu levemente entre meus cabelos e colocou os dois braços em volta do meu corpo.


 


         - Pelo menos, eu pedi e minha consciência está limpa. – Nos separamos e entramos em sua sala. Sentou-se atrás de sua bagunça que às vezes chama de mesa e eu sentei a sua frente, colocando as duas pernas em cima da cadeira.


 


         Olhou os pergaminhos a sua frente e suspirou longamente.


 


         - Quanto tempo faz que não tiramos férias? – Ele ergueu seu olhar confuso para mim e riu sarcasticamente.


 


         - Só você para pensar em férias agora... – Colocou as duas mãos atrás da nuca e ficou em dois pés da cadeira, se balançando para frente e para trás.


 


         - Ah, qual é? – Deitei a cabeça em um dois joelhos. – Trabalhamos muito esses meses.


 


         - Não irei tirar férias, Hermione, estamos no meio de uma guerra. – Foi sério e convincente.  


 


         - Me parece justo, nada de férias, mas eu queria fazer alguma coisa diferente hoje à noite... – Fiz cara de inocente e ele apenas me olhou de canto de olho. – Já que estamos proibidos de usar carros e transportes trouxas, podíamos aparatar para um lugar onde só fiquemos nós dois...


 


         Levantei-me e fui atrás de sua cadeira, pegando em sua nuca e adjacências para lhe fazer uma massagem relaxante.


 


         - Continue. – Fechou os olhos e relaxou ao meu toque.


 


         - Como aquela praia em Saint Tropez, você se lembra? – Abaixei-me um pouco perto do seu ouvido. – Aquele presente lindo que você me deu de Natal do ano passado...


 


         Ele se arrepiou.


 


         - Podíamos dar apenas uma fugidinha para espairecer as idéias... – Minha voz ficou rouca e sensual, a cada palavra dita, um centímetro era avançado até sua orelha.


 


         - Você está me deixando louco, sabia? – Virou a cabeça e ficou me encarando fortemente.


 


         - Eu faço isso com os homens, não tenho culpa. – Sorri safadamente.


 


         - POTTER! – Alguém entrou na sala fazendo um barulho alto, quebrando em mil pedaços todo o clima que tínhamos montado. – ENCONTRARAM!


 


         Meu coração deu um pulo para fora do peito. Harry, desorientadamente, pulou de sua cadeira e correu para fora de sua sala. Eu demorei para meus pés voltarem a ser controlados pela minha vontade e ao chegar no burburinho de pessoas, percebi que não era exatamente aquilo que eu estava pensando.


 


         - Alguém pode me explicar? – Havia vários auror em volta do prisioneiro sentado em uma cadeira bamba, desacordado, e nenhum levantou a mão para dizer.


 


         Harry sacou a varinha e apontou para sua testa. Em segundos, o bruxo acordou e tentou se soltar. Isso rendeu passos para trás e gritinhos histéricos das mais novas.


 


         - Aonde encontraram? – O mesmo jovem que entrou subitamente na sala de Harry, se propôs a falar.


 


         - Em Hogsmead. – Ergui uma sobrancelha. – Ele -- Limpou a garganta. – é responsável pela morte de três trouxas e o pegamos tentando matar um morador local. – Disse tristemente.


 


         - E você tem essas informações baseadas em...?


 


         - Eu o interroguei. – Pude notar o olho inchado do auror.


 


         - Certo. – Soltou o moreno vendo que era apenas um sujo, um mero aprendiz. – Levem esse idiota para Azkaban. – Virou as costas.


 


         - Mas, Potter, ele pode ser útil! – Disse num tom alto, tendo a atenção do moreno.


 


         - Levem-no para Azkaban antes que ele mate mais alguém. – Soltou entre os dentes, voltando até sua sala.


 


         Eu o segui, tão confusa quanto o jovem. Fechei a porta atrás de mim e o frio Harry estava sentado em sua mesa, detendo toda sua atenção aos mais diversos pergaminhos a sua frente.


 


         - Você nem quis interrogá-lo... – Comentei.


 


         - Perca de tempo. – Odiava seu descaso.


 


         - Perca de tempo? Ele matou pessoas inocentes, Harry, ele teve uma iniciação para isso! Ele poderia ter- -


 


         - Não me diga o que fazer, Hermione.


 


         Onde foi parar aquele Harry carinhoso de três minutos atrás?


 


         - Ótimo, fique aí, sozinho com sua grosseria.


 


         Parti de sua sala irritada, ao dobrar a primeira esquina rumo a sala de café, esbarro no ombro de Nathalie que tinha uma cara tristonha e a cabeça no mundo da lua.


 


         Observei que seu brilho natural de piranha ladra de namorados não estava mais tão acesso e sua mente estava preocupada demais para pensar em planos de me tirar de perto de Harry.


 


         - O que houve? – Deus meu, eu irei me arrepender disso.


 


         - Nada, não precisa se preocupar... – Limpou o ranho que escorria discretamente das narinas e pegou seu caminho. Caminho esse que acompanhei com os olhos até chegar à sala de Harry.


 


         Maldita.


 


         Nunca estendo uma mão amiga, quando estendo, até meu namorado é levado!


 


         Acelerei o passo em direção ao local, ao chegar bem próximo da porta, sinto-a bater em minha face, indicando que a conversa tem que ser particular. Oras, particular? Eu durmo com aquele homem, não existe particular entre nós!


 


         Olhei dos lados, percebendo que alguns curiosos se meteram no meio da minha ação contra chifres. Disfarcei, alongando as pernas, indo para um lado e para o outro, fingindo não estar ali.


 


         Dez segundos depois, tudo se normalizou e eu fiquei sentada na cadeira que tinha ao lado da porta.


 


         Às vezes, eu me orgulho de ter sido a melhor aluna da Grifinória. Saquei a varinha dos bolsos e encostei a ponta na parede atrás de mim, tudo discretamente e sem um movimento para olhar a ação. Murmurei um feitiço que faria com que eu ouvisse atrás das portas.


 


         - Oh, Harry, eu fiquei com medo que isso afetasse nossa relação...


 


         Ah, me segurem, pois irei matá-la.


 


         - Isso não irá afetar, Nathie.


 


         Ah, me segurem, pois irei matá-lo primeiro, e depois, matá-la.


 


         - Foi bom você me procurar antes que eu descobrisse sozinho.


 


         - Mas eu quero deixar claro que- - Um silêncio que me deixou preocupada e imaginando milhares de coisas. – que eu só fiz isso porque não queria te sobrecarregar.


 


         - Você não fez mais do que a obrigação.


 


         Que conversa louca é essa?!


 


         A porta se abriu e eu pulei da cadeira, dando as costas para o casal. Por cima do ombro, percebi que apenas a loira saíra da sala, limpando as lágrimas. Demorei três minutos e invadi a sala de Harry, fingindo estar feliz e despreocupada com o ocorrido.


 


         - Não se faça de cínica, você estava ouvindo. –Riu ao se sentar na cadeira. – Esse feitiço deixa a parede azul. – Apontou para a pequena bolsa azul exatamente aonde eu tinha encostado a ponta da varinha.


 


         - Ok, eu admito, fiquei possessa de ciúmes. – Ele riu mais uma vez.


 


         - Os tios da Nathalie têm uma rede de hospedarias bruxa por toda a Grã-Bretanha. Eles receberam algumas ameaças e dois funcionários desapareceram. Ela pediu para que o Polk liderasse uma equipe de buscas.


 


         - Era isso? – Soltei aliviada, me jogando em uma cadeira a sua frente.


 


         - Ela se sentiu traidora por ter pedido isso a ele, e não a mim. – Um silêncio ficou entre o dialogo, enquanto eu pensava o quão tola fui. – E ela nos chamou para dormir em uma das hospedarias que fica a três minutos de Londres.


 


         Meu sorriso minguou. Estava muito bom para ser verdade.


 


         - E você aceitou?


 


         - Eu iria recusar? Não temos aonde dormir.


 


         - Ela também está dormindo lá?


 


         Ele ficou sério e me encarou.


 


         - Por favor, Hermione, pare com esses ciúmes! – Quase gritou ficando relativamente corado.


 


         - Antes fosse ciúme... – Resmunguei.


 


         Cruzei os finos braços contra o peito e me rendi às decisões tomadas pelo bruxo. Depois de três horas, exaustos, fomos até a mesa de Nathalie, que ainda estava tristonha, e Harry pediu que ela nos acompanhasse. Um sorriso de quinze centímetros abriu em sua face, pulando da cadeira e pegando sua bolsa.


 


         Ela nos dizia que íamos adorar, que o preço era acessível e que ficava muito bem localizado... Corrigindo: ela dizia isso a ele, e não a mim, já que me empurrou de lado e grudou como chiclete no braço do moreno.


 


         Fiquei dois passos deles, me sentindo uma idiota, burra e imcapaz de provocar a morte. Aparatamos do átrio do Ministério até a frente do suntuoso hotel. Por alguns segundos, analisamos as casas em volta, todas muito bem decoradas, demonstrando poder aquisitivo elevado. A entrada era um pouco simplória, com tijolos vermelhos e uma porta giratória com detalhes dourados. Ao entrar, a pequena impressão que tivemos se reverteu e a grandiosidade do local encheu nossos olhos.


 


         A loira acelerou o passo puxando propositalmente Harry do meu lado. A cena era patética e eu encarava tudo a sangue frio.


 


         Alguns parentes de Nathalie – pura dedução minha – estavam na recepção, a loira deu um beijo na bochecha de cada um e apresentou Harry como sendo seu famoso chefe. Lógico que todos conhecem Harry Potter mas ela tinha que apresentar como um amigo íntimo.


 


         Eu fiquei de longe, cruzando os braços, analisando todo o local e tentando, desta vez, conter as lágrimas de ódio. Mirei meu olhar no bar e uma figura conhecida sentada em um dos altos bancos me fez ir até lá.


 


         Ele estava fantástico com um blaiser cinza claro, uma calça mais escura e um tênis esporte. Bebida whisky e encarava o nada. Uma peça vulnerável para minha vingança.


 


         Vingança. Eu nunca tinha pensando nesse contexto com Harry. Ele é o namorado perfeito, é o amor da minha vida.


 


         Nos tempos de Hogwarts, eu me vinguei de cada idiota que passou pela minha mão e isso não resultou em nada. Eu estou sendo levada pelo momento.


 


         Virei às costas, mas era tarde demais.


 


         - Que mundo realmente pequeno. – A sua voz fluiu me deixando levemente arrepiada.


 


         Voltei a olhá-lo com um mero sorriso no rosto.


 


         - Não me diga que também está hospedada aqui?


 


         Levemente, olhei por cima dos ombros vendo Harry e Nathalie conversando animadamente com um dos recepcionistas enquanto a loira abraçava o braço do meu namorado.


 


         Oh, papai, você está dando risada aí em cima.


 


         - Sim, estou. – Sentei-me a sua frente pedindo ao barman o que ele tinha de mais forte naquele bar. – E você? – Concordou com a cabeça.


 


         - Você já deve saber que eu estou em serviço, certo?


 


         - Oh, que serviço, não? Quisera eu estar em serviço e estar em um bar, não necessariamente nessa ordem. – Ele riu.


 


         - Eu adoro seu senso de humor. – A bebida chegou e já entrou, em um gole só. – O Potter também está aqui, presumo eu.


 


         - Normalmente, é isso que os casais fazem, se hospedam no mesmo hotel.


 


         - Entendo, então, porque ele com a Nathalie e você está aqui?


 


         Merlin amaldiçoe esse homem.


 


         - Porque ele é um idiota. – Sorri maliciosamente.


 


         - Nunca pensei que ia ouvir isso da sua boca.


 


         - Nem eu... – Sussurrei vendo meu copo encher novamente.


 


         Senti seu belo par de olhos pairarem sobre o meu. Polk era um homem irresistível, se eu estivesse solteira, ele não fugiria das minhas unhas. Senti alguma coisa esquentar meu peito, uma sensação esquisita, que eu não senti a muito tempo. Aquilo subiu para minha nuca e soltei o ar que prendia em sinal de calor.


 


         Deve ser a bebida, com certeza.


 


         Ele pôs sua mão direita na minha frente firmemente fechada e depois de três segundos, abriu, revelando um pedaço de papel anotado o numero do seu quarto.


 


         Olhei para sua mão, e depois seus, olhos. Mãos, olhos. Olhos e mão. Estendi e peguei. Nem quis olhar o número, enfiei rapidamente no bolso da calça.


 


         - Não irei esperar, mas se quiser--  


 


         Não terminou a frase e partiu rumo aos elevadores.


 


         Merlin.


 


         Engoli o resto de bebida que estava em meu copo e fiquei três minutos sentada, olhando todas as pessoas naquele bar que também era um restaurante; Vários bruxos do Ministério estavam lá.


 


         Peguei o caminho do saguão de entrada e procurei Harry nos quatro cantos, e o desgraçado tinha sumido. Um recepcionista veio até mim e entregou a chave me dizendo que estávamos no décimo andar. Enfiei as chaves nos bolsos, agradeci e peguei os elevadores.


 


         Dentro de um, dividindo com um moleque que devia ter menos de doze anos e uma senhora que cheirava formol, foi pensando nos piores feitiços de tortura que eu conhecia.


 


         Sentia ódio, raiva, remorso, mágoa, angústia. Tudo que não era recomendado uma louca descontrolada com uma varinha na mão. Desci no determinado andar e andei por um corredor cheio de portas, com tapete e papel de parede combinando com as luzes amareladas.


 


         Parei na frente da porta que supostamente poderia estar meu namorado e tomei todo o ar daquela região para mim. Enfiei as mãos nos bolsos e resgatei a chave e o bilhete de Will, em uma sacada só.


 


         A mão direita, a mão da razão, estava a chave. A mão esquerda, a mão da emoção, estava o bilhete. Estava me sentindo com Alice no País das Maravilhas com dois pedaços de cogumelos gigantes na mão. Um me faria crescer e o outro, encolher.


 


         Metáforas a parte, eu tinha que tomar uma decisão.


 


         Deliberadamente, enfiei a chave no buraco da fechadura e a girei. Ao abrir a porta, várias imagens do que eu poderia encontrar invadiram a minha mente, mas encontrei um Harry pensativo, lendo uma carta, sentado na cama.


 


         Ergueu o olhar para mim e depois voltou a ler. Enfiei chave e bilhete novamente no bolso e sentei-me ao seu lado.


 


         A carta era de Ron. Merlin deve saber como ele nos encontrou. Ele dizia que daqui a um dia tinha um importante jogo na Irlanda e que nós deveríamos ir. Também comentou que Milk estava com saudades de nós e que Luna foi acompanhar seu pai até a Namíbia, refúgio que ele ficaria até tudo isso acabar. 


 


         - Um jogo em plena guerra? – Comentou fechando a carta.


 


         - Eu acho que eles não seriam caras de pau de atacar na frente de milhares de pessoas.


 


         - Andou bebendo? – Perguntou incrédulo.


 


         - Um gole apenas. – Menti.


 


         Fiquei um pouco distante e sem aquele carinho que sempre tinha quando estava ao seu lado e fui notada.


 


         - Eu percebi que você não gostou.


 


         Eu podia explodir naquele momento apontando o dedo para seu peito, mas nesse momento, não precisamos de brigas e sim, de paz.


 


         - Fica a dica para não se repetir.


 


         - Me desculpe, certo? – Pegou em meu braço e me trouxe para seu ninho pessoal.


                    


Toda aquela raiva desapareceu. Fiquei com as duas mãos em seu peito enquanto ele alisava meu braço e repousava o queixo em minha cabeça. E por um segundo eu cogitei a idéia de ir para o quarto de Will.


 


Adormecemos depois de mandarmos uma coruja respondendo a carta do ruivo; confirmamos a nossa ida e que nos encontrariam no Átrio do Ministério no dia do jogo, para aparatarmos todos juntos.


 


Antes do nosso deleite, tínhamos um dia inteiro pela frente.


 


***


 


         Dormi uma das melhores noites nesses últimos meses. Senti meu corpo descansar de tal maneira que nem sabia descrever. Não tive pesadelos, mas também não me lembro de ter tido um sonho bom. Um grande preto invadiu a minha mente, ao contrario de Harry que se debateu algumas vezes me acordando.


 


Entramos no restaurante do hotel a fim de tomar um reforçado café da manhã quando o relógio batia sete horas da manhã. O expediente começaria muito cedo hoje. Sentamos um uma mesinha pequena e logo o cardápio veio flutuando até nós.


 


         Olhamos o estranho cardápio que aparecia apenas aquilo que você comia. Escolhemos sem delongas e ficamos esperamos a tão desejada comida chegar. Pude notar que nem Nathalie nem Will estavam pelas redondezas e espero que assim fiquem.


 


         Ficamos conversando coisas triviais como a poeira que deve estar nosso apartamento, que a cama era bem macia e que a água do banho mudava de cor. Coisas triviais, como eu disse.


 


         A comida chegou, e como leões em sua presa, devoramos sem muitas palavras.


 


         Ao passar pela porta giratória, aparatamos direto para o Ministério para começar mais um longo dia de trabalho. Ou não.


 


         Percebemos uma agitação fora do comum em um dos cantos do Átrio. Ao chegarmos mais perto, comentários surpresos foram enchendo nosso ouvidos e nossa cabeça de deduções. Pedimos licença e depois de alguns empurrões, estávamos na frente de um informativo de mais de um metro nas cores laranja e verde fluorescente.


 


         Era a Festa do Centenário da Caça aos Vampiros de Londres. E ia acontecer no final de semana. Pelo que eu pude ouvir sobre essas festas, toda a nata política e social bruxa da Grã-Bretanha se junta em um lugar com teto e fazem uma festa para encher a cara e comemorar alguma coisa fútil.


 


         - Você tem que impedir isso, Potter! – Ouvimos um velho dizer atrás de nós e logo todos concordaram, gritando e levantando os braços. – Estamos no meio de uma guerra!


 


         - Ok, não precisam nos lembrar toda hora. – Soltei para mim mesma, mas uma boa parcela da multidão me ouviu.


 


         Harry saiu daquele miolo e puxou seu braço comigo. Entramos no elevador sem trocar uma palavra, mas saibamos que Falkes tinha muitas delas para trocar conosco.


 


         Entramos no departamento e tudo pareceu desacelerar. Harry andou rapidamente e me ultrapassou. Meus passos foram diminuindo tentando achar aquele barulho característico do local, mas não encontrei. Foi quando um sussurro invadiu meus ouvidos e chamou pelo meu nome. Uma voz angustiada e necessitada.


 


         Com tudo mais lento, pude observar o semblante de medo de cada um que trabalhava lá. O que tinha acontecido, eu não sabia, mas a grande tristeza encontrou nosso local de trabalho.


 


         - Hermione. – Chamou novamente até eu mexer normalmente minha cabeça para o moreno. – Vamos. – Sugeriu pegando em meus dedos.


 


         Falkes estava sentado em sua mesa, de costas para a porta. Com o pé, mexia a cadeira de um lado para o outro enquanto uma das mãos segurava sua cabeça.


 


         - Fechem a porta. – Ordenou numa voz fria e tristonha.


 


         - Nós perdemos alguma coisa? – Perguntei vendo a penumbra que estava aquele local.


 


         - Na noite de ontem, - Virou-se para nós. Estava com olheiras e visivelmente abalado. – mandei uma equipe de apoio na King Cross quando soube que alguns professores iam para Hogwarts ajudar na segurança da escola. Houve um ataque na estação, na frente de milhares de trouxas.


 


         Meu estômago afundou.


 


         - Draco Malfoy estava nele. Um dos sobreviventes - - Sobreviventes?! – me disse que ele está possesso. Eles atacaram a professora Rolanda Hooch e Filius Flitwick.


 


         Novamente, meu estomago não agüentou.


 


         - Eles foram levados para o St. Mungus mas- - Suspirou. – Bem, além disso, a passagem oficial para Hogwarts está destruída.


 


         Levei as duas mãos à boca e Harry arregalou os olhos verdes.


 


         - Por que não nos chamaram?


 


         - Foi rápido, Potter, muito, muito rápido. – Suspirou. – Tivemos uma baixa de seis Auror.


 


         As lágrimas eram inevitáveis.


 


         - Por que matar professores?


 


         - Foi um acidente, uma fatalidade. Eram quatro comensais regidos por Draco Malfoy. Três trouxas saíram feridos e o pânico se instalou. – Suspirou passando a mão nas têmporas. – Com isso tudo, recebi uma carta de Dumbledore perguntando se tinha algum problema em tirar o feitiço de aparatação de Hogwarts para que, pelo menos, todos os funcionários que estão lá, voltem para suas casas.


 


         - Não. – Respondi na mesma hora. – Hogwarts é uma fortaleza, é o lugar mais seguro de se estar no meio de tudo isso, se ele tirar o feitiço, eles terão motivo suficiente para dominar o local.


 


         - Eu não respondi ainda, queria que vocês respondessem.


 


         - E os trouxas que presenciaram isso? E a polícia londrina?


 


         - Professora McGonagall colocou uma bolha em volta da estação e apagou a memória de todos os trouxas. Com certeza, alguns ainda se lembram, mas seriam apenas mais um louco na multidão. – Entregou a carta de Dumbledore a Harry. – Respondam.


 


         Fomos até a sala de Harry, ambos mudos e atônitos. Ele deixou a carta em papel velho em cima de tantos outros e conjurou duas cervejas amanteigadas. Nem questionei o horário e o suposto vício, peguei a garrafa, dando um pequeno brinde com o moreno e deliciando aquele conteúdo.


 


         - Querem fazer um jogo de Quadribol, uma festa e tirar o feitiço de anti-aparatação de Hogwarts. – Comentou girando sua cadeira com o pé. – Eu ainda estou dormindo, certo?


 


         Eu apenas ri tomando mais um gole.


 


         Batidinhas na porta e logo a cabeleira lisa e ruiva de Gina encheu nossos olhos de um pouco de alegria em ver a amiga. Ela estava com o nariz vermelho e aparecia de quem estava chorando a horas.


 


         - Vocês já souberam, não é? – Harry conjurou a terceira e a ruiva nem questionou em pegar. – O que está acontecendo? Nunca estivemos numa crise assim. – Deu um grande gole.


 


         - Me pergunto isso todos os minutos... – Soltei me ajeitando naquela cadeira.


 


         - Luna pediu que eu avisasse a vocês que ela irá demorar um pouco mais do que o esperado e talvez não chegue a tempo do jogo. – Os olhos rápidos de Gina fixaram na carta de Dumbledore. A ruiva tinha uma incrível leitura rápida em qualquer língua e em qualquer modo. – Vocês não irão tirar, não é?


 


         Demoramos alguns segundos para entender e logo negamos veemente.


 


         - Estou finalizando a vinda do Chanceler de Bruxelas para essa festa. – Arregalei os olhos.


 


         - Quem mais vai estar nessa festa, Ginny? – Perguntei.


 


         - Pelo menos, quatro Chanceleres, três Duques, quatro famílias nobres bruxas, tirando o convidado máster: O Ministro Bruxo de Paris.


 


         - Eles estão malucos...! – Harry terminou sua cerveja.


 


         Ao saber dessas novas informações, minha tese de que matar o Ministro magia de Londres devia ser nosso primeiro passo, ficou ainda mais forte.


 


         Horas depois de trabalharmos em pesquisa, analisando todos os possíveis cantos que os Comensais podiam estar, mais uma bomba estourou, e desta vez, na minha vida pessoal.


 


         Um bolo de convites flutuantes entrou no local e deixou em cada mesa convidada, um convite, passou por Falkes e por Harry, entregando também.


 


         Eu fiquei, realmente eu fiquei, esperando o meu, mas ele passou reto. Certo, pensei, o meu pode estar junto com o de Harry.


 


         Os olhos fatigados do moreno leram cada palavra daquele convite e não vi nenhuma reação estranha até ler as últimas palavras. Sua expressão mudou me deixando levemente assustada.


 


         - O que houve?


 


         - Nada. – Soltou guardando o convite no bolso.


 


         - Pare de bloquear sua mente, Harry. – Ele me olhou um pouco distraído e sacudiu a cabeça para melhorar as idéias. – O que você viu nesse convite que te deixou tão surpreso?


 


         Ele demorou a responder. Ficou me olhando longamente como se tivesse medo de mim. Enfiou a mão no bolso e tirou o convite me entregando.


 


         Sem muitas delongas, comecei a lê-lo.


 


         O Ministério da Magia de Londres, tem a honra de convidá-los para o Centenário de Caça aos Vampiros de Londres, que ocorrerá as vinte horas no Átrio do Ministério da Magia de Londres.


 


         Traje: Social completo.


         Convites destinados a: Harry James Potter, Auror do Ministério da Magia de Londres e Ginevra Molly Weasley, Secretária do Departamento de Relações Internacionais Bruxas do Ministério da Magia de Londres.


 


         Alguém, por favor, avisa que eles estão desatualizados.


 


         Naquele momento, Gina invadiu o departamento em fúria. Trazia na mão o mesmo convite e no rosto, uma expressão com mix de raiva e satisfação.


 


         Ela pousou na frente de Harry e aquela cena dos dois se encarando profundamente fez despertar, dentro de mim, um sentimento que estava guardado há anos.


 


         Novamente, tudo ficou mais lento e meus olhos ficaram entreabertos imaginando o que aconteceria se eu começasse aquela guerra com Gina novamente.


 


         Meu coração estava tão fraquejado esses dias que não pude conter uma lágrima sorrateira. Com um impulso, a mão direita já a limpou e voltou cruzando os braços contra o meu corpo.


 


         - Quem foi responsável por isso?


 


         - Eu não sei, Ginny, eu estou tão surpreso quanto você!


 


         - Eu não ia a essa festa, eu tinha outros planos, - Continuaram discutindo na minha frente. – e eu tenho amor a minha vida.


 


         - E você acha que eu não tenho? – Ela gargalhou.


 


         - Mas você é o escolhido, Potter. – Houve um momento de silêncio.


 


         - Você não mudou nada, Ginny. – Sorriu lentamente e eu saí de lá.


 


         Era de mais para minha cabeça e meu coração.


 


         Segui sob o olhar de alguns funcionários e peguei o elevador mais próximo. Eu nem sabia para onde estava indo, estava simplesmente muito abalada para discernir um caminho.


 


Harry Potter, novamente, virou o desejo de todas as mulheres.


 


Bem, ele nunca deixou de ser; eu sempre fechava os olhos para as possíveis cartinhas de amor ou as donzelas em perigo que surgiam em nossas missões.


 


         Foi então que eu parei para pensar: Apesar de tudo, tudo mesmo, que tenha acontecido entre eles, Ginny sempre revelou que sentia que eu era a melhor pessoa para Harry.


 


         E se ocorresse uma recaída?


 


         Pare com isso, Hermione, pare agora.


 


         Desci no Átrio e nada me chamou atenção. Não tive vontade de ir a nenhum lugar, apenas fiquei parada, perto da grande fonte, olhando todas as pessoas.


 


         Mesmo não querendo admitir, eu estava perdendo Harry. 

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