Fique Quieto
Assim que Draco e Hermione voltaram para o Grande Salão, Harry e Rony quase caíram para trás com a cena: O braço do loiro envolvia o ombro da grifinória, que, com o braço por trás do rapaz, sorria conversando animadamente. Sem fazer alarme, os dois permaneceram onde estavam e esperaram que os pombinhos de separassem. Mal Hermione sentou-se o bombardeio de perguntas começou. E as perguntas foram das mais variadas, sem deixar passar as de rotina como “desde quando?”. A menina só sorria, enquanto, de vez em quando, soltava beijos para seu amor, que sorria maliciosamente em resposta.
Na mesa da Sonserina, certo moreno não parecia tão contente. Enquanto Draco ria a valer das expressões de Harry e Rony ele não percebia que o seu melhor amigo ardia de ciúme por dentro. Ele tinha decidido aceitar, mas fazê-lo era outra história. Aquela mulher (porque em seu conceito, Hermione há muito tempo não era mais uma menina) estava realmente dominando seu ser. Ele precisava parar com isso... ou precisava separar os mais novo casal.
E fazer isso era mais fácil do que ele imaginava. Era só colocar as meninas mais bonitas do colégio na cola de Draco, que não conseguia parar de lançar seu charme, pois já era involuntário. Hermione podia ser bastante segura de si aparentemente, mas no seu interior não era bem assim. Ela chorava escondida a cada vez que uma menina se insinuava para Draco, e quando estava com ele, tentava deixar para lá.
Percebendo o sofrimento da amiga, Harry tentou ajudá-la. Em uma das vezes que encontrou a castanha se desmanchando em prantos sentou-se ao lado dela e tentou consolá-la.
- Não chore mais, Mione... ele não vale isso! – diz Harry, abraçando a amiga.
- Não choro por ele. Choro por mim! – responde Hermione, com um tom de raiva – Eu que fui burra em achar que Draco Malfoy poderia querer algo sério comigo!
- Eu sempre fui contra esse relacionamento. Começou do nada!
- Por favor, Harry. A última coisa que eu preciso é de alguém para me dizer “não disse?”...
- Jamais pioraria a situação. Sou seu melhor amigo!
- Quer saber? Vou dar a volta por cima! – Hermione levanta-se, enxuga a lágrima e sai do quarto.
Nunca precisei de você pra ser forte
Nunca precisei de você pra apontar meus erros
Nunca precisei de dor
Nunca precisei de pressão
Meu amor por você era forte o suficiente você deveria saber
Para a alegria de Blaise, o plano andava melhor do que ele imaginava. A superficialidade dos relacionamentos de Draco deixaram nele marcas que ele jamais poderia apagar e ele estava colhendo os frutos agora. Hermione não confiava mais nele e estava a um fio de terminar tudo. Estava na hora de Blaise chegar e agir, sorrateiramente, para que nenhuma dúvida caísse sobre ele.
O moreno aproveitou um instante que Hermione estava sozinha e deixou-lhe um bilhete. Lá estava escrito uma hora e local especifico para que eles se encontrassem para conversar. Pelo peso das letras, ele parecia ter urgência.
A menina seguiu na hora marcada e encontrou o rapaz impaciente lá. Ele estava com uma expressão de preocupação. No fundo, era pensando que ela poderia não aparecer, mas, quando ela perguntou sobre isso, a resposta dada foi completamente diferente.
- Estou preocupado com Draco. – mente Blaise – Ele chega tarde ao dormitório e conversa com várias garotas. Não que haja problema em conversar, mas se fosse algo “inocente” ele não se esgueirava por aí.
- Me chamou aqui para falar isso? – pergunta Hermione, séria.
- Hermione, você sabe dos meus sentimentos por você. – Blaise toma uma das mãos da menina – Sabe que eu jamais deixaria que algo de ruim te acontecesse e Draco é, infelizmente – disse a última palavra com um longo suspiro – algo de ruim na sua vida.
- Zabini, eu já sou bem grandinha. Tomo minhas próprias decisões! – Hermione tira violentamente sua mão das mãos de Blaise – Agradeço sua preocupação mais eu já me decidi como vou agir diante desse problema.
Nunca precisei dos seus julgamentos
Nunca precisei de você questionando quanto eu gasto
Eu nunca pedi sua ajuda
Eu tomo conta de mim mesma
Eu não sei por que você acha que precisa me controlar
Ela realmente sabia como dar um basta àquela situação. E foi o que fez. Alguns meses depois, duas pessoas em toda Hogwarts estavam completamente irreconhecíveis. Hermione Granger sustentava um olhar de superioridade, sempre olhando com desprezo para os outros. Draco Malfoy não levantava mais a cabeça. Quase não falava e quando falava era para encerrar qualquer tentativa de conversa. Quem estava gostando de toda situação era, de um lado, Harry e Rony, pois sua amiga estava mostrando que era mais independente do que aparentava desde o inicio; do outro, Blaise e Pansy, pois o caminho estava “livre” para que eles tentassem conquistar as pessoas que queriam para si.
Mas as coisas não correram tão bem no fim das contas. Draco simplesmente foi embora de Hogwarts sem se despedir de ninguém. Hermione não namorou mais e nem ao menos deu uma chance para Blaise, que ficou arrasado com o rumo que as coisas tinham tomado. Ele jamais diria para Hermione toda a verdade, temia que ela o odiasse para sempre. Na verdade, ele nem tinha tanta culpa assim. Draco sempre fora mulherengo mesmo! Só que ele sentia o peso da responsabilidade porque por mais que o seu amigo não deixasse nenhuma mulher passar despercebida, ele respeitava Hermione. Algo que ela nem quis saber de ouvir quando eles discutiram até chegar ao fim do namoro.
É um pouco tarde pra conversar
Não há nada para você dizer
E meus olhos doem, minhas mãos tremem
Então olhe pra mim e me escute
Num dia em que Blaise precisou fazer compras no Beco Diagonal ele encontrou Hermione. Ela parecia feliz com a vida que estava levando, mas, mesmo assim, a consciência dele estava pesada. Ele a cumprimentou com educação e conversaram durante bastante tempo e, no fim da tarde, ele a levou para jantar. Estava tudo correndo maravilhosamente bem, parecia até que aconteceria algo mais, mas ele ainda sim precisava falar do que fez.
As palavras pareciam ser cuspidas, saiam sem que ele ao menos respirasse entre elas.
Hermione não pôde acreditar no que o rapaz acabara de falar. Foi tudo coisa da sua cabeça misturada com fatos distorcidos. O pior de tudo é que o amor de sua vida tentou se explicar e ela nem quis ouvir. Ela olhou para o rosto de Blaise que ostentava uma expressão de arrependimento mas nada disse, apenas pegou um guardanapo, limpou os lábios e saiu de lá.
Porque eu não quero ficar mais nem um minuto
Eu não quero que você diga nenhuma palavra
Fique quieto, fique quieto
Não existe outra maneira
Eu fico com a palavra final
Só tinha um lugar para onde ela iria naquele momento. Ela aparatou na porta da Mansão Malfoy e ficou olhando fixamente para a janela do quarto superior. Draco, que estava preparando-se para sair naquele momento, a viu e quase não acreditou. Sentiu uma alegria infantil tomar conta do seu cérebro e correu para os jardins da sua mansão.
A moça estava tão envergonhada que não conseguia nem ao menos erguer a cabeça. Draco, com carinho, a abraçou, mas, após ouvir o que ela disse, parou para refletir no que responderia.
- E então? – pergunta Hermione, ansiosa – Me perdoa por não querer te ouvir?
- Mione, eu te dei a oportunidade de ter meu amor. – diz Draco, após minutos de silêncio – Você além de não acreditar em mim, ainda conseguiu colocar em meu coração a dúvida de que se você vale a pena ou não.
- Do que está falando?
Hermione deixa rolar uma lágrima, mas Draco permanece frio.
- Eu te perdôo, mas não quero mais nada com você.
Porque eu não quero fazer isso mais
Eu não te quero
Não há nada mais para dizer
Fique quieto, fique quieto
Eu já falei
Nosso amor está quebrado
Querido fique quieto
- Me deixa te mostrar que não é isso que você quer! – pede Hermione, chorando.
- Não há mais como. – rebate Draco, abaixando a cabeça.
Nesse mesmo instante, Blaise aparata no local procurando por Hermione. Quando Draco dá de cara com ele, quase o estupora. Hermione, mesmo com raiva do rapaz, não permite que Draco o machuque e interfere na briga. Os três ficam ofegantes, entreolhando-se nem nada dizer por alguns instantes, até que a voz de Hermione soa na noite fria.
- O que está fazendo aqui?! – pergunta ela, séria – Veio ver o tamanho do estrago?
- Mione, eu... – tenta dizer Blaise, mas é interrompido por Draco.
- Não a chame assim! – grita Draco, furioso – Apenas os amigos dela a chamam assim e o que você fez não é coisa de amigo.
- Tem razão, Draco. É coisa de um cara cego pela paixão.
- Cego mas não correspondido! – diz Hermione, voltando-se para Draco em seguida – Eu vou te mostrar que meu amor é verdadeiro e que por nós eu farei tudo. Boa noite, meu amor.
Ela aparata no mesmo instante, deixando os dois para trás totalmente sem ação.
Eu nunca precisei da sua correção
Sobre tudo que faço ou digo
Eu nunca precisei de suas palavras
Eu nunca precisei me machucar
Eu nunca precisei de você comigo todos os dias
No apartamento de Hermione, a castanha estava deitada no sofá olhando fixamente para uma foto que tirou no colégio com Draco. Ela jamais jogaria aquela foto no lixo, mesmo sendo enganada por seu ciúme. Ali mesmo ela adormeceu e, quando abriu os olhos, viu algo que lhe parecia saído de um sonho: Draco estava parado em sua frente, com as mãos sustentando o queixo. Parecia refletir algo, mas não impediu que um sorriso escapasse de seus lábios quando ela abriu os olhos.
- Como sabia onde eu morava? – pergunta Hermione.
- Perguntei ao Potter. – responde Draco, jogando o cabelo para trás e respirando fundo.
- Harry te ajudou?! Não posso acreditar!
- Mostrei a ele minhas memórias, diante disso, ele não pôde conter seu lado “protetor” e me ajudou.
- Puxa, como você mudou, Draco. Nunca imaginei você pedindo ajuda ao Harry.
- Não se iluda. Não vim aqui voltar com você. O que eu disse ainda é a palavra final.
- Então veio encher minha cabeça de esperanças vãs?!
Desculpe-me pelo modo com que abandono
Ou por tudo que eu quis quando você veio
Mas eu nunca apanho
Caído, não derrotado
Sei que não é ao seu lado o meu lugar
- Não diga essas coisas, Hermione... – Draco levanta-se e abraça-a – fomos precipitados. Aceite esse fato.
- Está arrependido? – pergunta Hermione, dando-se por vencida.
- Jamais! Eu realmente te amei! Acredito que eu já sentia isso, mas não queria mostrar. Agora, vejo que um sentimento desse não pode ser tratado como eu o tratei.
- A culpa não foi sua. – Hermione diz, levantando a cabeça dele – Eu que fui muito ciumenta.
- O ciúme não nasce do nada. Mesmo sendo uma interpretação de fatos, sem uma base real, ele não acontece. Eu nunca te trai, mas eu não conseguia evitar olhar para as outras meninas que davam em cima de mim.
- Acontece...
- Você só diz isso porque quer voltar! – Draco levanta-se e aparata dali mesmo, sem dizer mais nada.
Está um pouco tarde pra explicações
Não há nada que você possa fazer
E meus olhos doem, mãos tremem
Então escute quando eu digo
Por mais que as palavras do término ecoassem em sua cabeça, Hermione sabia que o sentimento que Draco sentia por ela ainda queimava dentro dele. Ela correu para seu quarto e arrumou-se. Lavou seu rosto e colocou um semblante de confiança. Aparatou na porta da mansão Malfoy, mas ele não estava lá. Ficou pensativa, imaginando em que lugar poderia encontrá-lo e finalmente descobriu a resposta: Hogwarts.
Ela aparatou nos limites do colégio, onde ficou horas tentando argumentar com Filth para entrar lá. Finalmente, depois de dizer que queria conversar com Hagrid, ela conseguiu entrar na propriedade.
O velho barbudo a acobertou e a ajudou a entrar no colégio sem ser vista. Nos andares superiores, alguns alunos estavam namorando ou praticando magia, mas a castanha tentou demonstrar que não estava lá para entregar ninguém. Na sala onde ela imaginava encontrar Draco, realmente o encontrou. Lembrava-se de que lá havia um piano que ele adorava tocar.
- Por que veio aqui? – pergunta Draco, tocando.
- Porque eu não aceito um não como resposta. – responde Hermione, desafiadora.
- Não adianta, não te amo mais!
Eu não quero ficar mais nem um minuto
Eu não quero que você diga nenhuma palavra
Fique quieto, fique quieto
Não existe outra maneira
Eu fico com a palavra final
- Pois eu não acredito!
De maneira sedutora e autoritária, Hermione vai até Draco e o beija com paixão. Houve recusa no começo, mas logo ele cedeu. A onda se sensações que controlava seu corpo quando ele a beijou pela primeira vez estava voltando. Ele sentia-se renovado, leve, apaixonado... logo, ele chorou de alegria, abraçando a castanha para aprofundar o beijo. Ofegantes, eles separam-se e sorriem.
- Ainda sustenta sua antiga opinião? – pergunta Hermione, acariciando o cabelo dele.
- Se você continuar ciumenta, chata e mandona, sim. – responde Draco, dando um selinho nela em seguida.
- Prometo que vou ser mais racional.
- Nossa, nunca pensei que um dia você admitiria isso!
- É o começo, meu bem... só tenho mesmo é que te mostrar o quanto eu aprendi com tudo isso.
- Eu também aprendi a nunca mais tentar ficar longe de quem eu amo.
Sem mais palavras
Sem mais mentiras
Sem mais choro
Sem mais dor
Sem mais machucados
Sem mais tentativas