Capitulo XVII
Insaciável saudade
*Pena e pergaminho nas mãos da autora*
- Que lugar mais cheio. – reclamou Rony ao passar pela porta do hotel no encalço de Hermione, notando a movimentação de pessoas no hall.
- Não é pra menos Ron, veja que lugar magnifico. – comentou agarrada no braço do namorado.
O Hotel não era muito grande, devia ter poucos andares, quem o visse externamente não imaginaria o encanto de seu estilo Irlandês que havia por dentro. As paredes e piso revestidos com lustrosas madeiras, quadros ricos em histórias e paisagens espalhados pelo local, a mobília clássica e natural transformando tudo aquilo, mesmo com pessoas passando a sua frente, ser extremamente agradável e elegante em sua simplicidade.
- Eu imagino se tem Duendes trabalhando aqui. – comentou Rony – Ou ter que dormir escutando o ronco deles no quarto ao lado, conversando em Grugulês.
- Imagino como deve ser os quartos daqui. – disse passando o olho pelo local a procura de algum balcão – Temos que ir a recepção.
Assim que localizaram a organizada recepção dirigiram-se a seu encontro para conferir a reserva e logo subir para o quarto, afinal Hermione tinha hora marcada, não podia passar tanto tempo admirando a arquitetura.
- 16, é aqui Mione. – informou Rony abrindo a porta.
Rony deu espaço para que Hermione entrasse em sua frente, fechando a porta atrás de si. O quarto era simples, porém original, mas naquele momento Hermione não estava interessada nos detalhes e sim no ruivo a porta.
Sentou-se na cama, erguendo as pernas para cima desta, sem deixar de fixar Rony que abria a cortina do quarto.
- Olha esta vista. – comentou interessado.
- Me deixa ver! – disparou Hermione dando um salto da cama, quase colidindo com Rony – Ual... Poderia passar horas olhando isto sem enjoar.
- Principalmente as colunas daquele prédio, parecem arcos de quadribol. Viu?
- humrum. – concordou distraidamente. Nem chegara a ver o tal prédio, tinha os olhos presos involuntariamente no homem alto, forte e ruivo ao seu lado.
- Não, acho que você não viu. – disse com um sorriso malicioso ao notar o olhar de Hermione cravado em si.
Virou-se para olha-la por inteiro, mas foi surpreendido pelos braços de Hermione envoltos em seu pescoço.
- Amor? – chamou assustado, sentindo as mãos de Hermione cravadas em suas costas e ombro – O que foi?
- Rony não fala nada tá.
- Tudo bem. – concordou dando um beijo do alto da cabeça da namorada, sem solta-la ou afrouxar o aperto de ambos.
Hermione sentia os olhos arderem, estava sendo quase impossível segurar as lágrimas, não sabia o porquê, mas sentir o calor de Rony era reconfortante, ainda mais depois de tantos dias que passara chorando, com seu coração apertado e magoado. Tudo passara agora, Rony estava com ela, afastando definitivamente a angustia de não tê-lo mais.
- Está chorando? – perguntou Rony sentindo os suspiros quentes dela em seu pescoço.
Hermione afastou-se calada e com a cabeça baixa, escondendo os riscos de lágrimas que escaparam de seus olhos e molharam sua face. Antes de alcançar seu próprio rosto, sentiu as mãos Rony percorrer seu queixo, o erguendo para que o olha-se diretamente.
- Por favor, não chore mais Hermione. – pediu secando suavemente o rosto dela com os dedos.
- Já está passando. – disse controlando sua respirando.
Rony não podia vê-la daquela maneira, seu coração apertava com as marcas das lágrimas que Hermione derramara por ele, por causa dele. Venceu a distancia entre as bocas, tocando os lábios de Hermione em um beijo calmo e carinhoso.
O toque doce e suave de ambos foi interrompido por batidas na janela.
- Parece ser do ministério. – comentou Hermione abrindo a janela e dando espaço para que a coruja entrasse e pousasse na cama – Ron... ela é do seu...
- Só agora! – sussurrou Rony para si mesmo.
- O que?
- É sim, ela é do meu departamento. – respondeu lembrando-se do bilhete que enviara mais cedo – Mas agora não é mais necessário. – disse se aproximando, pronto para pegar o pergaminho, porém Hermione foi mais rápida e puxou o bilhete o escondendo em suas mãos.
- Por que não é mais necessário?
- Porque agora já estou aqui, com você.
- Isso não é motivo para eu não ler.
- Então quer que eu diga o que? Já que nada te convence.
- Na verdade é só me deixar com o pergaminho.
- Está bem. – rendeu-se sentando na cadeira acolchoada a frente da cama – Já avisei que não é mais necessário, mas se quiser ler pode ler, foi para você mesmo que escrevi.
Hermione sorriu vencedora e desdobrou o pergaminho de suas mãos.
"Este deve ser o décimo pergaminho que escrevo
Não sei mais o que dizer ou perguntar
Portanto serei direto e sincero:
Minha vida não tem sentido sem você!
Será que poderia perdoar o descontrole que tenho por você?
Ronald Weasley."
Um sorriso emocionado iluminou seus olhos castanhos. Perguntou-se por que Rony não havia mandado aquela carta antes, com certeza era o suficiente para acreditar que estava arrependido e que voltaria a entregar-se inteiramente ao que seu coração implorava. Passou novamente os olhos pelas letras tremulas de Rony e fechou os olhos por alguns minutos na tentativa de gravar cada detalhe daquelas palavras.
- Já leu? – perguntou Rony impaciente e inquieto na cadeira. Uma sensação quente percorreu seu corpo quando Hermione o fitou profundamente, sorrindo tão doce e tão belamente – Isso era pra ter chegado antes em suas mãos, mas com os contratempos, acho que a coruja teve que viajar um pouco mais.
Hermione não segurou mais seus impulsos vendo um Rony desconcertado a sua frente. Correu para abraça-lo e enche-lo de beijos, jogando-se sobre suas pernas na cadeira, quase a fazendo virar com o peso dos dois sentados nela.
- Eu te amo. – disse Hermione quando o beijo sessou e suas testas permaneceram encostadas uma contra a outra.
- Eu também. – devolveu Rony acariciando seus cabelos – Te amo mais que qualquer coisa nesse mundo.
Hermione sorriu singelamente com o comentário do namorado, dando-lhe um selinho suave.
- E olha que eu não estou falando só do mundo dos bruxos. – completou arrancando mais sorrisos de Hermione – Estou falando do mundo dos bruxos, dos trouxas, dos animais, dos alienígenas e qualquer outro que possa existir.
- Como você é exagerado. – disse ela rindo-se.
- Só estou falando a verdade. – disse sério, ambos perdidos nos mares castanhos e azuis, fixos e apaixonados.
- Quando vai parar de me olhar assim? – brincou Hermione com um sorriso desconsertado
- Assim como?
- Deixa pra lá. – encerrou antes que deixasse suas bochechas revelarem seu descompasso, enterrando seu rosto no pescoço de Rony, permanecendo abraçada a ele.
- O ministério não deve estar nada feliz. – comentou Rony pensativo, ainda com os braços envoltos em Hermione.
- Você vai ter que voltar hoje?
- Creio que sim, pelo menos para não piorar as coisas, ainda mais por eu ainda estar em horário de trabalho.
- Tem razão. – ambos permaneceram calados. Hermione sentia o peito de Rony inflar acompanhando o som dos batimentos de seu coração – Ron?! – chamou.
- Hum...
- As vezes, você... quando estamos assim, sabe... sozinhos e... e desimpedidos – começou mexendo-se inquieta – Quando estamos livres para... bem... para ficarmos mais à vontade.
- Mione olha pra mim. – pediu erguendo seu rosto delicadamente pelo queixo, a ajeitando melhor em seu colo antes de continuar – Sem esconder mais nada ok?!
- Ok.
- Então, você está se referindo a... er, sobre nós...
- Sobre nossa primeira vez. – completou ela sentindo as bochechas queimarem. Rony permaneceu calado, esperando que Hermione continuasse – É que, bem... durante esse tempo em que passamos afastados, eu fiquei pensando, e... e me veio a mente... sabe, sobre isso.
- Sobre nos transarmos?
- Sim, é.
- Hermione, eu não estou com presa, por favor, não quero que se sinta forçada.
- Você não está me forçando a nada, sou eu que quero conversar sobre isso.
Rony permaneceu quieto, observando o rosto ansioso e corado de Hermione. Estava surpreso, mas também sentia que era necessário terem aquela conversa.
- Eu não sei se devo saber, mas entendo Rony, isso me perturbou naqueles dias tristes.
- Se isso não for te fazer mal novamente, não tenho porque mentir pra você, é minha namorada não é?!
- Então seremos diretos nessa conversa, ok?! – com o consentimento de Rony, Hermione tomou coragem e continuou – Eu não quero saber com quem, só quero saber se já aconteceu com você?
Rony paralisou-se por um momento, não sabia se deveria responder aquela pergunta, mas Hermione parecia decidida.
- Rony... – cobrou.
- Hoje eu desejaria que fosse apenas com você, mas se quer mesmo saber, sim...já aconteceu comigo.
Mesmo já, praticamente, sabendo a resposta, Hermione não conseguiu esconder o choque que sentiu.
- Mas nenhuma das vezes eu senti o que sinto quando estou com você.
- E nessas vezes, elas te satisfizeram?
- O que? – Rony assustou-se, não entendeu o porquê Hermione perguntou aquilo, tinha medo de falar alguma besteira que a magoasse.
- Foi bom pra você?
- Mione foi... foi normal.
- Mas e você, como você se sentiu?
- Como se todas as vezes faltasse algo.
- Faltasse o que?
- Amor. - Hermione Rony decidida, não sabia de onde arranjara tanta coragem para querer ouvir aquelas coisas de Rony – Faltava a macies da sua pele, a carne dos seus lábios, os arrepios que sinto com seus beijos, seu cheiro... seu amor... e o meu amor.
Rony dizia envolvendo Hermione em si, roçava os beiços em seu pescoço enquanto disparava o que sentia.
- Mas e se eu não conseguir te dar tudo que faltou quando acontecer conosco?
- Você já me deu tudo que faltou e tenho certeza que quando chegar nossa hora, também será minha primeira vez verdadeiramente.
Hermione acolheu aquelas palavras, ditas em sussurros perto de seu cangote, e um arrepio gostoso percorreu sua espinha. Rony tocou seus lábios quentes e molhados, ambos perdendo-se em seus corpos ferventes. Rony puxou as duas pernas unidas de Hermione para próximo de si, na tentativa de unir ainda mais seu corpo ao dela, e Hermione se viu com o mesmo desejo, porém sua mente ousava mais.
Afastou-se um pouco para transpassar uma das pernas sobre a coxa torneada de Rony. Ambos arfaram desejosos quando as coxas de Hermione apoiaram-se no quadril de Rony, deixando seus tórax frente a frente, inflando rapidamente com a respiração acelerada. Enquanto uma das mãos de Rony afagava os cabelos soltos de Hermione, a outra mão pousou sobre sua cintura, acariciando timidamente a curvatura entre o quadril e a coxa dela. Uma vontade imensa de acariciar o peito nu de Rony fez Hermione percorrer os dedos involuntariamente por todo seu peitoril coberto, arrastando as mãos involuntariamente por todo o tórax e costas do ruivo, o fazendo sorrir contra sua boca quando aproximou as mãos de seu baixo dorso, sentindo todas as formas musculares que seu corpo tinha.
Rony parou os carinhos por um momento, olhando fixamente e significativamente para aqueles olhos castanhos que não se demoraram muito nos seus, desviando o olhar para sua boca. Hermione invadiu seus beiços sedutoramente, lentamente se beijavam, acalmando suas descompassadas respirações. Quando Hermione afastou-se mais uma vez, abrindo e fechando a boca na tentativa de articular algo a Rony, mas um barulho inesperado a interrompeu.
*Tec, tec, tec!*
Ao olhar para trás e perceber que se tratava de uma coruja batendo á janela, revirou os olhos e apoio a cabeça, vencida, no ombro de Rony.
- Mal chegamos à cidade e todos já estão com saudades. – comentou Rony envolvendo Hermione em um abraço apertado e carinhoso – E as minhas saudades, quando vou pode matar?
Hermione riu corada do comentário do namorado, por dentro sentia a mesma coisa. Levantou-se relutante e foi até a janela atender as incansáveis batidas que a ave dava contra a janela.
- Parece ser do ministério também. – disse ela já pegando o pergaminho – É da Toca.
- Da Toca? – assustou-se, levantando para pegar o pergaminho – Será que é algo com a Fleur?
- Com a Fleur? – perguntou sem entender – Como assim?
- Por Merlin Mione, ainda não te contei?
- Acho que não. – respondeu confusa.
- Gui vai ter mais um bebê. – informou sorridente – Fleur está grávida.
- E você só me fala isso agora Ronald. – repreendeu sorrindo tanto quanto Rony, amava aquela família como se esta fizesse parte da sua também – Parabéns amor.
- Não é magnifico, ter mais uma sobrinha...
- Ou sobrinho, quem sabe.
- É verdade. – disse passando os braços pela cintura de Hermione – Imagina quando formos ter os nossos. – disparou enquanto Hermione, sem palavras, prestava atenção em todos os movimentos de sua boca de olhos – Quando chegar nossa fez de planejar nosso bruxinho ou nossa bruxinha.
- Ainda mais se gostarem de “degustação” como o pai, ai teremos que ter um bom planejamento.
- Sem dúvida. – concluiu Rony antes de depositar beijos e beijos em Hermione.
- Você ainda não viu a carta Ron. – lembrou ela para que Rony abrisse o envelope.
Rony sentou na cama com Hermione ao seu lado e desdobrou o pergaminho para que ambos conseguissem ler.
"Soube o que fez Ronald!
Você não tem vergonha? Faz ideia do que poderia ter acontecido?
Sorte sua seu pai ter conseguido resolver as coisas pra você não ter problemas no ministério. Só quero ver como será no seu trabalho quando voltar. Reze para que Harry consiga alguma coisa. Porém, o que já conseguimos foi um portal de volta pra você que será aberto ainda hoje e logo. O hotel no qual Hermione foi enviada já está ciente, portanto é só se informar que eles passarão os procedimentos.
Agora crie responsabilidade ai e cuide bem da Hermione, se não conversamos depois.
Fica com Deus e mande um abraço apertado a sua namorada.
De sua mãe, Molly."
- Acho que não tenho mais escolha. – concluiu após ler a carta.
- Bem, acho que agora só nos veremos novamente daqui a três dias. – completou Hermione conformada.
- Serão os três dias mais longos da minha vida.
- Você vai suportar.
- Como? – devolveu ele, arrancando um sorriso de Hermione com sua expressão desesperada.
- Ronald, quando você estava no treino de Aurores passou uma semana em treino e eu sobrevivi sozinha.
- Acho que terei que começar a me acostumar com isso.
- Nós dois temos que nos acostumar. – disse encorajadora – Mesmo assim, vou sentir saudades.
- Não mais do que eu. – Rony deu um leve beijo na namorada antes de levantar-se da cama - Não demora pra voltar, ok.
- Não vou demorar.
- Boa sorte lá.
- Obrigada. – devolveu Hermione vendo o ruivo arrumar o casaco e seguir até a porta – Não se esqueça de que te amo.
- Não mais do que eu. – disparou Rony fechando a porta atrás de si após retirar-se do quarto.
Hermione não deixou de sentir um pequeno aperto no coração ao ver a porta se fechar quando Rony saiu. Ainda com o olhar fixo no ponto em que ele sumira, não conseguiu evitar um leve sorriso ao lembrar-se de quando o chamara de legume insensível, sem ao menos imaginar o poder entorpecente que este teria sobre ela agora.
***
Ai, que vontade tive de acrescentar uma nc ao capitulo *o*
Porém acabaria me enrolando se o fizesse. Mas por favor, não me estuporem por isso. 0.o
Esperem pelos próximos capítulos e me digam o que estão achando. :D
Obrigada pelos comentários e aguardo por novos comentários deste capitulo também.
Abraços potterianos.