Não sei direito como eu estava me sentindo aquele dia, fiquei o dia todo pensando se tinha feito errado em enfrentá-lo daquela maneira, pensando na confusão que andava os meus sentimentos. Eu gostava dele, e sabia disso, gostava dele desde nova.
No quinto ano, eu o vi, parado no lago, sentado no chão. Ele tinha retirado a capa e ela repousava no chão ao lado dele. E então eu reparei, pela primeira vez o quanto aquele homem era encantador. Ele tinha um mistério que me dava vontade de desvendar, logo eu a mais completa figura de transparência. O seu rosto tinha traços bonitos, eu reparei e o seu cabelo caia sobre ele, escuro, fazendo contraste com seu rosto muito alvo. Eu gostava do jeito que ele relaxava os ombros, das mãos bonitas que ele tinha e do jeito que ele apoiava o rosto nelas para pensar, e eu me impressionei, Severo Snape era humano.
Depois disso, a cada aula, eu me impressionava mais com a sua inteligência, ele era o melhor bruxo que eu conhecia depois é claro, de Dumbledore. E eu pensava, porque será que ele é tão arrogante? Como terá sido a vida desse homem? Um comensal da morte arrependido. Agora eu sei, a vida dele foi difícil, matar seu melhor amigo, a vida de espião duplo, e ela, o milagre infernal de Severo Snape, Lílian Evans, eu nunca poderia tomar o seu lugar.
Decidi ir até o lago, já tinha anoitecido, e eu estava esperançosa de vê-lo mais uma vez humano. Eu estava com uma camisola cor de rosa meio rendada, e seria meio péssimo se me achassem mas não me importei, eu não ia falar com ele, ninguém ia me ver. Eu tinha pedido mais cedo a capa do Harry emprestada, fui invisível pelo castelo, até chegar perto do lago. E para minha felicidade lá estava ele. A capa estava ao lado dele, a varinha repousava em cima da capa. Ele estava deitado, a camisa estava aberta revelando o peito forte e cheio de cicatrizes. Quis chegar mais perto, mas ele era bom bruxo demais, ele ia me descobrir, então fiquei quietinha só observando. Ele mantinha os olhos fechados e não reparou quando uma figura encapuzada saiu de trás de uma das arvores da floresta proibida. Mas por ter sido espião, o mínimo barulho o fez olhar em volta, ele estendeu a mão para puxar a varinha mais o homem foi mais rápido num feitiço convocatório roubou-lhe a varinha. Severo Snape levantou-se. O homem tirou o capuz e revelou-se Lucio Malfoy.
- Ora, ora Lucio. – Snape disse, no seu melhor tom mestre de poções.
- Você ainda consegue ter esse som sarcástico, mesmo que eu esteja com a sua varinha. – Disse Lucio – é impressionante.
- Eu estava preparado para sentir medo até que eu descobri que era você. – disse Snape.
- Você vai morrer Severo Snape. – Disse Lucio – E será pelas minhas mãos.
- Tudo isso é porque você não era o favorito do Lorde? – Snape riu debochado – Tudo bem, ele já morreu mesmo.
- EU ERA A FAVORITO DO LORDE ATÉ VOCÊ APARECER – gritou Lucio. – E VOCÊ O TRAIU.
- O que é isso Lucio? Devoção a Voldemort? – Snape perguntou.
- Você recebeu todas as glorias do lorde e dos comensais, e agora você recebe todas as glorias do santo Potter e da ordem da fênix. – Disse Lucio – Sempre você que na verdade não passa de um traidor.
- Entendi Lucio. – Snape disse, vitorioso – Inveja.
Snape seu babaca, ele vai te matar, para de provocá-lo. Eu estava com medo, praticamente entrando em desespero, ele não podia morrer, não podia.
- Avada kedavra – Lucio berrou, apontando a varinha para Snape.
- Expeliarmos – Eu berrei, ao mesmo tempo, apontando a varinha pra Lucio.
O jato de luz verde e o de luz vermelha se encontraram. E Lucio sustentou o feitiço. Eu sustentei também. Não era uma troca justa. Se eu largasse, morria, o feitiço agora virava-se pra mim. Se ele largasse era apenas desarmado, e ele ainda tinha a varinha de Snape.
Meus braços doeram e a capa escorregou pelos meus ombros revelando minha identidade. Ouvi Snape ofegar e Lucio largar a varinha em surpresa quando me descobriu. Ele foi desarmado, mas puxou a outra varinha e convocou sua varinha de volta. O rosto de Lucio Malfoy agora totalmente virado pra mim estava surpreso.
- Ora, se não é a sangue ruim. Veio morrer pelo seu professor? – e então olhou-me de cima a baixo e eu lembrei da minha camisola – Ou veio se oferecer a ele? Acho que a segunda opção a julgar pelos seus trajes.
- Crucio. – eu berrei.
Malfoy se contorceu no ar e caiu no chão alguns segundos depois, eu não era o maximo em maldiçoes imperdoáveis. Mas aproveitei os segundos, para enfiar minha varinha nas mãos de Snape.
Ele a agarrou e foi rápido, desarmando Lucio novamente. Lucio levantou com a varinha de severo nas mãos, apontou pra mim e gritou:
- Sectusempra.
Tentei desviar do feitiço mas ele pegou na minha perna esquerda banhando minha camisola de sangue. Eu estava tonta mais mantive a lucidez e tentei não desmaiar.
- Hermione – Snape gritou, e eu saboreei o gosto do meu primeiro nome nos lábios dele.
Então Lucio lançou um feitiço a Snape e os dois começaram a duelar. Snape era muito melhor, mas estava preocupado comigo e virava-se toda hora na minha direção, eu estava perdendo a consciência, ouvi Lucio dizer:
- Apaixonado por outra sangue ruim? Ou é remorso por ela estar machucada pela sua varinha e feitiço que você mesmo inventou?
- Avada Kedavra – Snape gritou. E Lucio caiu morto no chão. Snape fitou o corpo. – Babaca.
E então ele veio correndo na minha direção. Abaixou-se ao meu lado, estava tremendo um pouco.
- Hermi... srta. Granger. – ele disse, com a voz entrecortada.
- Um bom duelo. – eu disse fraca, estendendo a mão para tocar o rosto dele, e então tudo foi ficando escuro e eu perdi a consciência.