Dumbledore havia falado muito. Seu discurso durou – para mim – uma eternidade. Até ele nomear McGonagal atual diretora e Snape vice-diretor, minha paciência já havia se esvaído há tempos.
Estava entediado, irritado e muitas outras coisas que adoraria nomear, se não fosse minha falta de vontade. Enquanto todos se divertiam ao meu redor eu só sentia vontade de me enfiar num buraco e não sair mais de lá.
Embora já tivesse implorado para minha mãe me deixar voltar para casa no mínimo duas vezes, ela se negara em todas. Agora ela estava lá, toda alegrinha dançando com meu padrinho e eu aqui tendo que suportar todo mundo contente e feliz.
Até a bebida estava sem graça. Se fosse algo bem forte estaria mais relaxado e talvez assim eu não tivesse sóbrio o suficiente para vê-los entrar no salão principal de um jeito majestoso.
O quarteto grifinório sendo aplaudido pela maioria dos alunos e ovacionados pelos alunos da própria casa. Notei que Gina procurava com gestos nada discretos de cabeça alguém na multidão e quando avistou a pessoa tratou imediatamente de puxar ela para seu lado. Luna sorriu de maneira sonhadora quando alguns garotos e garotas começaram a gritar mais alto por causa de sua inclusão no grupo.
Nessa hora procurei me esconder atrás de algumas pessoas, pois não queria ser visto por eles. Potter parecia constrangido como sempre por ter mais atenção do que desejava e Weasley pela primeira vez me parecia perfeitamente normal por receber mais atenção do que merecia
Idiota – pensei.
No entanto nenhum deles chamou mais atenção do que Ela.
Ela estava magnífica. O vestido elegante e perfeitamente moldado ao corpo fez com que vários olhares caíssem sobre si. O penteado discreto e a maquiagem leve a deixaram radiante. Embora seu olhar estivesse triste, ela exibia um sorriso mínimo nos lábios. O sorriso só aumentou quando um grupo de crianças da qual demos reforço se aproximaram dela e a abraçaram-na. Chris, o garoto que não ia com a minha cara, abriu caminho entre os demais e entregou um buque de rosas a ela depois de abraçá-la com força.
Ele disse alguma coisa pra ela e eu pude entender seus lábios murmurarem um ‘obrigada’ seguido de outro sorriso.
Depois que ela se ergueu, foi à vez do Weasley sussurrar no ouvido dela. Ela apenas revirou os olhos para o teto.
Fechei a cara com a cena. Droga de ciúme. Droga! Droga! Droga!
Continuei observando-os e um monstro cravou suas garras nas minhas entranhas quando notei que o ruivo enlaçava sua cintura. Seus dedos dançavam pelo tecido macio e quase tocavam o quadril dela, e ela não fazia nada pra impedir. Aquela cena quase me fez perder a cabeça.Como eu fui idiota! Eles deviam rir da minha cara todo esse tempo. Ela devia contar a ele como me fazia de otário, enquanto estava aos beijos e abraços com ele em algum lugar privativo.
Mérlim! Como pode deixar que eu fosse tão ingênuo. Beijos e abraços talvez não fossem o suficiente para ela. Eles deviam ir até os ‘finalmentes’ e...
Não! Não e não! Eu me recuso a pensar nisso. Ela foi só minha. Ela só se deitou e se entregou a mim. Hermione nunca pertenceu a mais ninguém além de mim. Ela foi e sempre será minha Moranguinho. Aquele ruivo maldito jamais a teve na cama e se ele não tirar as mãos dela imediatamente, serei capaz de matá-lo aqui e agora. Meus pensamentos perversos e meus únicos dois passos dado na direção do grupo foram interrompidos, quando senti uma mão grande apertar meu ombro de leve.
_Acalme-se. Está chamando muita atenção. - Snape estava bem ao meu lado e me olhava com aquele ar de sempre. Só então eu percebi que havia derramado o restante da minha bebida no chão e molhado um pouco minhas roupas e sapatos. Algumas pessoas que estavam próximas me olhavam com ar desconfiado, embora eu sabia que o que lhes tinha chamado a tenção não eram meus pensamentos e sim o líquido que havia respingado em seus pés também.
Os encarei como se os desafiasse a reclamarem, mas logo voltei minha atenção pra meu padrinho, e com um movimento brusco livrei meu ombro de seus dedos. Coloquei o copo vazio em cima da mesa com certa brutalidade e saí de perto dele, mas para meu azar encontrei minha mãe pelo caminho. Ela parecia estar observando tudo de longe.
_Querido...
_Me deixa mãe! - Interrompi, pois estava na cara que ela viria com mais algum daqueles argumentos sem sentido par cima de mim.
Passei pela multidão que continuava dançando sem esbarrar em ninguém e fui me sentar num canto bem afastado. Achei uma mesa bem escondida, onde poderia observar sem ser notado. Ali, naquele local sabia que ninguém viria me incomodar, pelo menos por algum tempo. Aproveitei que ia passando um elfo com uma bandeja cheia de bebidas e peguei logo dois copos de uísque de fogo puro.
Tirei a varinha do bolso enquanto me sentava e fiz um feitiço para secar as calças e os sapatos encharcados de bebida. Estava distraído bebendo meu segundo gole quando de repente ouço meu nome mais alto que a musica.
_Draquinhoooooo.
Quando ouvi meu nome sair daquela voz embargada e estrangulada eu quase cuspi todo o liquido na mesa. Eu esperava que ninguém descobrisse meu esconderijo tão cedo, mas havia percebido que estava enganado. Enquanto secava meus lábios com um guardanapo, olhei na direção da voz. Fechei a cara outra vez quando vi quem era. Quase vomitei seu nome:
_Pansy. O que quer?
_Noossaa! Que mal humor! – disse ela meio risonha. Estava mais bêbada do que o professor Binns do outro lado do salão. – Só vim falar com você. - Naquele instante percebi que Pansy não estava sozinha. Um garoto alto da Sonserina estava abraçado a ela por trás e beijava seu pescoço e nuca sem parar. Acho que ele se chamava Lucas. Fiquei calado olhando a cena deprimente e ela nem se importou de continuar de onde havia parado.
_Só vim saber se você não gostaria de ir conosco até o salão comunal da Sonserina. – dizendo isto ela se aproximou de mim e se curvou, pondo quase no meu rosto seu decote. Naquela posição dava para enxergar o contorno dos seus seios. – pra gente fazer uma ‘festinha particular’ – nessa hora ela abaixou o tom para que se tornasse sensual, mas o ato só me fez sentir nojo. Até parece que eu ia fazer uma coisa dessas outra vez com ela. Só porque tínhamos feito isso uma vez, Zabini. Aquilo não significava que eu estava disposto a repetir a dose outra vez.
Olhei seu decote e depois dentro de seus olhos. Pansy estava muito enganada comigo. Eu ainda não havia esquecido o que ela havia aprontado comigo na outra festa. Se ela queria fazer um ménage á trois que encontrasse outro imbecil para isto. Eu estava fora.
_Vê se me erra garota! Deixe-me em paz, eu não estou com paciência pra suas baboseiras. - Ela se ergueu rapidamente e o outro teve que ampará-la para que esta não caísse.
_Vamos Pansy, ele não quer. Deixe esse amarguradozinho aí sozinho. – disse o garoto puxando ela para longe de mim, pois percebera que eu estava soltando fogo pelas ventas.
_Era só o que me faltava – resmunguei voltando a beber meu uísque e olhando para outro lado.
_Posso me sentar? – perguntou uma voz suave, mas que por causa da música alta e da minha total falta de impaciência confundi com a de Pansy.
_Eu já disse que não quero descer... – Gritei rudemente, mas sequer terminei minha frase, pois as engoli secamente. Não era Pansy que havia voltado para me encher a paciência. Era outra garota. Naquela hora eu queria abrir um buraco no chão e me esconder dentro dele pelo resto da vida.
_Oh, desculpe. Achei que era outra pessoa. - A garota ficou me olhando e logo em seguida sorriu, compreendendo que eu não queria ter falado com ela daquele jeito.
_Tudo bem. Você achou que a Parkinson tinha voltado, eu compreendo.
_Desculpe novamente.
_Sem problemas. Mas deixando a Parkinson de lado, vai me convidar para sentar ‘sim’ ou ‘não’?
Eu pensei por alguns segundos. Naquele momento eu não queria companhia, mas Luna não tinha nada haver com aquela história. Por um lado, ela havia sido enganada também. Tinha entrado naquela busca por acaso e não merecia que eu a tratasse de maneira rude, então me levantei e ofereci um acento ao meu lado.
_Quer beber alguma coisa?
_Ponche de frutas, por favor. - Estalei os dedos para um elfo que passava e peguei sua bebida. Ficamos em total silêncio. Ela calada e eu também. Seu olhar me analisava de varias formas e eu começava a me sentir incomodado. Procurei desviar minha atenção, mas quem disse que eu conseguia. Principalmente quando ela resolveu falar:
_Eu fiquei sabendo sobre vocês. - Olhei para Luna com olhar espantado. Achei que isso tinha ficado entre os grifinórios e eu. Ela notou que eu não falaria nada, então continuou como se eu não tivesse entendido.
_Gina me contou tudo.
_É mesmo? – perguntei indiferente brincando com a borda do copo que segurava.
_Sim. Ela me disse que Hermione ficou muito mal quando acordou e ficou sabendo que você já sabia de tudo. Ficou esses dias trancada no quarto e não saiu nem para fazer as refeições. Gina levava alguma coisa para ela comer, mas quase sempre ela se negava.
Eles já não sabiam mais o que fazer com ela, até o dia de hoje. Naquele momento o comentário dela me intrigou.
_O que quer dizer com: ‘até o dia de hoje’?
_Bom. Quando ficou sabendo que haveria esse baile em comemoração ao fim da guerra e que todos os alunos eram obrigados a comparecer, e que nós seis seriamos homenageados ela resolveu se arrumar e descer só pra ver se te encontrava aqui. Até agora você tem feito um bom trabalho para se esconder...
Nesse instante olhei em volta e percebi que ela estava sentada numa mesa bem distante, assim como a minha. Seu olhar vasculhava o salão a procura de alguém.
_Não estou me escondendo. – respondi voltando minha atenção para a loira. - Na verdade estava me escondendo mesmo, mas não admitiria isso para ela e nem para ninguém.
_Prove. - Meu rosto se franziu numa careta interrogativa.
_O que disse?
_Prove que não está se escondendo.
_E como quer que eu faça isso? – havia mil maneiras, mas não queria nenhuma delas. Queria era mesmo ir embora para minha casa.
_ Dance comigo.
_Desculpe. Acho que não ouvi direito. Você quer que eu te tire pra dançar? - Luna riu da minha pergunta perplexa.
_Isso mesmo. Quero que dance comigo, ou você está com medo? - Essa menina tinha vários defeitos, mas o pior deles era me atingir no ponto fraco.
Eu tinha medo como todo mundo, mas detestava ser desafiado. Meu orgulho sempre falava mais alto nessas horas então o medo desaparecia e eu enfrentava quem quer que fosse.
_ Se estiver com medo vou entender... - Antes mesmo que ela terminasse de falar eu já arrastava para o meio do salão, onde vários casais já dançavam animados.
Começamos a dançar e percebi que Luna era uma ótima parceira de dança. Ela era leve como uma pluma e não foi difícil conduzi-la pelo salão. Ela tinha razão, dançar estava me fazendo bem. Tanto que esqueci um pouco dos problemas e comecei a me divertir.
Continua...
Mais um cap senhoras e senhores. Espero que gostem e comentem bastante.
Srtá Malfoy: respondendo a sua pergunta.
Você fez uma observação interessante quando falou a respeito do plano. Ela armou esse plano com o objetivo apenas de descobrir os segredos do Draco. Ela jamais imaginou se apaixonar por ele. E quando ela descobriu isso fez de tudo para protegê-lo e aos amigos. Na Sala Precisa não se esqueça que ela foi atingida e desarmada, então foi fácil fazê-la refém. Quando ela estava presa, Zabini sempre a torturava antes de fazer qualquer outra coisa. Ele curava seus ferimentos, mas mesmo assim ela não recuperava totalmente as forças, ficou pior depois que ele mentiu para ela dizendo que os amigos dela estavam mortos. Ela acreditava nisso. E como ela era mantida sobre vigilância constante, não sobrava muito espaço para ela pensar numa estratégia de fuga. E quando ela foi encontrada estava com a memória apagada, portanto não se lembrava de nenhum deles, mas sessões de reemplante da memória fizeram-na se lembrar de tudo, inclusive das partes mais ruins. Ela vai ter muitos problemas por causa disso ainda, principalmente depois do casamento... oops! Falei demais.
Bom deixa isso pra mais tarde...
Ah, e quanto ao fato dele ficar com Astória... Desculpe, mas isto está fora de cogitação. Ainda mais agora que eles estão quase se reconciliando.
Espero ter respondido a sua pergunta e obrigada por seu comentário.