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8. A Fuga


Fic: Cansei de Ser a Mesma III


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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8
A Fuga


         Se algum dia eu tinha sonhado com Azkaban, eu tinha a confirmação naquele momento. Que lugar horrível de se estar.
         Fiz um feitiço para deixar a estátua que seria, posteriormente, nosso portal, do tamanho que coubesse no bolso do meu jeans. Will insistiu que guardasse com ele, mas eu tinha amor pela própria vida. Ele poderia sair de lá, deixando eu e Harry para trás; só faltou o azeite as maçãs para colocar em nossas gargantas antes de servir o banquete.
         Encarei longamente o oceano agitado e a imensidão negra. Será que nunca o sol bate nessas paredes?
         Uma sensação fria e triste nos fez mirar o céu; três Dementadores desceram, vagarosamente, e ameaçaram nos atacar, porém, já mostramos nossos títulos de auror e eles, depois de uma longa olhada em nós, voltaram a sobrevoar o local. Pelas minhas rápidas contas, tinham pelo menos cem daqueles monstros, quando o normal são apenas vinte.
         Voltamos para o corredor aonde caímos. Por sorte, ou não, aterrissamos em um lado “calmo” de Azkaban. As portas medievais e totalmente reforçadas eram examinadas por mim e por Polk, simultaneamente. Era terrível você encontrar um dos seus presos em estado de loucura.
         Dentre toda tristeza e revolta, fiquei um momento em devaneio pessoal: Will podia ser um galanteador de boteco, mas era muito bom em serviço. Soube que passou com ótimas condecorações no curso de Auror. Se não fosse pelo seu encantamento por mim e ser líder da equipe rival a nossa, com certeza, ele seria a primeira escolha de Harry para montar seu time. Eu soube também, tempos atrás, que ele era apanhador e capitão do time da Corvinal em seus tempos de Hogwarts, uma diferença de três anos de nós.
         Enquanto andávamos, fiquei o encarando de canto de olho. Reparei que o rosto não era mais perfeito porque não tem um queixo tão definido, mas era um homem tão charmoso e tão elegante que esse misero detalhe passava despercebido.
         Oh, por Deus! Preste atenção em seu objetivo, Hermione! Ele não ficará nada orgulhoso se não for salvo porque você fica se namorico com um idiota oxigenado!
         Descemos longas escadas até o andar inferior. Esse lugar conseguia deixar a pessoa mais satisfeita, em um posso de pessimismo. Ratos eram a coisa mais comum naquele lugar, e não eram aqueles fofos que usávamos em aulas, eram quase do tamanho de um gato.
         Até Polk se assustou quando um passou a nossa frente.
         Andamos por mais quinze minutos até chegar a um grande portão enferrujado, com vários feitiços visíveis e invisíveis de proteção. Aquele seria o portão para dividir alas de periculosidade. Ele jogou uma pequena pedrinha e ela foi arremessada longe com os feitiços armadilhas.
De repente, nossa respiração ficou difícil, senti a ponta dos dedos congelar e um vulto aparecer atrás de nós.
         Nos viramos e Polk já sacou sua identificação para afugentar aquele monstro mas, curiosamente, não funcionou.
         - PARA TRÁS! – Gritou erguendo a varinha e mostrando o título. – NÓS SOMOS AUROR DO MINISTÉRIO DA MAGIA DE LONDRES! VOCÊ É NOSSO EMPREGADO! VOCÊ NÃO PODE FAZER NADA CONTRA NÓS! NOS OBEDEÇA!
         Ele fez aquilo que os nossos mestres nos diziam sempre: nunca provoque um Dementador.
         O monstro ergueu os dedos finos e se aproximou de nós. Aquela fumaça indicando o quanto estava frio partiu de nossas bocas mais constantemente que antes.
         Sua mão ficou centímetros de nossos rostos e como eu vi que Will não faria nada, apenas gritar, ergui a varinha e joguei o feitiço do patrono em cima dele. Me senti levemente tonta e o clarão deixou nossos olhos desacostumados com o escuro. Com certeza todos os outros Dementadores viriam atrás de nós, era uma questão de tempo.
         Começamos a jogar feitiços de desarmamento no grande portão e nada funcionou.
         - Vá para trás! – Odiava receber ordens, mas essa eu acatei.
         Will mirou na parede ao lado do portão e a destruiu com um forte feitiço. Invadimos uma cela de um preso que já estava quase morto em loucura.
Ele tentou o mesmo feitiço na parede na mesma linha do portão e nada aconteceu.
         - Você não achou que esse feitiço funcionaria aqui, achou?! – Fui a sua frente erguendo as duas mãos. – Você não me viu fazendo isso... – Sussurrei magia negra que tinha aprendido secretamente há três anos.
         A parede, antes envolta com um fino véu de feitiços começou a ficar vermelho sangue e com um alto estalo, tudo sumiu.
         - Você- - Me olhou horrorizado.
         - Você não me viu fazendo isso. – Repeti seriamente dando espaço a ele.
         - Por que não usou isso no portão?
         - Muitos feitiços me bloqueando... Exploda. – Ordenei e ele explodiu a parede.
         Esperamos três segundos até jogarmos uma pedra dentro daquele escuro imensurável. Como nada aconteceu, adentramos com cuidado. Estávamos entrando na ala dos Comensais da Morte, a pior de toda Azkaban.
         - Se acontecer alguma coisa, quero que você fuja. – Eu gargalhei.
         - Está falando sério? – Nem o encarei.
         - Lógico que estou, Hermione. – Ficou a minha frente.
         Analisamos até o final do corredor sem sair do lugar. A extensão de três ônibus trouxas nos deixou inseguros. Ou fugiríamos dos Comensais ou fugiríamos dos Dementadores.
         Ótimo, estávamos com a corda no pescoço.
         As portas eram diferentes nesse local, eram bem maiores e nem conseguíamos chegar perto com tantos feitiços armadilhas. Em cima de cada porta, o sobrenome do preso cravado em madeira sólida e suja. Eu não sabia o que poderia estar esperando a gente atrás de cada cela, mas sabia que estávamos colocando nossas cabeças na boca do leão.
         Demos três passos e um vulto jogado no chão nos chamou atenção. A escuridão já estava ficando mais visível e o contorno das paredes era claro e maciço. Foi quando acendemos a ponta de nossas varinhas e reconhecemos o corpo de Harry estirado ao chão.
         Um impulso, me fez correr até ele, me jogando no chão ao seu lado. Peguei sua cabeça desacordada e dei leves tapas em suas bochechas para ver algum sinal de ação.
- Oh, Harry, fala comigo! – Nessa horas, as lágrimas eram inevitáveis. Polk andou até meu lado com a varinha empunhada, apontando para todos os cantos.
         Vi um forte corte em seu lábio inferior e várias escoriações pelo seu rosto. No bolso onde estava o rastreador e aquele absorvente de energia, estava rasgado e as bordas queimadas. A mão do loiro surgiu ao lado de minha cabeça com um frasquinho de adrenalina. Aceitei olhando o homem totalmente agradecida.
         Fiz com que Harry engolisse cada gota. Seu corpo ficou mais quente e ele saltou de onde estava apoiando em uma das paredes com a cabeça mais baixa do que o resto do corpo e uma respiração oscilante.
         Coloquei a mão em seu ombro e ele virou-se para nós, corri e o abracei tirando aquele fantasma da morte dos meus ombros.
         - O que ele está fazendo aqui? – Me separei ao sentir a indignação de Harry.
         - Eu estava esperando um agradecimento, Potter. – Cruzou os braços um pouco prepotente de mais para o meu gosto.
         - Estamos em missão para resgatar você. – Vi o rosto de Harry ficar mais vermelho.
         - Você confia nele? – Apontou para o loiro e o olhou para mim.
         - Por Melin, Harry! Vamos sair logo daqui! – Saquei o cavalo do bolso e o transformei no tamanho original.
         - Não podemos! Eles vão soltar o Malfoy!
         Polk olhou aterrorizado para nós e ficou ainda mais quando ouviu um grito de dor altíssimo vindo de uma das portas perto de nós.
         - Não ficaremos mais um segundo nesse lugar! – Soltou vindo ao meu encontro. – Nossa missão era trazer o Potter com vida! Cá está ele, com vida! Então, vamos logo.
         Eu fiquei ligeiramente dividida com aquela situação.
         - Você é um idiota, Polk! Nosso objetivo é proteger o mundo bruxo, custe o que custar e não realizar missões limitadas!
         - Fique se você quiser, Potter! Eu e a Hermione vamos embora! – Me pegou pelo braço e Harry lhe deu um soco que só foi parar quando escorou na parede.
         - Será que vocês dois podem parar?! – Me enfiei no meio deles para não continuarem uma possível briga. – E eu não falei que eu queria ir embora. – Soltei indo ao lado de Harry.
         - Pelo amor de Merlin, Hermione. – Passou a mão nos cabelos. – Tem mais de cem Dementadores vindo atrás de nós nesse momento e estamos no corredor mais perigoso do mundo! Será que você pode usar o bom senso e ir embora comigo? O Potter quer bancar o herói de novo!
         - Dementadores atrás de vocês?
         Quando Harry fez essa pergunta, vimos às tochas que já não estavam muito acessas, se apagarem e congelarem. Acendemos as varinhas e demos de cara com um Dementador monstro atrás de nós.
         Foi inevitável um gritinho azedo partindo da minha garganta e um mega patrono da varinha de Harry. Aquele bicho desgraçado estava começando a sugar a alma de Will. O loiro cambaleou para trás e eu o segurei.
         Nesse instante, uma das portas foi arrombada com um dos feitiços mais poderosos que eu já vi. Polk ficou em pé novamente e já começou a correr sentido ao contrário daquele que estávamos querendo ir: ele estava indo para a boca dos Dementadores.
         - O que aquele idiota está fazendo?! – Perguntou Harry jogando um feitiço em seus pés. A pancada foi inevitável.
         - ME SOLTA, POTTER!
         - Vamos combater esses comensais juntos! – Harry o pegou pelo colarinho. - Ou eu acabo com você.
         Até eu senti medo de Harry naquele momento.
         Um feitiço sobrevoou nossas cabeças nos fazendo abaixar e ir contra a parede. Três vultos pretos saíram de dentro da cela e se transformaram em seres vestidos de preto com máscaras de ferro em forma de caveiras.
         Eu estava com saudades de vocês, meus queridos.
         Transfigurei o portal em um acessório de bolso e o guardei bem para quem sabe, poder usá-lo quando sair com vida desse ataque.
         Os Comensais apontaram a varinha em nossa direção e nós na direção deles. Quando a fumaça finalmente abaixou, vimos mais dois vultos carregar o único pedaço branco daquele local: Draco Malfoy.
         Ele estava aparentemente desacordado com os cabelos compridos e a barba no mesmo estado. Suas vestes de prisioneiro estavam sujas e rasgadas. A visão que eu nunca queria ter de Malfoy.
         - Largue o prisioneiro agora! – Ordenou Harry.
         Uma risada abafada e demoníaca surgiu atrás de todos aqueles homens de preto. Bellatrix e sua loucura invadiram o local, já jogando um feitiço de desarmamento em cima de nós que por sorte, não nos acertou.
         A partir daí, foi feitiço jogado para todos os lados. Dos três comensais que estavam a nossa frente, dois caíram desacordados e sumiram em pó. Aquele último era difícil, ao retirar sua máscara reconhecemos Thor Rowle.
         Lançou uma maldição sobre Will que o fez parar a três metros de distância de mim. Tentei correr para seu lado, mas fui impedida por Bellatrix. Ela pousou na minha frente e apontou a varinha para meu estomago.
         - Estava com saudades de você, queridinha... – Sua voz estridente fez meus ouvidos tremerem.
         - Não posso dizer o mesmo. – Senti a ponta de sua varinha esquentar e meu corpo ser jogado muito longe dela. Antes de cair no chão, lancei uma maldição no meio do seu peito que a fez cair de joelhos e se contorcer como um inseto.
         Ao cair, colidi com destroços da cela de Malfoy e fraturei o mesmo braço que tinha fraturado naquele incidente da floresta.
         Deus, como eu não estava com saudades daquela dor!
         Deitei a cabeça naquela pedra me contorcendo de dor quando avisto os dois comensais segurando Malfoy ao meu lado. Um deles, fez com que uma esfera azul aparecesse em sua mão livre e a apertou com força.
         Eu conhecia aquilo e eu sabia o que podia fazer.
         Procurei minha varinha pelas redondezas do meu corpo e não a encontrei. Rastejei até perto dos pés daqueles monstros e puxei o pé caído de Draco Malfoy.
         Ao tocar em sua pele fria e suja, minha mente foi invadida de pensamentos terríveis, meu coração ameaçou parar de bater e o ar parou de entrar. Entrei em sua mente como nunca tinha entrado antes: vi seu sofrimento naquela cela, vi tudo o que pensava a respeito de fugir ou não dali e pude me ver, no fundo daqueles pensamentos, bem vagamente.
         Tive a vaga visão de uma varinha encostar em minha testa e nada mais ficou claro.


***
 
         - Não tem outro modo?! – Perguntei pegando uma pequena toalha de mão que estava jogada em cima da maca.
         - O outro modo seria amputação de membro, a senhorita quer isso? – Eu neguei chorando ainda mais.
         Estava no St. Mungus. A fratura em meu braço foi realmente séria, estava torto, inchado e roxo, uma visão nada agradável.
         Depois de acordar em uma maca de hospital, fui avisada por Moody que Draco Malfoy fugiu com mais três comensais. Nenhuma novidade até aí. Polk estava desacordado em uma maca ao lado, simplesmente jogado como um pedaço de presunto. Harry estava sentado em uma das cadeiras enquanto recebia atendimento por alguns machucados no rosto.
         Nem consegui pensar no que tinha ocorrido, a dor em meu braço era insuportável e já três medibruxos tinham aparecido ali por meus escândalos.
         - Não posso fazer isso sedada?
         - Há riscos da senhorita não acordar. Pare de fazer perguntas e morda logo essa toalha!
         Um medibruxo ficou segurando meu pulso, o outro me segurou para que eu não desse um pulo ou matasse alguém com os dentes.
         - Vou puxar na contagem do três.
         Mordi a toalha, mas não ouvi a contagem. Quando ele puxou meu braço, a pior dor do mundo se materializou em gritos, lágrimas e xingamentos. Harry até se assustou comigo e Polk ergueu sua cabeça para me olhar.
         Cai do lado chorando alto. Ele me deu uma poção para tomar, mas não queria largar aquela toalha presa com os dentes. Como estava sem paciência, aplicou uma injeção exatamente na dor me fazendo gritar novamente.
         Dez minutos depois, estávamos aparatando em nosso departamento.
         Meus olhos inchados assim como meu braço era motivo de espanto. Harry me conduziu até sua sala e chamou Falkes para nos acompanhar.
         - O Ministro está caçando a minha cabeça, Potter! – Soltou limpando o suor das dobras que sua testa fazia. – Céus, o que houve com você, Granger?
         - Cala a boca... – Sussurrei e nem teve tempo dele retrucar.
         - Ela não está em dia bom. – Ironizou Harry.
         - Ninguém está em um dia bom, Potter. – Andou pela sala. - Ele está achando que foi imprudência minha deixar dois Auror inexperientes para essa missão!
         - Eles não são inexperientes.
         - Você sabe muito bem que o Ministro não vai com a cara da Granger. – Falkes afrouxou a gravata e sentou-se na cadeira de Harry. – Dá próxima vez, quem irá enfrentá-lo, será você!
         Encostei a cabeça na parede dura e fechei os olhos pensando que aquilo era o que eu precisava.
         - Um pouco antes de você ser seqüestrado, cinco trouxas foram assassinados na entrada comum para o Ministério. Uma confusão se formou no átrio; Não sabíamos mais quem estava entrando e quem estava saindo. Todos ficaram apavorados e três minutos depois, o guardião da Sala das profecias foi encontrada sem cabeça em um simples armário de vassouras.
         Harry endireitou a coluna e cruzou os braços contra o peito.
         - Eles estavam com uma profecia. – Disse com os olhos ainda fechados, sentindo o deleite da escuridão.
         - Profecia? – A voz de Falkes alterou. – É impossível roubarem uma profecia!
         - Nós quase roubamos, porque eles não conseguiram? – Agora, eu estava o encarando.
         - E você não fez nada para impedir?
         - Ah, me desculpe, eu estava me contorcendo de dor em cima de destroços após entrar na mente obscura daquele que um dia, foi meu namorado.
         Quando eu estou com dor, eu fico insuportável.
         - E você conseguiu, pelo menos, ver de quem era a profecia? – Neguei com a cabeça. – Ataque a trouxas, profecia roubada, fuga de Azkaban...! – Choramingou passando as duas mãos no gordo rosto. – Eu vou perder meu emprego.
         - Antes perder o emprego, do que a vida. – Completou Harry.
         Passou exatamente duas horas. Meu braço estava com o tamanho normal, mas ainda doía um bocado.
         O Ministério agiu rápido. Já tinham convocado uma coletiva com toda a impressa bruxa para acalmando todos os cidadãos: “Nós já estamos tomando as devidas precauções para que ninguém e nada seja prejudicado”. É um modo bonito de se dizer que quando a bomba estourou, ninguém estava preparado e agora, todo mundo está.
         Todos os Auror – até aqueles que foram demitidos ou tiveram suas licenças caçadas – estavam de volta à ativa. O patrulhamento nunca foi tão intenso quanto agora. Soubemos que algumas pessoas já estavam se mudando para outros países e que as aulas em Hogwarts não começariam em setembro.
         Os números de ataque a trouxas aumentaram significantemente nesse tempo. As perguntas que rondavam nossas cabeças eram o porquê de tanta violência, porque soltaram Malfoy e porque o clima estava tão tenso. Não era Voldemort que foi carregado para fora de Azkaban, e sim o simples Draco Malfoy.
         Mesmo depois de anos, ele ainda me atormenta.
         - Não iremos decidir nada nessa confusão. – Soltou Harry sentando-se ao meu lado, vencido e cansado.
         Fiquei observando a pequena reunião de estratégia que Harry regeu juntamente com todos do departamento que não estavam trabalhando em campo.
         - Vamos para casa então, os dois estão realmente cansados e os efeitos das poções estão começando a passar. – Passei a mão em cima do meu braço que já não estava tão inchado assim.
         Levantamos e já fomos surpreendidos pela entrada da guarda especial do Ministério sendo seguida pelo Ministro da Magia. Meu estômago voltou ao lugar, coisa que não estava a mais de três horas.
         O nervosismo partiu a linha de raciocínio que Falkes travava com um estagiário no meio. Ele tentou ser mais rápido do que a guarda especial, mas chegaram até nós primeiro.
         Pararam na nossa frente: dois auror enormes, vestidos totalmente de preto e braçadeiras douradas no antebraço direito; um velho sábio seguido por uma pena de repetição rápida e o Ministro da Magia, Rufo Scrimgeuor.
         - Senhor Ministro. – Harry o cumprimentou não muito satisfeito, eu nem me dei ao luxo de olhá-lo profundamente como os outros funcionários.
         Falkes andou rapidamente até nós e se enfiou na nossa frente, forçando o sorriso e amizade.
         - Oh, Rufo! – Estendeu a mão em sinal de cumprimento e não foi correspondido.
         - Guarde seus entusiasmos quando isso tudo acabar, Falkes.
         Como ele era educado.
         Pousou seus olhos mortos em nós. Harry ficou dez centímetros a minha frente e depois, se aproximou ainda mais do Ministro.
         - Onde está o outro? – Perguntou alto, ainda nos encarando.
         No mesmo momento, dois homens trouxeram Will pelos braços e o jogou na nossa frente. O rapaz não estava nem um pouco feliz por estar sendo tratado assim.
         - O senhor é um ótimo auror, Polk. – Sorriu maliciosamente e Harry quis matar alguém. – Mas fracassou na última missão.
         - A missão era trazer Harry vivo. – Me meti.  
         - Outro erro foi deixar essa missão em suas mãos, Granger. – Me senti um lixo.
         - A culpa não é dela. – Soltou Harry.
         - Seja de quem for a culpa, tem um maníaco solto e o débito de trouxas anda crescendo a cada segundo. – Tudo que ele falava, a pena escrevia em seu pequeno caderninho. – Vocês sempre estão metidos em todas as mais incríveis confusões... Como você adquiriu aquele rastreador, Potter?
         - Encontrei em uma missão. – Mentiu discaradamente.
         - E não passou pela sua cabeça em guardá-lo no Ministério?
         - Eu ia fazer isso, senhor, mas fui seqüestrado.
         - E você, Granger,- Virou-se para mim. -  não podia ter impedido a fuga de Draco Malfoy?
         - Eu me feri, se-
         - Ou você simplesmente queria vê-lo solto?
         - De maneira alguma, eu –
         - A sua missão se “limitava” em simplesmente trazer o seqüestrado para Londres? Será que você honra mesmo seu título de auror?
         Fiquei muda, Harry olhou lentamente para mim e depois para o Ministro. Se ele me conhece, sabe que nesse momento, eu o mataria.
         - Você é uma péssima Auror, Granger.
         E ele conseguia dizer isso com seu natural sorriso maldito.
         - Como vocês três fizeram a bagunça, espero que a arrume o quanto antes. – Olhamos incrédulos para o homem. – Duas equipes principais, não me incomodo com quantas pessoas tem ou deixa te der, mas quero isso resolvido logo.
         - Eu não irei te ajudar. – Soltei fazendo com que atenção virasse para mim.
         - O mundo não gira em volta de você, Granger, pensei que você já tinha aprendido isso me Hogwarts.
         - Eu sou uma péssima Auror, esqueceu? – Tirei de dentro do bolso da calça, minha identificação de Auror e joguei em seu peito. – Eu me demito.
         Todos olharam frenéticos para mim, menos Scrimgeuor.
         - Hermione, por favor... – Sussurrou Harry pegando o título do chão e me forçando a pegar novamente.
         - Não, Harry, obrigada. – Ele quietou-se.
         Falkes estava púrpura, em um mix de realização por me ver longe dele e de preocupação por perder uma das partes mais importantes de sua equipe e talvez, desequilibrasse Harry. O Ministro estava seco e ríspido, sabe-se lá o que estava sendo redigido naquela pena de repetição rápida, mas com certeza, não era elogios da minha parte.
         - Faça o que quiser, Granger, melhor você fora daqui, assim não arrumará mais problemas.
         Harry fechou os pulsos e discretamente joguei um olhar para cima do moreno e ele logo entendeu.
         - Irei mesmo fazer. – Comecei a andar pelo departamento sendo o centro das atenções, quanto mais longe mais alto eu falava. – Eu acho, ainda por cima, que vocês não precisarão de mim para concluir esse caso? Aliás, é o caso do ano segundo as notícias relâmpago do Profeta Diário!
         Fingi estar completamente satisfeita. Fui até minha mesa e comecei a empacotar tudo.
         - Coloque o Polk na cabeça de sua melhor equipe! Quem sabe ele tem mais informações sobre Draco Malfoy do que eu?! – Ri angustiadamente.
         - Eu faço relatórios constantemente e também tenho- -
         - Cale-se. – Ordenou o velho ainda me fitando. – O que você sabe sobre ele?
         - Oras, o senhor quer mesmo saber? – Ri mais uma vez. – Eu não trabalho mais pro senhor, então, a não ser que você destrua essa pena de repetição rápida e conceda total liderança do caso a mim e a Harry, eu não irei contar. – Cantarolei segurando a caixa com as duas mãos. – Ok... Faça o que você quiser, Ministro.


***
 
         O nosso departamento nunca teve tanta atenção como naquele dia.
         - Eu devia te dar os parabéns, Granger. – Sorri vitoriosa. – Mas ainda sim, levei advertência por não educar meus funcionários.
         - Falkes, não me enche. – Soltei prepotente de mais indo até a sala de Harry.
         O moreno estava meio realizado e meio apreensivo. Os números de ataques aumentaram ainda mais em apenas seis horas desde ocorrido. Pistas indicaram uma movimentação de comensais da morte perto da Escócia e já uma guarda especial foi até a pista.
         Ele analisava um mapa enorme e enfeitiçado das redondezas. Para quebrar um pouco o clima, o peguei no seu antebraço com o meu braço bom e o abracei.
         Lentamente, ele envolveu meu corpo e encostou a boca no topo da minha cabeça. Senti aquele corpo quente. Queria ter sentido desde o começo do dia e nenhuma das situações assim permitiu.
         - Você é louca. – Riu levemente.
         - Sou determinada. – Ainda abraçada ergui minha cabeça para ele. – Nós o conhecemos o suficiente para prendê-lo.
         - Você o conhece, Hermione. – Corrigiu e eu me separei.
         - Pensei que já tinha superado isso. – Fui cruel.
         - Eu superei, você superou?
         Fiquei muda passando a língua nos dentes. Eu não precisava de uma briga com Harry nesse exato momento. 

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