There's something very wrong
A boca dela movia-se contra a minha como se estivesse sendo controlada. Nossas línguas faiscavam e era só uma questão de tempo até o fogo arder entre nós. Ela tirou minha camisa, roçando os dedos na pele do meu abdômen. Tinha alguma coisa errada, eu sentia. Ela estava sentada no meu colo então suas pernas enroladas na minha cintura me faziam esquecer o que era... ou apenas a não dar importância. Beijei seu ombro nu, segurando com força seu quadril tão bem moldado nas palmas das minhas mãos.
Eu queria arrancar seu sutiã e eu sempre conseguia o que queria. Quando a peça foi jogada no canto do quarto eu senti o corpo quente estremecer acima do meu. Não dei a ela tempo de sentir medo, apenas prazer. Usei minha língua para saborear seu pescoço, descer minha boca até seu peito.
E continuei sentindo que alguma coisa estava errada ali. Havia algo errado. Não importava. Ela soltou um gemido. Levei a mão até os cabelos ruivos soltando um aroma surreal e ela jogou a cabeça para trás, em êxtase. E eu nem tinha começado a melhor parte. Minha outra mão alcançou suas coxas, enfiando os dedos por baixo da sua saia, até a calcinha.
Finalmente abri meus olhos para ver sua expressão. Era assim que eu gostava. Ela estava quente e sexy. Senti o aperto de seus braços ao meu redor. Ouvi o suspiro atingir sua garganta. Ela meio que roçou as unhas nas minhas costas enquanto eu tirava sua calcinha, suavemente.
– O... que estamos fazendo? – ela se perguntou quando deitamos na cama, eu sobre seu corpo, que transpirava, colado ao meu. – Você não pode...
– Por quê? – perguntei, observando as sardas na ponta do seu nariz. – O que há de errado nisso?
– Tudo. Você fez tudo errado...
E então eu acordei.
Não morri, obviamente. Mas as coisas estavam confusas quando abri meus olhos. Senti uma onda elétrica percorrer meu corpo e tive uma necessidade intensa de respirar. Alívio invadiu meu sangue quando consegui. Olhei para os lados, confuso.
Primeiro, a sensação de que eu havia dormido durante muitos e muitos anos e de que eu não me lembrava de muita coisa. Nem fiz esforço para lembrar, minha cabeça estava dolorida.
E, finalmente, ouvi uma voz.
– Ele acordou.
Vi onde eu estava. Na Ala Hospitalar de Hogwarts. Quis entender por quê, mas não achei nenhuma razão.
– O que...
Fui interrompido quando uma garota se aproximou da cama, com os olhos vermelhos de lágrimas.
– Scorpius, finalmente!
– Agradeça a essa moça – disse Madame Promfrey. – Se ela não tivesse sido rápida ao levá-lo para cá, você não acordaria por um bom tempo.
Rachel sorriu e passou a mão nos meus cabelos.
– Vai ficar tudo bem, Scorpius... você está desacordado há um bom tempo. Ethan voltou a Hogwarts e está muito bem. Ele veio visitar você. Ah, e a Clair foi expulsa! Com certeza, todo mundo viu que ela drogou você. Bem, e ela confessou que quis envenenar Ethan também. Não tinha mais jeito. O professor fez ela tomar uma poção da verdade, claro. Foi o maior escândalo, mas você nunca mais irá vê-la na sua vida.
A princípio, foi difícil raciocinar. Mas, aos poucos, eu comecei a lembrar de tudo. O suficiente para que eu me sentisse horrível.
– Clair envenenou Ethan? – estranhei.
– Não entendemos muito bem essa parte – Rachel disse. – Todo mundo achava que você tinha feito isso...
– Mas eu fiz. Eu...
Parei de falar, pelo choque da lembrança.
Agora tudo fazia sentido.
Há um ano, eu havia me trancado na sala de poções, para usá-la contra um garoto. Não estava com intenção de matá-lo, como já disse. Quando terminei, guardei o frasco na gaveta de meu quarto, para usá-lo no dia seguinte. À noite, eu havia dormido com uma garota, uma tal de... bem, não importava. Mas ela era uma das amigas de Clair. Lembro que quando fui pegar de volta o frasco da poção, o líquido estava com uma cor diferente. Não questionei, afinal, alterações de cores eram constantes. Mas agora fazia sentido. Aquela garota devia ter... sei lá, aproveitado o momento e colocado veneno na poção, por ordem de Clair. Quer dizer, Clair sabia manipular as pessoas.
Droga. E eu acreditei que eu havia causado um envenenamento, porque depois que Ethan desmaiou na minha frente e foi levado para o hospital, Clair me encontrou para dizer: "Eu sei o que você fez."
– Eu não quis causar aquilo – falei para Rachel, voltando ao presente.
– Mas já está tudo bem agora, e você está vivo!
– Sinto-me péssimo.
– Tome isso – mandou madame Promfrey, enfiando um líquido rosa na minha garganta. Quase engasguei, de tão nojento que era. – Você ficará aqui por mais um tempo, mas poderá voltar logo logo. Então, não reclame do gosto!
– Rachel – eu me virei para ela. – Cadê Rose?
– Rose? Ah, ela... bem, ela... Não sei, Scorpius. Sinceramente. Mas eu tenho certeza de que ela entende que você não a traiu. Não foi culpa sua e...
– Não importa. Eu quero vê-la.
– Ela não quer ver você. – Não foi Rachel quem disse isso. Olhei para um canto da sala, e lá estava Albus Severus.
– Potter?
– Bem, você está acordado – ele disse, aproximando-se. – Poderei socá-lo quando ficar em pé. O fato de que estava quase morto não me faz sentir pena.
– Azar o meu – falei.
– Sim. E o de Rose também.
– Eu entendo que esteja com raiva, Potter.
– Quase confiei em você, Malfoy. Quase. Minha prima confiou completamente. E você ferrou tudo. Não tenho raiva. Apenas me arrependo por ter deixado isso acontecer.
– Vocês vão ficar discutindo? – quis saber a enfermeira. – Pois se sim, eu vou ter de expulsá-lo daqui, Potter. O sr. Malfoy ainda está se recuperando.
– Não – eu a interrompi. – Ele tem o direito de dizer, eu estou bem o suficiente para ouvir.
Potter me encarou, desconfiado, mas depois amenizou a expressão. Eu o desafiei a me ofender. Ele não se rebaixou, para minha surpresa. Apenas deu as costas e saiu.
Passei o tempo conversando com Rachel. Ela disse que Brian estava envergonhado demais para me visitar. E, bem, não havia ninguém mais que se preocupasse a não ser ela. Eu gostei de saber disso. Tanto que quando a única pessoa que me perdoava por ter tantos defeitos foi embora, senti-me vazio e ridículo.
Dormi mais um pouco e, quando acordei, assustei-me ao ver Rose sentada ao pé da minha cama. Seus olhos me encaravam. Nos olhamos por algum tempo até que ela foi a primeira a dizer:
– Está pensando em alguma desculpa boa o suficiente?
– Estava tentando entender porque você está aqui. Quer ouvir uma desculpa insuficiente? É tudo o que eu tenho.
– Sempre venho te ver, para ver como você está. Fico tentando encontrar alguma explicação... para o que Clair fez. Não entendo. Ela queria atingir a mim, eu senti isso. Mas você pagou o preço.
– Não, eu não paguei preço algum. A culpa é toda a minha.
Ela fez uma expressão surpresa.
– Você está se confessando? Você? Um Sonserino? Ou melhor, um Malfoy?
– Está surpresa.
– Você me surpreende.
Com um movimento, ela se levantou. Havia uma cadeira ao meu lado e ela se sentou para ficar mais perto. Não havia ninguém na ala. Na verdade, estava escuro como se Rose tivesse se esgueirado para me ver.
Não sabia o que fazer ou dizer. Tive forças para passar um dedo pelo seu rosto. Mas ela não deixou. A seu modo, afastou minha mão e disse:
– Não faça isso.
– Você não confia mais em mim?
– Não posso confiar em você, Scorpius.
– Seu pai descobriu sobre a gente?
Ela não respondeu, e eu soube o que isso queria dizer.
– Ótimo. E ele não aceitou, é claro – murmurei.
– Mas não é por essa a razão. Vamos, Scorpius, você sabe porque eu não posso confiar em você.
– Eu sei – respondi. – Mas não tinha como você esperar eu sair daqui para me dar um fora?
– Você não sabe por quanto tempo ficou desacordado? Amanhã já é a formatura.
Fiz esforço para não arregalar os olhos.
– Depois de amanhã será provável que não nos encontremos mais – ela disse, a voz sempre baixa. – Seguiremos nossos caminhos.
– Mas eu quero ver você de novo! – eu me senti uma criança pelo meu desespero. – Rose, eu quero continuar com você.
Meio que falei isso tentando me levantar, mas ela segurou meus ombros e me obrigou a deitar novamente.
E então ela soltou essa:
– Nem sempre conseguimos o queremos, Scorpius.
– Então você não me quer mais? É por isso que veio aqui? Para dizer...
– Você está bravo comigo? – ela apertou os olhos, alterando um pouco o tom de voz. – Certo. Pois fique. Eu passei todos os dias aqui, desejando que pudesse te encontrar com os olhos abertos para poder dizer a verdade, ok? Eu não vou te enganar, eu quero você, eu nunca quis outra pessoa com tanta intensidade antes. Mas você consegue entender o que você fez pra mim? Todo esse tempo eu não dei ouvidos ao meu primo porque eu queria me arriscar com você. E depois eu descubro que não fui nada menos do que uma conquista pra você! Só para você me levar para cama!
– Pode ter acontecido isso sim, eu posso ter feito tudo isso só para conquistá-la. Mas, acredite, agora eu estou implorando por você. Tudo o que eu sinto é verdade agora.
– Acredito em você – ela disse.
– Acredita?
– Mas não consigo mais confiar. E eu não ando de mãos dadas com quem eu não confio.
Senti-me fraco. Nunca dependi tanto da confiança de alguém. Muito menos de uma garota.
Ela se levantou quando percebeu meu silêncio. Não ia impedi-la de ir embora. Essa era a decisão dela, certo? Não era meu trabalho contrariá-la. Eu não precisava de garota alguma antes. Podia voltar a viver assim.
Mas eu não era mais assim.
Percebi no momento em que perguntei, antes que ela saísse:
– Não podemos começar de novo, Weasley?
E ela respondeu, olhando-me nos olhos:
– Estamos começando de novo, Malfoy.
Quando o ano letivo acabou, senti que ainda faltava uma parte dessa história a ser completada. Não participei da formatura, muito menos dormi com outra garota durante aquela noite, ou na outra. Não sei se conseguiria. Eu havia mudado. Queria que Rose soubesse de tudo. De como eu era e de como estava disposta a ser. Então pela primeira vez molhei a pena e raspei a ponta pelo pergaminho para me desculpar. E, na carta, ela leria:
Rose,
Não sei o que posso dizer. Nada irá mudar o que eu fiz a você. Quer saber a verdade? Aqui vai. Nunca me preocupei com os sentimentos das pessoas. Para mim, garotas eram apenas objetos ou uma coleção de troféus. A palavra para isso? Conquista. A princípio você também foi uma. Até eu perceber que não iria vencer, e que podia amar alguém pela primeira vez. Acontece que foi a coisa mais difícil que eu fiz e que ainda estou fazendo. Mas o tempo que eu estive com você foi o mais certo. Você diz que me perdoa e que acredita em mim, apesar de tudo. Quer que eu entenda sua decisão de não voltarmos? Não, não entendo. Da forma mais egoísta que penso, gostaria de estar com você. Mas é hora de mudar. Eu não tenho tudo o que quero e nunca vou ter. Devo me contentar que voltaremos a ser apenas Malfoy e Weasley. Gostaria que soubesse que se nos encontrarmos no futuro, eu vou tentar conquistá-la novamente. Mas, dessa vez, sem nenhuma mentira. Ou qualquer outra intenção cruel.
Eu te amo,
Scorpius.
Entreguei a carta através de uma amiga dela, mas nunca soube se ela mesma a leu. Bem, isso não importava. Havíamos seguido nossas vidas completamente opostas e eu tinha feito o que deveria fazer. Quando saí de Hogwarts, tempos mais tarde, encontrei uma vocação, o que eu chamo de ironia hoje. E foi graças a essa vocação que, alguns anos mais tarde, nos encontramos de novo.
Mas essa é uma história para o epílogo.
N/A: Amados!, aí vai o penúltimo capítulo. Digam-me o que acharam, por favor? Qualquer coisa, qualquer duvida, tentarei explicar no epílogo. ÉÉÉÉ, a fic está quase completa. E quero agradecer a todos vocês por me deixarem chegar até onde eu queria, quando comecei a escrevê-la! :D Eu achava que eu iria abandoná-la, porque acreditava que ninguém ia gostar de ler um Scorpius assim, meio que, hum, cafajeste ou algo do tipo no começo D:. Mas aqui estamos! E quero agradecer a: dominique., Jamii Altheman, Brenda Black-Cullen e Cecília Potter pelos comentários!
beijos pra vcs :D