Capitulo XII
Nosso condizer
*Pena e pergaminho nas mãos da autora*
Hermione tinha os olhos fixos na leitura do artigo que segurava. Olhava centradamente para as palavras a sua frente tentando concentrar-se, mas nada enxergava além da imagem da nova estagiaria e Rony a protegendo em uma discussão. Não conseguia entender o que acontecia com ela mesma, confiava plenamente em Rony e por isso não duvidava de sua lealdade, mas sentia-se injustiçada, não encontrava motivos para odiar o namorado, mas, como sempre, se irritava por este causar sentimentos inexplicáveis, pensamentos irreveláveis e agora, a insegurança de que aquela mulher pensava ou sentia as mesmas sensações que ela, sensações essas que deveriam pertencer a apenas uma pessoa, apenas a uma mulher, a Hermione Granger.
“Como ele pode ser tão insensível a ponto de me contrariar por causa de uma simples estagiaria?” – pensava tentando organizar suas emoções – “Não, não... estou sendo má com a coitada estagiaria, afinal, ela só está cumprindo seu trabalho.” “Rony é quem é o verdadeiro culpado por tudo isso, deixa as mulheres olharem pra ele” “Mas também, o que elas querem olhando para ele?! Não sabem que ele é comprometido?! E comigo?!” “Argh, Ronald!... porque você faz isso comigo? Eu não quero mais pensar nisso, não quero!” “Mas se aquela mulher pensa que vai conseguir arrancar alguma coisa dele está enganada, por que não vou deixar meu namorado tão facinho assim” “Ou talvez seja exagero, talvez Rony não tenha percebido nada ou eu é quem está imaginando coisa a mais da real”
- Hermione?! – foi acordada de seu devaneio por Thomas Walker a chamando em frente a sua mesa.
-Sim?! – devolveu se recompondo.
- Está tudo bem com você? – preocupou-se com a desatenção incomum de Hermione.
- Está sim. – fingiu veemente – Apenas estudando esse artigo.
- Já que está mesmo bem, vamos tomar um café mais tarde, depois do almoço?! Precisamos conversar sobre seu projeto.
- Claro. – concordou – Mas aconteceu alguma coisa com meu projeto? É coisa ruim que você vai me falar?
- Não, nada disso. – respondeu balançando negativamente a cabeça – Quero entender melhor alguns itens, mas depois te explico tudo.
- Ok.
- Então, até mais tarde, no café.
- Até o café.
Hermione associou a conversa que teria com Thomas sobre trabalho a alguns minutos de distração, seriam alguns minutos de descanso aos pensamentos de Rony. Não queria se preocupar mais com isso. Resolveu não fazer nada, esperaria o “sangue esfriar” e Rony procurá-la, mesmo ainda não encontrando motivos palpáveis, seu orgulho ainda não á deixava desistir de sua posição de desaprovação.
Com certeza, Rony a encontraria na hora de almoço e seria inevitável uma conversa, mas Hermione ainda não se sentia segura, assim como às vezes sentia vontade de dizer tudo na cara dele, outras sentia vergonha pelo papel de ciumenta da vez. Almoçou na própria sala alimentando a esperança de receber ao menos uma carta de Rony, mas acabou indo a pequena reunião decepcionada por não receber nada, talvez Rony tivesse escrevendo coisas mais importantes.
***
- Rony, você quer parar com isso, por favor. – pediu Harry impaciente. Perdeu a conta de quantas vezes o amigo virava e revirava a ampulheta de sua mesa, fazendo um barulhinho irritante.
Ele parou de mexer no objeto e tentou se concentrar em organizar os arquivos espalhados em sua mesa. Realizava o trabalho automaticamente, pois sua mente parecia estar em outro plano. Seu cérebro martelava tentando entender o porquê do nervosismo de Hermione poderia ser raiva reprimida, ansiedade ou insanidade, TPM, ciúmes... “Opa, ciúmes?!” – pensava, ligando a cena de cedo as possibilidades analisadas – “Será que Hermione estava com ciúmes?! Mas ciúmes de quem? Nunca ousaria olhar para outra mulher a não ser ela” “Ou será que falei coisa errada?!... Mas como sou burro! Fui ignorante com ela” “Ela tentou participar um pouco mais da minha rotina de trabalho e eu a expulsei sem a deixar começar” “Mas para que ela quer saber mais do que já sabe em meu trabalho? Seu emprego é no mesmo prédio que o meu, nos vemos todos os dias até mesmo no horário de almoço, o meu melhor amigo é melhor amigo dela e além disso, trabalho fazendo as mesmas coisas que ele, o que ela quer mais?”
Não tinha ideia de como faria para conversar com Hermione sem contundi-la ainda mais. Queria ser direto, perguntar o que tinha feito, mas já havia tentando essa pergunta e ela apenas negou-se a continuar a conversa. Se ela disse-lhe que não queria conversar sobre aquele assunto, como insistira para saber o que acontecia? Como iria consertar a burrada de havia feito? Involuntariamente voltou a mexer na ampulheta, em seu inconsciente, desejava que o tempo voltasse e bem que aquela ampulheta poderia lhe ajudar, se fosse realmente possível.
- Rony, dá pra parar. – vociferou Harry novamente – O que você tem?
- Não posso mexer no que é meu agora? – devolveu, estava frustrado por suas tentativas falidas em próprio pensamento.
- Foi a Hermione? – cortou fingindo não ter ouvido.
- Por quê? Ela falou alguma coisa pra você?
- Não, mas quem mais deixa você assim?! – explicou o obvio – O que aconteceu?
- Eu não sei. – disse parecendo exasperado – Ainda não consegui entender o que aconteceu.
- Como você pode não saber?
- Foi de repente. – começou – Eu acho que falei besteira.
- Pra variar. – Harry revirou os olhos, já estava acostumado com as brigas dos amigos por causa de conversas bobas e mal entendidas. – Já tentou pedir desculpas e dizer realmente o que queria dizer na hora?
- Como vou pedir desculpas se ainda não tenho certeza do que fiz errado.
- Cara, eu não to entendo você.
- Harry, eu acho que a Mione queria participar mais da minha rotina de trabalho e tentou puxar assuntou sobre. – começou – Mas eu acabei cortando ela, não imaginava que era isso na hora.
- E porque ela iria querer saber mais sobre nosso trabalho?! – estranhou - Às vezes tenho a impressão de que ela sabe mais que a gente.
- É isso que acho estranho. – parou um momento. Harry permaneceu calado, esperando o amigo manifestar o que pensava.
- Tem certeza que era mesmo isso que ela queria? – questionou Harry.
- Não. – respondeu cabisbaixo.
- Então porque não vai falar com ela?
- Ela não queria falar mais sobre isso comigo.
- Isso na hora da raiva. Conversando tudo se acerta e você já deveria ter se acostumado com isso.
Rony permaneceu alguns minutos calado, tentava formar frases simulando a conversa que teria com a namorada, mas nem todas as imagens que lhe viam a mente eram boas. Esperava que Harry o ajudasse, afinal, seu amigo e sua irmã também tinham seus dias de desentendimento e, com toda certeza, não era o primeiro desentendimento de Rony e Hermione desde que começaram a namorar, alias, esse devia ser o milésimo primeiro desentendimento desde que se conheceram. Mas era assim que ele gostava de Hermione, ela tão diferente dele, mas ao mesmo tempo tão igual no sentimento, no coração, no desejo. Era isso... Mais do que tudo, antes de qualquer briga, Rony a amava de corpo e alma, com todos os defeitos que pudessem arranjar, Hermione era a mulher mais perfeita que conhecera.
- Rony?! – chamou Harry – Ei... acorda sonhador.
- O que foi? - Rony olhou atordoado para ele, como se tivesse sido acordado bruscamente.
- Vou buscar sua irmã para almoçarmos – informou – Já terminei o serviço aqui por enquanto, continuo mais tarde.
- Certo. – devolveu sem ânimo.
- Precisa que eu vá com a Gina falar com ela?
- Obrigado – agradeceu sem mudar o tom cabisbaixo – Mas amo ela demais pra ficar tanto tempo sem vê-la. Eu mesmo vou.
- Boa sorte.
- Com as mulheres? Preciso de boa sorte, boa coragem, boa morte. – disse em tom de desespero – Elas não têm noção do poder quem tem.
- Pior que elas sabem de seus poderes. – devolveu Harry – Mas não deixa Gina saber disso.
Harry se retirou e ele continuou na sala esperando dar seu horário certo de almoço e assim ir procurar Hermione. Ensaiava o que falaria a ela conversando sozinho, ou melhor, com a ampulheta que naquele momento seria o rosto de Hermione, quando ouviu batidas leves na porta. Por um momento seu coração disparou, “será Hermione?”. Correu para abri-la pessoalmente, mas se decepcionou quando encontrou Amanda, a estagiaria, a porta.
- Ah, oi Amanda. – a cumprimentou voltando a sentar-se em sua cadeira.
- Oi. – respondeu – Bem, tenho duas listas com nomes suspeitos de falsidade.
- Mais documentos falsificados?
- Muito mais.
- Merlin, quanto mais eu trabalho mais serviços me aparecem.
- Isso porque não era você que estava a amanhã inteira pesquisando sobre esses malditos nomes.
- Quem dera tivesse.
- Você parece muito animado hoje. – ironizou
- Quem dera tivesse. – devolveu – Se preocupação fosse galeões, eu estaria rico.
- Problemas? – perguntou tentando não parecer intrometida.
- Coisa boba, mas quando mexe com quem a gente gosta a coisa muda. – desabafou.
- Sem bem como é. – concordou.
O único ruído que se ouvia era o das folhas sendo arrastada uma em cima da outra, organizadas em pilhas que cresciam a cada papel colocado.
- Ah, encontrei sua namorada. – comentou Amanda tentando descontrair enquanto empilhava alguns arquivos.
- Viu?! – Rony mudou repentinamente o entusiasmo na voz – Onde?
- Vi de relance, quando estava indo pegar o elevador ela passou, mas não deu tempo de falar nem um “oi”.
- Mas ela estava triste, ou normal? – perguntou exasperado – Como ela estava?
- Não sei. – respondeu um pouco assustada – Não consegui vê-la direito, como disse, foi muito rápido.
- Eu vou lá. – anunciou pondo-se de pé.
- Vai onde? – perguntou preocupada, não estava entendendo mais nada.
- Atrás dela. – respondeu já caminhando para a porta, mas parou de supetão e voltou-se a estagiaria antes de correr corredor afora deixando uma moça muito confusa para trás – Obrigado Amanda, te devo uma.
***
Rony percorreu o mais depressa que pode os corredores do ministério. Já passara o horário de almoço e agora andava quase que correndo, segurando uma rosa branca, em direção ao departamento de Regulamentação e Controle das Criaturas Mágicas. Pretendia encontrá-la antes, para almoçarem juntos, porém demorou mais tempo do que imaginava conversando com Amanda e tentando escolher um tipo de flor “a altura” de Hermione.
Em sua mente, a única coisa que conseguia entrever era o rosto dela, um rosto tão doce e macio quanto algodão, e tão belo e expressivo quanto à flor que carregava. Passava entre os bruxos e bruxas daquele lugar focando em um único objetivo. Com pressa, para cortar caminho, direcionou-se ao pátio do restaurante do ministério, pois mesmo correndo o risco de estar cheio, seria mais prático do que dar a volta naquele lugar pelos corredores.
Assim que pisou na área da cantina avistou, ao longe, cabelos castanhos e volumosos. Seu coração palpitou quando comprovou ser Hermione ao ver seus lábios pronunciando palavras que dali não podia escutar. Desejou ouvir-la mais e mais, se aproximando ansiosamente. Porém, como uma bola que atingira seu estomago, um susto, um homem, que não era ele, conversava á mesa com ela, sua garota. “Como assim... é só termos uma briguinha de nada que os marmanjos já caem matando?!” Rony andou mais rapidamente, controlava a raiva que começava a sentir a cada passo que dava, parou alguns centímetros para respirar fundo e inopinadamente escutou alguém chamando por seu nome.
- Ronald?! – disse Thomas à mesa, chamando a atenção de Rony e Hermione, que olhou incrédula e rapidamente para trás – Que bom revê-lo por aqui.
- Pois é. – respondeu sem graça aproximando-se da mesa onde estavam. Hermione olhava surpresa para ele, também levou um grande susto, ainda mais por não saber o real motivo da repentina aparição em pleno horário de trabalho - Queria falar com você... Hermione. – Rony olhava fixamente nos olhos dela, como se tentasse que ela usasse legilimência e lese seus pensamentos, mas a “ligação” dos olhos foi quebrada por ela no momento em que desviou o olhar para o chão.
- Bem, já tínhamos terminado mesmo. – disse Thomas levantando-se e referindo-se a Hermione - Mandarei levar o convite a sua mesa.
- Certo. – respondeu ela, dando um meio sorriso de adeus a Thomas, que se retirou em seguida.
Rony sentou-se na cadeira a frente dela, onde o homem estava, e procurou pelo olhar da namorada, mas não foi correspondido. Hermione continuava olhando para baixo, pelo canto dos olhos, fitando os pés da mesa vizinha, não queria ceder tão facilmente.
- Pra você. – estendeu a flor na direção dela. Sem olhar diretamente para ele, Hermione pegou a flor que este a estendera e fixou seu campo de visão apenas na flor e na mesa que estavam – Meu amor, fala comigo, por favor.
- Desculpa. – pronunciou baixo e confusamente.
- O que? – perguntou confuso, não entendera claramente o que havia dito.
- Desculpa. – Hermione ergueu o olhar e repetiu mais alto, olhando nos olhos de Rony – Me desculpa Ron.
- Desculpar?! – questionou confuso, achava que ele era quem havia feito bobagem – Por quê?
- Eu fiquei com raiva do meu próprio namorado por tolices.
- Que tolices? Por qual motivo você ficou com raiva de mim, o que eu fiz de errado?
- Não fez nada. – Hermione estava tão envergonhada, que passou a fitar as próprias mãos sobre a mesa enquanto falava.
- Eu sei que fiz alguma coisa, te decepcionei com algo, não foi?!
- Não, não foi.
- Fui grosso com você?
- Não Ron, não foi nada disso.
- Então me diz, por favor. – pediu angustiado, ao mesmo tempo em que aliviava o peso das besteiras que achava ter feito, sua agonia aumentava sem saber o que havia ocorrido.
- Eu apenas me senti um pouco excluída por não saber da nova estagiária, afinal, queira ou não, ela trabalha o dia inteiro com você.
- Eu achava que ela não era importante pra você.
- Pois ela é, porque diz respeito a sua vida no trabalho e mesmo conversando comigo todos os dias, você nunca citou ela pra mim, esperou que eu tomasse um susto vendo ela em seu lugar.
- Me desculpa por isso, tudo bem eu deveria ter falado dela pra você, mas temos tantas coisas mais importantes pra conversar que acabei esquecendo.
- Fui uma boba. – disse cabisbaixa.
- Nada disso, você não é boba, tem todo o direito de saber - Rony segurou o queixo da namorada, erguendo seu rosto para olhar em seus olhos - Foi um erro meu que não vai mais se repetir, ok?!
- Eu te amo. – sussurrou fazendo Rony sorrir.
- Eu também... nervosinha.
O biquinho que Hermione fez com o “nervosinha” arrancou uma gargalhada de Rony, que levantou para beijá-la. Como era bom saber que voltaria a beijar-lhe os lábios, ela era tão doce e viciante que não conseguiria passar o resto do dia sem tocar-lhe, sem sentir aquele cheiro floral embriagante que seu corpo carregava, poderia passar o resto de sua vida sentindo-a, amava aquela mulher.
***
Gente.. *-*
Assim como estou ansiosa para assistir o último filme da série (que, alias, falta menos de dois meses para estreiar \õ/\õ/) fico sempre muito ansiosa para postar algo novo.
Espero que tenham gostado desse capitulo e estejam curtindo a fic =]
Obrigada pelas visitas e comentários, inté mais ;*