REENCONTRO
Snape adentrou a fumaça negra sentindo-se nu e sem chão, afinal, sem sua varinha ele estava completamente indefeso. Entretanto, nada o faria parar, não até encontrar Hermione.
Ele continuou andando sem rumo durante minutos que pareciam eternos, até que finalmente ouviu alguma coisa. Primeiro parecia uma voz, uma música quem sabe, até que ele percebeu: eram gritos, os gritos de Hermione.
De súbito, ele começou a correr em direção àquela voz até que se tornasse mais clara.
“Severus... Severus...” dizia a voz, ecoando pela escuridão. “Severus, onde está você? Onde está você?”
- Granger! – ele gritou, acelerando o passo – Estou a caminho! Onde você está?
“Severus... Severus... Eu estou aqui... aqui” respondeu a voz chorosa.
Ele continuou correndo em direção à voz dela até que viu, muito distante, um pontinho branco e iluminado, para onde se dirigiu, desesperadamente, tentando se livrar daquela escuridão fantasmagórica.
“Severus...”
Enfim, ele a viu. Estava ajoelhada de costas para ele. Caída no chão. Mas antes que a alcançasse, tudo ficou muito escuro de novo e sua voz sumiu.
- Severus!
Ele ouviu a voz vindo atrás dele e virou-se a tempo de ver Hermione se aproximando com os olhos inchados.
- Srta. Granger... eu... – mas antes que ele dissesse alguma coisa ela o beijou.
- Severus... Eu sabia que você me amava... Eu sabia. Como pude ser tão tola?
Mas Snape não tinha palavras. Ele apenas queria abraçá-la e agradecer por aquele tremendo mal-entendido ter finalmente acabado.
- Severus, meu amor... Eu te amo tanto.
Aquelas palavras foram um deleite para ele, mas ele ainda estava confuso. Como ela apareceu atrás dele se estava à sua frente?
- Severus... Severus...
Ele fitou seus olhos carentes e a abraçou com ternura, esperando que ela acariciasse os cabelos em sua nuca como sempre, mas ela não o fez.
- Meu amor... Eu te amo tanto tanto... Seria capaz de...
Snape soltou-a de seus braços. Sentia-se estranho. Estava com um mau pressentimento. Então lançou um olhar profundo sobre os dela, mas era como se... como se não houvesse nenhuma profundidade a explorar...
- Capaz de...?
- Seria capaz de... matar por você.
Severus engoliu em seco, sentindo um frio percorrendo-lhe a espinha.
- Que bom, meu amor... – disse ele, trazendo-a para junto de si novamente. – Porque eu também seria capaz de matar por você!
E neste instante, ele agarrou com brutalidade os cabelos dela e os puxou com violência, até atirá-la ao chão.