Luna entrou em seu apartamento e fechou a porta atrás de si. Não acreditava no que estava sentindo diante do charme barato de Malfoy. Precisava por a cabeça no lugar. Ainda arrepiada dirigiu-se a cozinha, apanhou uma garrafa de whisky do fogo, colocou duas doses no copo, três pedras de gelo e virou tudo em dois goles. Sentiu a garganta queimar, mas a cabeça ficou um pouco mais leve.
Foi para a sala e sentou-se diante da lareira, acendendo-a com a varinha e tirando a jaqueta. Pegou os prontuários no escritório e os trouxe para sala, onde espalhou no tapete azul claro. Pegou uma das pastas e começou a ler. As palavras começaram a dançar. Tinha que continuar a ler. Porém na metade do pergaminho as letras começaram a embaralhar-se na sua frente. Foi ai que Luna percebeu que estava cansada demais para trabalhar. Não teria como continuar assim.
Levou todas as pastas para o escritório novamente e foi para o quarto. Colocou um pijama de seda bem leve e puxou os edredons brancos para baixo. Deitou-se na cama e quase instantaneamente já dormia tranquilamente.
Quando acordou no dia seguinte Luna sentia-se bem disposta. Nada que uma boa noite de sono não resolvesse. Levantou-se, lavou o rosto e escovou os dentes e foi até a cozinha. Iria tomar um café, fazer uma caminhada e ficar o resto de seu dia de folga trabalhando dentro de casa. Abriu a geladeira e assustou-se com o que viu. Não tinha se dado conta que a geladeira estava tão vazia. Havia um pacote com três salsichas, um ovo, quatro fatias de pão de forma e um pote quase vazio de pasta de amendoim. Tirou tudo da geladeira e atirou as salsichas e o ovo na frigideira. Pegou duas fatias de pão e passou o restante da pasta de amendoim nelas, depois jogou fora o pote. Colocou o que restava de pó de café na cafeteira e ligou-a. Esperando o café terminar de passar, tirou as salsichas e o ovo da frigideira colocando em um prato. Colocou o café ralo numa xícara e esparramou algumas gotas de leite. Começou a tomar café, mudando seus planos. Teria que ir ao mercado para abastecer a geladeira.
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Draco parou na frente da estante de iogurtes, pensando como pudera ter se esquecido de comprar algo para o café da manhã. Agora buscava qual bandeja colocaria no carrinho: côco ou morango?
- Eu prefiro côco, pessoalmente. – ele se assustou e virou o rosto para ver Luna sorrindo para ele. Não percebera que havia dito isso alto.
- Ok, então. Côco. – ele respondeu, estendendo a mão para pegar a bandeja. – No mercado tão cedo?
- Tive uma surpresa desagradável quando fui tomar o café essa manhã. Geladeira vazia. – Ela disse fazendo uma careta.
- Bom, comigo foi mais ou menos a mesma coisa. Com exceção de que eu nem precisei abrir a geladeira pra saber que estava vazia. – ele disse rindo-se.
Caminharam pelos corredores apanhando os alimentos. Luna ensinava Draco a fazer compras, pois isso era responsabilidade dos elfos na Mansão Malfoy, que iam a mercados bruxos. Ambos mandaram entregar as compras no prédio e saíram caminhando pela rua. De repente ouviram um barulho semelhante a um ronco.
- Você não tomou café? – Luna perguntou surpresa
- Não. Você tomou? Não disse que sua geladeira estava vazia?
- Bom, tinha umas coisinhas que deram pra me satisfazer. Vamos passar naquela lanchonete.
Draco aceitou a oferta de bom grado. Estava com muita fome. Pediu waffles e suco de laranja e Luna acompanhou apenas no suco. Conversaram durante meia hora, que pareceu se evaporar rapidamente.
Caminharam para o prédio novamente, conversando amistosamente, como se sempre houvessem sido amigos.
- O que vai fazer hoje, Lovegood? – Draco perguntou descontraidamente quando estavam no hall do nono andar.
- Trabalhar. Em casa – Luna respondeu com uma careta.
- Hmm. Está Ok, então. Se precisar de ajuda, estou às ordens. – ele respondeu solicito, enquanto ela abria sua porta.
- Ok. Obrigado, Malfoy. – ela respondeu antes de entrar.
Já eram cerca de dez horas da manhã e Luna tinha muito trabalho a fazer. Tinha que procurar tratamentos alternativos para aqueles pacientes que o tratamento usual já não surtia o mesmo efeito.
Abriu bem as cortinas, sentou-se na cadeira atrás da grande mesa do escritório, pegou a primeira pasta e começou a ler. Os prontuários continham todo o histórico dos pacientes desde o primeiro dia que deram entrada no hospital. Começou a ler as cópias: Nome do paciente, idade, local que vive, doença diagnosticada, histórico da doença, poções usadas para controle. O primeiro prontuário não parecia de uma paciente que a doença estava descontrolada. A poção usada surtia efeito e os efeitos colaterais eram poucos. O segundo prontuário era de um paciente que um dia ou outro tinha crises da doença, mas no geral corria tudo bem e não havia efeitos colaterais. O terceiro prontuário Luna colocou de lado ao abrir a pasta. Havia um enorme carimbo escrito ALTA.
No quarto prontuário Luna pareceu se interessar mais. O paciente era Michael Collins. Ele fora mordido por uma salamandra selvagem e contraído uma doença chamada Dermatitus salamandrae que deixava a pele com aspecto verde e espinhoso. Ele havia sido mordido há três anos e a partir daí vinha fazendo o tratamento indicado. Porém de dois meses para cá o tratamento parecia não fazer mais efeito, pois a pele dele estava voltando a ficar verde e os efeitos colaterais só aumentavam. Hermione havia deixado uma pequena nota em um dos pergaminhos. Se o paciente não se recuperasse em seis meses, a doença avançaria para os órgãos vitais e ele morreria. Luna fechou o prontuário. Sabia desse paciente, mas não profundamente, e pedira que Hermione a mantesse informada sobre ele. Provavelmente ela não teve tempo de informá-la sobre a nota que fez. Era um caso desconhecido como nunca Luna havia se deparado antes. Ela procurava tratamentos que não causassem tantos efeitos colaterais, mas jamais trabalhara procurando tratamento para uma doença a qual o tratamento existente cessara seu efeito.
Luna olhou em sua estante procurando um livro. Pegou o grosso exemplar de “Doenças transmitidas por criaturas mágicas” e começou a folhear. Pouco antes da metade do livro achou a página que trazia um enorme título em verde escuro Dermatitus salamandrae. Quando começava a ler ouviu no corredor uma voz chamando seu nome. Saiu do escritório a procura da voz e viu Hermione no grande espelho do corredor chamando-a.
- Hermione, o que foi? – Luna perguntou aflita
- Luna, você leu os prontuários que levou pra casa? – Hermione perguntou
- Estava lendo agora mesmo.
- Você leu sobre o Michael Collins? – Luna ficou branca
- Li. E estava pesquisando para saber se acho algo que nos auxilie.
- Pois é, Luna. Ele piorou. – Luna ficou imóvel com o que escutava - A mudança da pele está avançando e ficando cada vez mais verde e áspera. O tempo dele diminuiu pra quatro meses e meio. Acho que vamos precisar não só de medi bruxos, mas de algum mestre de poções ou algo do tipo.
- Hermione, não sei se vai ser uma boa idéia. Mas eu conheço alguém que talvez possa nos ajudar. Ele é um boticário. Bom, você também o conhece, mas isso não vem ao caso.
- Luna, a essa altura temos que arriscar qualquer coisa. – Hermione disse rapidamente. – Como posso entrar em contato com ele?
- Bom, ele mora aqui ao lado. Posso falar com ele.
- Então tá, Luna. Mas isso tem que ser o mais rápido possível. Temos que achar algo que faça isso parar.
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Draco pegou a mala da porta da sala aonde havia deixado na noite anterior e levou-a ao quarto para colocar tudo no lugar. Arrumou todas as suas roupas no guarda-roupa e os livros no escritório. Precisava comprar umas bancadas e remanejar o escritório, para poder trabalhar com suas poções. Arriscou fazer um spaguetti para o almoço, mas acabou queimando tudo, então decidiu ir no restaurante da esquina comprar algo pra comer em casa. Foi até o restaurante e comprou spaguetti com almôndegas. Levou a comida para casa e comeu tranquilamente. Quando lavava o prato, ouviu batidas na porta.
- Já vai – gritou da cozinha. Correu para a sala com um pano de prato na mão, sum surto trouxa, lavara e secara o prato por si mesmo, sem magia. E não se sentira mal com isso. Abriu a porta e viu Luna do outro lado com uma cara não muito boa.
- Lovegood – ele disse surpreso – entra – ele completou saindo da frente e abrindo mais a porta.
- Desculpa se te atrapalhei Malfoy, mas, é importante.
- Imagina, você não me atrapalhou em nada. – ele disse caminhando para o sofá e atirando o pano na mesa de jantar. – Senta.
- É rápido. – ela estava séria e isso assustava Draco. – Eu preciso de sua ajuda. Você aceita trabalhar comigo?