Alguns dias se passaram e o assunto foi deixado de lado na casa de Rony e Hermione. Nenhum dos dois tinha coragem suficiente para revelar a verdade para o pequeno Denis. Principalmente depois das demonstrações de carinho que o menino dispensava a Rony. Durante aqueles dias Denis mostrou-se completamente apegado ao pai. Pediu para ir trabalhar com ele, exigiu acompanhar o pai e o padrinho num dos jogos do time de quadribol para o qual torciam, preferiu a companhia de Rony a de Hermione na leitura da historinha antes de dormir. Como o garoto sempre tinha demonstrado preferência pelo pai e não pela mãe, como é típico nessa idade, nenhum deles notou diferença no comportamento do garoto.
O dia no Ministério parecia mais calmo do que o comum. O caso difícil do qual Rony estava responsável havia sido solucionado e ele estava praticamente sem nada para fazer. Foi dando uma voltinha pelo grande prédio que ele encontrou, “coincidentemente”, Lilá.
_Oi Uón-Uón! – a mulher cumprimentou-o radiante.
_Lilá! Não me chame de Uón-Uón! Pelo menos não aqui! – ele reclamou em voz baixa assim que a mulher quase o sufocou em um dos seus abraços.
_Ah, me desculpe... – falou sorridente. – É o costume...
_Sei, sei... O que faz aqui?! – ele perguntou puxando-a pelo braço e levando-a para um local mais discreto.
_Vim regularizar minha situação como estudante. Eu terminei os estudos com um professor particular na Irlanda e vim pedir aproveitamento de créditos. Sabe? To precisando de emprego. Não tenho mais idade de ser sustentada pelos meus pais, né?
_Tem razão... – ele concordou.
_E você?! O que faz passeando por aí? Achei que os Inomináveis eram homens muito ocupados! – falou ajeitando a gola da camisa dele.
_E somos mesmo! – falou rindo da cócega que os dedos dela faziam em seu pescoço. – Mas estamos mais tranqüilos agora... Quer tomar um chá?
_Claro! – aceitou satisfeita. – E então...Como vão as coisas entre você e a Hermione? - falou caminhando lado a lado com ele.
_Vão bem! – estranhou. – Por que?
_Sei lá... Você estava tão preocupado aquele dia...
_É, estava, mas o Malfoy não deu mais notícias depois da conversa que a Hermione teve com ele...
_Ah... Então eles conversaram... – afirmou maliciosamente..
_Sim... – falou cabisbaixo. – Ele queria conversar... Dar sua própria versão dos fatos. – falou displicente andando com as mãos no bolso.
_E ela? Acreditou? – perguntou curiosa.
_Sim... Ele até revelou umas lembranças daquela época. Ela as assistiu e levou para casa para eu ver também...
_E você assistiu? – perguntou sentando-se na cadeira que Rony puxou para ela.
_Assisti... – respondeu evasivo, sentando-se também.
_E? – insistiu. – Você acreditou?
_É... A menos que ele tenha adulterado as lembranças, me parece que ele estava dizendo a verdade. – falou chamando o funcionário. – Um café, por favor.
_Pois não. Senhorita?
_Um chá para mim...
_Algo para acompanhar?
_Pra mim não. – Rony respondeu.
_É... Só o chá.
_Ok. Com licença.
Lilá observou o garçom se afastar e depois continuou: - E, por acaso, ele falou se sabia quem era o traidor então?
_Não...
_Mas nem com as lembranças?!
_Não... Pelo visto ele também não sabia quem era... Estava completamente inocente no caso.
_Que bom!
_O quê?
_Que bom para ele, né? – sorriu disfarçando.
Rony apenas resmungou concordando. Não demorou muito para que duas xícaras fumegantes aparecessem na mesa dos dois. Lilá se serviu de açúcar e calmamente retomou o assunto.
_O Malfoy já conheceu o menino?
_Não... Como eu disse, ele não apareceu mais... – assoprou o seu café antes de prová-lo.
_Não?! – Lilá perguntou espantada.
_Não! Por que? – Rony perguntou desconfiado.
_É que... É que... Outro dia eu fui até o Saint Mungus para pedir um encaminhamento para continuar meu tratamento aqui e... Pode ser que eu esteja enganada, mas...
_Mas o que?! – perguntou ficando nervoso.
_Eu tenho quase certeza de que vi o Malfoy saindo de lá... – falou inocente levando mais um gole de seu chá a boca.
_O Malfoy? No hospital?
_Sim... E ele me pareceu bem saudável... Será que aconteceu alguma coisa com a mãe dele?! – perguntou cinicamente.
Lilá deixou o prédio poucos minutos depois. Saiu satisfeita sabendo que sua mentira havia plantado a dúvida na cabeça de Rony. O homem passou o resto do expediente se perguntando por que Hermione não havia comentado o fato com ele. O ciúme começou a corroer seu coração. Ele saiu mais cedo do trabalho aquele dia.
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_Dra. Weasley?
_Sim. – Hermione virou-se para atender ao chamado de sua secretária.
_Há um paciente de última hora para a senhora. Eu deixei esperando no seu consultório. Espero que não tenha feito mal... – falou insegura.
_Não se preocupe, Mary! – falou sorrindo simpática. – Mas não vou atender mais ninguém depois dele, ou me atraso para buscar meu filho na escola.
_Sim senhora... – a mocinha falou retomando seu lugar na mesa em frente ao consultório da meci-bruxa.
Hermione abriu a porta de seu consultório esperando encontrar lá dentro alguma mãe desesperada ao lado do filho que fizera crescer um pé de couve no ouvido, ou que tivesse mudado a cor da própria pele, mas ela deu de cara com um homem adulto, loiro, com uma roupa preta muito elegante e com um sorriso tentador nos lábios.
_Você ficou louco?! – perguntou assustada. Fechou rapidamente a porta e continuou. – O que está fazendo aqui?!
_Vim te ver, Dra. Weasley! – falou cínico levantando-se da poltrona e aproximando-se provocante de Hermione.
_Por que não me mandou uma coruja ou coisa assim? Não quero você vindo até aqui, pode me comprometer! E que desculpa você inventou para a Mary?! Você está aparentemente muito bem de saúde! – falou irritada.
Draco sorriu malicioso: - Sabe? Eu nem precisei me justificar... Falei que precisava conversar com você, sorri para ela e consegui entrar! – falou orgulhoso de si mesmo.
_Ótimo! O que você quer?
_Você não faz a mínima idéia? – falou levando a mão aos cabelos dela.
_Pára, Malfoy! – se afastou dele se refugiando atrás de sua mesa. – Eu preciso ir embora, então...
_Você já contou ao menino? Já passou a semana que eu te dei para fazer isso! – falou tentando não provocá-la muito.
Hermione ficou séria: - Isso não é o tipo de coisa que se conta assim para uma criança! – falou suplicante.
_Por isso eu te dei essa semana... – falou. – Agora eu me sinto no direito de tomar a iniciativa.
_Não, Draco! Ele é só um menino! Deixe-me conversar com ele primeiro, por favor! – pediu tristemente.
Draco não resistiu ao olhar assustado de Hermione: - Te dou mais um dia, Mione. – falou carinhoso segurando delicadamente o queixo dela. Olhou-a apaixonado: - Eu não gosto de fazer isso com você, mas eu tenho o direito de conviver com o nosso filho. – sorriu. Passou um dedo sobre os lábios de Hermione e aproximou-se para depositar-lhe um beijo. Hermione virou o rosto a tempo de sentir os lábios dele tocando sua bochecha. – Tchau linda! – saiu sorridente. Hermione não viu, mas ele ainda teve tempo de dar uma piscadela para a secretária.
Hermione preocupada desabou em sua cadeira. – Como é que eu vou falar isso para ele?
Na frente do hospital Rony esperava a saída da esposa. Resolveu acompanhá-la para buscar o filho já que tivera a chance de sair antes do serviço. Para sua surpresa, minutos antes que Hermione deixasse seu local de trabalho Draco Malfoy saiu sorridente do prédio. Rony, enciumado, deixou seu posto sem notar o semblante preocupado da esposa que saía minutos depois.
Hermione e Denis chegaram em casa no horário de sempre. Surpreso e feliz, Denis correu em direção ao pai para abraçá-lo.
_Pai!!! Você chegou cedo! – Denis enlaçou o pescoço de Rony num abraço apertado.
_É! Gostou da surpresa?! – falou mais para Hermione do que para o filho.
_Claro! – sorriu sendo colocado no chão pelo homem.
_Que bom que você já está em casa Rony! – Hermione exclamou sem notar o tom do marido.
_Vá guardar suas coisas, filho! – Rony mandou calmamente.
Obediente, Denis subiu correndo as escadas em direção ao próprio quarto. Sério Rony recebeu frio o beijo de Hermione.
_Que foi? – Hermione perguntou estranhando a frieza dele.
_Eu fui te buscar no hospital hoje... – falou calmamente.
_Foi?
_Fui... E vi o Malfoy saindo de lá! O que ele estava fazendo no hospital Hermione?!
_O Malfoy? – perguntou insegura.
_Não tente me enrolar! Eu o vi saindo de lá! Muito satisfeito, aliás!
_O que você está querendo dizer, Ronald?! – ela perguntou ofendida.
_Por que você não me falou sobre isso?!
_Eu acabei de chegar! O que você queria?!
_Não seja cínica, Hermione!
_O quê?! – ela se indignou.
_Por que vocês estão discutindo?! – Denis os surpreendeu da escada com a carinha triste.
_Denis? Nós... Nós não estamos discutindo... – Hermione negou.
_Estão sim! Eu não gosto de ver vocês brigando! – falou bravo parando entre os dois.
_Nós não estamos brigando, Denis... Só conversando... – Rony tentou sentando-se envergonhado no sofá.
_Estão sim! Eu sei que estão! É por causa daquele homem, não é?!
Hermione sentiu o coração acelerar. – Que homem, filho? – ajoelhou-se ao lado do menino tentando disfarçar.
_Aquele homem que a gente encontrou no parquinho! – falou sem olhar para a mãe. Hermione percebeu com dor no coração uma lágrima escapar dos olhinhos do filho. – Ele... Ele é meu pai, não é? – falou baixinho.
Hermione despencou sobre os calcanhares. Olhou para Rony desesperada sem saber o que falar.
_Quem te falou isso, Denis?! – Rony perguntou segurando-o pela cintura e colocando-o no colo.
_Ninguém me falou! Eu sei que é! – falou agora com os braços cruzados e ainda sem olhar para os pais.
_Denis... Ele não... – Hermione tentou.
_O Jean sempre me falou isso! – os pais iam intervir, mas ele não deu atenção. – Eu ouvi vocês conversando no dia em que vocês falaram sobre um irmãozinho! – Rony cobriu o rosto culpado. – Eu achei que não tivesse entendido direito, mas agora eu sei que é verdade! Depois que ele apareceu vocês ficaram estranhos! Eu não sou burro! Sei que ele é meu pai! – ele começou a chorar realmente.
Rony o abraçou com carinho. Ainda no chão Hermione também começou a chorar. Sem resistir Rony também deixou as lágrimas rolarem. Os três ficaram em silêncio por um tempo. Aos poucos Hermione conseguiu se acalmar. Sentando-se ao lado do filho e do marido ela tentou se explicar:
_Olha, filho... – ela levou uma das mãos para acariciar a cabeça de Denis, mas ele se afastou das mãos dela. Chocada ela perdeu a fala.
Também pego de surpresa Rony se manifestou: - Filho... Escuta uma coisa: eu sempre vou ser seu pai, não importa se você se parece comigo ou não, se você é meu de verdade ou não... Eu e a sua mãe te amamos muito, ouviu? E eu vou te amar sempre! Ta entendendo? – ele perguntou emocionado tentando fazer o menino olhar para ele.
_Promete que você vai ser meu pai para sempre? – perguntou com a voz embargada.
_Claro que sim! – Rony sorriu.
_Mesmo que eu tenha um irmãozinho?!
_É claro que sim! Alguma vez eu já te tratei mal? Alguma vez eu te tratei como se não fosse meu filho?
Denis balançou a cabeça negativamente enquanto secava o rosto nas mãos: - Eu não quero ter outro pai! Eu quero que só você seja meu pai! – falou alto e exigente.
_Mas eu continuo sendo seu pai... Independente do outro...
_Eu não quero outro pai! – gritou.
_Denis! Não precisa gritar! – Rony brigou colocando-o de frente para si. – Eu sei que você está bravo agora, mas não adianta! Agora você tem dois pais...
_Mas...
Rony não o deixou terminar: - Nem sempre as coisas são como nós queremos! Eu também não queria que você tivesse outro pai, mas você tem! O que é que eu posso fazer?!
De cara feia ele olhou para Hermione. Ela se encolheu sentindo-se culpada pelo sofrimento do filho. Com o olhar severo ele perguntou: - Por acaso eu tenho outra mãe também?!
_Não filho... – respondeu sorrindo timidamente. – Você me desculpa, meu amor? Eu não queria que você passasse por isso, mas... – ela não conteve outra lágrima.
_Tudo bem mãe... – ele falou um pouco mais calmo. – Eu não to bravo com você, só triste...
Hermione olhou para ele penalizada. Ela estendeu os braços. – Então me dá um abraço? Por favor?
Denis desceu do colo de Rony e abraçou carinhosamente a mãe. Rony aproveitou para fechar o abraço também. Depois de alguns minutos em que ninguém ousou falar nada, quando Denis, abraçado novamente a Rony, parecia estar mais calmo, Hermione se manifestou:
_O Draco foi ao hospital me pedir para falar com o Denis... – falou insegura.
Denis escondeu o rosto no peito de Rony e este por sua vez jogou a cabeça sobre o encosto do sofá.
_Filho... Ele quer conhecer você... Ele e a mãe dele...
_Eu não quero!
_Mas filho... Ele é seu pai... Ele quer falar com você, saber como você é... A mãe dele, sua avó, também quer... Ela ficou tão feliz quando soube que tinha um neto...
_Eu não quero saber! Meu pai é o Rony e minhas avós são a Molly e a Jane! Eu não quero saber desse homem! – ele saiu do colo de Rony e correu para o quarto batendo a porta ferozmente.
Hermione quis ir atrás dele, mas Rony a impediu:
_Deixa ele... Não vai adiantar forçar nada agora... Ele ta chateado...
_E você está bravo! – falou retomando o assunto. – Não fui eu que convidei o Draco para ir ao hospital! Ele apareceu sem aviso! Não é culpa minha, Rony!
_Deixa isso pra lá, Mione! – falou levantando-se também do sofá. – Vou fazer o Denis tomar banho, ele deve estar com fome...
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“Preciso conversar com alguém. Será que você pode me encontrar no London daqui a meia hora? Obrigado adiantado... Rony”
Lilá leu com satisfação aquele bilhete curto: - Já está dando certo, Malfoy! – falou com um sorriso de orelha a orelha.
_O que ele quer? – perguntou indiferente.
_Quer conversar... – falou levantando-se do sofá e seguindo para o quarto. – Ele acha que pode contar comigo para ouvir suas lamúrias a respeito da perseguição que você faz a mulher dele. – falou voltando do quarto já com um casaco e a bolsa em mãos. – Se não se importa... – falou sorrindo-lhe falsamente.
Draco depositou seu copo na mesa de centro e aparatou sem se despedir formalmente.
_O que houve, amorzinho? – Lilá chegou por trás de Rony, com as mãos em seus ombros procurou o rosto, mas encontrou o pescoço onde depositou um beijo carinhoso, satisfeita ao vê-lo tentar disfarçar o arrepio que sentiu.
_Precisava conversar... Espero que não esteja incomodando... – falou sem jeito.
_Você nunca incomoda, Uón-Uón! O que te aflige? – perguntou fazendo sinal para um garçom. – O mesmo que o dele, por favor.
_Nós contamos tudo para o Denis hoje... – falou chateado. – Quer dizer, ele nos contou que já sabia de tudo...
_Sabia como? – Lilá perguntou realmente interessada.
_Um dos meus sobrinhos pega no pé dele e... Ele me ouviu falar um dia... – falou arrependido.
O garçom chegou com a bebida dela.
_E agora? Como vai ser? – falou fazendo carinho na mão de Rony.
_Malfoy quer conhecer o garoto, está insistindo... Ele foi até o consultório da Hermione hoje! Você tinha razão!
_Oh! É mesmo? – perguntou assustada.
_O pior é que ela nem negou que ele tem ido lá sempre... – falou batendo nervosamente com o punho fechado na mesa.
_Olha, Rony... Eu não falei aquilo para fazer fofoca... Eu só quis ajudar...
_Eu sei, Lilá! Você tem sido uma amiga de verdade. Alguém em quem eu posso confiar. – falou segurando as mãos dela entre as suas agradecido. – Por isso eu te chamei aqui. Sua companhia me faz bem... – sorriu.
_Você pode me ter ao seu lado sempre que quiser, meu amor... – ela falou contente.
Rony percebeu o que havia feito e soltou as mãos dela rapidamente. Tomou mais um gole de sua bebida e continuou: - Denis não quer conhecer o Malfoy... Está com raiva, com medo. Se dependesse de mim ele não o veria mesmo!
_Mas não pode, Uón-Uón! – falou preocupada. – Se o Malfoy resolve pedir este direito na justiça será muito pior... Você deveria convencê-lo a ir...
_E por que eu faria isso?! – perguntou espantado. – Isso aproximaria o Malfoy da minha família, da Hermione! Eu não quero isso.
Disfarçando a impaciência Lilá respondeu depois de pensar um pouco: - Se você bancar o teimoso e se comportar como o Denis o Malfoy vai continuar perseguindo a Hermione e numa dessas ela pode acabar não resistindo, assim como aconteceu anos atrás! Foi a teimosia de vocês que os separou e a aproximou do Malfoy... – teve que admitir. Aquela poderia ser uma jogada perigosa.
_Talvez você tenha razão... – falou ponderando a possibilidade.
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_Você tem freqüentado o consultório da Hermione?! – ela perguntou irritada.
_Eu só fui lá duas vezes. Por que?! – ele perguntou estranhando.
_Porque o Rony viu você saindo de lá! Você tem que me avisar do que vai fazer! – falou andando impaciente na frente dele. – Foi uma sorte eu ter jogado um verde naquele dia, mas pode ser que nós acabemos fazendo alguma besteira se faltar comunicação!
_Por que é que você está tão preocupada? Está com ciúmes por acaso? – falou divertindo-se com a situação.
_Ora, Malfoy! Você não faz meu tipo! – falou ofendida. – O fato é que eu aconselhei o Rony a convencer o menino a te conhecer. Você tem que se aproximar dele, conquistá-lo...
_Eu não tenho muita paciência com crianças... – falou despreocupado.
_Mas vai ter que adquirir! Ele é o caminho mais curto até a Hermione!
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_Mas eu não quero ir, mãe! – Denis reclamava enquanto Hermione penteava seus cabelos finos.
_Mas eu achei que já estivesse tudo combinado entre você e seu pai... – ela falou tentando persuadi-lo.
_Ah, mãe...
_Vamos fazer o seguinte: depois que você conversar um pouquinho com o Draco, se não quiser mais ficar pede pro seu pai te trazer de volta! Que tal?
_Humpf... – cruzou os braços fazendo bico. – Draco... Que nome esquisito!
_É... – Hermione riu. – Mas você vai ser educado o bastante para não falar isso para ele, certo?
_Humpf!
_E aí, campeão! Ta pronto?! – Rony entrou no quarto com uma falsa animação.
_Eu tenho mesmo que ir, pai? – tentou uma última vez.
_É claro que sim... Você disse que ia e um Weasley nunca falta com sua palavra! – Rony falou convencido.
_Tá bom... – falou desanimado.
_Muito bem... Se comporte direitinho, viu? Mostre que você é um menino educado e, quando cansar pede pro Rony e vocês voltam, ok? – ela sorriu. Ele não respondeu. – Me dá um beijo! – Hermione o puxou ainda emburrado. Beijou carinhosamente sua bochecha e falou: - Te amo, viu?
_Também te amo! – ele a abraçou. – To esperando lá em baixo! – ele passou correndo por Rony e desceu as escadas.
Hermione se levantou e caminhou em direção a Rony, também emburrado: - Tem certeza que não prefere que eu vá? – falou abraçando-o pela cintura.
_Mil vezes! Mas ele quer que eu vá... – falou conformado. – Bom... Ta na hora... Tchau. – eles trocaram um beijo rápido e Rony partiu.
Eles haviam marcado numa sorveteria trouxa. Hermione explicou a Draco que os Weasley achavam que Denis era mesmo filho de Rony e que eles preferiam não revelar nada por enquanto. Paciente Draco aceitou ir até o local combinado. Ele e a mãe já aguardavam dentro da loja quando Denis e Rony chegaram. Com uma tromba enorme Denis seguiu o pai até a mesa do casal. Com um sorriso radiante e os olhos brilhando de emoção Narcisa Malfoy cumprimentou o neto.
_Ora, ora! Então este é o meu famoso netinho! – exclamou abaixando-se para vê-lo mais de perto. – Posso te dar um abraço, meu bem? – ela abriu os braços a espera da resposta do menino.
Ainda de cara feia Denis olhou para Rony que apenas acenou rapidamente. Ele e Draco se encaravam ferozmente, como dois cães de briga esperando que seus donos soltassem suas coleiras. Denis foi ao encontro da avó e recebeu um abraço carinhoso.
_Você é bem mais bonito do que nas fotos! – ela falou analisando carinhosamente o rosto do neto.
_Por que a Hermione não veio?! – Draco cortou o assunto perguntando rispidamente. Ele não estava gostando muito do carinho que a mãe demonstrava ao neto. Os Malfoy nunca foram de demonstrar afeto pelos demais em público. Mesmo para netos ou filhos. Eles eram muito frios e Draco sentiu uma certa inveja do garoto.
_Está trabalhando! – Rony respondeu seco.
_E eu queria que o meu pai viesse comigo! – Denis completou fazendo-se notar pelo homem.
_Como você está, Denis? – perguntou mais calmo tentando parecer simpático.
_Hum... – ele apenas balançou os ombros. – Posso pedir meu sorvete, pai? – perguntou reportando-se a Rony.
_Claro! Vá escolher. Mas só duas bolas, hein? Lembre-se do que sua mãe falou!
_Tá! – ele correu em direção ao balcão colorido de guloseimas.
_Como vai, Ronald? – a senhora perguntou cordialmente. – É bom vê-lo de novo! – falou com sinceridade.
Ainda um pouco esguio Rony apertou a mão da senhora e lhe sorriu educado: - Também é bom revê-la, senhora Malfoy.
_Apenas Narcisa, por favor! – ela tomou lugar a mesa novamente. Draco e Rony imitaram seu gesto. – Como vão Harry e Gina? – perguntou educada. - Draco me falou que eles se casaram! Fico muito contente. Qualquer um que os visse juntos percebia o quanto eles se amavam.
_É verdade! – sorriu orgulhoso. – Eles se casaram sim e já tem um filho de dois anos: James. Ela está grávida de novo. Uma menina, dessa vez! – falou contente.
_Não é muito fácil nascerem meninas na sua família, não? – ela perguntou. – Na nossa também não! Na verdade acho que entre os Malfoy nunca nasceu uma garota! – ela se virou para Draco a fim de confirmar.
_Não que eu me lembre... – ele falou desinteressado.
Denis chegava à mesa com uma taça enorme nas mãos. – Denis! Eu não falei duas bolas?! – Rony perguntou espantado.
_Mas são duas bolas! – ele protestou.
Rony pegou a taça nas mãos para ter certeza: - Seu danado! São várias bolas de dois sabores! Achou que ia me enganar, é?!
Denis sorriu maroto: - A gente pode dividir! Quer que eu pegue outra colher?!
Narcisa e até Draco riram da situação e se entusiasmaram com a astúcia do garoto. Sem perceber Denis acabou ficando um bom tempo lá. Estava até bem falante depois de um tempo. Respondia cordialmente a todas as perguntas da avó e fazia algumas também. Draco permanecia muito quieto. Ele achou que aquela seria uma oportunidade de passar a tarde com Hermione e o filho, como uma família e. quem sabe, trazê-la para mais perto de si. Mas a exigência de Denis em ter Rony como companhia estragou seus planos, e seu humor também.
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Sob influência, contrariada, de Rony, Denis tornou-se mais receptivo a Draco. Agora ele sabia onde Hermione e o filho moravam e os visitava constantemente, sempre que Rony não estava em casa. Denis já se sentia mais a vontade na presença de Draco, Hermione não, mas disfarçava bem. Draco conseguiu conquistar Denis dando o que toda criança adora: presentes. Hermione não gostava da situação, mas como tocar nesse assunto significaria ficar a sós novamente com Draco ela preferiu se abster. Preferia conversar com Denis e fazê-lo entender que presentes não são a parte importante num relacionamento.
Rony não gostava de saber que Draco freqüentava sua casa, mas para o bem do menino, e para não criar problemas judiciais e expor o caso a família, ele aceitava resignado. Draco usar seu dinheiro para atrair Denis o deixava inseguro. Ele ficava inseguro também em saber que seu maior rival estava tão próximo. Também não ajudava o fato de Lilá fazer umas indiretas de vez em quando, embora ele preferisse acreditar que Hermione não faria nada para magoá-lo, senão por amor, pelo menos por amizade, ou gratidão, mas esses pensamentos o deixavam ainda mais reticente. Para não falar besteira e afastar as pessoas que ele mais amava, tornou-se calado e, sem querer, tão mal-humorado quanto o Rony adolescente, no que se referia a Hermione e o sexo oposto. Com Denis ele tentava ao máximo continuar o mesmo, mas às vezes ficava difícil.
_Oi, todo mundo! – ele dizia alto assim que chegava. Talvez fosse uma forma inconsciente de evitar uma cena constrangedora.
_Oi pai! – Denis gritou de seu quarto, descendo depois ainda com a camiseta a meio caminho da cabeça. Tinha acabado de tomar banho.
Hermione descia atrás dele com uma blusa de frio: - Denis volta aqui! Veste o agasalho! – falou seguindo-o. – Oi Rony! – sorriu. - Tudo bem?
_Tudo... – respondeu frio. Subiu para seu quarto e em alguns minutos descia, já de banho tomado, para o jantar. Esse momento se tornara muito silencioso no último mês, mas aquele dia foi diferente, graças a Denis;
_Pai! – gritou entusiasmado fazendo Rony se sobressaltar. – Eu nem te mostrei o que o Draco me deu! – saiu da cadeira quase a derrubando e subiu a mil por hora até o quarto. Em poucos segundos estava de volta com um sorriso de orelha a orelha. – Um pomo de ouro! – ele estendeu o objeto a Rony que fez uma careta, mas fingiu entusiasmo.
_Puxa vida! Que bacana! – pegou o pomo nas mãos. – Isso é de verdade! – perguntou olhando para Hermione indignado. Ela apenas encolheu os ombros sem opção.
_É sim! – Denis respondeu excitadíssimo. – Você sabia que o Draco era apanhador na escola?! – perguntou.
_É claro que sabia! – agora ele sorria. – Ele nunca conseguiu apegar o pomo antes do Harry! Era um fracasso!
_Não foi o que ele disse! – Denis afirmou sério, duvidando do pai.
_Mas é verdade! Pergunte ao seu padrinho! Ele era um fracasso sobre a vassoura!
_Não é bem assim... – Hermione se intrometeu timidamente. Pouco conhecia de quadribol. – Ele só perdia para o Harry. – falou arrependendo-se depois diante da cara mal-humorada de Rony. – Mas também todo mundo perdia...
_Ele só ganhava dos outros porque a vassoura dele era melhor! O Harry ganhava dele mesmo com uma vassoura inferior! – Rony defendeu.
_Ele me disse que vai me dar uma vassoura! – Denis exclamou.
_Como é que é?! – Hermione perguntou indignada.
Denis se encolheu na cadeira, aquilo deveria ser segredo: - Ehr... Só quando eu tiver idade, certo? – deu uma risadinha amarela. Hermione ainda o olhava brava.
_Não era eu quem ia te dar a vassoura?! – Rony perguntou enciumado.
_Era, mas... – agora estava encrencado, não sabia como explicar. De repente o pomo abriu as asas nas mãos de Rony e o assunto desviou-se. – Vai voar! Vai voar! – exclamou sem tempo de impedir a bolinha.
O pomo batia freneticamente suas asinhas por sobre a mesa da cozinha. Já de pé na cadeira Denis tentava pegá-lo, mas ele voou para sala. Alegre Denis correu atrás dele. – Ta muito alto! Vai fugir pela janela, mãe! – ele começou a temer pelo brinquedo.
_Depois seu pai compra outro... – Rony sussurrou enraivecido, apenas Hermione o ouviu.
_Imobilus! – Hermione exclamou em direção a sala.
As asinhas do pomo estancaram sem aviso. Ele começou a despencar, mas a tempo de Denis pegá-lo antes que se espatifasse. Vermelho de tanto correr e muito contente ele voltou para a cozinha sem notar o semblante de Rony. – Consegui! Consegui! – ele dizia ofegante.
_Ótimo. Agora guarda isso ai e vem comer. Depois você brinca mais. – Hermione mandou.
_Tá! – falou já correndo de novo. – Vou por na caixinha para ele não fugir! – foi até o quarto.
_O Malfoy ta querendo comprar o Denis com essas coisas?! – Rony perguntou agressivo.
_De que outro modo você acha que um Malfoy tentaria conquistar o próprio filho? – ela perguntou cautelosa.
Depois do jantar, em quanto Denis se matava tentando pegar o pomo que voava feito louco pelo seu quarto, Hermione resolveu conversar com Rony que, de umas semanas para cá, passava horas trancado no escritório lendo qualquer coisa ou jogando xadrez sozinho. Ele se desconcentrou com as batidas, mas nem ligou quando seu peão lhe fez um gesto feio.
_Entra... – de propósito fez aquele peão ser destruído pela rainha. Sorriu satisfeito.
_Podemos conversar? – Hermione perguntou insegura.
Rony se preocupou com o tom dela. De vez em quando sonhava com aquela mesma cena, aí ela dizia que havia escolhido o Malfoy. Pela primeira vez em anos ele perdeu seu rei. Virou-se para Hermione tentando passar tranqüilidade. – Fala... – tentou ser suave.
Ela se sentou na cadeira destinada ao outro jogador e ficou observando as peças se concertarem e voltarem aos seus lugares. – Eu vi uma medi-bruxa hoje... – começou timidamente.
Rony não se conteve e riu: - Imagino que você veja várias! Você trabalha num hospital!
Ela riu também: - Não é isso! Eu quis dizer que fui me consultar com uma medi-bruxa!
_Você está doente?! – perguntou preocupado.
_Não... – respondeu evasiva, mas não escondia um sorrisinho feliz.
_E então? – ele perguntou sem entender o rumo da conversa. -”Será que era um terapeuta? Será que ela foi se aconselhar para se separar de mim?”
_Rony eu... – ele sentiu o coração acelerar, estava prestes a implorar para que ela não o abandonasse. – ...estou grávida! – ela sorriu esperando a reação dele.
_O quê? – ele perguntou sem entender nada.
_Eu estou grávida! Nós vamos ter um filho!
Ele sentiu um tremor percorrer sua espinha, seu rosto esquentou e ele ficou sem ação. Ainda olhava para Hermione sem saber se havia entendido direito: - Grávida? – perguntou com a voz fraca.
_Sim! Você esta surdo?! – sorriu indignada.
Ainda de boca aberta, os olhos meio vidrados: - O Denis já sabe?
_Achei que poderíamos contar juntos...
Ele finalmente sorriu, parecia que a ficha havia caído. Ele se levantou e abraçou Hermione como a algum tempo não fazia. Ela sentiu-se aliviada e reconfortada nos braços dele.
Já deitados, depois de contar a novidade a Denis e ter uma longa conversa com o garoto, nenhum dos dois conseguia dormir. De barriga para cima, os olhos abertos admirando a penumbra do quarto os dois refletiam sobre aquelas últimas seis semanas. As semanas que haviam virado suas vidas de cabeça para baixo.
_Rony?
_Hum?
_Não consegue dormir?
_Não...
Ela respirou fundo e virou-se para o lado dele: - Eu sei que você anda chateado e eu entendo, mas... Nós estamos tão afastados. Faz tempo que não conversamos... Eu não queria que o Draco conseguisse nos afastar desse jeito... – falou chateada.
_Eu sei... – ele suspirou, mas continuava na mesma posição que antes. – Eu sei que me afastei, mas... Você sabe como eu sou! Tenho medo de não me controlar e acabar falando alguma coisa que afaste vocês mais ainda de mim... Não é fácil concorrer com o Malfoy! Não sabendo que ele já teve uma chance... – desabafou.
Hermione sentiu-se envergonhada, mas continuou: - Você não vai nos perder para ele, Rony! Nenhum de nós! – ela se aproximou mais. – Nós podíamos aproveitar essa gravidez... – ela tocou a própria barriga e sorriu. - ... para tentar recomeçar...
Ele sorriu, olhou para ela e levou os dedos até seu rosto: - Claro que sim... – ele tocou levemente os lábios dela. – É o que eu mais quero!
Virando-se, a fim de deitá-lo novamente, ela explorou os lábios dele com os seus. Rony afundou os dedos no cabelo dela, massageando sua nuca. Ela apoiou mais seu corpo sobre o dele acariciando com mais vontade a língua dele com a sua, escorregando a mão pela lateral do corpo dela Rony começou a levantar a regata do pijama... Toc, toc, toc...
_Ah, não... – Rony se largou na cama.
Sorrindo Hermione deitou-se ao lado dele comportadamente: - Entra, filho...
Denis abriu a porta sem jeito: - Não to conseguindo dormir... Posso dormir aqui?
_Do que é que você está com medo agora? – Rony perguntou paciente sentando-se.
Pego de surpresa Denis respondeu: - Nada não... Deixa para lá! – ele ia fechar a porta, mas Rony levantou-se rápido e o levantou no ar.
_Tá legal! – ele falou trazendo o menino para a cama. – Nós já não falamos que não vai mudar nada? Hein? – ele perguntou fitando seriamente o menino.
_Falou... – respondeu envergonhado. – Mas é que...
_Mas, nada! Entre você e esse bebê que vai nascer não há diferença nenhuma! Vocês dois são meus filhos! Eu já amo os dois do mesmo jeito! – ele fez o garoto olhar para ele. – Ouviu o que eu disse? – falou com falsa seriedade.
_Ouvi... – respondeu sem jeito. De surpresa ele agarrou o pescoço de Rony e o abraçou. – Lê uma história para eu dormir?!
_Leio! Vamos lá! – Rony se levantou sorridente. Abaixou-se para que Denis pudesse dar um beijo de boa noite em Hermione e depois foi para o quarto do menino.
Depois de quase meia hora ele voltou para o quarto. Hermione aparentemente dormia. Ele se deitou silenciosamente ao lado dela e ficou olhando-a meio decepcionado. Ela sorriu e abriu os olhos lentamente.
_Achei que você não voltava mais!
_Nem pensar! – respondeu contente por ela não ter dormido ainda. Aproximou-se de seu rosto e a beijou apaixonadamente. Ela retribuiu enlaçando o pescoço dele.
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_Oi! – uma voz animada cumprimentou Rony depois de bater na porta de seu escritório.
_Oi! O que faz aqui? – ele perguntou levantando-se para recebê-la.
_Vim ver como você estava! Você sumiu! – ela falou beijando-o no rosto.
_É! Eu não andava muito bem!
_Entendo... Mas hoje você parece ótimo! Bem mais animado!
_E estou mesmo! – falou com um sorriso largo. – Quer tomar alguma coisa?
_Não, obrigada. Diga-me! Qual é a boa notícia? – perguntou com medo de ouvir a resposta.
_Hermione e eu nos acertamos. Ela vai ter um bebê! – ele falou com um brilho nos olhos que ela não via há algum tempo.
Nervosa, tentando controlar a raiva que sentia, ela falou com um falso sorriso: - Não me diga? Parabéns!
_Algum problema, Lilá? – ele perguntou notando a agitação dela.
_Não! Mas então, quando você soube disso?
_Ontem mesmo!
_E de quanto tempo ela está? – perguntou forçando o cérebro a pensar em algo inteligente para dizer.
_Um mês e meio, mais ou menos! – respondeu radiante.
_”Bingo!” - pensou. – Um mês e meio?! – falou com ar preocupado.
_Sim... – respondeu sem perceber.
_E o que a fez mudar de idéia? Você não me disse que ela não queria ter filhos?! – falou rodando nos dedos uma bandeirinha da Inglaterra que estava sobre a mesa de Rony.
_É mas... Eu disse que ela estava pensando no assunto... – falou mais sério, sem entender a pergunta dela.
_Sei... – falou com o olhar baixo.
_No que é que você está pensando, Lilá?
_Nada...
_Lilá!
_Você vai achar que eu estou tentando fazer intriga, Uón-Uón!
_Não vou não! Sei que você não inventaria nada para me magoar! Você já me provou ser uma grande amiga!
Ela sorriu para ele, mas depois ficou séria novamente: - Deixa para lá! – falou.
Ele pensou um pouco tentando estudá-la, depois um aperto estranho assomou seu coração. – Já sei no que está pensando!
_Sabe?! – ela perguntou num falso espanto.
_Você acha que ela está me traindo, não é?
_Não Rony!
Mas era tarde, Rony já adquirira a coloração se seus cabelos. Nervoso levantou-se e começou a andar pela sala. – Ela não faria isso! Ela não seria capaz!
_Claro que não, meu bem! – ela tentava consolá-lo escondendo a satisfação.
_Ela me jurou que não teve nada com ele aquele dia, mas é notável o incômodo dela perto dele! – ele bateu a mão na estante, fazendo os livros balançarem.
_Você diz o dia em que ela foi até a casa dele, meu querido? – ela escolheu bem as palavras. – Foi quando ela chegou muito tarde em casa, não? E foi há...
_Um mês e meio! Exatamente um mês e meio! – cego de raiva ele não conseguia pensar direito. Tudo que imaginava era o que havia realmente acontecido aquele dia, por que Hermione chegara tão tarde, por que insistia em pedir desculpas. – Não! A Hermione não faria isso comigo! Eu sei que ela me ama!
_É claro que ama! O fato dela ter evitado a gravidez por tanto tempo e ter se descuidado agora que o Malfoy está livre não tem nada a ver! É só uma coincidência. – ela sorria sem ele ver. – Você já pensou em fazer um exame para saber se pode ter filhos, meu querido? – ela falou com a cara mais amorosa possível.
Completamente desnorteado Rony voltou para casa com a frase de Lilá martelando sua cabeça. Hermione achou estranha a volta tão rápida do mal-humor do marido. Ela achou que tudo fosse ficar bem dali para frente, mas o modo como Rony a tratou naquele jantar fez sua esperança desaparecer. Rony foi dormir tarde naquele dia. Bem depois que Hermione já havia deitado. Recostado sobre a cadeira do escritório ele se perguntava:
_”Será que eu sou estéril? Será que foi por isso que eu não consegui engravidar a Hermione esse tempo todo?! Não é possível! Ela me jurou que não aconteceu nada entre eles!” - ele se afastou do encosto da cadeira. Com a cabeça apoiada nas mãos ele continuou: - ” Óbvio que ela juraria isso! Ou você acha que ela diria: “Desculpe, Rony, mas eu não resisti e fui para a cama com o Malfoy!” Estúpido! Claro que não!” - seus olhos estavam marejados, mas de raiva. Ele decidiu que talvez fosse melhor dormir no sofá aquele dia, para não acabar fazendo besteira.
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_Você está perdendo o jeito, Malfoy! – ela gritava andando de um lado para o outro em seu apartamento enquanto Draco a assistia impaciente.
_O que foi agora?!
_O QUE FOI AGORA! O QUE FOI AGORA! HERMIONE ESTÁ GRÁVIDA! É ISSO QUE FOI! – ela respondeu aos berros.
Draco sentiu seu coração se despedaçar em seu peito: - O que você disse?
_Graças a sua incompetência Hermione está grávida! Sorte sua eu ter aparecido no seu caminho! Eu dei um jeito do Rony desconfiar que esse filho é seu!
_O quê?! – ele perguntou incrédulo.
_Exatamente, Malfoy! Rony está desconfiado que esse filho é seu! Cabe a você agora fazê-lo acreditar nisso! – ela parou em frente a Draco com o dedo apontado para o rosto dele.
_Quem você pensa que é para falar comigo desse jeito, Brown?! – ele se levantou bruscamente fazendo-a se assustar,
_Sou a pessoa que está te ajudando a reconquistar a mulher que você diz que ama! – falou afastando-se dele.
_Não! Você é a pessoa que arruinou minha vida! Se você não tivesse contado para Lucius sobre eu e a Hermione... E não faça essa cara! Eu sei que foi você! – ele disse aumentando o tom de voz quase partindo para cima dela. – Se você não tivesse aberto a maldita boca hoje eu estaria lá com ela e você com o maldito Weasley! Mas não! Você teve que contar, não é mesmo! – falou vermelho de raiva.
_Foi um erro! – falou pensando rápido. – Mas eu estou tentando repará-lo, não estou?!
_A que preço! Nada disso teria acontecido se eu tivesse acabado com você quando tive chance! – ele a olhou perigosamente.
Ela sentiu o medo a assaltar. Exatamente como acontecia quando aqueles mesmos olhos cinza, mas na face de Lucius, a ameaçavam daquele jeito.
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O tempo passou, Rony fez o teste em segredo e descobriu que não era estéril. Aquilo aliviou um pouco sua tensão. Ele decidiu que não valia a pena ficar se martirizando com uma dúvida imbecil e aos poucos foi se acalmando. A barriga de Hermione começou a apontar. Toda família já sabia da novidade e todos estavam muito animados. Hermione agia de maneira bem diferente da época de Denis. Não interrompeu suas atividades e andava sempre contente pela casa. Seu humor não estava tão bem na época em que os enjôos a assolaram, mas ela estava definitivamente feliz. Draco continuava visitando “Denis” de vez em quando. Agora ele demorava um pouco mais. Por diversas vezes dava de cara com Rony quando este chegava do serviço e fazia questão de olhá-lo com desprezo e um sorriso vitorioso nos lábios. Rony tentava a qualquer custo se controlar e não quebrar a cara dele. Quase quatro meses e a dúvida ainda pairava sobre a cabeça de Rony. Num desses dias em que ele encontrou Malfoy em sua casa sua paciência foi para os ares.
_Oi pai! – Denis falou sem prestar muita atenção.
Parado na porta do escritório, com o semblante carregado, Rony observava seu filho de um lado da mesa, Draco do outro e Hermione entre os dois.
_Eu to ensinado ele a jogar xadrez! Mas ele é muito ruim! Não ganhou nenhuma! – ele dizia orgulhoso.
_Não sou tão ruim assim! Olha só: xeque! – Draco exclamou contente.
_O que?! – Denis se espantou. – Não mesmo! – ele voltou a concentrar-se no jogo.
Hermione assistia a partida rindo-se orgulhosa da inteligência do filho. Sem agüentar mais Rony subiu ruidosamente as escadas.
_O que deu nele? – Denis perguntou sem entender.
_Ele está cansado... – Hermione respondeu preocupada. Sem notar a decepção nos olhos de Draco ela foi ao encontro do marido. Ao chegar ao quarto do casal um susto: Em cima da cama uma mala aberta. Em frente ao guarda roupa Rony arrancava com raiva suas roupas do cabide e jogava de qualquer jeito na mala.
_O que você está fazendo, Rony?! – ela perguntou sem reação.
_Estou deixando vocês livres! – falou com raiva. Um embargo bem disfarçado na voz.
_O que? – ela perguntou sentindo o desespero tomar conta.
_Eu me cansei, Hermione! Cansei-me de bancar o idiota! Eu vou deixar você e o Denis livres para viverem felizes com o Malfoy! Em família! – falou partindo agora para o banheiro onde pegou seus objetos de higiene pessoal.
_Do que é que você está falando?! Você não pode ir embora?! – as lágrimas corriam descontroladas pelos olhos dela.
_Posso sim! E vou! Estou cansado, Hermione! Eu não agüento mais ver esse homem dentro da minha casa! Eu não agüento mais vê-lo ao seu lado! – ele gritou encarando-a.
_Mas o que foi que eu fiz?! – perguntou chocada.
Ele parou de frente para ela quando já estava saindo do quarto: - Quantas vezes você parou para me assistir jogando com o Denis? Quantas vezes você abriu mão de seus pacientes para vir mais cedo para casa ficar comigo? Quantas vezes, Hermione?! Quantas?! – ele perguntava não escondendo mais as lágrimas. – Eu vou embora para te deixar livre para ficar com quem você realmente quer...
_Não Rony! – mas ele já tomava o rumo do corredor: - E o nosso filho?!
Ele estancou antes da escada: - Nosso?! – se virou nervoso para ela. – De vocês, você quer dizer. – ela o olhou com espanto. – Porque eu não consigo acreditar que esse filho seja meu, Hermione!
Aquilo acabou com ela. Sem conseguir sair do lugar ela ficou olhando-o descer as escadas. Quando passou em frente ao escritório ouviu Denis perguntar:
_Pai? Aonde você vai?! - como Rony não parou, na verdade nem olhou para o seu lado, ele saiu correndo atrás dele. – Pai! Pai!
Rony cruzava a porta da saída. Draco saiu do escritório sem entender o que acontecia. Parou para ver a expressão arrasada de Hermione vendo Rony indo embora. Denis o seguiu para a rua e Hermione o seguiu com medo que ele corresse para fora da calçada.
_Pai! Aonde você vai?! Pra que essas malas?! – com o coração aos pulos Denis agarrou a mala de Rony fazendo-o parar.
_Larga essa mala, Denis! – ele falou sentindo o coração fraquejar.
_NÃO! VOCÊ NÃO PODE IR EMBORA! NÃO PODE! – ele se pendurou na mala tentando não deixar Rony continuar.
_Me solta, Denis! Eu já decidi! Você e sua mãe podem ficar com o Draco agora! – ele falou olhando com raiva para Draco parado na porta atrás de Hermione e assistindo a cena embasbacado.
_NÃO! NÃO VAI NÃO! Eu prometo que não jogo mais xadrez com ele! – Denis tentava. – Eu devolvo o pomo! – ele correria para buscar o brinquedo se não tivesse medo que Rony aproveitasse para ir embora. – Eu prometo que vou ser goleiro quando crescer! Eu não quero mais ser apanhador! – o menino chorava descompassadamente.
Hermione assistia a tudo sem saber como reagir. Seu coração estava quebrado mais por ver o sofrimento do filho do que por estar vendo Rony ir embora. Com as mãos cobrindo a boca ela soluçava sem sair do lugar.
Sem agüentar a situação Rony se abaixou para forçar Denis a soltar a mala, não queria machucá-lo. Denis aproveitou para soltar a mala e segurar a mão de Rony.
_Pai... – ele suplicava.
_Eu não sou seu pai... – ele disse sem olhar o menino.
_Rony! – Hermione exclamou estupefata.
Chocado, Denis soltou a mão de Rony e largou-se no chão. Sem olhar para trás Rony aparatou sem ligar se havia algum trouxa olhando ou não. Com a cabeça apoiada sobre os braços cruzados sobre os joelhos dobrados, Denis chorava a plenos pulmões. Hermione se ajoelhou ao lado do filho para consolá-lo, mas o menino gritou:
_É TUDO CULPA SUA! EU ODEIO VOCÊ! – ele se levantou e correu para dentro da casa, mas deu de cara com Draco observando a cena boquiaberto. Gritou: - EU ODEIO VOCÊS DOIS! – três lâmpadas de rua de cada lado da casa estouraram chamando a atenção de quem passava.
Draco acompanhou o filho com os olhos, um certo alivio por saber que ele era bruxo também. Hermione permanecia no meio do quintal, seu coração dilacerado pelas palavras que ouvira de Rony e do filho.
_Hermione... – Draco se aproximou a fim de consolá-la.
_Vai embora, Draco... – ela falou com a voz fraca.
_Mas...
_Vai embora... Por favor! Eu quero ficar sozinha.
_Hermione eu... – ele tentava.
_VAI EMBORA! POR FAVOR! – ela recomeçou a chorar. Entrou em casa e seguiu para o quarto do filho. – Denis! Fala com a mamãe! Filho...
_Sai daqui! Eu te odeio!
_Não fala isso, filho!
_Deixa ele se acalmar! Ele não está falando sério... – Draco falou com o semblante carregado. – Vai por mim... Deixa ele se acalmar... Vá descansar, você não pode ficar tão nervosa...
Sem entender a atitude dele Hermione concordou que não adiantaria insistir. Afastou-se da porta do quarto e enxugou as lágrimas que insistiam em brotar de seus olhos.
_Você quer que eu pegue uma água para você? – Draco perguntou gentilmente. - ela apenas balançou a cabeça em negativa. – Vai se deitar... Depois o Weasley se acalma e acaba voltando... – falou chateado. - Hermione olhou-o mais impressionada ainda. – Tchau... – ele a beijou respeitosamente no rosto e se afastou. – Tchau Denis... – falou ao passar na frente do quarto do menino.
_Vai embora! – ele gritou lá de dentro.
Draco sorriu tristemente e foi embora em silêncio. Fechou a porta da rua antes de aparatar de dentro da casa mesmo.
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