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2. Um Dia Comum


Fic: Mármore Vermelho


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— Granger!


O grito de alguém chamava repentinamente, fazendo uma pequena menina sair correndo, acabando por tropeçar nas próprias vestes e cair no chão, antes de chegar de frente com a pessoa que pronunciou seu sobrenome. Ralou de novo as mãos, como sempre. Levantou-se rapidamente.


— Estou aqui, senhor. – ela falou tentando controlar o arfar de sua voz, mas sem muito sucesso.


— Por que não arrumou meu quarto ainda? – o rapaz que falava tinha uma voz autoritária e a olhava de cima abaixo, com desprezo.


— Perdoe-me, irei limpá-lo imediatamente! – ela disse um pouco assustada.


Tentou ir além do garoto, mas acabou por ser impedida. Ele não a deixava passar, fazendo-a cair ao chão, ao empurrá-la para trás.


Era pequenina, só tinha oito anos de idade. Os cabelos castanhos e desgrenhados, encobriram-lhe os olhos, obrigando-a a retira-los com as mãos. Eram um pouco encaracolados e naquele momento, completamente descuidados. Quando seus olhos encararam novamente o rapaz, assustada, estavam mais abertos do que o normal, mostrando bem a cor deles: castanho escuro. Seu mirrado corpo, magrelo, possuía uma pele muito clara, provavelmente uma conseqüência provocada por não sentir o sol com muita freqüência. Encolhia as pernas para perto de si, contrastando ainda mais o quanto as roupas que usava eram surradas e largas; restos de roupas de outros guarda-roupas.


— Por favor, senhor, deixe que eu limpe seu quarto agora. – ela suplicou, toda encolhida, já tendo uma pequena idéia do que aconteceria.


— É a segunda vez que falei isso, deveria ter aprendido na primeira! – ele disse se aproximando e fazendo-a encolher mais.


Antes que ela pudesse falar alguma coisa levou um murro com as costas da mão, bem do lado de sua face, fazendo-a cair para o lado e bater na parede, encolhendo-se no mesmo lugar que caíra logo após isso.


— Se caso eu tenha de falar isso uma terceira vez, eu vou fazer pior, Granger, isso é apenas um aviso. Então é melhor fazer o seu trabalho direito! – ele disse com desprezo, virando-se para seguir pelo corredor, deixando-a ali.


Lentamente ela levou a mão ao seu rosto, sentindo alguma coisa escorrer por seu nariz. Por seus dedos, que limparam um pouco abaixo dele, escorria sangue. Era comum aquilo aparecer e sujá-la depois de uma surra. Levantou-se, caminhando para o quarto de Draco, para arrumá-lo. Precisava sempre lembrar que de manhã a prioridade era limpar o quarto de Draco e ficar quieta sobre o que encontrava lá dentro.


Já era bem ruim levar surras sem motivos, só porque queriam. Quando se havia os motivos, ficava bem pior... Por sorte, Draco estava em um bom dia, então dera apenas um aviso, mas não sabia se da próxima ela poderia ter tanta sorte assim.


Enquanto ela arrumava o quarto de Draco, olhava constantemente para a janela. Quando encontrou tempo após todo serviço feito, um pouco às pressas, finalmente foi até esta, observando o extenso jardim da casa, onde várias crianças brincavam de bola, rindo, gritando e se divertindo.


De uns tempos para lá, lentamente começou a se perguntar: porque era proibida de fazer aquilo?


Com essa nova mania que seu serviço andou atrasando, já que esquecia-se completamente do mundo, enquanto admirava a felicidade das outras crianças, perdida em sonhos. Mas, naquele dia, a dor em sua face fez com que acordasse rapidamente dos seus devaneios. Lembrava-se, com arrepios, a primeira vez que colocou reparo naquilo. Perdeu completamente o tempo e tinha ficado trancada no sótão uma semana por ter se atrasado em servir o almoço, a janta e o serviço.


Pegou os lençóis sujos de Draco e corrido até a lavanderia, colocando-os no balde de roupa suja o mais rápido possível, para recuperar o tempo perdido. Já fazia alguns meses que ela vivia ralando as mãos, de tanto que ela corria de um lado para o outro sem parar. Às vezes chegava ao cúmulo de se ralar tanto que formava feridas, obrigando-a a enfaixá-las com alguns trapos de roupas velhas para que, mesmo que caísse, ao menos não machucasse ainda mais.


Precisava correr para a Sala de Jantar para servir o almoço! Ela já estava se atrasando, pelo grande relógio que havia no Hall de Entrada, onde sempre vivia passando para não perder o horário. Correu, chegando bem em tempo, quando as empregadas já estavam colocando a comida nas bandejas.


— Granger, vá lavar esse rosto rápido, enquanto arrumamos as bandejas para você levar. – as empregadas disseram rapidamente, observando que ela já devia ter levado uma surra naquele dia, pelo resquício de sangue que havia ainda embaixo do seu nariz. Ela estava suando, o que queria dizer que o serviço dela estava atrasado.


— Sim, senhora. – ela disse, abaixando a cabeça rapidamente e correndo para a pia, subindo em cima de uma cadeira, para conseguir alcançar onde abria a torneira, lavando o rosto rapidamente.


Ela colocou a cadeira no lugar, indo começar a colocar as bandejas na mesa. Ninguém ainda estava lá e ela ficou aliviada. Não havia pior pesadelo do que cruzar com as pessoas. Talvez o único momento que era obrigatório era no horário das refeições, quando algum dos jovens fazia questão de humilhá-la na frente do restante das pessoas.


E claro, aquela ocasião não seria diferente...


Quando as pessoas começaram a chegar para o almoço, ela ficou de pé no cantinho da sala, como sempre, esperando quando pedissem algo para ela. E seus olhos observavam as crianças que sempre via brincando pela janela abraçando-se com as mulheres. Mas não era simplesmente qualquer mulher... era sempre a mesma. E esta vivia dando beijos, carinho, abraços, palavras ditas tão docemente... as crianças sorriam e falavam com alegria as mesmas palavras, ou correspondiam com um abraço ou beijo.


Queria sentir aquilo. Mas tudo o que ela recebia das pessoas eram apenas ordens rudes e surras, onde nas mais violentas, ela recebia murros e chutes. Água saía por seus olhos, mas todos simplesmente riam, dizendo:


— É isso que dá ter um nome tão esquisito e feio!


E ela só tinha uma coisa a fazer. Levantar-se, morrendo de dor e sair andando, caso conseguisse fazer isso. Mas ela tinha que agüentar dois tipos de dor: a que sentia produzida pelos murros e chutes e uma outra causada por algo que ela não tinha idéia. Era uma dor própria que sentia em seu peito, que aparecia quando riam, quando a humilhavam... e doía por dias, sem cura.


— Granger, venha pegar esse garfo que caiu. Logo. – ela ouviu alguém falar.


Ela saiu correndo para quem a havia chamado. A pessoa que mais temia dentro da casa. Não porque ela a batia, mas sentia pelo seu olhar que ela praticamente a odiava, via através dos olhos azulados. Ajoelhou-se perto da mesa, indo pegar o garfo. Mas assim que o pegou, sentiu-se ir para o lado e cair sobre as pernas da senhora que havia pedido.


— Tenha cuidado, desastrada! – a mulher falou aborrecida, quando ela saía rapidamente da mesa. Ela limpava a própria perna, onde havia caído, como se algo sarnento houvesse encostado nela.


— Perdoe-me, senhora. – ela ouvia vários risinhos baixos pela mesa. Ela não entendia porque quando esbarrava em um dos mais velhos, eles faziam isso. Mas de alguma maneira, pelo olhar que eles faziam, devia ser nojento. Mas ela tinha certeza que lavava direitinho sua roupa. – Vou lavá-lo imediatamente e devolvê-lo. – ela disse, com os olhos abaixados.


Ao menos eles não fizeram uma humilhação maior. Mas eles também tinham o resto do almoço para isso.


— Volte rápido! – eles sempre usavam um tom autoritário com ela, como tratavam aos cachorros que ficavam de guarda. Ela já tinha ouvido algumas vezes, quando estava limpando os quartos.


Correu para a cozinha o mais depressa possível, acabando novamente por tropeçar e lembrar-se para não fazer aquilo na volta, ou teria de fazer o caminho tudo de novo. Subiu na cadeira, abrindo a torneira e lavando o garfo. Secou as mãos e o garfo, deixando-o limpo e voltou, um pouco mais cuidadosa, devolvendo-o.


Voltou ao cantinho da Sala de Jantar, esperando mais algum pedido. Mas não houve mais nenhum durante o resto do almoço. Agora ela tinha que almoçar correndo e voltar ao trabalho, sempre mantendo o cuidado de evitar as pessoas.


Era só isso que fazia. Limpar e arrumar, servir café-da-manhã, almoço e janta. Só havia alguns dias que ela não fazia isso. Alguns desses dias eram fixos, outros eram aleatórios... só sabia que quando, repentinamente, uma das empregadas começava a segui-la, já podia esperar que ao chegar em seu cantinho havia já três pratos de comida pronta e logo que entrava, trancavam-na lá dentro.


E não adiantava gritar. Não importava o quanto esmurrava. Ignoravam-na completamente, assim como faziam os mais velhos.


Quando terminou todo serviço, dirigiu-se até o seu cantinho, subindo as escadas até o sótão.


Era um cubículo onde morava, apenas um fragmento do grande sótão da Mansão. Ali encontrava-se todos os seus escassos pertences. Uma cama, com colchão puído e lençóis ralos. Aos pés, um pequeno baú, onde guardava as roupas que lhe davam e o outro par de sapatos, além dos que usava. Era tudo o que possuía.


Deitou-se, ajeitando o travesseiro quase invisível na cama, de tão achatado, parecendo pertencer ao próprio colchão. Sentiu o estrado em suas costas, mas ignorou, olhando para o pequeno pedaço de céu através da minúscula janelinha que havia ali.


Aquela dor indescritível bem ali no centro de seu peito, incomodando, parecia ter aumentado agora que parava de trabalhar e tinha um tempo livre. Vinha retirar as poucas forças que tinha e os poucos momentos que podia dispor do conforto da paz.


Sentiu sua face sendo lentamente molhada pelas lágrimas que iam desmanchar-se sobre a fronha de seu travesseiro, como andava acontecendo por anos seguidos. Virou-se de lado, abraçando seus joelhos, começando a chorar com mais vontade.


Um dia alguém iria abraçá-la? Alguém lhe daria um beijo? Alguém lhe falaria palavras carinhosas, para ver seu sorriso? Alguém, um dia, se importaria com ela?

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