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ATENÇÃO: Esta fic pode conter linguagem e conteúdo inapropriados para menores de idade então o leitor está concordando com os termos descritos.

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Visualizando o capítulo:

1. Like a Whisper


Fic: Like a whisper


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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“And I heard it.

A voice.
Your voice, Hermione.
You said my name. Just my name. Like a whisper.
So I took it, clicked it, and this tiny ball of light appeared. And I knew. And sure enough, it floated toward me, the ball of light went right into my chest. Straight through me. Right here. I knew it was going to take me where I needed to go.”


Ron Weasley 



 Like a whisper


 


Nunca pensei um dia chegar
Te ouvir dizer:
“Não é por mal
Mas vou te fazer chorar
Hoje vou te fazer chorar
Não tenho muito tempo
Tenho medo de ser um só
Tenho medo de ser só um
Alguém pra se lembrar
Alguém pra se lembrar
Alguém pra se lembrar”


Faz um tempo eu quis
Fazer uma canção
Pra você viver mais
Faz um tempo que eu quis
Fazer uma canção
Pra você viver mais 


Deixei que tudo desaparecesse
E perto do fim
Não pude mais encontrar  
Mas o  amor ainda estava lá
O amor ainda estava lá

Faz um tempo que eu quis
Fazer uma canção
Pra você viver mais
Pra você viver mais
Pra você viver mais



   “Mamãe, Hugo foi verificar como está o seu jardim, se anda com muitos gnomos e eu vim perguntar se você quer um pedaço do bolo de chocolate?” disse Rose no sopé da escada.”


   “Fale para ele deixar isso de lado! Faz tempo que decidi deixar as pobres criaturinhas lá! Elas até me fazem rir, quando as olho da janela da cozinha, me mandando beijinhos! E não se preocupe querida! Vou me trocar, descansar um pouco e quando descer eu pego um pedaço do bolo!”


“Não anda fazendo gorrinhos de lã para os gnomos também, não é mãe?”


“Bem...” Hermione sorriu meio cabisbaixa do topo da escada, enquanto Rose gargalhava da outra ponta.


 Recuperando o fôlego se lembrou de um recado, “Ah, mãe, o tio Harry, acabou de falar comigo pela lareira e queria saber se você tem um tempinho para ele no final da tarde, porque queria discutir com você sobre algumas propostas que foram apresentadas para ele ontem pelos deputados na ‘Casa dos Bruxos’”.


    Harry havia se tornado relutantemente o novo Ministro da Magia; durante toda a sua vida, haviam lhe oferecido, inúmeras vezes, esse cargo, no entanto, ele sempre o negara veementemente. Da última vez cedeu, meio que de pirraça, meio que cansado de tanta insistência, ganhando a votação por unanimidade, resultado que nunca havia ocorrido no mundo bruxo antes, e deixando, apenas Harry, surpreso pelo acontecimento singular.


Abraçou com paixão sua nova ocupação se dedicando com todas as suas forças a mais uma tarefa que o mundo bruxo o incumbiu; aliás, como sempre havia feito ao longo de sua vida.


   “Diga ao seu tio, se ele chamar de novo, para se perguntar quantas vezes na vida não tive tempo para ele?” falou com um pequeno sorriso, o que fez Rose dar mais uma vez uma breve risada e se afastar abanando a cabeça, voltando para a cozinha. 


    Hermione no topo da escada se dirigiu ao seu quarto. Estava exausta de toda a correria que houvera naquela manhã. Não importava quantas vezes aquilo já havia se repetido em sua vida, toda manhã de partida para Hogwarts, na estação de trem de Londres, para ela sempre era como se fosse o último dos dias! E nos últimos anos também era um dos mais tristes.


   Naquela manhã, haviam levado o último dos seus cinco netos que partiu, pela primeira vez, para a escola de magia. O pequeno Rupert, filho mais novo de Hugo, completara onze anos a apenas dois dias. Ele, o seu neto mais novo, era o que de todos os três meninos a lembrava mais, fisicamente e na personalidade, o avô quando na mesma idade.


 Como sempre acontecia em todas as festas de aniversário, não sendo diferente na do pequeno, toda a família se reuniu para comemorar em sua casa.


   Bem quase toda a família. Muitos dos que havia amado, dos que ainda amava, já tinham partido, tal qual havia acontecido há exatos seis anos nesse mesmo dia de hoje.


   Por mais que insistisse que não precisavam faltar aos seus empregos para isso, sabia que Rose e Hugo a haviam trazido para casa, como faziam há alguns anos para distraí-la. Para que não ficasse pensando muito.


 E Harry não podia enganá-la também, pois sabia que era isso que ele realmente queria fazer, quando pediu para, mais uma vez, ouvir seus conselhos naquela noite. A intenção do amigo era distraí-la da sua dor e da dor que ele próprio sentia, queria fazê-la esquecer, não pensar. Logo após a chegada dele, a casa começaria a encher, cunhadas, cunhados, amigos, todos querendo fazê-la não pensar.


  Todos sabiam que ela não falava sobre o assunto. Mas desde quando algo ou alguém fazia Hermione Granger Weasley parar de pensar?


  Desde quando algo ou alguém fazia Hermione parar de pensar... nele?


 


  Seis anos antes


 


 “Eu já me cansei de me cansar de me preocupar com você Hermione! Toda vez que tem de ir naquela plataforma colocar alguém dentro daquele maldito trem, ninguém agüenta o seu nervosismo! E sempre dá tudo certo, e no ano seguinte lá está você estressada de novo!”


“Ron, por favor, você limpou os sapatos?” Hermione fechou a porta da linda casa que dividiam desde quando se casaram, que apesar de ser grande para apenas os dois morarem, como já faziam há algum tempo, nunca ficava vazia, com todas aquelas pessoas, amigos, familiares, netos e sobrinhos que iam e vinham constantemente.


“Hermione, se eu sujar o tapete, não se esqueça, como parece que tem feito nos últimos cinqüenta anos, que eu tenho uma varinha e posso usá-la livremente desde os meus longínquos dezessete anos! E não se esqueça também que tenho outra coisa aqui tão grande quanto ela que também ainda sou apto a usar desde aquela época!” Ron bateu no bolso da frente de suas calças onde guardava sua varinha, a mão bem próxima de sua virilha, com um sorriso maroto no canto dos lábios.


Hermione colocou a mão na cintura depois de colocar a bolsa no aparador, olhou para ele e sorriu com os lábios estreitos “É, tem certas coisas que nunca mudam mesmo! Você continua um safado tarado, Ron Weasley!”


“E você continua gostando que eu seja assim igualzinho à como gostava naquela época!”


 Sim, era verdade, como ela gostava daquele velho tarado!


 Ron havia envelhecido de uma forma graciosa. Ainda mantinha o corpo forte e firme graças a todos os anos que passara sendo auror, treinando todos os dias! Ainda corria pelos campos ao redor da casa alguns dias por semana. E seus ombros para ela pareciam que nunca haviam parado de crescer! Sua pele tinha pouquíssimas rugas e os cabelos eram uma mistura de muitos fios brancos com outros que ainda tinham um certo tom alaranjado. Seus olhos azuis, que ela tanto amava, se fosse possível, se tornaram ainda mais bonitos; ao olhá-los via em seu brilho toda a vida que haviam compartilhado e tudo que o amor deles havia construído, incluindo uma linda e numerosa família.


  Ron, dando um leve beijo em seus lábios, a tirou de seus rápidos pensamentos “eu vou para a sala escutar o final do jogo. Por favor, amor, pega um pedaço que sobrou do bolo de chocolate do aniversário do Rup para esse seu velho tarado, mas em forma!” fez um gesto estufando o peito.


“Ainda bem que está em forma! Espero que continue assim por muito tempo!”


 “Ah, mas você não tem nada a temer! Quando a idade começar a mostrar suas garras, daqui muitos e muitos anos, não se esqueça que o primeiro feitiço que me ensinou e que aprendi foi ‘Wingardium Leviosa’! Desde então faço ‘qualquer coisa’ levitar com ele! Você foi muito esperta isso sim! E depois vem falar que eu é que sou o tarado! Acho que pensava já naquela época em como poderia aproveitá-lo comigo!” Falava agora rindo, com um sorriso enorme nos lábios e as bochechas vermelhas.


  Hermione sacudiu a cabeça rindo também e quando se virou para ir para a cozinha, Ron lascou-lhe um tapa no traseiro! “E um copo de suco de abóbora também, Mione!” 


 Ele foi para a sala onde gostava de ficar algumas poucas horas do dia escutando seu radinho, um dos passatempos prediletos e hábito que adquiriu na juventude, durante o período que fugiam se escondendo de Voldemort, usando o aparelho desesperadamente em busca de notícias.


 Hermione cortava o bolo depois de ter levitado um pratinho do armário do outro lado da cozinha e pego da mesma forma a jarra de suco, pensando distraída em como, há alguns anos atrás, ficou preocupada com a aposentadoria dos dois, com medo da rotina de alguém que não iria trabalhar mais.


 Como fora tola!


 Como pudera pensar que algum dia de sua vida fosse virar rotina ao lado de Ron Weasley!


 Ele que era a alegria de toda a família, a grande paixão dos netos, com um senso de humor e disposição que só se aprimorou com os anos!


  Eles intensificaram ainda mais todo o trabalho voluntário que faziam visitando hospitais, associações e é claro as muitas palestras que davam pelo mundo afora sobre como fora o período de guerra e do trabalho de reconstrução do mundo bruxo depois dela, sempre sendo tratados com todo o respeito e pompa por serem os grandes heróis desse período, algo que na verdade nunca haviam se acostumado. Faziam questão de sempre descontrair a todos, em qualquer lugar, tirando o peso de qualquer protocolo imposto pelo Ministério por lei, ao final da grande guerra, a todos aqueles que os recebiam, assim como a Harry, desde a juventude. 


  Tinham finalmente conhecido o Brasil e ajudado por alguns dias o trabalho que os bruxos da região estavam fazendo para reconstruir a floresta Amazônica com toda a sua incrível e diversa fauna e flora, trouxa e mágica, o que deixara Hermione fascinada! Mas ela tinha que admitir que não havia demonstrado isso com tanta empolgação quanto a que Ron demonstrou ao conhecer, num jogo amistoso marcado especialmente pela vinda deles ao país, a seleção nacional campeã mundial de quadribol.


  Voltaram à Austrália inúmeras vezes para dar algumas aulas especiais, como convidados, na mais nova escola de bruxaria do mundo mágico, sendo que na última vez recentemente, se hospedaram no mesmo hotel em que ficaram na sua primeira viagem ao país, assistidos pelo Ministério, quando foram em busca dos pais dela que ainda estavam sob o efeito do feitiço de mudança de memória que ela havia feito. Ficaram ali, naquele mesmo quarto em que fizeram amor pela primeira vez.


 


  Hermione já levitava o pratinho com um generoso pedaço de bolo e o copo de suco a caminho da sala quando escutou a voz de Ron a chamando eufórico “Hermione! Hermione! Rápido!”


 Acelerou o passo, tentando ir o mais veloz possível com os dois objetos flutuando junto de seu corpo.


 Quando entrou na sala, Ron veio ao seu encontro, pegou o pratinho e o copo e colocou na mesinha, ao lado de sua poltrona favorita, mesinha onde estava o seu radinho, e do qual saía uma melodia conhecida.


 “Ouça, Mione, é aquela canção!” disse sorrindo.


“Canção?”


“É aquela canção idiota que você disse que dançou com Harry, na época da caçada as Horcrux, bem, você sabe, quando eu não estava lá!”


 “Ah, essa! A canção é linda, seu tolo!” Hermione soltou o ar pelo nariz fortemente. Ron não perdia a oportunidade de sempre fazer uma piada quando ouvia a música onde quer que estivesse e ela começasse a tocar.


 “Sim, vem!” pegou nas duas mãos dela e a puxou para perto dele espremendo-a contra o seu peito fortemente. “Sabe, Mione, sei que já tive oportunidade de dançá-la até com o próprio Harry no casamento dele, depois do meu discurso de padrinho, mas me lembrei que nunca a dancei com você!”


 Ela sorriu, lembrando da cena, Harry com o rosto assustado, tropeçando nos próprios pés, aliás como havia feito naquela noite sombria e distante, arrancado dela alguns sorrisos, enquanto Ron o fazia rodopiar pelo salão ao som da música e das gargalhadas de todos os convidados do casamento, inclusive da própria noiva, Gina.


 “Aquele malandro descarado! Enquanto eu estava desesperado tentando arranjar um modo de voltar para vocês, mortalmente ferido, sem a unhinha do meu dedinho, ele se divertia, dançava com minha garota dentro daquela barraca!” falou rindo enquanto se movia suave e graciosamente ao som da melodia, levando o corpo dela junto com o dele, a cabeça apoiada no topo da dela, como faziam todas às vezes em todas as festas que participavam.


 Hermione afastou o rosto que repousava no peito dele e deu um tapa neste “Ron, quantas milhões de vezes preciso dizer que o Harry só estava querendo me animar porque não conseguia me concentrar em mais nada à não ser em chorar sem parar pelos cantos daquela barraca pela sua ausência, com aquele radinho desgraçado nas mãos e  cheirando as roupas que você deixou para trás, enroscada na sua cama! Imagina o desespero dele!”


 Ele abaixou a cabeça, encostou a testa na dela e com um sorriso pequeno disse “Eu sei, eu sei! E cada vez que penso nisso, se é possível, amo ainda mais aquele cara por ter feito isso por você!”


 Ela o olhou fundo nos olhos e disse tocando o meio de seu peito “E é por esse seu enorme coração que eu sempre te amei!”


“Sei que o meu coração não é a única coisa enorme em mim que você sempre amou!” Riu, agarrando-a pelo traseiro, abaixando-se um pouco e esfregando maliciosamente os quadris nos dela.


Ela o empurrou suavemente rindo também “Você não tem jeito mesmo! Preciso ir dar comida para o gato e para a coruja e pegar algumas roupas na lavanderia para guardar!”


“É, tem certas coisas que nunca mudam mesmo!” olhou para ela com as sobrancelhas erguidas “Devo dar mais carinho para Ron Weasley ou para um gato alaranjado qualquer?” ele falou tentando imitar a voz e gestos dela.


Ela se afastou bufando, mas enquanto o fazia ele deslizou a mão pelo seu braço e a segurou firme pela mão, puxando-a de novo para perto dele e logo em seguida repousando as duas mãos uma em cada lado do rosto de Hermione “Já disse para você o quanto é linda e o quanto te amo?” E numa brincadeira que os dois tinham desde a primeira vez que confessaram em voz alta o amor um pelo outro, Hermione respondeu “Novecentos e oitenta e oito mil, oitocentos e oitenta e oito vezes!”


  Olhando-a com o mesmo olhar que ela reconhecia o significado desde a primeira vez em que ele a tivera em seus braços, ouviu-o responder “Que ótimo! Vou chegar na marca de um milhão antes de você!” e envolveu toda a boca de Hermione com seus lábios carnudos repousando-os num beijo calmo, quente e molhado.


Soltando-a de suas mãos disse “Está bem, vou comer o bolo e tomar o meu suco, você faça o que precisa, mas daqui a pouco vou te levar para o quarto e mostrar tudo o que esse coração enorme, cheio de amor por você, pode lhe dar!”


 Era assim que haviam sido todos os seus dias ao lado de Ron Weasley desde aquele primeiro beijo desesperado, apaixonado e inesquecível em plena batalha final.


 


 Entrou na lavanderia e enquanto apontava sua varinha aquecendo e dobrando a roupa previamente lavada, se recostou no balcão e pensou em como adorava ficar enroscada nele na cama deles, ambos nus, debaixo das cobertas.


  Depois que casaram só dormiam dessa forma, mas tiveram que interromper o costume quando vieram as crianças e foi uma das primeiras coisas que voltaram a fazer depois que Hugo partiu para Hogwarts. Ainda assim era como dormiam a grande maioria das noites agora, ou como ficavam sempre depois das já não tão freqüentes vezes em que faziam amor no final das tardes. Ou só para passarem horas conversando sobre tudo.


 É, já não faziam amor louca e incessantemente como quando jovens, mas ainda via o quanto ele a desejava no dia a dia e como ainda segurava e beijava com uma paixão adolescente os seus já não tão firmes seios, igual àquela primeira vez  em que os viu e os envolveu com suas mãos e boca numa tarde em que voaram até o pomar da Toca, e deitaram no chão sobre a velha colcha dele dos Chudley Cannons alguns dias depois do final da guerra e antes de irem para a Austrália em que numa louca noite de amor se entregaram finalmente um ao outro.


 Abriu a porta da lavanderia com o corpo segurando o cesto de roupa no estilo trouxa de carregar.


  Foi quando teve a impressão de ouvir a voz de Ron chamar seu nome baixinho.


  Depositou o cesto na mesa e notou que o som do rádio ficara extremamente alto na sala “Ah, será que vai me chamar para dançar de novo?”


  Abaixou-se para pegar a tigelinha do gato e o som do rádio, que não estava sintonizado na estação direito, começou a incomodá-la.


“Ron, abaixa esse rádio! Estou ficando com dor de cabeça e se eu ficar, já sabe, não? Não vai poder me dar nadinha desse seu enorme amor!”


 O gato se enroscava esfomeado nas suas pernas enquanto despejava a ração no pratinho com a varinha, olhando para a sala e consequentemente, desviando sua atenção, acabou por despejar mais do que precisava para o bichano.


 O som vindo da sala não havia abaixado.


 É claro, naquela altura em que estava como Ron poderia ter ouvido seu pedido?


 Mas por que ele estava escutando o rádio tão alto e ainda fora da estação? 


 Um calor começou a subir pelo seu corpo quando decidiu ir até a sala pedir para ele parar com isso.


 Entrando pelo hall avistou a poltrona dele de costas voltada para a janela como sempre esteve, o braço dele pendido ao lado, o radinho caído no chão!


  A partir dessa visão tudo dentro da cabeça de Hermione pareceu se mover em câmera lenta.


  Apesar de estar correndo, como foram longos e demorados aqueles passos até o lugar onde ele estava!


   E ainda assim lentamente foi como se sentiu posicionando-se na frente dele.


   Ron estava sentado, levemente escorregado no assento da poltrona, com o outro braço posicionado em cima de seu peito e sua mão segurava frouxamente o seu desiluminador, a boca com os lábios ligeiramente afastados e os olhos azuis abertos a fitavam, imóveis, pálidos, sem enxergá-la mais.


   Soltou um grito rouco chamando “Ron!” colocando as duas mãos sobre a face!


   Pegou rapidamente a varinha e apontou-a para o peito dele na direção do coração e deferiu magicamente e diversas vezes choques contra ele usando feitiços de reanimação.


   O corpo dele sacudia todo em reação a cada um deles, mas fora isso, nem um outro sinal.


   Jogou a varinha para longe e agora batia em seu peito desesperada, com os punhos cerrados, enquanto berrava, a realização do que acontecera e as lágrimas rolando pela sua face “Ron, não me deixe aqui sozinha outra vez! Não me abandone! Sou eu, Hermione! Eu estou mandando, Ronald Weasley! Volta para mim! Volta, Ron!” e desabou sobre o peito dele, agora soluçando alto “Volta, meu amor, meu amor, meu amor...”  


  Ficou chorando compulsivamente por muitos minutos por cima daquele corpo que tantas vezes tocara, beijara, amara, reverenciando-o como um templo ao sentimento que tinha pelo seu dono, e que agora ali jazia abandonado.


   Desde pequena Hermione sabia que uma de suas maiores qualidades era a coragem como foi confirmado ao entrar em Hogwarts, mas nesse instante pensava que nunca acharia o suficiente dela dentro de si mesma para fazer o que era preciso.


  Ainda chorando muito, reuniu todas suas forças e levantou a cabeça da posição que tantas vezes havia ficado em sua vida, sobre o peito dele, que agora emanava para os ouvidos dela, um silêncio aterrorizador.


  O seu rosto ficou bem perto do dele.


 A expressão que ela via era a mesma de minutos atrás. Ele estava sereno, os olhos já sem o brilho que ela tanto adorava.


 Olhou para ele e foi com uma surpresa que tirou todo o ar de seus pulmões, fazendo-a escancarar a boca numa tentativa desesperada de puxar todo o ar que conseguisse para respirar, tremendo muito, viu ali, no mesmo lugar daquela primeira vez, daquele tão distante primeiro olhar para o rosto do menino que ele fora, daquele primeiro olhar para aquele que viria a ser o homem de sua vida.


 Uma mancha marrom de chocolate no nariz de Ron.


 “Oh, você sempre foi perfeito para mim Ron Weasley!”


 E agora segurando o rosto dele com as duas mãos em cada lado, tal qual ele havia feito nela à apenas alguns minutos atrás, começou a beijar a mancha várias e várias vezes, num ato enlouquecido até fazê-la desaparecer e continuou beijando todo o rosto dele, sentindo o sal de suas lágrimas nos próprios lábios, enquanto murmurava o nome dele, molhando o rosto imóvel.


  Parou soluçando e se afastou um pouco. Com os olhos abertos Hermione beijou a boca ainda morna dele, num beijo longo, o olhar se perdendo na imensidão azul e agora vazia do olhar de Ron.


 E ainda sem piscar posicionou os dedos sobre os olhos dele, admirando pela última vez a cor e fechou-os.


  “Ron, amor da minha vida, espere por mim...” 


 


Seis anos depois


 


O children
Ó crianças

We have the answer to all your fears
Nós temos a resposta para todos os seus medos
It's short, it's simple, it's crystal clear
É curta, é simples, é clara como cristal
It's round about, it's somewhere here
Ela está ao redor, está em algum lugar aqui
Lost amongst our winnings
Perdida entre nossas vitórias
O children
Ó crianças
Lift up your voice, lift up your voice
Levantem suas vozes, levantem suas vozes
Children
Crianças
Rejoice, rejoice
Alegrai-vos, alegrai-vos
 


Todos tinham vindo, conversado, jantado, tentado fazê-la não pensar, e agora partido.


Ela se despediu de todos com beijos, abraços e um sorriso.


Um sorriso para cada um.


Hermione entrou em seu quarto, fechou a porta, encostou o corpo na madeira fria e respirou fundo.


Estava mais uma vez sozinha com seus pensamentos.


Desde aquela tarde há seis anos tentou passar a imagem que era uma mulher extremamente forte, muito mais forte do que jamais fora.


 No entanto, apenas ela sabia que nada do que havia enfrentado, a guerra contra Voldemort, a morte na ponta da faca de Belatrix, nada havia exigido tanto dela, de sua coragem, de sua determinação, de seu coração e alma, quanto ter sobrevivido até ali durante todos aqueles anos sem ele.


 No dia seguinte ao que Ron se fora, pediu a Gina para juntar tudo que havia sido dele e doar, não antes de separar ela mesma algumas poucas coisas e guardá-las numa linda caixa de madeira que Rose havia providenciado.


  Ele sempre fora uma homem simples que vivera com pouco desde a infância e mesmo tendo conquistado dinheiro suficiente para ter proporcionado a toda sua família o conforto que jamais poderia ter sonhado que um dia teria, havia notado que realmente precisava de bem pouco para ser feliz.


  Assim era como ela pensava também.


  Durante esses anos, todos estranhavam muito o modo como ela encarou todo o ocorrido, mas aceitavam o seu jeito.


  Harry principalmente. E era justamente ele que Hermione sabia, um dia entenderia o seu modo de ser perfeitamente.


 Ele sempre estava na roda de amigos, nas reuniões familiares e principalmente quando reunia as crianças no chão da sala, contando, lembrando de algo que haviam vivido juntos. Como Ron havia enfrentado um trasgo no seu primeiro ano em Hogwarts e salvo Hermione dele, do grande jogo de xadrez, da viagem maluca dos dois no velho Ford Anglia do bisavô, como era um grande goleiro de quadribol, como Ron havia salvado a família Cattermole e muito mais.


  Hermione geralmente ficava num canto, ou encostada no batente da porta escutando e na maioria das vezes apenas respondia ao grande amigo com um sorriso.


 Para ela, Ron estava em todo lugar, em tudo que via ao redor, em todos os rostos conhecidos que tinha que olhar todos os dias!


  Tudo lembrava Ron para ela!


  E mesmo assim a dor de não poder abraçá-lo, beijá-lo, ouvir sua voz, sua gargalhada, sentir seu cheiro a apunhalava da forma mais dolorida cada minuto de seus dias.


 Cada lembrança que tinha que encarar também a lembrava da verdade por trás da decisão que tomara de como enfrentar essa separação naquele instante longínquo em que fechou os olhos de seu amor para o mundo.


 Um sorriso e o silêncio para todos.


 E era dentro daquela caixa que talvez a maior de todas suas verdades parecia ter sido trancada.


Mais do que qualquer outra coisa ou pessoa que a rodeava, era aquela peça de madeira que repousava intacta sobre a cômoda que chamava sua atenção toda vez que distraidamente entrava no quarto ou quando se deitava na cama que fora dos dois.


 Ron estava ali mais do que em qualquer lugar e ela sabia disso.  


 


Suspirou e virou o rosto para onde a caixa estava, limpa e polida, no móvel.


 Olhou para ela e mesmo com uma pontada em seu peito deu os passos que havia decidido desde essa manhã.


 Passou a mão com cuidado sobre a madeira escura prestando atenção nos entalhes que nunca se deixara observar.


 Pegou-a e levou-a de encontro ao corpo enquanto voltava-se para a cama.


 Sentou-se e colocou o objeto pesado em sua frente.


 Abriu-a bem devagar e com calma olhou para dentro dela.


 Olhou de novo para Ron.


 


 Sua varinha linda e longa estava por cima de tudo.


 Pegou-a com todo o cuidado e olhou para todos os detalhes que sempre admirava quando jovem, as nuances da cor da madeira.


A empunhou, lembrando da mão dele a segurando, apontou para sua varinha que havia deixado em cima da cômoda e disse “Wingardium Leviosa”!


  Sorrindo viu quando sua varinha veio levitando ao seu encontro, e depositou-a com cuidado ao lado da caixa na cama. Pegou a varinha dele e colocou-a com cuidado em cima da dela, assim como Ron fazia todas as noites em que se deitavam naquela mesma cama.


 Olhou outra vez para dentro da caixa e ali estava o suéter cor de telha com uma grande letra R bordada na frente. Ele havia emprestado a peça de roupa para ela quando ainda estavam em Hogwarts numa noite particularmente fria em que estavam juntos na sala comunal.


 Desdobrou o suéter e olhou-o fazendo com que sua imaginação preenchesse-o com a imagem de um jovem Ron, que havia usado-o um dia. Ela sorriu ao lembrar-se dele extremamente vermelho, quando fora devolver a peça dizendo-lhe que poderia ficar com o suéter “Você pode ficar com ele se quiser. Já tenho suéteres cor de telha o bastante e provavelmente irei ganhar outro neste Natal.” Ela aceitou ainda mais acanhadamente, mas com o coração explodindo de felicidade.


 Desde aquele dia não se recordava quantas vezes havia dormido enroscada nele, sentindo o cheiro de Ron.


 Pegou a roupa e levou-a contra o rosto. Fazia muito tempo que o cheiro dele se fora, mas ao cheirá-la foi como se o ato tivesse trazido de volta o aroma à sua memória, como se tivesse de novo cheirado Amortentia, e o perfume invadiu seu pensamento e aqueceu seu corpo.


 Ficou ali, longos minutos inebriada nas lembranças, abraçada a peça de lã. Levanto-a, olhando-a mais uma vez, então a dobrou com cuidado para deixar a letra evidente, e assim como fizera com a varinha, colocou-a sobre a cama.


 Virou-se para a caixa e viu o radinho de Ron, ele que estivera presente naqueles últimos instantes em que passaram juntos presenciando os últimos gestos de companheirismo e amor entre eles, o radinho que talvez Ron tivesse usado para avisar Hermione do que estava acontecendo com ele, avisar que estava partindo.


 Deslizou os dedos pelos botões que tanto sentiram o toque dos dedos de Ron e colocou-o com cuidado por sobre o suéter.


 E ali no fundo da caixa estava ele, um embrulho cilíndrico de tecido aveludado.


 O desiluminador que Dumbledore havia deixado para Ron.


 Pegou-o com cuidado e olhou-o. Talvez tivesse sido Gina ou Rose que havia guardado-o naquela embalagem na qual ele fora entregue a Ron pelo Ministro da Magia naquela tarde distante em que lera o testamento do velho diretor para os três amigos na sala da Toca. Ron mesmo quase nunca havia usado aquela embalagem de tecido outra vez porque desde aquele dia sempre trazia o objeto consigo dentro do bolso.


 De todos os objetos mágicos que havia conhecido, nenhum fascinava tanto Hermione quanto este, não só pela sua capacidade de ser o “dono da luz e da escuridão” no lugar onde estava, mas como Ron costumava dizer, “poder ver a escuridão do coração de seu dono e levá-lo de volta à luz”, assim como havia acontecido durante aqueles dias de guerra, fazendo que o amor entre eles o trouxesse de volta para ela. 


 Desfez o caprichado laço com cuidado e desenrolou o veludo. 


 Ali estava ele, e não contendo mais as lágrimas que há tanto tempo aprisionava, deixou-as correr livremente pela face ao olhar a forma cilíndrica prateada que sem os cuidados de Ron escurecera com o tempo e que para seu espanto guardava consigo agora as impressões escuras das digitais dele claramente evidentes, talvez impressas pelo suor das mãos dele naqueles últimos instantes.


 “Oh, meu amor!” disse colocando a ponta de seus próprios dedos sobre cada uma delas.


 Ficou algum tempo olhando-o, perdida naquele seu gesto e pensamentos.


 Respirou fundo para se concentrar.


Na manhã de hoje, ao deixar seu último neto dentro do trem que partira para a escola de magia, sentia como se tivesse cumprido todas as missões que havia imposto a si mesma, a memória de Ron e de tudo que haviam vivido e proposto construir e terminar juntos.


 A meta havia sido atingida para ela.


 Agora segurando o desiluminador nas mãos mais do que nunca tinha essa certeza, e sentiu-se livre e sem medo de enfrentar a realidade! A sua verdade.


 Sentia no seu coração que chegara a hora.


Ele talvez já tivesse a esperado demais!


 


 Com cuidado, determinação e coragem, ergueu a peça prateada escurecida no ar em frente a si mesma, olhou para ela e disse baixinho a palavra que havia aprisionado todos esses anos em sua garganta, e que desesperadamente seu coração pedia a cada minuto para dizer:


“Ron!”


 Então foi que aconteceu, tal qual Ron havia contado a ela.


 Ela escutou.


 Uma voz.


 A voz de Ron.


 Dizendo o nome dela. Só o nome dela.


 Como um sussurro.


 Ela segurou o desiluminador firmemente e clicou-o.


 E ela surgiu! Uma pequena bolinha de luz.


 E Hermione soube. Com toda a certeza, viu a bolinha flutuar até o seu peito e atravessá-la direto no coração.


Fechou os olhos feliz, porque sabia que ela a levaria aonde precisava ir. 


 


FIM




Nota do autor:


Quero agradecer as minhas amigas, Disomers e Viviane Barreda primeiramente por terem surgido em minha vida! Talvez o melhor presente que ganhei esse ano!


 E é claro pelo apoio em transformar o que eram apenas devaneios que tenho enquanto desenho ou estou lendo fics, em algo a mais para compartilhar como os fãs de Ron & Hermione, pois não sou e não tenho nenhuma intenção de me tornar uma fanficwriter, mas espero que aceitem e entendam essa minha necessidade de passar às pessoas que assim como eu amam esse casal, essa outra forma de mostrá-los além dos meus desenhos.


A idéia para essa fic surgiu à partir da leitura de uma linda drabble escrita pela Disomers "O Suéter de Ron".
 Ela, além de ter me dado inspiração através do seu trabalho, foi minha beta e fêz a capa para mim, um banner com meus queridos "Ronpert" & "Hermiwatson", uma inversão de papéis que só uma grande amizade (e muita compreensão) permite!

Obrigada à todos por lerem!  

Letras de músicas usadas: "Canção prá você viver mais" do Patu Fu e "O Children" do Nick Cave (a famosa música usada na cena de dança de Harry e Hermione no filme "Harry Potter e as Relíquias da Morte").

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Comentários: 6

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Enviado por Mariana Berlese Rodrigues em 20/02/2013

SIMPLISMENTE P-E-R-F-E-I-T-O ESSE CAP. A-M-E-I *.*

#MORRI 
A-M-E-I <3 <3 <3 
MUITOOOOOOOOOO LINDAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA *.*
CHOREI AQUI :)

NOSSAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA :'( 

Nota: 5

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Enviado por Sheilinha Araujo em 03/01/2013

Linda, muito linda *-*

Nota: 5

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Enviado por Samantha Gryffindor em 16/12/2012

Ai,que triste. Lindo mais triste.
 Chorei é a primeira vez que choro lendo uma fic. 
Parabéns você ME EMOCIONOU.
O jeito que você ESCREVEU FICOU MARAVILHOSO.
Nota mil. 


Não sei se esperaria tantos anos pra ir atrás do meu amor. Acho que não aguentaria 6 anos.
Sempre imaginei  o Ron safadão com a Mione. auhsuhaushauhsuh
Eles viveram cinquenta anos de casados  que dádiva. Tomará que eu consiga essa proeza. 


Parabéns novamente. 

Nota: 5

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Enviado por Porismata em 24/01/2012
Muito emocionante. Seus desenhos do casal RXHr são muito bons tb, parabéns!
Nota: 5

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Enviado por juliavon em 27/12/2011

amei a história, chorei muitooo!

Nota: 1

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Enviado por Flávia Ribeiro em 03/08/2011

Que linda a fic.

Amei e chorei também. :)

Nota: 5

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