Acordei cedo aquele dia, um pouco preocupada. Draco agora tinha apenas uniformes da escola e algumas poucas roupas. Não tinha dinheiro e nem onde morar. Eu lembrei de uma conversa ontem, no salão comunal da grifinória.
Flashback.
- Nem pensar Harry – disse Rony – Você não vai morar sozinho naquela casa horrível dos Black. Mamãe já falou que você virá para nossa casa e que ela não aceita não como resposta.
- Mas Ron – Harry respondeu – eu não quero viver as custas da família da minha namorada.
- Você pode ajudar nas despesas. – Ron respondeu.
- Aah, mesmo assim, não sei. – Harry estava hesitante.
- Harry – disse Gina – É só por um ano ou dois. Ano que vem eu termino a escola e nós vamos juntando dinheiro. Quando der a gente compra uma casa para nós dois.
- Esta me pedindo em casamento srta. Weasley? – Harry disse.
Gina sorriu. Ajoelhou aos pés de Harry como um cavalheiro e segurou sua mão.
- Sr. Potter – ela disse – Você me daria a honra de ter sua mão em casamento?
- Oh – disse Harry batendo as pestanas, entrando na brincadeira – Claro que sim Srta. Weasley, ou deveria dizer Sra. Potter.
Gina tinha me dado uma excelente idéia e um excelente argumento também, eu sabia que Draco seria bem mais teimoso que Harry. Resolvi ter primeiro tudo acertado antes de falar com ele. Então peguei papel e tinta e escrevi:
Mamãe e papai.
Eu e Draco terminamos a escola esse ano. Será que poderíamos ficar ai, apenas até juntarmos dinheiro para começar a vida? Ajudaremos nas despesas é claro.
É que a situação se complicou aqui. Draco rompeu com a família dele porque, bom, os pais dele não gostavam muito de mim. Eles o deserdaram, tiraram-lhe a mansão e a fortuna da família.
Hermione.
Abri a janela do meu quarto, com cuidado para não acordar o loiro que dormia em minha cama, procurei por uma das corujas da escola e felizmente achei uma sobrevoando o castelo, me poupando de uma viagem ao corujal. Enviei a carta aos meus pais sabendo que como a distancia era curta eu receberia a resposta ainda hoje.
Fui acordar o meu belo adormecido.
O dia havia passado tranquilamente e eu estava no meu quarto terminando o dever de transfigração que era para depois de amanha. Olhava pela janela o tempo todo para ver se via a coruja chegando com a resposta. Foi só quando eu já havia terminado o trabalho que a coruja apareceu. Peguei a carta e abri com pressa, ansiosa pela resposta.
Hermione
Claro que você e Draco podem vir morar aqui; tenho certeza que com a sua inteligência você não vai demorar-se muito na casa de seus pais, embora pelo meu desejo eu teria a minha princesinha em casa para sempre. Como assim eles não gostam de você? Todo mundo gosta de você. Sua mãe mandou dizer que você vale mais que mil mansões e quatrocentas vezes mais que a fortuna da família dele. E eu concordo com ela. Esse Draco é realmente inteligente.
Papai.
Sorri satisfeita e desci para o jantar. Antes de subir para o meu quarto novamente eu passei na mesa da sonserina; com muitos olhares virados para mim, eu sussurrei no ouvido do meu namorado:
- Te espero hoje – eu disse – Tenho uma coisa pra te pedir.
Ele levantou uma sobrancelha curioso, mas depois sorriu.
- Tudo bem – respondeu.
Fui para o meu quarto e tive que esperá-lo por um tempo. Ele demorou um pouco e quando chegou eu vi bem porque. Ele vinha trazendo um travesseiro, um pijama, um par de meias, uniforme para amanha de manha, uma escova de dentes, uma cueca branca e alguns livros.
- Veio de mudança? – eu perguntei.
- Não vou esperar ser convidado para ficar hoje – ele disse rindo. Colocando as coisas sobre a mesa.
Eu ensaiei um sorriso. Mas a minha tensão era evidente.
- Então – ele disse – o que você quer me pedir?
- Err...bom – eu disse nervosa – talvez você fique relutante em atender mas...
- Você pode me pedir qualquer coisa meu amor – ele disse – juro que vou tentar atendê-la.
- Quero que você venha morar comigo quando sairmos da escola – eu disse num fôlego só.
Ele arregalou levemente os olhos, acho que não esperava por isso, depois de uns segundos perguntou:
- Na casa dos seus pais?
- Sim é claro, mas por pouco tempo, só até juntarmos dinheiro para uma nossa. – respondi tentando convencê-lo.
Ele andou um pouco de um lado para o outro e depois sentou-se na minha cama.
- Não vou. – ele disse simplesmente.
Sentei ao lado dele, eu sabia que seria difícil. Coloquei a mão em seu ombro e disse com bondade:
- Onde é que você vai morar?
- Não sei, quando eu arrumar um emprego eu me hospedo em algum lugar barato, até conseguir dinheiro para comprar uma casa para gente. – ele disse.
- E se demorar para você arrumar um bom emprego? Que dê para pagar a hospedagem e ainda juntar para comprar sozinho uma casa para gente. – eu disse tentando abrir seus olhos.
- Hermione, eu prefiro até pedir isso ao Weasley do que a você – e ele completou com as palavras de Harry – Não quero ser sustentado pelos pais da minha namorada.
- Não é ser sustentado, nós vamos ajudar nas despesas, logo nós vamos conseguir juntar dinheiro para comprar juntos a nossa casa. Se fosse ao contrario, por acaso você ia achar humilhante para mim, ir morar na sua casa? – eu disse argumentando.
- Não eu não ia, mas é diferente. – ele disse.
- Por que? Por que eu sou mulher? – eu disse e sabia que ele não teria respostas para isso – Deixa de ser machista.
- As pessoas vão me achar ridículo. – ele disse, tentando outro argumento.
- Sabe Draco, ninguém achou o Harry ridículo na sala comunal hoje – eu disse e dei o argumento final que eu tinha certeza que ia fazê-lo ceder – Ele vai morar na casa da Gina até ela sair da escola e eles juntarem dinheiro.
Isso o fez pensar, eu sabia que estava dando certo e abri um sorriso imenso para ele quando ele disse:
- Seus pais sabem disso?
- Claro que sim – eu me apressei em responder e depois disse em tom de brincadeira – minha mãe mandou dizer que você fez muito bem, já que eu valho mais que mil mansões e quatrocentas vezes a sua herança. Embora é claro eu duvide disso, principalmente se eu tiver que vê-lo morar em um buraco qualquer.
- Tudo bem, Hermione – ele disse, cedendo – eu vou.
Joguei os braços em torno dele e o abracei de modo sufocante. Dei vários beijos em seu rosto.
- Te amo, te amo, te amo. - eu repetia em sua orelha
Ele riu.
- Eu também Hermione, pode acreditar.