“Em duas palavras eu posso resumir tudo o que aprendi sobre a vida: ela continua.” – Robert Frost
Capítulo 18
Obviamente, James não respondeu ao meu e-mail. Não na semana em que o enviei, pelo menos. Passei a semana esperando por uma resposta, qualquer resposta dele, mas ela simplesmente não chegou. Enquanto isso, na escola, eu simplesmente não conseguia evitar o ato de observá-lo, se estivéssemos no mesmo lugar. Ele parecia feliz e sorridente como eu me lembrava. E, geralmente, tinha companhia de alguma animadora de torcida bonita, junto com seus amigos. Não acho que ele estivesse ficando com alguma delas, mas talvez... Bem, talvez estivesse se divertindo. Sabe como é, nas noites de sexta-feira ou sábado. Principalmente nos sábados. Enquanto isso, eu ficava ansiosa em casa.
Depois de uns nove ou dez dias, quando eu sinceramente não esperava mais ouvir (ou ler) qualquer palavra vinda de James, recebi uma resposta dele. Dizia isso:
Evans,
Você escreve bem. Realmente bem. Já que você tem tantas dúvidas quanto ao seu futuro, pense em seguir essa carreira.
James.
Só isso. Como se tudo o que escrevi naquele e-mail tivesse o intuito de receber elogios dele. Ele estava tentando me provar algo? Fazendo de propósito? Ele simplesmente tinha ignorado toda a minha sinceridade ao escancarar meus sentimentos e meu arrependimento a ele.
Suspirei e resolvi deixar para trás. Eu tinha tentado, e não havia mais nada que eu pudesse fazer. Tinha que esquecer; não tinha mais jeito de James e eu ficarmos juntos. Eu só queria que ele não me odiasse, mesmo que não quisesse mais ficar comigo. No entanto, não conseguia pensar em mais nada.
Eu seguiria em frente. Certo?
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Dentre tudo o que me ocupava a cabeça, estava minha história para o concurso e o artigo que tinha que escrever para o jornal da escola – meu “disfarce” perfeito. O conto estava pronto, e só precisava que a professora Cole me devolvesse com suas anotações. Quanto ao artigo... Bem, estava pronto também, esperando a próxima edição do Collins News entrar em circulação.
Como forma de reduzir meu tempo livre, no entanto, eu tinha aceitado minha vaga permanente no jornal. Em parte, é claro, isso se devia ao fato de Narcisa Black ter desistido de seu cargo de editora-chefe. Parece que ela não tinha mais muito tempo livre entre escola, festas, namorar Lucius Malfoy e infernizar a vida de outras pessoas.
Um garoto do último ano, Caine, tinha assumido o cargo. Ele era bem mais legal que Narcisa – jogava xadrez, ouvia muito rock alternativo e adorava sci-fi. Também era ótimo no que fazia, e era informado sobre o mundo. Como as pessoas que trabalham em jornais supostamente deveriam ser.
Poucas semanas depois do e-mail de James, estávamos apenas eu e Caine na redação do jornal; eu pesquisava pelos lugares mais baratos para comprar livros novos e ele fazia... Bem, o trabalho dele.
- Lily? – ele me chamou. Virei para encará-lo. – Está ocupada?
Sim, procurando livros para comprar. Estou pensando em comprar Todo Garoto Tem. Gosta de Meg Cabot?
- Não.
- Bom – ele respondeu. – Estou checando a pauta da última edição, e preciso que faça uma matéria para o caderno de esportes.
- O caderno de esportes? – perguntei, desanimada. – Acha mesmo que sou a pessoa certa para isso?
Ele deu de ombros.
- Você é minha única opção agora – respondeu ele. Não era difícil perceber o quanto eu adorava
esportes.
Suspirei.
- Ok. O que preciso fazer?
Ele pareceu desconfortável antes de responder.
- Bem, preciso que vá checar o treino do time de futebol, faça algumas perguntas sobre o campeonato... Sabe como é, para o treinador e algum dos garotos. Sobre as expectativas e... – Ele parou, provavelmente percebendo a minha expressão. Eu ia precisar assistir ao treino? De James? – Sei que isso provavelmente é a última coisa que quer fazer, mas não tem mais ninguém aqui e precisamos fechar a edição, Lily. É a minha primeira e já estou fazendo merda, esquecendo da seção de esportes.
Eu não poderia deixar Caine na mão. Ele era tão legal, e tudo o que eu não queria era arriscar ter de lidar com Narcisa 2.0. Ou desistir da vaga, agora que estava gostando do que fazia (exceto precisar cobrir a seção de esportes).
Dei de ombros.
- Tudo bem, Caine. Eu faço.
Ele agradeceu, e dava para ver que estava mesmo grato. Depois, me passou algumas instruções – basicamente, o que eu tinha de perguntar. E depois, fui até o campo.
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Garotos suados, correndo, e um treinador berrando foram tudo o que eu vi durante quinze minutos, sentada na arquibancada do campo, abraçando meus joelhos e tentando não lembrar de quando James estava lesionado e me levara para assistir ao treino com ele. James não estava treinando, ele estava na lateral do campo; quando cheguei, ele estava correndo, e agora fazia repetidas flexões. Eu não conseguia entender nada.
Alguns garotos foram liberados por dez minutos, o que me pareceu muito correto. Eles suavam tanto que provavelmente passariam mal em cinco minutos. É claro que o preparo físico era inegavelmente melhor do que o meu, então não podia comparar a minha situação à deles.
Dentre os garotos liberados, estava Sirius. Eu não esperava por isso, mas ele subiu os degraus da arquibancada em minha direção.
- Oi, Evans – cumprimentou, jogando-se em um degrau abaixo do que eu estava e engolindo uma quantidade absurda de água. – O que faz aqui?
- Preciso fazer uma matéria para o Collins News. Quer responder algumas perguntas? – perguntei, esperançosa. Sirius concordou. Durou cerca de três minutos. O time tinha expectativas de vencer, claro, achava que estavam preparados e com “um grupo mais forte”, mas que respeitavam muito seus adversários. Coisas assim. Respostas realmente inesperadas.
- Por que James estava fazendo treino especial na lateral do campo? – perguntei, sem conseguir me conter, quando terminei as perguntas para a matéria.
- James está fora do time – Sirius respondeu. – Há umas duas semanas. Sabia disso, não sabia?
Eu realmente não sabia. James estava fora do time da Marion Collins? Isso não fazia nenhum sentido. Ele era bom.
- James está fora? Por quê?
- Achei que todo mundo soubesse – ele respondeu. Depois, deu de ombros. – Basicamente, a última vez que estivemos fora da cidade par jogar, o que foi há duas semanas, James saiu à noite para algum lugar. E voltou de madrugada, bêbado. E, você sabe, não podemos fazer isso. Somos todos menores de idade e a responsabilidade é toda do treinador Ford. E da escola. Então ele ficou completamente puto com James e disse que ele podia dar adeus ao posto de estrela do time. James foi bem estúpido.
Ah, cara. James tinha mesmo sido estúpido.
- Por que James faria algo assim? – perguntei, mais para mim mesma do que para Sirius.
Ele arqueou uma sobrancelha para mim.
- James estava chateado, e fez algo idiota. Acontece todos os dias com alguém.
- Chateado... comigo?
- Bom, Lily. É. Com a situação. E ele ainda está infeliz com isso, mas mesmo quando você pediu desculpas e choramingou tanto naquele e-mail, ele continua insistindo em não perdoar você. Sei que ele ficou puto, e não acho que eu ficaria muito feliz se estivesse no lugar dele, mas... Ele gosta de você há anos. Já disse para ele parar de agir como uma garota vingativa e chorona, mas ele não dá ouvidos à razão. No caso, estou me referindo a mim mesmo.
- Você leu meu e-mail? – perguntei. Ele tinha dito que eu choraminguei? De repente pareceu exagerado tê-lo enviado.
- Não. James comentou.
Hum, então James é que achava que eu era uma chorona.
- Achei que todos vocês me odiassem – eu falei.
Sirius pareceu surpreso.
- Ninguém te odeia. As garotas ficaram chateadas porque sempre gostaram de você, e porque elas gostam tanto de James e tudo o mais. Eu também achei que você fez merda, Lily, mas se arrependeu e pediu desculpas... E gosta dele, não é? Ele gosta de você. É pura estupidez continuarem separados. Eu disse isso a James, mas não posso fazer mais nada. – Deu de ombros. – Gosto de você, Evans. Pode ter roubado meu fiel companheiro para a night – ele disse, em tom irônico – mas você é uma das garotas mais legais que já conheci... E fazia ele feliz. Feliz de um jeito quase ridículo, mas feliz.
Eu não sabia o que dizer. Só consegui pensar em algo muito estúpido:
- Se James está fora do time, por que está fazendo flexões como um condenado?
Sirius riu, provavelmente pelo meu uso da palavra “condenado”.
- O time não pode ficar sem ele, e Ford sabe disso. Mas também não podia aceitá-lo facilmente depois do que ele fez, então James está precisando provar seu comprometimento. Vai continuar com isso durante a próxima semana. E depois ele volta.
Sirius falava tudo como se não desse grande importância ao assunto. James provavelmente não ligava muito também. Ele era bom, e tinha plena consciência disso, então sabia que acabaria voltando. Eu só duvidava que o treinador escolhesse dar o cargo de treinador interino do time infantil novamente. James tinha me dito que recebera aquele encargo justamente porque era responsável. E ele tinha arruinado essa imagem, não tinha?
- Bom, ao menos ele vai poder voltar – eu disse. Não que eu tivesse realmente alguma coisa a ver com isso. James era responsável pelas próprias escolhas.
Sirius concordou e depois teve de voltar para o campo, pois o treinador Ford começou a berrar chamando os garotos de volta. Continuei assistindo ao treino, até que ele finalmente terminou e pude conversar com o treinador por alguns minutos. Ele era um tanto intimidador enquanto treinava, mas foi realmente simpático comigo. Acho que ele não me culpava pelo acontecimento recente envolvendo a estrela Potter. O que era bom, porque eu não tinha culpa mesmo.
Quis falar com James quando o vi se dirigindo ao vestiário. Quis dizer a ele que ele não entendeu nada do que escrevi em meu e-mail, que ele precisava me perdoar. Quis correr e abraçá-lo, mesmo que ele estivesse todo suado.
Ao invés disso, fui em direção à redação do jornal, não conseguindo evitar uma decepção ao perceber que James se recusava terminantemente a olhar para mim.
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Tentei me concentrar no dever de física durante meia hora – nada funcionava. Porque tudo o que eu conseguia pensar era: “mas que merda, quem se importa com o tipo de imagem que cada espelho forma? SÉRIO?”. Desisti de física e tentei história. Estava estudando o nazi-fascismo. Eu só conseguia sentir muita raiva de Hitler. Do tipo “espero que esteja queimando no mármore do inferno, seu bastardo infeliz”. Embora eu achasse tudo muito interessante, especialmente as duas guerras mundiais, simplesmente não estava com saco.
Desisti de estudar e liguei a tela do meu computador. Demorou mais ou menos dezessete minutos para eu encher o saco dele também. Desisti e fui descansar a cabeça, sentada na minha cama e brincando com Lennon. Ele já havia crescido muito. Era incrível como eu tinha aprendido a amar meu filhote de yorkshire tão rápido.
Estava pensando em Lene e Miguel, que simplesmente não eram mais vistos em público juntos, quando o telefone tocou. Achei engraçado que justo o nome de Lene, em quem eu estava pensando, tivesse aparecido na bina.
- Hey – cumprimentei.
- Oi, Lils. O que está fazendo?
- Nada demais. Não consegui me concentrar nos deveres de casa e a internet não está oferecendo nada de interessante hoje. E você?
- Só estava vendo televisão. Estava passando Para Sempre Cinderela. Tipo, de novo. Nem eu agüento mais esse filme.
Eu ri. Marlene amava esse filme.
- Hum, eu e Miguel terminamos hoje – ela recomeçou a falar.
- Oh! É mesmo? – perguntei. Sabia que isso aconteceria em breve; Lene já tinha falado isso ela mesma. De qualquer maneira, não consegui evitar a surpresa. – Ah, Lene, eu sinto muito.
- Não precisa – ela disse, e seu tom era quase animado. Bom, ela já estava esperando por isso. Acho que, de certa forma, tinha cansado dele. Sabia que ela se divertira com ele, mas eu não achava que ela gostasse tanto assim dele. E isso estava se provando verdadeiro. – Quer dizer, eu já sabia que ia acontecer. E você também. E achei que ele também esperasse, mas ele ficou meio chateado, sabe? Perguntando se eu tinha certeza de que queria fazer isso, se não queria fazer mais uma tentativa.
- E você? – perguntei de maneira idiota. Ela já tinha me dito que eles tinham terminado, então a resposta era meio óbvia.
- Eu... Bom, eu gosto dele. Ele é divertido, é bonito e é um bom garoto. Mas não quero mais ficar com ele, a idéia não me atrai em nada. Acho que foi bom enquanto durou – seu tom era um pouquinho melancólico, como se estivesse lembrando-se de tempos mais alegres. – Anyway, né! Quero seguir em frente. Pode ser que a nossa escola não tenha tantos garotos bonitos assim, mas Londres com certeza tem. Eu só preciso escolher o lugar certo. E que você concorde em me acompanhar.
- Sem dúvida eu sou a melhor companhia do mundo para sair com intuito de paquerar. – Eu ri. Nunca fui e agora é que não me tornaria. Não quando só tinha um garoto que eu queria.
- Você é minha melhor amiga. É pra isso que melhores amigas existem.
Eu ri de novo.
- Obrigada por esclarecer esse ponto, Lene – falei, de forma irônica. Foi a vez dela de rir.
- Bom, eu só queria contar a você. Sabe como é, para que você não viesse reclamar comigo por ficar sabendo depois de todo mundo.
- É, essa sou eu mesma. Exatamente assim. – O tom irônico estava de volta à minha voz.
Lene riu de novo.
- Acho que você deveria tentar estudar de novo. Você é minha amiga nerd favorita e não quero que perca esse posto. Quero dizer, de amiga nerd.
- Hahaha. Volte para seus filmes inéditos, então, Marlene. Beijo!
Desliguei o telefone e encarei a parede. Éramos duas melhores amigas solteiras de novo, como há poucos meses atrás. A diferença é que Marlene sentia-se aliviada com isso, ao passo que tudo o que eu queria era reverter a situação.
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Era sexta-feira. Mas não uma sexta-feira qualquer. Era a sexta-feira na qual eu tinha que entregar meu mais novo conto no prédio da Publisher. Um conto que havia deixado a professora Cole realmente animada, de uma forma que eu duvidava que tivesse ficado a respeito dos outros três. O que era bom, porque era cada vez mais difícil passar para a próxima fase.
Eu também tinha deixado minha mãe ler o conto novo. Eu queria ser escritora, sim, mas muitas vezes me sentia insegura em mostrar o que escrevia aos outros – provavelmente devido ao fato de sempre terminar o que quer que fosse pensando: “nossa, que grande porcaria”. Mas estava, estranhamente, necessitando de opiniões. Escolhi minha mãe porque sabia que a deixava triste o fato de eu nunca querer compartilhar o que escrevo com ela.
Mamãe terminou a leitura e foi correndo me avisar que a fiz chorar. Ótimo. O intuito era que o conto fosse emocionante mesmo. Eu só tinha algumas dúvidas quanto ao motivo do choro: o conto estava bem escrito e realmente emocionante ou minha mãe estava tocada pelo fato de ter uma filha (supostamente) talentosa? Perguntei a ela. Ela respondeu que eram as duas coisas.
E tinha outra coisa de especial nessa sexta-feira. Era aniversário de James.
Lembrar esse fato fez com que as memórias do meu aniversário ocupassem toda minha mente. James tinha feito a coisa mais fofa e brega do mundo me levando num parque de diversões e ganhando um ursinho para mim. Tínhamos discutido. Percebi que gostava, realmente gostava dele. E nos beijamos. E fomos tomar café. Conversamos. A percepção do quanto eu gostava dele foi completa. As coisas começaram a mudar para mim, a partir daí.
Tudo o que eu queria, hoje, era poder desejar feliz aniversário e parabéns a ele, e fazê-lo tão feliz quanto ele tinha me feito no dia em que completei dezesseis anos. Mas eu não podia, porque James me odiava. Ou me desprezava. Ou talvez nenhuma das duas coisas, mas com certeza conservava raiva e mágoa e já tinha me mostrado que não estava a fim de mudar isso.
Mesmo assim, quando cheguei na escola procurei por ele, mas não o encontrei. Na verdade, demorei para encontrá-lo: foi apenas no refeitório, no almoço, que o vi, sentado à mesa com seus amigos, todos parecendo felizes. Lene estava comigo naquele momento, e percebeu que eu não conseguia levar meu olhar para longe dele.
- Não, Lily – ela disse. – Isso só vai machucar você. Esqueça James.
Eu concordei e tentei pensar em outra coisa, qualquer outra coisa. Funcionou, em parte. Meus amigos estavam alheios à situação toda, então riam e faziam piadas enquanto tentavam engolir a comida realmente ruim que o refeitório estava oferecendo.
Infelizmente, eu o vi de novo na saída da aula. Os raios de sol batiam nos cabelos de James, que brilhavam, e ele parecia feliz. É claro. Estava fazendo aniversário. Não sei o que ele esperava, parado no gramado, mas não estava se movendo.
Como de costume, Marlene estava comigo, e ela viu, de novo, que eu encarava James.
- Lily... Quer mesmo falar com ele, não? – ela perguntou.
Desviei meu olhar de James para poder olhar para Lene.
- Quero – admiti. – Ele só... Me deixou tão completamente feliz no dia do meu aniversário. Sinto como se eu precisasse retribuir.
Lene deu de ombros, como se dissesse “bom, não tem mais nada que eu possa fazer, tem?”.
- Vai lá, Lily. Você tem que fazer o que acha que é certo.
Concordei e saí andando antes que começasse a pensar e demais. Eu só ia desejar um feliz aniversário, só isso.
James me viu antes que eu o alcançasse. Ele não fez nada: não sorriu, não fechou a cara. Só ficou ali, parado, olhando para mim. O que era um avanço. Ele evitava olhar para mim há muito tempo. Acho que James não esperava que eu estivesse indo falar com ele, então levantou as sobrancelhas quando parei em sua frente. Ele não disse nada, por isso eu tive que começar.
- Oi, James – falei, de uma maneira bem idiota, desejando fugir dali. Eu sabia que ele não queria falar comigo, então por que estava fazendo isso?
- Oi? – soou como uma interrogação; ele provavelmente se perguntava por que raios eu estava falando com ele. Talvez quisesse saber se eu não conseguia entender uma mensagem bem clara do tipo estou-te-evitando-passa-daqui. Mas ele não disse nada disso, é claro, porque James não era mais assim. Ou nunca foi assim, na verdade.
- Eu só queria... – Caramba. Era só James. Não era a Rainha, ou Dalai Lama, ou John Lennon. Era. Só. James. Potter. Foco. – Err... James, eu só queria desejar feliz aniversário. E tudo de bom, você sabe. Tudo mesmo.
- Ah... – ele também parecia não ter muita certeza do que deveria dizer, o que fez com que eu me sentisse um pouco melhor. – Obrigado, Lily.
Respirei fundo. Eu devia dizer “te vejo por aí”, virar as costas e ir embora, mas não queria fazer isso. O tom de voz dele era completamente normal, e isso me fazia querer ficar por perto. Falar com ele, se ele estava me dando essa oportunidade. Eu simplesmente não consegui fazer o que deveria.
- Dezessete anos deve ser uma ótima idade, certo? Agora você pode dirigir – falei.
- É, acho que é bom, sim. Exceto quando você faz dezessete anos e ainda está na escola, já que deu sorte de nascer durante o segundo semestre letivo. – Ele deu de ombros. Parecia o James de sempre. Era o tipo de comentário que ele fazia. – E, de qualquer maneira, meu pai não vai me dar um carro agora. Ele disse que eu tenho que continuar usando o metrô para evitar atrasos, poluição e gastos desnecessários.
- Ah... Eu lamento. Sei que queria dirigir.
- Queria. Bom, quando eu for aceito na faculdade com certeza vou ganhar um carro. Se for aceito em Cambridge, vou até poder escolher qual.
Eu sorri. James tinha me contado, faz tempo, o quanto seu pai queria que ele estudasse em Cambridge, já que era um “legado”. James também me disse o quanto não ligava para nada disso.
Mas o que me fez sorrir, mesmo, foi que James estivesse falando comigo. Falando normalmente comigo, como antes de ele descobrir toda a minha farsa. Talvez só estivesse de bom humor, porque estava de aniversário.
- Bom, eu só queria dar parabéns. Espero que tenha um ótimo aniversário – eu disse, não querendo terminar a conversa, mas sabendo que deveria. Eu estava começando a me afastar quando ouvi a voz dele.
- Lily, espera – ele chamou, e eu parei. – Eu... Hum, agradeço por ter me enviado a história que você escreveu. Sério. Não sei se viu minha resposta, mas eu disse a você que escreve muito bem.
- Ah, eu vi. Obrigada, por sinal.
Não queria lembrar daquilo e não entendia por que ele queria falar no assunto.
- De nada – ele disse, e pude perceber que era isso. Ele não ia dizer mais nada, a conversa estava encerrada e eu devia sair dali.
E foi o que eu fiz. Saí dali e fui em direção a Marlene.
- Tudo bem? – ela quis saber. Eu assenti. Tudo ótimo.
Eu tinha mais uma missão para cumprir agora: pegar dois ônibus e ir até a Publisher.
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N/A: Oi! Desculpa pela demora. Se serve de consolo, entrei em férias não faz nem duas semanas... E eu estava nervosa demais durante a maior parte do tempo para conseguir pensar em escrever. Felizmente, acabou. Dou adeus a coisas chatas como matemática e biologia... Espero que seja permanente, mas nunca se sabe. Posso desistir de jornalismo, voltar pro cursinho, fazer outro vestibular. Anyway, isso eu vejo quando e se acontecer.
Então, acho que perdi completamente o jeito pra escrita, mas eu tentei. Sei que é um capítulo bem parado, mas as coisas têm que acontecer devagar e com o tempo, uma vez que isso aqui não é uma série adolescente americana, onde tudo acontece em um dia.
Awn, a fic está acabando. Só tem mais dois capítulos e o epílogo, o que é praticamente um capítulo, então faltam só mais três capítulos :~ Que triste!
Espero que alguém ainda leia isso, que ainda goste de algum personagem ou da trama... Se vocês voltarem aqui, eu volto com capítulo novo assim que ele estiver pronto.
Beijo,
Fernanda M.