O lago
Fazia pouco tempo desde a última vez em que estiveram no Caldeirão Furado, mas parecia uma eternidade. Hermione ria sem parar, e estava dolorida de tanto sorrir. Tinha até esquecido como era gostoso se deixar levar pelas piadas e pelo senso de humor único de seu namorado, Rony.
Os dois estavam sentados em uma mesa, no meio da confusão de pessoas. As cadeiras estavam lado a lado, o que permitia que ele mantivesse o braço em volta do seu ombro, e pudesse beijar sua orelha a todo instante, sussurrando brincadeiras, promessas e elogios, bem baixinho em seu ouvido.
Harry e Gina haviam ido buscar as bebidas, e certamente Hermione sabia que estavam aproveitando para dar alguns amassos. Em poucos dias Gina iria para seu curso de medibruxa, numa escola fechada e eles ficariam separados novamente.
Por pouco tempo, visto que em seis meses ela se formaria, mesmo assim a distancia é sempre aterrorizante e desoladora, e ela sabia disso melhor que ninguém, visto que quase não via Rony.
Mas dessa vez, por uma semana inteirinha ele seria seu. Sete lindos e brilhantes dias, onde ela mandaria as ‘favas’o bom senso e a discrição e o convidaria a ficar na sua casa, junto com seus pais.
Eles poderiam ficar juntos na Toca, mas isso dependeria da boa vontade de Molly Wesley, que não era muito a favor de sexo com namoradas em casa, então, sobrava apenas seus pais e suas mentes trouxas – e graças a Merlin – liberais.
Não eram do tipo que liberavam de tudo, mas Ronald era seu namorado firme e eles tinham algum tipo de compromisso entre si, pois se amavam. E isso era o bastante para tranqüilizá-los.
Hermione preferia a Toca, por ser o ambiente dele, e isso permitiria que ficasse mais tempo com os pais, mas não esnobaria a permissão de sua mãe! Ah, não, mesmo!
-Harry está abusando da sorte – Rony disse baixinho, ocupado em mordiscar seu pescoço. Quem o visse, jamais imaginaria que ele estivesse incomodado com o que quer que fosse!
-Eles estão aproveitando, assim como nós - ela respondeu, um pouco distante, ocupada em sentir os carinhos tão deliciosos - alias, deveríamos estar aproveitando ainda mais...
-É mesmo? – ele afastou-se sorrindo debochado – O que quer dizer?
Falsamente inocente, ela pensou, estreitando os olhos antes de dizer:
-Me leva para um lugar bem bonito e eu te conto. – sussurrou sedutora, ou ao menos esperando estar sendo sedutora.
-Minha mãe liberou para a gente – ele disse baixinho, para não constrangê-la.
-Jura? – ficou incrédula, rindo ao imaginar a expressão de Molly Wesley. – Você pediu?
Despojado como Rony aprendera a ser com o tempo, ele sorriu malicioso, olhando em volta antes de responder, fazendo um certo ministério.
-Eu disse a minha mãe que precisava conversar com ela. Foi isso – ele disse sabendo que isso apenas abriria a curiosidade de Hermione.
-Só isso? - ela estranhou profundamente intrigada. – Não me parece coisa da sua mãe, agir desse jeito! Rony! O que foi que você disse a ela?
-Hermione, você não confia em mim? - ele brincou arrancando um sorriso involuntário – Ok, eu disse a minha mãe que queria que minha namorada, futura mulher, ficasse comigo no pouco tempo que tenho livre antes de voltar para os jogos e que gostaria muito que isso acontecesse perto da minha família, para aproveitar ao Maximo as pessoas que eu amo. Foi isso.
-Assim tão fácil? – ela duvidou – Disse a ela que dormiremos no mesmo quarto?
-Disse – ele admitiu, suspirando – Depois que ela disse que prepararia o quarto para você, eu tomei coragem e contei. – parou fazendo suspense.
-E aí? – ela estava incrédula e deliciada.
-Ela ficou me olhando como se eu tivesse duas cabeças, e eu achei que ela nunca diria nada e ignoraria o assunto, ou então gritaria comigo ate que eu ficasse surdo – os dois riram, pois assim era Molly Wesley – Mas nada, minha mãe olhou para mim, e disse: tem razão, filho.
Notando que ela acreditava, ele riu deliciado.
-Hermione, minha mãe quase me arrancou a cabeça quando eu disse que dormiríamos juntos! – admitiu – Foi preciso meu pai jogar na cara dela, que somos adultos e decidimos com quem transamos! E que ela tinha que agradecer a Merlim eu ter escolhido uma garota especial, e não uma qualquer! Você deve saber, que ajudou muito Carlinhos anunciar que está namorando uma striper marroquina. – ele ponderou satisfeito.
-Ela não vai brigar comigo, vai? – não era agradável a idéia de ter sua sogra contra ela.
-Não, ela supera. Se Molly Wesley superou a Fler, ela superara qualquer outra! – provocou.
-Rony! – segurando as lapelas de seu casaco, ela ficou ainda mais próxima, beijando seu queixo, enquanto dizia – Então, vai me levar para casa ou não?
-Vou te levar ao paraíso – ele prometeu, segurando seu rosto e tencionando um beijo.
A intensidade de seu olhar, arrancou dela um profundo suspiro.
-Olhe quem está aqui!
O grito empolgado os fez quebrar o contato, a contra gosto e olhar em volta. Bem lá no fundo do bar, Harry e Gina haviam parado e voltavam pelo mesmo caminho, deixando obvio que fugiriam das ‘visitas’.
Hermione fitou o rapaz de sua turma com o mais falso dos sorrisos. Não é que não gostasse dele, mas ela queria ficar sozinha com Rony!
-Oi, Matt. Oi, pessoal. – disse sem animo.
-Então é aqui que veio se esconder! – Matt, ‘o cara’ disse com aquele sorriso bobo que despertou uma luz vermelha na mente de Rony.
Estarem afastados por tanto tempo e ainda manterem um namoro sadio havia custado um bom sacrifício aos seus ciúmes. Não era qualquer coisa que o tirava do sério. Ele tinha que ser controlado ou perderia Hermione.
Mas se um cara sorria daquele jeito, e a olhava com aquela intenção tão clara, aí sim, ele esquecia a prudência e tomava a dianteira das coisas. Afinal, ele ficava um loooooooongo tempo longe dela!
-Esse é meu namorado – ela apresentou rapidamente – Estamos matando as saudades.
-Isso explica por que não aceitou comemorar com o grupo – ele disse com aquele sorriso estúpido que fez Rony querer quebrar a cara dele.
Hermione olhou horrorizada aquelas pessoas sentando em volta deles. Não era a toa que Harry fugira. Ele detestava Matt, “o cara”. Ele era conhecido assim por ser o auror mais jovem a ocupar um cargo de chefia no Ministério. Mas claro, todos sabiam que isso se devia ao fato de ser neto do Ministro, e não a sua competência!
-Hei, trás uma champanhe! – Matt gritou para o atendente que demonstrou sua insatisfação com um longo olhar de raiva. Pelo jeito, Matt era conhecido ali também!
-Precisamos brindar esse momento – ele disse animadíssimo, sentando-se ao lado de Hermione e falando bem perto dos dois, enquanto as outras pessoas se ajeitavam, juntando mesas e conversando animadamente.
-Na verdade, estávamos indo embora... – Hermione tentou não parecer indelicada.
-Ah, que é isso, a diversão só começou! Vamos nos divertir muito essa noite! Não pode ir embora!
Hermione olhou imediatamente para Rony, num mudo pedido de desculpas e esperando que ele pudesse entender que não estava encorajando-o. Infelizmente nunca contara a Rony das excessivas investidas de Matt.
-Rony e eu estamos cansados – ela disse educada – Sei que vai entender...
-Não, não vou! – ele disse sorrindo, olhando com superioridade para Rony – Tenho certeza que seu ‘namorado’ entenderá se você ficar!
Hermione sorriu, apesar de imaginar que não deveria fazer isso. Teve vontade de rir na cara dele, mas apenas olhou para Rony.
-Podemos ficar mais um pouco – Rony disse com voz forte, fazendo parte do sorriso seguro de Matt se apagar. – Por cortesia, claro.
Hermione suspirou e se aninhou melhor contra Rony, encostando a cabeça em seu ombro, enquanto ele a abraçava mais forte. Seus planos de uma noite longa de amor haviam ido para as ‘cucuias’.
-E aí, “Rony”, o que você faz da vida?
Matt perguntou após um curto silêncio, olhando-os através do seu copo de Wisky de fogo.
-Quadribol – ele respondeu sem muita paciência – Chulders.
-É mesmo? - ele fingiu desinteresse.
-Deixa de ser bobo, Matt – a loura ao lado dele o cutucou e sorrio para Hermione - Mione vive falando do goleirão dela! Você nunca ouviu?
Hermione corou loucamente enquanto Rony sorria.
Ela vivia falando dele, mas Rony não precisava saber disso, não é?
-Hermione fala de mim, é? – Rony sorriu para a loura que retribuiu meio encantada por falar com um jogador de quadribol famoso.
-O tempo todo. – ela disse sonhadora - E agora vejo que ela não exagerou nem um pouquinho... – sua malicia deu lugar ao susto ao olhar para Hermione e fechar a boca. Não era certo flertar com o namorado de sua amiga ciumenta mesmo que fosse um ato sem maldade.
-E o que um goleiro faz afinal, para ser tão conhecido? Achei que apenas precisasse apanhar umas goles de vez em quando... – Matt lastimou irônico.
“isso e quebrar a cara de babacas como você”, pensou Rony. Provavelmente às onze da noite, em um bar, com wisky de fogo na historia, ninguém o condenaria. Mas então, ele estaria na primeira pagina do profeta diário e sua tão sonhada paz ao lado de Hermione teria desaparecido antes que tivessem tempo para aparatar!
-Ronald é um dos jogadores mais apreciados do Chulders! – Hermione o defendeu prontamente, surpreendendo-o. Ele não sabia que ela entendia tanto de quadribol! – Quando o contrataram o time estava por um ponto para ir para a segunda divisão do campeonato e isso teria sido uma lastima, visto que é um dos times mais antigos e tradicionais da historia bruxa! Então, depois do primeiro jogo, onde Rony estreou, o time ganhou de virada e começou a repercutir em todo o campeonato, pois deixou a lanterninha do campeonato e em apenas quatro jogos, estava em quarto na tabela! Agora, se não estou enganada, enceramos o campeonato e estamos escalados para concorrer a Taça das Nações ano que vem! E faz cinco anos que nenhum time Londrino se classifica! Bem, acho que um goleiro faz isso, ajudar seu time a crescer!
-Realmente é um trabalho muito importante – ele disse de lado, sádico, olhando para Rony com deboche.
Hermione quis dizer algumas verdades ao mimado Matt, mas se conteve.
-Não sabia que entendia tanto de quadribol – Rony sussurrou em seu ouvido, fazendo-a esquecer de tudo.
-E não entendo - ela respondeu, olhando em seus olhos. – Mas entendo de você. Se te faz feliz, eu entendo, compreendo e aprecio – ela concluiu, e ele não respondeu nada.
Lá no fundo havia uma grande emoção em ouvir isso. Eles se entendiam. Amar é uma dádiva. Mas amar com conhecimento é ainda mais importante. A mão que estava descansando em seu ombro apertou forte e ela ficou quieta, esperando não ter sido muito profunda e o ter incomodado.
-Vamos embora daqui – ele sussurrou em seu ouvido, enquanto beijava seu pescoço, um habito que ele tinha.
-Joguei quadribol na escola – Matt disse para quebrar o clima, e conseguiu – Era divertido. Na escola, claro. Nunca pensei como profissão.
Hermione teve vontade de sacar a varinha e estupora-lo. Ele praticamente dissera que Rony não tinha um trabalho sério! Será que não tinha vergonha de agir assim?
-É uma pena – Rony disse com um estranho sorriso na face – É divertido e ainda paga melhor que qualquer salariozinho de auror! – ainda sorrindo ele dirigiu-se a ela – Querida, eu te amo, mas não vamos precisar morar em um apartamentozinho apertado e comer comida requentada.
Era uma clara piada e todos entenderam, pois riram, complementando com outras situações insalubres que aurores iniciantes passavam, com seus salários baixos e infames.
-Não era sua família que morava em um cômodo só? – Matt perguntou de repente – Eu me lembro de ter lido em uma revista sobre isso. – sorriu amarelo.
Hermione olhou para Matt sem acreditar. Com certeza se vingaria dessa tentativa de humilhação quando voltasse de sua licença no ministério.
-Quase isso – Rony disse com naturalidade, bebericando sua cerveja amanteigada. – Meus pais têm uma casinha simples, que alias é meu lugar preferido no mundo. Não existe lugar mais especial que a Toca. É pequeno, mas é acolhedor.
Hermione admirou sua maturidade. Fazer parte de um grande time havia lhe trazido responsabilidade e estava acelerando o processo de tornar um garoto em um homem.
-E você, Matt? Nasceu em berço de ouro? – ele alfinetou.
-Quase isso – Matt ironizou, usando o mesmo tom que ele, e repetindo suas frases anteriores – Meu avô é Vice ministro. Deve imaginar onde nasci.
-Oh, sim, posso imaginar – havia uma sombra de riso no olhar de Rony. Uma coisa muito perigosa - Deixe-me ver se adivinho, também é chefe de alguma coisa no trabalho? E então, acertei?
Alguns colegas que prestavam atenção quase se engasgavam, pois esse era um comentário fixo nos corredores, sua nomeação indigesta.
Matt não respondeu imediatamente, digerindo a ofensa velada.
-Ronald, porque não nos conta como é ser jogador profissional? – a mesma loira, que trabalhava diretamente com Hermione, Sindy perguntou, talvez sem perceber o clima desconfortável. – É verdade que os técnicos não permitem... Bem... Não permitem sexo antes dos jogos?
Hermione corou loucamente, olhando para Rony, enquanto ele olhava para ela.
-Não, o técnico não permite namoradas no período de concentração, que ocorre antes dos jogos. Mas, vez ou outra, quebramos as regras, sabe?
-Ah, é? – Matt não perdeu a oportunidade – E a Hermione sabe?
-Não aprendi a ser auror a toa, Matt - ela respondeu, sentindo-se ofendida. – Posso entrar e sair de ambientes com grande segurança, sem ser notada – sorriu para dar ênfase.
Normalmente não abriria sua intimidade dessa forma tão explicita, mas não queria que ficasse a impressão de que era traída. Muito menos uma sutil sugestão no ar!
-Hermione, estou ficando com inveja! – Sindy afirmou de brincadeira e todos riram, menos Matt.
Rony não era bobo para não perceber o olhar magoado de Matt. A forma como ele olhava para Hermione. A determinação, o desejo, sentimentos que transbordavam nos olhos do outro. E essa constatação estava irritando-o profundamente.
-Está muito tarde para nós e vamos embora agora – ele anunciou levantando-se e puxando Hermione consigo. Tinha chegado ao seu limite. Mais um minuto e ele partiria para a ignorância.
-Goleiros dormem cedo também? – Matt disse mais alto que a confusão de despedidas – Talvez usem meias de lã e cachecóis também! – riu de sua própria piada.
-Isso, e chinelos – Rony completou. “Mas só quando não estamos dando um corretivo em babacas como você. Você sabe, que goleiros também são caras grandões.”.
Obvio que ele pensou, mas não disse em voz alta.
-Então porque não deixa Hermione se divertir um pouco com a gente? – Matt insistiu com aquele sorriso debochado que irritava até os ossos.
Lutando bravamente contra o impulso de esmurrá-lo, ele parou, virou-se de frente para Matt, notando o silêncio que rapidamente caiu sobre todos. É ele não tinha mais a expressão muito amistosa. Para ser franco, com sua altura, musculatura de esportista e expressão mortífera, ele deveria parecer bem assustador.
-Porque eu não quero – respondeu sério, esperando que isso bastasse para acabar com a insistência.
-E Hermione só faz o que você quer? - ele insitiu e Rony percebeu que era bem mais sério do que ele supunha.
Não era apenas um interesse de um cara mimado. Era algo mais que provavelmente vinha acontecendo há muito tempo.
-Basicamente ela se esforça para me agradar, e nesse momento, eu quero ir embora com ela. Algum problema com isso? – soltou a mão dela e encarou-o em busca de briga.
-Rony... – ouviu ela sussurrar atrás de si, mas não deu atenção.
-Levando-se em conta que ela é uma mulher livre e independente, sim, é um problema. O que você vai fazer se ela quiser ficar? Bater nela? – Matt levantou-se querendo realmente brigar.
-Por Merlin! – Hermione disse mais alto que suas vozes – O que deu em você, Matt? Rony é meu namorado! É claro que eu quero ir com ele! Eu tirei licença no ministério para poder ficar colada com ele, e não estou nem aí se sou livre e independente! Amar meu namorado não muda quem sou!
-Amor? - Matt riu – Você o vê uma vez a cada mês! – ele atirou com escárnio.
-E é mais que o suficiente para saber o quanto o amo! Acaso quer saber mais dos meus sentimentos do que eu?
-É claro que não – ele disse com um brilho perigoso no olhar – qualquer um pode ver o que você sente.
-É mesmo? – Rony perguntou incapaz de se controlar. – E o que Hermione sente?
-Ora, é meio obvio não é? O melhor amigo, o primeiro namorado. Está presa em um cara que a deixa sozinha e abandonada por causa de um estúpido jogo de quadribol! Se não fosse tão influenciável já teria te dado um pé a muito tempo! – disse convicto.
Rony não respondeu, talvez considerando essa possibilidade e Hermione estava tão chocada que ficou muda.
-Que estupidez! – disse Sindy, a loura que olhava tudo surpresa – Matt você não deveria falar da vida dos outros desse modo. Coitada, Hermione, só quer ficar com o namorado dela! Qual o problema disso? O que você tem a ver com isso? Porque se importa tanto?
-Porque ela merece coisa melhor – ele respondeu direto, sem meias palavras.
-Isso quem decide é ela – Sindy lembrou-o achando o assunto pesado demais para um simples “Happy hour” de amigos. – Eu pessoalmente, endosso a escolha. Desculpe, Hermione, mas tiraria uma casquinha do seu goleirão se pudesse – disse para descontrair e ganhou um sorriso aliviado de Hermione.
Menos surpresa com aquela situação, Hermione testou o terreno, pegando na mão de Rony novamente. Ele não se afastou, mas continuava tenso, encarando Matt como se fossem dois leopardos demarcando território.
-Rony, vamos, amor. Estou com sono e quero ir para casa com você. – disse doce, esperando acalma-lo um pouco.
Ele olhou de Matt para ela e aliviou a expressão ao encontrar apenas sinceridade em seu rosto. Jogando toda a raiva e tensão para longe, ele passou o braço em sua cintura e beijou-a. um beijo de tirar o fôlego, porém rápido. Só para lembrar a ela que tinha dono.
-Vamos. – com um rápido aceno, Hermione apressou-se a sair de la, com ele.
Hermione respirou fundo quando o vento frio da noite os atacou tão logo saíram do bar. Que coisa louca a ceninha de Matt!
-Acho que Gina e Harry já foram - ela disse para quebrar o clima, enquanto ele mantinha-se calado.
-Não, eles estão lá dentro, eu os vi esperando por nós. – ele disse sem olhar para ela.
-Vamos esperá-los? – perguntou testando sua paciência.
-Tem outro jeito? - ele alfinetou e ela achou melhor não responder.
– Rony...
-Depois, Hermione – ele disse sério.
Não queria brigar, de verdade, ele não queria criar uma cena. Seu ciúme ainda era o mesmo, mas ele tinha que controla-lo, afinal, ela não tinha nada a ver com a forma que ele se sentia.
Ela tentou não se magoar. Tentou de verdade. Ele estava com raiva de Matt e ela também. Quanta audácias! Sabia que ele tinha uma paixonite por ela, mas não era mais que isso. Talvez se não fosse tão mimado e acostumado a ter tudo o que quer, ele nem ligasse para ela.
-Eu nunca o incentivei – ela disse querendo esclarecer tudo de uma vez.
-Agora não, Hermione – ele disse com voz perigosa, que alerta para uma briga a caminho.
-Acho melhor ir para casa dos meus pais essa noite - ela soltou sua mão, e ajeitou os cabelos, triste pela forma como ele a tratava.
Não tinha culpa de Matt ser um idiota.
-Só estou com raiva, Hermione - ele disse ainda sem olhar para ela – Não é de você, então, por favor, me dê um minuto para isso passar. Depois conversamos.
Hermione concordou, mas não podia dizer que estava feliz com isso. Irritada, se afastou ficando bem longe, olhando para a rua vazia, com os braços cruzados, batendo o pé insistentemente na calçada. Ele não fez sequer um movimento para reaproximação.
Poucos minutos depois Gina e Harry saírem se abraçando, e Rony olhou-os tão feio que os dois se afastaram imediatamente.
-Eu levo Gina para casa – Rony disse seco, e distante, pensando em outra coisa – Você vai pra sua casa, Harry, está tarde.
-Qual é, Rony? – Gina disse ficando corada de indignação na mesma hora – Está cedo, não é nem meia noite ainda! Falei com a mamãe e ela sabe que vou chegar tarde e que estou com o Harry!
-E ela sabe para onde estão indo? – ele perguntou cínico.
-Para sua informação – ela disse saboreando as palavras – sabe, sim. Eu contei para a mãe que estamos... - limpou a garganta esperando que ele entedesse. – agora se me der licença, eu vou ficar com o meu namorado maravilhoso! – ela disse cheia de sorrisos.
-Nós estamos indo para casa então – Hermione disse, cheia de ficar ali brigada com ele – Tenham uma ótima noite.
Os dois aparataram, sobre o olhar duro de Rony e Hermione olhou para ele na expectativa.
-Vem - ele pegou sua mão e a trouxe bem pertinho, abraçada em sua cintura, enquanto aparatavam.
Os dois surgiram no jardim, onde era possível aparatar e ele a soltou no minuto seguinte ao entrarem na casa.
Estava tudo silencioso e as luzes desligadas provavam, que o casal Wesley estava dormindo.
-Rony – chamou baixinho, sem poder evitar.
-O que? – ele respondeu de má vontade.
-Quer que eu pegue alguma coisa para você comer?
-Não – ele disse mais suave diante da sua preocupação. Ele tinha uma dieta rigorosa imposta pelo quadribol e tinha que se alimentar com determinada quantidade de calorias diárias para manter a energia para os treinos. – Suba, eu pego alguma coisa pra gente.
Ela subiu um pouco contrariada. Já dormira naquela casa dezenas de vezes, mas era a primeira vez que fazia isso no quarto de um dos filhos da dona da casa. Com receio de ser ouvida, e ter que ter algum encontro constrangedor com algum familiar ela entrou no quarto o mais silenciosa possível.
O mesmo quarto de sempre, só que com a ausência de uma das camas. Havia sido removida e colocada em um quarto extra, para visitas. Com o passar do tempo, e as melhorias feitas pelos filhos, cada um tinha seu quarto e a Toca possuía um desconfiável terceiro andar torto.
Apesar do constrangimento inicial, ela sentia-se a vontade naquele quarto pequeno. Enquanto esperava Rony juntar-se a ela, Hermione deixou a bolsa sobre uma poltrona e tirou o casaco. Com a varinha em punho conjurou alguns objetos de uso pessoal que estavam em seu quarto, na casa de seus pais, e quando eles surgiram sobre a cama, ela lembrou-se de conjurar um bilhete para sua mãe, avisando que dormiria na Toca.
Sua mãe imaginava que passaria a noite fora, ou pelo menos parte dela, mas não custava ser responsável e evitar possíveis preocupações desnecessárias.
Tirando da nécessaire a camisola, ela pegou-se pensando que nunca antes tivera uma noite tão corretinha ao lado de Rony. Era a primeira vez que se prepararia para dormir ao seu lado, que vestiria uma camisola, e deitaria ao seu lado para dormir. Normalmente eles faziam amor, e só então despencariam na cama, e o sono viria antes que pudessem se trocar e muitas vezes, se falar!
Sorrindo dessa lembrança, esticou a pequena camisola sobre a cama e colocou a calcinha sobre ela. Ajeitou os cabelos, deixando-os soltos e bem penteados e começou a se despir.
Era estranho como estar apaixonada fazia dela uma garota boba nos momentos mais imprevistos! Estava se preocupando com detalhes que normalmente Rony sequer se importava!
Ele gostava de ter sua namorada perfumada e arrumada para ele, mas também entendia se estivesse amassada e despenteada após um longo dia de trabalho. Era por essa simplicidade que ela o amava tanto.
Sem artifícios, sem falsidade. Se Rony gostar de algo, ele dirá. Se não, ela será a primeira a saber! Não era uma garota tão experiente a ponto de afirmar que outros homens não eram assim também, mas pelo que sabia, e ouvia de outras pessoas, a maioria não é.
A maior exigência da vida de Rony, era pela sinceridade. E para ela, era algo fácil de aceitar, pois também prezava a verdade acima de tudo.
Achando ter ouvido passos no corredor ela apresou a passar gloss nos lábios e a agir como se não estivesse arrumando-se para ele. Era uma bobagem, mas não queria que ficasse vaidoso demais.
Achando ter ouvido uma porta abrir e vozes ela se aproximou da porta para ouvir o que era.
-Oi, mãe. – era a voz de Rony com uma ponta de impaciência.
-Chegou bem, meu filho? – a sra.Wesley perguntou e recebendo a resposta que queria, pois bastava ver o filho na sua frente, inteiro e saudável para saber ela continuou falando muito baixo em tom de cochicho – Hermione está com você?
-Está no quarto – ele disse ainda com o mesmo tom de impaciência – Ela vai buscar as coisas dela amanhã.
-Já?
Era possível imaginar a expressão contrariada dela.
-Mãe. – ele disse em tom de aviso.
-Eu sei, meu filho, eu sei – ela disse com complacência e Hermione sentiu-se mal por estar impondo sua presença – Sabe que não é nada contra Hermione, não sabe, Rony? – ela disse com aquele tom mãe que ela sempre apreciara na matriarca – Só é difícil vê-los crescerem. Só é difícil vê-los crescerem... – ela repetiu, e Hermione ouviu o som de um beijo estalado e então a porta se fechar.
Ajeitando a camisola recém vestida, ela esperou a porta abrir.
Rony entrou e fechou a porta olhando para ela com um meio sorriso. Era um debochado, pensou, rindo de seu constrangimento. Ele colocou a bandeja sobre a mesa onde estavam pergaminhos e outros objetos pessoais e virou-se para ela.
-Preparei um sanduíche para nós – ele disse ainda distante demais.
-Eu não estou com fome – ela disse sem desviar os olhos dos dele. – Pode ficar com o meu. – Desconfortável era uma boa palavra para descrever como se sentia. Ainda mais ao notar que se esquecera de tirar as meias.
Nossa, que coisa mais sexy. De camisola, com meias pretas listradas.
-Minha mãe sabe que está aqui – ele avisou cruzando os braços e parecendo se divertir com sua situação.
-Eu ouvi – ela disse sem pensar.
-Ouvindo atrás das portas, Hermione? – ele brincou, mas para ela era sério – Ela não lida bem com a idéia de nos ver crescer – ele explicou – mas está superando.
-Minha mãe não é tão protetora. Sabe, ela pensa em netos e... – parou ao notar o que dizia. Praticamente contara a ele de seus planos de casamento. -... Um dia, claro.
-Hermione? – ele chamou em tom de aviso – Nós já passamos dessa fase, não é? De não poder falar de certos assuntos, ou ficar com vergonha de certas coisas... Vamos nos casar e sua mãe pode esperar netos.
-Eu sei disso – disse cruzando os braços arrependida – Você fala, mas me tratou como se tivesse culpa do interesse do Matt!
Ele respirou fundo, cruzando os braços também.
-Sei que não tem culpa – admitiu – mas podia ao menos ter me contado!
-Por quê? Queria que eu estragasse os poucos momentos que temos juntos falando de outro homem? Ainda mais um que não significa nada para mim?
-Não entende, Hermione, como é difícil sufocar o ciúme e ficar longe de você. Eu sei que tem caras interessados e te paquerando. E não posso fazer nada. Estar perto seria um modo de lembrá-la do que sentimos um pelo outro, mas não estou perto. Não estou.
-Eu também tenho meus medos, Rony. – ela disse baixo, ele olhou-a. – É um rapaz conhecido, famoso. As mulheres o querem, o idolatram. O mundo onde você vive é muito glamuroso e sofisticado. Sou apenas uma auror, carregando livros e mais livros e passando os dias lendo enquanto você joga, viaja e conhece mulheres lindas e disponíveis. Vive aventuras enquanto estou enfurnada em uma sala, esperando que nada de ruim aconteça e que me esqueça!
-Como se isso pudesse acontecer. Tenho planos para nós, Hermione. Acha que penso em casamento com qualquer uma?
-Não – ela negou, insegura – Do mesmo modo que não penso em casamento com qualquer outro. Mas se você tem medo de me perder, porque eu não teria medo de perdê-lo? O amor é igual para os dois lados. Não se esqueça disso.
A pitada de rancor em sua voz, por culpá-lo pelo ciúme, irritou-o.
-Eu não esqueço.
-Rony... Eu quero só dormir – ela disse depois de um longo silêncio permeado de magoas – Podemos conversar sobre isso amanhã?
Rony pareceu dividido entre o desejo de brigar e o desejo de pedir-lhe para ter aquela noite para eles. Mas desistiu de ambas as idéias. Não iria pressioná-la por sexo, quando obviamente os dois estavam tocando numa ferida.
Fim dalinha, ele perfeu o que tanto queria.
Obserfvou-a deitar-se e não disse mais nada. Hermione virou de lado, pousou o edredon até a cintura e ficou quieta esperando que ele se preparasse para dormir. Quienta, esforçou-se para não reparaer demais.
Não demorou muito, Rony entrou sob o edredom e a luz foi apagada.
-Boa noite, Rony – ela disse no escuro, afastando-se dele, impondo distancia.
-Boa noite, Hermione – ele respondeu num tom pedichao que ela ignorou totalmente.
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Nc no capitulo 2 ...heheheh