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ATENÇÃO: Esta fic pode conter linguagem e conteúdo inapropriados para menores de idade então o leitor está concordando com os termos descritos.

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3. (Can't Find) My Way Home


Fic: Garota Infernal


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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3. (Can't Find) My Way Home

Ignorando as regras de educação - como sempre, se me permite dizer -, aparatei logo em frente ao portão de Hermione. A típica casinha Hosgsmeadeana(?) tinha algo de difrente das outras, Hermione, de alguma forma, conseguira deixar sua marca ali. Caminhei sem pressa até a porta e ergui minha mão para a madeira escura, mas a porta se abriu antes que pudesse tocar sua superfície.

- Detector de visitas, você sabe. - disse ela sorridente. - Oi.

- Oi.

- Entre.

Eu entrei. O interior do local era clássico, mas eu não conseguia decidir se era elegante ou simples. Era um misto aconchegante e bonito dos dois, assim como Hermione. Ela me deu um momento para apreciar sua bela sala de estar, jantar e cozinha.

- Achei que teria mais livros. - provoquei.

- Tem. Na biblioteca.

- Você mora do lado de Hogwarts e fez uma biblioteca em casa? T_T

Ela me ignorou.

- O que é isso? Você trouxe bebida?

- Ah, sim. - eu disse repentinamente me lembrando da garrafa de vinho que carregava. - Você sabe, as meninas trazem a comida e os meninos a bebida.

Hermione balançou a cabeça, mas sorriu. Ela examinou a garrafa por um longo momento e depois abriu um sorriso ainda maior.

- Você não entende nada de vinho, não é?

- Er, tenho pressentimento que trouxe algo errado...

- Yeah... isso não serve pra beber. - ela me olhou. - Mas não se preocupe, eu tenho outra coisa.

- Ótimo.

- Tire o casaco... pendura aí na sala mesmo.

Eu vi Hermione ir até a cozinha – de onde um cheiro não-identificado mas muito bom vinha com uma onda de vapor – e segui seu conselho. Tirei meu casaco jogando-o no sofá. Hermione começou a dizer alguma coisa sobre o jantar, mas eu não estava realmente prestando atenção porque eu vira sua estante. Fotos... muitas fotos bruxas...

Hermione e seus pais, Hermione e pessoas que eu não conhecia, Hermione e alunos de Hogwarts... e Hermione e minha família. Hermione e MEUS pais. Hermione e MEUS irmãos. Hermione, Harry e Ron. Hermione e Harry, MEU ex-namorado. Hermione e Ron, MEU irmão.

- Essa é ótima, não é?

Me sobressaltei. Eu estivera tão perdida que nem percebi ela se aproximar. Agora ela apontava para uma foto onde George e Carlinhos passavam de um para o outro o chapéu que era de Hermione, e esta sorria alegremente, esperando o acessório voltar a sua cabeça.

- Você os vê com frequência?

- Mais ou menos. Você sabe, todo mundo trabalha e tem sua própria vida pra cuidar, mas sempre que podemos marcamos alguma coisa.

- Hum.

- Você deveria ir vê-los.

- A comida tá pronta?

Hermione suspirou.

- Você gosta de peixe?

- Eu meio que prefiro carne de porco com fritas, sabe. - resmunguei. - Mas sei apreciar peixe também.

- Típico. - disse Hermione sorrindo.

A mesa redonda, que ficava entre o balcão da cozinha e a sala, estava posta para as duas e uma travessa acrílica continha postas douradas de um peixe com pedaços coloridos de legumes e um caldo ligeiramente dourado. Havia uma salada também colorida, coberta com pedaços de queijo, e no centro do prato um molho meio rosado que me lembrava indigestamente de sangue de strigoa. Argh.

Hermione tomou seu lugar e eu me sentei à sua frente. Ela me olhou com curiosidade enquanto eu me servia.

- Não se preocupe. - ela disse. - A sobremesa é banhada de crème, chocolate e outras coisas.

- Não. Eu gosto de queijo. - disse, sorrindo. - Então, as novidades? Posso saber como você acabou ensinando em Hogwarts?

- Eu terminei a escola, como você sabe. E eu ainda não tinha muita certeza do que ia fazer, mas eu sabia que queria ser uma Animaga, por isso fui estudar Transfiguração. A cada nível que eu avançava, eu percebia como essa matéria é fascinante, acabei me decidindo por isso. A professora que veio depois de McGonagall saiu uns cinco anos depois, a vaga estava livre e aqui estou eu.

- Eu nunca te imaginei como professora. Não que você não seja chata o suficiente pra isso, mas...

- Muito engraçado.

Sorrimos.

- E você? Como você foi parar nessa vida estranha?

- Você sabe que eu até gostei dessas coisinhas coloridas, o molho é agridoce, muito bom.

Hermione suspirou.

- Sem perguntas pessoais?

- Sem perguntas pessoais. 

***

- Então... ahn... obrigada... por tudo. O jantar estava uma maravilha. A sobremesa, principalmente. - acrescentei levantando o pequeno embrulho com doce que Hermione fizera para mim.

- Temos que fazer de novo.

- É... a gente combina.

- Sim.

- Então... eu estou indo... você sabe...

- Claro...

Me virei para Hermione e comecei a andar, a fim de aparatar ao menos do lado de fora do portão dela, mas a meio caminho dele eu me lembrei de uma coisa.

- Você não me disse... em que animal se transforma...

- Ahn. - disse Hermione. - Um gato.

- Típico. - provoquei.

Sorri e acenei mais uma vez e me virei para ir embora novamente, mas dessa vez Hermione foi quem me interrompeu.

- Gina... você deveria falar com eles.

- Desculpe, Hermione – eu disse sem me virar. - , mas acho que isso não é da sua conta, né?

- Eles são sua família. Não importa o que aconteça, eles estão lá no final.

- Sério? - me virei bruscamente. - Porque quando eu mais precisei nenhum deles esteve! Nenhum, Hermione! Nem você! Quando mais precisei, eles só pioraram tudo! Se eu sobrevivi naquela época sem eles, agora é que eu não preciso, ok? Cuide da sua vida, porque da minha cuido eu, falou?! 

E aparatei.

Não aparatei logo no hotel. Eu estava muito irritada e queria andar pra espairecer um pouco. Se Draco viesse com alguma gracinha, eu o azararia e queria evitar isso. Bem... talvez fôssemos algo mais algum dia... talvez conseguissimos algo estável.

Eu gostava dele. Não era apaixonada nem nada, mas eu gostava dele. Éramos amigos, eu acho, e o sexo era muito, muito bom. O que mais se pode querer de uma relação? Tudo bem que eu não sei se conseguiria desistir de garotas por causa dele, mas, você sabe, nada que um Ménage à trois não resolva.

WTF, GINA WEASLEY?

Ok, finjam que eu não disse isso.

Eu balancei a cabeça pra espantar esses pensamentos pervertidos, horríveis, esdrúxulos... e interessantes... da cabeça e isso fez com que meus olhos caíssem diretamente em uma janela de uma casa residencial.

Havia uma garotinha já vestida em roupas de dormir e uma mulher bastante jovem que argumentava com ela. A menina chorava e pedia para que a mãe não a deixasse sozinha no quarto, alegando haver... um monstro lá.

Eu parei uns minutos para assistir. A mãe, primeiro, tentou acalmar a menina, mas como não conseguiu, recorreu à violência e trancou a garota no quarto. A pequena menina encolheu-se na cama e continuou chorando. Provavelmente era só uma birra, mas algo me prendeu a atenção.

Balancei a cabeça novamente. Era só o que faltava, eu virar algum tipo de monstromaníaca. 99,99% das crianças que têm medo de monstros debaixo da cama, tem medo à toa. Continuei meu caminho, mas assim que dei um passo, as luzes dentro do quarto piscaram. Olhei de volta e a menina continuava encolhida na cama. Não fora ela. Esperei e nada aconteceu. Estranho.

Balancei a cabeça mais uma vez e continuei meu caminho, dessa vez aparatando dentro do meu quarto. Aparentemente o hotel tinha algum tipo de encanto que permitia a aparatação exclusiva do hóspede em seu quarto após o registro.

Eu não estava com sono, por isso decidi ir ver meu quase-namorado que encontrava-se no quarto à frente do meu. Entrei e encontrei Draco jogado na cama folheando o jornaleco local. Ele estava sem camisa e eu tive que me concentrar para não dar à entender que queria mais uma madrugada em claro. Poderíamos ser explusos daqui ou eu morreria de cansaço. Provavelmente os dois.

- Como foi o jantar com a Sangue-Ruim?

- Bom. - respondi com uma careta.

- É, ela cozinha pior do que eu esperava.

Sorri. Em apenas um movimento, eu tirei a calça, os sapatos e amarrei meu cabelo frouxamente. Enquanto isso, conversei com Draco.

- Ela mandou um doce pra você.

- Mandou?

- Bom, eu não disse que era pra você especificamente. - dei de ombros pousando o embrulho sobre a mesinha ao lado da cama. - Nós discutimos no final.

- Por quê?

- Família. Ela fica se metendo, dizendo que tenho que procurar eles e essas coisas.

- Ela sabe por que vocês brigaram?

- Sabe. Mas acha que tenho que perdoar. O sangue é maior e blá blá blá.

- Besteira.

Sorri. Draco e eu nos aproximamos tanto, eu acho, muito por causa de nossos passados em comum. Por motivos totalmente diferentes, nossas famílias fizeram muita merda durante a guerra e nos machucaram de um modo que eu nem podia descrever. Nós não aceitamos, nos rebelamos e viramos crianças sem destino. Ele entendia a minha mágoa.

- Eu vi um caso em potencial hoje... - lembrei-me instantaneamente da garota em Hogsmeade. - Mas não sei... talvez seja só birra de criança.

- O que você viu?

- Uma criança reclamando de um monstro no quarto... e depois luzes piscando. As velas apagaram e ascenderam sozinhas.

- Pode ser... ou pode ser só a criança manifestando magia descontrolada, por causa do medo e tudo o mais.

- É...

Me deitei com ele, que ainda lia o jornal, e me encaxei em seus braços. Nenhum de nós disse mais nada. O braço dele estava estendido, segurando o jornaleco, e a marca negra estava pulsante ali, me encarando. Eu ainda a achava feia, mas não mais de arrepiar. Eu – e todos os outros caçadores – vemos coisas horríveis diariamente e podemos assegurar que uma marca ridícula criada por um excelente bruxo, mas completamente imbecil, não era a marca mais tenebrosa do universo.

Do punho, eu passei para as mãos. Draco tinha mãos grandes e firmes e oh Deus, ele sabia me tocar – não pude evitar o pensamento – e braços bonitos também, mas, admito, o corpo dele não era a minha coisa preferida. Draco raramente dava um sorriso sincero, geralmente era escárnio ou piadinhas bobas, mas quando ele realmente sorria... era lindo. Sabe quando uma criança ganha um presente que queria há muito tempo? Então...

Decidindo que já era hora de dormir, me aconcheguei no peito de Draco e fechei os olhos. A última coisa sobre a qual eu pensei fora seu braços, sua mãos, seu toque, seu sorriso.... mas quando sonhei, o objeto de sonho era uma bonita, jovem, mas ainda severa professora de Transfiguração.

- Acorde, bela adormecida.

Eu me espreguicei gostosamente na cama. Os raios de sol repentinamente invadiram minha mente ainda que eu estivesse de olhos fechados e eu enterrei o rosto no travesseiro para contê-los. Para meu completo mau humor, Draco não desapareceu como o sol e sua voz continuou me chamando.

- Bela adormecida é o caralho. - falei sentando-me na cama.

- Bom dia, docinho. - disse ele. - Leia.

- Mas que por...? - eu falei quando ele atirou um jornal para mim. Eu parei de coçar os olhos assim que eles leram a chamada. "MAIS MORTES BIZARRAS EM HOGSMEADE." - Não...

- É... parece que a menina tinha mesmo um monstro debaixo da cama.

- Ela... morreu? - minha voz saiu num simples sussurro enquanto eu passava meus olhos rapidamente pelo texto tentando encontrar a informação.

- Não. Dois adultos. Um homem e uma idosa. A mulher sobreviveu.

- Merda... onde ela está?

- St. Mungus, o que significa que será mais difícil de investigar.

- Perfeito.

- Eu vou descer... ir pro café. Te espero lá?

- É, é...

- Não demora.

- Lar doce lar. - resmunguei massageando minha têmpora, porque havia amanhecido com uma bela dor de cabeça.

***

 

- Nós estávamos perdidos... nos arredores da floresta, nos limites com a outra cidade, e tão cansados. De repente encontramos essa casa... uma velhinha estava cozinhando uma torta cheirosa e Ken e eu não tínhamos comido nada desde o café. Ela ofereceu e... “que mal uma velhinha pode nos fazer?” Entramos e descansamos um pouco, além de comer. O problema é que num minuto ela era uma velhinha simpática e no outro se transformou em um monstro. Bem, eu não... não comi tanto quanto Ken, então eu não estava tão fora de mim. Quando ela estava... mutilando ele... eu a empurrei e corri pra pegar minha varinha em cima da prateleira. Quando me virei... quando eu me virei, ela tinha caído e batido a cabeça no fogão. Ela está morta, não? Eu matei a velhinha?

Draco baixou a cabeça e eu senti seu desconforto. Meu estômago estava revirando também... afinal, velhinhas monstruosas envenenando e cortando pessoas em pedaços não era o modo mais alegre do mundo de se começar um dia.

- Nós realmente, realmente sentimos muito. - eu disse sinceramente. - Se você se lembrar de mais alguma coisa, pode entrar em contato, está bem?

- Hm, detetives... Vocês, por um acaso, encontraram uma garotinha na casa? Parece que eu vi... do lado de fora da janela.

- Uma garotinha? Na casa? - perguntou Draco.

- Você pode dizer como ela era?

- Por quê?

- Se ela for alguma criança desaparecida... é mais fácil encontrar possíveis origens.

- Ahm... ela parecia ter uns oito... pele muito clara. Olhos azuis ou verdes, não sei direito. Cabelo liso e escuro, comprido. Ela era uma criança linda e foi bizarro vê-la naquele momento. Mas talvez tenha sido apenas a poção...

- Talvez. - eu confirmei ainda num tom gentil. - Vamos investigar, não se preocupe.

- Teorias? - perguntou Draco.

- Poderia ser o espírito de uma criança?

- Só tem um jeito de saber...

- Pesquisa?

- Pesquisa. Boa sorte com isso.

- Quê...? - Draco aparatou no meio da minha frase. É, a pesquisa era minha. - Muito obrigada, Malfoy.

Antes de ir para a instigante e deliciosa parte de pesquisa, eu resolvi dar uma passada na casa da garotinha que vira na noite anterior. Sei que é bobagem, mas não podia ser tanta coincidência... precisava saber se ela estava bem.

Assim que aparatei na rua de trás da casa, lancei um olhar amargurado em direção à rua de Hermione. Eu ainda não engolia ela querer se meter na minha vida. Dei a volta na casa e tudo me parecia tranquilo e bem... ou talvez estivesse silencioso demais.

Eu precisava ter certeza.

Sacando a varinha discretamente, fui contornando a construção com o feitiço de detecção de forças ocultas, e penso que teria sido mais útil um feitiço de detecção de inimigos. Ela não só me pegou com a boca na butija, como também me fez tomar um susto lindo.

- Invadindo casas, Gina? - uma sobrancelha ergueu-se em seu rosto exclusivamente para me irritar.

- Aparentemente já tenho concorrência.

Hermione não respondeu com nada além de um sorriso debochado. Ela desceu os degraus com ar superior e me encarou como se fosse algum tipo de juiz que pudesse me condenar por invasão de domícilio. Como que lendo meus pensamentos, ela disse:

- Invasão de domicílio dá cadeia.

- Eu não estava invadindo nada, Hermione.

- Melhor pra você.

- Eu não estava. Eu só fiquei preocupada com a garotinha que mora aí.

Quando eu citei isso, Hermione me surpreendeu. A expressão superior e levemente debochada deu lugar a uma cansada e preocupada. Ela fechou os olhos por um breve segundo e um suspiro mudo fez seu peito subir e descer.

- Então você já sabe.

- Do quê?

- A sra. Calrson, tia da mãe da garotinha que mora aqui, sofreu algum tipo de ataque psicótico. - ela suspirou audivelmente dessa vez. - Atacou um casal de turistas ontem à noite. Saiu no Profeta Diário, você não viu? Não é por isso que você está aqui?

- Eu vi... mas, por que você está aqui?

- Vizinhança, oras. - ela respondeu readquirindo o tom superior. - Com licença, tenha um bom dia.

Já vai tarde, pensei comigo mesma.

Virei-me para a casa novamente e na mesma hora alguma espécie de relinchar soou na minha mente. Burra, burra, burra Ginevra!

- Hermione?

Hermione virou-se para mim, já a vários passos de distância, e encarou-me como se pensasse que eu demorara demais para chamá-la de volta. WTF?

- Estou esperando, Gina.

- Eu preciso de um favor. - juro que tentei não ser arrogante, mas também não deixei a guarda baixar.

- Um favor?

- Eu preciso entrar na Seção de Registros Oficiais do ministério...

- Por que você iria querer isso?

 - É importante. É sobre a Sra. Carlson.

 - Você acha que... talvez seja um caso?

 - Sim, e preciso checar possíveis crimes que resultariam em espíritos vingadores. Você pode me colocar na Seção?

- Não.

- Ah.

- Mas eu posso te conseguir a informação.

- Obrigada.

- Do que, especificamente, você precisa?

- Ahn... crianças de cabelo escuro e pele pálida, desaparecidas ou mortas. E número de crimes e mortes infantis em Hogsmeade.

- Certo. Em quanto tempo?

- Ahn... tipo, sempre.

- Você está ciente que aquela escola bem ali, - Hermione, dramaticamente, apontou para a figura de Hogwarts desenhada ao alto. - está aqui há mais de mil anos?

Eu apenas me encolhi num gesto que dizia 'fazer o quê'.

- Te mando por correio.

- Obrigada.

- Não agradeça, não é por você. É por eles. - lançou um olhar a casa atrás de nós.

- Blá, blá, blá.

Por incrível que pareça, trabalhar com Trouxas é realmente mais fácil e rápido. Um pouco de magia aqui, um pouco de charme ali e você entra onde tem que entrar e faz o que tem que fazer. Com bruxos? Burocracia babaca.

Fiquei imaginando se Draco ou a coruja de Hermione seria capaz de me encontrar fora do hotel e acabei concluindo que sim. O Três Vassouras parecia exatamente o mesmo, exceto que Madama Rosmerta não era mais uma quarentona atraente, mas uma cinquentona completamente enxuta.

Enxuta, Ginevra? Enxuta? Sem comentários.

Quando o firewhisky desceu pela minha garganta eu senti um incomodo por estar novamente no mundo bruxo. Não que eu não goste dele, não é isso, é só que não há nada que faça sentido aqui, nada que me prenda aqui. No mundo Trouxa, ao menos, eu posso fazer a diferença na vida das pessoas.

Se eu sinto falta de algo mágico? Quadribol.

É a única coisa que se eu pudesse continuar praticando, eu continuaria. Draco e eu as vezes, quando nos encontrávamos, jogávamos alguma coisinha em nome da boa e velha rixa estudantil, mas nossos humores ficavam estranhos após essas voltas ao passado, por isso acabávamos deixando pra lá.

Eu não sei exatamente como Draco & Eu aconteceu, mas eu sei que ele era mais do que um mala riquinho. Bem, claro que o dinheiro Malfoy vem totalmente à calhar. Se não fosse por ele, eu teria que me virar pra conseguir dinheiro, o que me tornaria, além de uma “vagabunda egoísta” nas palavras de minha própria mãe, uma ladra.

Beh. Vagabunda egoísta está bom o suficiente pra mim.

Quando eu acabara de pedir uma segunda dose de bebida, meu celular tocou e uma coruja voou para mim exatamente ao mesmo tempo. Hermione rapidinha.

- Sem enxofre, mas alguma coisa sobrenatural definitivamente esteve aqui. O EMF ficou insano perto da janela. - disparou Draco sem cerimônia.

- Espírito compulsor, então.

- Você conseguiu os números?

- Estão nas minhas mãos, na verdade. Número de mortes infantis de normal a baixo.

- Quantas garotas morenas de pele clara desaparecidas?

- Adivinha.

- Nenhuma.

- Zeeero!

- Quantas garotas morenas de pele pálida mortas?

- Zero.

- Zeeeero!

- O que vamos fazer? Não há vítimas para conectar.

- Bom, podemos visitar a família da Sra. Feiticeira Malvada, apenas lembre-se de não comer nenhum doce. Me encontre no hotel.

Virei o último gole de firewhisky e joguei fora a carta que Hermione tinha me enviado. Aparatei quase em cima de Draco e ele deu um sorriso irritado ao me ver.

- Alguém está tendo um dia agitado. - disse ele acenando com a cabeça para a recepção.

- Puta que o pariu, Hermione!

- Não é exatamente o que eu esperava ouvir.

Rony Weasley, meu irmão que eu não via há anos, estava ali na minha frente. Em carne, osso e charme Weasley.

- O que você estava pensando quando voltou e não avisou ninguém?

- O mesmo que eu estava pensando quando fui embora avisando todo mundo e ninguém se importou.

Ele suspirou.

- Vamos tomar uma cerveja amanteigada?

Eu o encarei incrédula por um longo minuto.

- Não, Rony. Não podemos tomar uma cerveja amanteigada!

- Precisamos conversar.

- Você vai se desculpar?

- Bem, não, eu...

- Então não precisamos conversar.

- Nós somos adultos aqui, certo?

- Aparentemente. Olha Rony, eu estou no meio de um dia de trabalho. Você não tem mais o que fazer, não?

 - Não. Eu tirei uma folga apenas pra te ver.

- Por que nossos pais não vieram?

- Eles... achei melhor conversar com você primeiro.

- Eles nem quiseram, Ron. - eu disse, cansada da pequena discussão. - Aproveite o seu dia de folga.

E, puxando Draco para mim, fiz uma Aparatação em frente a casa dos Carlson.

- É aquela ali.

Eu não fiz mais nada além de subir os degraus da casa e Draco também não falou nada. Eu gosto de pensar que nós escolhemos nos tornar caçadores pra ajudar as pessoas, mas a verdade é que cuidando o tempo todo dos outros, não temos tempo pra cuidar da gente. Sem contar, é claro, que o serviço permite algum tipo de vingança psicológica maluca.

- Ninguém em casa. - sentenciei.

- Eles devem estar cuidando do funeral. - eu disse, confusa. - Nós precisamos de um plano B, e um C provavelmente.

- Talvez não seja nada sobrenatural, afinal.

- Impossível. O EMF ficou maluco, eu vi a sobrinha-neta da velhinha maluca reclamar de monstros, eu vi as luzes piscarem e... só pode ser um caso.

- Yeah, mas não houveram mais vítimas e nem mesmo temos qualquer teoria. Coisas ruins as vezes só acontecem, sem nada demais.

- Talvez.

- Não se preocupe, ok? Vamos apenas focar nas pesquisas sobre Hogwarts. A volta das aulas estão aí e não encontramos nada ainda.

- Hogwarts. - murmurei descendo as escadarias quase correndo.

- Aonde você vai?

- Resolver um assunto. Te encontro no jantar.

Assim que saí da zona protegida, aparatei imediatamente em frente a casa de Hermione. Eu não sei se ela abriu quase que imediatamente porque eu estava praticamente esmurrando a porta dela ou se por causa do feitiço detector.

- Oi?

Não respondi. Não a encarei. Entrei em sua casa. Hermione, ainda um pouco chocada, fechou a porta e me seguiu.

- Ahn, você vai ser rápida? Eu meio que estou um pouco ocupada.

Ignorei novamente.

Em cima da mesa onde havíamos jantado no outro dia estavam vários papéis, livros e um rolo novinho de pergaminho. Dois tinteiros e três penas jaziam ao lado de uma varinha que eu nunca tinha visto antes. Ela devia estar estudando ou algo do tipo.

Hermione estava vestida tão formalmente que eu me assustei com o peso de quem tínhamos nor tornado mais uma vez. Uma camisa feminina azul bebê cobria a parte de cima de seu corpo enquanto que uma calça preta dava um ar social. A coisa mais casual era o cabelo puxado para trás não tão minuciosamente.

- Você precisa de ajuda com mais alguma coisa? - perguntou.

- Por que você não cuida da sua própria vida? Por que você teve que ir falar com o Rony? Foi algum tipo de vingancinha por eu ter gritado com você?

- Eu não faço vingancinhas, Gina.

- Então só fofoca mesmo!

- Eu falei com seu irmão porque achei que -

- Quem você é pra achar alguma coisa sobre a minha vida, Hermione?

- Eu fiz o que achei certo e não vou pedir desculpas por isso.

- Sabe-Tudos sempre sabem o que é certo, não? Você não é mais monitora, você não é mais a colega com as respostas, você não está mais em Hogwarts, Hermione! Você não manda mais em mim!

- Você clama tanto pela sua própria liberdade de escolha, Gina, por seu direito como adulta e dona de si, mas se porta exatamente como quando tinha 16 anos.

- Você não estava lá pra saber! - gritei. - Nenhum de vocês estava!

- Só porque estávamos ocupados demais salvando o mundo – onde incluem-se seus amigos, familiares e a si própria. - pra lidar com sua crise adolescente! A vida não é um conto de fadas, princesinha ruiva!

- Vá se foder. - sibilei. - Vá se foder muito! Você não sabe o que eu passei, você não tem direito dar palpite. Você nem ao menos ficou do meu lado quando eu quis procurá-la, você nem ao menos me apoiou. Você nem a conhecia! - acusei. - Então você não pode me dizer uma palavra sobre isso.

- Não são os seus sentimentos ou relacionamentos que estou discutindo, Gina, mas sim suas atitudes. Você lida com tudo da forma errada.

Eu estava preparada para gritar, xingar, dizer todos os palavrões que conheço e até inventar alguns, mas uma garota de uns 13 anos saiu do banheiro de Hermione, me impedindo de continuar.

- Professora Granger? Tem... visita?

- Já continuamos, Ana. Só um instante.

Eu fui até a porta ainda contrariada, abri e encarei Hermione mais uma vez. Eu podia ver que no fundo ela rezava para que eu não falasse nenhum palavrão na frente de sua querida aluninha. Lancei um olhar rancoroso à menina, que estava vestida toda de vermelho, e disse baixinho:

- Sabe... tudo que eu queria só era você.

 

***

 

- Sim, precisamos de um plano B. - disse Draco assim que me sentei a sua frente no restaurante ainda para o almoço.

- O quê? Você não espera nem eu chegar e -

- Não temos tempo. Outra morte bizarra aconteceu, Gina. Logo depois que você saiu.

- O que houve dessa vez? - perguntei começando a folhear um cardápio nada variado.

- Ataque de lobisomem.

- Quê? Mas você disse que -

- É. Foi agora há pouco. Nada de lua cheia e em pleno sol. Pedaços dos rins, do fígado e do intestino da vítima foram arrancadas. Na verdade, a barriga da mulher ficou toda aberta e exposta.

- Argh. Bem, temos dois casos para conectar, pelo menos.

- O problema é que não tem nenhuma conexão. Eu verifiquei. O casal da velha maluca era de outro estado, e estavam apenas de passagem. Já no segundo caso, a mulher vivia aqui há anos.

- Mas... ambos casos são bizarros demais para não terem liga - What the fuck...?

Eu fiquei de pé de repente. Através da janela, atrás de Draco, eu pude ver três camundongos correndo para dentro da casa em frente. O que me chamou a atenção, no entanto, fora que eles entraram numa abóbora.

Draco me seguiu para fora e continuou chamando meu nome vulgo: interrompendo minha linha de raciocínio enquanto eu andava para a casa. Ela estava quieta e simples, e, felizmente, a porta ficava do outro lado.

- Você viu algo de diferente enquanto me esperava?

- Ahn... uma gostosa e uma adolescente chegaram com compras e só. Por quê?

- Eu tenho uma teoria.

Quando eu peguei minha varinha e apontei para a tranca da porta, Draco segurou minha mão.

- Você quer invadir? Está louca?

 - Fazemos isso o tempo todo!

- Não em casas magicamente protegidas!

- Você é um covarde, Malfoy. - balancei a varinha e a porta se abriu. - Você trouxe alguma arma?

- Tchanam o/

Ele ergueu um saleiro.

- Você roubou um saleiro! Não me diga pra não invadirmos casas.

Tudo dentro da casa estava em sua mais perfeita ordem, exceto que encontramos a adolescente que Draco vira amarrada com cordas à mesa da cozinha.

- Você está bem? - Draco perguntou desamarrando a menina. - O que houve?

- Minha madrasta ficou louca! Por favor, me ajudem. Ela gritou comigo, me bateu e depois me prendeu.

Eu estava observando o local ao meu redor e os três ratinhos ainda estavam circulando a abóbora que eu tinha visto do restaurante. Ela estava fechada e provavelmente seria consumida, não preparada para o halloween, até porque essa data ainda estava longe.

A cozinha tinha um comôdo extra que era usado como pré-sala e levava à sala de onde tínhamos vindo, e eu vi, nesse exato lugar, uma garotinha de cabelos negros, pele pálida e olhos verdes. A mesma menina que a vítima do primeiro ataque descrevera.

- Draco. - sussurrei.

A garotinha pareceu me encarar e então foi para longe. Eu a segui. Era uma coisa estúpida a fazer já que eu não tinha nenhuma das coisas que pode machucar um espírito – a varinha é completamente inofensiva a eles -, mas ela, sinceramente, não parecia ter a intenção de me machucar.

- O que você quer? - perguntei quando ela, já na sala, parou e me encarou. - Quem é você?

E então PUF, ela simplesmente desapareceu, deixando uma maçã em seu lugar.

- WTF? - perguntou Draco chegando até mim já com a garota liberta.

- Eu definitivamente tenho uma teoria.

- E qual seria?

- Você disse que checou a nova vítima... a dos rins e tal... por um acaso ela tinha uma neta?

- Tinha. Na verdade, ela parecia estar indo buscar a neta em um curso ou algo parecido. Mas como você -

- Contos de fadas bizarros. Vem.

- Contos de fadas bizarros? Do que você está falando?

- Um garoto e uma garota perdidos em uma floresta, encontram uma velhinha simpática que oferece doces e depois tenta cozinhá-los... João e Maria. Uma madrasta maluca que maltrata a enteada. A abóbora e os ratos que se transformam em carruagem... Cinderela. E um lobo mau que ataca uma vovózinha... Chapéuzinho Vermelho.

- Mas, mas... isso são contos de fada Trouxa?

- Sim, são.

- Mas todo conto de fada não termina com 'felizes para sempre'?

- Bom, nos filmes da Disney sim, mas nas histórias originais... havia sangue, morte, sexo, violência. Não era pra criança. Esse espírito está tentando dizer algo, e como ela é uma criança, está usando os meios que conhece.

- Ok, então ela está recriando tudo, mas com finais macabros.

- É. A maçã... Branca de Neve tinha uma madrasta malvada, ela envenenou uma maçã e deu para a Branca de Neve comer.

- Só que a maçã não matou a garota, matou?

- Não. Só colocou em um sono profundo.

 - Coma.

- Exatamente. Bem, só sabemos que ela é Trouxa, ou de origem Trouxa. Algo assim.

- Ok, eu vou investigar. Você tem que ir atrás da chapéuzinho. O que acontece na história depois da vovó ser devorada, é que o lobo tenta devorar a neta também.

- Certo. Temos que ir logo. Me avise assim que achar a menina.

Draco segurou sua varinha para aparatar, mas algo na minha mente trabalhou rápido e me fez pará-lo.

- DRACO!

- O quê?

- Você disse que a neta da senhora que morreu estava num curso?

- É. Por quê?

- Faça o que for, mas ache a garota espírito, Draco! Eu cuido da chapéuzinho. - exclamei rapidamente antes de desaparatar.

Chegar até a porta da casa só levou segundos, mas pareceu uma caminhada longa e lenta. Para meu completo horror, quando eu alcancei a madeira e me preparei para esmurrar a porta com ainda mais força do que na vez anterior que estive ali, ela rangeu e abriu rapidamente, porque já estava quebrada.



- HERMIONE!

 

N/A: Então menines, preciso dizer que esse capítulo é muito baseado no melhor episódio de Supernatural *-* 
Aliás, contos de fadas originais me dão medo, ok? Vocês sabiam que na versão original a Bela Adormecida não acorda com um beijo do príncipe? Um rei encontra e ESTUPRA ela? Daí ela fica grávida, nascem gêmeos e o nenem chupa o dedo dela, fazendo a roca sair, e por isso ela acorda!? Tiop, WTF? >.<
Enfim, tá ae mais um capítulo e a fic já tá na metade e ainda não rolou pegação D:
#FAIL

Once again, espero que gostem. Bjs

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Comentários: 2

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Enviado por Lai Prince Slytherin em 06/11/2011

manola, muuuuuuuuuito foda essa parte dos contos de fadas. eu tbm to numa coisa de se inspirar com tudo AUEHUAEHAEUHAE qualquer música, filme, hstória que eu vejo dá vontade de fazer fic AHUAHUAUHA

e, é verdade, quero pegação HUAHAUHAU U_U

parabéns, a fic é ótima *-*

Nota: 1

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Enviado por Tati Krum em 13/03/2011

Mais um desses capítulos fodas q vc escreve...impressionante.

Nota: 5

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