BONUS:
Song com "Welcome to Dying" do Blind Guardian. Leia ouvindo a música que é excelente ^^
Welcome to Dying
“Close to insanity
beyond the realms I've been
at darkest places
I'm crying
‘The dragon flies’ ”
"Perto da loucura
Além dos reinos que estive
Em lugares mais obscuros
Eu estou chorando
"O dragão voa"
Ela estava deitada na cama em meio aos lençóis brancos. Admirava no espelho do teto seu próprio corpo. Alvo, esguio. O espelho era um capricho. O homem ao seu lado também. Fazia três dias. Mas ela ainda absorvia a sensação de estar viva. Tocava a própria pele, respirava fundo. Havia sido difícil. Doloroso ao extremo do que ela poderia imaginar. Ela achou em muitos momentos estar perto de mais da loucura para que fosse novamente sã. Talvez ter se entregue aos braços frios da morte tivesse sido mais fácil. Do que ter ficado daquela forma, naquele lugar. Estremeceu levemente e uma raríssima lágrima escorreu pela face tão bela. Seu mestre estava morto. Destruído pelo garoto inútil. O Lorde das Trevas se fora. O dragão havia voado para nunca mais retornar.
“Something savage
is yearning for me
I'm waiting afraid for the night
what will be
I've lost myself
a few days ago
it's touching my soul
and a vision of past dreams comes true”
“Algo selvagem
Anseia por mim
Estou esperando, com medo á noite
O que será?
Eu me perdi
Alguns dias atrás
Isto está tocando minha alma
E uma visão de sonhos passados se torna realidade”
Ela havia despertado desesperada a encontra-lo. Com aquela angustia constante de quando estavam separados pulsando no peito. Ela sabia que ele ansiava por ela, como toda a noite. E toda noite ela ansiava por ele, mesmo com medo, de que por algum motivo fosse a última noite. E então ela se perdera. Quanto tempo fazia? Dias? Aquilo a estava angustiando, todos os planos destruídos. Seus pesadelos eram reais agora.
“Welcome to dying
I don't let it out
Welcome to dying
Look to the mirror it shows what I am
Welcome to dying
This town must burn now
Welcome to dying
Can't You see the dragon's seed bears in me”
“Bem-vindo a morte
Eu não a deixo escapar
Bem-vindo a morte
Olhe para o espelho ele mostra o que eu sou
Bem-vindo a morte
Esta cidade deve queimar agora
Bem-vindo a morte
Você não vê que a semente do dragão aflora em mim?”
Que tipo de criatura ela era? Estava viva, morta? Aquilo parecia muito a morte. Se fosse ela ficaria satisfeita, satisfeita pela oportunidade de levá-los junto com ela. “Bem vindos à morte” murmurou. Ela era a morte. Aquilo estava gravado em cada parte do seu corpo. Ela sempre fora a morte. Seu rosto no espelho comprovava isso. E agora aquele lugar ia pagar pelo que fizera ao seu mestre. E todos os envolvidos pagariam por isso. Ele poderia ter partido. Mas sua essência vibrava nela. Suas idéias, seus objetivos, sua semente. Tudo isso ainda vivia nela.
“The one who's been before
many times I terrorized this town
many times and here I start again
now I'm stronger and so cold
cold as ice
returning is my destiny
now I feel it's growing up in me
now I feel it's burning deep in me
I'm not what I was before
could I stop this dream
I'm a stranger to myself
and I cannot control”
“Sou aquele que já esteve aqui
Muitas vezes eu aterrorizei esta cidade
Muitas vezes e aqui eu inicio novamente
Agora estou mais forte e tão frio
Tão frio quanto o gelo
Retornar é o meu destino
Agora eu sinto que isto está crescendo em mim
Sinto que isto está queimando profundamente em mim
Eu não sou o que era antes
Eu poderia parar este sonho?
Eu sou um estranho para mim mesmo
E não consigo controlar”
Todos iriam se lembrar dela, de tudo que ela tinha feito. Aquele era o seu lugar. Sua marca estava na mente de cada sobrevivente. Um parasita, um medo latente. E era ali que ela ia começar. Ela era outra pessoa agora. Mais forte, ela quase podia sentir o poder pulsar dentro de si. Levantou-se suavemente vestindo um robe verde que estava ao lado da cama. O rapaz ao seu lado apenas se mexeu. Não havia mais nada. Não havia mais nenhum sentimento prendendo-a à humanidade agora. Apenas o frio. Aquele frio vingativo que move todos ao seu objetivo. E era disso que ela precisava. E ela então compreendeu o porquê de todas as atitudes de seu mestre. Qualquer um, ou qualquer coisa era insignificante diante de todo aquele poder. E ela o sentia crescer cada vez mais. Queima-la, possuí-la. Transformando-a em algo totalmente diferente do que ela já fora. Era como se não se conhecesse. Como se fosse incapaz de se controlar.
"I'm a savage
it's too late for me
the other side's taking controll and I know
there's one way I can walk alone
or the dragon will fly
and a growing fear's all that I feel"
"Eu sou um selvagem
É tarde demais para mim
Meu outro lado está tomando o controle e eu sei
Só existe um caminho para eu andar sozinho
E um medo crescente é tudo aquilo que eu sinto"
Ela não era mais humana. Aliás, nunca quis ser. Era tarde demais agora. Agora que o poder a tomava por completo, que seu lado sombrio, tão evidente, se sobrepujava. Qualquer resquício de quem fora no principio se fora. Pensou em quem convocaria. Será que existiria alguém digno disto? Não. Teria de cumprir seu objetivo sozinha. Ou não seria sua vingança. Um medo se apoderou dela. Medo. Ela tinha que concluir tudo aquilo para o qual existia, tudo aquilo para o qual ainda estava viva.
Welcome to dying
Can't you see the dragon's seed bears in me
Spread my wings and fly away
I spread my wings and fly away
I spread my wings and fly away
Bem-vindo a morte
Você não vê que a semente do dragão aflora em mim?
Abro minhas asas e vôo para longe
Eu abro minhas asas e vôo para longe
Eu abro minhas asas e vôo para longe
Não. Viva não. Aquilo era morte. A morte havia dado boas vindas á ela. Ela era sua concubina agora. Acompanhava a morte e a morte a seguia. Será que seriam capazes de reconhecer os poderes de seu mestre nela? Capazes de enxergar que ele não havia partido por completo? Dentro dela ele ainda vivia, em cada gota de seu sangue. Havia a marca de suas mãos em cada pedaço de sua alma. E agora ela era capaz de tudo. Terminou de se vestir e pegou a sua varinha. Apreciava ainda a concentração de poder naquele frágil pedaço de madeira. Apontou para a cama branca.
-- Avada Kedrava! – gritou. Uma luz verde acertou o rapaz que sequer se movera. Ele estava morto. Como ela. – Bem vindo à morte. – murmurou. Com uma sonora gargalhada ela abriu a porta e saiu do quarto. Era bom que todos se preparassem, Bellatrix Lestrange estava de volta.
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N/A: Gostaram? Espero que sim. Agora divirtam-se com o capítulo.
Beijos