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1. Capítulo 01


Fic: Aquilo que você não vê DM-HG


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Ela ligou o rádio que estava sobre a mesa da cozinha e procurou entre as estações alguma música que a agradasse. Não achou. Foi para sala. Voltou com seu CD preferido dos Beatles. Começou a ouvir a música em volume alto. A casa estava enfeitiçada, então não haveria reclamação dos vizinhos.


 


A cozinha não era pequena. Nem exageradamente grande. A geladeira estava ao lado da bancada, que se encostava ao fogão e todos do lado oposto da porta.


 


A mulher abriu a geladeira, pegou dois tomates e uma cenoura. Começou a cortá-los. Usava uma faca afiada. Quando terminou foi até o fogão. Refogou o alho que já estava na panela. Ela cantava e dançava. Distraída. Quando deu por si era tarde demais. Foi o tempo de perceber que a faca que tinha deixado sobre a tábua havia sumido. Sentiu a lâmina fina em seu pescoço e não ousou se mexer.


 


- Parece que te peguei desprevenida, Granger.


 


- Ainda com esse jogo de gato e rato, Malfoy? – disse Hermione levantando uma das sobrancelhas.


 


- Sempre estou à sua frente... – ela riu – Não ria!


 


- Você tem revelado ser bem engraçado, Malfoy.


 


- Não é piada. É a realidade...


 


- Seu senso de realidade anda deturpado.


 


- Muita ousadia da sua parte, Granger, sabendo que estou com a faca em seu pescoço e sua varinha não está ao seu alcance.


 


- Você não me machucaria, Malfoy.


 


- Como pode ter tanta certeza, Granger?


 


- Você não conseguiria viver sem sua amiga sabe-tudo, insuportável e de sangue-sujo... – a pressão se desfez e ela virou o encarando.


 


- Verdade... – ele sorriu e depositou um beijo na testa dela.


 


Flashback


 


- Mas, por que eu? Justo eu, Dumbledore?


 


- Você é nossa melhor aluna e madame Pomfrey precisa de ajuda. Além disso, sei de suas habilidades para poções de cura e feitiços.


 


- Harry tem ido melhor que eu nas aulas de poções – Dumbledore olhou-a atentamente.


 


- Ambos sabemos que ele tem tido “ajuda” para este feito. E também não posso pedir que Harry cuide daquele que foi alvo do seu ataque.


 


- Mas, Snape...


 


- Snape está com outras obrigações no momento. Malfoy precisa de cuidados diários. Aqui estão todas as instruções necessárias – disse calmamente o diretor estendendo um pequeno caderno de capa verde. Hermione pegou-o contrariada, folheou e voltou seu olhar para o velho do outro lado da mesa.


 


- M-mas, diretor... Terei que dar TODAS as refeições para ele? E as noites? E a monitoria? Eu não posso...


 


- É uma tarefa que não pode negar. Agora, preciso ir. Filch aguarda por você para mostrar o aposento em que ficará na companhia de Malfoy – os movimentos de Hermione eram lentos, como se pudesse retardar o momento – Suas malas já foram enviadas para lá – a garota passou pela porta e virou-se para ouvir as últimas palavras – Senhorita, olhe além das aparências. Há uma chance de grandes mudanças acontecerem... só precisamos acabar com os rótulos.


 


Hermione foi levada até a ala leste, quinto andar. Uma grande porta de mogno com pequenos entalhes era o que a separava de uma vida que ela nunca pensara ter: ser enfermeira em tempo integral de Draco Malfoy.


 


Empurrou a porta que abriu silenciosamente. Encontrou uma sala semelhante ao Salão Comunal da Grifinória, só que menor e sem as cores características da casa. A lareira acesa iluminava e aquecia o aconchegante ambiente.


 


Viu três portas do lado direito e mais uma do lado esquerdo. Foi em direção às três portas. Abriu a primeira e viu um banheiro: chuveiro, pia, banheira, privada e um pequeno armário com espelho. Foi para porta seguinte e deduziu que seria seu quarto até que o sonserino estivesse recuperado. 


 


Abriu a terceira porta com cautela. Provavelmente já estaria lá. Andou pé ante pé em silêncio. Hermione não conseguiu reprimir um gemido de dor ao ver o rapaz. A pele estava mais branca que o normal. Seu rosto marcado por profundas marcas. O resto do corpo estava embaixo do cobertor, exceto pelos braços que repousavam ao lado do corpo. Hermione começou a aproximar seu rosto. Analisava cada detalhe: o nariz reto, os lábios entreabertos, os fios loiros que caiam pelo travesseiro, exceto por alguns que caíam sobre a testa do jovem. Os dedos dela foram, inconscientes, até esses fios. Estava perto de alcançá-los, quando sentiu uma pressão fria em seu pescoço. Subitamente o ar faltou-lhe e mortais olhos cinzentos encaravam os seus.


 


Fim do flashback


 


- Você não conseguiria viver sem sua amiga sabe-tudo, insuportável e de sangue-sujo... – a pressão se desfez e ela virou o encarando.


 


- Verdade... – ele sorriu e depositou um beijo na testa dela.


 


- O que está preparando?


 


- Macarrão com molho de queijos. O vinho já está gelando.


 


- Hummm – ele falou enquanto comia um pedaço de cenoura – Adoro esse seu molho... – Ela riu gostosamente.


 


- Eu sei! Pensei que amanhã poderíamos...


 


- Não dá, Mione. Amanhã passarei o dia com Astoria – a morena agradeceu por estar de costas. Detestava Astoria. Aliás, detestava o fato dela ser namorada dele.


 


- Ah, fica para próxima então.


 


- Desculpe, eu não queria...


 


- Não há porque se desculpar – a morena cortou.


 


- Não gosta dela, não é?


 


- Sei lá... Só acho que ela esconde algo... Não acredito que ela goste realmente de você, só isso. – ele bufou – mas, não teremos essa discussão novamente. Quero jantar numa boa – contrariado, Draco saiu da sala.


 


No dia seguinte, Hermione enrolou para sair da cama. Fingiu dormir e ignorou os chamados dele querendo se despedir. A dor de vê-lo arrumado para ela era horrível. Assim que ouviu a porta da sala fechar, correu para o telefone:


 


- Gina,... – e começou a chorar.


 


- Ah, Mione! Já estou indo...


 


Logo a ruiva havia aparatado no quarto.


 


- Sabe de uma coisa? CHEGA!!! – A morena assustou-se. Gina conjurou um espelho e forçou Hermione olhar-se – Essa não é minha amiga Hermione Granger. Estudante da grifinória, medibruxa renomada, heroína de guerra!


 


- Gi,...


 


- CHEGA!!! Você sofre com essa paixão recolhida há décadas! Teve namorados excelentes e dispensou todos por causa desse loiro sem graça.


 


- Ele não é sem graça....


 


- É... Sou obrigada a concordar... Mas, Mi... siga sua vida! Há um tempão que você não sai, não beija, não se diverte!


 


- É tão difícil...


 


- Eu sei, amiga. E sabe que falo por experiência própria...


 


- Como anda Neville? – Hermione perguntou.


 


- Bem, muito bem. Carinhoso e estabanado como sempre. – as duas riram. Hermione respirou fundo. Sua amiga estava certa.


 


- Será que voc...


 


- Sim, amiga. Posso passar o dia com você e à noite sairemos para dançar! Eu e o Neville vamos numa danceteria hoje.


 


- E eu de vela? – a morena fez um bico.


 


- Iremos com uns amigos do Neville! Sabe que tem um deles bem interessados em você...


 


- Ahm sim, já que não serei vela tentará um encontro às escuras?


 


- Você o conhece... Sean Simmons! – Gina continuou falando ao ver a expressão de interrogação da amiga – Aquele gato de quase 1,90, olhos azuis, cabelos longos e pretos...


 


- Lembrei!


 


- Então fecha a boca que a baba está escorrendo!


 


As duas riram e Hermione sentiu-se bem pelo banho de sinceridade e energia positiva que recebeu. Ambas passaram um dia com direito à massagem, compras, corte de cabelo e muita risada.


 


Na entrada da casa, Gina despediu-se e ficou de buscar a amiga às 21 horas. Porém, sua cabecinha ruiva arquitetava outros planos...


 


Hermione entrou em casa carregada de sacolas. Logo percebeu que tinha companhia. Deitada no colo do seu loiro, estava Astoria. Assistiam a um filme.


 


- O-oi... – cumprimentou.


 


- Oi, morena! – ele disse sorrindo. A resposta da atrevida foi apenas um sorriso – Saiu para fazer compras? Mudou o penteado?


 


- Sim, sim... Apenas tirei as pontas... Gina passou aqui mais cedo. Vamos sair mais tarde.


 


- Que bom para você...


 


- Shiu... O filme está emocionante! – falou Astoria. Hermione revirou os olhos e saiu contrariada por Draco ter acatado a ordem sem nem pensar.


 


Subiu as escadas com a certeza que dali para frente tiraria definitivamente Draco do seu coração.


 


Arrumou-se como há muito não fazia. Colocou um vestido verde musgo com decote em V e mangas curtas. Na cintura ele ficava mais soltinho e descia até um pouco acima dos joelhos. Cabelo solto. Calçou a bota marrom de couro de dragão e estava finalizando a maquiagem quando ouviu a campainha. Gritou da porta do quarto:


 


- Draco, abra, por favor! É a Gina!


 


O loiro levantou-se pensando em qual provocação faria à caçula Weasley. Abriu a porta e pensou que fosse engano. Nunca havia visto aquele homem na vida.


 


- Pois não? – perguntou assumindo sua velha (e conhecida) expressão Malfoy.


 


- Boa noite. Hermione está?


 


- Quem é você?


 


- Oh! A Gina não avisou? Sou Sean Simmons. Você deve ser Draco Malfoy, não? – silêncio – Bom, Gina pediu que eu viesse buscar Hermione... Ela está pronta?


 


- Gi... Sean? – Hermione estancou na hora.


 


- Boa noite, Hermione.


 


- Não sabia que viria – disse a morena aparentemente sem graça.


 


- É... Acho que nossa amiga esqueceu-se de avisar. Ela teve um probleminha e para não atrasar...


 


- ... mandou o motorista? – completou Draco. O outro não gostou nada do comentário.


 


- Draco! Ele é amigo de Neville! – intrometeu-se Hermione.


 


- Isso é para você – disse o moreno estendendo um buquê de rosas vermelhas para Hermione e decidido a ignorar o comentário mal educado – Está mais linda que da última vez e, olha que para mim, era algo impossível.... – Hermione corou na hora e gaguejou um agradecimento.


 


- Melhor eu colocar num vaso. Entre um instante – ela foi em direção à cozinha e Draco a seguiu. Na sala, um clima estranho pairava.


 


- Você não entrará no carro desse cara!


 


- Ah, Draco! Menos, vai...


 


- Nem o conhece! – e, pela primeira vez naquela noite, olhou atentamente para a amiga – Está... você está linda, Mimi...


 


- Obrigada – ela encarou aqueles olhos profundamente e seu coração falhou. Pensou em desistir de tudo e continuar sua espera torturante e silenciosa. Esse pensamento durou o tempo de ouvir a voz exageradamente melosa de Astoria chamar por ele. – Preciso ir, Sean espera por mim. – ela passou pelo loiro. Sua caminhada foi interrompida pela mão dele em seu braço.


 


- Mione... eu.... – o silêncio nervoso de sempre.


 


- Preciso ir – e saiu apressada.


 


Vendo-se sozinho, descarregou sua raiva socando a parede.


 


Flashback


 


Estava perto de alcançá-los, quando sentiu uma pressão fria em seu pescoço. Subitamente o ar faltou-lhe e mortais olhos cinzentos encaravam os seus.


 


- O que pretende fazer, Granger?


 


- M-Malf... Não cons- - sentiu que a pressão diminuiu, mas não cessou.


 


- Solte-me!


 


- Não está em condições de negociar, sangue-sujo.


 


- Não, você quem não está – a varinha dela agora pressionava a cintura.


 


- Diga o que estava fazendo!


 


- Solte meu pescoço – ele obedeceu relutante e sentiu que ela também afastava a varinha.


 


- Dumbledore ordenou que eu ficasse responsável por você até sua recuperação – Hermione esperava qualquer reação dele, menos a que ele manifestara: o sonserino começou a gargalhar.


 


- Boa piada, Granger! Recuso sua ajuda! – ele tentou levantar-se, mas não teve êxito – Aiiiiiii – Logo seu corpo caiu sobre a cama. Hermione pensou em ralhar com ele, porém logo percebeu que o cobertor estava manchado de sangue.


 


- Malfoy! – correu atrás das anotações no caderno. Agiu de forma rápida. Localizou as poções numa mesa de boticário. Draco gemia de dor. O cobertor foi jogado no chão. A camisa estava ensopada de sangue e suor.


 


- Merlin... Que merda o Harry foi fazer? – ela subiu na cama e rasgou a camisa dele. O peito estava tão marcado quanto o rosto e sangrava sem parar.


 


- Granger... dói muito... faça algo... – ela começou a administrar as poções-creme nas feridas com calma e cuidado. Notou que ele estava quente e, após verificar a temperatura, saiu novamente correndo do quarto. Voltou instantes depois trazendo uma toalha úmida. Colocou-a sobre a testa dele e começou a murmurar feitiços para baixar a febre.


           


O loiro mantinha os olhos fechados e logo caiu em um sono profundo. A grifinória trocou as cobertas, sentou-se numa poltrona e começou a ler o caderno com atenção. Sem perceber, adormeceu.


 


Fim do flashback


 


Vendo-se sozinho, descarregou sua raiva socando a parede.


 


- Desculpe, Hermione! Achei que soubesse.


 


- Sem problema, Sean – conversavam já do lado de fora da casa. – E como andam suas pesquisas? Está nessa área ainda?


 


- Sim... Estive uma época fazendo pesquisas de campo. Conheci muitos lugares, mas agora quero fazer algo mais estável – a grifinória sorriu.  Gina estava mais que certa. Precisava dar chance para outra pessoa. Malfoy sempre a veria como uma amiga.


 


- Já conhece o lugar para onde vamos?


 


- Conheço. É bem animado! Faz meses que não saio para dançar!


 


- Você curte? – a morena perguntou animada pela conversa.


 


- Sim, adoro! – ele exclamou.


 


– Rony e Harry detestam! Tem que ver a cara que fazem quando são arrastados por Lilá e Pavarti para pista!


 


- Verei hoje, então. Eles irão.


 


- Ah! Nem acredito que não me avisaram!


 


- Chegamos... – galantemente, ele abriu a porta do carro para ela descer, da mesma maneira que fez para ela entrar.


 


O local estava relativamente cheio e a música já rolava. Sean segurou na mão de Hermione e falou no seu ouvido:


 


- Para não perder você... – ela corou na hora.


 


Após calorosos cumprimentos, fofocas, conversas, alguns casais foram para pista e Gina disse:


 


- Qual foi a reação de Draco ao ver esse deus indo te buscar?


 


- Sabia que havia algo estranho nessa história, senhorita Weasley! Mas, o Draco agiu como sempre. Não queria que eu viesse e segundos depois correu pra os braços ossudos da Greengrass.


 


- Bom, amiga... Já dei minha opinião. Estou indo dançar! Sean está chegando com sua bebida.


 


- Oi, Mione... Aqui está seu drinque.


 


- Obrigada!


 


- Como é viver com o Malfoy? Ele não parece ser uma pessoa fácil de conviver...


 


- Bom, nós nos damos bem.


 


- E... vocês... desculpe a pergunta... Já tiveram alguma coisa?


 


- Não. Somos apenas amigos. – ela disse já se irritando pelo rumo da conversa.


 


- Aquela no sofá era namorada dele?


 


- Sim, mas por que tanto interesse no Draco? – indagou. Saíra de casa para esquecer o maldito loiro e o cara ficava trazendo-o para conversa??? Sean aproximou-se e falou olhando nos olhos dela:


 


- Não é nele meu interesse... Desde que nos encontramos no aniversário do Neville meu interesse tem sido apenas você, Hermione...


 


- Isso já tem meses, Sean... – ela disse sorrindo.


 


- Sou paciente... Mas, sabe... não quero mais esperar para fazer o que esperei por tanto tempo... – Hermione não teve nem tempo de corar. Ele sorriu. Adorava o jeito dela. Tirou algumas mechas da frente do rosto. Sua mão foi até a nuca da morena e puxou-a delicadamente. E, como não fazia há muito tempo, Hermione entregou-se àquele beijo.


 


Flashback


 


O loiro mantinha os olhos fechados e logo caiu em um sono profundo. A grifinória trocou as cobertas, sentou-se numa poltrona e começou a ler o caderno com atenção. Sem perceber, adormeceu.


 


Acordou com os primeiros raios de sol batendo em seu rosto. Espreguiçou-se. As costas e pescoço estralaram. Como conseguira dormir naquela posição? Pura exaustão. Levantou-se e viu que Draco ainda dormia. Tomou um longo banho, trocou de uniforme e foi verificar o seu “paciente”.


 


- Achei que tivesse fugido, Granger.


 


- Não fujo das minhas obrigações, Malfoy. – ela aproximou-se dele e ignorando os protestos colocou a mão sobre a testa. A febre não voltara. Foi até a mesa de boticário, pegou duas poções e levou até o criado-mudo. – Essa você deve tomar agora, em jejum.


 


- E meu café? – ele perguntou após tomar a poção.


 


- Daqui a pouco trago para você. – ela estava com a mão na maçaneta quando o ouviu falar:


 


- Ei, Granger! Até que ter você aqui foi uma boa ideia do velhote!


 


- Por quê?


 


- Nada melhor que ter uma sangue-ruim fazendo trabalho de elfo – a resposta dela foi um gesto nada gentil com o dedo do meio. Ele riu e a observou sair batendo a porta com força.


 


Chegou ao Salão Principal bufando e extremamente mal-humorada, como era raro acontecer. Seus amigos já se encontraram ali. Ela contou rapidamente o que acontecera. Harry olhava-a sentindo-se mais culpado que nunca.


 


Rápido como chegou à mesa, saiu, fazendo um prato para o sonserino.


 


- Aqui está, Malfoy! – disse colocando de qualquer jeito a bandeja sobre a cama.


 


Os dias seguintes passaram-se assim. Eles só trocavam insultos. Ela levava as refeições, explicava as matérias dadas e saia do quarto. Ele ria com as expressões de inconformada que ela fazia a cada comentário preconceituoso ou mal-educado que fazia.


 


Hermione tentava ignorar. Poucas vezes respondia aos comentários “babacas” que tinha que ouvir, mas não conseguia disfarçar suas expressões. Ele sabia exatamente como irritá-la. Hermione acordava mais cedo para conseguir dar conta de alimentar-se e alimentar Draco, dormia mais tarde passando as lições para ele e fazendo as próprias.


 


Depois, percebeu que comendo um pouco menos conseguia dormir por mais um tempinho ou ficar um pouco mais com seus amigos após o almoço e janta. E, assim, foi diminuindo gradualmente, a quantidade que comia.


 


Quase um mês após ter iniciado o tratamento, Draco percebeu que seu maior prazer era encher Hermione. Não podia dormir sem importuná-la. Sem vê-la franzir a testa, bufar ou mostrar-lhe um dedo. Quarenta dias depois, percebeu que precisava do ombro dela para ir até o banheiro e precisava vê-la corar quando ele dizia precisar de ajuda para sair da banheira. Cinquenta dias depois, viu que era uma maravilha sentir a pressão delicada que ela fazia ao passar remédio em seus ferimentos. Sessenta dias, não sabia por que reclamava de dores inexistentes, mas adorava vê-la preocupada com ele. Quando ela não estava, levantava, andava pelo quarto, lia livros, exercitava-se. Corria para baixo das cobertas quando dava o horário dela chegar. Ela era sempre pontual. Sua desculpa para tudo era simples: ser servido em tempo integral por uma sangue-ruim grifinória.


 


Certo dia, quase foi pego. Saiu correndo. Armou o seu sorriso mais irônico e esperou calado na cama. Nada dela entrar.


 


- Ei, Granger! Venha logo que estou com fome! – nada. Até que o barulho de algo indo ao chão e vidro quebrado deixou-o mais atento. – Granger? – gritou num tom mais preocupado. Ficou alguns segundos divido entre ir ou esperar ela aparecer xingando o tapete que tropeçara. – Granger? – Nada. Levantou-se e abriu a porta vagarosamente – Granger! – abandonando todo o cuidado de parecer doente ou ferido (algo que não estava há pelo menos quinze dias), saiu correndo. Ela estava caída, a bandeja do lado, o copo quebrado. Vidro, suco e comida espalhados por todo lado.


 


Draco correu até ela. Tentou chamá-la, mas nada a fazia acordar. E, por uns instantes, sentiu-se culpado por estar abusando da boa vontade dela. Pegou-a no colo. Mais leve que pensava. Colocou-a sobre a cama dele. Pegou sua varinha e fez um feitiço para acordá-la.


 


Hermione sentiu como se saísse de um sonho. Uma sensação de torpor. Abriu os olhos lentamente e encarou o brilho cinza que já conhecia tão bem. Pareceu não enxergar a frieza de sempre. Impressão provavelmente. Logo a ironia voltou a dançar naquelas íris.


 


“Ela está bem...”, culpou-se pelo pensamento de cuidado com relação a uma mera sangue-ruim e adotou a postura de sempre.


 


- Tropeçando nesses pés grandes e desajeitados, sangue-sujo? – cansada. Era o adjetivo que explicava melhor Hermione. Cansada de cuidar daquele idiota e de não ser nem um pouco reconhecida. Cansada de ver-se verdadeiramente preocupada. Cansada de perceber que corria não só para ficar com seus amigos, mas para ficar com ele. Cansada de fazer as melhores anotações das aulas e não ouvir um “obrigado”. O que ela esperava, afinal? Ele estava sendo apenas ele.


 


- Isso mesmo, Malfoy – levantou-se ignorando a tontura. Foi meio cambaleante até a porta. Não viu o olhar atento e surpreso. Ela nunca havia respondido daquela forma. – Melhor você deitar antes que suas dores voltem. Limparei a sujeira que fiz e já trago algo para você comer. – ele tentou articular uma resposta, mas não teve tempo. A porta fechou-se.


 


No dia seguinte, acordou sentindo uma presença estranha em seu quarto. Abriu os olhos e viu uma mulher pequena mexendo nas poções.


 


- Madame Pomfrey?


 


- Bom dia, senhor Malfoy.


 


- Cadê a Granger?


 


- Ela teve um imprevisto. A sua poção está aí e seu café também. – olhou a bandeja não havia nada que gostava. Bufou.


 


O dia nunca pareceu tão lento. Ela não apareceu uma única vez. Pomfrey não saiu do seu lado e ele não pode nem levantar por uns instantes. Quando já anoitecia teve seu merecido descanso da enfermeira da Escola. Levantou-se para tomar um banho. Abriu a porta e espiou pela fresta. Tudo escuro e silencioso. Foi em direção ao banheiro, mas parou quando ouviu vozes vindo do quarto de Hermione.


 


A porta não estava completamente fechada e ele resolveu espiar. Viu a imagem da Granger deitada na cama. Estava pálida como nunca. Logo sua visão foi tapada por uma figura alta, de longos cabelos brancos, que disse:


 


- Como ela está, Pomona?


 


- Apenas fraca. E cansada. Muito cansada. Acho que exigiu muito dela, Alvo!


 


- Não imaginei que ela fosse descuidar da própria alimentação. – ele disse. Do outro lado, Draco sentiu-se a mais imbecil das pessoas.


 


- Ela é uma adolescente, Alvo! Sabe o que tem passado com Potter e o Weasley... E ainda pedir que cuide dele...


 


- Pomona, tenho minhas razões para isso. Avise-a para se alimentar corretamente.


 


- Dê um descanso para ela, Alvo.


 


- Não. Ou ela continua aqui ou será expulsa. – percebendo que a conversa encerrara, Draco voltou rapidamente para o quarto. Nunca em toda a sua vida sentira tanto ódio de Dumbledore como naquele momento.


 


O Diretor saiu do quarto calmamente. Lançou um olhar para a porta do quarto do sonserino e sorriu. Ele sabia muito bem que alguém acabara de ouvir a conversa. Por isso fora tão radical em suas últimas palavras.


 


Draco Malfoy não conseguiu dormir e já havia deixado seu banho para lá. A porta do quarto dela estava fechada. Ensaiou andar até lá várias vezes, mas teve receio de acordá-la. Sentou-se no sofá, encarando a lareira que lançava chamas crepitantes. De repente algo chamou sua atenção. Algo havia passado pelo fogo. Aproximou-se, ajoelhado e caiu sentado de susto quando viu a imagem de sua tia.


 


- Draco! Estou há um tempão tentando entrar em contato com você! O que anda aprontando, moleque?


 


- Como se estivesse realmente interessada...


 


- Você é muito insolente. Já está tudo preparado para nosso ataque?


 


- Claro, titia.


 


- Será dentro de dez dias. – ela disse em voz baixa.


 


- Dez dias? Preciso de mais tempo. – Bellatriz riu. – Como me achou aqui? Como sabia que eu estava aqui?


 


- Tenho meus contatos... Não precisa de mais tempo merda nenhuma! O contato frequente com a sangue-ruim está contaminando você, Draquinho? É uma vergonha como seus pais!


 


- Não fale isso deles!


 


- Dez dias. Às 19 horas. Esteja pronto. – falou isso e sumiu.


 


Fim do flashback


 


Tirou algumas mechas da frente do rosto delicado. Sua mão foi até a nuca da morena e puxou-a delicadamente. E, como não fazia há muito tempo, Hermione entregou-se àquele beijo.


 


Separaram-se e um sorriso bobo nasceu nos lábios dela. Ele ainda mantinha os olhos fechados.


 


- Esperei tanto por isso... Sei que não deve estar acreditando em mim ou deve estar pensando que sou um tolo romântico, mas fiquei encantado por você desde a primeira vez que nos vimos... Só que você parecia tão... inatingível.


 


- Vamos lá fora conversar... – ela disse puxando-o pela mão. Seguiram para a parte externa do bar sendo acompanhados pelos olhos sorridentes de Gina. Havia alguns casais sentados. A música chegava baixa até lá. – Não acho que você mentiria, Sean.


 


- Mas,... – ela riu. Acharam umas cadeiras e sentaram-se lá.


 


- Não tem mas. Acredito em você. Só acho que precisa saber umas coisas... Eu estive muito tempo inatingível, como você disse, por que esperava por algo que nunca aconteceu. E eu simplesmente cansei.


 


- Você é uma garota tão maravilhosa, Hermione! Quando te conheci na casa do Nev, perguntei tudo sobre você! E queria mudar o passado para não ter saído de Hogwarts no ano em que entrou... Não ter mudado para Espanha. Ter tentado mais! – Hermione colocou o dedo sobre os lábios dele. Sorriu.


 


- Vamos viver o presente, Sean. Não posso negar que você não tenha chamado minha atenção... Não só pela sua beleza invejável, mas porque é inteligente e tem um ótimo papo – ele riu diante dos elogios. Era um belo sorriso, pensou Hermione. Beijaram-se novamente.


 


Não muito longe dali, Draco não conseguia mais concentrar-se no filme. Estava acostumado em ter Hermione ali, dentro de casa. Uma amiga que podia procurar sempre que precisasse. Queria que ela saísse, mas quando aconteceu não gostou nada que tivesse sido na companhia daquele sujeito.


 


Levantou-se e encheu um copo com uísque de fogo. Demorou até perceber que Astoria falava com ele.


 


- Está tudo bem, Draco?


 


- Sim. Só minha cabeça que está doendo um pouco. – ele mentiu.


 


- Oh!!! Cuti, cuti!!! Quer que eu faça uma massagenzinha na sua cabeça???


 


- Falando desse jeito até piora! – respondeu irritado.


 


- Então vamos deitar, Draquinho... – ela disse fazendo um bico manhoso. Algo que irritava a Draco até seu último fio de cabelo.


 


- Quero ficar sozinho hoje, Astoria. – ele disse já antevendo a discussão.


 


- Não gosto de saber que você dorme sozinho nessa casa com ela.


 


- Bom... quando começamos a namorar você já sabia disso.


 


- Começamos a namorar bem antes disso! – ela brigou.


 


- Não mesmo. O que tínhamos antes não era namoro. Você sabe que nem adianta entrar nessa discussão.


 


- Você poderia muito bem morar sozinho! – exclamou Astoria.


 


- Não tenho como pagar o aluguel de um bom lugar com meu salário.


 


- É só você...


 


- Nem termina essa frase! Não quero o dinheiro sujo que meus pais ganharam! Melhor conversamos amanhã, Astoria. – ela bufou contrariada. Pegou sua bolsa e aparatou.


 


Draco olhou o relógio. Meia noite. Meia noite e cinco. Meia noite e dez... Uma hora... Duas horas... Deitou no sofá. Nada dela chegar. Encarou o teto e foi invadido por lembranças...


 


Flashback


 


- Dez dias. Às 19 horas. Esteja pronto. – falou isso e sumiu.


 


Voltou para seu quarto sentindo algo estranho dentro de si. Algo que nunca havia sentido antes.


 


Acordou no outro dia sentindo alguém mover-se pelo quarto. Abriu os olhos lentamente, torcendo secretamente para que fosse ela. Era. Não falou nada. Apenas observou os movimentos de Hermione. Ainda tinha o rosto bem abatido.


 


- Aqui estão suas poções. Já volto com seu café.


 


- Acho que posso tentar me levantar – ele disse seco. Hermione olhou-o desconfiada.


 


- Até dois dias atrás estava com dores. Tem certeza?


 


- Sim, Granger. Não quero você o tempo todo perto de mim. – “Mentira”.


 


- Falarei com Dumbledore e Pomfrey. Precisa da autorização deles. – ele bufou. Era virou os olhos e saiu.


 


Hermione demorou mais que o normal. Na visão de Draco. Ela voltou com a bandeja e o café-da-manhã.


 


- Aqui está. Dumbledore falou que se estiver sentindo-se melhor pode começar sair para as refeições e ver como fica ao assistir às aulas. Mas que ainda precisa passar as noites aqui.


 


- Merda! Isso não acabará nunca?


 


- Estou gostando disso tanto quanto você. Preciso ir. Consegue levantar sozinho? – pensou em responder que não. Mas, lembrou-se dela caída no chão. Das palavras da Madame Pomfrey sobre a fraqueza da grifinória.


 


- Sim, consigo.


 


Naquele dia não tinham as mesmas aulas. Voltaram a encontrar-se apenas no jantar. Nada de conversas. Olhares distantes.


 


Ele não gostou da proximidade dela com o ruivo Weasley.


 


Ela não gostou da proximidade dele com a loira Greengrass.


 


Hermione voltou ao quarto mais tarde. Sentia falta de estudar e passar um tempo com seus amigos na grifinória. Chegou e encontrou-o no sofá. Lendo o livro de Transfiguração. Sentou na poltrona e começou a ler Hogwarts: uma história.


 


Nenhuma palavra havia sido trocada.


 


Ela percebeu que ele não virava a página.


 


Draco não entendia nada do que estava lendo. E sua concentração também andava longe. O castelo seria invadido. Ele tinha uma missão a cumprir.


 


- Está precisando de ajuda? – a voz dela o tirou de seus devaneios.


 


- Desde quando preciso da ajuda de uma sangue-ruim para aprender alguma coisa?


 


- Você nunca muda, não é mesmo? – ela perguntou. O que esperava, afinal? Que 16 anos de preconceito sumissem em alguns meses de convívio? Que ele percebesse que apesar de nascida trouxa, ela uma bruxa notável e inteligente? – Terminará como seu pai. – ela levantou-se e ele fez o mesmo - Um Comensal – ela deu um passo para frente – desacreditado que passará – ele deu um passo para frente. Ódio nos olhos – seus últimos dias apodrecendo em Azkaban.


 


Raiva foi o que sentiu. Sem pensar, levantou a mão. Moveu em direção ao rosto dela. E, antes que terminasse seu movimento deixou seu braço cair. Ele teria tido mesmo coragem de bater covardemente em uma garota? Encarou os olhos dela. Indignação. Ela deu um passo para trás. Amedrontada.


 


- Você ia... É um covarde mesmo! E eu cansei! Vou-me embora daqui! – Hermione tinha lágrimas nos olhos que não deixava cair. Virou-se e parou quando ouviu a voz dele:


 


- Você não pode ir, Granger.


 


- Ah é? – tornou a olhar para o sonserino.


 


- Ontem eu levantei a noite para um banho. Passei na frente do seu quarto. E vi que Dumbledore conversava com Pomfrey. Você havia sumido o dia todo... eu... eu parei para ouvir.


 


- Você o quê?


 


- Dumbledore disse que você tem que ficar aqui. Ou fica ou é expulsa.


 


- Você só pode estar brincando!


 


- Está presa a esse quarto tanto quanto eu.


 


- Merda! – ele não escondeu o espanto ao ouvi-la falar um palavrão. – Melhor eu ir dormir. Estava quase alcançando a porta quando sentiu ele perto de si. Não o ouviu aproximar-se.


 


- Acha mesmo que sou como meu pai? – Hermione respirou fundo.


 


- Sei lá... Nesse tempo que ficamos juntos, quero dizer – ela virou-se e viu que estava muito mais perto dele do que achava. Deu um passo para trás. – Tem tanta coisa acontecendo, gente inocente morrendo, a guerra tão perto de nós... E você aí... com a mesma cabeça que tinha aos 11 anos. Todos estão crescendo, amadurecendo e você vivendo sob a sombra do seu sobrenome.


 


- Ainda não respondeu minha pergunta.


 


- Em alguns momentos parece que você quer mudar, mas depois... Suas ações são contrárias. Suas palavras são ofensivas. Deixe esse assunto para lá. Eu que achei que você... Sei lá... Pudesse mudar. – ela estava com a mão na maçaneta quando ouviu a voz dele.


 


- Eu nunca teria coragem de bater daquela forma em você... Acho que um duelo seria uma luta mais justa... – os dois sorriram. Mas não viram, pois estavam de costas um para o outro.


 


Nove dias.


 


Hermione acordou assustada. Ouviu um barulho em seu quarto. Levantou-se rapidamente com a varinha, que estava embaixo do travesseiro, em punho.


 


- Malfoy? O que faz aqui?


 


- Bom dia para você também. – Draco percorreu o corpo de Hermione com o olhar. Ela usava uma camisola laranja claro. Ia até o meio das coxas. “Linda...” Percebendo o olhar, puxou rapidamente as cobertas.


 


- O que está fazendo aqui?


 


- Apenas retribuindo o favor. – ele saiu da frente da mesa e ela viu que havia uma bandeja com o café da manhã.


 


- Não tem nada envenenado? – ela perguntou sorrindo. – Ou recebeu uma Imperius?


 


- Hum... Vejo uma veia irônica na sabe-tudo grifinória? Nada disso, Granger. Apenas pensei no que conversamos e resolvi... resolvi rever alguns conceitos (N.A.: para você, Maris!!!). – dizendo isso, saiu do quarto deixando uma Hermione abobada e sorridente para trás.


 


Durante o dia não se falavam. Draco mantinha a distância. Hermione também. Passava tempo o tempo livre com seus amigos, mas a noite voltava para o aposento que dividia com Draco Malfoy. Conversavam sobre as aulas, estudavam, riam. Sempre se tratando pelo sobrenome.


 


Cinco dias.


 


Hermione não pôde deixar de notar como as olheiras estavam maiores e mais profundas no rosto alvo. Muitas vezes pensou em perguntar, mas era ousadia demais. As conversas que tinham eram superficiais. Não sabia como perguntar, como saber o que o estava afligindo.


 


Draco não dormia mais. O dia estava cada vez mais perto. Não aguentava as insinuações de Snape. Ninguém poderia ajudá-lo. Queria contar para ela, porém não conseguia. Ela o afastaria. E percebeu que não queria ficar afastado dela. Não queria que a noite chegasse, pois anunciava o fim de mais um dia. E, dessa forma, a proximidade com a fatalidade que estava prestes a acontecer. Ao mesmo tempo, o que mais ansiava eram os momentos que passava com ela na sala iluminada pela lareira e conversando trivialidades.


 


O dia fatal. 18h30.


 


Hermione caminhava apressadamente. Deixaria seu material no quarto e jantaria com os amigos. Trombou com Draco quando estava entrando e ele saindo. Ele puxou-a para dentro e prensou-a contra a porta.


 


- Que susto!


 


- Você precisa ficar aqui. Não saia para jantar.


 


- Do que está falando?


 


- Eu fiz uma coisa... Granger... É tarde demais para mim... Fique aqui. Esconda-se! Eles virão   atrás de você especialmente!


 


- Eles? Do que está falando?


           


- Os Comensais... Daqui a pouco invadirão o castelo. – ele disse nervoso.


 


- Impossível! O castelo tem os melhores feitiços de proteção. – Draco deu às costas para ela que foi atrás dele. – Do que você sabe?


 


- Eu criei um meio para eles entrarem – respondeu num sussurro.


 


- Você o quê? Precisamos avisar o Dumbledore!


 


- Não há mais tempo! Eu não tenho mais tempo, Granger.


 


- Não ficarei aqui sem fazer nada. – Hermione abriu a porta, rapidamente ele fechou-a. Os dois braços na porta. Ela entre eles. Draco parecia tão mais alto. Tão imponente. Apesar de toda tensão, ela não pode deixar de suspirar pela proximidade. – Você é um deles?


 


- Não... Ainda não... Não tenho mais chance.


 


- Poderia ter me procurado antes. A Ordem poderia ter te ajudado – ela disse fixando-se nos olhos azuis.


 


- Você me afastaria. – ele declarou.


           


- Não. Eu te ajudaria.


 


- Hermione... – ele suspirou – Você não entende.


 


- Não. Não entendo. Ainda há chance. Procure Dumbledore! – ele teria que fazer isso mesmo. Ela só não poderia saber o motivo. As mãos dele foram para a lateral do rosto. Um toque gentil.


 


- Espero que um dia possa me perdoar... eles entrarão pelo armário sumidouro... Corredor oeste do terceiro andar.


 


- Venha comigo! – ela pediu com lágrimas nos olhos. Ele negou com um movimento de cabeça. Aproximou-se dela, encostando as testas uma na outra. Puxou-a delicadamente e fez o que desejava há muito tempo. Beijou-a. Hermione demorou a entender. Não podia acreditar naquela proximidade. Deu-se conta quando sentiu a língua dele pedindo passagem pelos seus lábios. Ela entreabriu a boca e retribuiu. As mãos dele desceram até a cintura, aproximando-a ainda mais. Separaram-se com a respiração entrecortada.


 


- Não vai adiantar mesmo eu pedir que fique escondida? – testas ainda coladas.


 


- Não... Não vai adiantar eu pedir que mude seus planos?


 


- Cuide-se. Vá logo – ele afastou-se abruptamente – Você tem apenas vinte minutos.


 


- Draco...


 


- Vá! – ele abriu a porta. Ela correu para um lado e ele para o outro. Pararam. Lados opostos do corredor. Viraram-se.


 


- Acredito que ainda tem chance! Converse com Dumbledore. A Ordem te protegerá.


 


A batalha aconteceu. Devido ao aviso, estavam preparados. Tudo foi muito corrido e demorou um pouco até que os aurores fossem chamados e chegassem. Os alunos batalharam bravamente. Perda de ambos os lados. Hermione procurou loucamente por Draco, sem achá-lo.


 


Claro, que depois da conversa que teve com ela. Do beijo trocado, ele não teve coragem de cumprir a pior de suas tarefas: matar Dumbledore. Ele foi morto pelas mãos de Snape. As últimas palavras que ouviu era que devia procurar Artur Weasley ou Remo Lupin. Fugiu com Snape. Mas, simplesmente não poderia passar as férias sem que ela soubesse que estaria ao seu lado no próximo ano. Seria espião. Estava disposto a fazer suas próprias escolhas. E faria de tudo para que aquela guerra infeliz terminasse logo.


 


Enterro do Dumbledore. Vestiu uma capa com um grande capuz. Ela estava na companhia dos dois amigos. Percebeu que ela chorara. Draco estava escondido na orla da Floresta Proibida. Viu que o trio caminhava e acompanhou-os de longe. Precisava chamar a atenção dela e só viu uma maneira... Invadir a mente. Hermione não era oclumente. Já haviam conversado sobre isso. Lançou o feitiço.


 


A morena andava entre Harry e Rony. Sua decisão estava tomada. A mão de Rony estava sobre seu ombro. Passava carinho e força. Então sentiu algo invadir seus pensamentos. Sentiu uma tontura e foi amparada.


 


- Mione? Você está bem? – Rony perguntou assustado.


 


- Sim... – ela sabia o que tinha acabado de acontecer. Draco estava por perto. – Preciso ficar apenas uns minutos sozinha, pode ser? Encontro com vocês no castelo. – disse olhando em volta.


 


- Tem certeza? – Harry perguntou desconfiado.


 


- Sim... Já encontro com vocês. – seguiu em direção à Floresta e os amigos tomaram o caminho oposto. Não sabia onde ele poderia estar. Procuraria pela orla, perto do lago. De repente sentiu-se puxada e uma mão tapar-lhe a boca.


 


- Sou eu.


 


- Que susto, Malfoy! – ela levou a mão ao peito.


 


- Você estava certa. Ainda tenho chance... – o sorriso dela iluminou seu coração. Tudo parecia tão simples com ela ali.


 


- Bom saber disso...


 


- Falarei com Lupin. Ele pode me ajudar, certo?


 


- Pode! Será bem acolhido... – ele animou-se. Olhou para os lados e tirou o capuz. Ainda tinha a aparência cansada dos últimos dias.


 


- E ano que vem seremos monitores-chefes. Continuaremos dividindo o quarto, trocaremos informações... Serei espião! Podemos continuar de onde paramos... Que foi? – ele perguntou ao ver o sorriso dela sumir.


 


- Não voltarei no próximo ano.


 


- Do que está falando? – ele indagou segurando os ombros dela.


 


- Partirei numa viagem com Rony e Harry...


 


- Viagem? De que merda está falando? – Draco sentia a raiva invadir seu corpo.


 


- Uma busca. Não posso entrar em detalhes, mas é algo fundamental para garantir a derrota de Voldemort. Partiremos dentro de algumas semanas.


 


- Não vá. Fique.


 


- Eles precisam da minha ajuda! – ela disse nervosamente. O coração batendo fora de ritmo.


 


- Eu preciso da sua ajuda. – ele chacoalhou-a levemente.


 


- Draco... eles precisam de mim. Se não fizermos o que Dumbledore deixou como missão para nós, será impossível que essa guerra chegue ao fim. – o sonserino soltou-a e ficou de costas.


 


- Você o ama, não?


 


- Do que está falando? – ela ficou na frente dele.


 


- Weasley. Você ama o pobretão.


 


- Você não sabe o que está falando.


 


- Você não sabe o que estou sentindo! Porra, Hermione... – ele passou a mão pelos cabelos – Minha vida virou de cabeça para baixo! Tudo está mudando muito rápido... eu não sei... É tão estranho não ter o controle, não saber... – ela o abraçou.


 


- Tudo dará certo. Conversamos quando eu voltar, ok? – as bocas estão próximas novamente. Quase se tocavam. Olhos fechados. Respiração acelerada.


 


- Mione??? Onde você está? – era a voz de Rony. Eles se separaram rapidamente.


 


- Merda de ruivo! – ele bronqueou.


 


- Preciso ir... Cuide-se.


 


- Você também... – antes de sair detrás da árvore, deu um rápido beijo nos lábios dele. Foi ao encontro de Rony que procurava por ela.


 


- Mione! Você demorou! Está tudo bem? Fiquei preocupado.


 


- Sim, Rony... Precisava apenas resolver algumas coisas... Pensar... – ela odiava mentir para ele.


 


- Mamãe está esperando por nós. Vamos... – a mão dele passou pelo ombro dela. De longe, Draco assistia a tudo. Tornou a colocar o capuz e partiu.


 


Fim do flashback


 


Draco olhou o relógio. Meia noite. Meia noite e cinco. Meia noite e dez... Uma hora... Duas horas... Deitou no sofá. Nada dela chegar. Encarou o teto e foi invadido por lembranças...


 


Já passava das três horas quando foi puxado para os tempos atuais ao ouvir o barulho de um carro parando. Foi até a janela. Puxou a cortina discretamente e observou o que acontecia do lado de fora.


 


Sean já abria a porta para Hermione. Encostou-se ao carro e trouxe Hermione para perto de si.


- Adorei a noite de hoje, Mione...


 


- Eu também, Sean. – ela sorriu. Fazia tempo que não se sentia assim... bem.


 


- Posso mandar uma coruja para você? Um jantar essa semana, talvez...


 


- Eu adoraria. Agora vou entrar que estou exausta...


 


- Claro, querida. Descanse.


 


A mão de Draco segurava a cortina com força excessiva ao ver que Hermione estava beijando Sean. Sua amiga não era impulsiva assim. Nunca gostou dos namorados que ela teve, mas nenhum deles causava uma real preocupação. Agora, com aquele tal de Simmons, era diferente. E ele não sabia o porquê. Ao ver que ela se aproximava da porta, correu e jogou-se no sofá.


 


- Meio tarde, não acha, Mione?


 


- Amanhã é domingo, Draco. Estava me esperando? – ela perguntou escondendo a euforia.


 


- Você saiu com um desconhecido – ele levantou-se e aproximou-se dela – É um direito de amigo ficar preocupado.


 


- Claro... E ele não é um desconhecido. Aliás, já o viu em uma festa do Neville.


 


- E você acha que realmente reparo nos amigos do Longbottom? – ela girou os olhos diante da resposta arrogante, mas ignorou o comentário.


 


- Não precisa gastar sua preocupação de amigo – ela disse com um leve toque de ironia enquanto se encaminhava para o quarto e ele a seguia – Porque logo, logo ele deixará de ser tão desconhecido assim.


 


- O que quer dizer com isso? – Draco perguntou. Ela se dirigia para o quarto e ele a seguiu.


 


- Sairemos para jantar. – ela sentou na cama, enquanto tirava as botas.


 


- Não confio nesse cara. – ele falou cruzando os braços.


 


- Você nunca confia em ninguém, Draco – a medibruxa rebateu rindo da cara de contrariado que ele fazia.


 


- Confio em você, Mimi.


 


- Mas, demorou para isso acontecer... Agora, dá licença que vou tomar um banho e dormir. Estou exausta!


 


Draco dirigiu-se para a própria cama. Olhou a foto que estava no criado-mudo. Ele e Hermione se abraçando no dia em que se formaram. Por que as coisas tomaram caminhos tão diferentes daquele que ele planejava no final do sexto ano? Por que quando a reencontrou não puderam simplesmente ficar junto? Aquela guerra, aquele ano separado tinham afastado o sentimento dela? Por que teve medo e a afastou de si? Na época ela parecia tão melhor sem ele. Olhou para outra foto. Uma que estava com Astoria. Com ela tudo era tão... previsível. Queria poder voltar no tempo e mudar tudo. Deitou na cama e caiu num sono profundo.


 


Flashback


- Mamãe está esperando por nós. Vamos... – a mão dele passou pelo ombro dela. De longe, Draco assistia a tudo. Tornou a colocar o capuz e partiu.


 


Foi um ano longo, difícil e tenebroso.


 


A caça às horcruxes foi exaustiva. Hermione pensava diariamente em Draco, se ele havia conseguido se infiltrar na Ordem. Se ele havia sido descoberto pelos Comensais. Nada havia contado aos seus amigos. Muito teria que ser explicado e ela não queria explicar-se. Mais tarde, Harry e Rony ficaram sabendo da mudança de Draco, pois graças a ele conseguiram fugir da Mansão Malfoy.


 


Através de Snape, Draco conseguiu contato na Ordem. Foi acolhido graças às lembranças que Dumbledore havia deixado para Minerva prevendo uma possível mudança de lado do jovem bruxo. Assim, começou a trabalhar como espião juntamente com seu professor de poções. Afastou-se da Escola. Não conseguia mais andar pelos corredores e nem estudar ou qualquer outra coisa sem ter Hermione por perto.


 


Foi com espanto misturado com alegria e angustia que a viu chegar presa pelo lobo Greyback e seus capangas. Harry estava irreconhecível, mas ele sabia muito bem quem era quem naquele grupinho.


 


Tentou não ver os momentos a que ela foi submetida à tortura e teve a oportunidade de soltá-la, quando a sala foi invadida pelos dois grifinórios. Draco queria dizer algo, mas logo eles partiram. Ele queria saber como ela estava, porém ela partiu desacordada nos braços do ruivo.


 


Voltaram a se reencontrar no castelo. Draco tentava capturar o objeto que ele não sabia o que era. Queria entregar passar logo para às mãos de alguém da Ordem, mas ter ao seu lado Crabbe e Goyle apenas prejudicou os seus planos. O fogo maldito quase pôs fim a vida de todos.


 


Voldemort morto. A guerra chegara ao fim. Seu pai foi novamente preso, juntamente com sua mãe. Ele conseguiu liberdade por favores prestados e por trabalhar como espião. Naquele ano mesmo, após as férias de verão ele voltaria à Escola. Era o que mais ansiava. Voltar à Escola e, principalmente, continuar os encontros com Hermione. 

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Comentários: 2

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

Enviado por Brenda Moreira Marques em 11/02/2012

Apaixonada por essa fanfic, em um só capitulo deu pra ver três lados da relação dos dois: inimigos, amigos e amantes! Perfeito, olha, absurdamente perfeito!

 

“É... Acho que nossa amiga esqueceu-se de avisar. Ela teve um probleminha e para não atrasar...

 

- ... mandou o motorista? – completou Draco. O outro não gostou nada do comentário”

Hahahahhahahhaa boa!

 

“- Você não sabe o que estou sentindo! Porra, Hermione... – ele passou a mão pelos cabelos – Minha vida virou de cabeça para baixo! Tudo está mudando muito rápido... eu não sei... É tão estranho não ter o controle, não saber... – ela o abraçou”

 QUE LIIIIIIIIIIIIINDO, LINDO, LINDO! Me emocionei absurdamente :(

- E você acha que realmente reparo nos amigos do Longbottom? – ela girou os olhos diante da resposta arrogante, mas ignorou o comentário.” Me mato com as ironias dele hahahahhahahaa

Nota: 5

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

Enviado por Ju Fernandes em 21/01/2012

Tomar no cú, meu! 
Que perfeição!
Eu amo fics assim, Dramione em Hogwarts, essa mudança de lado, esse dilema dos sentimentos...
Aiiiiiiiii mais uma que me conquistou.  

Nota: 5

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

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