Capítulo Quatro – Primeiro Dia
Voltei para casa com várias idéias na mente. Pela primeira vez na minha vida, senti vontade de comprar roupinhas de bebê e brinquedinhos educativos para levar ao Bebê de Draco Malfoy. Esquecera de perguntar o nome do bebê para Snape, afinal de contas, lembrei após enfiar a chave na fechadura.
Procurei por Ronald e qual não foi a minha surpresa ao flagrá-lo na cama dormindo, roncando aos quatro ventos, como se aquele dia fosse um domingo e não uma quinta-feira na qual ele trabalharia. Cutuquei o corpo adormecido e ele acordou com um susto.
- Hermione, onde você estava? – ele me perguntou, em um tom acusador do qual eu não gostei nem um pouco.
- Estava clareando a mente, não lhe interessa aonde. – respondi grossa. – Eu quero saber por que você não se levantou ainda. E o motivo de ter dado na sua cabeça ruiva de beber até cair ontem. Você não é mais uma criança para faltar com uma responsabilidade dessas, Ron. Você pode até estará de férias do time, mas isso não é desculpa para beber!
- Hermione, você não entende... Eu estou cansado de voltar para casa e só ouvir você com reclamações para cima de mim!
- E você quer que eu fale sobre o que, se tudo o que você faz está errado? Você dorme o dia inteiro, sai para beber de noite, volta cheirando a perfume de prostitutas... Como você quer que eu tenha filhos com você desse jeito? Crie juízo, Ronald.
- Não aja como se você fosse uma santa, Hermione. – ele falou, com um desprezo que eu não entendi. Nunca havia feito nada que tivesse provocado aquilo.
- Você está insinuando alguma coisa? Porque se estiver, é melhor falar agora.
- Não estou insinuando nada. Não é minha culpa se você se acha incapaz de gerar filhos para o seu marido. – ele pegou as suas chaves do aparador da sala e saiu do apartamento, batendo a porta com força ao sair.
Tive uma vontade enorme de reabrir aquela porta e xingá-lo de todas as maneiras conhecidas. Quem ele achava que era para me tratar daquele jeito? Como se eu fosse uma qualquer que dormisse na cama dele todas as noites, não tendo capacidade nenhuma para gerar filhos. Ele que não tinha capacidade de ser um bom pai.
Aquela conversa tinha me deixado exausta. Odiava discutir com ele. Ele era meu marido, oras. Deveria saber que a escolha de ser mãe dependia unicamente da minha disposição para isso. Ele conseguia ser tão egoísta às vezes. Ronald parecia nem pensar nas mudanças que eu deveria enfrentar. É claro que eu vejo o ponto de vista dele em querer uma família com filhos e tudo o mais, já que ele fora criado em uma família tradicional, de muitos filhos e irmãos. Mas era eu que carregaria um ser dentro de mim por nove meses e sofreria na hora do parto.
Fui para o quarto e arrumei a bagunça de roupas masculinas deixada no chão acarpetado e em seguida, fui para o banheiro tomar meu banho de relaxamento. Os acontecimentos recentes estavam deixando a minha cabeça cheia e dolorida, então aproveitei para despejar a minha fragrância preferida de framboesas na água quente da banheira e vê-la ficar coberta de espuma em menos de dois minutos.
Demorei o bastante para sentir a água esfriar aos poucos então saí, reparei nos meus dedos enrugados e pensei se Ron estava certo, afinal de contas. Por que eu tinha tanta aversão à idéia de ter filhos? Eu não me achava muito irresponsável para não tentar, mas também ficava desesperada se eu não tomava a Poção Anticoncepcional ao final de cada transa com Ronald. Eu não estava ficando mais nova a cada dia que passava e certamente a minha chance de ter filhos diminuía a cada minuto que eu vivia, fato cientificamente provado. Nós tínhamos condições financeiras e mentais de termos bebês e depois de algum tempo, de sustentar uma criança ou até duas, só com o dinheiro que Ron ganhava a cada jogo da temporada. E depois eu poderia voltar a trabalhar como medibruxa, quando as crianças fossem um pouco mais velhas... Eu poderia até deixá-las com Ginny, a máquina humana de produzir filhos. Mas alguma coisa me dizia que ainda não era tempo... Não seria nunca tempo de dar continuidade à família?
Vesti meu pijama e dormi pelo resto do dia, até eu acordar assustada com o barulho da porta da frente batendo. Ronald chegou, pensei, e passei a fingir meu sono. Dei uma rápida olhadela no relógio de cabeceira, presente do Sr. Weasley, que estava marcando dez horas da noite, horário normal de chegada de Ron. Senti seu corpo afundar o colchão e logo o abandonar, se dirigindo ao banheiro, fazendo o maior silêncio com os pés para não me acordar. Ouvi o barulho do chuveiro e passados dez minutos contados, Ron voltou para o quarto e deitou-se ao meu lado, debaixo do cobertor.
Ele veio para perto de mim e percebi o seu corpo, ainda molhado, despido atrás do meu. Colocou suas pernas grossas por cima das minhas e seu braço tomou conta da minha cintura. Era assim que sempre ele vinha, pensei, para transarmos no meio da noite. Logo viria o beijo na minha nuca... e senti o beijo fraco na parte de trás da minha cabeça, como se tivesse um script armado com todas as suas ações. Eu realmente estava cansada daquela previsibilidade com que ele me tratava. Afastei-me suavemente e ele aproximou-se novamente.
- Venha aqui, Hermione! – ele mandou, como se eu fosse qualquer empregada dele. Saí da cama furiosamente e gritei para o seu corpo ainda deitado.
- Ron, eu não consigo. Chega! – o escutei levantar da cama com um bufo e escolher uma roupa limpa no guarda roupas.
-Você não serve nem para dar para o próprio marido, sua vadiazinha de quinta. Parece que já virou vagabunda de outro homem, certo? Não me espere de volta. – Eu o ouvi pegar a varinha e aparatar, me deixando sozinha com os xingamentos lançados. Ele realmente achava que o estava traindo? Mais essa para agüentar seria demais. Quanta infantilidade. Nunca imaginei que ele poderia ser tão criança assim.
- Que droga! Merda... – falei sozinha, ao deitar-me na cama vazia.
Virei para o lado e pensei em acionar os feitiços de proteção que tanto foram usados durante a guerra. Mas dessa vez para não reconhecerem Ronald. Algo me dizia que ele voltaria para falar mais besteiras... Não, ele não seria tão burro assim... Mesmo assim, levantei-me e fiz os feitiços. Voltei a dormir com uma segurança a mais na cabeça, afinal amanhã seria o começo da minha jornada como babá dos Malfoy.
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- Sempre fico arrepiada ao ver essas grades. Lembra-me de quando fomos capturados durante a guerra... – falei baixinho, pensando alto ao ver os portões negros e elegantes. Snape havia liberado as proteções e eu passei devagar por eles, sentindo uma fisgada por dentro. Deveria ser empolgação ou ansiedade... Sentira essa mesma sensação desde cedo e mesmo depois de todas as técnicas de relaxamento que eu tentara, ela havia persistido.
- Granger, o bebê está no quarto. Suba as escadas e entre no segundo corredor. É a terceira porta. Estou indo para Hogwarts. Não me desaponte. – Snape falou, curto e grosso. Talvez vestindo a máscara de sempre. Ele me deixou sozinha no imenso hall de entrada da mansão, todo decorado com peças em prata e tapeçarias em verde, cores da Sonserina. Subi as escadas em mármore negro e segui as coordenadas de Snape. As portas de todos os quartos estavam fechadas, mas mesmo assim, uma corrente de ar soprava o vento frio pelos corredores. Como um bebê poderia viver ali sem pegar todos os tipos de resfriados e gripes?
Abri a porta, esperando qualquer coisa que viesse de lá dentro. Talvez um Malfoy bravo por eu não ter batido antes de entrar, talvez um bebê que fosse possuído pelo espírito de Voldemort... Tudo, realmente. Que besteira, Hermione, pensei chacoalhando a cabeça. Tudo o que havia lá dentro era um quarto super arrumado e incrivelmente quente, com poucos móveis na cor branca. O quarto era tão branco que fiquei com medo de pisar com chão e sujá-lo com a mínima sujeira que pudesse despregar da minha roupa limpa. Será que tudo isso era para mostrar a pureza de sangue do pequeno?
Fui até o berço cautelosamente, pé ante pé, parecendo um fantasma flutuando na imensidão branca. Tinha que dizer o quão enorme era o quarto? Dei uma olhadela furtiva para dentro do berço com dosséis e vi uma pequena criança se remexendo, quietinha, olhando para o meu rosto com os seus enormes olhos cinza. Era carequinha e estava coberto por um vestido branco, típico de bebês que iriam ser batizados na Igreja Católica. Sua pele branca era tão alva que a pureza parecia emanar de todos os seus poros, mesmo sem ser proposital.
Afastei o mosquiteiro e segurei a mãozinha pequena dele, sentindo-a quente contra a minha frieza. Ele fez um barulhinho e eu sorri em resposta. Acariciei a sua bochecha rosada e ele sorriu para mim de volta.
- Oi bebezinho lindo... – ele parecia muito com Malfoy e provavelmente iria ter o mesmo cabelo loiro. Iria parecer uma réplica do pai... Torci para que ele não puxasse o mesmo gênio sonserino de odiar os grifinórios.
De repente, senti uma vontade enorme de segurá-lo nos meus braços e abraçá-lo para protegê-lo de todos os males que pudessem lhe acontecer. Para lamentar a partida da sua mãe e ausência do seu pai... Lamentei até que tivesse nascido do ventre que nascera. Peguei-o cuidadosamente e fiquei surpresa com a sua leveza. Seu rosto ainda me olhava curiosamente enquanto eu brincava com os seus dedinhos mínimos.
Um leve hem hem me fez virar para a porta.
- Como vai, Granger? Percebi que já conheceu Scorpius. – Draco Malfoy continuava loiro e bonito como sempre, como pude reparar na minha pequena investigação. Seu rosto apresentava olheiras enormes, mas seus olhos continuavam zombeteiros. Meu coração deu um pequeno pulo. – Ele parece ter gostado de você.
Malfoy se aproximou do lugar onde eu estava e olhou bem fundo nos meus olhos. Pude sentir o perfume masculino dele, o que me trouxe uma sensação esquisita. Parecia que ele estava prestes a tocar o meu rosto quando falou.
- Lavou as mãos, Sangue Ruim?
Sabia que ele não havia mudado tanto assim. Abri a boca para responder, talvez xingá-lo, mas ele me interrompeu.
- Calma, foi só brincadeira. Agradeço por poder cuidar do meu filho. – ele se virou e saiu do quarto, fechando a porta com cuidado ao passar. Malfoy continuava o mesmo, pensei, mas agora mais abatido. A separação realmente tinha deixado um Malfoy acabado para trás.
- Scorpius é seu nome, pequenino? Nem um pouco apropriado... Vou te chamar de Cop. – ao ouvir o apelido imbecil, Scorpius abriu um sorrisinho lindo, como se houvesse gostado do apelido. – Vamos tomar um leitinho quentinho, Cop?
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