Second Life
por Lariope
Capítulo 15
N/A: Alguns dos diálogos foram inspirados na discussão de Dumbledore com Harry sobre a preocupação com relação às lembranças de Slughorn em EDP. Tudo que você reconhecer pertence à JKR. Todo meu amor a Shellsnapeluver, quem não somente beta essa história, mas também fez uma linda arte para esse capítulo. Veja aqui: http://shellsnapeluver.deviantart.com/art/quot-Say-it-quot-78683568.
Pelas calças de Mélin! O anel. Snape não hesitou, guardou a varinha no bolso, e estendeu cegamente ambas as mãos. Assim que ele encontrou Hermione, agarrou-a e esmagou seus lábios contra os dela com um beijo forte e possessivo.
“ Senhorita Granger, eu explicarei. Mas eu preciso ver o Diretor imediatamente. Vá para os meus aposentos e me espere lá.”
“Eu não sei como entrar lá sem ser pela rede Flu,” ela falou, e a voz estava sem fôlego, porém muito mais calma. “Parvati e Lavender—“
“Meu escritório – você pode usar a rede Flu lá.”
“É claro,” ela falou. “Eu não sei o que eu estava –-“
“ Vá.”
Ele ouviu o assobio das roupas e o barulho dos pés dela descendo a escada. Esperou por um momento até seu batimento cardíaco desacelerar e então bateu firmemente na porta.
“Eu me surpreendi quando você se moveu para entrar,” Dumbledore falou assim que ele entrou.
Ferrou!! Por Hades!! O quanto ele tinha ouvido?
“Perdoe-me, Alvo,” ele falou friamente. “Os anéis que você enfeitiçou para minha esposa e para mim ocasionalmente tem... consequências inesperadas.”
“Consequências, Severus? Você tem certeza, de que não está se envolvendo com a jovem Senhorita Granger?”
Snape respirou fundo antes de responder. Claramente, o fingimento do dia ainda não tinha terminado.
“Eu me envolvendo? Você quer dizer que está indo além do casamento que você arranjou tão apressadamente?
“Seu casamento, como você bem sabe, é parte de um plano—um plano feito em tempo de guerra. Eu não quero você contraindo amores que confundam sua lealdade. Você deve isso ao filho de Lílian.”
O filho de Lilian Potter. Aqueles olhos... ele pensou em Lilian e em quando a viu pela primeira vez. A bruxa irritável no parquinho com os vistosos olhos verdes, o modo como o sol dançava no cabelo dela como se tivesse viajado anos luz para morar justo ali. Lilian se foi. Lilian terminou, e com ela toda a esperança dele ter alguém que verdadeiramente visse ele... E ainda, pareceu que a lembrança dela foi mexida por tanto tempo que escorregou como porcelana dos dedos dele e quebrou. Por que ele estava vivendo da lembrança de uma mulher que nunca o quis? Isto era a esperança que ele tinha guardado, não a bruxa que tinha escolhido tão idiotamente. Ele pousou os olhos em Dumbledore. O velho tinha um traço de presunção em volta da boca, como se ele tivesse experimentado a vitória e a achou doce.
Mas, a esperança não tinha ido. Ela sentou na sala dele, esperando o homem que ela tinha escolhido contra toda a razão. Sim, ele sabia onde a obrigação dele estava, e nisso o Diretor estava certo. A obrigação dele era proteger o Potter, ver que ele estava vivo, ver que ele tinha triunfado. Para que ele pudesse assegurar que Voldemort fora destruído, ele daria a força a sua esposa nascida trouxa para voltar para todas as suas escolhas.
“Eu garanto a você, que entendo perfeitamente onde está a minha lealdade, Alvo.”
“Bom. Eu fico agradecido ao ouvir isso. Agora, vamos aos problemas urgentes. Em seu recado estava escrito que você esperava a celebração. O que Voldemort estava celebrando?”
“Parece que Malfoy já tornou certo o sucesso. O Lorde das Trevas falou sobre um gabinete em algum lugar.”
“Um gabinete?”
“Eu não sei. Malfoy ainda está recusando-se a contar o plano dele.”
Dumbledore olhou para ele serenamente. “E você sente que tem feito todo o possível, usando todas as suas consideráveis habilidades, para extrair essa informação dele?”
Snape respondeu o olhar, relutante em se sentir envergonhado. “Alienar o garoto empurrando-o muito duro parece imprudente. Ele já passou do ponto de ruptura. Ele tornou-se perigoso.”
“Meu ponto exatamente: Quantos estudantes terão que sofrer antes de você interceder? O que seria se tivesse sido Senhorita Granger na Ala Hospitalar hoje?”
O bastardo honestamente pensou que ele não tinha considerado essa possibilidade? Quando chegou a mensagem que um Grifinório tinha sido envenenado, ele realmente sentiu medo pela primeira vez em muitos anos. Repentinamente, pareceu que ele tinha muito a perder.
“Felizmente para os estudantes,” Snape falou, levantando um das sobrancelhas, “a conclusão de nosso plano parece estar se aproximando.. O Lorde das Trevas insiste que sua ausência da escola é tudo que ele espera para isso.”
"Pelo menos isso nos dá um pouco de controle."
“Certamente.”
“Muito bem, Severus. Esteja pronto. Eu contatarei você antes de deixar a escola por algum motivo.” Dumbledore o olhou sereno, mas as palavras dele trouxeram de volta a verdade do que ele tinha prometido fazer.
“Alvo—“ Apesar da raiva, apesar de tudo, ele não poderia imaginar como ele se levaria para matar o homem que o salvou, que ofereceu a ele esta oportunidade final.
“Você sabe o que precisa ser feito.”
Snape levantou e girou rapidamente. “Como você desejar.”
***
Ela estava no sofá de novo quando ele passou pelo Flu, mas desta vez ela estava acordada, olhando fixamente para as chamas. Ela não estava chorando, mas agora que ela era visível, ele pôde ver o sofrimento que lhe causara. Seus olhos estavam inchados, ela estava ofegante e sua pele estava pálida.
"Senhorita Granger", disse ele, e ela olhou para ele, como ela tantas vezes fez, com uma nudez que ele mal podia suportar. Ele tinha certeza que ele nunca tinha dado a alguém tal olhar, nunca deixando tanto de si em aberto.
Ela não falou nada, mas simplesmente o fitou, esperando, ele supôs, por uma explicação. Mas, qual explicação ele haveria de dar? Hoje, eu visitei meus velhos amigos. Eles pareciam um pouco cansados para falar a verdade. Eles viram poder em mim, inteiramente em mim, e eles quiseram isso. Mas, tudo que eu quis foi você. *.*
“Eu fui convocado por Voldemort, como você sabe,” ele falou, e olhou com atenção para o saltar dos olhos dela. “Era um tipo de celebração. Eles esperam… um avanço.”
Ela permaneceu completamente calma, observando ele.
“Houve música e comida. Todo mundo vestiu seus melhores trajes, apresentaram sua melhor aparência. Os anos têm custado aos Comensais da Morte o glamour deles, como eu tenho certeza de que você pode imaginar. Mas, hoje, todo mundo tentou parecer... poderoso.
Nada. Ela o olhava implacavelmente. O que ela queria que ele falasse?
"Eu dancei, Hermione. Isso é tudo. Eu dancei com as mulheres que viram, de alguma forma, que eu ainda não estou quebrado - que viram vida em mim, e quiseram isto ".
“Apenas dançou?” A voz dela estava áspera e rangia, cortando- o.
“Apenas dancei,” ele concordou. Ela respirou profundamente estremecendo, a respiração pareceu levar para fora qualquer angústia que ela tinha deixado dentro de si.
“Você está bem?” ela perguntou.
“Eu não estou ferido,” ele respondeu, pensou que não era precisamente o que ela tinha perguntado.
Ela levantou e aproximou-se dele timidamente. A delicada mão dela tocou e tateou o tecido da manga dele.
“Você parece,” ela falou, considerando que ele tinha abraçado a si mesmo, “admirável.”
Ele fechou os olhos. Como ele poderia fazer isto, sabendo o que estava por vir? Ele a afastou.
“Há coisas que precisamos discutir. Espere aqui.”
Ele deixou a sala pelo lado esquerdo e foi para o laboratório. Sentiu o peito oprimido. Nunca haveria outra oportunidade; ele estava certo disso. Ele poderia deixar que ela lhe tocasse. Ele teria… Mas quantas oportunidades teria para dar-lhe o que ela precisava para realizar esse plano abandonado por Deus? O momento era ideal; agora, ele passaria a poção para ela.
Voltando com um fino, não assinalado frasco, ele segurou para ela ver. “Isto é Vita Secundus.”
“Second Life,” ela respirou. “Mas, Professor—Vita Secundus leva—“
“Anos para ser preparada. Eu comecei no seu terceiro ano, quando Pettigrew voltou. Dumbledore sentiu, muito certamente, que isto era um sinal das coisas que viriam.”
“E você pretende usar isto para—“
“Eu planejo que você use isso. Para o Potter, se for exigido.”
Ela olhou para o frasco na mão dela. “Para o Harry.”
“Certamente. Para o Potter e ninguém mais. Não importa o que aconteça. Está claro?”
“Mas por que eu?”
“Eu acho que isso seria bem óbvio. Porque você estará com ele. Somente você saberá quando e se será preciso ministrar isto. A poção só funciona sobre feridas mágicas ou caso contrário. Não terá efeito sobre—“
“A Maldição da Morte.”
“Certo. Eu suspeito que o Lorde das Trevas não deseja tentar matar o Potter uma segunda vez. Mas, se ele estiver... mortalmente ferido… a Vita Secundus o salvará. Só pode ser usada uma vez, Senhorita Granger. Não há uma Terceira Vida. Então, você precisa estar absolutamente certa.”
Ela concordou. “Por que você está me dando isso agora?”
“O Lorde das Trevas está celebrando. O tempo se aproxima.”
“O tempo?”
“Você recorda, eu tenho certeza, o motivo pelo qual nos casamos,” ele falou maliciosamente. Ela desviou o olhar.
“Você está partindo,” ela disse. Não foi uma pergunta.
“Você sabe que eu preciso.”
“Por quê?”
“Eu não posso contar para você.”
“Foda-se a dupla blindagem! Por que você está partindo?” Ela não falou Por que você está me deixando? Mas a questão pairava entre eles, do mesmo modo.
“Porque isso é absolutamente necessário.”
Ela não falou nada, mas as lágrimas retornaram aos seus olhos.
“Você precisa manter a poção com você o tempo todo. Esteja constantemente atenta. Potter tem que viver. Ele tem que ter êxito.”
“Ter êxito em quê? Matar Voldemort? Mas como?”
“Isto é entre o Potter e o Diretor.”
“E eu?”
“Você sabe qual é a sua tarefa. Sua tarefa é acreditar.”
***
Hermione usou a varinha para criar um pequeno, e almofadado bolso na roupa dela e escorregou o frasco para dentro dele. Então voltou-se para ele e falou com firmeza, “Eu posso fazer isto.”
“Você consegue?”
“Eu consigo.”
Os olhos dele foram para longe, para longe dela, como se ele estivesse lembrando outras promessas, não cumpridas.
“Eu farei,” ela declarou, mais ainda assim ele permaneceu rijo, e seus olhos não retornaram para ela.
“Professor?”
Finalmente, ele pareceu focar nela. “Não ‘Professor.’ Não mais. Não aqui.”
Diante das palavras dele, algo cálido e pesado percorreu a corrente sanguínea dela. A partir do momento que ele entrou nos aposentos, ela tinha vontade de reclamar a presença dele, trazê-lo de volta, arrancá-lo dos braços das bruxas que estiveram com ele aquele dia. Porém, mais que isso, agora ela queria dar a ele a certeza final, forçar dos olhos dele o olhar de defesa e de derrota.
Ela meneou a cabeça, viu que não tinha coragem ainda de dizer o nome dele. Em vez disso aproximou-se dos botões do fraque, cuidadosamente abrindo-os de cima para baixo. “Esta roupa é adorável,” ela declarou. “Mas são vestes de Comensais da Morte. Eles não pertencem aqui.”
Quando ela finalmente terminou de desabotoar o casaco dele, andou para trás e parou. Ela sabia que não tinha sido propriamente um convite, houve algo muito descarado, muito intrinsecamente sexual sobre tirar a roupa e ter sido verdadeiramente um convite, mas isto tinha sido o melhor que ela poderia fazer diante de um comentário tão curto.
Ele sentiu um forte alívio, o fraque brocado sobre seus ombros, alguma coisa tinha fechado a ferida, relaxando-o. Ele aceitou. Ele poderia não ter aceitado ela, não do modo que ela tinha feito para ele, de qualquer maneira, mas ele aceitou o convite.
“Isto precisa ser pendurado,” ele declarou, e fez, é claro, ou a seda amarrotaria, mas não havia mágica para esse tipo de coisa? Ele virou e caminhou para o quarto, e entendendo que despertou sobre ela turbulentos pensamentos.Ah, sim. Certo. Isso precisa ser pendurado. Ela o seguiu silenciosamente, com medo de que se ele notasse a respiração dela, e a dispensasse.
Ela observou imóvel, como ele encarregou-se do casaco. Os movimentos dele eram devagar e ponderados quando ele alisou o pano do vestuário e pendurou no armário. Quando ele virou-se para ela, estava abrindo a gola. Ele não falou nada, mas a fitou com serenidade como ele libertou o botão de cada casa, colocando suas abotoaduras no alto da cômoda. Hermione sabia que ele podia fazer isso com mágica; uma pancada de leve com a varinha e veria tudo removido e cuidadosamente posto de lado, mas ele estava fazendo isso com as mãos, furiosamente devagar. Ela não podia afastar seus olhos para longe dos dedos dele, aqueles longos dedos, ágeis, guiando e empurrando, arrancando e alisando.
“Sim?” Ele finalmente perguntou
“Eu—sim,” ela falou, ascendendo da depressão de desejo na qual tinha se chafurdado e encontrando presença de espírito suficiente para começar a remover as próprias roupas. Algo dentro dela ficou tenso quando esperou que ele perguntasse o que em nome de Merlin o que ela estava fazendo, mas ele não disse nada.
Ela encolheu os ombros depois de despida, revelando as mesmas velhas roupas que ela pegou de manhã quando o anel queimou. Silenciosamente, ela amaldiçoou-se. Você teve o dia todo. Você não poderia ter colocado alguma coisa limpa?Porém, os olhos de Snape não aparentaram registrar as roupas trouxas, pareciam olhar o que estava debaixo delas, talvez o que estava debaixo da pele dela.
Ele estava nu da cintura pra cima, e ela absorveu essa visão quando cruzou o quarto. A pele dele era quase translúcida em contraste com o verde escuro das calças e do cabelo negro. Ele olhou para ela como algo novo e delicado, muito precioso até para ser exposto a luz solar. E ainda, havia cicatrizes, que contavam uma verdade diferente. Algumas ainda estavam rosa e frescas, outras de algum modo mais chocante pela brancura delas, até mesmo mais pálidas que a pele. Repentinamente ela notou que ele não estava nu, mas muito devagar para seduzi-la, para dar a ela tempo para reconsiderar. Será que ele achou que ela ficaria indignada com o que encontrou ali? Ela mesma tinha cuidado de algumas daquelas marcas. Agarrou e traçou uma das novas cicatrizes com as pontas dos dedos. Sentiu a cicatriz lisa e reta. O trabalho da varinha dela tinha sido bem feito, e ficou feliz em pensar que ela tinha trabalhado muito bem nele. Abaixo dos dedos dela se estendia quem era o homem com o qual tinha se casado. Harry queria uma prova? Aqui estava a prova. Ele ficou entre ela e a loucura e tinha as marcas para provar.
Ela pressionou a palma da mão no peito dele e olhou para o rosto do homem. Ele permaneceu rígido, e os olhos dele ficaram camuflados para ela. O quê? O que ele estava esperando? Ele permaneceu como uma estátua inspecionando-a, parecendo pensar que a qualquer momento ela iria se virar e correr. Somente o mais fraco puxar da respiração dele contou para ela que ele sabia que ela estava ali para tudo. Ela deu um passo para trás e pegou a mão dele pressionando em suas mãos. Quando ela as inclinou para baixo para tocar lábios dele, ela entendeu. Era a Marca. Ela só podia vê-la debaixo da confusão de cachos que tinha caído sobre os braços dele quando se inclinou para beijá-lo. Era feia, sim, uma abominação que deveria ter sido limpa da extensão da pele dele. Mas já tinha visto antes, não tinha? Não havia uma polegada da pele dele que ela não tinha visto. Talvez ele tenha pensado que lembrá-la traria dúvidas sobre sua pessoa. Talvez tenha pensado que ela não o perdoaria por ter escolhido aquilo. Mas independente das razões que poderia ter tido para receber a maldita coisa, ela sabia que a alma dele não era a de um Comensal da Morte.
Ele recuou quando ela tocou, e quase puxou a sua mão da dela, mas ela estava esperando e continuar com tudo era o seu preço. Mantendo mão esquerda dele capturada, ela traçou a Marca com os dedos da mão direita. Isto era tão tenebroso, tão entalhado, que ela pensou que estava encrustada na pele dele, e estava um pouco surpresa por ver que fechando os olhos, ela não tinha noção do que estava ali.
“Não”, ele falou violado, mas ela ignorou-o e pressionou seus lábios para coisa odiosa.
Neste momento, ele girou ao agarrá-la e, pegando-a pelo pulso com suas mãos, puxou-a para cima. Ele trouxe o braço dela por cima da cabeça, e pegou o outro pulso, trazendo para juntar-se ao primeiro. Ela estava com medo, mas não lutou. Se ela o empurrasse para longe..., então era melhor deixá-lo bater e pagar o preço agora, melhor do que sofrer remoendo em silêncio. Se não…
Ao abrir os punhos para acomodar ambos os pulsos dela, ele estendeu sua mão livre e arrancou a blusa dela puxando por cima da cabeça. Ela abaixou a cabeça para que ele fizesse isso, e ele libertou as mãos dela, deixando-a completamente sem qualquer peça de roupa. Mas, assim que ela emergiu, ele lançou as roupas no chão e a recapturou em seus braços. Ele tinha pregado os braços dela nos dois lados num aperto inflexível e puxou o cabelo dela até a cabeça dela inclinar para trás, arrebatando e tomando sua boca com a mesma força e possessão que ele tinha feito na escada. Isso era um beijo reclamado por ela, que incluiu toda a razão, e força dela para admitir que com seus lábios e língua e dentes, que tudo que ela prometeu era verdade: meu sangue, seu sangue; minha casa, sua casa; minha vida, sua vida. Ela o beijou furiosamente, ansiosamente, tentando com toda força que podia uma nova linguagem dentro da boca dele jurar que ela o escolheria acima de todas as coisas que ela acreditaria.
***
Beijar ela era como cair dentro de um túnel que não tinha nenhum fundo. E ia sem parar, mudando a textura de vez em quando, algumas vezes exigindo e algumas vezes consentindo, mas sempre quente e agradavelmente úmido. Ele sentiu a certeza de que poderia permanecer ali beijando-a pela eternidade, sem precisar de qualquer coisa, além de um gole de ar para sustentá-lo, e ainda assim, as necessidades do seu corpo se tornariam mais urgentes do que nunca. Ele deu um cauteloso passo adiante, impulsionando ela para trás com seu corpo e apesar de parecer algo um tanto quanto desajeitado pelo menos agora estavam em movimento. Ele continuou até sentir o suave impacto indicando que ela tinha chegado na cama.
Toda a linguagem parecia ter nascido do beijo deles, e como eles permaneceram ali, no precipício, eles tiveram uma furiosa conversa. Ele fez um despreocupado pedido a ela, forçando-a a jurar com a própria boca que ela pertencia somente a ele. Ele sabia que o tempo era curto e estava correndo mais do que das outras vezes. Ele teria que tê-la agora, sim; e isto seria quase que certamente somente um tempo antes dele cometer a horrível traição contra ela. E então, com toda probabilidade, ele seria morto. Mas ele não morreria sem isso—ter, apenas uma vez – sido tocado, aceitado por alguém… que quis ser a mulher para qual ele queria voltar. Ele sabia que ele não deveria – não podia – fazer isto. Como ela se sentiria, sabendo que tinha se entregado ao homem que rasgaria o mundo dela em pedaços? E, no entanto, ele foi forte para parar. Ele a empurrou gentilmente, e ela caiu sobre o colchão.
Ele a seguiu, empurrando-a para cabeceira da cama com sua boca e suas mãos. Ele podia sentir o poder que eles tinham criado entre si; o ar pareceu mais pesado e elétrico com o desejo, e em todos os lugares que ela tocou ele sentiu como se estivesse sendo consumido por dentro por doces chamas. Ele nunca tinha vivido nada como aquilo. Ele lembrou o dia do casamento deles, uma lembrança tão frequentemente revisitada, e ainda assim, isso era infinitamente melhor. O corpo dela o agarrou tão facilmente, tão avidamente. Não havia dívida aqui, nenhum dever, nenhum sacrifício. A excitação dela não tinha nada a ver com a manipulação dele com o corpo dela, mas simplesmente a presença dele. Ele queria sugar todo o fôlego dela para sua lembrança ser capaz de rememorar mais tarde como é o sentimento de ser desejado, porém ele viu que não desejava fazer nada além dessa essa experiência.
Ele conseguiu levar seus lábios para longe o suficiente a ponto de se curvar e ter os seios dela em sua boca. Puxou com cobiça um dos mamilos, que já estavam bem firmes em resposta. Ela tinha arqueado para trás, desejando os seus seios contra os lábios dele, e as mãos dela apertaram espasmodicamente os braços dele. Ele tomou o botão dos mamilos entre os dentes, chicoteando de leve com a língua sobre eles até ela agarrá-lo e estremecer contra os lençóis. Ele pode sentir as mãos dela tentando forçar um caminho entre seus corpos, e somente então ele percebeu que estava se oprimindo contra a perna dela como um aluno. Ela cegamente atrapalhada com os botões da calça dele, e ele relutantemente libertou o mamilo para ajudá-la. Alcançando a mãos dela fora do lugar, ele puxou os botões abertos, já começando a trabalhar com liberdade a matéria transgressora. Atrasadamente reconheceu que os sapatos ainda estavam lá, e chutou-os impacientemente, não havia nada de gracioso em como ambos sinuosamente se livraram de suas roupas, mas ele achou-se espantosamente excitado.
Hermione estava forçando seus próprios sapatos e empurrando suas calças pernas abaixo. Isto era um prazer para ele ver, o cabelo dela aberto como um leque selvagemente no travesseiro, os seios dela sacolejando gentilmente enquanto ela tremulava com as ridículas calças jeans. Logo que as pernas dela ficaram livres, ele subiu sobre ela, reclamando sua boca e empurrando com uma mão a calcinha dela. Por que ela não tinha removido aquela maldita coisa? Bem, ele se livraria dela logo. Ele correu seu dedo indicador sobre o clitóris dela, traçando círculos no bem feito e atraente. Ela estendeu a abertura das pernas, percorrendo por seu próprio corpo até tomá-lo com as mãos. Ele esforçou-se para manter a mente dele calma quando os dedos dela tocaram seu pênis. Tudo ficou escuro e desfocado – ele explodiria; ele viria, mas ele morreria se ela não continuasse a tocá-lo. Eles estavam como adolescentes, ele pensou, mas a noção disso não trouxe desgosto, até mesmo quando a mente dele insistiu em lembrá-lo que ela era só uma adolescente. Ela estava transfigurando ele. Ele estava tornando-se algo a mais. A idéia de ser um adolescente repentinamente pareceu completamente justa, até necessária. Se ele fosse um adolescente, e nenhum desses horrores tivesse acontecido ainda; ele seria livre das últimas terríveis escolhas, e poderia tocar essa adorável criatura livre ao lado dele sem culpa, sem medo.
A mão dela continuou a golpeá-lo, talvez um pouco mais do que ele gostaria, mas ainda sim, era perfeito... perfeito.
“Hermione,” ele murmurou urgentemente. “Eu—eu não posso esperar.”
“Então não espere,” ela falou, e se levantou do colchão para deslizar a calcinha pelas suas pernas. Ela agarrou os ombros dele, deitando-o lentamente sobre ela. Ele acomodou-se entre os joelhos dela e golpeou com violência a cabeça por entre as dobras dela, umedecendo-as.
Um som baixo escapou dela, e isto quase foi a destruição dele. Merlin, o que estava acontecendo com ele? No que ele estava se tornando? Ele mergulhou para dentro dela, afundando tão profundamente quanto ele podia, e ela chorou algo ininteligível.
“Sim?” ele perguntou, hesitando.
“Sim,” ela murmurou, segurando e apertando com força os quadris dele, ansiando que ele fosse mais além.
O ritmo dele estava recortado e irregular, mas ela encontrou cada golpe dele, colocando seus joelhos mais altos e dando a ele mais e mais acesso ao corpo dela. Ele curvou uma das pernas dela sobre os braços dele e dirigiu-se para dentro dela selvagemente.
“Hermione--”
Ela abriu a boca, mas a palavras pareceram alojadas em sua garganta. Ela levantou para beijá-lo, mas ele tirou o rosto do alcance dela.
“ Hermione, por favor.”
Ela fechou os olhos e levantou ainda mais seu quadril, balançando contra ele.
“Fale,” ele pediu de modo ofegante. “Por favor, fale.”
Ela puxou a respiração, e ele esperou.
“Severus,” ela sussurrou, e tudo era fogo, tudo.
Não havia mundo, não havia guerra, não havia mestres com exceção desta pessoa maravilhosa embaixo dele, nenhuma mágica mais que se colocasse entre eles. Ele não pararia de penetrar nela, e a mão dele apertou ela firmemente e sussurrou o nome dela de novo e de novo dentro do cabelo dela.
Quando ele se encontrou outra vez, ele retirou-se de dentro dela. Ela começou a protestar, mas ele rosnou, “Calma, nós não terminamos ainda,” e rastejou de costas, ajoelhando-se mais uma vez entre as pernas dela. Ele abaixou o rosto para feminilidade dela e passou a língua entre os lábios dela, saboreando mistura do sêmen dele com a essência dela. Um pouco, apenas um pouco doce, saboreá-los combinados e juntos, e ele atacou-a com fervor, sua língua dançando por entre as dobras dela, buscando o que ele tinha dominado para conduzir antes – a libertação dela. Ela contorceu-se, mas ele segurou com firmeza os quadris dela, pressionando o rosto mais para dentro, circulando e mergulhando. Onde?Onde ela gostava mais? Ele lutou para lembrar. Mas então ouviu o sibilar do orifício de entrada do ar por entre os dentes dela, e ele soube. Não em círculo. Para trás e para frente. Devagar, inexoravelmente, ele provocou-a com a língua até que ela protestou e avançou contra o rosto dele, mas ainda assim ele não parou.
Para frente e para trás. Ele escorregou dois dedos para dentro dela, pressionando até a ponta dos dedos repousarem contra ela. Para frente e para trás. A cabeça dela agitou no travesseiro. Para frente e para trás. Ela estava perto agora; ele podia sentir. Para frente e para trás.
“Severus!” ela gritou, e ele podia senti-la pulsando contra os dedos dele. Ele levantou o rosto para olhá-la, e ela estava rubra de luxúria; os olhos dela pareciam imensos e negros. E era possível que ele fizesse tudo de novo? Ela tinha tirado de alguma maneira os anos entre eles? Ele deslizou facilmente para dentro dela, a passagem lisa como resultado do desejo deles. Ela tremeu quando ele entrou.
“Mais?”
“Não…não. A-apenas...devagar. Tranquilo.
Devagar.
Tranquilo.
Sim.
Ele se amparou nas próprias mãos e olhou para o rosto dela quando começou a deslizar… devagar… tranquilo… dentro e fora dela. Ele girou o quadril, fazendo círculos lentos quando se moveu, e ele pôde sentir a tensão crescendo dentro dela. Ele gemeu baixo na garganta, e ela respondeu ao som, algum tipo inexprimível de comunicação que fora além da fala.
Ele sentiu que não poderia ir outra vez, mas trouxe-a tão devagar e deliberadamente que ela chorou quando ele saiu. Ela virou o rosto para esconder as lágrimas, e ele rolou de cima dela e a juntou aos seus braços, afagando os cabelos dela até que ela ficasse quieta.
Finalmente, ela olhou para ele, e ele viu nos olhos dela o mesmo olhar que ele tinha visto quando ela foi ao escritório advertir sobre Potter. Era um olhar perigoso, e ele desejou morder, e rosnar e desaparecer com ele, mas ele tinha deixado ir muito longe, e agora nada poderia ser feito sobre isso.
“Quanto tempo nós temos?” ela perguntou depois de um tempo.
“Eu não sei dizer. Isso depende do Diretor.”
“Eu saberei quando acontecer?”
“Você certamente sentirá… os efeitos. Mas eu tentarei prevenir você se eu puder.”
“ Obrigada.”
Eles ficaram deitados em silêncio até ele começar a recear de que eles cairiam no sono.
“Hermione, eu acho melhor que isto não aconteça de novo.”
“Faz sentido.”
Ele quis poder dizer mais coisas para ela, explicar que o amor dele por ela tinha aumentado, que o tinha tornado paralisado. Já parecia impossível contemplar sua missão. E então, é claro, ela tinha permeado mais os pensamentos dele, e seria mais difícil esconder isso dela. O que quer que ele tivesse que mostrar ao Lorde das Trevas, ele nunca revelaria o rosto dela tão manchado com o rosa da luxúria, as pupilas delas tão dilatadas que ele poderia quase cair dentro do buraco que elas formaram. E mais, ele nunca iria querer ver outra coisa. Ele fechou os olhos, e ali estava ela de novo, os lábios separados e úmidos, a respiração rasa e desigual.
Ele baniu a imagem da mente dele. “Eu darei a você uma poção. Mas, você precisa voltar essa noite.”
“Eu sei. Obrigada, senhor”, ela falou, e ele assustou-se com as palavras dela. ’Senhor’ talhou severamente de um lado a outro o amor que eles tinham feito. Mas verdadeiramente, aquela simples palavra era todo o motivo dele amá-la. Ela sabia disso, nesse momento, ele teria que chamá-la de ‘ Senhorita Granger’, e ela não tinha pedido para ele fazer isso.
N/Ligia: Obrigada a todos que comentaram e esperaram pelo capítulo, e principalmente a Dinha Prince que traduziu a maior parte do capítulo (eu só revisei!). Até o próximo!