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8. Cap 8


Fic: A Lista de Desejos de Hermione Atualizada


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Capítulo 8


 


— Mais quente? — Harry perguntou, olhando para os olhos dela, enquanto ela lutava para encontrar palavras para expressar exatamente como se sentia, mas a dificuldade em se expressar lhe dizia o suficiente. — Você não tem que me agradecer — ele disse. — Aquecimento central é parte do serviço.


Era cruel provocar, mas era tão mais fácil deixá-la ruborizada. Hermione Granger era um emaranhado de contradições. Fria, formal, num dado instante. Completamente confusa no próximo. E fora ela quem insistira que isso não era um encontro, algo que o seu vestido negava com toda veemência.


Ela cerrou os lábios com força, recusando-se a se deixar levar pela tentação, e, ignorando-o, deu atenção completa ao menu, deixando-o livre para fixar sua atenção na forma como os cabelos dela deslizavam sobre seu pescoço, assentando sobre o ombro. A pele lisa de suas costas...


Ela olhou para ele, viu para onde ele olhava e disse:


— Acalme-se, Potter. Estou a fim de comer.


— Sim, madame.


Por um tempo a conversa girou em torno de nada mais perturbador do que os méritos do peixe contra os da carne, os prazeres de boas refeições, experiências compartilhadas e a descoberta de ambos. Uma conversa tranqüila e relaxante. Relaxante o su­ficiente, depois que o garçom partiu com os pedidos, para que Hermione, de volta ao controle depois daquele beijo indecente, voltasse ao território pessoal.


— Então, Potter — ela começou —, como foi sua; viagem à Escócia? Tudo bem na festa da sua filha?


— Muito bem, se sua idéia de diversão consiste num bando de pessoas comendo demais, bebendo demais e dançando ao som de música prejudicial aos ouvidos.


— Para ser honesta, não é.


— Nem para mim. — Ele sorriu como se fossem um casal de adultos mal compreendidos. — Mas Chloe pareceu estar se divertindo muito. E isso é tudo o que importa.


— Que pai atencioso — ela disse, e se deu conta de certo sarcasmo em sua voz. Sem estar completamente no controle, ela disse: — Não creio que você tenha uma foto dela.


— Você não está gozando de mim, está? — ele perguntou, ao enfiar a mão no paletó e retirar uma foto da carteira.


A jovem na fotografia parecia tanto com Harry quando ele tinha a mesma idade que, em vez de responder, ela apenas recuperou o fôlego. Ela tinha o mesmo cabelo escuro e pesado. Os mes­mos olhos verdes. Mas nada do perigoso traço do pai Ou talvez o retrato formal com o sorriso inocente disfarçasse os sentimentos mais profundos. Ela teria, afinal de contas, de ter herdado algo da despreocupação do pai. E talvez da mãe também.


— Você está com um problemão, Potter— ela disse, devolvendo-lhe a foto.


Pela primeira vez desde o início do encontro ela o viu desconcertado.


— Estou? — Ele olhou para a foto, visivelmente interessado no que ela vira que ele havia deixado passar.


— A menos que ela entre para um convento, deixará um rastro de corações despedaçados por onde passar. Certamente, ela puxou a mãe.


— A mãe dela era ruiva, tinha olhos azuis e era sardenta — ele disse.


— Sardenta! Achei que você fosse um cavalheiro!


Ele sorriu.


— Tudo bem, não eram sardas. Apenas uma pitadinha de pó dourado de fadas.


— Oh, pelo amor de Deus — ela disse, um tanto quanto enciumada. — Deve ser difícil para você viver longe dela.


— Não estou longe o suficiente para os avós dela. Eles fizeram de tudo para me manter bem longe dela. E Gina, claro.


— A ruiva sardenta? — ela perguntou. — Obvia­mente, eles não conseguiram.


— Não por não tentarem. E é estranho. Odiei os pais de Gina por muito tempo. Nunca os perdoei pelo que fizeram. Mas, na festa, vi Chloe paquerando um rapaz e finalmente entendi o que eles passaram todo esse tempo. Entendi que tudo o que eles queriam era protegê-la de tipos como eu. Ele olhou para cima e sorriu. — Acho que é minha vez de sofrer.


— Você é pai. Isso é parte do jogo.


— Sim, bem, as coisas têm sido fáceis até agora. Aparecer uma vez por mês com um brinquedo novo que ela queria, nunca ter de ser duro com ela na hora de dormir, o homem mau na hora do dever do casa; tudo isso é moleza comparado ao trabalho de estar com ela.


— Sinto muito. Deve ter sido muito difícil para você — disse Hermione, curvando-se instintivamente para tocar-lhe o braço. Sabendo que houvera um outro homem para quem sua filhinha correra quando caiu e se machucou. Que contou histórias ela. Que sempre esteve presente. — Você fez o que pôde. Mais do que muitos homens na sua posição.


— Não foi suficiente.


— Não. — Não era apenas sua filhinha quem ele queria. Era a mãe dela.


Ela levantou a mão levemente e disse:


— Os pais de Gina impediram vocês de ficarem juntos? De se casarem? Ou isso é muito antigo de minha parte?


— Se é, estou com você, mas a única coisa que tínhamos em comum era o fato de termos 18 anos e prontos para uma diversão. Ela estava no último ano nas Faculdades para Mulheres St. Mary com uma vaga garantida na Oxford. Eu estava terminando o primeiro ano de seis na Melchester Comp. Mundos completamente diferentes. Ela era do tipo que usava os cabelos brilhosos, chapéu panamá e era distinta. — Ele olhou para ela. — Bem, não preciso lhe dizer mais nada.


Ela se lembrou de quando ele deduziu que ela vinha da mesma tradição privilegiada.


— Não — ela disse —, não precisa dizer mais nada. Isso foi parte da lista dela. Parte do grande pla­no para a vida. Ser uma daquelas garotas confiantes, sempre sorridentes, com uniformes idênticos...


— Eu era o tipo de rapaz de quem ela tinha sido avisada a vida toda.


— Meninos maus, especialmente aqueles de motocicletas, têm sido uma atração irresistível até para garotas de boas famílias.


— Como você sabia que eu tinha uma moto?


— Poderia apostar qualquer coisa — ela disse.


— Sim, bem, os pais dela acreditavam que eu era o único responsável. Se eles pudessem, teriam me prendido por deflorar uma virgem. Não que ela fosse. Aqueles menininhos bem cuidados do St. Dominic deviam achar que era seu dever aliviar as meninas da St. Mary dessa carga logo depois de seus aniversários de 16 anos... — Ele parou. — Sim, bem, pelo menos eu fui inteligente o suficiente para não dizer-lhes isso.


— Então, se não um cavalheiro puro — ela disse —, perto de ser.


Ele olhou para ela.


— Se uma das amigas dela não tivesse me falado sobre Chloe, eu nunca teria ficado sabendo.


— Vocês já não estavam mais se vendo?


— Eu nunca fui parte dos planos dela para o futu­ro, fui apenas um casinho de verão para celebrar o término das aulas, para preencher o tempo antes de ela partir para a Toscana, onde passaria o verão. O en­jôo da manhã deve ter atrapalhado bastante as férias dela.


— Sinto muito.


— Tudo bem, princesa — ele disse ao tocar a mão dela. — Gostaria que acreditasse que fiquei com o coração partido, mas aquilo foi apenas um caso de desejo juvenil à primeira vista. Desejo despreocu­pado.


Ela tentou apagar a imagem de dois jovens com tanta pressa que se esqueceram de usar proteção.


Um desejo repentino de saber como seria estar tão perdida de desejo...


— Por que ela não lhe contou? Sobre o bebê?


— Ela sempre disse que era porque tinha medo do que o pai dela poderia fazer comigo. Suspeito que tenha havido um quê de autopreservação mis­turado nisso. Ela já estava em desgraça suficiente sem admitir que estava brincando do lado errado dos trilhos. Ela não ficou muito empolgada quando apareci em busca de meus direitos. Mas eu não ia permitir que ela ou a família dela me apagassem da árvore genealógica.


— Isso lhe dá um certo crédito — ela disse.


— Sim, bem, meus pais acharam que eu estava louco. Disseram-me que eu deveria estar grato por ter sido deixado de fora. Eles simplesmente não entendiam, recusavam-se a ajudar. No final das contas, Maggie foi quem descobriu o que eu tinha de saber e me ajudou a conseguir uma ordem judicial para um teste de paternidade. Então, antes disso acontecer, havia um sinal de Vende-se do lado de fora da casa. Ninguém em casa.


— Então, foi que você foi.


— O quê?


Ela se deu conta de que enfatizou a coisa errada. De que falara como se sentira a falta dele.


— Você foi atrás deles. Até a Escócia — ela disse, e ele respondeu:.


— Oh, não. Isso teria sido fácil. Muito mais fácil. Tenho familiares na Escócia, teria um lugar para ficar, pelo menos. Mas a Gina só se mudou para lá quando se casou como o seu lorde, anos depois. Não, eu finalmente os encontrei na Irlanda, onde tive que começar o processo todo de novo. Acho que só então eles se deram conta de que não podiam fingir que eu não existia. Que eu não ia simples­mente desaparecer.


— Você largou a escola para ir atrás dela? Desis­tiu da sua chance de um lugar na universidade?


Ele deu de ombros.


— Algumas coisas são mais importantes.


— Duvido que outros garotos de 18 anos pensassem assim.


— Talvez eu não tenha sido feito para uma car­reira acadêmica. Mas, então, foi concedido o direi­to de visitas, e de passar uma tarde com Chloe por mês na presença da babá.


— Uma vez por mês! Isso é monstruoso.


— Talvez. Talvez eles tenham pensado que eu perderia o interesse, que seria mais difícil para Chloe se ela me conhecesse de verdade. E, então, quando eles descobriram que eu era uma pessoa civilizada e apesar de minhas origens humildes tomava ba­nho regularmente e sabia como usar garfo e faca, as coisas ficaram mais fáceis. Eu era até convidado para as festas de aniversário de Chloe.


— Com expressões muito severas olhando para você, aposto.


— Apenas dos adultos. Especialmente quando cheguei com um pula-pula na carroceria. As crianças amaram. — Ele sorriu brevemente ao lembrar. E eu sou muito teimoso. Não importava o quanto não era bem-vindo, estava sempre voltando.


— E agora eles não apenas lhe convidam para as festas, mas deixam você pagar por elas. — Ela não conseguia acreditar como não gostava deles, sem no menos os conhecer. — Espero que as boas-vindas sejam mais calorosas.


— Para ser honesto, nunca descobri se as gaitas de fole são para me dar as boas-vindas ou para me afastar de lá. — Hermione riu. — Talvez tenha havido er­ros de ambas as partes, mas ela é minha filha e daria a lua a ela se ela me pedisse.


— Ela é uma menina de sorte.


— Sim, é verdade. Ela tem uma família que a ama e um pai que... — ele deu de ombros.


Morreria por ela, ela pensou, preenchendo a pausa.


— E Gina? — Hermione perguntou. — Como ela se sente tendo você por perto?


— Nunca a vi muito. Ela ficou um ano sem estu­dar para ter a Chloe, antes de ir para Oxford como planejado. Em seguida ela conheceu Angus, e tal­vez porque quisessem deixar algo claro, ou porque Chloe fora a dama de honra, seus pais me convidaram para o casamento. Agora eles têm três menininhos também.


— Um final feliz para todos, exceto para você.


— Estou trabalhando duro para isso. E você? Sei que tem uma mãe que dirige um carro velho. O que aconteceu com o seu pai?


— Boa pergunta. Ao contrário de você,Potter, ele não honrou sua paternidade. — Ela olhou para cima enquanto o garçom se aproximava deles e, por um instante, planejou se agarrar à chance de mudar de assunto e evitar essa dor que ela nunca dividira com ninguém. — Na verdade, nunca encontrei meu pai.


Harry esperou até que estivessem sentados à mesa e a sós antes de fazer a pergunta que pareceu suspensa enquanto eles eram acomodados.


— Você quer? Encontrá-lo? Conhecê-lo?


— É difícil — ela disse, brincando com os escalopinhos que eles pediram. — Ele abandonou minha mãe. Fugiu. Entendo como ele estava assustado, mas ela teve a coragem de desafiar seus pais e me ter, embora eles tenham se recusado a ajudá-la.


— Uma mulher de coragem.


— Quase uma menina. Era ainda mais jovem do que Gina. Vi como ela teve de batalhar, de traba­lhar duro, não só para me sustentar como para me dar a chance que a ela fora negada. Por ele, a única coisa que sinto é indiferença.


— Mas?


— Mas... — ela suspirou. — Existem grandes intervalos na minha vida e ninguém para perguntar. Se Chloe ainda não se deu conta, um dia descobrirá como tem sorte por você ser o homem que é.


— Obrigado. Já fiquei em dúvida se a minha presença seria bem-vinda se não fosse sempre acompanhada de brinquedos.


— Brinquedos? — ela riu. — Posso apostar que você não está se safando com umas bonequinhas Barbie hoje em dia.


— Certamente. Esse ano o carro não foi feito de plástico cor-de-rosa. — E acrescentou: — Pensei que estivesse com fome. Isso está uma delícia. — Ele ofereceu a ela um pedaço de pato defumado. — Experimente.


Parecia a coisa mais natural do mundo, pegar a comida do garfo dele.


— Humm... Ela olhou nos olhos dele e se deu conta do quanto estavam próximos, de como aquilo fora um gesto íntimo. Draco nunca fora tão acolhedor, tão espontâ­neo, mas, também, ele nunca quisera nada dela além tio conteúdo de seu laptop. Comparado com Harry ele era completamente frio. O que já era mau o suficiente.


Harry Potter, por outro lado, deixava claro de todas as formas que a desejava mais do que tudo. E, ela se pegou quase sem fôlego.


— É tão sutil — ela disse — , que sabor é esse?


— Não faço idéia. Mas também não estou muito preocupado em saber como prepará-lo.


— Você não cozinha?


— Não, a não ser que a alternativa seja passar fome — ele admitiu. — E você?


Ela deu de ombros.


— Talvez as mulheres sejam acostumadas a cozi­nhar para si próprias.


— Apenas para você?


Ela sorriu.


— O cozinheiro podia lhe ensinar algumas coisas sobre sutileza, Potter. Mas, sim, apenas para mim. Estive envolvida com alguém temporariamente. Já acabou.


— É por isso que voltou para Melchester?


— Quem disse que eu voltei!


— Você disse. Você me disse que não morava em Melchester desde que deixou a universidade. Está à procura de um emprego, de algum lugar para viver. Estava procurando por um lugar para viver.


— Parece que encontrei muito trabalho. Não que eu ganhe um salário.


— Maggie não está pagando você?


— Estamos um tanto quanto paralisados no que diz respeito a finanças. Ela não quer nem discutir um aluguel, então não deixarei que me pague por ajudá-la. E o contador dela deve estar louco com todas as mudanças que estou fazendo. Ele pareceu acreditar que fosse melhor que Maggie fechasse a loja de uma vez. Jeito engraçado de se fazer negócios.


— Bem, não posso dizer que concordo plenamente com ele, mas ele tem alguma razão. Minha mãe vai ao bingo com Maggie, mas ela não me via há anos. Eu poderia ser qualquer pessoa. Poderia estar roubando Maggie.


— Deveria ter dito quanto está lhe custando aquele painel de vidro na parte de trás que ele calaria a boca.


— Ele teria tido um ataque do coração bem ali, acredite em mim, já usei minhas habilidades de pri­meiros socorros ao limite essa semana. Ele se acal­mou um pouco depois de passar meu nome por uma agência de crédito e ter checado algumas referências que dei a ele, mas ainda não está feliz.


— Ele é um contador, não é do feitio dele ficar feliz. O que ele deveria fazer é se assegurar que a loja continue a vender. Seja o que for preciso.


— Talvez ele pense que isso não vale a pena — ela disse —, sendo que, ao menos que todos nós façamos um grande esforço para proteger a área, tudo será enterrado debaixo de um estacionamento no ano que vem.


Ele balançou a cabeça, um sorriso sarcástico cruzou-lhe o rosto.


— Bela tentativa. Estava em dúvida se demoraria muito para você voltar para o seu assunto predileto. Então, diga-me, o que você oferecerá para o comitê de planejamento?


— Oferecer?


— Você quer salvar sua ruazinha preciosa mas deve saber que não pode deixá-la como está.


— Oh, não. Bem, obviamente, ela precisa de uma reforma completa. Uma camada fresca de tinta, flo­res... — Mesmo tendo dito isso, ela se deu conta de que ainda era muito pouco. — Na verdade, descobri por que ela deixou de ser uma rua movimentada para o comércio. Os fregueses tinham que usar o estacionamento velho perto da estação e caminhar até o centro da cidade passando pela Prior's Lane. O novo shopping tem seu estacionamento, que dei­xa os fregueses bem na sua porta. E Saffy disse algo interessante...


— Saffy?


— Uma estudante que admiti para trabalhar na loja. Ela queria saber por que alguém se daria ao trabalho de sair no frio e na chuva quando podia encontrar tudo o que precisava no shopping.


— E daí? Você está dizendo que a rua deveria ser coberta de alguma maneira?


— Não faço idéia se isso é possível. Ficaríamos bem com um arquiteto ou um engenheiro na equipe.


— Eles custam dinheiro.


— Isso é um projeto comunitário. Somos todos voluntários. — Ela ignorou a resposta engasgada dele. — E é claro que teríamos que gerar interesse da parte de comerciantes para que voltem para lá. E algumas pesquisas... — Ela falou por um bom tempo, cheia de idéias. Então, dando-se conta de que ele não dissera uma só palavra em dez minutos, terminou de repente. — Sinto muito. Você está visivelmente entediado. É que eu tenho vivido tudo isso desde que vi o jornal.


— Tenho que admitir, vendas no varejo não está na minha lista de preferências quando estou num restaurante romântico com uma bela mulher, mes­mo que seja apenas um jantar e não um encontro. Mas você está certa sobre uma coisa: conseguir alguns lojistas interessados seria melhor do que qualquer petição neste mundo.


— Você só está dizendo isso porque está com medo que eu peça para você ficar do lado de fora da loja com uma prancheta.


— Não estou com medo. Pode me pedir qualquer coisa, princesa. Se eu não quiser fazer, vou lhe dizer. Tem alguma coisa que você gostaria que eu fizesse para você?


— Ela teve a sensação estranha de que eles já não falavam mais da campanha. Mas ele não teria como falar da loja. Ele teria dito algo. Dave teria dito...


— Vamos pedir um pudim? — ela disse.


Ele levantou a cabeça e um garçom apareceu de imediato. Ela o interrompeu antes que ele começasse a falar sobre a lista de sobremesas e disse:


— Por favor, traga-me alguma coisa com chocolate.


— Nada para mim — disse Harry. E então, quan­do o garçom saiu: — Fale-me sobre esse relaciona­mento breve que lhe fez voltar para casa.


— Foi um relacionamento. E foi breve. — Ele es­perou. — Ele era um idiota — ela disse —, pior, eu em uma idiota.


— E como você está à procura de outro emprego, deduzo que vocês trabalhavam juntos.


— Você é inteligente demais para trabalhar com biscates, sabia? — Ele sorriu. — Você está certo, cla­ro. Cometi o erro de sair com um colega de trabalho. — Ela deu de ombros. — Quando a casa cai, al­guém tem que ir embora.


— Ele era seu chefe?


— Nem tão inteligente. Eu era a chefe dele. Ou pelo menos pensei que fosse. Quando ele roubou minhas idéias e passou por cima de mim na sala da diretoria, perdi o controle. Aquele foi um momento digno de champanhe.


— Você jogou isso na cara dele?


— Lá estava — ela disse, sentada com um gesto largo. — Eu sabia. É tão previsível. Ponha uma taça de champanhe na mão de uma mulher. Faça-a de idiota na frente de seus colegas e, sim, a casa veio abaixo, e em seguida uma saída com o conteúdo de sua mesa numa caixa debaixo do braço e sete anos de trabalho duro desce pelo ralo. Ele calculou minha reação, deixou-me no ponto certo...


— Hermione...


—... e eu agi de acordo. Mas o meu maior erro foi não ter parado ali. Uma taça de champanhe era compreensível. Agarrar uma bandeja e atirar o con­teúdo sobre o presidente, deixando-o pingando champanhe e com cacos de vidros sobre o carpete,mostra que você está prestes a ter um ataque de nervos. Não só indesejável na Markham and Ridley, mas um risco para qualquer empregador sensato.


— Sinto muito.


— Por quê? Não foi culpa sua.


— Digo, por ter pedido o champanhe. Não é a toa que você pareceu tão horrorizada. Achei que você tivesse pensado que eu tivesse ultrapassado seu orçamento antes mesmo de termos olhado o menu.


— Não... Fiquei com medo de, depois de você ter gastado tanto dinheiro, eu não poder tocar os lábios na bebida antes de ter um troço. Mas logo que* consegui controlar as tremedeiras, aproveitei bastante.


— Talvez seja como andar de bicicleta. Você precisa voltar a tentar antes que isso se torne um problema maior.


— Que estranho. Minha mãe disse algo desse tipo outro dia.


— Sobre champanhe?


— Não, sobre... — Ela balançou a cabeça, mas já era tarde demais. Ele não poderia ter deixado de compreender o que ela queria dizer. — E você? Deve ter havido alguém importante na sua vida além de Gina.


— Ela não foi importante. Mudou minha vida, mas não foi importante. Mas você está certa, foram muitas garotas, mulheres. Uma, talvez duas que pareceram importantes quando aconteceu, mas nada que prosperou. Nada recente. Ao ficar mais velho, pareço ficar mais exigente. — Ele sorriu. — E sempre fui muito exigente.


Ela pensou se ele não estava enganando a si mesmo. Se a mãe de sua filha era a única pessoa com quem ele poderia ter algum compromisso, tendo consciência ou não.


— E o encontro na hora do almoço que você cancelou para vir ao meu resgate? — ela perguntou.


— Sinto lhe informar, mas eu planejava almoçar com alguém que trabalha comigo. Neil até parece uma mulher velha, mas tem mulher e filhos para provar o contrário.


— Então, por que você não me disse isso?


Ele foi salvo da resposta pelo garçom que che­gou com a sobremesa que mais parecia uma obra de arte feita de açúcar e chocolate.


— Meu Deus, sinto-me culpada apenas em pensar em comer isso — ela disse, tentando se agarrar em qualquer oportunidade de esquecer o que havia dito. Torcendo para que ele também esquecesse.


Harry se inclinou, quebrou um pedacinho do chocolate e levou até os lábios dela. O chocolate se quebrou enquanto ela tentava pegar com os dentes para evitar tocá-lo, e ao tentar apanhá-lo, seus lábios se fecharam em volta do dedo dele.


O tempo pareceu desacelerar. Seu coração, que usualmente não a incomodava, bateu uma vez, duas, três vezes contra suas costelas. Embaixo o seu ven­tre contraia e cada parte dela parecia mole, pronta...


— Aí está — ele disse, levando o dedão até a boca para pegar um pedaço de chocolate que ela deixou para trás. — É fácil.


— É mesmo? — A voz dela não passou de um sussurro. — Nunca achei que fosse.


E, como se respondesse a uma pergunta que ela nem se dava conta de ter perguntado, ele pegou a mão dela, segurando-a entre as suas.


— A vida é curta demais para desperdiçar os prazeres mais simples, Hermione.


Era tão simples assim? Ela passou a vida inteira trabalhando. O prazer era para as outras pessoas. E quando ela finalmente se sentiu tentada, seu julgamento, tão ausente na prática — deixou-a na mão.


Mas ela não tinha nada que Harry queria além do calor humano e prazer corporal. Algo que ela sabia que ele daria em troca à altura.


Era puro prazer.


— Você me dá licença por um segundo?


Antes que ele se desse conta,Hermione saiu pelo restaurante. Ela deixou o cartão de crédito com um garçom assustado.


— A conta — ela disse. — E, por favor, diga ao re­cepcionista para telefonar para um táxi para nos levar até Melchester.


— Mas, madame...


— Agora. — Ela não esperou para ter certeza de que ele havia entendido a mensagem e correu para o banheiro, esperando encontrar o que procurava.


Suas mãos deviam estar tremendo quando pôs as moedas na fenda da máquina, mas estava tão fir­mes quanto as de um cirurgião. Ela deveria ter ficado embaraçada quando uma mulher ajeitando o batom olhou para ela pelo espelho e sorriu. Em vez disso, ao jogar a embalagem na bolsa, ela sorriu de volta.


Ela deixou uma gorjeta enorme com a conta as­sinada, agradeceu o garçom pela noite maravilhosa e sentou-se de frente para Harry.


— Espero que não se importe em deixar de lado o café, mas temos apenas cinco minutos antes de o táxi chegar — ela disse.


— Você pediu um táxi?


— Sim, Harry— ela disse. Em seguida olhou para ele, para que ele não pudesse deixar de entender o que ela dizia naquele momento. — Quero que você me leve para casa.


 

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