Estávamos deitados nos lençóis azuis da cama dele. Ele havia rolado para o lado, estávamos os dois deitados, de barriga para cima, com a respiração ainda ofegante pelo o que havia acabado de acontecer. Eu sentia cada parte do meu corpo, cada pedacinho de mim em júbilo. Eu enfim tinha descoberto o que eu penso que já sabia desde o primeiro dia, nunca havia sido apenas admiração. Nunca. No entanto eu não fazia idéia do que ele pensava. Virei o rosto para encarar o rosto dele. Ele me olhava sem piscar, mas eu não conseguia entender sua expressão. Então ele falou, muito baixo, me olhando como se estivesse vendo através de mim:
- Tão linda, tão jovem – e parecia que ele dizia para si mesmo, depois, tive certeza – Como pôde arruína-la?
- Me arruinar? – eu falei pela primeira vez, e isso pareceu tirá-lo de seus pensamentos.
- Saia daqui Minerva – ele disse, baixo mais firme.
- Você não me arruinou – eu tentei – Me fez feliz, eu o quis tanto.
- Me quis? – ele disse, tão bobo que nem parecia Alvo Dumbledore – Você tem apenas dezessete anos.
- Você não parecia me achar apenas uma criança a uns dez minutos atrás. – eu disse secamente, sem respeito nem cerimônia.
- Minerva, saia daqui. – ele disse, e dessa vez parecia uma suplica.
Eu sentei na cama.
- Não fizemos nada errado. – eu disse, em tom de consolo.
Foi quando eu vi para onde ele olhava, havia sangue onde eu estava deitada e ele me olhou cheio de remorso, como se finalmente tivesse tido a confirmação para o obvio.
- O que foi que você fez Dumbledore? – ele disse para si mesmo.
- Não quero que se arrependa – eu disse baixo, sentia as lagrimas vindo.
- Você... não se arrepende? – ele disse.
- É claro que não. – eu disse e sorri, esperando poder confortá-lo.
- Por favor – ele disse – diga que não esta apaixonada por mim.
Eu o olhei, os olhos arregalados, como eu poderia dizer, ele saberia que eu estaria mentindo, ele sempre sabia. Ele era o bruxo mais poderoso do mundo. Droga.
- Não posso. – eu disse simplesmente. Sentindo o meu rosto corar.
- Saia daqui Minerva – ele disse, dessa vez mais alto e mais firme do que nunca, como uma ordem.
- Está me mandando embora? – eu disse, estava com raiva, decepcionada – Depois de tudo isso?
- Esqueça tudo isso. Eu não queria que isso tivesse acontecido – e as palavras dele foram como um tapa em meu rosto, as lagrimas finalmente caíram e ele não pareceu se importar com elas.
Então ele preferia que aquilo não tivesse acontecido, eu realmente demorei para engolir as palavras, mas finalmente entendi, que ele não me queria. E eu tinha entregado a ele o meu corpo e o meu coração e ele sabia disso. Fiquei imaginando o quão nobre ele era para ele não gargalhar de mim. Eu era uma menininha ridícula e apaixonada. Nua na cama dele. De repente esse ultimo fato me deu uma vergonha incrível, eu levantei, puxando parte dos lençóis comigo para cobrir o meu corpo. Apanhei a minha varinha, com alguns feitiços fiz todas as roupas estarem em meu corpo novamente. Eu fitei novamente Alvo Dumbledore nu. Eu não deixava de querê-lo, ele ainda estava tão lindo. Mas ele ainda olhava para o sangue. E então apontei a minha varinha para a mancha e fiz o sangue desaparecer, ele olhou de volta para mim.
- Só para você não ter lembranças que não o agradam – eu disse, com mais frieza do que eu jamais tinha dirigido a ele.
- Ah – ele disse, e eu sabia que viria uma frase que ninguém entendia típica de Alvo Dumbledore – As suposições são tão perigosas.
- E o que devo supor – eu disse e não pude controlar a raiva, cuspindo as palavras – Devo supor que o senhor me quer? Devo supor que o senhor me ama?
Ele não respondeu, e eu sabia que ele não tinha respostas para isso.
- Devo supor que sou uma menininha idiota com quem o senhor se deitou – eu disse, e eu já estava gritando – E a julgar pelo seu remorso, não faz isso com muita freqüência.
- Minerva... – ele disse, calmamente. E eu não sabia de onde ele tirava essa calma toda, porque tão controlado, sempre.
Respirei fundo, eu também poderia me controlar.
- Não se preocupe, não lhe dirigirei a palavra se não for absolutamente necessário e não voltarei a essa assunto. Eu não sou burra, eu já entendi – eu disse, e então olhei para ele mais uma vez, sem fraquejar – Boa noite professor Dumbledore.
E eu sai do seu quarto, sai dos seus aposentos, de sua sala de aula, pensando assim que o cheiro dele pudesse parar de invadir o meu nariz e me alucinar o tempo todo. Mas o cheiro dele estava em mim, não apenas do meu corpo, estava gravado, como se estivesse sido marcado com fogo, dentro de mim.
Comentem, me digam o que estão achando :D