Era o ano de 1937. Eu ainda me lembro bem, da primeira vez que o vi. Eu tinha apenas 11 anos, adentrava o salão principal da escola de magia de Hogwarts, junto com os outros alunos do primeiro ano. Formou-se uma fila de meninos e uma de meninas e esperamos as próximas instruções. Era um homem muito belo, não sabia ao certo quantos anos tinha, talvez quarenta, um pouco mais um pouco menos. Era alto, magro mas tinha o corpo forte, o cabelo e a barba eram acaju e os olhos eram de um azul tão lindo, clarinho. O homem chamou o meu nome, com a voz calma.
- Macgonagall, Minerva.
Andei até a cadeira e me sentei, ele pousou o chapéu seletor sobre a minha cabeça. O chapéu demorou um pouco sussurrando para mim.
- É sem duvida uma menina inteligente – disse o chapéu na minha cabeça – Se daria bem na Corvinal. No entanto, eu acho que a coragem em seu coração é maior. – E então ele disse alto – Grifinória.
Todos na mesa da Grifinória bateram palmas, eu andei até lá e sentei. A próxima menina que foi selecionada para grifinória sentou-se ao meu lado, naquele momento eu não fazia idéia, mas ela seria a minha melhor amiga. Seu nome era Augusta.
Logo que todos os alunos já haviam sido selecionados, o diretor nos deu as boas vindas e nos apresentou aos professores. O homem bonito de olhos azuis nos foi apresentado, seu nome era Alvo Dumbledore e ele era professor de transfiguração, e quando soube, fiquei louca para ter a primeira aula com ele.
Minhas preces não foram atendidas, as aulas de transfiguração para o primeiro ano só ocorreram no fim da semana e dessa eu também me lembro muito bem.
Cheguei na sala se aula já eufórica, sentei-me em uma das primeiras cadeiras ao lado de Augusta, ela não parava de tagarelar sobre como a aula de feitiços tinha sido ruim e que ela definitivamente odiava a matéria.
- Talvez você goste mais de transfiguração. – eu disse.
- Aposto que vou gostar – e depois cochichou no meu ouvido – Você viu o professor? Ele é lindo.
- Ele é um homem muito bonito. – eu disse – tem olhos tão...
- Olhos? – Augusta me interrompeu – Ele tem um sorriso tão...
E então, fosse os olhos ou fosse o sorriso o professor que parecia fazer as alunas de 11 anos suspirarem entrou pela sala, se ele causava esse efeito nas menininhas, imagina o que não causava nas alunas mais velhas, ou nas mulheres. Claro que alem de bonito ele também era um grande bruxo, foi ele que tinha derrotado Grindelwald, foi ele que tinha descoberto os doze usos do sangue de dragão, entre outras coisas que constavam em sua foto nas figurinhas dos sapos de chocolate.
Quando ele entrou dei uma balançada nos meus cabelos, pretos e lisos para que caíssem sobre um de meus ombros.
- Bom dia. – ele disse, na voz calma e bonita que chamou o meu nome para a seleção.
- Bom dia – nós respondemos em coro.
E então a aula foi acontecendo, ele era realmente um bom professor, muito inteligente. E a matéria era incrível, não sei se gostei mais ainda dele porque ele era professor de transfiguração, ou se gostei tanto assim de transfiguração porque ele era o professor.
O fato é que eu gostava muito dos dois. Augusta parecia concordar comigo.
- Ele é realmente um professor muito bom. – ela disse.
- Eu também achei – eu respondi. – E então, gostou de transfiguração?
- Nossa, muito – ela respondeu – uma coisa que vale a pena aprender, melhor que feitiços.
- Ah augusta – eu disse repreendendo minha amiga – Feitiço é muito útil também. Claro apesar de eu simplesmente ter me apaixonado por essa matéria.
- Você é apaixonada por TODAS as matérias. – Augusta disse, desdenhando de mim, eu realmente prestava muita atenção nas aulas.
- Eu tento aprender todas as matérias – eu respondi – o que não quer dizer que eu goste delas.
- Daqui a duas semanas tem jogo. – ela disse, desconversando – Grifinória e Sonserina.
- Ah – eu suspirei – Mal posso esperar para poder entrar no time.
- Meninas geralmente não entram no time – a alguns anos atrás, isso era verdade.
- Mas eu vou tenta – respondi, e depois a estimulei – Você também deveria.
- Eu? – disse Augusta – Detesto essa coisa. Para mim Quadribol só se for Grifinória, e só quando ganha.
Rimos juntas.
Os anos se passariam e muitos dos meus sonhos e dos sonhos de Augusta se realizariam, alguns problemas continuariam lá, e algumas coisas permaneceriam eternas, e outras mudariam drasticamente.