FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout  
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
 

(Pesquisar fics e autores/leitores)

 


 

ATENÇÃO: Esta fic pode conter linguagem e conteúdo inapropriados para menores de idade então o leitor está concordando com os termos descritos.

::Menu da Fic::

Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo


Capítulo muito poluído com formatação? Tente a versão clean aqui.


______________________________
Visualizando o capítulo:

11. Os mesmos problemas de sempre.


Fic: De Volta Para Os Seus Braços


Fonte: 10 12 14 16 18 20
______________________________

Notas e agradecimentos, como sempre no final do capitulo. Aproveitem....

11 - Os mesmos problemas de sempre. 
____________________________
 
 


Rony a olhava com expectativa, mas tudo que ela fazia era encarar um ponto da parede oposta. Notou que ela parecia desconcertada com alguma coisa, talvez fosse aquela situação toda. Tudo que haviam combinado estava errado. Como sempre, ultrapassaram os limites. Tão típico deles.


- Hermione. – ele chamou.


- Hum? – ela resmungou.


- Precisamos conversar. – ele falou impaciente.


- Eu sei. – ela suspirou cansada.


 Rony ficou de costas para ela, estava cansado, sinceramente cansado dos joguinhos de Hermione. Sentia sua paciência se esvair a cada segundo de silêncio dela. Queria respostas, precisava de respostas. Ele escutou os passos delas atrás de si, mas não se virou.


- Não podíamos ter feito aquilo ontem. – ela disse.


- Por quê? – ele perguntou indignado se virando para ela novamente. – Só na sua cabeça que isso é errado, Hermione. – ele passou a mão nos cabelos, bagunçando-os sem ao menos perceber, tentando recobrar a calma. – Hermione, não podemos mais continuar assim, não desse jeito. Não dá mais! Eu não aguento ficar perto de você sem te tocar. Eu preciso de você aqui porque eu preciso de você!


- Allice. – ela disse fazendo com que ele se enfurecesse.


- Eu não tenho nada, nada, com a Allice! – ele falou exaltado. – Você que está arrumando desculpas para repelir o que sente. Ou o que eu acho que você sente, né?!


 Hermione olhou para ele assustada, sem saber o que dizer. Não esperava que ele reagisse daquela maneira, isso a deixou um pouco revoltada.


- Eu não estou arrumando desculpa para nada, Ronald! Deixe de ser insensível e se ponha no meu lugar! – ela falou apontando o dedo ameaçadoramente para ele.


 O rosto e as orelhas de Rony ficaram rubros ao a ouvir falando isso.  Então era só ele que tinha que se por no lugar dela? Só ele? Ele estava sempre se pondo no lugar dela, respeitando todos os limites que ela empunha, e o que acontecera na noite anterior não fora forçado, foi um ato impensado dos dois. Ao contrário dela que nunca se punha no lugar dele, nunca parava para pensar no que ele sentia, no que ele pensava. Parecia que ela não se importava com os sentimentos dele.


- Eu estou sempre me pondo no seu lugar, Hermione! Sempre! – ele disse passando as mãos nos cabelos, impaciente. – E você? Você se põe no meu lugar? Você pensa nas coisas que eu faço por você, para você? Não! – ele respondeu antes que ela falasse alguma coisa. – Eu fiquei cinco anos fora, cinco! Você já parou para pensar nisso? – ele falou descontrolado. – E não pense nem por um segundo que eu não sofri. – ele completou.


- Você foi embora por que quis! – ela gritou.


- Eu fui embora porque achava que não era bom o suficiente para você! – ele gritou de volta. – Fui embora para te esquecer! Porque naquela época, por mais que eu me esforçasse você só me olhava como amigo e é como olha até hoje, Hermione! Mesmo... mesmo depois de tudo! Qualquer coisa que eu faço te afasta de mim!


Hermione o olhou sem acreditar naquelas palavras. Então era por isso que ele havia ido embora? Por achar que não era bom o suficiente para ela? Por achar que ela só o enxergava como amigo? Rony estava andando de um lado para o outro impaciente, levando toda hora as mãos à cabeça, demonstrando seu nervosismo.


- Rony... – ela começou a falar, mas a campainha tocou. Ela fechou os olhos e respirou fundo, pedindo calma e paciência.


 Ela abriu a porta e viu Charles parado com um sorriso no rosto. Ele tinha nas mãos uma garrafa de vinho. Hermione olhou para ele surpresa, sem saber o que fazer. Ela olhou para trás e viu Rony olhando com um olhar homicida.


- Charles, que surpresa. – ela disse sem graça. – Entra.


 Ele entrou e viu o ruivo parado do outro lado da sala com os braços cruzados. O clima ficou tenso por vários minutos, enquanto todos os três se encaravam em silêncio. Rony encarava Charles com raiva, e sua raiva só aumentou ao notar a garrafa de vinho nas mãos dele.


- Bom, vejo que tem companhia para essa noite, Hermione. – Charles falou.


 Rony deu uma risada baixa sarcástica, atraindo a atenção dos outros dois. Charles olhou para ele com uma das sobrancelhas erguidas, parecendo não gostar da atitude do garoto. Hermione olhou para Rony, alarmada, pedindo silenciosamente para que ele não fizesse ou falasse alguma besteira, ele pareceu entender o recado, pois balançou a cabeça negativamente.


- E tem mesmo. – Rony falou passando por eles dois. – Tenha uma boa noite, Hermione. – ele disse e olhou para o vinho nas mãos do outro homem. – E pelo visto, vai ter. – falou antes de bater a porta do apartamento da garota.


- Rony! – ela chamou, mas ele não a ouviu. – Merda! – falou baixo.


 Ela olhou para Charles, e sorriu, tentando controlar os nervos. Ele olhava para ela com um ar indagador.


- Vai ficar tudo bem. – ela disse tentando se convencer disso. – Sempre brigamos, daqui a pouco já estamos de bem de novo. Espero. – ela disse se sentando no sofá.


- Espero não ter causado mais problemas. – Charles falou.


- Não, não causou. – Hermione disse olhando para porta. – Mas o que te traz aqui, Charles? Tem tanto tempo que não nos falamos.


- A pesquisa que começamos. Eu terminei. – ele disse colocando o vinho em cima da mesinha de centro. – Pensei em comemorar com você, já que me ajudou lá no inicio e no final, com suas anotações.


- Ninguém mais te ajudou com a pesquisa? – ela perguntou ao se levantar para pegar as taças na cozinha.


- Não. Falei com Hector que preferia terminar sozinho.


- Hum. – Hermione falou entregando as taças para ele.


 Hermione se sentou ao lado dele no sofá e o viu servir as taças. Ela se perdeu olhando para o líquido vermelho sangue, sua mente voava para longe, era como se tudo ficasse em câmera lenta. Ela reviveu todos os momentos com Rony, e viu que ele tinha realmente razão. Ela sempre o tratara como amigo, mesmo quando ele fazia de tudo para conquistá-la. As únicas vezes que cedia a ele era quando bebia e perdia um pouco a razão.


- Obrigada, Charles. – ela disse vagamente.


 Rony andava apressado pelas ruas de Londres. Chovia fraco e ele esbarrava nos outros sem pedir desculpas ou muito menos se importava em desviar delas. Ele se sentia tão estúpido, tão idiota. Sempre seria assim, sempre seria o amigo de Hermione, nunca nada mais que isso.  Por mais que fizesse de tudo para ela, por mais que mostrasse que só existisse ela na vida dela e nenhuma outra não ia adiantar de nada, porque Hermione nunca daria uma chance para ele. Nunca.


 Ele, de repente, viu que suas pernas o guiaram para o Caldeirão Furado. Entrou, algumas pessoas se surpreenderam ao ver o grande goleiro do Cannons naquela simples estalagem. Rony notou que estava cheio, por isso escolheu uma mesa no final do bar, onde estava mais vazio e escuro. Sentou-se lá e pediu uma garrafa de whisky de fogo, pois uma dose só não seria o suficiente para afogar suas magoas.


- Não sei por que ainda perco meu tempo tentando. – ele disse baixo para o copo de whisky a sua frente. – Deve ser porque eu sou um imbecil idiota que ama uma garota boa demais e talvez eu nunca vá ser o que ela deseja. – falou rancoroso. – Parabéns Ronald Weasley, não adianta o que você faça, você vai ser para sempre um fracassado. – disse para si mesmo em um tom sarcástico.


 Passou horas ali, bebendo sozinho sem ninguém o perturbar, embora pudesse ouvir seu nome nos cochichos dos outros que bebiam e conversavam no bar. Já estava tendo um dia ruim o suficiente para se preocupar com que estavam falando dele, mas uma voz arrastada e sarcástica que ele bem conhecia chamou sua atenção.


 Rony levantou os olhos e viu Draco Malfoy sentando de frente para ele numa mesa próxima. Ele tinha aquele sorriso desdenhoso no rosto comprido, os cabelos loiros prateados estavam caprichosamente penteados para trás, e suas elegantes vestes eram pretas.  Rony reparou que Draco o encarava com aquele sorrisinho debochado no rosto e ele levantou a taça de vinho para brincar com ele. Rony meramente ignorou, baixando os olhos para sua mesa tentando evitar uma briga, mas a risadinha sarcástica de Draco fez com que ele o encarasse de volta.


- Brigou com a Granger, Weasley? – ele perguntou.


- Cala a sua boca, Malfoy, ou você vai se arrepender amargamente. – Rony avisou bebendo o whisky.


 Draco riu e ignorou o conselho.


- Sabe, Weasley, estive com sua preciosa Hermione ontem. – ele falou, fazendo com que Rony o encarasse serio. – Estávamos bebendo juntos.


 Foi o que bastou para tirar Rony do sério. Ele perdeu o controle de suas ações, levantou-se de sua mesa, e sem o uso da varinha, ele virou a mesa que Malfoy estava e acertou um soco na cara do loiro. Draco caiu junto com a cadeira, mas ainda sem se satisfazer, Rony se atirou em dele e começou a distribuir socos no rosto do garoto no chão. Draco tentava acertar Rony, sem muito sucesso, tudo que conseguiu foi socar duas vezes o rosto do ruivo, no olho e na bochecha, mas não foi o suficiente para fazê-lo parar. Os homens que estava no bar, logo correram para separar os dois.


- EU VOU TE MATAR, MALFOY! – Rony gritava enquanto uns cinco homens o seguravam. – VOCÊ VAI SE ARREPENDER DE TER CRUZADO O MEU CAMINHO! EU VOU ACABAR COM VOCÊ, SUA DONINHA IMPRESTÁVEL!


 Tom, o dono da estalagem, cuidava de Draco que estava no chão, com as mãos na boca o no nariz que sangravam sem parar. Ele e um outro bruxo o ajudaram a se levantar e o levaram para um quarto, enquanto os homens levavam Rony para o escritório do bar que ficava atrás do balcão.


- Merda! – Rony gritou socando a parede do escritório, fazendo com que um quadro estremecesse.


  Tom, logo voltou para o escritório, sendo seguido por Hermione, que parecia assustada. Rony olhou para Hermione com desprezo, e isso fez com que ela parasse na soleira da porta. Sua irritação aumentou ainda mais quando ele viu que o cara que havia aparecido no apartamento de Hermione mais cedo quando ele estava lá apareceu por trás dela.


- Nunca mais quero que isso aconteça no meu bar! – Tom falou alto, impondo sua vontade. – Ouviu, Sr. Weasley?


 Rony olhou para o bruxo.


- Desculpe, Tom.  – ele disse. – Depois me mande a conta que eu agora posso pagar pelo prejuízo. – ele falou isso olhando para Hermione, que balançou negativamente a cabeça.


- Eu mandarei mesmo! – ele falou. – Chamei a Srta. Granger para levá-lo para casa, já que não consegui contatar o Sr. Potter.


- Ele está em lua de mel, Tom, mas poderia ter chamando meu irmão. – ele falou pegando a compressa de gelo que o barman trazia nas mãos.


 Hermione olhou para Rony e rolou os olhos, depois sorriu para Tom e pediu para que ele voltasse para o bar e os deixasse a sós. Charles se sentou no sofá velho perto da porta e tentou se manter invisível para os dois.  Rony estava sentado na cadeira atrás da mesa do escritório, Hermione se adiantou e se abaixou para ver o olho dele, que agora ganhava um tom arroxeado.


- Me deixe ver isso, Rony. – ela pediu, tirando delicadamente a mão dele que segurava a compressa de gelo do olho. – Isso vai ficar feio. – ela disse.


- Nunca foi bonito. – ele disse amargurado.


- Está sendo infantil. – ela falou tocando onde havia um corte fino perto da bochecha.


- Ai, Hermione. – ele falou se afastando. – Vou para casa.


 Ele se levantou e Hermione se afastou dele. Rony olhou seu reflexo no vidro empoeirado da janela, fez uma cara feia ao notar que uma mancha se formava ao redor de seu olho direito.  Suspirou pesadamente ao se virar e se deparar com Hermione falando alguma coisa baixa perto do ouvido do homem que a acompanhava. Agora que Rony reparava nele, viu que era bem apessoado e forte, talvez até mais forte que ele. Parecia ser um cara centrado, exatamente o tipo de cara por qual Hermione se interessaria. Inteligente, sabia se vestir e de boa aparência.


- Eu te acompanho até sua casa, Rony. – Hermione falou.


 Rony a olhou friamente, sentindo-se rebaixado pela presença do tal que acompanhava a garota. Sentia-se humilhado, na sua cabeça, ela estava indo com ele por pena ou pela mais pura obrigação.


- Não. – ele disse. – Não preciso de você, não hoje, Hermione. – falou forçando-se a engolir o nó que formava em sua garganta. – Não essa noite. – ele completou com um suspiro cansado.


 Hermione o olhou, visivelmente chocada e magoada. Sabia que Rony estava entendo tudo aquilo de maneira errada, mas no momento não conseguia falar nada. Charles se remexeu ao lado dela e falou:


- Não precisa tratar ela dessa maneira, cara, ela não tem nada haver com seus problemas.


 Rony riu sarcasticamente, e passou a mão na nuca pedindo paciência silenciosamente.


- Ela tem tudo haver com meus problemas, cara. – ele retrucou.


 Charles abriu a boca para falar, mas Hermione colocou a mão em seu peito, impedindo que continuasse. Ao ver aquele gesto, Rony balançou a cabeça negativamente, e riu pelo nariz, não crendo que presenciava aquela cena estúpida.


- Charles, não. – ela disse baixo.


- É, Charles, não. – Rony falou antes de sair e bater a porta do escritório.


  Rony saiu do bar e voltou para as ruas de Londres, agora chovia mais forte. Ele andou três quadras, até se cansar e se sentou no meio fio. Escondeu o rosto nas mãos, deixando que a chuva batesse nas suas costas. Sentia-se extremamente cansado, tanto fisicamente como mentalmente.


 Ele voltara da Irlanda com um propósito, um motivo, mas agora, tudo parecia nebuloso, incerto. Hermione nunca ficaria com ele, nunca iria derrubar aquele muro que ela construiu com a ajuda dele, mas sempre que ele derrubava, ela aparecia com mais alguns tijolos para reconstruí-lo.


 Rony virou a cabeça para trás com os olhos fechados, deixando a chuva molhar seu rosto. Ele se forçou a engolir um nó relativamente grande preso em sua garganta, se sentiu estupidamente fraco, vulnerável quando uma lagrima escapou de seus olhos fundindo-se com as gotas da chuva. Ele abriu os olhos ao ouvir passos se aproximando.  


- Posso me sentar aqui?


- A rua é pública, Hermione, você pode se sentar aonde quiser. – ele disse rude, a voz um tanto rouca. – Vejo que Charles foi embora. – completou baixo.


Ela suspirou alto e se sentou ao lado dele. Eles ficaram em silêncio por longos minutos, Rony olhando para o lado oposto de Hermione, e ela olhando para as mãos. Hermione olhou para Rony, ele a ignorava por completo.


- Ron? – ela chamou baixo, mas ele a desprezou. – Ron!


- O que? – ele falou virando o rosto para ela. – O que é, Hermione?


 Hermione suspirou pesadamente.


- Pare de agir feito uma criança mimada, Ronald! – ela falou.


- Só pode ser brincadeira. – ele murmurou baixo. – Hermione, eu estou cansado, muito cansado dos seus jogos. – ele falou.


- Mas que jogos, Rony? – Hermione perguntou.


 Ele respirou fundo e balançou negativamente a cabeça olhando para os próprios pés.  Sentia-se tão inseguro quanto no quarto ano quando viu Hermione no Baile de Inverno com Krum. Vulnerável. Rony olhou para Hermione e disse:


- Não sei se aguento lutar mais por você, Hermione. – falou muito baixo. – Não sei se ainda tenho forças.


- Não estou preparada ainda, Rony. Eu passei por muita coisa. – Hermione disse o olhando, uma sensação de desespero tomando conta de seu peito.


- Eu passei também.


 Ela pegou uma das mãos dele entre as suas, fazendo com que ele a olhasse. Hermione reconheceu ali, então, o menino de dezessete anos que a fora embora por pensar que ela estava interessada por seu melhor amigo.


- Eu posso ficar com você essa noite. – ela disse.


- Não, Hermione! – ele disse puxando a mão e passando no rosto. – A questão não é sexo! Eu não quero só sexo, Hermione! – ele falou exasperado. – Não acredito que você estava achando que eu queria só uma transa! Isso é patético. Faz com que eu me sinta patético.


- Ron, não é nada disso. – ela negou. – Nós poderíamos fazer como antigamente, lembra? Ficávamos na sua casa até tarde, conversando, deitados no chão da sala. Como amigos.


- Não é o suficiente, Hermione, não é mais o suficiente. – ele falou irritado. – Eu não quero mais ser só seu amigo, eu não consigo mais!


 Hermione olhou para ele, um pouco assustada com tal revelação. Não esperava que ela viesse assim, daquela forma. Era tudo que ela queria ouvir, sempre foi, mas ainda assim, havia tantas complicações, tantos assuntos pendentes.


- Vamos para casa, Rony. – ela disse. – Precisamos sair dessa chuva, e eu preciso cuidar desse seu olho roxo. – ela falou se levantando.


 Rony se levantou também e ficou de frente para Hermione. Muito próximos, perigosamente próximos, na opinião de Hermione. Ela respirou fundo e olhou de um lado para outro. Notou que estava bem escuro já e a rua estava completamente deserta por causa da chuva forte.


- Não, Hermione. – ele disse.


- N-não? – ela gaguejou.


- Não. Você precisa sair dessa chuva, você precisa ir para casa. – ele disse isso e deu as costas para Hermione, deixando-a sozinha na rua.


 Quase duas semanas se passaram depois da discussão. Rony estava terminando de vestir a cueca no vestiário dos Cannons quando Gwen entrou sem nenhuma cerimônia. A apanhadora era assim, sempre invadia o vestiário masculino sem se importar se seus colegas de time estavam vestidos ou não, uma vez ela até viu Nate completamente desnudo e tudo que ela fez foi atirar uma toalha para ele. Rony olhou para a garota com um ar incrédulo.


- Gwen, eu estou de cuecas! – ele disse.


- E daí? Pelo menos seu pinto parece ser maior que o do Nate. E isso porque você está de cueca e ele estava sem! – ela disse sem a menor descrição.


- Gwen! – Rony disse a repreendendo, mas não conseguiu deixar de rir.


 Ela riu e se sentou perto do garoto que agora vestia o short preto com duas tiras laranja nas laterais do Chudley Cannons. Rony bagunçou os cabelos com as mãos, fazendo com que algumas gotas de água respingassem na loira. Ela deu um tapa na bunda dele, fazendo com que ele parasse e risse. Ele suspirou alto e se sentou ao lado da garota.


- O que está acontecendo, Rony? – Gwen perguntou o olhando.


 Rony olhou para o chão, encarando seus pés.  Ela deu um riso pelo nariz, e um sorriso triste se formou em seu rosto.


- Estou com problemas. – ele falou encolhendo os ombros.


- Problemas. Sei. – Gwen falou pegando a camisa laranja do lado dela e entregando para Rony.


- Problemas. – ele disse com a voz abafada pela camisa que vestia.


 Gwen suspirou e o olhou.


- Deve ser bem grave esses problemas, porque eles estão prejudicando seriamente seu condicionamento físico. – falou, fazendo com que ele a olhasse. – Quinze goles passaram por você hoje, Rony, quinze! Ontem, foram dezoito e antes de ontem foram treze. Tuker não está nada feliz com isso.


- Não estive concentrado nesses últimos três dias, Gwen, só isso. – ele falou se levantando. Pegou a mochila no armário e jogou suas coisas ali dentro.


- Você não está concentrado desde semana passada.


 Rony bateu com força a porta do armário, fazendo com que o barulho ecoasse pelo vestiário. Gwen se sobressaltou e se calou. Ela ficou o olhando arrumar suas coisas, andando de um lado para o outro no vestiário. Ele passou as mãos nos cabelos molhados e depois socou um dos armários.


- Ter voltado para Londres foi o maior erro da minha vida, Gwen! O maior! – ele disse exasperado, jogando a mochila com força no chão. – Eu deveria ter continuado na Irlanda!


- Rony, por Mérlim, o que aconteceu? – Gwen perguntou assustada.


 De todos, Rony era o mais centrado do time, raramente se estressava e quando rolava alguma discussão dentro do time, ele era o primeiro a sair de perto. Ela o olhava, estupefata, era estranho ver uma pessoa aparentemente tão calma daquele jeito. Gwen pegou a mochila dele que estava no chão e o entregou, ele suspirou impaciente.


- Vai para casa e descanse. – ela disse. – Teremos um jogo importante contra o Grodzisk Goblins na quarta-feira, precisamos de você bem.


 Rony meramente concordou com a cabeça e saiu do vestiário com caras de poucos amigos. Ele aparatou em casa e foi diretamente para o quarto, e se jogou na cama. Ficou deitado por tanto tempo, que adormecera.


 Ele abriu os olhos quando escutou a campainha tocar insistentemente. Ele contou até dez mentalmente amaldiçoando o porteiro por não interfonar para avisar da chegada de visitantes. Na verdade, fora justamente por isso que ele aparatara diretamente dentro do apartamento, para o porteiro achar que ele não estava em casa e não mandar ninguém subir.


 Rony levantou da cama e desceu para a sala. A campainha ainda tocava com tamanha insistência que ele correu para porta e a escancarou com sua pior expressão no rosto, mas ao ver quem era, um sorriso se formou.


- Rony! – Gina se jogou nos braços do irmão. – Senti tanto a sua falta, seu trasgo imbecil! – ela falou com s voz esganiçada distribuindo beijos por seu rosto.


- Pois é, estou vendo. – ele disse rindo.


 Ele se soltou da irmã e abraçou Harry, que também tinha um sorriso no rosto. Eles entraram no apartamento e se sentaram nas almofadas enquanto Rony pegava três garrafas de cerveja amanteigada na cozinha. Rony se sentou ao lado de Gina e passou os braços pelos ombros dela, e a beijou possessivamente no rosto, fazendo com que ela e Harry rissem.


-E então, quais as novidades que você me conta, querido irmão? – ela perguntou bebendo um gole da cerveja.


- Nenhuma grande, na verdade, a não ser que eu vou viajar para Polônia na segunda feira. – ele disse encolhendo os ombros. – Tenho jogo quarta-feira à noite contra o Grodzisk Goblins.


- Esse não é o time do apanhador que deu origem à Finta de Wronski? – Harry perguntou.


- Uhun. – Rony respondeu enquanto tomava um gole da bebida. – Eles gostam de se gabar por causa disso, mas tá tranquilo, a Gwen é especialista nessa manobra.


- E como estão as coisas entre você e Hermione? – Gina perguntou com um sorriso maroto.


 O sorriso de Rony se apagou quando Gina mencionou o nome da garota.  Ele abaixou a cabeça e coçou a nuca com uma das mãos. Harry e Gina se encararam e trocaram um olhar significativo.


- Ron, o que aconteceu com vocês? – ela perguntou.


 O ruivo olhou para Harry e depois para a irmã e disse:


- Não falo com Hermione há duas semanas. Brigamos no dia seguinte do jogo. – falou em um tom cansado.


- E por quê? – Gina perguntou. – O que você fez?


- Eu não fiz nada, Gina. – ele falou rude. – Na verdade, eu fiz de tudo, mas como sempre não adiantou de nada.


 Rony se levantou e ficou de costas para os dois. Gina balançou a cabeça e Harry ergueu as sobrancelhas. Qualquer que fosse o problema dessa vez, eles entenderam que a culpa não fora de Rony e sim de Hermione. Não, culpa não era a palavra correta. Mas de alguma forma, eles sabiam que alguma coisa que Hermione dissera havia gerado uma briga, e das feias, pelo visto.


 Agora que Gina olhava para o irmão, percebera que algo realmente não estava bem. Ele se sentou novamente ao seu lado, ela o olhou e reparou olheiras embaixo de seus olhos azuis e um tom meio arroxeado em volta de um deles, ele parecia um pouco abatido. Sua barba estava mal feita e descuidada, e seus cabelos longos demais para um goleiro de quadribol que dependia de uma visão perfeita. Gina passou a mão no rosto de Rony e disse:


- Vai ficar tudo bem, Rony.


- É cara, sempre fica. – Harry falou tentando sorrir.


 Rony soltou uma risada sem emoção pelo nariz e balançou negativamente a cabeça. Abriu a boca uma ou duas vezes para falar, mas sua voz parecia ter sumido, ele esfregou as mãos nos rosto com força e depois olhou para a irmã.


- Eu não sei mais o que fazer. – falou soltando os braços na perna. – Hermione parece que sempre estará fora do meu alcance. Por mais que tente, me esforce, ela nunca vai me enxergar de outra maneira senão como amigo. – ele desabafou. – É tão frustrante. Eu não a forço a fazer nada, a deixo agir por conta própria, mas sempre que estamos nos entendendo ela surge com algum assunto.


- Esse “algum assunto” é sempre aquele projeto trouxa de leprechaum irlandês? – Gina perguntou.


- Gina! – Harry chamou atenção quando viu o rosto de Rony formar uma expressão dura.


- É, Ginevra, Hermione sempre fala de Allice. – Rony falou se deitando. – Eu já falei para ela que eu já dei um basta na Allie. O que mais a Hermione quer que eu faça?


 Gina encolheu os ombros e olhou para Harry sem saber o que dizer, ele, por outro lado, disse:


- É a Hermione, cara, você a conhece. Ela sempre se mantém na defensiva quando se depara com alguma coisa que ela não entende ou conhece. – falou. – Dê um tempo á ela, Rony, você vai ver como as coisas vão melhorar.


 Rony riu ao escutar aquelas palavras saírem da boca do seu melhor amigo. Nunca pensou que um dia ele lhe daria conselhos amorosos, na verdade, esse papel sempre coube a Gina ou a Alex, sua ex-companheira de time.


- Ronald, você andou brigando? – Gina perguntou, referindo-se ao tom ainda meio arroxeado em seu olho.


 Rony olhou para a irmã e deu um sorriso enviesado sem emoção.


- Dei umas porradas no Malfoy no dia que briguei com Hermione. – ele disse.


- Você é maluco? – ela perguntou, com a voz um pouco alterada. – Por quê?


 Harry deu uma risada baixa, mas parou assim que recebeu um olhar reprovador da esposa.


- Ele me provocou, o que você esperava? Eu tinha acabado de brigar com a Hermione. – disse se justificando. – Eu estava nervoso.


- Não justifica, Rony. – ela falou. – Malfoy não tem nada com seus problemas com a Hermione.


 Harry olhou para ela, parecendo um pouco indignado.


- Por que você está o defendendo, Gina? – perguntou.


- Não estou defendo ninguém, Harry, estou criticando a atitude grotesca do meu irmão. – ela falou e depois virou novamente para Rony. – Meu irmão virando um brutamonte!


 Rony se sentou novamente e olhou feio para a irmã.


- Eu sei que você não notou porque está chegando hoje de viajem. – ele começou. – Mas meu humor não está dos melhores então, por favor, pare de encher meu saco. – ele disse rude.


 Gina abriu a boca para retrucar, mas Harry a olhou, fazendo com que ela parasse no ato. Rony voltou a se deitar, de olhos fechados. Sentia-se esgotado de tudo. Estava cansado de ouvir as pessoas o mandarem fazer alguma coisa, cansado de ouvir as criticas dos outros, absolutamente cansado de tudo. Tudo que ele fazia era errado, ou não satisfazia alguém. Estava cansado disso.


- Hermione sabe que você vai viajar? – Gina perguntou.


- Não. – ele respondeu.


- E você não vai contar a ela? – Gina voltou a perguntar.


- Eu não sei, Gina, tá legal? – ele falou tapando o rosto com as mãos, fazendo com que sua voz saísse um pouco abafada.


- Acho que você deveria contar a ela, Rony. – ela disse. – Vocês ainda são amigos.


 Rony destapou o rosto e olhou para a irmã. Tinha esquecido como ela conseguia ser irritante e insistente com alguns assuntos, mas só porque queria ajudar. Ainda assim, não era sempre que ele estava disposto a ouvir seus conselhos, e particularmente hoje, ele não estava.


 Ele suspirou e depois fechou os olhos e disse:


- Os últimos seis meses que eu não escrevi para Hermione foram os mais torturantes da minha vida até agora. – confessou – Mas desde que eu voltei, parece que eu estou sofrendo mais do que quando eu estava na Irlanda. Tem vezes que eu me sinto tão mal, que tenho vontade de voltar. – desabafou.


- Rony...


- Vai ser bom passar esses três dias na Polônia. – ele falou. – Não vou avisar Hermione. – disse com convicção.


- Você é quem sabe. – Gina falou se levantando. – Bom, nós já vamos. Passei aqui só para ver como você estava. – falou sorrindo. – Vou na casa da mamãe e amanhã vou passar na Hermione.


- Ok. – Rony falou.


- Tem certeza que não quer que eu avise a Hermione que você vai viajar? – Gina falou abraçando o irmão.


- Não! – ele falou enquanto se despedia de Harry. – E eu te proíbo de contar para ela! – disse para a irmã e depois se virou para o amigo. – E eu conto com você para não deixar que ela faça isso!


_ Ela não vai contar. – Harry falou. – Embora eu ache que você deveria falar com a Hermione, Rony.


 Rony olhou de cara feia para os dois enquanto eles saiam. Por que eles sempre tinham a droga da razão? Era um saco mesmo. Mas ele era teimoso e orgulhoso demais, não ia fazer isso, estava magoado, chateado demais com Hermione para falar ou dar satisfações da sua vida para ela. Ele não ia avisar que ia viajar, ou ia?


 Hermione acordou escutando insistentes batidas na porta. Ela levantou-se e foi para o banheiro, fez rapidamente a higiene matinal e desceu a escada correndo. Ela prendeu os cabelos revoltos num coque mal feito e frouxo.


- Quem é? – ela perguntou.


- Somos nós, Hermione, abre! – disse a voz abafada de Harry do outro lado.


 Hermione abriu um sorriso e se atrapalhou na hora de destrancar a porta devido à euforia que sentia. Ela abriu a porta e se jogou nos braços do amigo, que retribuiu o abraço. Ela o soltou e abraçou Gina, que tinha um belo sorriso estampado no rosto.


- Bom, não vamos ficar aqui fora, vamos? – Gina disse.


- Claro que não, Sra. Potter. – Hermione disse, fazendo com que Gina risse.


 Eles entraram no apartamento e se instalaram no sofá. Ficaram horas conversando, Gina contando sobre as maravilhas de Paris e Harry falava das gafes que a esposa havia cometido em alguns restaurantes parisienses e como quando ela quase estuporou um garçom por pensar que ele era um Comensal da Morte.


- Ele tinha uma tatuagem no braço esquerdo, Hermione. – Gina falou se defendendo – Na mesma altura da Marca Negra, e Hermioo desenho era parecidíssimo.


- Está sendo exagerada, Gina. – Harry disse rindo – O desenho do garçom era uma cobra.


- Ou seja, algo parecido com a Marca Negra. – Gina disse ficando emburrada.


 Hermione gargalhou e pegou as mãos da amiga entre as suas.


- Estou tão feliz por vocês. – ela falou. – É tão bom ver vocês dois felizes!


 Harry sorriu para amiga, um sorriso que compreendia o que ela queria dizer por trás daquelas palavras. Sabia que Hermione sentia-se triste por causa da briga com Rony, na verdade, ela estava do mesmo jeito de quando ele se mudara para Irlanda, buscando a felicidade na dos outros.


- O que aconteceu entre você e o Rony dessa vez, Hermione? – ele perguntou.


 Hermione suspirou e largou as mãos de Gina, se encolhendo na poltrona em que Bichento costumava se deitar. Ela encolheu as pernas na altura do peito e apoiou o queixo nos joelhos.


- Aconteceu que depois que saímos da boate trouxa, nós perdemos um pouco o controle e quase, bem, quase. – ela disse rolando os olhos e sentindo as bochechas corarem. – No dia seguinte, ele veio aqui e disse que precisávamos conversar, isso já era noite. Nós discutimos, Charles, aquele cara com quem eu trabalhava no Ministério apareceu aqui de surpresa com uma garrafa de vinho e o Ronald entendeu tudo errado. – ela suspirou – Ele saiu daqui de casa alterado, foi para o Caldeirão Furado, brigou com o Draco e o Tom me chamou. Quando cheguei lá, bom, ele disse algumas coisas e foi embora, assim. – falou, tentando conter o nó que se formava em sua garganta. – E desde então, não nos falamos.


- Ok. – Harry falou, percebendo que Hermione não queria entrar em detalhes com a briga. – Quer almoçar com a gente? – ele perguntou. – Gina está virando uma cozinheira de mão cheia! – elogiou.


 Hermione riu, satisfeita com a mudança de assuntos.


- Não posso. – ela disse. – Acredite se quiser, mas tenho um almoço de trabalho com o Malfoy hoje. – Hermione falou fazendo uma careta.


- Mas hoje é sábado, Hermione! – Gina reclamou.


- Eu sei, Gina. – Hermione falou. – Mas eu não posso desmarcar, o coquetel de abertura é daqui a quinze dias, e eu, sei lá, quero chamar o trasgo do seu irmão. – ela falou. – Talvez fazer as pazes com ele. – completou encolhendo os ombros.


 Gina deu um sorriso fraco.


- Vai ficar tudo bem. – a ruiva falou.


- Nós já vamos, Hermione. – Harry falou, se levantando.


- Mas já?- ela perguntou.


- Quero ver o Teddy. – ele disse sorrindo. – Andrômeda me mandou uma carta dizendo que ele está terrível.


 Gina riu e olhou para o marido com um ar debochado de superioridade.


- Deixe de ser mentiroso, Harry, você vai lá porque está morrendo de saudades do seu afilhado. – falou. – O Harry só estraga o menino, Hermione, faz todas as vontades dele!


- Não é bem assim, Gina. – Harry falou sem graça.


- É sim! – ela disse rindo. – Andrômeda fica mais louca ainda quando o Harry está por perto. É mais criança que o sobrinho!


 Harry e Hermione riram, e o garoto teve que concordar com a esposa. Eles se despediram e foram embora. Hermione foi para o quarto, separou um vestido azul claro e um casaquinho de lá branco. Foi para o banheiro e tomou um banho e depois se arrumou rapidamente.


 Desaparatou em Hogsmead entrou direto na Dedos de Mel, sentia uma incrível vontade de comer algumas besteiras. Estava na dentro da loja escolhendo o que levar quando a viu passar, olhou para o outro lado e viu com quem ela se encontraria. Seu coração deu um solavanco e sentiu o sangue correr e ferver em suas veias.


 Num vestido azul um pouco esvoaçante, que dava a imprensão que ela flutuava, Rony viu Hermione caminhar em passos apressados ao encontro de Draco Malfoy.  Sentiu seu estomago afundar e a vontade de comer os doces desaparecera da mesma forme que aparecera. Sentiu ímpetos de ir atrás de Hermione e questionar o motivo dela ir se encontrar com aquela maldita doninha loira, mas se controlou ao lembrar que não estava falando com ela.


 Saiu da loja feito um furacão e seguiu em direção ao Cabeça de Javali. O vento frio arranhava seu rosto, sinal que logo o inverno chegaria tão gelado como seu coração estava agora. Sentiu-se um tolo por ter todos aqueles sentimentos por Hermione e não saber se era recíproco. Um ciúme desmedido tomava conta de cada célula de seu corpo só por saber que ela estaria na companhia de outro homem que era ele.


Rony entrou no bar, costumeiramente vazio e se surpreendeu ao notar que ao era mais assim. Ele se sentou num banco alto em frente ao balcão e logo Aberforth veio atendê-lo. Apesar de um pouco rabugento, o barman lhe ofereceu o que se poderia chamar de meio sorriso.


- Faz tempo que não vejo sua cara sardenta por aqui, Weasley. – falou.


- Estava morando fora, Abe, voltei há pouco mais de um mês. – Rony falou sendo servido por uma dose se whisky de fogo.


- Engraçado. – o barman falou – Sua cara não está muito diferente, parece à mesma que a da primeira vez que esteve aqui.


 Rony riu e bebericou o whisky.


- Bom, é porque eu não mudei muito. – esclareceu.


 Aberforth fez uma careta de descontentamento e balançou negativamente a cabeça. Os olhos perturbadoramente azuis dele o avaliaram como se lessem sua mente. Rony arqueou as sobrancelhas, fazendo com que o velho homem falasse:


- Não, garoto estúpido! – retrucou rabugento, fazendo com que Rony risse. – Você me parece está com problemas de novo. – acusou. – Se estiver encrencado, Weasley, pode ir tirando a sua bunda branca do meu bar! Chega de problemas para mim, estou velho demais para resolver suas encrencas.


 Rony deu uma risada ao ver o barman se alterar daquela forma. Rony terminou de beber o whisky e com um sinal fez com que ele enchesse novamente seu copo.


- Relaxa, Abe, meus problemas agora são outros. – falou – E nenhum deles envolve um bruxo psicopata com cara de cobra. – tranquilizou.


- Ótimo então. – disse antes de dar as costas para atender as outras mesas.


 Hermione estava sentada no Três Vassouras enquanto via Draco Malfoy providenciar o almoço deles com Madame Rosmerta. O loiro voltou para mesa e se sentou de frente para ela e lhe ofereceu o mais debochado sorriso que conseguiu, fazendo a garota achar graça e balançar negativamente.


- E então, Hermione, como anda sua vida amorosa com o Weasley? – Draco perguntou com uma nota de sarcasmo na voz.


 Hermione rolou os olhos, entediada e o olhou.


- Foi para isso que me chamou? – perguntou impaciente – Por que se foi, eu vou embora, Malfoy.


 Draco riu e olhou para o garçom que ao servia com os pratos pedidos. Ele esperou o garçom ir embora e falou:


- Caso não saiba, levei uma surra, como você bem pode ver, – disse indicando o nariz levemente arroxeado assim como debaixo dos olhos – só porque mencionei seu nome para o Weasley.


- Desculpe por isso. – Hermione disse dando uma garfada em seu pudim de rins – Ronald estava nervoso porque havíamos brigado. Mas eu tenho certeza que ele não faria anda se você não o tivesse provocado.


 Draco deu uma risada e bebericou o suco de abóbora.


- Confesso que tive minha parcela de culpa. – falou rindo. – Mas deixa isso pra lá. – falou – Então, a palestra de abertura da FSS é daqui a quinze dias, vai levar alguém para o coquetel? – perguntou.


- Creio não ser da sua conta, Malfoy. – respondeu malcriada.


- Creio ser sim dá minha conta, pois preciso por os nomes dos convidados na lista. – falou taxativo.


 Hermione suspirou e olhou para a comida, remexendo-a com o garfo sem ter muita vontade de comê-la.


- Não sei. – falou. – Não sei se o Rony quer ir comigo.


 Draco suspirou e bateu com mais força que o necessário na mesa com os punhos, atraindo um olhar de indignação de Hermione. O loiro realmente não entedia como aqueles dois idiotas poderiam ser tão estupidamente burros! Sempre de picuinha um com o outro, era realmente irritante.


- Você e o Weasley são definitivamente o casal mais imbecil que eu já tive o desprazer de conhecer! – falou com um pouco de raiva – Não sei por que relutam tanto em ficar um com o outro! Mérlim! É simples, Granger, simples: ele te chama pra sair, você aceita, no final vocês se beijam e começam a namorar. Pronto! E todos são felizes para sempre! – disse como se explicasse para uma criança pequena.


 Hermione riu, um tanto indignada.


- Não, Malfoy, não é tão simples! Existem coisas a serem resolvidas. – falou. – Eu não vou discutir isso com você, não somos amigos.


 Draco olhou paras ela, um pouco decepcionado com a resposta dela.


- Que seja! – ele disse – O que eu faço? Boto Granger e quem como seu convidado.


- Bota “Granger e Weasley”. – Hermione falou se dando por vencida. – Eu vou falar com ele.


 Eles continuaram conversando e o almoço terminou tranquilamente. Hermione estava quase na Casa dos Gritos quando o viu. Sentiu seu coração esquentar e bombear rapidamente o sangue por suas veias. Ele estava distraído, em pé com as mãos nos bolsos, os cabelos vermelhos voavam graciosamente e tinha uma expressão estranhamente vazia, era quase como ele não estivesse ali.


 Ela se aproximou devagar e parou atrás dele. Uma brisa fraca bateu e levou o cheiro másculo dele até suas narinas, Hermione inspirou o ar como se dependesse daquele odor para sobreviver. Tomou coragem e tocou de leve no ombro dele.


 Ele não se sobressaltou como ela esperava, ele simplesmente olhou para o lado, como se dissesse que sabia que ela estava ali. Porque ele sempre sabia quando ela estava por perto.  Ele virou novamente o rosto para frente, e continuou encarando a casa.


- Por que você não me responde mais? – Hermione perguntou baixinho.


  Rony a ignorou e Hermione sentiu seus olhos marejarem de lágrimas. Estava sentindo na própria pele o que ela mesma fizera com ele há algumas semanas. Ela chegou mais perto dele e passou os braços pela cintura de Rony encostando a testa nas costas do ruivo. Ouviu-o suspirar e pegar em suas mãos. Hermione deixou algumas lágrimas caírem e apertou o abraço em volta dele.


- Eu sinto tanto a sua falta. – ela disse com a voz embargada. – Está doendo, Ron.


Sentiu quando ele virou e a abraçou, no entanto, o abraço era um pouco frio e superficial, talvez apenas para acalmá-la. Isso a fez chorar ainda mais e estreitar o aperto nele. Ele se afastou um pouco dela, e afagou seu rosto. Hermione notou que os olhos dele também estavam ligeiramente avermelhados, doía nele também.


- Preciso que vá comigo no coquetel de abertura da FSS daqui a quinze dias. – Hermione falou. – Preciso de você lá porque eu preciso de você. – ela falou.


- Tudo bem. – ele falou, a voz rouca. Rony entendia o significado daquelas palavras, mas ainda era difícil para ele aceitar que a garota complicasse tanto as coisas que ela mesma não entendia. Ás vezes sentia ímpetos de sacudi-la e dizer que certas respostas ela jamais encontraria nos livros.


 Hermione respirou fundo algumas vezes, e contendo as lágrimas, o olhou nos olhos.


- Não desista de mim. – ela pediu.


 Visto que ele não respondia e só a olhava, Hermione o enlaçou pelo pescoço e enterrou a cabeça na curva de seu pescoço. Respirou o cheiro maravilhoso dele e apertou entre os dedos os cabelos macios dele. Sentiu quando ele fez a mesma coisa consigo. As mãos fortes dele seguravam seu cabelo e ela podia ouvir a respiração forte dele contra seu pescoço.


- Preciso ir. – Rony disse.


- Não. – Hermione chiou.


- Eu preciso ir. – ele disse.


- Não, não precisa. – ela falou o apertando contra si.


 Rony se desvencilhou dela com alguma dificuldade. Afagou o rosto dela e depois ajeitou uma mecha dos cabelos castanhos dela. Ele a olhou, decorando cada detalhe de seu rosto. Precisava fazer para que não esquecesse na viagem e durante o jogo. Não que fosse possível esquecer o rosto de Hermione, mas sentia uma incrível necessidade de olhar para ela, de guardar a forma tenra que ela o encarava.


 Com a ponta dos dedos desenhou todo o rosto dela. Com seu toque Hermione fechou os olhos. Ele contornou os lábios finos de textura macia da garota, se perguntando quando ela havia se tornado uma mulher tão maravilhosamente tentadora e irresistível. Ele conhecia a resposta e a guardava no lugar mais quente de seu coração. Viu quando ela abriu os olhos e sorriu timidamente para ela.


-Eu preciso ir. – ele disse e desaparatou.


 Hermione nem ao menos teve tempo de dizer qualquer coisa. Sentia o ar fugir de seus pulmões com mais pressa que e o necessário, não satisfazendo a necessidade do organismo que precisava da quantidade certa de oxigênio para que ela continuasse respirando. Sentia um aperto desconfortável no peito, seu coração parecia estar comprimindo, quase como se estivesse num estado de aparatação permanente. Uma lágrima correu solitária por seu rosto e ela olhou para o céu se perguntando quando toda aquela situação iria se findar.


 Na Toca, a Sra. Weasley estava alegremente cozinhando enquanto sua neta Victoire a ajudava. Ambas conversavam sobre Hogwarts, embora Vick tivesse apenas 3 anos, queria saber tudo sobre a escola e suas maravilhas e a Sra. Weasley contava tudo sobre ela.


 Vick estava sentada sobre a mesa enquanto a Sra. Weasley estava cortando as batas para o jantar quando ela viu a avó colocar a mão na cabeça. Ela olhou para avó, com um olhar indagador, percebera que ela havia parado de falar abruptamente.


- Vovó? – ela chamou, vendo que a avó não respondia, desceu com cuidado na mesa. – Vovó? – chamou de novo.


 Notou que a avó estava com uma cara estranha e que suas mãos tremiam. Correu para sala onde seu pai e seu tio Harry conversavam. Seu avô estava no galinheiro com Teddy enquanto sua mãe e sua tia Gina estavam no quarto conversando. Entrou na sala fazendo barulho, atraindo os olhares dos dois que conversavam. Seu pai, logo notara que alguma coisa errada acontecera.


- O que houve, Vic? – ele perguntou franzindo a testa.


 Victoire correu para o pai e o abraçou. Ele a pegou no colo, olhando para Harry sem entender, e este simplesmente balançou a cabeça. Ele afagou a cabeça da filha e fez com que ele a olhasse.


- Filha, você se machucou? – perguntou e ela negou com a cabeça.


- Aconteceu alguma coisa com a vovó, papai. – ela disse, assustada.


 Gui colocou a filha no chão e ele e Harry correram para a cozinha. Encontraram Molly parada na mesma posição, uma das mãos na cabeça e a outra no peito, seu corpo todo tremia e ela estava pálida. Gui correu para a mãe, amparando-a, ela parecia prestes a desmaiar. Fez com que a mãe se sentasse e Harry lhe ofereceu um copo com água.


- Mãe, a senhora está bem? – Gui perguntou.


 Ela o olhou, sem realmente entender o que estava acontecendo. Sentia um aperto no peito e sua cabeça doía. Um sentimento ruim se apoderava dela, como se pressentisse que alguma coisa fosse acontecer.


- Molly, está se sentindo mal? Posso ir buscar um curandeiro. – Harry falou, começando a ficar assustado.


 A velha senhora olhava para um ponto fixo da cozinha, mas não parecia enxergar. Seu olhar estava desfocado e ela apertava a roupa por entre as mãos como se quisesse acalmar seu coração. Sua respiração estava pesada e seu rosto estava cada vez mais pálido.


- Mamãe! – Gui a chamou alarmado, e ela o olhou. – A senhora está bem?


- Eu não sei. – ela respondeu franzido o cenho. – Falou com o Rony, Harry? – ela perguntou ilogicamente para ele. – Falou com meu filho?


 Harry olhou para Gui sem entender e depois olhou para a senhora. Ela parecia aflita com alguma coisa. Ela o olha com expectativa esperando por uma resposta dele.


- Er... falei com ele ontem, Molly. – ele respondeu.


- E como ele estava? – ela questionou.


- Bem, na medida do possível. – Harry respondeu agora se sentando na frente dela.


  Ele e Gui trocaram um olhar preocupado. Ambos não entendiam o motivo da aflição da Sra. Weasley que parecia extremamente angustiada.


- Como assim na medida do possível? – ela perguntou ainda mais estranha, sua voz um pouco esganiçada.


- Nada com que deva se preocupar, Molly, coisas dele e da Hermione como sempre. – Harry disse sorrindo de lado. – Está tudo bem com o Rony. Fique tranquila, amanhã ele deve aparecer aqui para vê-la.


- Claro. Ele deve aparecer.


 Gui olhou para a mãe e a abraçou, tranqüilizando-a.


- Amanhã a senhora você vai ver com seus próprios olhos que o Rony está bem, mamãe.


 O domingo amanheceu estranhamente ensolarado para um dia de outono, que ia se despedindo. Rony abriu preguiçosamente os olhos e afastou alguns fios de cabelos que estavam em seus olhos. Ele se sentou na cama e deu um grande bocejo, avaliando o quarto, sonolento. Ele se levantou e foi para o banheiro onde tomou um bom e demorado banho.


 Ele saiu do banheiro, agora que estava definitivamente acordado, reparou em como seu quarto estava bagunçado. Havia pelo menos umas três calças jeans jogadas na poltrona de seu quarto, incontáveis pares de meias sujar no chão, duas camisas emboladas na estante, e pares de tênis espalhados. Fez uma nota mental de que precisava com urgência de um elfo domestico ou de qualquer outra pessoa que cozinhasse, arrumasse, lavasse e passasse!


 Vestiu rapidamente uma roupa, as que ainda sobravam dentro de seu armário. Passou a toalha nos cabelos e jogou a toalha na cama que não se deu ao trabalho de fazer. Passou desajeitadamente as mãos nos cabelos, com a intenção de arrumá-los e desceu a escada. Olhou para a sua sala, ele realmente precisava redecorar o apartamento. Precisava de um sofá urgentemente, não agüentava mais se sentar no chão em cima das almofadas.


 Desaparatou no jardim da Toca e viu que sua sobrinha brincava sozinha com algumas bonecas, sentada na grama. Quando ela o viu, abriu um sorriso desconcertante e correu para ele. Rony se abaixou e abriu os braços, pensando no trabalho que seu irmão teria quando aquela mocinha ficasse mais velha.


- Tio Rony! – ela o saudou o abraçando. – Estava com saudades!


 Ele riu e a beijou. Suspendeu a menina no colo e a levou para dentro. Ela tagarelava sem parar, de vez em quando misturando o inglês com o francês que vinha aprendendo com a mãe. Ela parou de falar e o olhou.


- Tio Rony, você está descuidado! – ela falou.


 Ele ergueu uma sobrancelha e riu.


- Ah é? – falou. – E por que, Vic?


- Oras, sua barba está grande demais e está me arranhando! – ela disse petulante.


 Rony riu e a colocou no chão.


- Desculpe. – ele disse fazendo cara de culpado. – Prometo fazer a barba dá próxima vez.


- Acho bom mesmo! – ela disse colocando a mão na cintura.


- Vá brincar, Vic. – ele disse rindo.


 Ele entrou na cozinha e sentiu o cheiro bom de chá, para a sua surpresa, ela estava vazia. Provavelmente, sua mãe deveria está no quintal recolhendo algumas roupas do varal.


- Mãe? Pai? – chamou, mas ninguém o respondeu. – Mãe! – chamou mais alto.


 Ele se virou para a pia e viu que alguns bolinhos estavam prontos, provavelmente, haviam acabado de sair do forno. Suspendeu o pano de prato que os cobria coma intenção de pegar um, mas se assustou ao ouvir a porta da cozinha abrir com uma violência desnecessária. Ele se virou a tempo de ver sua mãe correr para abraçá-lo. Ela se pendurou em seu pescoço e o abraçou com força, quase o sufocando. Ela pegou o rosto dele entre as mãos e beijou o rosto dele.


- Nossa! – ele disse rindo se afastando da mãe. Ela o olhou, com um sorriso choroso no rosto. O garoto notou e estranhou. – Está tudo bem? – perguntou.


- Ah, claro que está, querido. – ela disse passando a mão no rosto do filho. – e você? Como está?


 Rony se sentou à mesa da cozinha e olhou para mãe com a sua melhor expressão infantil


- Estou com fome. – falou. – Não tomei café em casa.


 A Sra. Weasley sorriu, visivelmente satisfeita em servir um de seus pupilos. Ela fritou algumas salsichas, bacon e ovos para o filho, preparou um copo de suco de abobora e o serviu. Sentou a frente dele e com gosto o viu comer. Conversaram sobre o trabalho do Sr. Weasley e algumas banalidades.


- Sabe, mãe, - ele começou com a boca cheia de ovos mexidos – estou pensando em contratar um elfo lá para casa. O que a senhora acha?


 Ela o olhou, uma das sobrancelhas erguidas.


- Acho que deveria voltar a morar aqui na Toca. – disse, fazendo com que o filho risse. – Eu poderia cozinhar todos os dias para você. – barganhou, fazendo com que Rony risse ainda mais.


- Mãe, já sou bem grandinho para morar com vocês. – falou bebendo um pouco do suco de abobora. – Alias, acho que você e o pai precisam de um pouco de descanso. Já passaram anos demais sustentando seus filhos!


- Bobagem. – ela disse pegando o prato vazio da frente de Rony e o lavando. – Eu gosto de cuidar dos meus filhos.


- Pode ser, Sra. Weasley, mas está na hora de seus filhos cuidarem de você. – ele disse. – Mas então, o que você acha?


- Sobre o que? Você voltar a morar aqui? Uma ótima ideia! – ela disse sorrindo.


 Rony balançou a cabeça negativamente. Sua mãe jamais aceitaria que seus filhos tivessem crescido e tivessem uma vida longe dos braços protetores dela.


- Não, mãe. – ele disse. – Sobre o elfo.


 Ela suspirou e se virou para ele, apoiando os braços na pia.


- Não gosto muito da ideia de você ter um elfo, Rony. – ela disse. – Não gosto dessas ideias de escravidão e submissão.


- Nem eu, mãe! – ele disse. – Por isso estava pensando em contratar, sabe? Pagar um salário, dar moradia, folgas, tudo o que ele precisar.


- Se for assim, eu concordo. – ela disse sorrindo.


 Rony se levantou da mesa, sob o olhar protetor da mãe. Sabia que alguma coisa estava incomodando aquela mulher, a conhecia muito bem para saber quando algo estava martelando dentro daquela cabecinha.


- Você me parece preocupada, mãe. – Rony falou serio. – Está acontecendo alguma coisa? É com o papai?


- Não. Não está acontecendo nada, querido. – falou sorrindo.


- Hum. – ele respondeu desconfiado. – Onde está Gui e meu pai? – perguntou, mudando de assunto.


- Seu pai está na garagem achando que eu não sei que ele está novamente tentando concertar aquele velho carro voador. E Gui está no Chalé das Conchas. – falou. – Vic que pediu para dormir aqui.


- Ok. – ele disse saindo da cozinha. – Vou falar com meu pai.


 O dia passou incrivelmente rápido e logo a Toca estava cheia. Percy apareceu com a noiva, Audrey para o almoço, assim como Jorge estava com Angelina e Gui estava com Fleur. Harry, Gina e Teddy chegaram apenas para o lanche, quando já estava entardecendo.


 Eles jogaram uma partida de quadribol com um time formado por Rony, Harry e Gina e outro formado por Gui, Jorge e Angelina. Jorge e Gui ficaram um pouco revoltados quando perderam para o outro time.


- Não vale, vocês tinham um jogador profissional no time de vocês! – Jorge reclamou.


- Ahr, Jorginho, não fique emburrado! – Gina provocou apertando as bochechas do irmão. – Admita que está ficando velho e fora de forma!


- Há há há! Muito engraçada! – Gui defendeu o irmão. – E você está muito metida desde que se casou com o porco espinho!


- Hey! – Harry reclamou rindo. – Não precisa ofender! – falou tentando arrumar inutilmente os cabelos.


 Eles riram e continuaram conversando. Rony estava sentado ao lado do pai que ninava a neta que dormia tranquilamente em seus braços. De repente, sentiu-se extremamente solitário, todos seus irmãos estavam com suas esposas, namoradas ou noivas e ele era o único que estava sozinho. Ele se levantou e entrou na casa.


 Subiu para seu antigo quarto e se deitou na cama. Sua mãe não mudara absolutamente nada, estava exatamente como da última vez que ele deixara, quando ainda morava ali. Mas de alguma forma, tinha uma coisa muito diferente ali, um cheiro muito peculiar que ele bem conhecia. Conhecia como a palma de sua mão. Enterrou o rosto no travesseiro e sentiu o cheiro dos cabelos de Hermione enterrado ali.


 Rony apertou o travesseiro contra seu rosto e agarrou com a outra mão, a colcha. Ele quase conseguia sentir uma dor física por causa da ausência dela e sentir seu cheiro era como se a apartasse por meros segundos.


  Rony se sobressaltou quando escutou a porta do quarto se abrindo. Olhou para o lado e viu a mãe parada na porta, o olhando. Deu um sorriso para a mãe, o que ela entendeu que era um convite para que entrasse. Ela sentou ao seu lado na cama e acarinhou seus cabelos. Ele havia notado que ela o estava tratando de uma maneira estranhamente protetora e que seus olhos quase não desgrudavam dele.


- Por que você está aqui sozinho, querido? – ela perguntou.


- Eu gosto daqui. – ele disse olhando para a mãe. – Obrigado por não mudar nada. – falou referindo-se ao quarto.


- Só quando você quiser que eu vou mudar. – ela lhe assegurou. – Espero que seja nunca! – ela confessou e eles riram.


 Com um movimento rápido, Rony deitou a cabeça no colo da mão, como fazia quando era criança. Pegou a mãe desprevenida, mas logo ela começou a alisar seus cabelos de forma única e carinhosa.


- Sinto falta de quando vocês ainda eram meus pequeninos e viviam agarrados na minha saia. – falou. – Era tão bom quando eu tinha todos vocês aqui! Todos! Era uma zona, você lembra? – ela perguntou com um olhar distante. – Gui e Carlinhos correndo no jardim, Percy lendo alguns de seus livros na sala, Fred e Jorge me enlouquecendo e você e Gina brincando quietinhos na sala. Era tão bom.


 Rony sorriu no colo da mãe. Também sentia falta daqueles tempos, quando era apenas uma criança e não conhecia as dores do coração. Ele suspirou e fechou os olhos, deixando que sua mãe o mimasse um pouco.


- Quando é o próximo jogo? – ela perguntou.


- Quarta-feira à noite. – ele falou, começando a se senti sonolento com o cafuné da mãe. Há muito tempo que não se sentia tão confortável como estava agora.


- Vai jogar contra quem? – quis saber interessada.


- Grodzisk Goblins. – respondeu. – Polonês. Foi até bom a senhora lembrar, mãe. – falou abrindo os olhos e encontrando os dela. – Vou viajar amanhã para a Polônia, o jogo vai ser lá.


 Viu quando os olhos dela se arregalaram de pavor. Rony se levantou rapidamente, ao notar que ela perdera a cor do rosto e suas mãos começaram a tremer. Ele franziu o cenho, a olhando assustado.


- Mãe, o que aconteceu? Tá passando mal? – perguntou.


- Vi-viajar? – ela gaguejou.


- É, mãe. – ele disse sem entender. – Por que você está com essa cara, mãe?


- Não quero que você vá nessa viajem, Rony. – ela disse num tom autoritário.


- Mãe, não é questão de querer. Eu preciso ir. – ele falou. – E eu não vou ficar lá por mais cinco anos se é isso que a senhora está pensando.


- Não quero que vá! – ela repetiu.


- É meu trabalho, mãe! – Rony falou impaciente sem entender o motivo da frustração da mãe. – E eu volto no dia seguinte do jogo.


- Não me interessa se é seu trabalho, eu não quero que você vá, Ronald, está me ouvindo bem? – ela disse ficando desesperada.


- Mãe, pára! – Rony falou. – O que é isso? Não estou te entendendo!


- Não quero que vá, Rony, por favor! – ela pediu chorosa.


 Rony a abraçou, não entendendo o porquê daquela atitude estranha. Ela devolveu o abraço com força, como se assim fosse o impedir de sair dali.


- Está tudo bem, eu vou ficar bem . – ele falou tentando a tranqüilizar. – É só um jogo.


- Promete que vai ficar bem, filho? – ela disse.


- Prometo que volto inteiro para senhora. – falou sorrindo.


 Ela o soltou e o olhou mais uma vez. Levantou-se sob o olhar curioso do filho e foi até a porta.


- Você não vai descer, Rony? – a matriarca perguntou.


- Vou ficar mais um pouco. – disse voltando a deitar e fechar os olhos.


 A Sra. Weasley continuou observando o filho por mais alguns minutos da porta. Conhecia cada sarda dele, conhecia como ninguém, mas ainda assim, se permitiu o velar por mais um tempo, e delicadamente fechou a porta do quarto. Se vendo sozinha no corredor, deixou que uma única lágrima corresse por seu rosto, sem ao menos saber o porque.  

_____________________________

N/A: Hello, everyone! *-*
Bom, aí está mais um capitulo. E aí, o que acharam? Um pouquinho tenso, né? Pois é, mas bom, estamos falando de Ron e Hermione e quando as coisas não forem tensas entre eles é porque não são Rony e Hermione. 
Uma hora as coisas se ajeitam, sempre se ajeitam. :D O que seria da vida desses dois sem seus altos e baixos? Nada, uma monotonia só e ninguém quer isso para eles, certo?
 Mas só tem uma parada que eu não entendi. Que paranóia é essa da Sra. Weasley, heim? Iiiih, to gostando disso não.  
 Bom, o motivo dessa paranóia só vamos descobrir no próximo capitulo. Acreditem, eu também quero saber o porque da paranóia dela. HAHAHAHA. Tá, a piadinha foi sem graça e ridícula, Carolina, ninguém gostou. :D
 Ok, agora vamos aos agradecimentos. IEEEEI ( a parte que eu mais gosto!)

Calu Granger: Oooown, minha leitora que se tornou minha amiga! *-* Pronto, meu amor, aí está seu capitulo 11! Agora você sabe o porque daquela discussão! Lembra, eu te mandei como presente de Natal! hahaha. Tá aí. Saciei sua curiosidade. Você sabe que a sua opinião e de EXTREMA importancia pra mim, então não esqueça de comentar. como se fosse preciso pedir, né? Obrigada por você tá sempre aqui.  

Pri Peeters: Aeee, prima ingrata! Você finalmente terminou de ler (por livre e espontânea pressão) o cap! Bom, obrigada por comentar e exijo que você comente quando terminar de ler esse cap. Se bem que você deve demorar quase um mês pra fazer isso! hahaha. To brincando, gatinha. 

Paola Uckerman: Ooown, leitora nova! Bem viiiinda! Viu, viu, capitulo novo! *-* Não vou deixar de postar até a fic ficar pronta, pode ficar tranquila! ;) Espero que tenha gostado desse. Obrigada por comentar! PS: Adorei seu sobrenome! *-*

ia wesley malfoy: Pronto, pronto! Findei com a sua ansiedade! Capitulo 11 pra você! Espero que tenha gostado. Bom, MUIIITO obrigada por comentar e vejo que você também é nova aqui. Então bem vinda! :D

Sabrina M. e M.: Não foi dessa vez que a Hermione se entregou, né? Bom, é a Hermione, se ela não encontrar a respostas nos benditos livros para as perguntas que estão na cabeça dela, dificulta muito as coisas. Mas tá na hora dela aprender que nem sempre as respostas que procuramos estão nos livros. ;s Bom, espero que tenha gostado do cap, linda. Obrigada pelo comentário. :D

Viviane Cipriano: Oh, Vivi, obrigada! Bom, eu to esperando a resposta ainda se eu passei ou não na faculdade, então continue torcendo por mim! HAHAHA. Bom, tá ai seu capitulo, espero que tenha gostado dele. 


Bom gente, por hoje é isso.
Beijos.
Carol Peeters. ;D

E quem quiser pode dar uma passadinha nas minhas shorts.

 Ron/Hermione:
Quando você se foi. ( http://fanfic.potterish.com/menufic.php?id=38219 )
 
 Sirius/Marlene:
Mais que um jogo. ( http://fanfic.potterish.com/menufic.php?id=35790 ) 
Menina Veneno. ( http://fanfic.potterish.com/menufic.php?id=35881 )
Need you now. ( http://fanfic.potterish.com/menufic.php?id=37794 )

Teddy/Victoire:
Na Torre de Astronomia. ( http://fanfic.potterish.com/menufic.php?id=35038 )
Na Biblioteca. ( http://fanfic.potterish.com/menufic.php?id=35599 ) 

Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo

Menu da Fic

Adicionar Fic aos Favoritos :: Adicionar Autor aos Favoritos

 

_____________________________________________


Comentários: 1

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

Enviado por Lana Silva em 08/05/2012

OMG, Molly previu algo O.O quer dizer não previu, mas sentiu algo. Que ruim, odeio ter sensações ruins. Ameiii o capitulo, eu sabia que esses dois iam brigar mais uma vez. Cruz credo, são realmente enrolados. Dessa vez concordo totalmente com Draco kkkkkkkkkkkkk ameiii tudo 
bjoooooooooooooooooos! 

Nota: 5

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

_____________________________________________

______________________________


Potterish.com / FeB V.4.1 (Ano 22) - Copyright 2002-2026
Contato: clique aqui

Moderadores:



Created by: Júlio e Marcelo

Layout: Carmem Cardoso

Creative Commons Licence
Potterish Content by Marcelo Neves / Potterish.com is licensed under a Creative Commons
Attribution-NonCommercial-ShareAlike 3.0 Unported License.
Based on a work at potterish.com.