CAPITULO 14: À TRÊS
Narrado por Jorge Weasley
Sabe aquela sensação gostosa de aconchego? Aquela sensação de chegar a um lugar qualquer e se sentir em casa? Aquela sensação que te faz sorrir bobamente por qualquer coisa? Aquela sensação que te faz sentir um idiota? A maioria de vocês provavelmente não faz a menor ideia. E sabe por quê? Porque apenas dois entre dez leitores já se apaixonaram.
Não me leve a mal, eu sei que você é uma pessoa inteligente, mas não se trata de cérebro, meu querido partidário, se trata de coração. E talvez eu não seja a melhor pessoa para falar sobre isso, mas com certeza tenho esse direito. Afinal, eu estou apaixonado.
Estou namorando, veja bem, com Angelina Johnson. Clap clap clap clap (palmas imaginárias). Ah, e Fred também, diga-se de passagem. Aliás, morra de inveja!
Mas não é exatamente essa a questão. Claro, estar com Angelina liberta várias sensações, mas não foi isso que eu quis dizer. Eu estou feliz. E felicidade é a melhor de todas as sensações.
No momento, estou andando pelo corredor de Hogwarts, me segurando para não sair por aí saltitando feito uma garotinha loira de vestido rosa. Mas eu vou te contar, meu amigo, que tá difícil. Porém, se cedesse às minhas vontades, com certeza pareceria um imbecil. Por isso, me contento em sorrir sem preconceitos (?).
Hoje, está um frio de rachar os ossos, o céu está cheio de nuvens roxas e gordas, por causa da droga da neve que não cai. E está tão escuro, mas está tão escuro, que é meio dia, mas parece seis horas da tarde. Mas, para mim, está um dia lindo.
Faltam apenas duas semanas para o Natal e adivinhem? Angie vai passar o Natal com a gente! Angie vai passar o Natal com a gente! Eu sei que isso é meio óbvio, mas eu tenho meus direitos de ficar feliz, ‘tá? Aliás, morra de inveja!
Eu deveria ter tomado meu remédio hoje...
Voltando ao assunto, eu continuei andando pelo corredor com um sorriso do tamanho da Muralha da China. Cumprimentei todo mundo amigavelmente e distribui educação. Isso não é muito a minha cara, mas, veja bem, quando as pessoas espertas viram bobas e apaixonadas, se torna fetiche agir como tais.
Compreendem?
A questão é: meu sorriso aumentou consideravelmente – se é que isso é possível – assim que meus olhos bateram na pessoa mais bela que eu já vi em toda a minha vida. A pessoa mais linda, mais gostosa e mais inteligente que já tive o prazer de conhecer. E essa pessoa estava lá, no fim do corredor, esperando por mim. Corri naquela direção.
- Oi, Fred. – cumprimentei, todo sorridente.
PAUSA PARA REFLEXÃO: peguei vocês, né? HAHAHAHAHAHAHÁ! Sou capaz de apostar que todos os leitores pensaram que a “bela pessoa” fosse Angelina Johnson. Eu sei. Foi sacanagem. E embora eu concorde que Angie é realmente uma bela pessoa, tenho que admitir que Fred é ainda mais belo, afinal, temos a mesma aparência.
- Saudações, Jorge. – respondeu Fred, sorrindo. Ele só tem feito isso desde o mês passado. Parece até um idiota sorridente. Mas, enfim...
- Onde está nossa adorada futura-senhora-Weasley?
- Está no Salão Principal, nos esperando para o almoço.
- Bem, então vamos!
Fred me ofereceu seu braço e eu, como sou uma dama honrada, aceitei sem pensar duas vezes. E saímos assim, em direção ao Salão Principal, parecendo dois homossexuais no cio. Credo, que preconceito! Abafa o pensamento homofóbico e chuta para longe. Não há preconceitos nessa fanfic.
Enfim, fomos marchando para o Salão Principal, fazendo Hermione balançar a cabeça negativamente quando passamos por ela.
- Boa tarde, Mione – dissemos juntos e Hermione nos jogou um tchauzinho.
Demoramos alguns poucos minutos para chegarmos ao Salão Principal. No meio do caminho, encontramos Rony e Harry, Malfoy, Severo Snape e a maluca da Umbrige – que fez com que abríssemos as mochilas para que ela revistasse (de novo). Mas farei o incrível favor de poupar-lhes dessa parte chata da narração. Portanto, vamos pular para a parte em que entramos no Salão Principal.
Andamos juntos, conversando sobre os malditos N.O.M.S, quando chegamos à uma parte entre a mesa da Corvinal e da Grifinória que estava cheia de garotas. Isso, na minha concepção, não tem absolutamente nada demais, mas o problema é que - desde que eu e Fred começamos a namorar Angelina – todas as garotas explodem em risinhos agudos e particularmente irritantes todas as vezes que passamos por elas. E dessa vez não foi diferente.
Todas as garotas, corvinais e grifinórias, explodiram em risinhos.
Eu olhei para Fred, que olhou para mim. Depois nós dois olhamos para as garotas, com aquela cara que diz explicitamente “ãh?”. Assim que olhamos para as meninas, elas voltaram à rir.
Dei de ombros e puxei Fred pela manga, levando-o até a ponta da mesa, onde nossa Angelina estava sentada.
- Hey, Angie – dissemos juntos, sentando um de cada lado dela.
- Não falem em coro – ela pediu, se virando para Fred e dando-lhe um selinho, depois se virando para mim e dando-me um selinho.
- Sim, senhora – respondemos juntos de novo. Angelina revirou os olhos.
Peguei um prato e enchi de purê de batatas, arroz, frango assado, torta de abóbora e brócolis. Peguei um copo e derramei suco de abóbora nele, acrescentei açúcar e gelo. Não querendo mexer em meu prato perfeito, peguei uma cocha de frango da travessa e dei uma dentada.
Fred estava quase no mesmo estado do que eu, com a mínima diferença de estar com o prato duas vezes mais cheio que o meu.
Angelina nos olhou de cara feia.
- Pra quê tanta comida? – perguntou.
Não me dei ao trabalho de responder.
- Porque não tanta comida? – respondeu Fred.
Angelina bufou.
- E vocês colocaram gelo nos copos... – continuou ela, ignorando Fred. – Está fazendo -15 graus lá fora, vocês querem morrer?
Balançamos a cabeça afirmativamente, só para sacanear.
Tenho certeza que Angelina ia falar mais alguma coisa, mas, neste momento, passou um grupo de garotas que explodiram em risadinhas quando olharam para mim e Fred.
Eu e meu irmão nos entreolhamos e demos de ombros, sem ligar, mas nossa namorada pareceu não gostar muito.
Angelina bateu com o punho na mesa – fazendo Fred e meu suco de abóbora pularem, o segundo caindo no meu prato - e se levantou, olhando feio para as garotas. Encarei a cena, meio preocupado.
- O que é que vocês estão olhando?! – rugiu.
As meninas se entreolharam, antes de seguir andando. Angelina olhou para nós dois, visivelmente irritada. Sorri para ela, e acho que Fred fez mesmo, porque Angie se deixou cair no banco e suspirou.
A questão era que nós não tentamos esconder nosso namoro à três de ninguém, de modo que todos já sabiam. Nós andávamos pela escola de mãos dadas, trocávamos beijos e carinhos sem medo de ser feliz. Nem todos aceitaram isso bem, mas nós não nos iludíamos pensando que isso aconteceria, afinal, só queríamos a aceitação dos amigos e o resto que se dane.
Mas as garotas de Hogwarts agiram como se essa fosse a coisa mais excitante possível. Namorar a três com os gêmeos Weasley era um fato visivelmente espetacular e todas queriam tomar o lugar de Angelina a qualquer custo.
Não deixo passar que o fato de eu e Fred termos beijado muitas das meninas de Hogwarts à três contribuiu para a fantasia de que Angie era apenas mais uma delas, o que é uma baita mentira.
Claro que Angelina detestou esse novo fã clube, mas não há nada que nós possamos fazer. Embora eu não tenha gostado nada dos olhares maliciosos dirigidos para nossa Angelina por parte da ala masculina de Hogwarts.
- ‘Tá legal – disse Angelina, se levantando, quando constatou que nossos pratos estavam vazios. – Precisamos estudar.
Eu engasguei com o suco. Fred, que estava enchendo o prato pela quarta vez, fez cara feia.
- Estudar?! – perguntamos juntos.
- O que? – acrescentei sozinho.
- Como? – perguntou Fred, como se não fizesse a menor ideia de como estudar.
- Vocês ouviram. – disse Angelina.
Eu e Fred nos entreolhamos, como dois babacas, pedindo ajuda. Duvido que exista algum livro de autoajuda que tenha um titulo mais ou menos assim: “O Que Fazer Quando Sua Namorada Resolve Estudar”.
Nós dois olhamos para Angelina.
- Angie, a gente não estuda desde o primeiro ano... – Fred argumentou. Confirmei com a cabeça.
- Então, já está na hora de começar – disse ela, pegando a bolsa e indo em direção à porta. Visto que nem eu e nem Fred fomos atrás dela, Angelina se virou e disse: - À não ser que queiram que eu entre em greve pelos próximos dois meses.
Greve?
Não deu outra. Eu e Fred pegamos a bolsa com a maior rapidez possível e corremos atrás de Angelina.
***
Narrado por Fred Weasley
É claro que nós não estudamos naquele dia. E não foi por falta de vontade, afinal, eu mesmo estava louquinho para passar a tarde estudando...
PAUSA PARA REFLEXÃO: quem acreditou nesse ultima parte? Ninguém? HAHA, nem eu...
Mas, depois de muita insistência da nossa Angelina, aquela desvirtuada que odeia estudar e tem a mente poluída, nós ficamos fazendo coisas muito mais interessantes na biblioteca.
Tudo bem, eu admito. Aconteceu exatamente o contrário. É, eu sei. Eu e Jorge somos dois desvirtuados. Se a Mamãe soubesse...
Enfim, nós não estudamos nem um pouco, mas isso não significa que a coisa toda não tenha sido produtiva. Porque, enquanto nossa doce Angelina estudava, eu e Jorge planejávamos duas coisas. Primeira: um modo de deixar a Umbrige tão pirada, a ponto de ela explodir (figurativamente falando). Chegamos à conclusão de que poderíamos explodir a escola e a ideia dos fogos de artificio foi minha. Mas a ideia do dragão de fogos de artificio foi do Jorge.
Assim que enjoamos de planejar os fogos de artificio (e levando em conta de que eu não poderia beijar Jorge), eu e meu irmão nos voltamos para a única e mais deliciosa distração pendente: Angelina. O que nos leva à pensar em um modo de retirar nossa querida namorada do meio dos livros.
NOTA MENTAL: pedir à Angie para parar de andar com a Hermione.
Claro, não foi uma tarefa fácil, mas ela não resistiu.
Colocamos Angelina no meio de nós dois – como era de praxe – e, enquanto eu me ocupava temporariamente da boca dela, Jorge beijava-lhe o pescoço, a nuca, a orelha... e por aí vai.
Foi uma tarde de estudo muito produtiva.
Isso, é claro, até aquela maluca da bibliotecária aparecer. E aí foi um rolo daqueles, porque a velha deu um escândalo tudo porque viu que a blusa da Angie estava com dois botões aberta e, como não podia nos dar detenção, chamou a Minerva.
Claro que a tia Minnie chegou como gato só para depois se transformar em Minerva de novo, tudo para dar aquele tempero na confusão. Depois, ela ficou uma meia hora nos dando bronca e sermão, dizendo que não era primeira vez que nos pegava nessa situação, mas que desejava ardentemente que fosse a última. E nos deu uma detenção.
Uau! Que novidade.
Depois que a McGonnagal saiu, Angie abotoou a blusa com uma rapidez exagerada e corou até a raiz dos cabelos.
Uau! Que novidade.
NOTA MENTAL: pegar leve na ironia.
***
Narrado por Angelina Johnson
Dia de prova. Aquela Sapa Velha da Umbrige havia nos colocado em fileiras para prestar o exame escrito. Nada de varinhas. Nada de exame prático. Nada de nada. Não que isso fosse um problema para mim, afinal, eu sabia praticamente todas as respostas da prova.
Estava tudo muito silencioso. A única coisa que se ouvia era o barulho da pena riscando o pergaminho. O barulho era irritante e me desconcentrava. Aliás, parecia desconcentrar todo mundo.
A maioria das pessoas estava nervosa. Duas meninas já haviam desmaiado no meio da prova e Neville já derrubara seu tinteiro cinco vezes – até que parei de contar. Eu não podia culpar ninguém, embora achasse esse comportamento ridículo, porque, oras, era só mais um dia de prova.
Quanto a mim, estava ligeiramente ansiosa. Quase não conseguia refrear o impulso de se virar e olhar para a porta, esperando o som que faria a escola desabar. Sim, eu sabia dos fogos de artifício. Sim, eu havia ajudado à bolar o esquema. E sim, eu sabia que meus ruivos seriam expulsos por isso. E sim, eu concordara com a ideia deles de partir antes que isso pudesse ocorrer.
Mas não, eu não estava completamente de acordo. Como viveria durante o resto do ano letivo sem eles?
E porque diabos eles tinham que ter essa ideia maluca justo agora, quando estávamos tão bem em nosso relacionamento à três? Quando eu finalmente estava feliz e satisfeita?
Suspirei e tentei prestar atenção na prova. 2.500 palavras sobre transfiguração humana? Fácil. 120 utilidades para a pele de ararambóia? Fácil. Eu havia estudado para isso. Ou tentado, já que Fred e Jorge ficavam me distraindo o tempo todo.
Quanto à eles, deviam estar batendo a cabeça na mesa, tentando achar uma resposta coerente. Mas de que importava? Eles estavam de saída mesmo...
Não foi difícil ouvir as duas batidinhas fracas que se fizeram ouvir do outro lado da enorme porta de carvalho. Soltei a respiração num átimo. Era agora. Não pude deixar de virar a cabeça para meus ruivos, sentados à duas fileiras de mim.
Fred e Jorge me olharam, sorriram de lado marotamente e assentiram com a cabeça levemente. Tudo ao mesmo tempo e tive que sorrir.
Umbrige levantou-se de sua cadeira gigantesca e saiu andando em direção à porta. Passos curtos e apressados. Parecia um botijão de gás rosa. Não, retiro o que eu disse. É uma ofensa para o botijão.
A Sapa Velha passava por entre as fileiras de alunos e olhava em volta. Confusa, pensei. Passou-se cerca de um minuto para que ela chegasse até a porta e nesse espaço de tempo, todos os alunos encaravam aquela direção.
Olhei novamente para Fred e Jorge à tempo de vê-los conjurarem vassouras que entraram voando assim que Umbrige abriu a porta. E uma faísca pequena e laranja invadiu a sala.
Por um momento, achei que tivesse errado a mão no feitiço dos fogos de artificio. Mas logo dispensei o pensamento, pois aquela pequena faísca explodiu alto em milhões de outras maiores.
Fred e Jorge subiram nas vassouras e começaram a voar pela sala, rindo como duas crianças travessas. Eu comecei a gargalhar antes que qualquer aluno desse conta do que estava acontecendo.
As faíscas explodiam por todos os lados, fazendo alguns pularem de susto e outros rirem alto. Os fogos de artificio eram coloridos e emanavam vivacidade, deixando o ambiente lindo e barulhento. Provas foram jogadas no ar (algumas rasgadas, outras inteiras) quando o sinal tocou.
Meus ruivos tiraram mais faíscas dos bolsos e começaram a jogá-las no ar, fazendo tudo explodir. Umbrige estava maluquinha, gritando para Fred e Jorge descerem no chão e tentando acertá-los com feitiços. Eu ri da cara dela com tanta vontade que doeu minha barriga e meus olhos se encheram de lágrimas.
Vi Harry, Rony e Hermione gritando e rindo, felizes.
Uma faísca correu atrás de Malfoy e todos riram da situação daquela doninha insignificante.
Eu olhava tudo, maravilhada. Nosso plano estava dando mais do que certo, sem falar que eu não me lembrava de ter me divertido tanto em toda a minha vida (tirando alguns momentos dos quais não posso falar, pois o horário não permite). Uma faísca vermelha, particularmente brilhante, desceu em espirais na minha frente. Olhei para ela, curiosa, quando aquele ponto brilhante explodiu e formou as palavras: Até Mais, Angie.
Quis gritar que odiava aquele apelido, mas a única coisa que fiz foi sorrir. Eu não sabia daquela parte do plano.
Como última parte do espetáculo, Fred retirou um pacote em forma de cone das vestes e disse:
- Quer fazer as honras da casa, Jorge?
- Mas é claro – respondeu Jorge pegando o cone da mão de Fred e jogando para o alto. Ambos saíram do caminho logo depois. Fiz o mesmo.
O cone explodiu com um estrondo, fazendo vários fogos de artificio de várias cores voarem, colorindo o teto da sala. Eram tantos, que cobriam nossa visão.
Sorri. Eu havia ajudado à projetar essa parte.
Uma leve cortina de fumaça tomou conta do recinto. Do meio dela (e de vários fogos), surgiu um dragão imenso que passou a perseguir Umbrige, que gritava que nem uma porca e corria com aqueles passinhos curtos.
Eu comecei a gargalhar e fui seguida por vários outros alunos.
O dragão engoliu Umbrige e explodiu, soltando fumaça e barulho para todos os lados. Neste momento, todos seguiram Fred e Jorge para fora da sala. As conversas eram animadas. Deixamos uma Umbrige boquiaberta e cheia de fuligem para trás.
Chegamos em um dos vários pátios que tinham em Hogwarts e observamos Fred e Jorge jogarem um último cone no ar, que explodiu e formou o W dos Weasleys. Esse tinha sido ideia minha.
Uma salva de palmas vindas da multidão de alunos e dos professores que haviam no lugar encheu o ar. Eu aplaudi também, mas doeu um pouquinho ver meus ruivos sumirem montados em suas vassouras.
***
N/A: último capítulo finalmente postado!! Poxa, muito triste terminar a fic.
Enfim, animem-se, pois eu ainda vou postar um epílogo.
Obrigado pelos comentários e eu espero mais deles.
Bem, o capitulo não está revisado, por isso me desculpem pelos errinhos.
Beijos,
Thomas.