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3. Ratione


Fic: Extraneu


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Bom, aqui entra o spoiler do sétimo livro.


Só pra situá-los...


Todos se lembram quando Rony abandona Harry e Hermione na barraca, deixando-os sozinho na caça ás Horcruxes depois de uma grande discussão, não?


Extraneu


 


Terceiro Capítulo


Ratione
Razão


~ Sábado, 11:47 da manhã.


Antes mesmo de abrir meus olhos, senti que teria um dia difícil pela frente.


Era por coisas como essa que eu não bebia.


Minha cabeça pesou uma tonelada quando me dei conta do clarão em volta, anunciando o dia bonito que fazia lá fora. Ao levar uma das mãos ao meu rosto percebi que tremia.


Maldita ressaca.


Me preparei psicologicamente e abri os olhos devagar, enxergando embaçado primeiro, depois o teto entrou em foco.


Um teto que não era meu.


Um lustre que não era meu.


Oh... Merlin! O que será que eu...


Me virei de lado e tive uma visão que, se a tal ressaca não me deixasse num estado tão deplorável, eu teria gritado de pânico a plenos pulmões.


Eu estava no chão, no tapete... Tinha uma mulher... E ...


OH, NÃO!


Eu...


Não vestia nada além um lençol que piedosamente me cobria até a cintura.


Idiota!


A regra é clara! Quando beber demais vá pra casa de Hermione e ela cuidará de você.


Idiota!


Tinha que acabar num tapete que...


Eu conheço.


Olhei para a mulher... Quer dizer... Olhei para o que podia ver dela.


Ela estava de costas para mim.


E por pior que tudo aquilo estivesse sendo, vê-la tornou a situação menos assustadora.


As costas dela, totalmente nuas, resplandeciam sob o sol forte que entrava pela janela em algum lugar ali. Uma pele branca e...


Eu conhecia... Conhecia aquela pele, e aqueles cabelos castanhos e...


Olhei em volta, finalmente.


Meu estômago deu duas cambalhotas dentro de mim e eu senti tudo girar.


Aquele era o apartamento de Hermione.


O pavor tomou conta de mim.


Aquela era Hermione.


HERMIONE!


Eu fechei os olhos, sentindo uma vertigem. Milhares de imagens inundaram minha mente. Primeiro pareciam borradas e sem nexo... Depois foram se tornando claras e definidas... E então, tudo fez sentido.


Me lembrei porque tinha bebido. Me lembrei porque saí do bar e fui até a casa dela. Me lembrei de não deixa-la falar. Me lembrei de tudo.


Olhei pra ela de novo.


Não pude evitar sorrir.


Finalmente, depois de 6 anos, me senti em paz.


Senti que minha vida, enfim, fazia sentindo.


Sem poder me conter toquei a cintura dela com cuidado, subi minha mão lentamente pela lateral daquele corpo estupendo... Quem diria, Hermione...


Meus dedos desceram e subiram pelas curvas e vales... As costas dela eram irresistíveis... Por Merlin, como podia?


Minha cabeça se fez notar, de novo. Oh... Precisava dar um jeito nisso.


Me levantei procurando pelas minhas roupas pela sala. Vesti minha calça e fui até a cozinha, liguei a cafeteira e olhei por cima do balcão (boas histórias sobre aquele balcão, lembrei), podia vê-la deitada no tapete... Podia vê-la resplandecer com o sol banhando o tapete branco... Dourando a espalda magra e irresistível.


Por que tinha demorado tanto?


Ela era tudo que eu queria.


Me voltei pra cafeteira, mas não pude deixar de notar sobre a mesa da cozinha uma coisa que explicou um bocado de outras coisas que tinham acontecido a noite passada.


Um livro aberto, uma taça quase vazia e ao lado desta, uma garrafa de vinho que tinha sido bebida em mais da metade.


Ri.


Minha cabeça doeu.


Peguei o café e servi, bebendo-o quente. Fervendo.


Comecei abrir os armários em busca de qualquer poção que me ajudasse com a ressaca.


~uUu~


~Sábado, 12:04 da tarde.


Eu estava num limbo.


Sabe, naquele lugar entre ainda estar dormindo, mas conectada ao que estava acontecendo em volta?


Cheguei nesse limbo sentindo alguma coisa nas minhas costas. Me virei de bruços, coloquei meus braços sob o travesseiro. Queria ficar presa àquilo pelo tempo que pudesse... Meu corpo inteiro relaxado, nada poderia me abalar naquele momento.


Mas um arrepio correu minha espinha, começou no fim das minhas costas com uma sensação arrebatadora. Foi subindo lentamente, numa tortura sutil... Então os lábios dele chegaram finalmente ao meu pescoço e um sussurro doce fez o resto de mim se arrepiar.


- Bom dia.


Abri meus olhos num estalo.


- Ow... – e as lembranças inundaram minha mente.


Ele riu baixo.


- Vou pegar café pra você. – ele disse, entre risos. Eu não podia vê-lo na posição que estávamos. Mas, de qualquer forma, eu não estava certa se queria vê-lo.


Ouvi o barulho de xícaras batendo na cozinha, aproveitei que ele não estava lá pra me levantar. O lençol que cobria metade de mim escorregou pelo meu corpo quando fiquei de pé. Estava meio desorientada, querendo fazer milhares de coisas ao mesmo tempo, sem, de fato, conseguir fazer nenhuma, pregada ao chão.


- Minha camisa está no sofá. – ele disse, de lá da cozinha. Ainda bem que estava de costas, apesar de que pelo rubor que tomou conta de mim, talvez até minhas costas estivessem vermelhas de vergonha. Eu estava nua no meio da minha sala clara, com um sol indiscutivelmente forte entrando pela parede que era toda de vidro. Qualquer imperfeição que eu tinha ficado contente em esconder na penumbra da noite passada com certeza estava duas vezes mais visível sob aquela luz. Harry estava olhando pra mim. Eu podia sentir.


Em passos incertos cheguei ao sofá e peguei a camisa dele. Vesti com rapidez, me virei terminando de abotoá-la e dei de cara com Harry com uma caneca de café bem cheia a minha frente.


- Obrigada. – foi tudo que saiu.


Ele sorria.


Não parava de sorrir.


Eu sabia qual era a sensação.


Eu também não pararia de sorrir se não estivesse tão envergonhada.


- Por que está envergonhada? – a pergunta me pegou de surpresa, enquanto eu voltava a sentar no tapete. – Você não é esse tipo de mulher, Hermione.


- Eu sei. – murmurei, derrotada. – Não faço ideia por que estou envergonhada.


- Eu devia estar. Eu cheguei bêbado no seu apartamento e te agarrei. Você apenas se rendeu a mim, já que sou irresistível. – ele falou, displicente. Nesse momento eu o encarei pela primeira vez e ri com gosto.


- Está orgulhoso de si, Potter?


- Estava. Até me levantar pra fazer o café. – ele disse, sentando-se na minha frente. – Quando cheguei a cozinha descobri que eu não era o único sob o efeito de uma quantidade considerável de álcool noite passada. O que fez minha autoestima tocar o chão.


Arregalei meus olhos num primeiro momento e depois me lembrei de que quando ele chegou eu já passava da metade da garrafa de vinho que tinha aberto para o jantar.


- Ãh... – não encontrei o que dizer. Eu o fiz rir. Harry era bom em quebrar o gelo. Não estava mais envergonhada. Não podia estar me sentindo melhor, pra dizer a verdade. – Não quer comparar meia garrafa de vinho pra alguém acostumado a beber com o quer que você tenha bebido ontem, quer? Você estava bem ruim.


- Oh, obrigado. – ele respondeu, sarcástico. Ficou em silencio por uns instantes enquanto eu bebia o café. Depois me olhou de soslaio. – Foi a melhor fossa da minha.


Eu não pude conter uma gargalhada. Era isso que eu gostava nele. Ele era Harry. Meu amigo Harry. Simples assim.


Bebi quase metade do conteúdo da caneca, quando finalmente voltei a falar.


- Não é nada lisonjeiro me dizer que eu fui a melhor fossa da sua vida, Harry.


Ele sorriu de canto, olhando pra mim. Contemplou-me por um bom tempo como se me analisasse, ao mesmo tempo em que procurava a maneira certa de me dizer o que quer que fosse.


- Há seis anos eu beijei você. Por um ano eu estava convencido de que não era nada. Por mais dois eu me fiz acreditar que se aquele beijo tinha sido alguma coisa, não era nada de importante... Apenas reflexo da fragilidade e da sensibilidade que nós estávamos encarando naquele momento. Mais um e eu comecei a me questionar o que poderia acontecer depois do beijo. E outro ano se foi e eu estava começando a enlouquecer com aquela maldita voz que insistia em lembrar o quanto aquele beijo realmente significou pra mim, e que eu estava sendo tolo de não procurar o que havia depois dele. E mais um ano veio e eu achei que explodiria se não calasse essa pessoa irritante que gritava dentro de mim o tempo todo, me instigando a procurar pelo mesmo sentimento... Porque tinha mais a ser descoberto e eu estava me poupando de grandes oportunidades. Eu sinto muito se te assustei ontem à noite, Hermione. Mas tinha esse monstro dentro de mim dizendo que se eu fosse além do beijo, eu encontraria uma coisa que sempre procurei. Que não encontrei em Gina ou em qualquer outra mulher nos últimos anos. Por isso me separei dela. Por isso nenhum dos outros relacionamentos que eu tentei deram certo. Me desculpe se te assustei, mas não me arrependo de nada. Ouvir o monstro me fez experimentar o momento mais sublime da minha vida. É você. Sempre foi você. E alguma coisa dentro de mim sempre me disse isso, mas eu neguei até não poder mais aguentar essa guerra dentro de mim. – ele disse tudo isso num tom calmo e contínuo. Eu já repousara a caneca de café no chão, porque minhas mãos tremiam descontroladas. Eu pisquei, o fitei. A incredulidade estampada na minha testa. – E por mais bêbado que eu estivesse, eu jamais esqueceria essa noite... E jamais esqueceria seu corpo esguio sob o meu, o toque das suas mãos pequenas na minha pele, a maneira maldosa como puxou meu cabelo. – eu sorri, maneando a cabeça. – Eu jamais esqueceria seu olhar... A ânsia e urgência e a confusão que eu vi nos seus olhos. Naquele momento você soube. Eu sei que soube. Alguma coisa pareceu estar errada... E o que estava errado era o fato de estar tudo muito certo. Nada poderia ser mais exato, ou mais preciso, ou mais sensato que aquilo. – ele pausou, ainda me olhando. Respirou fundo. – Acho que estou te assustando mais agora que na noite passada, não?


Eu balancei a cabeça, incapaz de dizer alguma coisa. Minha voz faltava, mas eu também não tinha ideia do que dizer. Permaneci em silencio, tomei mais um gole de café, voltei a deixar a caneca sobre o tapete.


- Me desculpe. – ele sussurrou. Pude ver nos olhos dele que ele realmente sentia muito. – Oh, Merlin, o que foi que eu fiz? – ele disse, rindo de mim. Não tenho noção de como estava minha cara, mas eu estava, provavelmente, incrédula e sem reação. Pra piorar tudo meus olhos marejaram. Droga! Eu quis me esconder naquele momento. Eu não era assim. Eu não sou esse tipo de mulher. Pude ouvi-lo rir por um bom tempo. Harry engatinhou pelo tapete e sentou-se ao meu lado. – Acho que falei demais...


- Acha? – disse, num sopro de voz. Ele tomou minha mão entre as dele, delicadamente.


- Acho. – ele confirmou.


- Seis anos? – eu perguntei, num sussurro. – Guardou tudo isso por seis anos?


- Ah, sim. Seis longos anos. – ele respondeu. Ele estava totalmente calmo, e relaxado. Estava pacífico e determinado como estivera antes de se declarar. Leve. Como se tudo aquilo não tivesse nenhuma importância. Eu me senti mal. Porque... Ora... eu estava meio confusa. Não era como se eu não soubesse, mas, mesmo assim, era meio estranho encarar as coisas tão de frente.


- Você esperou por isso por seis anos?


- Huhum... – ele assentiu, olhando pra mim.


- Por quê? – finalmente o olhei, sentindo a calma ir voltando aos poucos a mim.


- Porque beijar você aquela noite foi a pior coisa que eu fiz na minha vida. – ele disse, com graça, eu sorri. – Me fez sofrer por seis anos.


- E agora?


- E agora nada mais importa. – ele falou, suavemente. – Já tirei minha dúvida. Soube o que precisava saber. Faremos o que você achar melhor: fingir que não aconteceu, nos evitar, tentar continuar nossa amizade, você me bater e me acusar de ter me aproveitado de você... Qualquer coisa... O que você preferir.


Eu ri, fitando o rosto dele.


Eu já não estava mais nervosa, não tremia, não queria chorar.


Me senti boba por ter tido todas essas reações tão românticas – no sentindo mais meloso da palavra. Era Harry quem estava ali. Não havia nada que pudesse fazer... Eu seria sempre dele, e ele meu. Não importava o que aconteceu ou qualquer coisa que viesse a acontecer.


- Ah, que dilema mais feminino. – reclamei, apertando a mão dele na minha. – Não me deixe agir assim nunca mais, como uma mulherzinha frágil. Detesto isso.


- Hermione, Hermione... – ele acariciou meu rosto, colocou uma mexa do meu cabelo atrás da minha orelha. – Confesso que não esperava isso de você, assim, tão intenso. Mas você superou rápido. – eu ri, ele sorriu pra mim. – E foi uma visão adorável.


Eu fechei a cara, levemente furiosa.


- Não diga isso, Potter. Dizer que foi uma visão adorável faz eu me sentir humilhada. – admiti. – Não sou esse tipo de mulher e não pretendo começar a ser.


Ele riu do meu orgulho, contornou meu rosto com a ponta do dedo indicador, escorregou da minha testa até meus lábios, passando pelo meu nariz.


- Você é adorável, Hermione. – ele falou, satisfeito ao ver-me fechar os olhos. – Você sabe que é.


- Por que me beijou aquela noite? – a pergunta saiu sem eu sequer me dar conta que tinha pensado nela.


Ele me fitou, sério. Levou algum tempo, me observando e pensando no que diria. Eu o olhei durante todo o tempo... Lembrar daquele beijo era sempre inevitável quando eu olhava pra ele. Há seis anos, todas as vezes que eu olhava pra Harry, sentia o gosto dos lábios dele nos meus.


- Não sei bem. – ele finalmente disse, vago. – Me pareceu a coisa certa a fazer.


Um silêncio se instalou entre nós. Eu não estava plenamente satisfeita com a resposta, e ele pareceu notar isso, porque um tempo depois ele voltou a falar.


- Estava irritado. Extremamente irritado. Eu amaldiçoava Rony com todas as maldições que eu conhecia... Me irritava o fato de ele estar sendo fraco. De estar deixando uma coisa que ele dera a palavra dele que faria até o final. – ele disse, com uma ponta de amargura. – Mas quando te vi chorando. Chorando por ele... Eu tive vontade de caçá-lo e fazê-lo pedir perdão por cada lágrima que ele te fez derrubar, nem que eu precisasse tortura-lo pra isso.


- Harry! – eu repreendi.


. . .


Seis anos antes


Harry respirava com dificuldade. Estava, pra dizer o mínimo, irado.


Não podia acreditar naquilo. Não podia...


Rony era um idiota. Um dos grandes. Um dos maiores... Um dos piores.


Alguns minutos se passaram até ter coragem de voltar a entrar na barraca.


Se já não sabia o que fazer antes, agora não poderia estar mais perdido. Até mesmo Rony. Seu melhor amigo Rony... Que estivera com ele desde sempre, o abandonara.


Hermione estava na cama dela. Podia ouvi-la chorar baixinho. Fazia algum tempo que ela estava imersa em lágrimas, encolhida em sua cama.


Rony os abandonara. Eram somente os dois agora, naquela guerra insana, naquela caça desesperada pelas horcruxes.


Ele se deitou em sua cama. Olhou para o teto da barraca, ouviu o vento uivar lá fora.


Respirou fundo.


O choro de Hermione não parava.


Há quanto tempo ela estava naquilo?


Mais um motivo para sua raiva por Rony beirar o ódio.


Ele abandonara Hermione. Sabendo que ela gostava dele.


Como ele podia ser tolo a esse ponto?


Ele não merecia as lágrimas dele.


Hermione Granger era mulher demais para Ronald Covarde Weasley.


Se impacientou com os soluços constantes. Estava irritado. Levantou-se e partiu em passos determinados em direção a Hermione.


. . .


- Eu sei que agora isso soa totalmente cruel. Mas foi o que eu senti naquele momento. Eu enlouqueci te vendo sofrer por alguém que sequer cumpria com sua palavra. Por te ver chorar por alguém que te deixou sem consideração alguma, os problemas dele eram comigo, ele devia ter, ao menos, te dado alguma explicação. Ele simplesmente te abandonou. Ele foi covarde, e você estava sofrendo por ele. Ele não merecia. Não merecia suas lágrimas, sua tristeza... Sua compaixão ou qualquer sentimento que tinha por ele. Ele não era digno de você, Hermione. Não naquele momento.


. . .


Parou ao chegar à cama dela. A observou, encolhida, com os joelhos junto ao corpo, virada para a parede. As mãos cobrindo o rosto, mas sem conseguir abafar os soluços.


- Mione... – ele começou, extremamente penalizado vendo-a naquele estado e sentindo que quebraria a cara de Rony com muito gosto assim que o visse a sua frente. – Pare com isso. Rony não merece nenhuma das suas lágrimas... Ele é um idiota e você... – pausou, procurando as palavras certas e um tom que não a fizesse pensar que estava zangado com ela. – e você é boa demais pra ele.


Ao ouvir isso o rosto dela, manchado pelas lágrimas, surgiu atrás das mãos pequenas.


- Hey... – ele chamou, sentando-se perto dela. – Não sofra por ele, Hermione. Você é generosa demais. Nobre demais. Ele não merece nada disso.


Ela virou-se, o fitou. Ele sentiu seu coração apertar. Ah... Mataria Rony por fazer isso com ela.


- Nós... Mas nós... – ela começou, em meio às lágrimas e os soluços. – Nós...


- Nós vamos ficar perfeitamente bem sem ele. – Harry completou, secando o rosto dela com uma das mãos. – Nós sempre fomos os melhores do grupo de qualquer forma... – ele brincou.


Hermione sorriu, desolada.


. . .


- Você me beijou por pena? – perguntei, sem me segurar. Era uma pergunta estúpida, eu sabia que a resposta era não. Harry não era esse tipo de homem. Tanto é que ele me olhou revoltado, se sentindo ofendido.


- Essa é uma pergunta bem estupida. – ele disse, entre dentes. Foi a primeira vez que ele se alterou durante nossa conversa. – Mas talvez eu tenha sentido pena. Mas não de você. De Rony, por não reconhecer a pessoa maravilhosa que você é. E de mim, por, naquele instante, sentir uma pontada de inveja de Rony. Ninguém choraria por mim, como você chorou por ele. Ninguém sentia por mim, o que você sentia por ele. Foi egoísta e totalmente ilógico de minha parte pensar dessa forma. Eu quis pra mim, por uns segundos, o que eu sabia que pertencia a ele. Eu quis você.


. . .


Ele a fitou por alguns instantes, acariciando o rosto dela com as costas dos dedos. Ela fechou os olhos com força, mas de nada adiantou, pois mais uma onda de lágrimas veio à tona.


Harry tirou o casaco pesado de frio que usava e o largou no chão. Deitou-se na cama de Hermione, vendo que mesmo com todo o diluvio, ela o olhava incerta do que ele estava fazendo.


Ele se virou de lado, ficando de frente pra ela. Se aproximou mais... Voltou a secar as lágrimas que não paravam de vir.


Ela fechou os olhos, respirando fundo. Estava tudo desmoronando. A guerra, a caça as Horcruxes, as mortes que vinham acontecendo numa proporção inimaginável, Comensais torturando pessoas inocentes, famílias sendo destruídas... O mundo estava desmoronando sobre suas cabeças e eles acabavam de perder mais um soldado.


- Ele é um tolo por não te querer. – ela o ouviu sussurrar. Estava confusa... Tantas coisas acontecendo e mais aquela onda de incerteza sobre o que realmente sentia por Rony. – Ele se dará conta disso... Talvez demore um pouco, porque Rony não é exatamente um gênio... Mas ele verá a tolice que está cometendo.


. . .


Eu o fitei, tranquilamente.


- Eu chorei ao perder Rony aquela noite. Eu chorei e fiquei triste. Mas eu sabia que uma hora aquilo iria passar, e eu iria superar. – ele já não olhava mais pra mim. Toquei o rosto dele e o virei, forçando-o me encarar. – Se eu tivesse perdido você, chorar não adiantaria. E tristeza... não seria o suficiente. Eu aprenderia viver sem Rony. Eu jamais viveria sem você. E é realmente uma pena você ter me beijado aquela noite, e ter me querido pra você, porque você me teve naquele momento. Eu nunca pertenceria ao Rony, pois antes mesmo de tentar ser dele, eu já era sua. Você me disse, naquela noite, que Rony era tolo por não me querer... E que talvez ele demorasse a perceber, porque ele sempre foi lento. Você disse que qualquer homem seria tolo se não me quisesse. – ele riu, balançando a cabeça, entendendo aonde eu queria chegar. – Eu te julguei um tolo por seis anos. Você superou o Rony.


. . .


- Obrigada. – ela sibilou, sabendo que palavra nenhuma expressaria o quão agradecida ela estava por todas aquelas palavras... e pelo que ele estava fazendo, e pelo o que ele significava... Talvez ficar sem Rony fosse difícil. Mas se imaginar sem Harry era impossível.


- Qualquer homem seria um tolo por não te querer. – ele sussurrou, colocando uma mexa do cabelo dela atrás da orelha da garota. Ela não podia deixar de fita-lo. - Você é incrível.


Ela sorriu, profundamente grata.


- Eu amo você. – ela murmurou, fazendo-o rir.


- E eu a você, Mione. – ele respondeu, ainda rindo. – Agora... Melhor você dormir...


Ele começou a se levantar, ela o segurou pela camiseta. Ele a encarou, com o rosto acima do dela, duvidoso.


- Não... – ela disse, baixinho. Com um aceno rápido da varinha, as luzes se apagaram. Um feixe de claridade ficou no rosto dele, destacando a cicatriz em forma de raio em sua testa. – Não...


A pouca luz dificultou a comunicação deles, através de olhares, que era tão eficaz entre os dois. Mas, por outro lado, apurou os outros sentidos. Ele ouviu a respiração dela falhar, e antes que pudesse pensar no que faria, já o tinha feito.


Tocou os lábios dela com os seus, levemente. Sentiu o gosto das lágrimas que haviam passado por ali há poucos minutos. O contato durou segundos. Ele se afastou, estranhamente confortável com a situação. Deitou ao lado dela e a aninhou em seus braços, silenciosamente.


. . .


- Eu sinto muito. – ele disse, sorrindo. – Eu realmente sinto muito.


- Devia sentir mesmo...Tive medo que você sofresse de uma tolice permanente. – falei, fazendo-o rir. – Oh, céus! Preciso de vinho.


- Mas você acabou de tomar café.


- É... Bom... É quase uma da tarde... Vamos preparar o almoço. – levantei, trazendo a caneca de café vazia nas mãos. Harry me seguiu até a cozinha, encostou-se à bancada enquanto me observava lavar a caneca na pia.


- Só pra constatar: você é um atentado a moral e aos bons costumes. – ele falou, me assustando. Eu larguei a louça na pia e me virei pra ele.


- Do que é que você está falando?


O olhar dele se voltou pra sala. O sol iluminando todo o ambiente através da parede toda em vidro que tinha ali. O tapete branco com algumas almofadas e o lençol espalhados... Havia algumas peças de roupa pela sala. Minha camiseta velha de dormir ainda estava sobre o balcão.


- Ver você se levantar hoje foi a visão que eu tenho do paraíso. – ele disse, mirando o nada, como se pudesse me ver ali, parada na sala, com o lençol escorregando pelo meu corpo, contra a luz amarelada e forte que entrava ali. – Devia ser proibido. É perigoso... Qualquer um perde a linha de raciocínio.


Eu não fiquei envergonhada. Não mais.


Sorri pra ele, assim que seus olhos verdes voltaram para mim.


- Foi uma visão adorável? – perguntei, sem conseguir deixar de ser irônica.


Ele riu alto.


- Foi um pouco mais que adorável.


- Um pouco? – fingi desapontamento. Ele expirou com força, balançando a cabeça e passando as mãos nos cabelos. Esse era o sinal de rendição dele.


Ha Ha!


Senhores e senhores, com vocês... Harry Rendido Potter. Ou Harry está-comendo-nas-minhas-mãos Potter ou Harry não-consegue-resistir-a-mim Potter.


Como quiserem...


Ele é meu mesmo...


- Muito. – ele murmurou, derrotado. - Muito mais que adorável.




. F I M .




N/a: FIM!


Espero que tenham gostado. Espero muitoos comentários.


=D


Bom, acho que essa parte da Barraca, quando Rony vai embora e deixa Harry e Hermione sozinhos na caça é um momento memorável do livro. E mesmo que nada tenha acontecido e não tendo chance alguma de acontecer, acho que para todos os H² do mundo uma faísca de esperança apareceu. ha ha ha


Deixo minhas esperanças escritas nessa fic, então.


Beijoos e Obrigada!


 




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Comentários: 1

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Enviado por Déborah Rogers Poynter Potter em 27/12/2011

SEM duvida eu concordo com vc, aquele foi o melhor momento HH da HISTORIA!! Principalmente a dança, O HARRY QUERIA SIM beijar a hermione, todo mundo VIU!!!! TEM GENTE QUE NÃO ADMITE. MAIS ISSO É FATO!! KKK´ Mais eles só não se beijaram por que a hermione se lembrou de rony. Mais tem uma coisa que é verdade, HERMIONE OLHOU PARA OS LABIOS DE HARRY E HARRY A FITOU NOS OLHOS!! romanticooo de mais, eu quase pirei quando hermione saio da barraca.kkkkk´ O pessoal do cinema nandou um calar a boca.kkkk´ Ameiii a fic, bjuss!!! Faz outras!! =D

Nota: 5

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