Domingo veio e passou rápido. Alissa logo se viu na segunda feira, tomando seu café da manhã. Seu dia seria cheio. Conseguira encaixar Tom Riddle para as 4:30h. O último horário do dia. Ele tivera muita sorte. Normalmente ela não tinha tempo livre segundas e sextas-feiras. Trabalhou toda a manhã com empenho, sem nenhum contratempo. Almoçou e depois trabalhou à tarde. O tempo passou depressa e logo chegou à hora tão esperada por Tom. Ele já estava na sala de espera desde as 4:00. Estava com um grande buquê de flores. Ele decidira pelas flores do campo, por serem as mais cheirosas e por acreditar que eram as mais adequadas para um pedido de desculpas. Quando ela abriu a porta para que ele entrasse no quarto, ele levantou-se lentamente e entregou-lhe as flores.
- Queria desculpar-me por Lucios, outro dia. A conduta dele foi inaceitável.
- Se foi a conduta dele, não há razão para que o sr. se desculpe.- Respondeu-lhe Alissa, com um grande sorriso.
- Desculpo-me por haver deixado que ele chegasse a tal extremo. – Tom disse-lhe, tentando ignorar aquela fileira de dentes brancos e perfeitos.
- O senhor não deve se desculpar pelos erros dos outros. Agora, por favor, entre. Devo fechar a porta.
Tom entrou e Alissa apoiou o buquê em cima da mesa. Ele sentiu-se nervoso. Nunca havia recebido uma massagem. Que ele deveria fazer?
- Tire sua roupa e deite-se na maca.
- Como? Tirar minha roupa? – Nesse momento ele duvidou que tivesse sido uma boa idéia ir até ali, no final das contas. Não queria expor-se dessa forma, logo na primeira vez que ficava a sós com ela.
- Sim, ou como o sr. quer que eu faça a massagem?
- Toda a roupa?
- O sr. pode ficar com a roupa de baixo, não se preocupe. Além disso, eu não vou espiá-lo – disse ela, com um tom de sarcasmo na voz.
Apesar de perceber a amargura na voz dela, ele não pode deixar de sorrir. Além de tudo, ela tinha senso de humor! Começou a despir-se e deitou-se na maca indicada. Ela aproximou-se dele até ficar exatamente ao seu lado. Ele tensionou todo o seu corpo.
Alissa pegou o pote de hidratante que usava para massagear seus clientes. Abriu-o e o cheiro do creme espalhou-se pelo pequeno recinto. Ela espalhou um pouco do creme pelas mãos pequenas e delicadas e em seguida as colocou em cima de Tom. Ele sentiu um pequeno arrepio quando sentiu as mãos dela em suas costas. Ela começou a deslizar as mãos ao longo de sua coluna, apertando, contraindo e relaxando as mãos em determinados pontos. Logo o corpo dele deixou de tensionar-se e ele começou a apreciar aquela sensação. A mente dele começou a esquecer-se de seus problemas e parecia que fazia cinco minutos que fechara os olhos quando Alissa despertou-o.
- Pronto, terminei. O senhor gostou?
Tom espreguiçou-se, sentindo-se uma nova pessoa. Aquela dor freqüente em suas costas havia passado e sentia-se uns dez anos mais moço. Finalmente relaxara e isto o deixava satisfeito. Pensou em como recompensar Lucios por tão boa idéia.
- Estava ótimo. Até dormi.
Alissa riu.
- Isso é normal na primeira sessão. Ainda mais que eu nunca tinha sentido ninguém tão tenso!
- Quando posso marcar um próximo horário?
- O senhor pode marcar agora. Para quando?
- Quando a senhorita recomenda?
- Em uma semana está bom? No mesmo horário?
- Não pode ser antes?
- Bom, primeiro teríamos que ver se o senhor precisa de mais de uma massagem por semana. Se for necessário, veremos como na semana que vem.
- Hum, certo. Por mim está bem.
Alissa sorriu e marcou em sua agenda um ponto forte, que significava horário marcado. Enquanto isso, Tom vestia-se, olhando para ela guardar tudo com rapidez e eficiência. Ela terminou de arrumar tudo, tirou o lençol da maca e pôs em uma cesta.
- O que será feito com aquele lençol?
- Será posto para lavar.
- Você faz isso todas as semanas?
- Um lençol limpo para cada freguês. Para manter isso, devo mandá-los para a lavanderia todos os dias. Não creio que deitar-se na cama de um desconhecido agrade a alguém nesse mundo.
- Onde fica a lavanderia?
- Aqui perto.
- Será que eu poderia acompanhá-la?
- Se o programa lhe interessa. O incrível rodar da máquina de lavar, a roupa sendo seca pelas máquinas... Realmente, é um programa fascinante. – Riu Alissa.
Tom sorriu com a brincadeira. – O programa pode não ser dos melhores, mas a companhia é. Eu gostaria de acompanhá-la até a lavanderia.
Alissa arrumou a trouxa de lençóis e colocou-a em uma sacola, que logo foi estendida para Tom. Colocou a guia em Laika e pegou a bolsa e as chaves.
- Vamos?
Tom saiu e esperou Alissa do lado de fora. Ela fechou a porta e trancou-a. Laika saiu à frente de sua dona, fazendo o seu nobre trabalho. Desceram as escadas e logo se encontraram na calçada do prédio.
- Você vive aqui a muito tempo?
- Uns dois ou três anos.
- E a vizinhança não a assusta?
- Não. Eu gosto dessas pessoas. Não importa qual é a profissão delas, são pessoas, com sentimentos, igual a mim e a você.
“Não, igual a mim não. Eu sou mais que um mero humano.” pensou Tom, mas nada disse.
Caminharam mais uma quadra até chegarem à lavanderia. Tom sentia-se desconfortável com o silêncio que havia caído entre os dois. Entraram na loja e Alissa dirigiu-se para uma máquina. Abriu-a e virou-se para Tom:
- A sacola, por favor.
-Ah, sim, claro. – Tom entregou o pacote para Alissa, que colocou todo o conteúdo dentro da máquina. Enquanto isso, Tom se sentava em uma das cadeiras e censurava por devanear daquela forma. “Ah, sim, claro.” Que coisa idiota para se dizer. Observou Alissa terminar as suas tarefas e vir, guiada por Laika, em sua direção. Por um breve instante, observou os sentimentos de Alissa para saber o que fazer. Viu que ela gostaria que ele se levantasse e a ajudasse. E foi exatamente isso que ele fez. Parou ao lado dela e perguntou-lhe, baixinho, ao pé do ouvido:
- Posso ajudá-la de alguma forma?
Aquela voz sussurrada e fria causou um arrepio de medo em Alissa. Tentando controlar esse sentimento vindo de algum lugar que ela não sabia de onde, ela respondeu:
- Não, obrigada. – Normalmente a resposta seria sim, mas aquela voz era assustadora.
Tom percebeu esse sentimento vindo dela e se deu conta de que deveria ter mais cuidado. Ele foi sentar-se outra vez em seu lugar e logo Alissa já estava ao seu lado.
- Agora é só esperar.
Tom concordou com a cabeça, mas ele sabia que não era só esperar. Era esperar e jogar. Ela se apaixonaria por ele. Ela já lhe abrira as portas como acompanhante. Logo, ele seria um amigo dela e, depois, algo mais. Apenas precisava tomar cuidado para não afastá-la. Depois de um tempo e de uma conversa morna, Tom acompanhou Alissa de volta pra casa e desaparatou para seu quarto. “Preciso tomar cuidado.” Foi seu pensamento antes de trocar de roupa e ir jantar.
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