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ATENÇÃO: Esta fic pode conter linguagem e conteúdo inapropriados para menores de idade então o leitor está concordando com os termos descritos.

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5. Paralelo


Fic: A Secret.


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Empty smile


Naked heart


Who I Was Falls apart


When you're here inside of me


 


 


Como previsto, a noite foi longa e agitada. Eu não conseguia parar de mexer na cama e sempre que fechava os olhos, lembrava do gosto de maçã vindo de sua boca, e aquilo não me deixou dormir.


 


Resultado: Amanheci sonolenta.


 


E tudo por culpa daquele idiota que resolveu surtar e me agarrar no meio do corredor. No que eu estava pensando quando deixei tal ato acontecer? Está ai uma pergunta que eu vou me fazer para o resto da vida. Beijei o inimigo e agora meu ser fica inquieto sempre que penso nele. Não posso negar que foi bom. Foi muito bom. Ele sabia o que estava fazendo e eu simplesmente me deixei levar, e diria até que se eu não fosse uma pessoa ajuizada, teria acontecido algo mais. Mas só de pensar nisso, eu estremeço.


Então era muito mais fácil não pensar e tentar fingir que tudo aquilo não passou de um mal entendido.


 


Nota mental: Ficar muito longe de Draco Malfoy durante o dia.


 


E eu estava disposta a fazer isso, se não fosse pelo café da manhã regado a olhares indiscretos daquele loiro, em minha direção. É claro que fiquei perturbada, mas acho que consegui disfarçar porque pelo menos nem Harry e nem Rony fizeram perguntas.


Aliás, Rony estava muito mais preocupado com seu teste para goleiro do time da Grifinória, que aconteceria hoje, do que com qualquer outra coisa que estivesse acontecendo ao seu redor naquele momento. E eu estava com a leve impressão de que isso estava tirando o assunto ‘Draco Malfoy’ da cabeça dos meus amigos.


 


- Vou torcer por você, tudo bem Rony? – Não consegui identificar com qual intenção Gina tinha dito isso ao irmão.


 


- Tudo bem... Tudo bem. – Levando em conta o tom que Rony utilizou para dizer aquelas palavras, eu arriscaria alguns galeões que isso foi muito mais para ele, do que para os outros.


 


- Boa sorte, Rony – Falei tentando animar meu amigo – Você consegue!


 


Rony me olhou e sorriu. Por alguns segundos nenhum traço de nervosismo estava estampado ali. Como se simples palavras fizessem toda a diferença do mundo, e faziam, pois o ruivo parecia um pouco mais confiante também. Tive vontade de abraçá-lo, mas não deu tempo, já que Harry avisou que já estava na hora de irem. Vi o peito de Rony arfar um pouco, enquanto ele tentava puxar o ar. Sorri. Ele estava mais encorpado e mais bonito também, e se não fosse tão bobo às vezes, diria que serviria como bom partido.


 


- Você vem? – Ele me perguntou com cara de pidão. Eu o encarei por alguns segundos e ri.


 


- Vou sim, Ronald.


 


Com um sorriso enorme no rosto, Rony puxou uma espécie de fila que era composta por Gina, Harry e eu.


Estávamos quase saindo do Salão, quando uma voz sonhadora chamou por Rony. Ficando na ponta dos pés, me apoiei nos ombros de Harry para ver quem era. Luna Lovegood.


 


- Rony, boa sorte – Ela sorriu daquele seu jeito propriamente lunático – Tenho certeza que você vai passar.


 


- Er... Obrigado Luna – Rony ficou sem graça, tinha certeza.


 


Vi a garota sorrir mais uma vez e, para a surpresa de todos e principalmente de Rony, ela depositou um beijo em seu rosto e saiu calmamente para fora do Salão. Vi as orelhas de meu amigo, ficarem vermelhas e ele passando a mão na bochecha de um jeito engraçado. Harry me olhou e sorrimos. Eu sabia o que Harry estava insinuando com aquele gesto.


 


A ida para o campo foi mais animada do que imaginei que seria. Gina não deixou passar o que tinha acontecido no Salão Principal, e as reações de Rony toda vez que a irmã se referia ao acontecido, eram realmente muito engraçadas. Harry também não perdeu a oportunidade de brincar com a história e em alguns momentos eu podia jurar que Rony esboçava um sorriso tímido.


Aquele clima estava tão bom, tão leve, tão descontraído, e a sensação era que não tínhamos um momento como esse, à muitas décadas. Um sentimento de felicidade me invadiu, e desejei que algum dia, tudo ficasse calmo e que os dias fossem menos obscuros, que nossas preocupações sejam menos pesadas, para que momentos assim não fossem mais raros. Só nós três rindo a toa sobre tudo e todos.


Sim, nós três, porque a medida que nos aproximávamos do estádio, Gina saiu correndo e deixou apenas Harry, Rony e eu.


 


Quando entramos, Rony foi direto para o vestiário e eu ia para arquibancada, quando Harry me parou.


 


- Você ta mais feliz hoje – Eu o olhei por alguns segundos e sorri


 


- Você notou é? – Falei ainda sorrindo, desviando o olhar daqueles olhos verdes e me concentrando no céu. Não estava nevando. – Hoje as coisas parecem que vão dar certo.


 


- Espero que sim – Ele confirmou me encarando por alguns segundos – Sabe que pode confiar em mim, não é?


 


Eu olhei assustada e meio confusa. Porque ele estaria falando aquilo? Mas logo o sorriso voltou ao meu rosto.


 


- Claro que sei Harry – O abracei e ele retribuiu – Agradeço todo o dia por ter você como amigo, acredite.


 


- É recíproco, pode ter certeza – Nos soltamos e ele me deu um beijo na bochecha.


 


- Eu tenho... – Acenei e me virei para ir à arquibancada. Hoje parecia que realmente nada ia dar errado.


 


 


Não tinha muitas pessoas sentadas ali, e achei que isso seria bom para Rony, já que ele parecia ficar nervoso quando muita gente o olhava. Luna estava lá e também Lilá.


Sendo sincera, eu já havia reparado os olhares que Lilá lançava a Rony toda vez que eles se cruzavam nos corredores, desde o começo desse ano. Mas não achava que ela estava tão interessada... Não achava antes. Agora, a julgar pelo nervosismo que ela estava e a empolgação que ela ficou quando Rony finalmente apontou no campo, eu estava começando a ter certeza. Luna também ficou agitada, mas não demonstrou tanto. Talvez porque a personalidade das duas era diferente. Lilá e Luna. O que aquele ruivo tinha afinal, que eu não reparei?


 


Balancei a cabeça e ri da situação, mas tentei me concentrar no que estava acontecendo em campo. O Time se posicionou e o primeiro candidato, a goleiro já estava preparado para o teste. Ele parecia muito confiante e cheio de si e eu imaginei como Rony estaria se sentindo naquele momento. Muito provavelmente, ele estava melhor do que vai estar quando for a sua vez de ser testado.


Não demorou muito até começarem e eu desejei ter um livro para me distrair. Definitivamente vôos com vassouras e bolas voando não me atraíam, mas de qualquer forma tentei prestar atenção em toda a dinâmica do teste. Não com muito sucesso já que qualquer coisa parecia mais interessante do que aquilo. Apoiei meu rosto em meu braço direito que já estava apoiado no joelho e suspirei. O céu não estava azul, mas para um dia de inverno até que estava ótimo. Fazia muito frio e os poucos que se mantinham na arquibancada que estavam em grupo, tomavam cuidado para se manterem bem juntos para se aquecerem, e os que estavam sozinhos, se viravam como suas luvas e cachecóis. Mais afastados, tinha um casal de namorados da Corvinal se aquecendo de um jeito muito mais interessante. Confesso que fiquei com uma pontinha de inveja e foi ai que percebi que precisava focar o campo ao invés de prestar atenção ao que estava acontecendo ao redor dele.


 


Um tempo depois, Rony fora chamado e eu me espreguicei e me ajeitei para poder ver melhor. Gina fez um vôo rápido e jogou a Goles na direção de Rony, que não conseguiu acompanhar e deixou a bola passar pelo aro logo acima de sua cabeça. Ao contrário do anterior, ele parecia muito mais nervoso e não havia começado bem. Gina jogou mais uma, duas, três e só na quarta, ele conseguiu pegar a que estava indo em direção ao aro da esquerda. Suspirei aliviada enquanto ouvia gritinhos estridentes de Lilá a uma distancia à direita e a agitação de Luna à esquerda. De alguma maneira isso pareceu dar mais confiança ao ruivo. Não demorou muito a ele passar a pegar todas que viam em sua direção, mas eu não sabia se seria suficiente já que não tinha prestado atenção no teste anterior, então só me permiti torcer para que aquela autoconfiança toda continuasse até o final.


 


E foi assim que aconteceu. Harry anunciou o fim do teste e todos se reuniram no vestiário, deixando Rony e o outro garoto no meio do campo, apreensíveis. Rony não parava de mexer no cabelo e ajeitar as vestes de quadribol. Um tempinho depois ele olhou para cima e acenou timidamente para minha esquerda, e vi Luna fazendo o mesmo. Logo depois ele fez o mesmo gesto em minha direção e retribui sorrindo. Quando Rony ia abaixando a mão, Lilá gritou seu nome e acho que ele se assustou, mas da distancia que eu estava não deu pra perceber muito bem. Ele retribuiu o aceno exagerado da garota e eu abaixei a cabeça.


 


Não demorou a Harry aparecer com o time e anunciar quem havia passa do. Ouvi gritos desesperados de comemoração do ruivo acompanhado de gritinhos histéricos de Lilá e pulinhos engraçados de Luna. Eu corri até a cerca da arquibancada e me pendurei, acenando freneticamente para Rony enquanto sorria. Estava realmente feliz por ele. Passado alguns poucos minutos, todos estavam saindo do campo, e antes que eu pudesse me virar e sair dali para encontrar os garotos, ouvi a voz capaz de congelar meus ossos.


 


- Patético – Prendi a respiração antes de me virar bruscamente – Será fácil ganhar da Grifinória, esse ano – Vi aquele sorriso no canto dos seus lábios se formarem e meu sangue ferveu.


 


- Não aposte nisso, Malfoy – Disse antes de tentar sair dali. Sim, tentar, porque aquele loiro me segurou pelo antebraço e me impediu. Virou-me de uma vez e me encarou. Olhei para os lados, mas as meninas já haviam ido embora. Voltei a minha atenção ao rosto dele.


 


Seus olhos estavam em um acinzentado quase transparente, a pele de seu nariz e bochechas estavam rosadas pelo frio e seus lábios um pouco mais avermelhados. E me lembrei novamente do que havia acontecido na noite passada. Senti meu rosto queimar. O que eu deveria fazer? Ele continuava em silencio, me encarando sem ao menos piscar e eu estava sem reação. Em contrapartida, meu cérebro estava a mil e eu queria algo para cortar aquele contato visual, e foi nesse momento que ele fechou os olhos e riu cinicamente de novo, afrouxando um pouco a mão que me segurava.


 


- Pare de pensar por um segundo, Granger... – Eu fiz cara de espanto e aproveitei para me soltar dele.


 


- Pare de invadir minha mente, Malfoy – Falei e senti minhas veias pulsarem de raiva, de ódio. Porque ele simplesmente não continuava a vidinha medíocre dele, sem ter que cruzar meu caminho?


 


Antes que ele pudesse ter outra reação, eu me virei e sair rápido dali, sem olhar pra trás, querendo com todas as forças, ir me encontrar com meus amigos.


 


 


Quando cheguei à Grifinória, Rony estava sendo carregado pelos amigos e todos estavam fazendo uma festa. Logo me encontrei com um Harry sorridente e orgulhoso e comecei a ter certeza de que ele queria isso tanto quanto nosso amigo ruivo. Sorri para ele e me voltei para Rony, a tempo de vê-lo sendo deixado no chão por todos que o carregavam e dois segundos depois lá estava Lilá se pendurando no pescoço dele e lhe dando um beijo. Um beijo bem demorado, diga-se de passagem. E aquilo despertou algo dentro de mim. O sorriso desapareceu e meus olhos arderam enquanto um pequeno desconforto no estomago começou a me incomodar. De repente a sala começou a ficar abafada demais e talvez por isso, ou talvez por ter sentido uma lágrima cair, que eu saí correndo dali. E rezei para que ninguém tivesse notado.


 


Sai correndo pelos corredores, esbarrando em alguns alunos que reclamavam, com razão, até achar um mais isolado. Encostei-me a uma das pilastras e tentei recuperar o fôlego enquanto secava o rosto – inutilmente – com uma das mangas do uniforme. Minha respiração estava irregular e eu sentia meu coração bater rápido demais, só não imaginava que o pior ainda estava por vir. Com minha visão periférica, vi uma sombra sair de uma das outras pilastras e me afastei da que estava me apoiando, assustada. Para minha surpresa e desespero, Malfoy apareceu.


 


- Porque deixa o Pobretão te fazer chorar assim? – Ele me perguntou e eu fiz cara de confusa.


 


- Não sei do que está falando – Tentei virar o rosto, para esconder que estava molhado, enquanto ele se aproximava


 


- Vamos Granger, ele é o único que te faria chorar desse jeito, só não sei o porquê – A cada passo dele, meu coração parava.


 


- Isso não é verdade... E eu não estou chorando – Falei com a voz um pouco mais rouca, que me denunciou. O vi revirar os olhos e parar.


 


- Quem mais te feria chorar assim? – Ele perguntou com uma das sobrancelhas arqueadas, parado a um metro e meio de distancia. Eu o encarei, séria e ele me devolveu o gesto, parecendo ter entendido para logo depois mostrar aquele sorriso irritantemente satisfeito.


 


- Então já te atingi... – Eu suspirei pesadamente.


 


- Não mais, Malfoy... Sinceramente não me importo mais de você me chamando de sangue-ruim. Acho melhor encontrar algo mais eficaz – Ele me olhou intrigado, talvez não esperasse isso. Afastei dele, pegando o caminho contrário, mas parei sem me virar – Aliás, a julgar por ontem, acho que já encontrou...


 


- Eu já disse... – Percebi uma ponta de raiva em seu tom de voz, mas o cortei.


 


- Não me interessa o que já disse, não acredito. – O ouvi bufar e se aproximar. Eu não me movi. Na verdade não queria me mover, não tinha pra onde ir e não queria encarar Ronald tão cedo. Estava confusa.


 


- Você É confusa, Granger... – Eu sorri discretamente enquanto fechava os olhos. Senti sua mão segurar meu pulso - Vem aqui.


 


- O que? – Perguntei, me virando enquanto ele me puxava para uma porta. Não que eu quisesse ir, mas não queria reagir.


 


- Estou sem nada pra fazer, que tal me contar uma história? – Percebi que estávamos na Sala Precisa.


 


No centro da sala, tinha duas poltronas pretas, com detalhes prateados, uma mesinha de centro feita de madeira escura e um enorme tapete branco. Uma lareira na parede defronte à porta, uma estante com objetos estranhos e muitas janelas. Nada mais. Observei ele se sentando em uma das poltronas e me convidou para sentar na outra e assim o fiz. Nos encaramos por minutos e eu, inconscientemente, tentei decorar cada linha de seu rosto, cada rajada escura que se destacava em seus olhos acinzentados e, no momento, muito claros. A pequena curva de seus lábios, o formato fino do nariz, os cabelos um pouco caídos no rosto. E fiz isso percebendo que ele também o estava fazendo.


 


- O que o Pobretão te fez? – Me perguntou quebrando, finalmente, o silencio.


 


- Nada. – Respondi seca e ele sorriu. Foi então que percebi algo vindo em nossa direção. Virei levemente meu rosto e percebi uma garrafa e duas taças que logo pousaram na mesa. O encarei desconfiada enquanto ele enchia as duas taças e me ofereceu. Balancei a cabeça, negando.


 


- Não seja mal educada – Ele me disse, ainda sustentando a taça na mão.


 


- Não confio em você. – Respondi sem cortar o contato visual.


 


- Faz bem – Vi um brilho diferente passar pelos seus, em segundos, enquanto ele bebia um pouco de sua bebida – Mas não vou te envenenar... Ainda.


 


O observei colocando minha taça na mesa, e a afastando em minha direção, ainda insistindo para que eu o acompanhasse. Suspirei e peguei a taça.


 


- Que bebida é essa? – Perguntei observando o liquido avermelhado, que lembrava muito um vinho trouxa.


 


- Algo que eu bebo, no inverno. Ela aquece o interior do corpo, mas não aconselho que beba muito. – O fitei curiosa e dei um gole. Ele tinha razão, aquecia o corpo, e em uma velocidade incrível.


 


- Combina com seus olhos – Ele me disse e eu o olhei repentinamente. E, de qualquer modo, a sala pareceu ficar muito mais quente que o normal. Tirei o cachecol e o coloquei em cima da mesa, enquanto bebia um pouco mais.


 


Dois, três, quatro goles e eu já estava tirando o Sobretudo da escola e o jogando no chão. Malfoy me olhou divertido e bebeu mais de sua taça.


 


- Porque o Pobretão te fez chorar? – Ele insistiu mais uma vez  e eu senti minha cabeça pesada, um pouco desnorteada.


 


- Pra que insiste nisso? – Perguntei, bebendo mais.


 


- Porque sou curioso – Ele me respondeu como se fosse óbvio e é claro que era. Senti que não estava mais tanto no controle de minha mente, quanto antes e coloquei a taça em cima da mesa, parando de beber. O calor estava começando a ficar insuportável e eu tirei minhas luvas. Ele já estava sem as dele, a muito tempo.


 


- Ronald beijou Lilá... Ou melhor, ela o beijou e... – Senti meus olhos arderem e tinha certeza que era por causa do álcool – E eu comecei a pensar que talvez o único garoto que ficaria comigo, não ficaria mais...


 


Porque eu estava falando aquilo? Vi Malfoy levantar a sobrancelha e tomar o último gole de sua taça.


 


- Você acha que nenhum outro garoto se interessaria por você? – O vi sorrir cinicamente novamente e quis jogar a taça em sua cabeça.


 


- Cala a boca – Levantei rapidamente, mas fiquei tonta e cai na poltrona. Ele riu, divertido, e eu o fuzilei com os olhos.


 


- Você tem razão, Granger – Ele me disse – Nessa sua cabeça estranhamente insana, ninguém mais se interessaria por você, a não ser o Pobretão.


 


Encarei o chão por alguns segundos e senti uma lágrima percorreu meu rosto e morreu em meu pescoço. Não estava chorando porque realmente amava Ronald, e sim porque tinha medo de ficar sozinha. Não ter alguém ao meu lado de outra maneira que não fosse só pra um simples abraço sincero. Tinha medo de não me sentir desejada. Fiquei tão absorta em meus pensamentos que não percebi quando Malfoy chegou mais perto e ficou na minha frente. Só o vi, porque senti sua mão agarrando meu pescoço e o olhei assustada.


 


- Eu te odeio, Granger – Ele me disse enquanto ainda segurava meu pescoço, sem fazer força, mas mesmo assim, levei minhas mãos ao seu pulso, segurando firme – Eu odeio a sua inteligência, a forma como você se destacou sendo uma sangue-ruim imunda, a forma como conquistou a única pessoa que recusou minha amizade, eu a odeio por ter tantos amigos, eu a odeio por ter sido a única garota dessa escola que não suspirou enquanto eu passava, eu odeio a forma como me enfrenta sem medo de morrer pelas minhas mãos, odeio a forma displicente que você começou a mexer comigo, odeio o fato de não conseguir mais esconder... – Ele se calou. Soltei minhas mãos de seus pulsos e ele passou a sua mão fria e tremula para minha nuca e com a outra mão, me segurou pela cintura e me levantou da poltrona. Minha respiração estava descompassada e meus olhos estavam semi cerrados.


 


- Não consigo mais esconder que eu odeio você entregue e triste dessa forma, sabendo que não fui eu que causei essa tristeza. Odeio saber que, hoje, preciso do teu ódio mais do que daquela bebida em cima da mesa.


 


- Eu... - De qualquer maneira, estava totalmente entregue a suas palavras e ao sentimento incerto que flamejava em seus olhos, por mais frios que eles pudessem parecer. Eu estava tonta, mas totalmente ciente do que estava acontecendo, estava captando cada palavra que ele me dizia e me agarrava a elas como se disso dependesse minha sanidade.


 


- É totalmente recíproco, Malfoy – Eu disse, puxando sua camisa em minha direção, fazendo-o ficar mais perto. Talvez a coisa toda de sanidade, não estivesse realmente em questão no momento.


 


Sua mão saiu de minha nuca e pousou em meu rosto e eu fechei os olhos, enquanto ele passava o dedo em meus lábios e se aproximava de mim, perigosamente. Eu o abracei, agarrando suas costas e encostei ainda mais meu corpo ao dele, porque no momento só o que eu queria era o calor que seu corpo emanava. E essa necessidade aumentou quando senti seus lábios prensando os meus e pedindo passagem pra aprofundar o beijo.  E novamente, eu cedi, mas dessa vez não senti o gosto de maçã, que foi substituído pelo da bebida quente que havíamos tomado, há alguns minutos atrás. Um beijo mais violento, mas que parecia que eu queria ha muito tempo. Minhas mãos já estavam em seu peito, segurando firme sua camisa.


 


Senti sua outra mão em meu cabelo, tirando a fita que o prendia em um coque, e segurá-lo, o que fez minha cabeça pender um pouco para trás. Foi então que ele interrompeu o beijo e desceu sua boa por meu pescoço até achar minha orelha e mordiscá-la e sussurrou e fez com que eu me arrepiasse.


 


- E eu realmente odeio esse sangue imundo que corre em seu corpo – Percebi sua mão soltando meu cabelo e se juntar à outra, na tarefa de desabotoar a minha camisa do uniforme.


 


- Só porque você o deseja... – Tentei não demonstrar nervosismo, mas estava quase impossível. Malfoy já estava terminando e eu comecei a tremer de leve, só de pensar o que viria a seguir.


 


- E ambos sabemos que isso não é certo. – Eu assenti com a cabeça e ele sorriu malicioso, pousando suas mãos frias sobre minha cintura já exposta e beijando a junção entre meu pescoço e ombro, me fazendo prender a respiração. Ele pareceu perceber e soltou um risinho que pude sentir claramente.


 


- Porque você... – Tentei, mas ele já havia subido e pousado sua boca na minha delicadamente, como não havia feito ainda. Olhei em seus olhos e pude ver como ele despia minha alma, com os dele. Virei o rosto e ele sussurrou perto do meu ouvido mais uma vez, me fazendo fechar os olhos.


 


- Eu sempre quis ver esse seu corpo morto – Um arrepio estranho percorreu minha espinha e me fez ficar mole, de um jeito totalmente tolo enquanto ele passava sua mão gelada em meu rosto – Saber que você não respiraria mais. Ver esses seus olhos fechados pra sempre...


 


- Agora que eu pergunto o porquê de tudo isso? – Falei com a voz falhando ainda sem o encarar. Nem minha mente trabalhava direito. – Ou a situação é tão óbvia que a pergunta ficaria idiota?


 


Ele soltou outro risinho abafado e segurou o meu rosto, fazendo com que eu o encarasse. Tentei me soltar dele, mas não estava tendo muito sucesso.


 


- Nada é tão óbvio como você imagina, Granger. Nem mesmo o motivo de eu te querer morta.


 


Meu sangue ferveu e minha expressão se fechou. De repente, como se tivesse tido um lampejo de sanidade, encontrei forças pra me livrar das mãos de Malfoy e fui cambaleando para trás, assustada. O que eu estava fazendo sozinha em uma sala, sem blusa, beijando o cara que sempre quis a minha morte? Quer dizer, eu não tinha instintos suicidas. Pelo menos não que eu desconfiasse.


 


- Eu não sei o que eu to fazendo aqui – Falei me abaixando para pegar minha blusa que estava jogada a uns poucos centímetros dali, quando senti as mãos de Malfoy segurando meu pulso esquerdo.


 


- Não... – Ele ofegou e eu parei segurando a blusa no ar – Não vai.


 


- Isso é loucura – Aquela frase era mais para mim do que para ele – Eu não devo continuar aqui. Me solta.


 


- Você entrou aqui nessa sala chorando porque achava que o único cara que iria querer você estava com outra e agora que eu... – Ele parou e eu ofeguei, sentindo meus olhos ardendo como se estivessem pegando fogo. Ele abria e fechava a mão, como sempre fazia quando estava nervoso.


 


- Você o que? – Perguntei o confrontando – Não venha me dizer que agora você esta me desejando... Vai dizer que acordou hoje e resolveu me olhar como um pedaço de carne que você desejaria comer desesperadamente? Nada aqui faz sentido Malfoy, nem essa conversa – O encarei e ele parecia um pouco petrificado. Dei meia volta e caminhei até porta, vestindo minha camisa. Antes de girar a maçaneta, olhei para trás e Malfoy estava sentado em uma das poltronas com o cotovelo apoiado na perna e escondendo o rosto com as mãos.


 


- Você está certa, não devia estar aqui – Ele sussurrou e meu coração, por algum motivo, bateu mais rápido – Como sempre, está certa.


 


Ele bateu a mão na mesinha, o que me fez assustar e dar um pulo pra trás e segurar a respiração. A garrafa da nossa bebida derramou, manchando o tapete e ele não pareceu ligar. Ele apenas me olhava da forma mais triste que eu jamais havia visto naquele rosto. Seus olhos avermelhados ao redor dando um tom de tempestade em sua íris. Sua boca estava entreaberta e suas bochechas rosadas e estava ofegante, como se tivesse acabado de correr uma longa distancia.


 


Prendi a respiração.


 


- Você quer saber o real motivo de eu querer... Ou melhor, precisar de você morta, Granger? – Ele me perguntou em um tom baixo.


 


- Eu... – Não sei se queria realmente, mas devia ter respondido.


 


- VOCÊ QUER SABER? – Ele gritou e eu o encarei com a expressão fechada. Ele não podia gritar comigo daquela maneira, ele não mandava em mim.


 


- Não me interessa nem um pouco. – Falei calmamente. Ele fungou.


 


Aconteceu muito rápido e quando percebi, ele já estava prendendo meus pulsos na porta e eu soltei um grito abafado. Seu rosto estava próximo ao meu, seus olhos continuavam escuros e avermelhados e sua respiração totalmente descompassada. Eu engoli em seco e pedi que me soltasse. Ele afrouxou meu pulso, mas não me soltei. Senti novamente meus olhos arderem.


 


- Você... – Ele sussurrou e eu estremeci – Sempre representou um perigo para mim. Sempre tive tudo o que eu quisesse Granger. Nada me era negado até você aparecer nessa maldita escola e começar a se destacar. – Ele pausou por alguns segundos antes de prosseguir – No começo eu não sabia por que você me incomodava tanto. Pensava que era por você ser uma sangue-ruim maldita e eu, desde que nasci, fui condicionado a detestar sangues-ruins.


 


Olhei para ele de uma forma sentida. Não me importava mais ser chamada de sangue-ruim, eu era melhor do que aquilo. Sempre tentei demonstrar que meus talentos com a magia podiam superar todos esses comentários. Mas ouvir isso dele, naquele momento, mexeu comigo de alguma forma.


 


- O problema todo começou quando eu percebi que não era só isso – Ele abaixou a cabeça e soltou um sorriso abafado e irônico. – E foi aí eu comecei a entender como alguém se sente quando é impedido de ter algo e sabe? Eu não gostei. Me sentia ridiculamente incomodado quando você passava, rindo com seus dois amigos idiotas e eu só queria mais um motivo para odiar mais ainda aqueles babacas.


 


Ele me soltou e foi andando pesadamente até uma das poltronas, enquanto eu me sentia pregada à porta. Minha respiração estava fraca. Ele encostou suas costas no encosto da cadeira e pendeu a cabeça para trás, fechando os olhos. Agora que conseguiu minha atenção, ele podia me deixar aonde eu quisesse ficar, desde que estivesse prestando atenção.


 


- Quando você me deu aquele soco, no terceiro ano... – Prendi a respiração e o vi sorrindo novamente – É claro que me revoltei. Mas ao mesmo tempo me senti aliviado. Parecia que tinha me punido por tudo o que eu estava sentido e era daquilo que eu precisava. Punição. Claro que para uma pessoa como eu, punição não é bem-vinda, mas por tudo que eu havia escutado de meus pais... Aquilo era o certo à fazer.


 


A cada palavra que saía de sua boca, ele ficava mais relaxado e parecia que estava tirando o mundo de suas costas.


 


- O pior veio naquele Baile de Inverno, quando te vi naquele vestido... – Eu escorreguei e estava sentada no chão, o olhando como se o tivesse vendo pela primeira vez – Quando te vi... Granger, você estava absurdamente linda e eu não conseguia entender onde você tinha se escondido por tanto tempo. E senti inveja de Krum por estar te acompanhando. Então entendi que era preferível te ver morta. Eu nunca poderia te ter, e nem ninguém mais. Mas eu não iria conseguir fazer isso à você, então tentei te ignorar o máximo que pude.


 


Senti algo quente e molhado percorrer meu rosto. As lágrimas caíam sem eu perceber e meu choro começou a se tornar compulsivo. Ele me virou o rosto, me olhou por alguns minutos e fechou os olhos.


 


- Eu não sei o que sinto por você Granger – Escutei seu suspiro e meu coração congelou – Eu não sei o que é amar alguém, não o amor carnal, mas eu sei quando desejo algo e eu desejo você. Cada célula minha estremeceu quando te beijei aquele dia. Eu não sei... Eu não sei explicar. A única coisa que sei é que tudo isso é errado e que eu posso pagar um preço altíssimo, mas eu...


 


- Você... – Encontrei forças da onde? – É um comensal da morte, estamos de lados opostos e é engraçado como isso costuma acontecer nas histórias trágicas que conheço. – Sorri. Um sorriso fraco e bobo.


 


- Trágicas, huh? – Ele não se movia.


 


- Não se pode esperar um final feliz de uma história dessas.


 


- Por isso a vida é uma Tragédia.


 


- Acho que sim.


 


Um silencio ensurdecedor pairou na sala. Acho que ele, assim como eu, estava refletindo sobre o que viria a seguir. Que passo deveria dar? Eu não sabia mais o que pensar. Eu o queria, mas não o amava, não teria lógica. Ele sempre teve alguma influencia em mim. Não era como se ele me dominasse, mas sua presença me mudava de alguma maneira. O problema é que eu não sabia se estava preparada para enfrentar um Tsunami de problemas que certamente viriam, só pelo desejo de estar com ele.


 


- Eu não posso. – Ele falou finalmente e eu senti uma angústia enorme.


 


- Eu também não. – A vontade de voltar a chorar voltara com força total.


 


Ele se levantou calmamente e veio caminhando em minha direção olhando firmemente para meu rosto. Eu apenas esperei sua chegada. Não tinha forças para sair dali ou fazer qualquer outra coisa. Na verdade a minha vontade era de ficar ali para sempre. Porque não? Seria tão mais fácil. Não ter que encarar o mundo lá fora, os meus amigos, os problemas, a guerra. Queria ficar em algum lugar onde eu me sentisse livre de tudo isso e ali parecia perfeito.


 


- Posso te pedir algo? - Malfoy parou diante de mim e estendeu a mão para que eu a pegasse. Eu hesitei por um segundo, mas a segurei e ele me ergueu do chão, voltando a me olhar nos olhos. Eu suspirei e balancei a cabeça positivamente.


 


Ele segurou meu rosto para logo depois me dar um forte abraço e ai percebi que ele desejava o mesmo que eu. Desejava ficar ali e fugir de tudo o que teríamos que encarar depois de cruzar aquela porta. Sair dali significava que ambos seguiriam seus caminhos em direções opostas sem previsão de quando nos encontraríamos novamente e em que circunstancias. Sair dali significava acabar por tempo indeterminado, o que nunca começou e isso doía.


 


- Seja minha hoje. Em segredo, mas seja – Meu corpo amoleceu e eu senti minha cabeça desacelerar. Minhas mãos começaram a ficar suadas e meu coração batia forte. E de repente eu esqueci que estava em uma escola, esqueci estava nos braços do inimigo, esqueci do seu sangue nobre. Naquele momento eram apenas duas pessoas, duas almas machucadas que queria encontrar um sentido para seu desejo de estar uma com a outra. Beijei tua boca esperando encontrar o calmante que eu precisava.

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