N/P (Nota da postadora rsrsrsrs)
Bom, aqui é a MiSyroff...
Estou postando pra Miss Granger e com certeza ela estaria pedindo 1 milhão de desculpas
E sim, a vida dela não tá fácil
Mas ela se explica melhor depois
Vocês querem é capítulo né?
Enfim, beijos *-*
Como o mar...
A lembrança daqueles dias me invade sempre como uma onda. Como o mar que permeou nossos momentos. A lembrança da trepidação do avião, das cores das nuvens, o cheiro diferenciado dos cabelos dela. Tudo muito bem guardado. Lembranças, minhas ondas particulares.
O tempo não podia estar menos convidativo quando chegamos. A chuva açoitava não só as janelinhas restritivas do avião como também nossos cabelos quando desembarcamos. A habilidade de Hermione para organizar as coisas era algo admirável. Em dois minutos ela havia conseguido nossas bagagens de volta, e organizar toda aquela burocracia da imigração, seja lá o que for. Deixamos o aeroporto junto com a massa compactada de visitantes, moradores e etc.
– Deixamos de ser bruxas? Por que não podemos aparatar agora? – perguntei impaciente. Estava curiosa quanto ao nosso destino.
– Nós vamos aparatar... mas antes... – Hermione me levou para uma rua lateral, olhou para todos os lados e sorriu para mim. Eu pisquei.
– Que foi? – perguntei.
– Use isto. – ela retirou uma venda do bolso do jeans e se adiantou para amarrar o tecido nos meus olhos.
– Por quê? – eu perguntei.
– Obedeça.
– Por quê?
– Obedeça, Ginevra. – ordenou ela. Eu revirei os olhos e ela amarrou o tecido em mim. Depois do cansaço da viagem, a escuridão da venda foi bem-vinda. – Agora vamos. – disse ela. Pelo tom de sua voz percebi que sorria.
Em dois segundos ela segurou meu braço e giramos para aparatar. A escuridão parecia extremamente ameaçadora por culpa da venda. Quando paramos, eu senti um cheiro incomum no ar. Uma brisa suave jogou meus cabelos para trás, enquanto gotas de chuva mornas (algo inexistente em Londres) molhavam meu rosto. Hermione me envolveu para retirar a venda.
– Pronta?
– Sei lá. – respondi. Hermione riu.
– Ok. Vamos lá. – ela desamarrou a venda e a primeira coisa que vi foi uma claridade enorme ofuscando meus olhos. Minha visão entrou em foco e meu estômago se contorceu. Uma enorme quantidade de areia incrivelmente branca se estendia por uns vinte metros à minha frente. Depois dela, uma quantidade ainda maior, interminável de água, água esverdeada e espumante, se postava em um movimento constante. Era o mar. O cheiro me atingiu agora mais significativamente. Eu arfei ligeiramente. Era lindo demais.
– Merlin...É absurdamente lindo... – eu murmurei fracamente. Hermione me envolveu.
– É assim que eu me sinto quando olho para você...Foi a única maneira que encontrei de te fazer entender. – ela disse sorrindo.
Eu não tinha resposta adequada para isto.
– É muito lindo...é muito...
– Venha – disse Hermione como se não tivesse dito nada de diferente – Vou mostrar onde vamos ficar.
Eu ainda me virei algumas vezes para ver aquela imensidão de água. As gotas de chuva batendo naquele inquieto espelho, enquanto o sol fazia o horizonte brilhar amarelado. Entendi o que ela queria dizer quando me virei e olhei para o rosto dela. Realmente. Era assim que eu me sentia. Sorri para o sorriso dela. O sorriso mais incrível do universo. Ela retirou uma mecha de cabelo do rosto de falou ainda sorrindo.
– Que foi?
Eu apenas passei o braço pela cintura dela e recomecei a andar. Ela colocou o braço no meu ombro e eu beijei o antebraço dela que ficou próximo à minha boca.
Andando alguns passos eu avistei um pequeno chalé. Olhando à volta logo via-se que era a única construção dali. Na verdade...
– Essa praia é deserta? – eu perguntei insegura enquanto nos aproximávamos do chalé.
– Restrita à quem aluga o chalé. – respondeu ela pegando um pequeno molho de chaves.
Qual era a dela?
– Qual o objetivo disso tudo? – perguntei.
– Paz.
– Paz... – repeti.
Ela remexeu nas chaves e abriu a porta do lugar.
Meu queixo caiu.
Não havia sala no lugar. O primeiro cômodo era um quarto com uma cama “kingsize” forrada com lençóis brancos e com nada menos que seis gigantescos travesseiros. Havia duas portas em uma parede lateral. Supus que seriam o banheiro e a cozinha. Ou então alguma sala reservada para experimentos sexuais bizarros. Sério. Pensei mesmo nisso. Aquilo era...erótico. E mesmo eu não gostando daquela palavra não havia nada melhor para definir. Havia também uma cômoda. Em cima dela um jarro com rosas vermelhas. O que não era branco era de madeira. A única cor do lugar eram as rosas.
– Então? – ela queria minha opinião.
– É lindo aqui. Mas por que sinto que parece, um lugar onde pessoas passariam a Lua de Mel? Por que está sorrindo assim?
– Meus pais passaram a lua de mel aqui. Eu sempre disse que a minha seria aqui também. – ela explicou. Hermione às vezes é uma pessoa muito legal, mas às vezes ela faz coisas que eu não entendo. E olha que convivi a vida inteira com Luna Lovegood. – Que foi? – acrescentou ela vendo minha expressão.
– Você queria passar a lua de mel aqui... – eu comecei – e me trouxe aqui...?
– Ah. – ela pareceu desconcertada. Eu podia adivinhar que ela não tinha considerado o que aquilo parecia – Mas eu desisti de passar a lua de mel aqui sabe? Achei que seria mais legal com você.
Ela começou a abrir o zíper da mala e o fechou logo depois.
– Mas você gostou? – ela perguntou.
– É incrível. É lindo. – eu sorri e ela sorriu de volta.
– Que bom que gostou. – ela respondeu feliz.
Fui até a cozinha. Era pequena e também predominava o branco. Era tudo muito lindo.
– Vamos à praia? – perguntei quando voltei ao quarto.
– Agora? – ela perguntou.
– Não posso esperar nem mais um minuto para experimentar aquela água. – eu disse retirando meus tênis com os meus próprios pés.
– Ok. Vou por o biquíni. – ela anunciou. Eu a impedi puxando-a pelo braço. – Estou de tailleur! – ela argumentou. Eu me aproximei dela, me aproximei, me aproximei. – Ginny você está me assustando...quê sorriso é esse...? – ela recuava e eu a seguia – O que você está pensando...
Eu sorri quando as pernas dela bateram na cama. Me aproximei ainda mais. Ela estendeu as mãos na minha direção em um gesto de proteção.
– Não vou te fazer cócegas...
– Jura? – ela implorou.
Eu ri.
– Juro. – eu peguei as duas mãos dela e a empurrei para a cama. Tão logo ela caiu eu puxei a barra da saia dela. Em dois segundos ela estava sem ela. Deixando à mostra calcinha verde claro – Pronto não está mais de saia. – Hermione parecia imobilizada. Eu deslizei o blazer até ele ficar preso apenas nas mãos dela. Depois o retirei abandonando na cama. – Nem de blazer. – Era engraçado vê-la tão imóvel...assustada? Não. Se eu conhecia bem a íris dela, não era exatamente isso... – Só falta mais uma coisa... – eu me ajoelhei na cama e comecei a desabotoar a blusa dela. A cada botão ela ficava mais rubra, me olhava de um jeito curioso. Retirei a blusa dela. Demorei um minuto admirando o sutiã. – Está com a vestimenta adequada agora.
Eu me preparei para levantar. Ela me puxou pela parte da frente da camiseta. Senti o calor de sua boca perto da minha. Aquele cheiro perigoso de chocolate que o gloss dela tinha. Ela estava mais baixa que eu. Meus cabelos caíram no seu rosto, ficava lindo o tom na pele de porcelana dela. Ela olhou para minha boca por alguns segundos e então se levantou subitamente.
– Ta, pode ser. – disse retirando os sapatos. Eu sorri involuntariamente. – Por que esta rindo?
– Nada, Herms, nada. – eu fui até o frigobar e o abri. – Céus! Quer entrar em coma alcoólico Herms? Dá para fazer isso, se recuperar, entrar de novo, se recuperar, entrar de novo...
A ouvir gargalhar.
O frigobar estava cheio de todas as bebidas possíveis. De suco natural à vodka. Em cima dela havia uma caixinha de madeira, parecia um pequeno guarda-roupa. Eu o abri. Contei seis garrafas de vinho. Peguei uma dela. Mostrei à Hermione. Entreguei à ela as duas taças em cima do frigobar.
– Vamos? – perguntei. Ela revirou os olhos. Eu a peguei pelo braço e em alguns segundos corríamos pela porta.
Parei há uns 10 metros da água. Coloquei a garrafa de vinho no chão. Despi a camiseta e a calça jeans.
– Ah, Ginny, não vou entrar não...está chovendo, a água deve estar gelada. – ela vacilou.
– Herms, faça-me o favor. Quem inventou isso foi você. – eu disse.
– Vai você. Eu espero aqui. Detesto água fria. – falou Hermione.
– Eu esquento você, vem. – eu falei maliciosa estendendo a mão para ela.
– Se comporta. – ela falou séria.
– Ok, a culpa disso é sua. – eu estiquei a mão e peguei no fecho frontal do sutiã dela. – Ou vem ou eu abro.
Ela olhou para baixo para minha mão.
– E daí? Só estamos nós duas aqui. – ela falou.
– É mas, você sabe, não é? Eu posso ver você sem sutiã, eu posso querer...
– Está bem, estou indo, estou indo, me solta. – ela me interrompeu.
Eu soltei o fecho rindo.
– Essa coisa de você ter medo de mim é tão engraçada. – eu falei caminhando para água.
– Medo nada. Não tenho medo de você. – ela falou.
– Sei.
Meus pés tocaram a água. Tinha um cheiro tão diferente. Como demorei tanto tempo para conhecer o mar? De um salto eu mergulhei por completo. A água estava muito gelada. Emergi trêmula. Hermione estava ainda com água até os tornozelos. Eu fui até ela. Ela olhou para mim e sua expressão ficou apavorada.
– Não! Não! – Ela começou a correr de volta para a areia. Eu corri atrás dela e comecei a puxá-la. Se alguém visse a cena iria achar no mínimo muito estranho. Uma garota arrastando outra pela cintura até a água. – Ginevra Weasley, não se atreva! Não se atreva! – eu consegui puxá-la onde a água estava até à cintura dela. Ela já estava tremendo. – Gelada! – falou ela simplesmente. – Eu estou com frio, Gina!
Eu coloquei uma mão na sua nuca e a outra sua cintura. Obrigando ela a avançar num puxão uns três passos. Afundamos as duas. Quando emergimos, ela tremia demais.
–Is-sso não te-tem graça Gina! – ela balbuciava.
– Não tem graça? – eu ria – Devia se ver agora.
– Você é louca. Podíamos ter nos afogado. – ela falou agora mais relaxada me jogando água.
– Com a água na altura do peito? – eu falei.
Ela estava linda. Os cabelos estavam mais escuros e não cor-de-mel, tinha as pupilas dilatadas pelo frio, os lábios pálidos e trêmulos. Sem contar a lingerie transparente. Quando me atentei àquele detalhe olhei para mim. Minha lingerie era algo próximo ao marfim, sei lá, não lembro direito. Algo muito claro. Conseqüência? Eu estaria melhor coberta nua.
– Bom eu acho que não posso tomar banho de mar com essa lingerie se houver mais alguém por perto. – lamentei.
– Ah, muito obrigado, Ginevra. Por me atentar a esse detalhe. – ela falou irônica.
– Vem vamos tomar o vinho. – eu a chamei rindo.
Ficamos na areia tomando o vinho até o sol se pôr. O que foi incrivelmente lindo. Eu nunca tinha tomado mais que uma taça de vinho. Talvez por isso na terceira eu estivesse contando meu sonho do hipogrifo verde. Que sonho? Ah, um sonho em que...ah, deixa pra lá. Só bêbada mesmo.
Algumas horas depois entramos, ainda rindo, na sala do chalé.
– Preciso de um banho. – disse Hermione. Ela estava cheia de areia e completamente molhada.
– Por quê? – eu perguntei colocando a mão na nuca dela e a puxando para mim – Você está tão sexy assim!
Ela se livrou habilmente das minhas mãos.
– Sexy é a última coisa que quero estar presa com você em um chalé. – ela riu lindamente – Além do mais parece que empanaram você. – ela riu mais ainda, acho que o vinho estava afetando ela um pouco.
– Vai fazer o que para ficar menos sexy? – eu perguntei olhando para mim, eu era a areia, nada além disso. Eu ri. – Ficar invisível?
– Chega, Gina. Vamos tomar banho, acho que você está bêbada. – ela pegou minha mão.
– Aham, – eu disse enquanto ela me puxava para o banheiro – E você acha totalmente seguro me levar para tomar banho com você.
– Sim. – ela disse séria. Eu não estava bêbada, só um pouquinho tonta. Percebi claramente o ultimato na voz dela.
Fiquei muda quando entrei no banheiro. Era enorme. Havia um chuveiro e uma enorme banheira branca.
– Wow! – eu disse simplesmente. Nem percebi os movimentos dela. Quando vi estava embaixo do chuveiro com ela. Ela fechou os olhos embaixo do chuveiro, a areia indo embora do corpo dela, a água escorrendo. Muito linda. Aquela tontura toda provocada pelo vinho não me deixava raciocinar corretamente. Era impressão minha ou Hermione havia ficado ainda mais linda? Eu a empurrei contra a parede, sorrindo para a boca dela.
– Ginny! – ela exclamou. Eu continuei apenas olhando para a boca dela. – Ok. Está na hora de mencionar as regras da viagem.
– Regras da viagem? – eu fiquei confusa. Olhei para os olhos dela.
– Sim. Coisas que Gina Weasley não pode fazer. – ela disse.
– Quem é essa Gina Weasley? – perguntei debochando.
– Sério. Você não pode me beijar. E nós não podemos transar. – ela disse. Eu ri.
– Essas são as únicas regras? – perguntei ainda rindo.
– Sim. – ela disse convicta.
– Não vai criar nenhuma outra? – ela pareceu intrigada.
– Não por...
– As duas únicas coisas que eu não posso fazer é: te beijar e transar com você?
– Sim.
– Defina transar.
– Mãos ou boca...em um lugar específico. – ela disse corada.
– As duas únicas coisas que eu não posso fazer é tocar sua boca e sua...
– GINEVRA! – ela repreendeu.
– Meu irmão deve ser um idiota se essas são as únicas duas regras que você cria. – eu ri.
– Por quê? O que você está...? – ela perdeu a frase quando eu colei a boca ao pescoço dela. Ela apenas arfou. Eu beijei o pescoço dela lentamente. Eu esperei ela me repreender, mas ela apenas apertou as mãos na minha cintura.
Eu levei a mão à perna dela apertando com força, trouxe a perna dela até a minha cintura. Senti o biquíni dela tocando em mim. Eu localizei o fecho transparente da parte de cima e o abri. Eu prendi o cabelo molhado dela entre os meus dedos ainda beijando seu pescoço, o corpo dela amolecia embaixo do meu. Eu a senti levar a mão até a cordinha do meu biquíni e hesitar. Eu peguei a mão dela e com nossos dedos entrelaçados eu o desamarrei. A peça caiu e nossos seios se tocaram. Ouvi o gemido baixo que ela deu. Voltei a beijar seu colo e fui descendo até roçar os lábios no seio esquerdo dela. Ela gemeu levando a mão à minha nuca. Me demorei nos seios dela sentindo-a estremecer. Voltei a olhar para o rosto dela, ele estava rubro. Ela tinha os olhos fechados e boca entreaberta. Eu levei a mão à parte de baixo do biquíni dela, roçando meus dedos levemente. Ela arfou cravando as unhas nas minhas costas. Eu parei pousando as mãos na sua cintura. Ela abriu os olhos levemente.
– Entendo a sua argumentação. Talvez seja necessário criar mais regras. – ela disse levemente ofegante.
– Não. Você disse que não criaria mais. – eu sorri maquiavélica.
– Não...vou. – a voz dela quebrou quando eu a acariciei novamente em cima do biquíni.
Eu a peguei pela mão e a puxei até o quarto, até a cama. Deitamos lado a lado.
– Eu te amo tanto. – ela disse acariciando meu rosto. Eu a puxei até mim, nossos corpos se tocaram. Vi sua íris escurecer.
– Eu entendo por que não podemos ficar juntas...mas por que eu não posso ter você? – eu perguntei desesperada.
– Por que o Rony ia querer saber com quem eu perdi a virgindade. – ela disse. Eu fiquei pasma.
– Mas você não é virgem. Eu vi aquele dia. – eu argumentei.
– São só carícias Gina, e eu pedi que ele parasse. Depois daquilo. – eu a fitei por alguns segundos depois disso.
– Você é virgem? – eu perguntei ainda meio abismada.
– Sim. – ela fechou os olhos. – Eu queria tanto que fosse com você, Ginny... – ela falou baixinho. Eu tive que me esforçar para ouvir – Que eu tenho vontade de correr quando ele tenta. – ela suspirou. Eu apertei-a nos meus braços. Depois de alguns segundos eu voltei a olhar para o rosto dela.
– Ele não perceberia. – eu falei. Mas na verdade, transar com ela não importava. Eu a queria para mim e não somente nesse sentido. – Ele é virgem.
– Não, não é. – ela fechou os olhos de novo. – Ele transou...com a Lilá. – ela parecia sentir dor. Eu senti vontade de matar o Ronald. – Mas, Ginny, eu não acho que eu sobreviveria...que eu conseguiria...ir...depois de você. Seria doloroso demais ficar sem você depois disso.
Eu concordei com a cabeça.
Eu puxei-a para mim, sentindo nossos corpos se tocarem.
– Eu sei que não estamos nos beijando, nem fazendo... você sabe. Mas será que isso não é trair? – ela perguntou.
– Não pense nisso. – eu rocei os meus lábios pelo pescoço dela suavemente, sentindo-a ceder sob meus braços. Uma das minhas mãos a prendia perto de mim.
– Eu te quero tanto... – ela murmurou.
Eu girei ficando por cima dela e nos cobrindo com os lençóis.
– O que está fazendo? – ela perguntou.
– Sentindo você...só isso. – eu respondi. Beijei-lhe o colo, a barriga, deslizando a língua devagar pelo corpo dela. Hermione gemia levemente. Eu levei a mão até a lateral de seu biquíni.
– Gina...
– Fique tranquila. – eu disse livrando-a da peça. Voltei a beijar-lhe a barriga, enquanto minhas mãos exploravam o corpo dela, os seios, cintura. Subi e passei meus lábios levemente pelos seios dela sentindo-a estremecer.
– Não sei como posso resistir à você... – ela falou entre gemidos.
Eu voltei-lhe a beijar a barriga, descendo cada vez mais. Cintura, pelve... As mãos de Hermione agarraram minha nuca com força, ela parecia querer me impedir, mas seus dedos só se agarraram nos meus cabelos. Desci a boca um pouco mais e parei sem tocá-la, parei à um milímetro.
– Gina...não faça. – ela murmurou.
– Parece mais um pedido... – eu falei. Ela gemeu e senti suas unhas entrarem no meu couro cabeludo. – O que foi? – perguntei sorrindo para mim mesma.
– Sua...Gina pare por favor...
– Diga o que foi.
– Sua respiração...em mim.
Eu subi novamente beijando-lhe o corpo. Senti as mãos dela irem até a minha cintura e logo meu biquíni caía se perdendo entre o lençóis. Me deitei sobre ela, nossos corpos se tocando. Aproximei a boca do seu ouvido, sem conter um gemido quando nossos sexos se tocaram.
– Já recebeu sexo oral, Herms? – perguntei baixinho no ouvido dela.
– Não...
– Consegue imaginar a sensação da minha língua deslizando por você? – eu deslizei minha língua levemente pelo pescoço dela – Minha boca, tocando você?
Ela gemeu.
– Primeiro eu iria devagar...apenas brincando... – ela gemeu. Eu forcei uma das minhas pernas entre as dela e ela gemeu quando eu senti seu sexo, quente e úmido tocando em mim. – E então eu ia deixar você muito mais quente do que agora. – eu parei me dedicando a beijar o pescoço dela.
– Continue... – ela sussurrou, quase sem voz. Voltei ao ouvido dela, me revesando entre falar e beijar o seu pescoço.
– Então eu ia explorar você, fazer você gemer... – ela gemeu de novo. Eu parei minha boca em frente à dela. – E então eu ia voltar a te beijar como eu não posso fazer agora...e ia passar a explorar você com meus dedos.
O corpo trêmulo de Hermione contra mim, perpassando todo aquele calor entre nós, estava me deixando praticamente insana. Eu olhei para os lábios dela. O cheiro do vinho me atingiu, diferente do cheiro da garrafa. Muito mais atraente. Ficamos alguns segundos nos fitando. Ela levou o dedo indicador aos meus lábios.
– Meus lábios de cereja... – ela falou olhando para a minha boca.
– Seus? – questionei com um leve sorriso.
– Tudo em você é meu. – ela falou baixinho.
– Então acho que posso pegar meu chocolate de volta...
A beijei. Não foi nada parecido com aquele primeiro beijo. Acho que nunca beijei alguém tão desesperadamente e ao mesmo tempo calmamente. Parecia realmente que eu estava roubando o sabor de sua boca. Um arrepio perpassou meu corpo e se espalhou pelo dela. Então quebrando o encanto, ela se afastou, saiu de baixo de mim, puxou um dos lençóis e se encostou a cabeceira da cama.
– Errado, errado, errado. – ela repetiu puxando um lençol até o pescoço.
Eu me deixei cair na cama. Ela atirou um lençol para mim.
– Se cobre. – ela falou.
Eu dei um muxoxo e me cobri com o lençol branco.
– Vai demorar muito para passar o choque? – eu perguntei.
– Pára com isso, Ginevra. Não é uma brincadeira. – ela falou.
– Ah, é? Fala isso para uma das Hermiones dentro da sua cabeça. Sabe aquela que me trouxe para uma praia deserta e um chalé de lua-de-mel...? Você fala? Aproveita e diz para ela que eu estou aqui esperando por ela. – eu falei. O silêncio preencheu o quarto. Eu estava ficando muito idiota. Me levantei. Hermione ainda se agarrava ao lençol. Segurando o meu eu fui até ela.
– Desculpa Herms. – eu falei tocando o rosto dela – Ás vezes eu perco o senso de direção com você.
– Não você tem razão. Eu devo ser uma desequilibrada total mesmo. – ela se levantou. Eu me levantei atrás dela.
– Me desculpe, Herms. Você tira minha direção, eu fico tão...não sei. – eu falei tocando o ombro dela.
– Eu simplesmente não sei o que fazer, Ginny. – ela falou – É só isso.
– Eu sei, eu sei. – falei puxando-a de novo para a cama. Sentamos com as pernas para cima, de frente uma para outra, cada uma enrolada em um lençol. – Só que, Herms... – eu suspirei, alguma coisa despencou no meu peito – Você está me machucando com isso tudo. Se não me quer, se não pode me ter – acrescentei rapidamente quando ela fez menção de interromper – Não pode continuar me prendendo assim. Entretanto, acho que o que você sente pelo Ronald não vale mais nada.
– Como assim? – perguntou ela.
– Você me trouxe para o lugar onde passaria sua lua-de-mel, Hermione. Você abriu mão de vir aqui com o Ronald para vir aqui comigo. – Não acha que tem algo errado?
– Mas eu ainda sinto algo por ele... – ela falou meio murmurando.
– E vai sentir sempre. Ele foi a primeira pessoa por quem se apaixonou. Vocês salvaram o mundo juntos. – eu dei um meio-sorriso – Passaram os últimos seis anos muito grudados. O que esperava? Sempre vai haver algum tipo de sentimento. Amor de amigo é o mesmo amor que se sente por alguém por quem está apaixonado. A diferença é o desejo. E você acabou de me dizer que tem vontade de fugir quando ele tenta tocar em você.
– Ginny não posso deixá-lo. – ela falou levando as mãos ao rosto.
– Está me dizendo que vai continuar um relacionamento com alguém que não quer? Um relacionamento baseado em falsidade? – eu falei calma.
– Sei que ainda sinto algo por ele. Você é que está me deixando confusa. – ela falou.
– Ah, desculpe.
– Eu dispenso o sarcasmo. – ela falou – Não sou a única culpada nisso. Não sou eu quem fico te agarrando toda vez que você respira.
– Desculpe. Por fazer algo que você quer. – eu falei. Hermione às vezes me irritava.
– Não sei o que fazer, não sei. – ela falou – Essa viagem era para eu estar em paz, não assim!
– Ok, ok. – eu a puxei para abraçá-la – Não precisamos nos martirizar agora. Vamos nos dar uma folga ok? – ela concordou com a cabeça no meu peito. – Ah, gente finge que está sonhando, faz o que quiser sem preocupações, ok?
– Não podemos...
– Não isso, Hermione. – eu falei. – Outras coisas.
– Não me chama de Hermione. – ela falou.
– Ahm?
– Não me chama de Hermione. Parece que tem alguém aqui. Você só me chama de Hermione quando tem alguém por perto. – ela explicou. Eu ri.
– Ok, Herms. – eu concordei – E quanto à seus pais?
– Ah, o responsável pelo departamento de imigração aceitou me receber depois de amanhã. – ela explicou.
– Que bom.
Ficamos ali, as duas abraçadas, durante um longo tempo antes de dormir.
O sol entrava preguiçosamente pela janela. Parecia ter vergonha de nos iluminar. Havíamos adormecido nuas. Hermione estava deitada de costas, o lençol havia deslizado e ela estava coberta apenas da cintura para baixo. O sol iluminava aquela perfeita pele de porcelana. Deslizei um dedo pela coluna dela. Hermione se remexeu brevemente, mas não acordou. Deveria haver alguma coisa errada. Aquele sentimento exagerado e gigantesco não era natural. Será que eu suportaria sentir aquilo? Parecia querer abrir o meu peito e se expandir. Minha pele se arrepiou com a sensação da pele dela. Me aproximei beijando seu rosto. Enquanto eu mexia em seus cabelos ela despertou.
– Bom dia... – murmurou sorridente ainda de olhos fechados.
– Você é linda. – falei.
– Não é bom dia, mas serve. – ela riu e abriu os olhos. Ficou parada por alguns segundos. – Eu tinha que arrumar uma maneira de preservar essa imagem... – ela olhava para mim com olhos sonhadores.
– Ahm? – eu perguntei.
– Você nua deitada nessa cama...o céu azul lá fora...o sol deixando seu cabelo em chamas...e seus olhos me fitando dessa maneira. – ela explicou. Eu a puxei e a envolvi nos meus braços. Aspirei o cheiro dos seus cabelos por uns segundos.
– Quais os planos para hoje? – perguntei. Ela bocejou.
– Nenhum. – ela falou preguiçosa – Quero o dia todo nessa cama. – ela se esticou e me abraçou.
– Parece que a gente transou, não é? – eu perguntei achando graça.
– Como?
– Parece que a gente transou. Esse clima... – eu expliquei.
– Parece não. – ela riu.
– E como pareceria? – eu indaguei.
– Você não conseguiria nem abrir os olhos hoje de manhã. Na verdade, sequer os teria fechado. – ela deu um sorriso sonhador e se levantou.
– Onde vai? – eu perguntei.
– Tomar um banho. Já volto. – ela explicou.
Fiquei alguns minutos observando o sol esquentar. Sonolenta. Em paz.
O som da porta do banheiro soou deixando escapar por ele uma Hermione perfumada vestida com uma camisola branca cruel. Meu coração falhou um compasso.
– Com fome? – ela perguntou indo em direção à cozinha.
– Aham... – respondi vagamente sem conseguir desviar os olhos dela.
– Gina. Você está me olhando com cara de idiota. – ela riu.
– Ah, foi mal. – sorri cinicamente – Acho que vou tomar um banho também.
– Ok, vou ver se tem algo para comermos. – ela foi para a cozinha.
Demorei algum tempo no banheiro aproveitando a água quente. E pensando...ultimamente pensar no banheiro era freqüente. Será que era realmente errado tudo aquilo? Se era por que eu não sentia que era errado? A única coisa que parecia errada para mim era estar sem ela. Mas... Aaaargh. Desisti de pensar e resolvi sair do banheiro.
Hermione estava sentada no centro da cama. Havia junto com ela uma bandeja cheia de frutas. Dois copos de suco. E algum tipo de creme num potinho. Me sentei com ela. Eu e meu pijama preto curto do “Harpies” destoando daquela visão do paraíso.
– Coma isso. Está uma delícia. – ela colocou meio morango na minha boca.
– Humm... – eu mastiguei e senti o suco doce se espalhando pela minha boca – Muito bom.
– Agora veja isso. – ela molhou um dos morangos no creme do potinho que reconheci como calda quente de chocolate, e colocou na minha boca. Eu mastiguei saboreando devagar.
– Delicia. – eu peguei um morango por conta própria e continuamos a comer.
Quando olhei para o rosto dela uns minutos depois sorri internamente. Havia um pouco de calda de chocolate no canto da boca de Hermione.
– Está sujo aqui. – eu indiquei na minha própria boca o canto errado. Hermione levou á mão ao canto direito da boca e não tinha nada ali. – Já que você não consegue...
Eu me adiantei e com os lábios peguei a gotinha de calda.
– Gina. – ela repreendeu enquanto eu cinicamente voltava para a bandeja agora pegando uma uva.
– Que foi?
– Nada. – disse ela se fingindo de emburrada.
– Eu estava pensando. – eu coloquei uma uva na boca de Hermione. Enquanto ela mastigava eu continuei – Você já me beijou não é?
– Sim.
– Adianta uma regra quebrada? – eu falei.
– Ai Ginny... o que faço com você? – ela perguntou desolada.
– Quer mesmo que eu diga? – eu falei travessa.
– Sabia que a gente está à 16.997km de distância de casa? – ela mencionou.
– Ahm? – repliquei confusa.
– É muito longe.
– Sim...
– Parece idiotice se preocupar com coisas tão longe. – ela finalizou com a mão na minha nuca.
Fiquei muda. Mas não precisei falar. Em dois segundos a boca de Hermione colava na minha. Eram tantos sabores ao mesmo tempo que me confundi. O gloss, o morango, a calda, ela. Minha mão voou para a cintura dela enquanto colávamos nossos corpos. Parecia que nunca era perto o bastante. O coração dela batia contra o meu, minha pele parecia transmitir pequenas descargas elétricas. Hermione me enlaçou com as pernas e ficamos as duas ali sentadas naquela cama enorme. Ela no meu colo. Eu sem conseguir descolar meu corpo um centímetro que fosse do dela. E eu não estava controlando aquele jogo. Hermione simplesmente não me permitia sequer respirar. Eu não queria nem imaginar como o meu pescoço ficaria. Eu não percebi quando a camiseta do meu pijama perdeu-se no branco dos lençóis. Mas eu percebi muito bem os lábios dela descendo pelo meu pescoço e indo parar nos meus seios fazendo com que eu gemesse. Coloquei a mão em sua nuca e a puxei para mim. Eu queria os lábios dela, quanto mais melhor. Minhas mãos passeavam por debaixo da camisola dela. A peça logo se tornou incômoda e eu a retirei. Nossos seios se tocaram produzindo aquela sensação que eu tanto adorava. Eu suspirei. Hermione se inclinou por cima de mim e nos deitamos. Senti a língua dela percorrer meu corpo. Meu pescoço, meus seios, barriga. Quando chegou ao cós do meu short eu nem sabia mais quem eu era. Eu estremeci quando ela retirou o short. E subiu voltando a me beijar a boca. Eu estendi meus braços para tocar o corpo dela. Queria senti-la. Ela prendeu meus pulsos e sorriu maquiavélica.
– Fica quietinha... – sussurrou com a perna entre as minhas. Eu gemi.
– Não dá... – sussurrei de volta. Ela relaxou as mãos e tentei soltar os braços de novo.
– Muito má você... – ela falou – Mas eu resolvo.
Eu a vi fazer algum movimento.
– Incarcerous. – murmurou e eu senti meus pulsos se prenderem na cabeceira da cama.
– Sério, você é muito cruel. – eu falei.
– Cala a boca. – ela falou antes de me beijar.
Enquanto me beijava sua mão passeava por mim me fazendo suspirar.
Ela colou os lábios em meu pescoço e seus dedos tatearam por entre as minhas pernas. Meu corpo estremeceu quando senti os dedos trêmulos dela em meu sexo. Meu corpo reagiu instantaneamente ficando ainda mais ofegante. Gemi enquanto ela forçava levemente os dedos. Ela retirou os dedos e eu gemi tentando aumentar o contato. Os lábios dela forçaram os meus, sua língua invadindo meus lábios de forma obscena. Depois esses mesmos lábios deslizaram pelo meu pescoço e era impossível não gemer. Hermione beijou a minha boca por longos segundos e eu sabia que aquilo tinha acabado. Ela soltou meus braços e se envolveu em mim em um abraço “comportado”. Adormecemos assim. Uma das lições que aprendi com Hermione: Frustração faz parte da vida.
Finalmente chegou o dia em que iríamos até o departamento de imigração para tentar conseguir o endereço de seus pais. Hermione parecia apreensiva naquela manhã. Mas parecia também confiante. Ainda era cedo quando deixamos a praia e o chalé para o tumulto da cidade. A embaixada era um lugar elegante, mas nem se comparava ao ministério, foi o que constatei com orgulho. Hermione quis entrar sozinha na sala do homem que ia recebê-la e eu fiquei esperando no corredor. Depois de uns bons tediosos minutos ela saiu.
-- Ele disse que vai conseguir o endereço. – disse ela enrolando o cabelo e o prendendo com um palito ornado. Ela exibiu um sorriso todo misturado. Saudade dos pais, alívio, e tudo mais. Me abraçou e juntas aguardamos. Uma meia hora depois a secretária veio avisar à Hermione que ela podia entrar. E ela voltou dois minutos depois com um papel contendo um endereço.
O homem que guiava o táxi era inglês e ansioso por conversar. Nem ao menos percebeu a atmosfera estranha no carro. Será que Hermione conseguiria recuperar a memória dos pais? Haveria algum dano? Lembrei-me com pesar dos Longbotton.
Ao descer no bonito bairro Hermione olhou para os dois lados. Parecia tensa.
-- Você vai contê-los... digo, se eles se assustarem? – perguntei apreensiva.
-- Espero que não precise. – murmurou ela.
Mas quando chegamos ao número 58 indicado pelo endereço no papel, eu achei que tivesse havido algum engano. Parecia que o imóvel não era habitado já há um tempo. Hermione tocou a campainha, eu bati na porta. Juntas fizemos a volta completa da casa. Parecia realmente vazia.
-- Vamos falar com os vizinhos... – sugeri pegando a mão dela e caminhando até a casa mais próxima.
Tão logo toquei a campainha uma moça loira, de cabelos lisos muito longos e olhos castanhos brilhantes abriu a porta sorrindo.
-- Pois não? – perguntou polidamente.
-- Olá, -- comecei – A Senhora sabe onde está o casal que mora nessa casa? – eu apontei a casa lateral e o sorriso da moça morreu.
-- Ahm...vocês são parentes? – perguntou ela cautelosa e meu estômago se contorceu em sinal de perigo.
-- Apenas conhecidos, da Inglaterra, entende? – eu me adiantei. Hermione parecia levemente pálida.
-- Eu sinto muito, mas...eles morreram, foram até enterrados...
Minha mão voou imediatamente para a mão de Hermione. Ela continuou fitando a moça. Senti seus dedos enregelarem.
-- Mor-re-ram? – ela gaguejou. Eu apertei a mão dela, queria dizer: “calma eu estou aqui.” Mas tinha que me livrar da mulher antes.
-- Sim. Foi um mistério. Não havia nada na autópsia. Eles não tinham sido atingidos com nada, nem envenenados, apenas estavam mortos...sabe? E então descobriram que os nomes e passaportes eram falsos e os dois foram enterrados. – a moça contava o assunto como uma divertida fofoca.
-- Obrigada. – eu comecei a puxar Hermione pelo braço e a levá-la dali.
A moça balbuciou um “sinto muito” e continuou nos fitando.
-- Eu sinto muito Herms. – eu parei e olhei para ela quando já não estávamos sendo observadas. – Céus, eu sinto muito.
Eu a abracei, mas ela parecia imóvel, estática, morta. Algumas lágrimas escorriam pela sua face, silenciosas.
-- Ah, Merlin. – eu a abracei novamente e aparatei, rezando que eu encontrasse o chalé. Em alguns segundos meus pés tocaram o chão incomum de areia.
Hermione soluçava no meu peito, os braços me apertando. Eu tentei conduzi-la ao chalé mas ela parecia não querer andar. Deslizou o corpo levemente e eu cedi. Nos sentamos as duas na areia morna. Eu a abraçava com força, desejando desesperadamente que isso aliviasse um pouco do que ela sentia. Quando me dei conta estava chorando junto com ela. Ela parecia que nunca ia parar de soluçar. O rosto pálido e os olhos muito vermelhos me assustaram quando olhei para ela.
-- Eu sei...sei que nada que eu diga vai adiantar. Só quero que saiba que estou com você. – eu disse olhando para ela. Ela enterrou o rosto no meu peito. O corpo se sacudindo levemente.
Aproximadamente uma hora depois ela se acalmou. Sentada na cama ela fitava a parede e eu me desesperava.
-- Herms você precisa comer. – eu disse e olhei para o suco de laranja e para o sanduíche intocados ao lado dela. Ela balançou a cabeça levemente.
-- Como isso aconteceu? – perguntou com voz fraca.
-- Eu não sei... – eu suspirei – realmente não sei.
-- Foram comensais, foi a Maldição da Morte. – ela decretou. Eu não podia discordar.
-- Acho que sim.
-- Mas por que eles? – Hermione perguntou.
-- Por que você é Hermione Granger... – eu disse tristonha.
-- O disfarce era perfeito... – ela escondeu o rosto nas mãos.
-- Realmente era. Mas, Herms, não podemos subestimar os comensais. – eu disse colocando minha mão na cabeça dela.
-- Temos que voltar lá, descobrir quem foi. – ela disse olhando para mim.
Eu suspirei e a fitei.
-- Tem certeza que quer fazer isso? – eu perguntei.
-- Sim.
-- Provavelmente o culpado deve estar morto Herms. Ou preso. – eu expliquei.
-- Quero saber quem é mesmo assim. – ela disse.
-- Tudo bem...voltarei lá e descobrirei. – eu afirmei me levantando.
-- Eu vou com você. – ela se levantou e eu fitei cansada o rosto cheio de determinação dela.
-- Ok. Pegue um casaco.
Quando aparatamos de volta era fim de tarde. O sol se despedia formando um quadro melancólico. A casa parecia vazia novamente. Me dirigi a casa da vizinha e toquei a campainha.
-- Olá. – disse a moça que nos tinha atendido antes.
-- Olá. Desculpe por hoje cedo, mas deve entender que a notícia foi um choque. – eu comecei.
-- Claro. Querem entrar? – ela ofereceu.
-- Não, obrigada. Poderia nos dizer quando aconteceu? – eu perguntei.
-- Semana passada. – ela respondeu – Terminaram de esvaziar a casa há três dias.
-- Semana passada? – eu repeti. Vi a pouca cor no rosto de Hermione desaparecer.
Meus argumentos de que o culpado já tinha sido punido escorreram. Era um remanescente. Como chamávamos os comensais que ainda não haviam sido capturados. Eles não representavam perigo real. Assustados, perseguidos e sem liderança, estavam mais próximos da loucura do que de elaborar um plano de vingança. Bom pelo menos era o que eu pensava. Mas se um deles havia conseguido localizar o Srº. e a Srª. Granger então talvez estivéssemos enganados.
-- E a Senhora sabe onde eles foram enterrados. – perguntou a voz embargada de Hermione.
-- Sinto muito. Eu não sei... – disse a moça.
-- Obrigado pelas informações. – eu agradeci à moça.
-- Se quiserem saber mais procurem o departamento de polícia. – ela sugeriu.
-- Ok. Obrigado novamente. – eu disse.
Quando ela entrou nós nos distanciamos.
-- Não podemos ir à polícia. – disse Hermione.
-- Eu sei. Não é uma boa idéia. – eu concordei.
-- Vamos dar uma olhada na casa? – sugeriu ela.
Eu concordei com a cabeça e nos dirigimos até a porta dos fundos. Arrombamos a porta e entramos.
A casa estava incrivelmente limpa. Vazia. Oca. Parecia que nunca havia sido habitada. Não havia marcas nas paredes, nem no chão. Percorremos alguns cômodos, iluminando tudo com a varinha.
-- É impossível encontrar uma pista em uma casa verificada pela polícia. – eu comentei.
-- Eu sei. – disse Hermione com um suspiro – E como não sabiam a causa da morte provavelmente fizeram desinfecção com medo de ser algo contagioso.
-- Vamos embora. Pensaremos em algo. – eu sugeri pegando a mão dela. No exato segundo em que me dirigi à porta ouvi um ruído estranho vindo da cozinha. Hermione apertou a minha mão. Apagamos as varinhas. E continuamos paradas. Seriam passos? O som parecia estar se aproximando. Eram passos com certeza. Seria um mendigo que teria invado a casa? O som parecia estar na porta da cozinha agora. A casa escura permitiu divisar um vulto apenas. Era uma pessoa.
-- Lummus. – uma outra varinha se acendeu iluminando o cômodo, mas não o rosto encapuzado do seu portador. Um bruxo. Ou melhor, uma bruxa a julgar pela voz.
Uma gargalhada baixinha soou e os pêlos de minha nuca se arrepiaram.
-- Quem é você? – perguntou Hermione trêmula.
-- Granger...Granger... – alguém sussurrou. Me senti tremer e a perna de Hermione encostada na minha também tremeu. Eu conhecia a voz...mas... impossível.
-- Mostre seu rosto ou vamos atacá-la. – eu ordenei.
-- Cale a boca Weasley ou vou te dar uma lição pior do que a última. Sentiu saudade? – a voz com um desejo fingido e imundo me deu ânsia de vômito. Mas não poderia ser.
-- Mostre o rosto ou vou atacar. – repeti sem forças.
-- Idiota. Expelliarmus. – gritou a voz.
-- Protego – Gritou Hermione. Eu ouvi o impacto do feitiço no escudo de Hermione.
-- Ainda sabe brincar sangue-ruim? – riu-se a pessoa. Podia-se ver a longa capa preta e um ponto escurecido onde seria seu rosto. – Tudo bem. Talvez vocês devam saber quem vai matar vocês...
Antes que o capuz terminasse de ser baixado Hermione ofegou. Minha garganta travou. Os cabelos pretos, bonitos e lisos, diferente das fotos divulgadas de Azkaban. O rosto pálido e encovado. Os olhos insanos.
-- Lestrange. – cuspi com desgosto.
-- Impossível. – murmurou Hermione.
Mas o impossível era ter dúvidas. Ali na minha frente, renascida do inferno provavelmente, estava a Comensal mais fiel, a que nunca parou. Bellatrix Lestrange.