- Entre. - Ouviu-se a voz de Dumbledore, vinda de lá de dentro. Kyra entrou. Severus estava lá.
- Peço desculpa. Eu só queria falar com o Director. - Kyra disse, desviando o seu olhar para o chão. - Eu volto noutro dia. - Kyra virou-se para se ir embora.
- Que disparate, Kyra, senta-te. - Albus foi até ela e levou-a para a cadeira ao lado da cadeira onde Severus estava sentado. - Podes falar do que quiseres. O Severus é um túmulo. - Kyra olhou para o professor de Poções. - Ah, não me vais dizer que tu és mais um daqueles alunos que têm medo do Severus. - Albus disse incrédulo. Kyra abanou a cabeça. - Então, porque estás tão desconfortável?
- Eu não estou desconfortável, é só que... Sinto-me mal, já é um bocadinho estranho falar disto contigo... - Kyra disse. - Há coisas que me escapam... Mas não é nada... esquece.
- Diz, Kyra, dá para ver que estás um bocadinho estranha. Essa hesitação nas tuas palavras. Não é próprio de ti. - Albus disse preocupado. - O que te atormenta, Kyra? Não tenhas medo de mo dizer.
- Não é nada. É que tu sabes, Albus... Eu sou muito observadora e... Ando a reparar numa coisa há algum tempo. E se queres saber sinto-me mal em não saber nada do que se passa. - Kyra disse olhando para os dois homens presentes. - O Malfoy anda estranho. Anda a falar com o Harry, a Hermione, o Ron e sinceramente, eles parecem amigos e... Eu não compreendo nada do que se passa.
- E é por causa disso que estás aqui? Por eles falarem com o Draco? - Albus perguntou curioso. - Não há mais alguma coisa?
- Bem, ultimamente andam a acontecer coisas entre mim e ele... Nós temos falado e... - Kyra ia falar.
- Eu não percebo qual o problema dos seus amigos falarem com o Malfoy, srta. Lynold. - Severus interrompeu. - Pode ser sobre assuntos das aulas, e quando fala com a Granger e o Weasley é possível estar a falar sobre as patrulhas dos corredores, assuntos dos monitores. - Severus tentou explicar.
- Sim, Kyra, é bem possível. Eu não estou a ver eles serem amigos. - Albus disse. Kyra concordou.
- Mas...
- Acho que a srta. está a ser um pouco precipitada. Não há razão alguma para pensar que algo de invulgar se passa. Aliás, é perfeitamente compreensível que haja conversas entre os alunos desta escola, principalmente que frequentem o mesmo ano. - Afirmou Snape. Kyra levantou-se.
- Bom, eu só acho que alguma coisa se passa. E só vim aqui porque pensei que pudesses saber alguma coisa que eu não sei. Portanto, peço perdão por ter interrompido a vossa conversa que imagino ser de muita importância. - Kyra disse contornando a mesa e despedindo-se de Albus com um abraço. - Boa noite, Albus. Boa noite, professor. - Kyra saiu indo para as Masmorras. Draco estava à porta do seu quarto o que fez Kyra ir no lado oposto do corredor. Mas Draco avançou para ela e agarrou-a. - Não, pára.
- Porque disseste aquilo à Lavander? Porquê, Lynold? - Ele fez-a entrar no seu quarto.
- Apenas lhe dei um conselho. Porquê, não posso ajudar quem quero? - Kyra perguntou aproximando-se de Draco.
- Não usando o meu nome. - Draco afastou-a, empurrando-a para cima da sua cama. Estava muito magoado com ela. Como não percebia ela que ele a amava? Kyra sentou-se na cama olhando para Draco que estava virado de costas para ela. - É só que eu não gosto disso, Lynold. Tu és demasiado espalhafatosa. Tinhas que dizer aquilo tudo à frente de toda a gente? Se dissesses atrás teria o mesmo resultado. Não percebes isso? A Hermione começou a namorar com o Ron, é um facto. Mas se o tivesses dito noutro local sem muita gente, teria acontecido o mesmo. Eu pensei que fosses slytherin, mas por vezes pareces uma autêntica gryffindor. Eu sei que isso te deve deixar muito orgulhosa, mas não devia. Se há uma pessoa que se tem que conter neste momento és tu. Voldemort anda atrás de ti, os Devoradores querem algo que pensam que tu tens. Achas que se tu estivesses aqui no momento do ataque, eles não te torturariam? Eles conseguem fazer coisas inimagináveis com uma pessoa, tão terriveis, tão crueis que é muito difícil uma pessoa pensar que isso é possível. Tiveste muita sorte ao não estar aqui. E dás nas vistas. Qual foi a tua ideia de fazeres aquele discurso? Qual foi a ideia de... tudo o que fizeste?
- Malfoy... - Kyra ia dizer.
- E depois tentas compreender tudo à tua volta. Mas como podes compreender se não pensas em todas as possibilidades possíveis e impossíveis? Muitas vezes as possibilidades que parecem ser impossíveis são as verdadeiras. Tu não podes compreender nada se ainda tens palas nos olhos do coração. Não podes, Lynold. É tudo tão simples quanto isso, não podes querer compreender as pessoas se não pensas que elas são realmente pessoas. Todos nós temos sentimentos. - Draco disse. - Tu és muito inteligente, Lynold, muito perspicaz. Mas isso não é tudo se não utilizas todos os conhecimentos racionais e emocionais.
- E porque é que me estás a dizer isso? Não estou a perceber nada. Por favor, olha, eu vou-me embora. - Kyra levantou-se da cama e dirigiu-se para a porta. Porém, Draco segurou-a pelo braço. - O que foi, Malfoy? - Draco beijou-a mas ela não correspondeu. Este apercebendo-se parou logo de a beijar. - Eu não quero mais nada vindo de ti, Malfoy, nada mais. - Ele parou de a segurar.
- Magoei-te, foi isso, não foi? Às vezes, não te percebo, Lynold. Não gostas que tenham pena de ti, mas também não gostas que te tratem como uma pessoa normal. - Draco disse. - Eu só estava a dar a minha opinião como dou a toda a gente.
- Eu sei. Tu tens razão, não gosto que tenham pena de mim, mas também não gosto que me tratem como outra pessoa qualquer. Principalmente certas pessoas. - Disse Kyra olhando-o nos olhos. De seguida, beijou-o ternamente. Draco deitou-a na cama. Ele queria dizer-lhe a verdade, mas como o fazer?
- Parece que a tua intenção funcionou. - Disse ele arracando-lhe a blusa. - Não gostei disso que tu fizeste. Se tu reparasses como todos te olhavam... - Kyra puxou-o para o encarar. - Estás-te a perguntar porque não gostei eu disso? Era para gostar, não era? - Kyra tirou-lhe a camisa desviando o seu olhar dos olhos azuis dele. - Olha para mim. - Ele pediu porém ela fingiu não ouvir. - Lynold. - Ele fê-la olhar para si. - Porque te vestiste desta maneira? - Ele perguntou.
- Porque é que queres saber? Agora, não posso fazer o que quero, é? - Kyra perguntou, tentando desesperadamente desviar o seu olhar do de Draco.
- Parece que querias chamar a atenção de um homem. - Draco disse. - Presumo que seja o tal por quem estás apaixonada. - Ele olhava-a curiosamente. - Tu és estranha, Lynold. Tudo em ti é diferente de mim. Eu sou uma pessoa contida. Tu não, tu fazes coisas imprevisíveis. Temos vidas completamente contrárias. A tua terra é a Alemanha. A minha é Inglaterra. Nunca na vida nos cruzámos, só agora, que vieste estudar para aqui.
- Talvez não sejamos assim tão diferentes. - Kyra respondeu encostando-se à cabeça da cama de Draco. Ele sentou-se a seu lado. - Ambos somos slytherins. Ambos adoramos gatos. - Disse olhando para Corlen. - Ambos temos dúvidas sobre o nosso lugar deste mundo. Ambos sofremos com as acções de Voldemort. Ambos morreríamos por quem amamos. Ambos somos autênticos muros de sentimentos, embora de uma maneira diferente.
- Tu com o amor das pessoas que amas, eu sem nenhum sentimento. - Draco concordou. - Mas o meu é muito mais fácil de se destruir do que o teu. É só me apaixonar. - Kyra sorriu para ele. - O que foi?
- Mais uma coisa que temos em comum. Eu disse o mesmo no Natal ao Albus e a outras pessoas como tu eras, que fazíamos os dois a mesma coisa mas de formas diferentes. No Natal disse tudo o que disseste agora sobre ti. - Draco compreendia agora porque todos pensavam que ele estava apaixonado. - Ambos somos teimosos, não damos o braço a torcer assim tão facilmente. - Draco puxou-a para o seu colo colocando-a de frente para si e beijando-a.
- Mas mesmo assim somos muito diferentes. - Ele disse. - Eu tenho a certeza que se estivesse apaixonado como tu estás por alguém, eu nunca ficaria com outra pessoa tendo a possibilidade de estar com esse alguém. - Kyra sorriu-lhe e começou a dar pequenos beijos no seu pescoço. - Mas tu tens essa possibilidade e não aproveitas. E estás aqui comigo, pronta para te entregares mais uma vez ao teu inimigo. Se tu fosses como eu, diria que estás apaixonada por mim mas não é por mim, mas também não me dizes por quem é. - Ele disse apreciando os beijos dela. - Estás a ouvir-me, Lynold? É só que... Podes parar com isso? - Kyra continuou. - Como é que podes ser assim? Depois admiras-te de esse tal gajo por quem estás apaixonada não querer nada contigo. Como pode alguém querer alguma coisa com uma rapariga que se deita com um Devorador quando está apaixonada por outro? É difícil acreditar que algum dia serás fiel a alguém. - Kyra parou de o beijar e, olhando magoada para ele, separou os seus corpos. - Lynold, não fiques chateada. - Ele tentou segurá-la mas ela levantou-se.
- Não fico chateada? Tu dizes tais coisas de mim e eu... Não fico chateada?... Tu pensas que eu sou quem? Pensas que eu sou uma das outras miúdas com quem ficas? - Kyra perguntou fula começando a pegar nas suas roupas.
- Pára, pára. - Draco parou-a fazendo-a olhar para si. - Tens razão. Eu fui um estúpido. Tenho a certeza que se tu ficas comigo, tens uma razão para isso. - Kyra abanou a cabeça concordando. - E qual é que é essa razão?
- Aã... Eu não tenho a possibilidade de estar com ele... - Draco ouvia-a atentamente. - E preciso de me distrair com alguma coisa. Tu ajudaste-me naquela vez do meu desmaio... Tu não és de todo um inimigo... Já me ajudaste muito e... Eu estou-te muito agradecida. Acho que é isso. - Kyra abanava a cabeça sempre que afirmava algo. - É, é isso... - Kyra voltou a beijá-lo ao que ele correspondeu.
- Como é que tu és capaz de te expor da maneira que te expuseste hoje? - Draco perguntou deitando-a mais uma vez na sua cama e beijando-lhe desta o pescoço.
- Porque é que perguntas isso? E porque é que não gostaste? - Kyra disse agarrando-lhe as mãos o que o fez olhar para ela.
- Eu pergunto porque quero saber. E porque é que não gostei? Já disse, expuseste-te demasiado para o meu gosto. - Draco respondeu. - Sabes, os rapazes já gostam de ti, não precisas de fazer nada para dar nas vistas, a sério. Tu já dás demasiado nas vistas.
- Sabes? - Kyra perguntou para Draco sem esperar receber resposta antes de o beijar. - Eu não queria isso. Eu nunca na minha vida imaginei querer receber atenção por parte de alguma população masculina. A minha mãe, quando eu tinha sete anos e estava chateada com um miúdo que tinha feito mais uma parvoíce própria da população masculina, disse-me pela primeira vez que dali a alguns anos eu iria gostar muito de rapazes. Eu não acreditei. Ainda hoje é difícil pensar que eu goste de rapazes. Mas agora é difícil por outra razão... - Draco olhava-a sem desviar os olhos dela. - Depois da... Esquece. - Kyra beijou-o tirando-lhe desta vez as calças e os boxers dele. Draco também lhe tirou o resto da roupa e eles voltaram a entregar-se um ao outro apenas escondendo os seus sentimentos.
Kyra posou a sua cabeça no peito de Draco para que a sua respiração acalmasse. O coração de Draco batia acelerado. Kyra sorriu ao pensar o quanto aquilo era irónico. Kyra amava Draco mas contia-se de uma tal maneira que desacelerava o coração quando percebia que ele podia escutá-lo. Mas Draco, apesar de não a amar, tinha o coração a bater rapidamente como se fosse explodir a qualquer momento.
- Amo-te. - Draco disse repentinamente assustando Kyra que o olhou para ver se ele estava a sonhar. Draco estava bem acordado. - Amo-te desde aquilo maldito jogo que tu fizeste comigo. Amo-te como se não houvesse amanhã. Amo-te incondicionalmente. - À medida que Draco falava, Kyra ia afastando-se dele. - Eu sei que estás surpreendida. Mas eu tinha que te dizer porque isto já estava a dar comigo em doido. - Kyra sentou-se na ponta da cama tentando reflectir. - Podes ir embora, eu compreendo perfeitamente. Eu também só tinha que te dizer isso. Desculpa, é só que isto estava a corromper-me, e eu não consegui aguentar mais. Agora percebes porque não gostei do que fizeste hoje. Primeiro, vestes-te para um rapaz que não te dá o valor que mereces, apenas para chamar a atenção dele para o teu corpo quando tu não és uma pessoa só física, tu és muito mais que isso, muito mais, sem dúvida. Depois, falas com o Ron à frente de toda a gente e dizes à Lavander para se vir apoiar em mim quando não reparas que eu te amo a ti, não a ela.
- Eu não estou a perceber... Como, porquê? - Kyra falava baixinho apenas para si. - Malfoy? - Ela aumentou o tom de voz.
- Sim? - Inquiriu Draco. - O que foi, Lynold? O que é que queres saber?
- Nada, é só que... É difícil acreditar que tu mudaste. É difícil acreditar que me amas. - Kyra dizia mais para si que para ele. De repente, sem aviso prévio, olhou para ele assustando-o.
- O que foi? - Ele perguntou sem entender o gesto de Kyra que lhe sorria ternamente.
- Eu nunca pensei que tu um dia fosses mais corajoso do que eu. - Respondeu Kyra. - Tu estás apaixonado por mim desde aquele jogo e eu que estou há mais tempo...
- Ainda não te declaraste a ele. - Draco constatou. - Pois.
- Ah, mas de hoje não passa. - Draco acentiu com a cabeça triste mas feliz por ela ir lutar pela sua felicidade. - Sabes, sempre foi muito difícil para mim porque tive sempre muito medo do que poderia acontecer se eu me entregasse de corpo e alma a uma pessoa que me poderia trair magoando a mim e as pessoas que amo. Sempre tive medo por causa disso. Talvez seja um receio idiota e estúpido porque eu saberia conter-me. Mas também tinha receio de ser gozada e usada da pior maneira possível. - Draco olhava para ela muito atentamente. - Peço-te muita desculpa por isso. Ter pensado isso de ti agora que sei que tu me amas... É horrível, não achas? Por isso peço-te perdão por todos os meus pensamentos. Amo-te muito. - Kyra beijou-o rapidamente sem lhe dar tempo de digerir aquela informação. Draco afastou-a para a olhar. Vendo o sorriso da cara da amada também lhe sorriu o que fez com que ela o abraçasse.
- Tens a certeza? - Draco perguntou sem ela esperar. Kyra olhou-o iradamente. - Ok, pronto, já não digo mais nada. - Kyra sorriu-lhe. - Desde quando é que sabes que me amas?
- Desde aquela noite em que disseste que só uma rapariga muito especial entraria no teu quarto. Talvez não te lembres. No dia seguinte, agarraste-me depois de eu ter dito que se estivesse apaixonada por ti me mataria, e disseste que não ias sujar as tuas mãos comigo. - Kyra disse já deitada ao lado de Draco e a mexer-lhe no cabelo.
- Desculpa ter-te dito aquilo. Aliás, desculpa tudo o que eu te fiz de mal até agora. - Draco pediu agarrando-lhe da mão e beijando-a.
- Não interessa. Não mais. - Kyra disse beijando-o. - Agora, se calhar é melhor eu ir andando para o meu quarto. - Kyra ia para se levantar porém Draco impediu-a.
- Hoje, podes dormir aqui comigo. Agora que sei que me amas, quero estar contigo. Podemos dormir juntos como o fizemos ontem, se bem que grande parte da noite não dormi porque tu me estavas a distrair. - Draco disse fazendo Kyra sorrir-lhe.
- Oh!,... coitadinho. Não dormiu. - Kyra disse beijando-o lentamente. Draco puxou os lençóis tampando-os. - Eu não disse que ficava cá.
- Ah, desculpa, pensava que quisesses. - Draco disse largando os lençóis.
- Mas por acaso, quero. - Kyra virou-lhe as costas fazendo-o abraçá-la por trás. - Achas que vamos conseguir isto? É que isto é tudo novo para mim...
- Eu conseguirei fazer tudo desde que estejas ao meu lado. - Draco respondeu dando-lhe um beijo nos cabelos.
- Eu espero conseguir fazer o mesmo. - Ela respondeu com um sorriso na cara.
- Tu subestimas-te demasiado. Eu sei que és capaz de muita coisa. - Draco disse. - Agora, vamos dormir. Amo-te
- Eu também te amo. - Ela retorquiu.
Kyra e Draco acabaram por adormecer. Naquela noite sentiam-se completos. Felizes, verdadeiramente felizes. Agora sabiam que se tinham um ao outro sem reservas. Ela não gostava muito da ideia de Draco estar em tamanho perigo por causa de trair Voldemort. Mas ela estaria sempre ali para o apoiar, nos piores e melhores momentos, em todos. Draco estava a adorar a sensação de ser correspondido depois de tanto tempo a controlar-se para não lhe contar. Ele podia ter percebido mais cedo que ela o amava, mas ela escondera mesmo bem, melhor do que ele.