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1. Capítulo Um


Fic: Priori Incantatem - Projeto Femmeslash


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Capítulo 1


O seqüestro do Expresso de Hogwarts.


 




- Varinha, caldeirão, livros, kit para poções, uniforme, meias, penas, pergaminho, tinta...


- Mamãe está te chamando para jantar. – A voz entediada de Petúnia Evans interrompeu os pensamentos da irmã.


- Diga que já estou indo, Tunia. Só estou organizando meu malão e-


- Não sou sua empregada. – a irmã mais velha sumiu pelo corredor antes que Lily Evans terminasse de dizer o que quer que estivesse organizando.


- Que amor. – sussurrou para si com um quê de ironia.


A ruiva sentou-se em sua cama. Nela, alguns objetos espalhados e, dentre eles, um pequeno bilhete que Severo Snape havia lhe enviado ainda pela manhã. Lily pegou o papel e leu novamente a caligrafia apertada do amigo:


Mal posso esperar para que você cumpra sua promessa.

Com carinho,

Sev.



- LILY! – A voz da Sra. Evans chegou lá debaixo minutos depois.  – Lily, querida, o jantar já está servido.


- Já estou descendo, mãe. – A ruiva respondeu.


Largou o bilhete de Snape na cama, deu uma última olhada ao seu redor e constatou: teria que gastar o resto da noite arrumando suas coisas para o dia seguinte, já que, como de costume, partiria novamente para Hogwarts.


Lily Evans desceu as escadas e assim que chegou à sala de jantar descobriu que seus pais e sua irmã não haviam esperado por ela para começarem a comer. Sentou-se de frente para Petúnia à mesa quadrada e pôs-se a servir-se de batatas.


- Já está tudo arrumado, filha?


- Quase, pai. – sorriu.


- Mentirosa. Acabei de ver seu quarto revirado. – Petúnia nunca havia perdido o gosto de contrariar a irmã.


- Bem... – Lily encarou o pai. – quase...


- Tenho certeza que sua irmã ficará satisfeita em ajudá-la, Lily.


A expressão de Petúnia foi de um grande choque. A de Lily, um misto de vingança contida e um sorriso divertido.


- Como vai o Severo? – Agora a mãe das garotas mudava o assunto. – Há dias que não o vejo.


- Ele está ótimo, mãe... Manda lembranças sempre que pode e...


- Aquele bastardo! – Mais uma vez Petúnia Evans interrompeu a irmã. – Só está esperando um convite para almoçar, já que o pai bêbado não-


- PETÚNIA!


- Mas é verdade!


- Cale-se!


- Mas pai...


- Eu não vou repetir, Petúnia!


- Agora deu pra defender aquela aberração, foi? – Petúnia lagrimou de ódio.


- Vá para o seu quarto!


- Pai...


- Agora!


- Ótimo! Defenda aquela aberração. É isso o que ele é: uma aberração. Ele e a sua filha! Quem sabe eles não se casam e tenham vários filhos deficientes!


- PAI! Não! – Lily segurou a mão do Sr. Evans que levantou instantaneamente para repreender Petúnia. – Deixa... Eu não me importo. – Finalizou baixinho.


- Suba, Petúnia. – Assustada, a Sra. Evans mandou e a mais velha das irmãs obedeceu.



O clima não melhorou depois que Petúnia se retirou. Os esforços para contornar a situação não tiveram efeito e como resultado fizeram um jantar silencioso.

Assim que pôde, Lily subiu para o seu quarto. A voz da irmã ainda ecoava em sua mente. Balançou a cabeça levemente para espantar os pensamentos. No dia seguinte estaria de volta à Hogwarts e tudo ficaria bem.






Chegar na plataforma 9³/4 foi revigorante. Assim que passou pela divisão que separava seus dois mundos, Lily olhou ao redor e respirou fundo: estava voltando pra sua verdadeira casa.

Caminhou com seus pais até um dos vagões do Expresso de Hogwarts e tão logo chegaram lá, eles a deixaram. Depois, é claro, de dois abraços bem apertados, beijos e várias recomendações.

Ao procurar por uma cabine vazia no trem, Lily passava por dezenas de estudantes que também retornariam à escola. Ao alcançar uma das últimas cabines, encontrou Snape lá dentro. Antes de dar um sorriso, desejou intimamente que ele não se lembrasse da aposta que ela havia perdido e ele, por sinal, ganho.


- Estava te olhando pela janela, a simpática não quis vir? – Severo Snape sorriu para a amiga.


- Brigamos outra vez... – Lily bufou em tom triste se jogando no assento de frente para o sonserino.


- Sinto muito. – Snape não se esforçou realmente para demonstrar que “sentia muito”, no entanto.


- Você mente muito mal. – Lily sorriu e o trem começou a se mover.


- Nem tanto... – O sonserino a encarou. – Ah! – Snape procurava algo no bolso. – Tome... você deve cumprir sua promessa.


Snape estendeu um embolado pano verde e prata à amiga.


- Você vai mesmo me obrigar a usar a gravata da sonserina? – a grifinória perguntou pegando a peça pelas pontas dos dedos, fingindo nojo.


- Por uma semana inteira. – O sonserino sorriu satisfeito.


- Ótimo. – Lily encarou a gravata.


- Severo, nós- Lucio Malfoy havia entrado na cabine onde Snape e Lily estavam. Ele parou imediatamente de falar.


- Lucio?


- Em Hogwarts. Nos vemos em Hogwarts. – Lucio decidiu não dizer o que pretendia na frente de Lily.


- Tudo bem, Lucio. – Snape olhou de relance para a amiga. Sabia que ela não aprovava a sua amizade com o garoto.


O loiro fez que sim com a cabeça e olhou Lily antes de sair. Ao fechar a porta o clima ficou tenso entre os dois.


- Você sabe que ele é meu amigo, não fique com raiva...


- Ok, Snape.


O sonserino observou o uso formal de seu sobrenome. Lily só o fazia quando ficava furiosa.


- Vamos, não mude de assunto. Ponha logo a gravata. – Snape conhecia Lily bem demais para iniciar uma discussão. Sabia que o melhor era fingir que nada havia acontecido.


Lily o encarou, tirou sua própria gravata vermelha e dourada e começou a dar o nó na peça que compunha o uniforme de Snape.


- Você está ainda mais linda. – Snape murmurou.


- Uma gravata não muda quem eu sou, Sev.


- Sei que-


- Ora, vejam só... O Ranhoso novamente de fofoquinha com as meninas. – Era a voz insuportável de Sirius Black.

- Não. – Lily sussurrou antes que Snape pegasse a varinha.


- Ranhoso? – Tiago Potter havia entrado em seguida na cabine. – e... Lily? Que gravata é essa, Evans?! – A última frase foi proferida com espanto.


- Não é da sua conta, Potter. – Lily virou-se para Snape. – Não ligue.


- Ele pode se defender, Evans. – Sirius puxou a varinha.


- Experimente lançar meio feitiço, Black, que eu te dou mais detenções do que aluno algum jamais sonhou.


- Você não pode...


- Deixa, Sirius... – Era Tiago. – Finalmente Evans escolheu um lado. Vamos.


Os dois saíram deixando Lily e Snape sozinhos outra vez. A ruiva ainda bufava e o sonserino desviou o olhar.


- Não fique bravo comigo. – Pediu em tom doce ao se sentar.


- Eu sei me defender, Evans.


- Eu sei que sim.


- Com você tomando as dores... todos me acharão um...


- Um?


- Um covarde!


- Eu sei quem você é e você nunca será um covarde, Severo Snape. – Lily segurou a mão do amigo e sorriu.


O que aconteceu em seguida foi muito rápido: um barulho de explosão, um solavanco, algumas bagagens caíram dos compartimentos com estardalhaço, o Expresso de Hogwarts parou de se mover e uma voz fria e com um leve sotaque estrangeiro ecoou amplificada por toda extensão do trem:


- ACCIO VARINHAS!


No instante seguinte a varinha de Lily e Snape ganharam vida própria e foram em direção à voz que as convocava. Houve confusão. Pelo visto o feitiço atraiu as varinhas de todos os estudantes que estavam no trem. Quebraram vidros, rasgaram vestes, furaram malões. Muitos alunos abandonaram as cabines para ver o que estava acontecendo. A voz masculina voltou a falar:


- Atenção, estudantes de Hogwarts. Eu só vou falar uma vez.


Podia-se ouvir o murmurinho nos corredores.


- O trem está dominado. Não vamos machucar vocês se obedecerem. Estamos com suas varinhas e qualquer esforço para fugir será em vão.


- Sev... – Lily sussurrou assustada.


- Shh. – fez o amigo para tornar a ouvir a voz.


- Quero que todos caminhem em silêncio para o último vagão. Quero todos lá. Qualquer um que não obedecer estará morto. Vocês têm 5 minutos.


Ouvi-se em seguida o tropel dos estudantes se movendo. Eles caminhavam para a direção indicada. Snape segurou a mão de Lily e a guiou para fora da cabine.


Ao chegar ao último vagão, Lily e Snape tiveram uma visão geral do lugar. Os estudantes estavam amontoados, alguns sentados no chão, outros espremidos contra a parede dos fundos e poucos consolavam os mais novos que choravam.

Passado o tempo concedido pelo seqüestrador, pouca coisa se ouvia fora do vagão. De repente, com estrépito, as portas das cabines vazias estavam sendo abertas com violência. Provavelmente porque os seqüestradores queriam se certificar de que não havia alunos desrespeitando suas ordens.

Por sorte ninguém foi encontrado, entretanto, isso não pareceu mudar o tom de voz do responsável por aquilo.



- Afastem-se da porta. Qualquer movimento em falso será punido com morte.


Os poucos alunos que estavam na frente se afastaram. Lily apertou dolorosamente a mão de Snape quando os seqüestradores entraram no último vagão. Eram 13 no total.


- Ninguém sairá machucado se nossas exigências forem cumpridas. Vocês entenderam? – perguntou o que parecia ser o líder.


Houve um murmúrio em concordância.


- Agora, lentamente, quero que todos os alunos da Sonserina venham para frente.


- O que? – Algum aluno menos inteligente perguntou ao fundo.


- Os sonserinos devem ser os primeiros a morrer – O líder falou ameaçador. Silêncio. – ANDEM!


Com a tensão no ar, lentamente os alunos que pertenciam à Sonserina se entreolharam e caminharam para frente. Lily só foi desperta do transe quando uma dos seqüestradores lhe puxou pelo braço.


- Você também ruiva!


- O que? – Lily não havia entendido. – Ah! Eu não... – lembrou-se que usava a gravata verde de Snape.


- Ela não pertence à Sonserina, senhor. – Snape adiantou-se e foi atingido por um soco dado por outro seqüestrador.


- Não pedi sua opinião, bastardo! Anda, garota!


- NÃO! – era a voz assustada de Tiago Potter. – Ela pertence à Grifinória! Ela é da Grifinória!


- CRUCIO! – o líder dos seqüestradores esbravejou. Tiago foi derrubado no chão urrando de dor.


- PARE! – Lily gritou. – Por favor!


O feitiço parou.


- Alguém mais quer defender essa garota?


Silêncio.


- Vlad... – A seqüestradora mulher lhe sussurrou. – Não devemos ferir os Grifinórios, você sabe.


O homem ponderou. Virou a cabeça para os alunos da Sonserina.


- Você... – Vlad apontou para Narcisa Black. – A que casa essa garota pertence?


Narcisa encarou Lily profundamente. Os olhos azuis e inexpressivos da loira perfuravam os verdes temerosos da ruiva. O que ela estava fazendo com a gravata da Sonserina? Perguntou-se.


- Ela pertence à Sonserina? – A voz do homem quebrou o contato visual das duas garotas. Narcisa pareceu levemente atordoada.


- Não.


- Besteira, cara. – O seqüestrador careca perto da porta se manifestou. – Ta na cara que ela são amigas, não vê?



Os seqüestradores se entreolharam. Pareciam estar se comunicando por Legilimência e levavam em consideração o que havia sido exposto.

 
- Que seja. – Vlad concluiu. – Levem-na também. Se não for Sonserina servirá como refém, já que possui tantos namorados dispostos a defendê-la.






por Juliano.

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