- Draco, vem comigo. - Falou Harry aproximando-se. - E não chateies a Kyra.
- Porquê? - Perguntou Kyra fazendo Harry olhá-la incrédulo. - Ele é Malfoy para ti, sempre foi.
- Bom, vamos lá então, Harry. - Draco disse tentando fugir.
- Harry? Vocês estão estranhos. - Kyra falou mais um vez.
- Não estamos nada, Kyra. Eu e o Draco decidimos fazer isto para gozar com as pessoas. - Kyra olhou incrédula. - A sério, é verdade. E tu foste boa de se ouvir. "Vocês estão estranhos".
- Harry, Draco, a Hermione contou-me... - Ron parou quando viu a irmã, Luna, Kyra e a namorada que o tinha seguido a olharem-no.
- Também tu, Ron? - Kyra perguntou. - Ele é Malfoy. - As outras duas amigas também concordaram.
- Que tem? - Perguntou Lavander. - Olá, Draco.
- Olá, Lavander. - Ele cumprimentou.
- Muito bem. - Kyra passou o bloco a Luna atirando pelo ar. Ginny apanhou-o e deu logo a Luna olhando assustada para Harry.
- Ginny, Ginny, Ginny, o que me estás a esconder? - Perguntou Harry avançando para ela.
- Nada. - Ela falou receosa.
- Não consegues mentir-me, linda. - Ele disse-lhe beijando-a.
- Realmente, Ginny, pelo menos podias disfarçar melhor por mim. Eu explico, Harry. - Ginny e Luna olharam-na apreensivas. - Eu pretendo fazer uma surpresa à Hermione. - Ela disse-lhe ao ouvido. - E elas estão a ajudar-me. Agora podem ir todos embora que nós já estávamos aqui em primeiro. - Ela disse alto. Todos sairam.
- Só o meu irmão não vê o óbvio. A Lavender pode gostar dele mas também gosta do Malfoy. Ela podia escolher, não? - Kyra olhava para donde eles tinham saido.
- Sim, e bem que podia ser o Malfoy. - Kyra disse. - Para ver se a Mione avançava.
- Desculpa, Kyra. - Luna disse. - Por eu ter apontado vais ter que estar submissa ao Malfoy. Sabe-se lá o que ele vai pedir.
- E se ele te pedir para... Tu estás a perceber. - Kyra encolheu os ombros.
- Não seria nada que já não tivesse acontecido. mas não digam a ninguém, por favor. - Elas concordaram. - Que me dizem de amanhã irmos a Hogsmeade juntas? Vocês dão uma desculpa qualquer aos vossos namorados e vamos as três. A Hermione não pode ir. Diz que tem de estudar. - Elas concordaram mais uma vez. - Espero que ele me deixe ir mas eu dou um jeito. - Kyra saiu então para o jardim onde continuou a ler o seu livro até ao recomeço das aulas. Ela ia ter Defesa. Foi a correr percebendo que a distância era muita e o tempo pouco.
Severus entrou na sala de aula e suspirou de alívio vendo que os alunos já lá estavam percebendo que não tinha acontecido mais nada.
- Estão todos? - Perguntou. - Onde está a Srta. Lynold? - Ninguém respondeu. Bateram à porta. - Entre, Srta. Lynold. - Ele pediu e ela entrou.- Para a próxima vez que fizer isto vai ter um trabalho redobrado. - Não é que ele tivesse alguma coisa contra ela. Aliás, Kyra tinha feito Draco desistir do lado do mal.
- Peço perdão, prof. Snape. - Ela sentou-se e a aula começou.
No fim da aula, Kyra ficou um pouco mais dentro da sala pensando que Snape a chamaria mas ele não o fez e até lhe perguntou porque não saia. Kyra saiu e encontrou Draco a esperá-la.
- Para chegares aqui tão cedo tiveste que pedir à prof. McGonagall. O que é que queres, Malfoy? - Ela perguntou-lhe.
- Aqui quem faz as perguntas sou eu, ou já te esqueceste do que combinámos? Tens que responder com a verdade a tudo o que eu te perguntar.
- E se eu voltar atrás com isso? - Ela perguntou.
- E insistes em fazer perguntas, Lynold. Tu não vais voltar com a tua palavra atrás. Mesmo não querendo, tu és uma slytherin e alguma capacidade nossa deves ter.
- Talves seja a mentira. - Ela disse. Draco abriu uma porta.
- Entra. - Ele mandou. Ela fê-lo e olhou-o enquanto ele fechava a porta. - O que mais gostavas da Alemanha?
- Do meu gato que já tinha sido da minha mãe, mas ele morreu um ano antes dos meus pais também morrerem. - Ela respondeu. Draco tremeu.
- Isso deve ter sido difícil. O teu gato, os teus pais, o Sirius e ainda por momentos o Dumbledore. - Ele disse.
- É verdade. - Kyra sentou-se numa mesa. Ele aproximou-se dela. - Mas esqueceste-te dos meus avós. Os meus avós, o meu gato, os meus pais, o Sirius e, por momentos, o Dumbledore.
- Eu não me imagino sem o meu gato quanto mais sem as pessoas que amo. - Ela falou tocando-lhe no braço.
- Tu não amas ninguém a não ser a ti próprio. - Ela afastou-se dele. - Nunca sentiste necessidade de amar alguém. Nunca sentiste realmente dor. Sempre tiveste tudo. Tu tens pais mas não dás valor a isso. E é tudo o que eu mais queria. Ter pais, ter o Sirius para me fazer rir com as suas histórias. Mas eu não tenho nada disso por causa de pessoas da tua laia. Não digas que amas alguém porque isso não é verdade. Eu passei dias e noites fechada no meu quarto a chorar por eles todos. Passei dias e noites a perguntar que mal tinha eu feito a Merlin. Um dia passou por minha casa uma muggle. Falava de Deus e da vida para além da morte. Comprei-lhe a Bíblia e aquilo deu-me esperança, ainda me dá esperança mas não faz com que eu me sinta menos culpada. - Kyra tinha lágrimas nos olhos. Era difícil esconder o que sentia a Draco.
- Não sei o que é Deus mas tu não és culpada de nada. Não mataste ninguém. - Ele disse-lhe controlando-se para não chorar também. Abraçou-a. Ela poisou a sua cabeça no seu peito e começou a chorar ainda mais. Os soluços dela era agonizantes. - Calma, Lynold.
- Como pude permitir que aquilo acontecesse com eles? Eu não consegui impedir. Eu fui uma péssima neta, uma péssima dona, uma péssima filha, uma péssima amiga e voltei a ser uma péssima neta. Voldemort e os teus amiguinhos só me trouxeram morte e tristeza à minha vida. E tudo isso aconteceu comigo na Alemanha. Eu sou fraca por isso fugi de lá. - Ela culpabilizou-se.
- Não sejas tonta. - Draco sentou-se no chão e, estendendo o seu manto fê-la deitar-se pousando a sua cabeça nas suas pernas. - Tu não és fraca nenhuma. Tu aguentaste muito. Calma, calma. - Ele passava a mão pelos seus cabelos. - Eu estou aqui. Vês, eu estou a apoiar-te. - Kyra continuou a chorar durante toda a tarde. Ele não se importou e faltou às aulas também.
Kyra acalmou-se pouco depois do jantar e olhou para ele com os olhos inchados. Ele sorriu-lhe.
- Estás com um péssimo aspecto. - Eles riram e ela olhou-se ao espelho. O cabelo estava todo despenteado e a cara dela estava pálida e tinha as marcas das lágrimas. Mas não estava assim tão horrível.
- Obrigada. Mas acho que estou muito bem. - Ela disse. Draco sorriu-lhe ainda mais e levantou-a sentando-a em cima dele. Limpou-lhe a cara com um lenço e alisou o cabelo com um feitiço. - Obrigada, Malfoy.
- De nada, vem cá. - Ele beijou-a e ela sentiu-se bem. - Tens que comer. - Ele sentou-a numa cadeira e chamou: - Dobby. - O elfo apareceu. - Podes arranjar-nos comida, se fazes favor? - O elfo assentiu e eles comeram.
- Obrigada, Malfoy. - Kyra disse no fim do jantar levantando-se. Dobby fez a louça desaparecer e desapareceu também. - Agora, quero pedir-te algo...