N/A: As frases em itálico e sublinhada correspondem a trilha sonora.
Música desse capítulo: Engenheiros do Hawaii – Sei Não
A escolha do Chapéu Seletor deixou o grupo de grifinórios arrebatados. Clarisse saudou os amigos ao longe e dirigiu-se para a mesa da extrema direita.
Não sei qual foi a causa e quais serão as consequências
a borboleta bate as asas e o vento vira violência
- Isso não pode estar certo! - disse Rony incrédulo – Aquele Chapéu velho está ficando gagá! – e Hermione percebeu que a Profª Minerva olhava para o grupo.
- Rony, reclame mais baixo! A Profª Minerva está olhando para a gente.
- Mas Hermione! – continuou Rony – Não pode estar certo. Ela é da... – e abaixou a voz finalmente – ela é da Ordem. Não existem sonserinos na Ordem.
- Snape.
- Que tem ele?
- Ah, Rony! – Hermione já estava perdendo a paciência - Ele é um sonserino e é membro da Ordem.
- Ah, mas eu me referia a membros confiáveis. Vai me dizer que você confia nele?
Hermione suspirou, já estava farta daquela conversa por todos aqueles anos:
- Dumbledore confia. E isso para mim é o suficiente. Ele deve ter uma grande razão para isso. E você por respeito a ele e a sua sabedoria não deveria contestar.
Rony resolveu deixar Hermione e a sua confiança na confiança de Dumbledore de lado e concentrar-se na comida. Harry e Gina ainda observavam Clarisse do extremo oposto do Salão.
A mais nova sonserina estava sendo recepcionada por seus novos colegas com cumprimentos e apertos de mão quando um loiro a convidou para sentar-se ao seu lado.
- Muito Prazer. Sou Malfoy, Draco Malfoy.
- O prazer é meu Malfoy.
- Por favor, seremos colegas de casa e de sala, também estou no sétimo ano. Me chame de Draco.
- Ok. – Clarisse sorriu um pouco, não sabia o que dizer uma vez que Draco já sabia o nome dela devido à seleção.
-Estes são Crabbe e Goyle. – Draco apontou os dois rapazes com corpulência de gorila a sua esquerda.
- Olá, garotos. – cumprimentou mesmo se questionando se eles sabiam falar ou compreender alguma língua humana. Eles pareciam tão bestiais.
- E essa garota do seu lado é Pansy Parkinson.
- Pode deixar que eu mesma me apresento, Draco! Ao contrário desses dois aí – e apontou para Crabbe e Goyle - eu sei pensar por mim mesma!
Clarisse percebeu que a garota parecia um pouco com um buldogue. Pansy sem saber interrompeu os pensamentos de Clarisse quando voltou-se para ela:
- Prazer. E bem-vinda a melhor casa de Hogwarts.
- Obrigada.
Clarisse mal havia começado o seu jantar quando Draco puxou assunto:
- Antes de vir para Hogwarts você estudava onde... hum, posso te chamar de Clarisse?
- Oh, claro – embora achasse melhor não dar tanta liberdade tão cedo, mas se recusasse soaria grosseiro. – hum, bem... eu estudei em Beauxbatons – e achou melhor não falar nada sobre o Brasil, quanto menos informações melhor.
- Você gostava de lá? Como era?
- Ah, sim eu gostava muito – mentiu – Sabe lá a seleção de casas é feita por um grande espelho...
Harry não conseguia parar de olhar a cena que ocorria na mesa da sonserina. Clarisse e Draco conversavam e até riam, como assim RIAM? Quem ri das coisas que Draco Malfoy faz a não ser que este seja uma doninha quicante? Harry percebeu que por vezes quando Clarisse virava-se para falar rapidamente com Pansy, Draco fazia um sorrisinho enviesado e até lançava uns olhares cobiçosos à sua amiga. Não sabia porque, mas isso o incomodava imensamente.
- O que faremos? – disse Snape em um tom preocupado – Ela foi para a Sonserina. Isso certamente fará com que ele decida-se por transformá-la em uma Comensal.
- E enquanto ele assim desejar ela estará segura – respondeu Dumbledore.
Snape não acreditava no que estava ouvindo. Concordou em dar informações sobre as habilidades mágicas da jovem Sushine a Lord Voldemort para ganhar tempo, porque a chance dela entrar na Sonserina era de 1 em 4. E se, SE, ela viesse a se tornar uma sonserina pensou que Dumbledore possuía um segundo plano. Mas isso, não. Era demais.
- Está louco? – gritou Snape – Não vou permitir que transforme a pobre menina em uma Comensal. – Snape avançava para Dumbledore – você não sabe como é... – e virou-se.
Não sei a soma exata, só a ordem de grandeza
Não sermos literais às vezes faz nossa beleza
- Não, não posso imaginar como é pesado o seu fardo, Severo. Mas a questão é: não quero transformar ninguém em Comensal, ora... essa é função é de Lord Voldemort. Contudo, você acabou de dizer que fará o que eu esperava.
- O que? – disse Snape confuso
- Você não permitirá que a Srta. Sunshine tome o caminho das trevas. Caberá a você protegê-la. E você já me auxilia a proteger o Harry. Sei que poderei contar com sua ajuda nesse caso também.
- Bem, no caso do Potter o senhor sabe bem o motivo. – disse secamente dando a entender que não queria tocar no assunto.
às vezes faz nossa cabeça um
par de olhos, um pôr de sol
Às vezes faz a diferença
tentei ficar na minha, tentei ficar contigo
o que há de mais moderno ainda é um sonho muito antigo
Tentei ser teu futuro,tentei ser teu amigo
- Por que o senhor simplesmente não a coloca sob a sua proteção, fechada a sete chaves dentro dos muros de Hogwarts como faz com todos os outros? Afinal, ela saiu do Brasil para Hogwarts para isso.– havia um certo sarcasmo em sua voz.
- Porque tempos terríveis se aproximam, Severo. Você sabe. Em um futuro próximo eu não estarei mais aqui, e Hogwarts não será mais segura.
o que há de mais seguro também corre perigo
Dumbledore fixou seus olhos azuis em Snpe.
– E é evidente que ainda me lembro das circunstâncias que o levaram até mim no caso de Harry Potter. – uma pausa e o diretor continuou - E por isso peço que me ajude a proteger a Srta. Sunshine. Os pais dela também me confiaram a vida da filha. Devo honrar a minha promessa.
- Já que tocou no assunto. Poderia saber quem são os verdadeiros pais dela?
Dumbledore ajeitou os óculos meia-lua em seu nariz torto, mas antes que Snape tivesse qualquer resposta Dumbledore o viu apertar levemente o braço esquerdo.
- Vá, Severo.
- O que devo dizer a ele?
Exatamente o que você viu na cerimônia de seleção: que o Chapéu Seletor colocou a menina na Sonserina.
E Severo Snape saiu apressado da sala do diretor.
- Há essas horas eu creio que a cerimônia de seleção tenha acabado, Severo.
- Sim, Milorde.
- E então?
- Ela é uma sonserina. Vi quando o Chapéu Seletor a pôs na Sonserina, Milorde.
- O quão talentosa ela é, Severo.
- Extremamente. Bem mais do que muitos aqui presentes. – e o seu olhar recaiu sobre alguns Comensais.
Voldemort soltou uma gargalhada, gélida e insana.
- Ótimo! Quero essa garota para mim. A questão é – e Nagini se aproximava de seus pés – como iremos trazê-la para o nosso lado?
Os olhos ofídicos fixaram o nada por segundos e Voldemort tornou a perguntar a Snape:
-Ela está no sétimo ano?
- Sim, Milorde
Um rasgo formou-se no rosto de Voldemort:
- Lúcio!
- S- Sim, Milorde. – e a figura de Lúcio Malfoy saiu de um canto escuro da sala.
- Avise seu filho que ele possui uma nova missão. Ele é o mais próximo que temos da garota e por isso deve convencê-la a vir até nós... a mim.
- Avisarei. Com certeza, Milorde.
- E não falhe desta vez, Lúcio. Sua família não precisa de mais essa vergonha. – o desdém era claro e as risadas encheram a sala.
No quarto das alunas do sétimo ano da Sonserina Clarisse escrevia em um pergaminho deitada em sua cama entre a porta e Pansy Parkinson.
Melindra,
Desculpe não ter escrito antes e mais do que isso, mas as coisas aqui estão realmente tensas. Não posso te dar detalhes da guerra.
Parou por um instante. Sabia que a situação não estva tão feia quanto pintava, mas o que se poderia fazer? Não podia dar detalhes á amiga e além do mais sabia que era uma questão de tempo para a guerra começar. E além do mais... olha em que dormitório estava.
Aqui parece ser melhor do que Beauxbatons, ao menos já conheço dois professores o de poções e a de DCAT (dizem que essa matéria aqui é azarada).
Fui selecionada para a Sonserina. É a casa aqui de Hogwarts que corresponderia ao Inverno aí na Meridiana. Como éramos todos da Outono minha esperança era entrar para a Corvinal, mas olha só o que me aconteceu... Receio que isso tenha a ver com o que o Salgueiro me disse na cerimônia de seleção aí na Meridiana. Acho que já contei para você um dia, fiquei tão preocupada na época... era algo como:
"Dias de verão se aproximam para você que está saindo de um pequeno inverno, mas para que você possa sentir o florescer da primavera é necessário viver o mais denso e gélido inverno em seu centro... enquanto esses dias não chegam você vai para o..." E aí você já sabe que eu fui escolhida para o Outono junto com você .
Espero que estejam todos bem e quero saber as novidades.
Nem imaginam como estou com saudades
Clarisse
Clarisse enrolou a carta e depositou em um canto na mesa de cabeceira. Precisava escrever mais uma carta e tentar resolver o que deixou para trás no Brasil: seus sonhos, felicidade, Miguel... ia ser difícil. Nunca que uma carta solucionaria o problema.
Miguel,
E agora o que escreveria? Mais formal ou não? Ok, somente o necessário. Mas, o que infernos era necessário?
Não sei a quantas anda, é da nossa natureza
Não saber o que fazer às vezes faz nossa certeza
Decidiu-se finalmente.
Como estão as coisas aí? Aqui na Inglaterra até agora tudo bem.
E viu uma contradição enorme entre o que escrevera na carta dele e na de Melindra
Comecei o período letivo hoje, aqui parece ser melhor que Beauxbatons.
- Como começo o assunto mesmo?
Às vezes faz nossa cabeça um
par de olhos, um pôr de sol
Às vezes faz a diferença
Clarisse suspirou, era agora ou nunca.
Bom, estou escrevendo porque penso que precisamos conversar. Você sabe... saí do Brasil tão depressa que não tivemos tempo de falar sobre o que aconteceria com... bem... nós.
Não quero tratar disso por carta. Tentarei pensar em um jeito para conversarmos.
Mande um abraço meu a todos.
Com saudade
Clarisse
Clarisse fechou a carta e uma estranha sensação de pesar e dever cumprido tomou seu peito.
tentei ficar na minha, tentei ficar contigo
o que há de mais moderno ainda é um sonho muito antigo
Tentei ser teu futuro,tentei ser teu amigo
E a segunda carta foi colocada ao lado da primeira e Clarisse finalmente pode adormecer.
o que há de mais seguro também corre perigo