- Boa sorte, para todos.- Gritou Moody. - Vejo vocês todos em uma hora na Toca. No três. Um... Dois... TRÊS!
Clarisse, com Jorge segurando gentilmente em sua cintura, impulsionou a Firebolt que levantou vôo graciosamente.
Eles estavam subindo, seus olhos levemente cheios d’água por cortar o céu tão rapidamente, os cabelos sedosos de Clarisse ventavam para o rosto de Jorge. Em volta, vassouras levantavam vôo também; a longa cauda negra de um testrálio passou por eles. Jorge fez um gracejo sobre o perfume dos cabelos de sua companheira de viagem e Clarisse riu-se corando. As casas tornavam-se minúsculas, indistinguíveis. Cada vez mais alto, eles adentraram o céu.
Semper crescis
Aut decrescis
Vita detestabilis
Nunc obdurat
Et tunc curat
Ludo mentis aciem
Clarisse escondida pela noite e por sua máscara laranja-queimado em forma de fênix ria-se dos comentários de seu pseudo Potter:
- Ei, Clara... eu sempre vou querer voar com você, mesmo que tenha um mar de Comensais querendo nos matar. – brincou Jorge de um jeito galanteador .
Clarisse sentiu suas bochechas corando e virou-se para Jorge. O que viu fez seus olhos arregalarem:
- COMENSAIS!
E então, do nada, eles estavam cercados. Pelo menos trinta figuras encapuzadas, voando, formaram um grande circulo em volta deles, os membros da Ordem dispersaram-se e houve vários raios verdes passando por eles.
Nunc obdurat
Et tunc curat
Ludo mentis aciem
Egestatem
Potestatem
Dissolvit ut glaciem
A bruxa inclinou-se para frente e disparou. Uma perseguição ensandecida teve início. Com três Comensais em seu encalço Jorge lançava todos os feitiços que sabia, Clarisse fazia manobras para escaparem dos raios inimigos e também lançava maldições:
- Avada Kedavra – berrou Clarisse
Jorge viu o feitiço quase acertar o comensal do centro, que desviou precisamente no último segundo. O falso Potter começou a ver Clarisse não somente como uma bela bruxa.
Divano
Divano re
Divano blessi
Divano blessia
Divano blessia
Divano
Divano re
Divano blessia
Divano blessia
- Protego! – proferiu Jorge e os Comensais se dispersaram para poderem desviar dos próprios feitiços.
Clarisse aproveitando que o comensal da direita estava preocupado de mais em manobrar a vassoura lançou um feitiço não verbal que o acertou em cheio. O Comensal foi arremessado de sua vassoura com o feitiço e caiu, como um boneco, para a escuridão abaixo deles.
Os dois Comensais restantes voltaram-se para a dupla como cães raivosos.
- Mate-os! Mate-os! – berrava o comensal da esquerda.
Clarisse mergulhou e foi seguida de perto por eles, e por mais que ela fizesse ziguezagues no ar os Comensais continuavam a disparar a esmo. Feitiços e maldições chispavam em seus ouvidos.
Decidiu subir, vertiginosamente. Os dois Comensais os seguiram, o comensal que Clarisse quase matara proferiu um feitiço que a jovem não conseguiu entender, um feixe de luz vermelha irrompeu de sua varinha
- Clara, cuidado!
A bruxa imediatamente desviou a Firebolt , mas um grito de dor saiu de Jorge. Clarisse virou-se para o gêmeo e viu muito sangue em seu rosto.
Sors salutis
Et virtutis
Michi nunc contraria
Est affectus
Et defectus
Semper in angaria
Hac in hora
Sine mora
Corde pulsum tangite
- Jorge! Jorge! O que aconteceu?
O falso Potter retirou a mão que cobria a lateral do seu rosto onde deveria estar...
- Sua orelha! A sua orelha... – Clarisse disse em desespero – Agüente firme, já estamos quase lá.
Clarisse num ímpeto de raiva olhou para o comensal que havia ferido Jorge e berrou:
- CRUCIO!
Mas ele, pela segunda vez, conseguiu sair ileso de uma maldição lançada pela bruxa.
Clarisse viu Jorge torcer a cara de dor. Inclinou-se em sua Firebolt como se sua vida e a do seu companheiro de missão dependessem disso, e, como um jato trouxa, deixou os Comensais para trás. Em poucos minutos estavam no campo de Proteção.
Divano
Divano re
Divano blessi
Divano blessia
Divano blessia
Divano
Divano re
Divano blessia
Divano blessia
- Rony e Tonks deveriam ter voltado primeiro, mas eles perderam sua Chave de Portal, ela voltou sem eles, - ela disse, apontando uma enferrujada lata de óleo que repousava sobre o chão ali perto. - E aquele ali, - ela apontou para um tênis velho, devia vir junto com papai e Fred, eles deviam ser os segundos. Você e Hagrid eram os terceiros e - ela checou o relógio - se eles tiverem conseguido, Jorge e Clarisse estarão de volta em um minuto.
A Sra. Weasley reapareceu carregando uma garrafa de conhaque, o qual ela entregou a Hagrid. Ele o abriu e o tomou imediatamente.
- Mãe! - gritou Gina, apontando para um local a uma pequena distância.
Uma luz azul apareceu no meio da escuridão. Ela cresceu rapidamente e de repente Clarisse e Jorge apareceram, girando e então caindo.
Harry soube imediatamente que algo estava errado: Clarisse vinha cambaleando pelo esforço que estava fazendo de praticamente carregar Jorge em suas costas, que permanecia inconsciente e tinha a cara coberta de sangue. Harry correu para frente e agarrou as pernas de Jorge. Juntos, ele, Clarisse e Gina carregaram Jorge para dentro da casa até a sala, onde o colocaram sobre o sofá. A lâmpada caiu em cima de Jorge. Gina parou de respirar e o estômago de Harry embrulhou: Faltava em Jorge uma orelha. Aquele lado da cabeça e do pescoço estava banhado em um sangue escarlate.
Sors salutis
Et virtutis
Michi nunc contraria
Est affectus
Et defectus
Semper in angaria
Hac in hora
Sine mora
Corde pulsum tangite
A Sra. Weasley agarrou-se ao filho, e Gina pegou Clarisse pelo braço e a arrastou para um canto mais afastado da sala.
- O que Hermione Granger disse ao ver os livros de Artes das Trevas de Clarisse Sunshine?
- Ela disse: Pelas calças de Merlin!
A feição de Gina desanuviou-se, mas Clarisse continuou:
- Faz bem em verificar se realmente sou eu porque de alguma maneira fomos traídos. – sussurrou para Gina e continuou de maneira inaudível – de alguma maneira os Comensais sabiam que seria hoje, havia mais de trinta nos esperando e a única maneira para que soubessem disso é ter vindo de alguém da Ordem.
Um silêncio incômodo pairou entre elas, Gina não disse o que estava pensando. Clarisse era recém chegada para entender e também não estava segura sobre a veracidade de seus pensamentos. Então Harry que havia captado algo do que Clarisse cochichava, quebrou o silêncio.
-Voldemort só sabia que era realmente eu, porque ele sabia que eu estaria com o Hagrid.
- Voldemort alcançou vocês? - disse Clarisse ainda tentando processar a informação de Harry - O que houve? Como você escapou?
Harry explicou rapidamente como os Comensais da Morte o reconheceram como verdadeiro Harry, como eles abandonaram a perseguição, e depois voltaram com Voldemort, que apareceu pouco antes de ele e Hagrid chegarem à casa dos pais de Tonks.
- Eles reconheceram você? Mas como? O que você fez?
- Eu... - Harry tentou lembrar. Toda a jornada pareceu um borrão de pânico e confusão. - Eu vi Lalau Shumpike... você sabe, o cara que era o condutor do Noitebus? E eu tentei desarmá-lo ao invés de... Bem, ele não sabia o que ele estava fazendo, sabia? Ele devia estar sobre efeito da maldição Imperius!
Clarisse o observou.
- Harry, a hora de desarmar passou! Essas pessoas estão tentando te capturar e te matar! Ao menos os deixe inconscientes se não está preparado para matar!
- Nós estávamos centenas de pés no ar! Lalau não era ele mesmo, e caso eu o tivesse feito ficar inconsciente ele teria caído, e teria morrido da mesma maneira que se eu tivesse usado Avada Kedavra! Expelliarmus salvou-me de Voldemort dois anos atrás. - Harry adicionou desafiador, Clarisse o estava lembrando o aluno da Lufa-Lufa Zacharias Smith, o qual estava rindo de Harry por este querer ensinar a AD como desarmar.
- Sim, Harry – concordou Gina afetuosamente - mas um grande número de Comensais da Morte testemunharam aquilo acontecendo...
- Perdoe-me, mas é uma coisa muito pouco usual, sobre tudo em caso de morte iminente. – interrompeu Clarisse – Desculpe Gina. Pode concluir.
- Bem, repetir isso hoje na frente dos Comensais os quais já haviam testemunhado ou ouvido falar sobre a primeira ocasião foi quase suicídio!
- Então você acha que eu deveria ter matado Lalau Shumpike? - Disse Harry nervoso.
- Mas é claro que não, - disse Clarisse - mas os Comensais da Morte, ou melhor, a maioria das pessoas esperaria que você atacasse de volta! – disse Clarisse um pouco sem paciência para obviedades.
- Expelliarmus é uma magia muito útil, Harry, porém os Comensais parecem ter em mente que esta é sua marca registrada, e eu o alertaria para não deixar que isso aconteça. – interpelou Gina.
Elas, principalmente Clarisse, estava fazendo com que Harry se sentisse idiota, e ainda havia um grão de desafio dentro dele.
- Eu não vou acabar com pessoas só porque elas ficam no meu caminho.- Disse Harry. - Esse é o trabalho de Voldemort.
Clarisse pareceu perdida por um momento.
Divano
Divano re
Divano blessi
Divano blessia
Divano blessia
Divano
Divano re
Divano blessia
Divano blessia
A chegada de Hagrid fez a tensão da discussão se dissipar. O meio gigante pegou uma cadeira, desajeitado, e sentou-se fitando Harry atenciosamente. Não dando atenção à Hagrid, Harry decidiu colocar Clarisse novamente na conversa.
- Você acha que Jorge ficará bem?
Toda a fúria de Clarisse pela teimosia e idiotices de Harry pareceu se esvair com a pergunta do garoto.
- Espero que sim... ah, foi tudo minha culpa! – sua voz começou a embargar - Se eu tivesse desviado a vassoura um pouco antes...
Harry comoveu-se com o sofrimento da moça que ele acabara de conhecer.
- Não foi sua culpa – disse dando tapinhas em seu ombro – A culpa é desta guerra, deste louco. Você assim como eu, como nós, está lutando para que tudo isso acabe.
Clarisse olhou para Harry, seus olhos estavam marejados; quem mais teria que perder nessa guerra insana? Virou-se para onde estava Jorge. Harry olhou pela janela e viu Hermione, que havia retornado à sua forma, e ao seu lado Kingsley, ambos com expressões cansadas, mas aparentemente bem.
- As últimas palavras que Alvo Dumbledore disse para nós antes de sairmos?
- “Confiem uns aos outros” - disse Kingsley a Sra. Weasley calmamente.
- Quem mais voltou? – perguntou Kingsley
- Somente Harry, Hagrid, Jorge e eu.
Hermione tinha um pequeno arranhão nas costas de sua mão.
- O que houve com vocês? - perguntou Clarisse.
- Fomos seguidos por cinco, consegui ferir dois deles, e tive de matar um outro -respondeu Kingsley - e nós vimos Você-Sabe-Quêm também, nós o perseguimos, mas ele conseguiu escapar rapidamente. Ele é capaz de...
- Voar - completou Harry. - Eu o vi também, ele veio atrás de mim e Hagrid.
- Srta Sunshine – começou Kingsley - Onde está o Jorge?
- Ele... ele perdeu uma orelha... - respondeu Clarisse, sua voz falhando. Ao tomar fôlego continuou- Três Comensais vieram ao nosso em calço, consegui derrubar um da vassoura e o que fez isso com Jorge seu safou, por mais que eu tentasse não consegui acertá-lo. – Clarisse deu um longo suspiro - Ele perdeu bastante sangue...
Todos ficaram em um silêncio mútuo, contemplando o céu azul-marinho. Não havia nenhum movimento, não havia estrelas reluzentes, e a lua cheia se escondia por trás de uma nuvem particularmente grande. Onde estaria o Rony? Onde estaria Fred e o Sr. Weasley? Onde estavam Gui e Fleur? Mundungo, Olho-Tonto e Tonks? Estariam todos bem?
- Harry, uma ajuda aqui! - Chamou Hagrid da porta onde ele acabou entalando de novo.
Feliz por fazer algo, Harry o puxou, depois entraram na cozinha e voltaram a sala de estar onde a Sra. Weasley e Gina ainda continuavam olhando Jorge. A Sra Weasley estava limpando o sangue, e pela lâmpada Harry pode ver um buraco onde deveria estar a orelha de Jorge.
- Como ele está?
Sra Weasley olhou em volta e disse:
- Não posso fazê-la crescer. Não quando foi removida por Magia Negra..mas podia ser pior...pelo menos ele está vivo!
- É... - Disse Harry. - Graças a Deus.
- Escutei mais alguém no jardim? - Perguntou Gina.
- Fred e o Sr Weasley.
- Que bom. - Gina murmurou. Eles trocaram olhares, Harry quis abraçá-la, ele nem se importava que a Sra. Weasley estivesse ali, mas antes que ele seguisse o impulso houve um grande crec na cozinha.
- Eu provarei que sou verdadeiro, Kingsely, depois de ver meu filho, agora saia da minha frente se você souber o que é realmente bom pra você!
Harry nunca escutou Sr. Weasley falar daquele jeito. Ele entrou na sala de estar, sua cabeça quase careca misturando-se com suor. Fred estava logo atrás dele, ambos pálidos, mas sem machucados.
- Arthur! - exclamou Sra. Weasely. - Graças a Deus.
- Como ele está?
O Sr. Weasley ficou de joelhos ao lado de Jorge. Pela primeira vez desde que conhecera Fred, o ruivo parecia sem palavras. Ele assustou-se atrás do sofá olhando o estado do gêmeo, como se não quisesse acreditar no que estava vendo.
Talvez pelo som da chegada de Fred e Sr. Weasley. Jorge soltou um muxoxo.
- Jorge, como se sente? - Murmurou Sra. Weasley.
Os dedos de Jorge pararam num lado da cabeça.
- Como um anjo.
- Qual o problema dele? - Perguntou Fred parecendo horrorizado. Perdeu o juízo?O cérebro foi afetado?
- Um anjo. - Repetiu Jorge abrindo os olhos e olhando para seu irmão. - Veja bem, sou sangrado. Santo, Fred. Entendeu?
Sra. Weasley prendeu a respiração mais do que nunca. O rosto de Fred se empalideceu ainda mais.
- Patético - Ele disse para Jorge. - Patético! Com o mundo de piadas sobre orelhas, você vem com essa do “sangrado”?
- Ah, bem - Disse Jorge limpando a lágrima da mãe. - Você agora vai poder nos diferenciar mãe.
Ele olhou em volta.
- Oi Harry. - Você é Harry, certo?
- Sim, sou. - Respondeu Harry chegando perto do sofá.
- Bem, pelo menos nós conseguimos trazer você a salvo. - Disse Jorge. - Por que Rony e Gui não estão em volta da minha cama?
- Eles ainda não voltaram Jorge. - Respondeu Sra. Weasley.
Harry olhou para Gina e mencionou para ela o seguir até lá fora. Enquanto caminhava pela cozinha ela falou em voz baixa.
- Rony e Tonks devem voltar daqui a pouco. Eles não tiveram uma viagem longa, Tia Muriel não é muito longe daqui.
Harry não disse nada. Ele vinha tentando afastar seu medo desde que chegou à Toca, mas agora parecia completamente dominado por ele, dentro da sua pele, incomodando a garganta e machucando o peito. Enquanto caminhavam pelo jardim, Gina pegou sua mão.
Kingsley caminhava de um lado para o outro, olhando para o céu toda vez que se virava. Harry lembrou-se do Tio Valter passando pela sala de estar há milhões de anos atrás. Hagrid, Hermione e Clarisse estavam em pé ombro a ombro, observando em silêncio. Ninguém olhou em volta quando Harry e Gina juntaram ao silêncio dos três.
Os minutos passaram como se fossem anos. A brisa mais delicada os fez sobressaltarem e virarem em direção ao vento ou a alguma árvore com a esperança de que algum membro da Ordem pudesse aparecer entre as folhas. E então uma vassoura se materializou diretamente sobre eles e foram em direção ao chão.
- São eles! - Gritou Hermione.
Tonks aterrissou no chão, jogando terra pra todos os lados. Rony caminhava em direção a Harry e Hermione.
- Você esta bem. - Ele disse, antes de Hermione de abraçá-lo com força.
- Pensei, pensei que...
- Estou bem. - Disse Rony dando um tapinha de leve nas costas de Hermione. - Estou ótimo.
- Rony foi muito bem. - Disse Tonks - Uma maravilha. Acertou um comensal bem na cabeça e quando você está diretamente sob ataque em cima de uma vassoura...
- Mesmo? - Perguntou Hermione mirando Rony, ainda com seus braços em volta do pescoço do ruivo.
- Sempre tem uma surpresa - ele disse quebrando a tensão - Os últimos ainda não voltaram?
- Não - disse Gina - Gui e Fleur, Olho Tonto e Mundungo ainda não voltaram. Eu vou avisar o papai e a mamãe que você está bem, Rony...
Ela correu para dentro da casa.
- O que aconteceu? – Perguntou Hermione
- Bellatriz - disse Tonks - Ela me queria tanto quanto quer Harry. Ela tentou me matar. Eu apenas desejei tê-la... Mas nós definitivamente ferimos Rodolfo. Então nós fomos para a Tia Muriel de Rony, e ela emprestou uma chave de portal.
Outro grande crec foi ouvido.
- Gui. Graças a Deus, graças a Deus... - A Sra. Weasley correu para abraçá-lo.
Parecendo com o pai dele, Gui disse:
- Olho Tonto morreu...
Ninguém falou nada. Ninguém se moveu. Harry sentiu que alguma coisa atrás estava caindo, caindo através da terra, o deixando para sempre.
- Nós o vimos - disse Gui, Fleur assentiu - Aconteceu depois que nós quebramos o círculo, Olho Tonto e Dunga estavam perto da gente, eles estavam indo para a direção norte também. Dunga apavorou-se. Eu ouvi ele chorando, Olho Tonto tentou pará-lo, mas ele desapareceu. Não havia nada que pudéssemos fazer. Nós estávamos em meia dúzia... A voz de Gui falhou.
- Claro que vocês não podiam ter feito nada - disse o Sr Weasley.
Eles se levantaram olhando um ao outro. Harry compreendia o silêncio, Olho Tonto não poderia ter partido, era tão resistente, tão bravo, tinha sobrevivido...
Clarisse teve a impressão de todos estavam alvoroçados, embora ninguém dissesse isso, não havia mais o que esperar.
- O que está errado? - perguntou Jorge varrendo o riso de suas faces - O que aconteceu? Quem está...
- Olho Tonto - disse o Sr. Weasley - Morto.
Os gêmeos ficaram em choque. Ninguém sabia o que fazer. Tonks estava chorando silenciosamente. Ela tinha estado perto de Olho Tonto. Harry sabia, ela era a favorita dele e sua protegida no Ministério da Magia. Hagrid que tinha sentado no chão num canto onde havia mais espaço, estava limpando os olhos com um lenço feito sob medida que mais parecia uma toalha de mesa.
Clarisse não suportava mais aquela onda de pesar, tinha que fazer algo por eles, por ela, por Jorge que estava deitado sem uma orelha, ainda sangrando por mais que a Sra. Weasley se empenhasse em limpar o ferimento. Buscou em sua memória e descobriu: iria ajudar o gêmeo. A jovem bruxa aproximou-se do que seria o leito de Jorge e concentrou-se:
- Vamos Clarisse! – ordenou a si mesma em pensamentos – Já conseguiu isso várias vezes. Agora Jorge precisa de você – e em desespero lembrou-se - A magia vem do bruxo.
Clarisse queimou em chamas assustando todos os presentes na sala e uma fênix apareceu em seu lugar. A ave empoleirou-se no encosto do sofá, postou sua cabeça próximo ao ferimento do gêmeo, e, após alguns instantes, lágrimas peroladas escorreram dos olhos negros do pássaro. O buraco que havia onde antes era a orelha de Jorge imediatamente parou de sangrar e o gêmeo não sentia mais dor.
Todos olharam surpresos para a cena e a Sra. Weasley abraçou Clarisse assim que a garota voltou a forma humana.
Hac in hora
Sine mora
Corde pulsum tangite
Quod per sortem
Sternit fortem
Mecum omnes plangite
Gui rodeou a mesa e pegou uma garrafa de Whisky com alguns copos.
- Aqui. - disse ele entregando 12 copos cheios para cada um deles, elevando o décimo terceiro ao alto “Ao Olho Tonto!”
- Ao Olho Tonto! - eles disseram e beberam.
- Ao Olho Tonto - ecoou Hagrid, um pouco tarde, com um soluço.
Música desse capítulo: ERA – The Mass