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3. Capítulo 03


Fic: O passado bate à porta FW-HG Short


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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- E vai dizer que ele não teve mais ninguém além de mim? – ela perguntou rancorosa.


- Eu não disse isso. Você ficou fora por muitos anos. Claro que ele teve outras mulheres, mas ele também não ficou jogando isso na sua cara. Desculpe, amiga, entendo sua dor, mas você pegou pesado dessa vez. Sabe, os dois são completos idiotas. Ao invés de sentar e conversar... Não... ficam se machucando.


Ela saiu e foi seguida pelo noivo e pelo irmão.


Hermione atirou-se na cama e chorou.


****************************************************************


Recusando-se a falar com seus amigos, Hermione permaneceu fechada em sua casa durante os dias seguintes. Se ela colocasse o Chapéu Seletor, sem dúvida ele gritaria: SONSERINA.


A dor que viu nos olhos de Fred não valia sua vingança. Ela não poderia fazer isso com ele. Era quinta-feira e o dia estava quase acabando. Rapidamente ela se trocou e aparatou em frente à loja Gemiliades Wesley.


Ainda estava bem movimentada, considerando-se que a maioria das lojas já estava fechando. Ela entrou olhando atentamente todas as novidades e como as pessoas se divertiam simplesmente por estarem lá. Parou ao ver ao fundo Fred lendo alguma coisa de forma compenetrada. Ela não podia negar que adorava toda a alegria e risadas que ele proporcionava, há muito eram motivos de admiração. Mas vê-lo com aquele ar... era a combinação perfeita.


Fred lia aquele pergaminho pela terceira vez. Ou quarta? Começaria novamente a confusão, distração... Já tinha passado por isso uma vez e não queria passar novamente. De repente, sentiu-se olhado e parou de ler o pergaminho. Ele respirou mais fundo. Não podia acreditar que era Hermione. Como se esquecido de toda raiva e rancor, ficou parado ali.


Ela aproximou-se, sentindo-se a mais idiota das mulheres. Você não tem mais 16 anos, Hermione.


- Fred.


- Hermione.


Jorge chegou carregando uma caixa e a depositou sobre o balcão e ficou observando os dois esperando por feitiços ou gritaria.


- Será que... podíamos conversar – ela olhou para Jorge em sorriu sem graça – conversar em particular?


Ele pensou em recusar, mas Jorge tomou a iniciativa:


- Claro que ele pode! Estamos quase fechando e eu com os outros funcionários podemos dar conta.


Fred deu a volta e andou para sair da loja. Hermione o seguiu.


- Três Vassouras? – ela perguntou.


Ainda sem falar, ele concordou e seguiram calados.


Sentaram-se em uma mesa mais afastada e permaneceram em silêncio até que fossem servidos. Cada um com seu copo de uísque de fogo.


- Fred. Me desculpe.


- Por quê?


- Eu estou arrep-


- Não. Por que fez aquilo.


- Eu estava... estou brava com você. Pelas coisas que me disse. Não consegui te perdoar.


Ele lançou um sorriu entristecido. Balançou o copo em sua mão. Respirou fundo mais uma vez.


- Não foi o que me disse cerca de uns 10 dias atrás. Nesse mesmo bar.


- Eu sei que errei, mas você também precisa entender que toda essa confusão começou por sua culpa. – ela inclinou-se sobre a mesa. Fred imitou seu gesto.


- Poderíamos ter evitado se você me deixasse explicar – ele argumentou.


- Poderíamos ter evitado tudo isso se você não me abandonasse sem motivos.


Ele bebeu um gole de seu uísque.


- Eu tinha motivos, errados... mas motivos.


- Que motivos? – foi a vez dela beber e olhar para outro lado. Não poderia chorar mais uma vez na frente dele.


Ele, então, explicou toda a história que estava presa em sua garganta há anos.


- E, por favor, não venha passar sermão. Eu já ouvi de muita gente. Inclusive de mim mesmo. – ela o olhava em silêncio sem acreditar como ele pôde ser tão... imaturo. Virou seu uísque e fez sinal para que o garçom trouxesse outro. Aquele silêncio era angustiante – Fale alguma coisa.


- Você agiu como um idiota, sabe? – a outra bebida chegou e ela deu um gole grande. Fred estava impressionado – Uma das razões de eu ter me apaixonado por você, foi porque pensei que você era mais... adulto! Mas você revelou-se um completo imbecil.


- Não precisa continuar com os xingamentos. Eu já fiz isso por muito tempo. Será que pode me desculpar?


- Sinceramente? Ainda não. – ele olhou triste para o copo de uísque.


- Tudo bem – e ele decidiu fazer como o seu gêmeo aconselhara. Iria consquitá-la novamente. Ainda a amava e a faria se apaixonar novamente – Isso será interessante – e, pela primeira vez, em anos, Hermione viu um sorriso zombeteiro no rosto de Fred. Não podendo evitar sorrir, colocou o copo na frente da boca. A mão dele repousava sobre a mesa.


- Como está? – ela perguntou com um rápido movimento de cabeça.


- Tudo bem, apenas alguns cortes.


- Eu... acho que já vou indo.


- Espere! – ele estendeu a mão, segurando na dela – Tome mais um uísque comigo.


Então, as mãos se separaram. Ambos um tanto quanto envergonhados. Ela sorriu e Fred pediu ao garçom mais dois copos de uísque.


- Onde aprendeu a beber assim? – o olhar dela pareceu vacilar e ele emendou – Tópico para um outro dia?


- Fred, acho que precisamos conversar sobre o que aconteceu... conosco nestes anos, mas...


-... Hoje não é um bom dia.


- Exatamente. Vamos, tentar conversar amigavelmente por algum tempo.


Depois de beber e conversar sobre assuntos relacionados ao crescimento da loja dos gêmeos, os dois se separaram e tomaram o caminho para suas casas.


****************************************************************


Hermione conseguiu experiência e contato em diversas áreas. Tinha muitas referências e tudo parecia interessante e promissor. Agora que iria estabelecer-se definitivamente na Inglaterra precisava de algo fixo. Apesar de ter gostado da vivência de ter viajado pelo mundo afora, seu lugar era ali. Seus pais pediram para que ela mudasse para Austrália, mas era na Inglaterra que tudo parecia certo. Era lá que tudo parecia se encaixar.


Chegou em casa com vários formulários do Ministério, sem saber o que fazer. Vestiu uma roupa confortável e abriu a geladeira. O som da garrafa de cerveja abrindo lembrava-a os países quentes que frequentou. O calor que fazia atualmente em Londres era inferior aos outros lugares, mas mesmo assim quis saborear uma cerveja.


Sentou-se no chão mesmo e jogou os pergaminhos à sua volta sem saber por onde começar. Ouviu um ruído vindo da lareira.


- Hermione?


- Fred... Tudo bem? Aconteceu alguma coisa?


- Não... ahn... eu queria saber se posso dar uma passada aí ou você está ocupada?


- Não, pode vir... só deixa eu liberar a lareira.


Ele entrou limpando-se e Hermione não pôde conter encará-lo mais do que devia. A camisa preta, com a manga arregaçada até o ombro, fazia par perfeito com a calça jeans e um sapato estilo esporte fino.


- Eu vim direto da loja.


- Quer uma cerveja? – ela perguntou virando-se para esconder  como ficou sem graça. Fred sorriu quando notou o modo como foi olhado. Talvez, tudo aquilo fosse mais fácil do que imaginara.


- Sim. Nossa... que bagunça é essa?


- Procurando trabalho no Ministério. – ela entregou-lhe a bebida – É cerveja trouxa avisou.


- Já experimentei, mas faz anos que eu não tomo. Obrigado.


Hermione sentou-se no chão e ele a imitou.


- Espere! – ela levantou-se rapidamente voltando pouco depois com vários potes levitando ao seu lado. – Não sei se está com fome! Eu estou morrendo, mas a preguiça para cozinhar está enorme. Tudo bem se comermos uns petiscos? Está com fome?


- Sim, estou. – servindo-se de um punhado de batata chips ele pegou um dos pergaminhos – Bom, acho que podemos excluir da lista Departamento de Jogos e Esportes Mágicos, certo?


- Sem dúvida! – ela atirou o pergaminho para o lado. – Assim como trabalhar área de segurança da entrada do Ministério cadastrando varinhas... Departamento de Mistérios, esse parece interessante.


Ele olhou admirado.


- Inominável? Não imaginava, mas sem dúvida deve ser bem interessante. Departamento de Transportes Mágicos? – ele perguntou já imaginando a  resposta.


- Não, obrigada! Quando fui para Índia trabalhei com um bruxo dessa área. Ele queria implantar o uso do tapete voador novamente, em larga escala. Transformar o tapete em um tipo... de avião! Sabe, o transporte trouxe?


Fred riu da hipótese de vários bruxos sentados enfileirados viajando sobre um tapete ao redor do mundo.


- Departamento para Regulamentação e Controle das Criaturas Mágicas, definitivamente sim. – ele rolou os olhos lembrando-se da mobilização que ela fez na Escola sobre a questão dos elfos.


- Que foi? Eu acho um assunto importante. – ela disse na defensiva.


- Não estou dizendo que não seja... Só nunca pensei que alguém poderia realmente se importar com... elfos domésticos.


- Eu me importo! E Harry também! Ele libertou o Dobby e Dobby ficou muito feliz com ele. Até Dumbledore me apoiou!


- Ficar na defensiva não é seu estilo, Hermione. E não estou te criticando, foi um elogio – ele piscou – Posso pegar mais cerveja?


Quando ele voltou viu que ela segurava dois pergaminhos, um do Departamento de Acidentes e Catástrofes Mágicas e outro de Execução das Leis da Magia.


Em cada pergaminho havia muitas possibilidades como trabalhar como auror, direito em magia ou feitiços experimentais. Estava apta para trabalhar em todos. Só precisava escolher.


- Você sabe que não precisa decidir tudo hoje, certo?


- Sim, eu sei... Só não quero ficar sem fazer nada muito tempo. Está sendo bom esse descanso depois de anos de estudo e trabalho.


- Mas, você passeou muito também – a voz dele um pouco chateada, ele tentou disfarçar e ela fingiu não perceber – Conheceu lugares .. pessoas...


- Sim, tive esses momentos, mas é diferente agora.


Eles encararam-se. Havia um ar de constrangimento. Eles sabiam o que estava por vir e ao mesmo tempo em que não queriam, sabiam que aquela conversa seria necessária.


- Acho que o tema dessa conversa desce melhor com um uísque. Começa você – ela falou depois de servir um copo a ambos que agora estavam sentados no sofá.


Fred tomou um gole. Ele já estava descalço e com a camisa fora da calça. Aquela imagem desleixada era uma tortura para Hermione. Os botões abertos deixavam uma visão parcial do peito dele.


- Quando Ron apareceu na loja e me encheu de porrada contando que você tinha partido, foi como se algo dentro de mim morresse. Sabe, Hermione, eu... - como ele poderia dizer que estava apaixonado no passado se esse era um sentimento ainda presente? – agi por um impulso doentio ao terminar com você e dizer aquelas coisas horríveis. Nunca tinha sentido nada parecido antes e deixei que o ciúme falasse mais alto. Eu tomei um porre, depois outro e outro. Eu fazia aparatações internacionais e comprava chaves e mais chaves de portal tentando conversar contigo. Jorge sempre ia comigo. Calado. Mas sabia que não concordava com nada do que eu estava fazendo. Até que eu parei de te procurar. Eu comecei a beber muito mais, Hermione. – ela percebeu o quanto era dolorido para ele. E, percebeu que não foi fácil para o ruivo como ela tanto imaginara. – Tive alguns relacionamentos não tão bons com mulheres que conhecia nos bares. Parei de ajudar Jorge na loja, pois sempre estava dormindo e de ressaca.


- Quando você parou? O que te fez parar? – ela perguntou. Porque também passara por esse “tratamento alcoólico”.


- Um dia cheguei em casa de madrugada, muito bêbado. Cheguei falando alto e chamando por Jorge. Ele escondia minha varinha quando eu saía para beber. Ele acordou assustado e eu comecei a brigar com ele exigindo que me entregasse a varinha – ele olhou para o copo. Via-se o quanto estava envergonhado – Ele se recusava. Eu disse que queria te procurar uma última vez. Jorge não me entregava então eu... Hermione, eu nunca realmente briguei com Jorge. Tivemos e temos nossos desentendimentos, mas... esse dia eu exagerei. Eu disse que ele estava a fim de você e que por isso não me deixava te procurar, que provavelmente vocês se encontravam escondidos,... Falei tanta merda, Hermione... Ele mandou que eu calasse a boca e fosse tomar um banho e uma poção da sobriedade. – Ela viu que ele abria a boca sem conseguir articular as palavras.


- Você bateu em Jorge, Fred?


- Sim... Quando me dei conta... ele estava com o supercílio sangrando. Tentei ajudá-lo, mas ele afastou-se. No dia seguinte, vi o corte. Ele não me deixou curar. Disse que era para que eu me lembrasse. Aquilo doeu tanto em mim. Naquele dia mesmo, eu parei de beber. Fiquei meses sem tocar em álcool.


- Você namorou alguém, Fred? – já era difícil fazer a pergunta e ouvir a resposta? Puro egoísmo, claro.


- Tive umas... ficantes. Nada sério. Tentei namorar, mas não durou mais do que alguns meses – Hermione olhou para baixo. Não gostou de saber que ele teve outras, embora fosse óbvio. Saber que não houve nada sério de certa forma a alegrou, no entanto... não seria fácil contar para ele também. – Por que partiu daquele jeito e por que se recusou a falar comigo, Hermione? Eu sofri tanto... – ele disse pegando a mão dela, tocando-a gentilmente. A garota sorriu tristemente.


- Eu não sabia disso. A forma como falou comigo... Não precisa se desculpar novamente, isso já foi esclarecido. Eu, simplesmente não conseguiria lidar com você naquele instante. A ideia de mudar para Austrália veio quando meus pais decidiram se estabelecer por lá. Foi uma saída covarde, eu sei. Só que era o que eu conseguia fazer na época. Quando cheguei lá e fui tão bem recebida, isso foi ótimo. Eu precisava me distanciar de tudo da Inglaterra. Claro que eu pensava em você todos os dias e saber que às vezes você estava tão próximo... Mas eu não podia te ver. Eu precisava me cuidar e tentar esquecer toda a dor e sofrimento. Porque, Fred, era dolorido demais pensar em você – ele deu um gole do seu uísque. Culpava-se e mesmo que, um dia, ela o perdoasse. Ele jamais conseguiria perdoar a si mesmo. – A Escola na Austrália não era em regime de internato para os maiores de idade. Foi lá que comecei a beber. Eu já tinha bebido umas cervejas, vinho, champanhe, essas coisas... mas eram em festividades e também eu era menor. Mas, lá... eu comecei a beber todo dia. E a bebida me fazia esquecer, me fazia rir. Mesmo que por pouco tempo... Quando a Escola terminou, eu continuei saindo com os amigos que fiz lá. Eu comecei a trabalhar como estagiária de uma firma de advocacia.


- E você bebia... com a mesma frequência?


- Sim, mas Katie estava sempre perto de mim. Ela sabia de toda história e ficava... me controlando.


- Ela foi o seu Jorge – eles sorriram diante da comparação – E, você, quando decidiu parar?


- É... Um dia recebi uma efetivação no cargo e saí com meus amigos para comemorar. Katie foi junto. Eu... bem... eu e o primo dela ficávamos – ela falou isso desviando o olhar de Fred e encarando seu copo – Esse dia, ele chegaria mais tarde. Eu comecei a beber demais e ignorar tudo que Katie dizia. Nós brigamos e ela acabou indo embora quando um outro cara – ela parou de falar – Fred, acho que não devo continuar com isso.


- Está na hora de deixar as coisas esclarecidas, Hermione. Sete anos é tempo demais...


- Certo... Katie foi embora quando outro cara começou a me paquerar e eu dei corda. Eu sabia que Bill estava para chegar, mas eu simplesmente não confiava nele e achava que não seria capaz de confiar em mais ninguém. Bom, ele apareceu e brigamos. Eu disse para ele ir embora, que ele queria apenas se aproveitar de mim como você tinha feito. Eu e o outro cara fomos para fora do bar... – Fred percebeu que o tom de voz dela mudou – Bom... É tão difícil falar sobre isso... Digamos que as coisas esquentaram entre nós, mas eu me dei conta do que estava fazendo. Estava bêbada, na rua, com um cara que eu nem sabia o nome... Ele não aceitou muito bem quando pedi para que ele parasse – Fred sentiu o sangue circulando mais rápido por suas veias – De repente, eu me senti sóbria, mas não conseguia afastá-lo. Eu não alcançava minha varinha, então senti que ele foi abruptamente afastado de mim. Bill o puxou pela camisa e depois o estuporou. Caí nos braços dele em prantos. Ele me levou para casa e cuidou de mim. Aceitou minhas desculpas, mas uma semana depois eu parti para estudar feitiços de cura na Itália.


- Hermione...


- Não foi sua culpa, Fred – o ruivo viu sinceridade no olhar dela, só que novamente era ele que culpava a si mesmo.


- Então eu comecei a viajar pelo mundo fazendo cursos, estudando e me aperfeiçoando em diferentes áreas. Praticamente tudo me interessava.


- Menos tapetes mágicos – Fred falou tentou amenizar o clima.


- Menos tapetes mágicos – ela concordou sorrindo.


- Você namorou, Hermione? – agora era a vez dela falar. E, depois de tudo que compartilhou com Fred nas últimas horas, tinha certeza que ela o magoaria.


- Teve Bill, não chegou a ser um namoro, mas ficamos um bom tempo juntos. Depois por muito tempo não consegui realmente me envolver. Não era justo com o outro.


- Justo?


- Fred... eu só pensava em você. – ela falou assumindo sem medo seus sentimentos. Eles estavam sentados mais próximos agora e ele pegou um cacho do cabelo dela. Enrolava-o pelo seu dedo para soltar e depois enrolar novamente.


- E a história do Roberts? Você realmente ficou com ele ou falou só para me provocar? Eu leio jornal sobre esportes e nunca li nada sobre você nos jogos ou se relacionando com ele. Esse é o tipo de manchete que daria uma capa.


- Não foi nada inventado, Fred – o dedo dele parou com o movimento – Eles não contaram para ninguém sobre minha presença e havia um contrato mágico. Por causa do meu trabalho de cura. Eu entrava e saía dos jogos diretamente na tenda da Seleção. Dois anos atrás eu fui para Bulgária. Ainda me correspondia com Victor ocasionalmente. Nessa época, estava terminando um curso de poções e feitiços medicinais na Grécia. Como expliquei estava me especializando em feitiços rápidos de cura, como estava indo encontrá-lo foi que eu tive a ideia de aplicar esses feitiços em jogadores. Cheguei lá e ele estava treinando. Houve um acidente com um dos jogadores búlgaro. Eu o curei e eles gostaram da minha eficiência. Então, Krum me chamou para conhecer os jogadores da Seleção, já que o campeonato estava próximo de começar.


- E quanto a Roberts?


- Bom... eu saí algumas vezes com o time. Nós dois nos demos bem e conversávamos muito. Eu não tenho muito jeito para amigas mulheres. Sempre me dei melhor com amizades masculinas. Quando aceitei ir, estava pensando apenas profissionalmente.


- E o que mudou? – Fred indagou com o dedo ainda segurando o cabelo dela.


- Ah Fred... Aconteceu que... – como ela poderia dizer – Eu o namorei, Fred. Ele soube sobre nós e pediu uma chance. Eu precisava dar essa chance para mim.


- Entendo - a voz séria. Ele não queria saber de mais nada, no entanto não conseguiu evitar a pergunta seguinte – Quanto tempo?


- Quê?


- Por quanto tempo vocês namoraram, Hermione?


- Fred, eu acho que isso realmente não é necessário agora.


- Por favor, me responda.


- Pouco mais de um ano e meio. – Fred tirou a mão do cabelo dela e serviu de mais uísque. O rosto pensativo.


- Então... vocês terminaram...


- Alguns meses atrás – ela completou querendo acabar com aquela agonia.


- Por que terminaram? E nem tente fugir dessa pergunta. Sei que é ridículo o que eu vou falar e com certeza você discorda, mas eu me sinto no direito de saber.


Ele a olhou atentamente estudando cada movimento do rosto dela. Os olhos encarando o vazio. A mão que segurava nervosamente o copo. Os pés batendo ritmicamente no chão.


Hermione suspirou.


- Keith me pediu em casamento, Fred – o ruivo levantou-se abruptamente. O copo na mão direita e a mão esquerda esfregando o cabelo. Ele tentava se acalmar juntando recortes da história em sua cabeça. O ciúme o dominando novamente. Tomou outro gole do uísque. Os pés caminhando para um lado e para o outro. Hermione observava do sofá. Nunca o tinha visto tão transtornado. A respiração dele era curta e rápida. Ela estava ali. Solteira. Sem parar de andar, ele perguntou em tom de confirmação:


- Não estão mais juntos? Mesmo?


- Não, Fred – aos poucos ele foi se acalmando e depositou o copo sobre a mesa.


- Hermione, é melhor eu ir embora.


- Não quero que vá desse jeito – ele viu que ela estava realmente preocupada. Aquilo aqueceu seu coração. Puxou o ar longamente, aspirando o cheiro dela.


- Estou bem. Só foi muita informação para uma noite. Preciso ir para casa. Acho que precisamos pensar sobre o que conversamos. Hermione, eu... – ele não conseguia dizer. Queria tanto, mas também achava arriscado que as coisas fossem demasiadamente apressadas. Ela pareceu compreender. Acompanhou-o até a porta.


- Antes de você ir preciso contar uma última coisa.


- Ainda tem uma última coisa?


- Sim... é uma surpresa ao Harry e ao seu irmão... eu... realmente não imaginava... estava cega de raiva, Fred.


- Não estou entendendo. O que você pensou para aos dois?


- Semana que vem, no encontro da sua família... eu... foi algo que arranjei para eles, na verdade será uma surpresa.


- Hermione, fale logo.


- Eu convidei a Seleção Européia para jogar na Toca. Todos eles vêm.


Fred balançou sua cabeça em negação. Não podia acreditar naquilo. Antes que fizesse algo que se arrependesse, despediu-se rapidamente e aparatou.


****************************************************************


Por um acordo não-verbal, Hermione e Fred, ficaram o resto da semana sem se encontrarem ou se falarem.  Ela aproveitou para dedicar seu tempo na escolha de sua carreira.


A decisão estava quase tomada quando uma coruja característica do Ministério chegou voando e entregou-lhe um envelope azul. Era do chefe de Departamento de Cooperação Internacional da Magia. Ela havia entregado um currículo lá e era exatamente o Departamento que estava pensando em ingressar. O bruxo responsável dizia ter ficado impressionado com o currículo e que ela seria de grande auxílio na Confederação Internacional dos Bruxos por ter tantos contatos.


Hermione respondeu confirmando a reunião para meados de agosto. Se desse tudo certo, até o casamento dos amigos. Ela estaria empregada. Foi até a Floreios e Borrões, evitando a todo custo entrar na loja dos gêmeos. Comprou alguns livros referentes a tratados internacionais e decidiu passar o sábado enfiada em casa. Domingo seria um longo e complicado dia.


Hermione havia ficado de encontrar Harry no Largo Grimmauld e juntos irem para Toca. Ele entrou no carro e ficaram conversando até que ele perguntou:


- E as coisas com Fred?


- Aos poucos estamos nos acertando. Tentando, pelo menos, conviver de forma amistosa.


- Amistosa? E você quer a amizade dele, Hermione?


Ela olhou rapidamente para o lado e viu o sorriso maroto do amigo, não pôde evitar sorrir antes de ficar atenta a estrada. Harry sabia que seria mais fácil aparatar, só que com a correria do casamento e a confusão entre ela e Fred pouco conversaram. E ele também apreciava a vista do percurso.


Como Hermione imaginara, ela foi de pouca ajuda para Gina. Mas as duas amigas combinaram de se encontrar na próxima semana para detalhes finais do vestido de noiva e seleção das músicas.


Hermione aproximou-se da casa e disse:


- Harry, preparei uma surpresa para você e Ron...


- Nossa, Mione! E é com esse ânimo que você me avisa?


- Desculpe... Mais tarde você vai entender.


Eles entraram na casa e foram recebidos por abraços e beijos entusiasmados de Molly. Estão todos lá no fundo organizando um jogo de quadribol. Os dois entraram e Gina veio correndo receber Harry. Ela admirava e não tinha problema em assumir que invejava o amor dos dois. Eles se viam praticamente todos os dias, estavam juntos há anos e mesmo assim, o cumprimento deles era como um casal de recém namorados.


Fred viu Hermione chegando acompanhada de Harry e esperou para cumprimentá-la. Ela estava vestida de maneira bem casual. O cabelo preso em um longo rabo de cabelo com uns fios soltos ao lado do rosto. Uma calça jeans e uma regata. O ruivo sentiu seu corpo responder no mesmo instante. Linda. Tão mulher. Depois ele notou que a blusa que ela usava era frente única. As costas nuas trouxeram-lhe lembranças mais do que agradáveis. Sabia que o tempo que não se viram era necessário, mesmo assim, xingou-se em pensamento.


- Olá, Hermione.


- Tudo bem, Fred? – ele deu de ombros como se dissesse que as coisas estavam indo. Rony chegou correndo e interrompeu a conversa e a troca de olhares. Harry veio logo depois.


- Harry falou que você tinha uma surpresa para nós – os dois estavam tão curiosos que não repararam a mudança na fisionomia de Fred. Tentando disfarçar, ela olhou para o pequeno relógio de pulso e depois para o céu. Eles acompanharam a amiga sem entender.


- A surpresa de vocês está para chegar... – ela ainda tinha o rosto voltado para o céu – Ali! – Hermione apontou e todos olharam vários pontos se aproximando.


- Por Merlin, Hermione... – Harry foi quem primeiro conseguiu falar.


Todos olharam para cima. Carlinhos então entendeu quem se aproximava e a vassoura que estava em sua mão foi ao chão.


- É a Seleção Européia de Quadribol?


Jorge era o único que tinha sua atenção voltada ao gêmeo. Quando a equipe pousou, Hermione aproximou-se dos gêmeos e falou dirigindo suas palavras para Fred:


- Não há mais nada entre mim e ele. Apenas amizade... – Fred sabia que ela tentava tranquilizá-lo, mas não conseguiu. Hermione tomou a frente do grupo e cumprimentou a equipe, enquanto os outros estavam parados boquiabertos – Bom dia! Nossa... nem acredito que realmente puderam vir!


Victor aproximou-se e disse:


- Claro que viemos! Além da nossa amizade sabe que ganhamos o campeonato graças a você – eles se abraçaram. O búlgaro cumprimentou Harry, Ron e depois foi apresentado para os outros. Molly e Artur, que haviam saído da casa instantes antes, também não acreditavam que no jardim da casa deles estava a Seleção Européia.


Fred cumprimentou Krum de forma fria. Sua atenção estava voltada para Roberts. Claro que o conhecia. O goleiro veio andando sem tirar os olhos de Hermione. Jorge tinha a mão no ombro de seu gêmeo. Os outros se cumprimentavam alheios à pequena guerra que poderia estourar a qualquer momento.


Apesar de querer evitar uma confusão, Hermione nunca poderia deixar de cumprimentar Keith. Ele fora alguém muito importante em sua vida. Ele vinha com um sorriso sensual nos lábios. Era alto e forte, como exigia a posição de goleiro. Os cabelos eram claros e com olhos castanho-esverdeados. Ele puxou Hermione pela cintura para um abraço apertado. Fred, que estava pouco atrás de Hermione, viu quando Roberts fechou os olhos e sorriu. Ele estava verdadeiramente feliz. Fred também viu quando ele segurou o rosto dela olhando cada detalhe. Cada traço. Conferindo se estava tudo bem. Depois, a puxou para um novo abraço. Aquilo matava Fred. Talvez fosse pior que sexo casual. Tentou se convencer durante a semana que ele seria como a maioria dos jogadores, querendo se aproveitar de Hermione. Casar apenas para ter uma mulher fiel, inteligente e bonita para as revistas. Mas, não. O filho da puta realmente gostava dela.


Não conseguiu deixar de ouvir o que ele falava, embora não passasse de um murmúrio. Não conseguia, porém, ouvir as respostas dela.


- Senti tanto sua falta. – ela ainda nos braços dele – Como você está? E o emprego? Você repensou sobre aquela história... sabe que só você poderia realmente me fazer feliz – ela respondeu algo que fez com que ele olhasse para Fred. O sorriso no rosto do goleiro desapareceu.


Então, depois de um tempo que pareceu uma eternidade para Fred, eles se separaram. A mão de Jorge ainda sobre o ombro do irmão tornou-se um aperto um pouco mais forte quando viu Roberts se aproximando.


- Keith Roberts – e estendeu a mão.


- Frederick Weasley – sem entender a mão.


- Ouvi muito falar sobre você – os outros Weasley, que não sabiam sobre o envolvimento de Hermione com um dos gêmeos, ficaram olhando sem entender por que os dois se fuzilavam com olhares.


- E eu não posso dizer o mesmo sobre você – Hermione o olhou e murmurou seu nome. Keith soltou o ar de forma irônica.


- Antes não me conhecer do que saber as coisas que você aprontou.


Harry rapidamente empurrou Rony entre os dois.


- Esse é Ron! Ele costumava jogar como goleiro em Hogwarts. – enquanto isso, Jorge afastou Fred dali. Carlinhos e Gui encararam-se tentando entender o que haviam perdido, então seguiram os gêmeos.


Hermione chegou na roda dos irmãos Weasley e entendeu que os dois mais velhos agora sabiam da história. Aquilo não a perturbou.


- Fred, podemos conversar um instante?


Ele acompanhou-a até um ponto mais afastado. Hermione o olhou sem saber da onde tinha vindo a coragem de falar o que pretendia. Talvez depois de tantos anos fugindo... ela simplesmente não aguentava mais.


- Toda a merda que aconteceu entre nós foi porque não conversamos. Eu tomei uma decisão que não deixaria mais as coisas ficarem sem ser ditadas e esclarecidas. – ele a interrompeu


- Ótimo! Por que acho a mesma coisa! – ele estava nervoso e se contendo, ela sabia – Minha vontade é ir agora mesmo até aquele bastardo filho da puta e quebrar a cara dele!


- E por quê? Faz anos que não temos nada! Aliás, só uma noite não é? Uma virg- ela não pôde terminar a frase. A mão dele foi e encontro à boca dela.


- Nunca mais, por favor, nunca mais repita isso. Eu já me torturei de mais e ouvir você repetindo – ele afastou a mão da boca dela – só torna as coisas piores. Não foi só uma noite. Espere. – ele a interrompeu - Você veio aqui para falar, mas eu te devo isso. Eu falo. Eu era completamente apaixonado por você – Hermione sentiu seu coração sangrar. Ele era. Hermione olhou o chão – Sem arrependimentos... Eu precisava ter você por aquela noite e queria que fosse pelo resto da vida. Na verdade... – ele deu um passo e elevou o queixo dela fazendo que seus olhos se encontrassem – Eu fui apaixonado por você todos esses anos. Ainda sou, Hermione. Por isso quero socá-lo. Por pegar algo que seria meu. Eu que iria te propor. Eu que preciso te abraçar daquele jeito. Eu, Hermione. – os dedos que estavam no queixo foram até a nuca e ele aproximou seus lábios do dela.


Hermione sorriu. Fred sorriu. O coração de ambos batia de forma descompassada.


- Hermione! – era Keith quem chegava.


- Porra... – Fred falou com os lábios ainda próximos. Hermione olhou para o antigo namorado. Sabia que ele estava magoado.


- Espere um instante – ele observou ao longe enquanto os dois conversavam. Krum aproximou-se dos dois acompanhado de Harry que foi falar com ele.


- Venha, Fred. Vamos jogar um pouco.


Molly, Artur e Hermione observaram o jogo. Eles haviam misturado os times, afinal os melhores jogadores da Europa estavam presentes. Harry, como bom estrategista, colocou Keith e Fred no mesmo time.


Quando o jogo terminou, depois de autógrafos e fotos o time preparou-se para partir.


- Juro, Weasley, que se você a magoar mais uma única vez... teremos contas a acertar e pode ter certeza que não ligarei a mínima para o que a mídia falar de mim.


Fred pensou em rebater comentário com sarcasmo. Porém, mudou de ideia. O outro estava apenas sendo protetor. Como um gesto de paz, ele ofereceu uma caixa de bombons. Especialidade da sua loja. Digamos que foi um gesto de paz ao jeito Fred e Jorge de resolver as coisas.


Após o almoço, todos estavam esticados no jardim aproveitando o sol.


Hermione e Fred combinaram de se encontrar aquela noite para resolverem as coisas. Conversar. E continuar o que haviam quase começado. Ela despediu-se e ofereceu carona para Harry, que recusou. Passaria aquela noite na Toca.


Hermione seguia a estrada deixando o por do sol atrás de si. Ela pensava o quanto aquela viagem e sua volta tinham sido diferente do que imaginara. Para melhor, claro. Sorriu. Fez a curva na estrada e tentou brecar. Um carro vinha na contramão. A direção perdeu o controle. O carro derrapou quando tentou frear. Viu a grama no lugar do céu. E viu o solo azul. De repente, escuridão e o som ensurdecedor de uma buzina que não parava de tocar.  


 


***


Não me matem... a fic se estendeu um pouco mais do que eu imaginava... Falta apenas o epílogo!

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