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28. Hogwarts em Guerra


Fic: Harry Potter e o Amuleto de Merlin


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Oi, pessoal. Estou triste, triste mesmo. Com vontade até de excluir minha conta de autora desse site. Fala sério, o último capítulo teve apenas um comentário, e da única que realmente sempre comenta. Obrigada, Ayla!


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Capítulo vinte e oito


Hogwarts em Guerra



            Harry, Rony, Hermione e Ana, tristes com a morte de um amigo que fora tão prestativo na sua missão, voltavam de avião para a Inglaterra. Era noite, mas nenhum deles conseguia dormir. Estavam também preocupados por não terem conseguido fazer as quatro partes do Amuleto de Merlin se unirem. Ele só se tornaria a arma capaz de vencer Voldemort quando as quatro partes se unissem em uma, juntando o poder dos quatro elementos e dos quatro animais mágicos, tornando-se o Amuleto, assim, a maior arma mágica de todos os tempos. Em certo momento, os quatro olharam um para os outros, em expectativa. Ao mesmo tempo tinham sentido seus medalhões com o Feitiço de Proteu brilharem. Leram a mensagem e ficaram assustados.


Membros da Ordem, comunicamos que a sede da Ordem da Fênix foi invadida, e por motivos de segurança a sede foi transferida para um casarão, o n°20, em Landon Place, nos arredores de Londres.


Aquela informação tão resumida os deixou ansiosos. Não dizia nada do que tinha acontecido com as pessoas que moravam na casa e que por certo lutaram contra os invasores. Rony era o mais aflito de todos, afinal eram os seus pais que estavam morando no Largo Grimmauld.


Ao chegarem na Inglaterra, a primeira coisa que fizeram foi encontrar um lugar discreto para viajarem rumo Chave de Portal para o lugar indicado no medalhão. Apareceram numa rua totalmente deserta e com casarões antigos, todos em ótimo estado de conservação. O nº 20 era um casarão bastante conservado e com aparência de casa pertencente a uma família antiga e tradicional, em formato de E, ou seja, com três alas, uma central e duas laterais, com um belo jardim na frente. Era rodeado por um muro alto e tinha na frente um portão de ferro trabalhado. Aquele lugar ficava nos arredores de Londres e numa região tipicamente rural. Eles bateram cautelosamente a antiga aldrava em forma de cabeça de leão no portão e esperaram, nervosos e impacientes. Por trás do portão um elfo doméstico fêmea de aparência bem cuidada e feliz aparatou. Eles se entreolharam, temerosos de terem errado. Quando os imensos olhos verdes da elfo olharam para Ana, eles se encheram de lágrimas. A elfo abriu o portão rapidamente e se abraçou aos joelhos da garota, dizendo:


— Minha senhorinha... Minha senhorinha querida... Ladysa achou que nunca mais ia ver a senhorinha dela... Ladysa pensa que Deus foi muito bom para ela...


Ana olhou para os outros, sem compreender nada. Mas a elfo já a arrastava para dentro da propriedade e os outros as seguiram, sem saber mais o que fazer. A elfo não parava de agradecer a Deus e louvar a “sua senhorinha”. Ana sentia pena, achando que a pobre elfo estava com alguma doença mental. Atravessaram o belo e longo jardim, que tinha alamedas e fontes, e enfim foram até a casa. As três alas eram enormes, todas com três andares, sótão e telhado de ardósia azul e um monte de chaminés, bem ao estilo das antigas casas de campo inglesas da época da Regência. Na ala principal, na parte central, tinha uma varanda e escadas que levavam à porta imensa da casa, e por ela os cinco entraram. A casa era muito elegante por dentro, cheia de móveis de madeira-de-lei sóbrios e em estilo de casa de campo inglesa, com muitos enfeites bonitos. Nesse instante, como um vendaval, um furacão ruivo entrou por uma das portas que davam para o hall enorme e abraçou Rony com tanta força que ele quase se sufocou.


— Molly, cuidado com o garoto, você irá matá-lo! — disse Sirius.


Pela mesma porta entraram Arthur, Tonks, Sirius, Aberforth, Gui, Fleur e, para a surpresa deles, Olivaras. Foi uma festa de saudações, abraços e demonstração de carinho. Rony finalmente se tranquilizou ao ver que seus pais estavam bem. Enquanto tomavam chá com bolinhos, biscoitos, sanduíches e tudo o mais que um bom chá da tarde inglês poderia oferecer, eles conversaram bastante. Harry, Rony, Hermione e Ana escutaram o relato da invasão ao Largo Grimmauld, que acabara por transformar Olho-Tonto Moody em um lobisomem, e eles contaram sobre sua trágica aventura na Noruega, que resultara na morte de Vítor Krum. Quanto ao fato de Olivaras estar com eles na mansão, quando tinha sido sequestrado por Belatriz Lestrange, foi Kingsley quem descobriu o cativeiro através do Comensal que tinha capturado para interrogatório. Belatriz não estava no momento do resgate, por isso ela ainda estava viva e servindo ao seu Lord. Uma notícia boa foi a de que Fleur estava grávida de um mês. Os Weasley estavam em polvorosa com a iminente chegada do primeiro neto e sobrinho.


Como o Amuleto de Merlin não era um tabu, como as Horcruxes, eles contaram sobre ele e todos ficaram felizes pela reunião das quatro partes perdidas e separadas. Quando a elfo viu as quatro partes do Amuleto de Merlin, pôs-se a chorar, como quando vira Ana. Sem entender, ela olhou para Aberforth, perguntando:


— Não entendo, Abe. Por que a elfo chorou quando me viu? Ela me chamou de “sua senhorinha”, e olha agora como chora com o Amuleto... Quem é ela, Abe? Deve pertencer a essa casa. De quem é essa casa, na verdade?


Aberforth sorriu.


— Essa casa, Ana, é sua. É Gryffindor Manor, a casa de campo ancestral dos Gryffindor. Durante todo esse tempo, Ladysa, a elfo doméstica de sua família, cuidou com todo o carinho da propriedade. Eu sou o fiel do segredo daqui desde antes de Voldemort chegar ao poder na primeira vez. Desde o século XVII essa casa pertence aos Gryffindors, desde que eles se mudaram de Godric's Hollow para Londres. No século XVII só existia essa casa nessa região, na verdade era uma fazenda de vários acres de extensão, mas os Gryffindors foram vendendo aos poucos as terras e só ficaram com a casa e uma pequena extensão de terra, pois quiseram se mudar para a casa de Londres, Gryffindor House, em Mayffair, o bairro dos aristocratas londrinos. O primeiro Gryffindor a morar aqui foi Lorde Frances Gryffindor, conde de Gryffindorbrough. Era o avô de seu trisavô.    


Ana ficou estática. Logo, olhou para tudo e se emocionou. Aquela casa fora de seus pais, dos seus ancestrais desde o século XVII. Ali, naqueles móveis e bibelôs, podiam estar guardados o carinho, o senso de cuidado e decoração de sua mãe...


— Estou tão emocionada, Abe... Estar aqui vai ser como... sentir mais a presença deles... a maneira como decoraram a casa, a disposição das coisas... Tudo pode ser uma indicação de sua personalidade, que não me foi permitida sentir... Estou muito feliz...


Ela se voltou para a elfo, que a olhava com claro amor nos olhos enormes. Ajoelhou-se ao lado da elfo e a abraçou. Ladysa soltou um guincho e gritou:


— Ai, que honra para Ladysa, receber um abraço de sua senhorinha! Ladysa vai sempre lembrar de um gesto tão nobre, tão... maravilhoso... A senhorinha de Ladysa era tão pequena a última vez que Ladysa viu ela... Tão bebê e tão inocente... Ladysa viu o sofrimento dos pais de sua senhorinha por ter que se desfazer dela...


— Como você soube que era eu, Ladysa? Como percebeu quem eu era se não me via desde bebê?


A elfo deu um grande sorriso e, puxando Ana pela mão — e as duas foram seguidas por todos os demais — levou-a até outra sala, maior que a que estavam, que tinha um quadro enorme na parede, sobre um aparador. Era uma mulher linda e altiva que, se não fosse as roupas bruxas e a idade, aparentemente na faixa dos trinta, seria uma cópia exata da garota. Ana ficou abismada com a semelhança. Foi Aberforth quem esclareceu a identidade do retrato.


— Essa é Morgana de Macquay-Howell Gryffindor, Ana, sua mãe, a descendente do grande Merlin. Minha grande amiga e comadre.


Ana, que jamais vira uma imagem sequer de sua mãe verdadeira, caiu nos braços de Aberforth, chorando de emoção.


Mais tarde, acalmados os ânimos, todos continuaram a conversa de onde tinha sido parada.


— Abe, foi aqui que... que Voldemort matou meus pais?


— Não, minha querida, se fosse, não poderíamos ter vindo para aqui, pois seria um lugar lógico onde ele procuraria você, já que você ganhou o direito de posse a toda a sua herança. Morgana e Allan, desde que souberam que Voldemort vinha sondando sobre eles, passaram a morar aqui, onde eu era o fiel do segredo da casa. Mas eles eram muito teimosos! No lugar de ficar onde estavam seguros, foram para a casa de Londres, pois Allan, como conde, tinha que comparecer ao Parlamento Bruxo. Falei a eles que suas vidas eram mais importantes que uma reunião política, mas ele não me escutou, e levou você e sua mãe com ele. Gryffindor House não estava sobre o Segredo do Fiel, como Gryffindor Manor, e já era de se esperar que Voldemort aproveitasse a ocasião, pois queria o Amuleto de Merlin, o livro e você, talvez por você ser herdeira de Merlin. Na mesma noite em que se mudaram, a casa foi invadida, e o resto você sabe.


— Sim... — murmurou a voz trêmula da elfo. — Ladysa estava lá, com eles, quando o homem feio entrou na casa... Ladysa usou magia élfica para proteger a senhorinha dela enquanto o Sr. Allan e a Sra. Morgana faziam o feitiço que enviava os pedaços do Amuleto para longe, e logo o feitiço que levava a minha senhorinha para longe, para um lugar chamado Brasil... Com isso, os senhores de Ladysa não tiveram tempo de se defender do ataque do homem feio e mau. E aí ele matou eles.


— Quer dizer que ele descobriu sobre o Amuleto... — murmurou Ana, triste com o relato de Ladysa. Virou-se para Aberforth. — Mas você disse que o livro de Merlin e o Amuleto era algo tão protegido que até a existência dele era conhecida por poucos... Como então Voldemort descobriu? E como me achou, depois de tantos anos?


Com ar de pena, ele olhou para Ladysa. A elfo empalidecera e ficara com expressão de horror no rosto.


— Pobre Ladysa... Para saber coisas sobre a família Gryffindor, Voldemort usou, nas duas ocasiões, Legilimência e a Maldição Imperius contra ela. Quando ele leu a mente dela, descobriu sobre o Amuleto, e por isso passou a perseguir os Gryffindor. Quando seus pais morreram, e a pobrezinha ficou sozinha em Gryffindor House, ele a forçou a dizer, totalmente contra sua vontade, o lugar para onde você fora mandada. Mas como o Brasil é muito extenso, além de você ter mudado de nome, ele demorou esses anos todos para te encontrar, como eu.


A elfo, agora, chorava bastante. Ajoelhou-se aos pés de Ana, berrando.


— Ladysa má! Não merece a senhorinha dela! Devia ter se matado pelo que fez! Ladysa má envergonhou a espécie dos elfos domésticos e a família dela, que trabalha para os Gryffindor desde Godric Gryffindor!


Ladysa passou a se bater com um vaso. Ana segurou o vaso longe dela e Aberforth segurou a elfo, para evitar que tornasse a se machucar.


— Ladysa, querida, você não tem a mínima culpa! Você não traiu ninguém, o que ele soube foi tirado de você à força! Eu gosto de você, muito obrigada por ter tomado conta de minha casa direitinho durante todos esses anos...


A elfo, enfim, parou de chorar. Aberforth falou:


— Coitadinha, depois de tirar as informações dela à força, Voldemort a torturou com a Maldição Cruciatus. Quando foi matá-la, ela conseguiu fugir dele, usando a magia dos elfos para vir para cá. Quando eu soube de tudo, é claro, era tarde demais. Ela me deu a parte do Amuleto de Merlin a mim destinada pelos Gryffindors e falou o que tinha acontecido, e foi aí que eu soube que você estava no Brasil e passei a procurá-la. Imagine meu medo que Voldemort te achasse primeiro! E na verdade foi o que aconteceu, mas por uma fração de minutos. Se eu tivesse demorado mais um pouco para ir até a sua casa, Rabicho teria te matado.


Ana ficou sem expressão por um tempo, os olhos perdidos em outra época e outro lugar, tão diferente do que vivia hoje em dia. Entretanto, apesar dos perigos que vivia atualmente, não gostaria de voltar à vida que tinha antes de descobrir a verdade sobre si mesma. Daquela época só queria guardar os conhecimentos aprendidos e a lembrança dos queridos pais adotivos. Seria a única coisa que gostaria que fosse diferente, queria que eles desfrutassem da vida que poderia lhes oferecer hoje em dia. Eles eram pessoas tão interessantes, gostavam tanto de coisas diferentes, que adorariam saber sobre a existência do mundo bruxo.


De repente, Hermione fez sua “cara de Mione”.


— Harry, me dei conta de algo! Aberforth disse que o pai de Ana, Allan Gryffindor, era o Conde de Gryffindorbrough. Então, se você é o único descendente masculino dele, e por isso seu herdeiro, você é o herdeiro do título! E de algumas das propriedades vinculadas a ele.


Na mesma hora Harry avermelhou. Se já não bastasse sua cicatriz e sua fama, agora herdaria uma p*** de título de nobreza!


— Não quero! Nem propriedade alguma, pois, para mim, elas pertencem todas a Ana, pois ele era pai dela! Muito menos esse título!


— Você não tem como opinar sobre isso, Harry. No sistema bruxo de passagem de títulos, o herdeiro não tem a mínima escolha. Ele o recebe independente de sua vontade ao completar sua maioridade. Você já devia ter recebido... Talvez tenha havido alguma demora e confusão nos papéis, pois você é um descendente distante, poucos sabiam do seu parentesco com os Gryffindor. E depois, com Voldemort no controle do Ministério, esse tipo de questão deve ter sido relegada.


Rony teve de rir.


— Lord Harry... ou então Lord de Gryffindorbrough! Ah, Harry, você não vai querer que te chamemos assim, não, meu senhor? — ele se ergueu e fez uma debochada mesura. — E teremos de nos curvar ante o grande conde?


— Rony! — disse Harry, ainda mais vermelho. — Se você não parar com suas gracinhas, vou te bater!


Todos riram.


Mais tarde Harry teve também uma conversa particular com Olivaras. Ele estava com medo da reação entre sua varinha e a de Voldemort, por elas terem núcleos gêmeos e reagirem tão mal uma com a outra. O bruxo, entretanto, o tranquilizou. Falou-lhe sobre o poder de escolha e o espírito verdadeiro que cada varinha tinha. Se a varinha tinha escolhido Harry, tinha um grande motivo por trás disso e ela não iria abandoná-lo. No momento certo ela revelaria a ele através de suas ações o porquê de sua escolha. Nada no destino acontecia sem ter um bom motivo para isso, e ele deveria esperar e confiar. Os núcleos gêmeos ainda poderiam se revelar uma benção, e não uma maldição.


Mais tarde, quando estavam enfim sozinhos, Harry, Rony, Hermione e Ana puderam conversar sobre o maior problema do momento. A destruição de Nagine, uma das Horcruxes, e algo ainda pior: saber qual era a próxima Horcrux e onde ela estaria.


— A gente não tem muito mais tempo... — disse Harry. — Sinto a aproximação da batalha final... É como se ela estivesse apenas à espreita. Se formos para a batalha munidos apenas do Amuleto de Merlin não conseguiremos derrotar Voldemort e perderemos a maior, talvez a única chance de derrotá-lo. Ele só poderá morrer se todas as suas horcruxes forem destruídas. E ainda faltam duas, uma delas desconhecida... Ainda bem que ele não sabe que destruímos quatro das Horcruxes. Eu saberia se ele descobrisse, seu medo e cólera seriam tão grandes que nem com toda a Oclumência do mundo eu conseguiria me impedir de sentir.


Hermione, sentada com a cabeça de Rony em seu colo — ele estava deitado na cama — franziu as sobrancelhas.


— Temos que fazer uma ligação entre as Horcruxes já destruídas... Perceber algo em comum entre elas, não sei... Talvez alguma conexão...


— Bem — disse Rony — sabemos que duas delas não têm ligação com nenhuma das outras... A primeira, o diário, foi mais uma tentativa, ver se conseguia confeccionar uma Horcrux, se dava certo. E Nagine ele fez para ter uma ligação profunda com a cobra, de modo a conseguir usá-la como seus olhos e ouvidos... Pelo menos isso é o que eu penso...


Hermione e os demais olharam para ele impressionados. O amadurecimento intelectual de Rony vinha aumentando muito com a passagem do tempo.


— As outras... — disse Ana com os olhos perdidos. — Bem, as outras ele fez apenas como salvaguardas da vida... Já sabia que poderia fazer, e bem feitas... Olhem os objetos que ele usou para a confecção... Apenas coisas mágicas poderosas, pertencentes a pessoas importantes ou pelo menos descendentes de pessoas importantes... O anel dos Gaunt e Peverel... O Medalhão de Slytherin... A Taça de Hufflepuff... O Diadema de Ravenclaw... A próxima Horcrux deve ser algo igualmente mágico e importante... Ah, notem uma coisa. O anel dos Gaunt e Peverel pertenceu a um descendente de Salazar Slytherin, bem como o Medalhão. O Diadema, a Rowena Ravenclaw. A Taça, a Helga Hufflepuff. Então, para mim, está claro que a próxima Horcrux tem que ser algo pertencente à Godrico Gryffindor.


— Seu raciocínio é muito bom, Ana, mas há apenas duas coisas que pertenceram a Gryffindor, hoje em dia. A Espada de Gryffindor e o Chapéu Seletor. Ambos jamais demonstraram possuir qualquer resquício de magia negra, como os demais. A Espada veio a mim, um grifinório, quando eu precisei dela, e o Chapéu, bem, ele me colocou na Casa da Grifinória, ele tem classificado os alunos há séculos, feito canções significativas. Não acha que se fossem Horcruxes dariam alguma pista? Ou que Dumbledore descobriria?


— Bem, talvez os pedaços de alma estejam bem escondidos, ou que, talvez pela Espada ser tão poderosa e o chapéu tão bondoso, tenham... contido os pedaços de alma, os deixado inativos dentro de si? — falou Hermione. — Não sei, mas é a melhor pista que nós temos, e precisamos fazer alguma coisa, o tempo está correndo...


— E quanto a Dumbledore... Talvez ele soubesse, mas por algum motivo não pôde ou não quis me contar... Isso sempre foi normal para ele. Vocês sabem o que isso significa, não? — falou Harry. Todos demonstraram com o olhar que sim. — Teremos que ir a Hogwarts.


***


Voldemort estava irritado. Nada do que fizera até hoje dera certo. Sim, tornara-se o Ministro da Magia e conseguira o apoio, seja por mesmos ideais seja por ameaças, de vários setores da sociedade e de vários países do mundo. Sim, tinha mais poder do que jamais possuíra na vida. Podia tudo que quisesse, exceto, pelo visto, terminar com aquela guerra de maneira rápida e vitoriosa. Seus ideais de pureza de sangue eram aceitos por poucos, que apenas por medo não se revoltavam contra ele. O pior de tudo, entretanto, era a resistência contínua e bem-sucedida que a Ordem da Fênix e os seus maiores opositores estavam conseguindo. Houvera poucas baixas entre os seguidores dos ideais idiotas de Dumbledore, enquanto que ele perdia Comensais como quem perdia cabelos. Estava mais difícil do que nunca arregimentar Comensais que realmente tivessem o dom e o desejo necessários para combater verdadeiramente. E não conseguira o que mais desejava: prender o garoto Potter.


Suas perdas se iniciaram desde que soubera parte da Profecia sobre ele e o garoto. Ao tentar matá-lo, perdera seu corpo e seus poderes por longos catorze anos. Tivera, desde que o garoto fora para Hogwarts, diversas chances de pegá-lo, e perdera todas. Desde que atingira a glória, ao se tornar o que sempre quisera, o líder da população mágica grã-bretã, bem como de outros países, só tinha perdido adeptos e sequazes, com quase nenhuma perda para a odiosa Ordem da Fênix. Não conseguira pegar a garota descendente de Merlin e o Amuleto, nem quando era uma pirralha nem depois de adulta. Tivera o livro de Merlin roubado sob seu nariz. E nem a última tentativa desesperada de conseguir alguma coisa ao invadir a sede da Ordem da Fênix, depois de tentar por tantas vezes, dera certo, imaginara a existência dos planos que a Ordem tinha, e deviam ser perigosos para ele e seus objetivos, mas não conseguira nem eles nem causar alguma baixa, ao contrário, perdera o lobisomem que mantinha o controle sobre a maioria dos outros, fora a perda de mais quatro asseclas. Tinha que tentar alguma coisa. De repente, seu rosto viperino se iluminou com um cruel e astuto sorriso que só o deixava com mais aparência traiçoeira de cobra. Podia tentar uma última ação.


Hogwarts.


***


O ano letivo em Hogwarts estava terminando. Todos já tinham feito as últimas provas e faltava apenas uma semana para o início das tão esperadas férias, pelo menos para setenta e cinco por cento da escola. Apenas os sonserinos estavam tristes com o fim do ano letivo, o que normalmente não acontecia. As férias iriam significar menos tempo de tortura e perseguição, para eles. Os demais, entretanto, estavam aliviados. Muitos dos alunos estavam seriamente machucados, pois além das torturas dos alunos sonserinos e dos irmãos Carrow, havia as aplicadas por Filch, que finalmente tivera a oportunidade de retornar aos métodos de punição medievais que tanto valorizava. Alguns dos alunos tinham tido o plano de não voltar à escola quando as férias terminassem, mas como se pressentindo aquele plano, Os Carrow e Snape, na noite do último jantar na escola, tinham falado de maneira não muito sutil que algo muito ruim poderia ser esperado por qualquer aluno que não voltasse à escola. Suas famílias poderiam receber “medidas disciplinares” aplicadas pelo Ministério, que acusariam os pais de não se preocuparem com a educação dos seus filhos, apenas uma desculpa barata, é óbvio, como era o normal do Ministério naqueles tempos negros. As famílias de alguns alunos que tinham saído de Hogwarts logo no início do reinado de terror de Voldemort tinham sido perseguidas, e os Carrow tiveram o maior prazer em revelar aquilo aos amedrontados alunos.  


Normalmente, na última semana de aula, quando não tinha nada praticamente para se fazer, os alunos estariam aproveitando os dias quentes e ensolarados de verão. Entretanto, isso não era o que se verificava. Eles preferiam ficar dentro de suas casas, nos Salões Comunais, pois ali não eram perturbados pelos sonserinos.


Certa noite, Aleto Carrow, que conhecia as senhas de todas as Casas, pois obrigara os alunos a lhe dizerem, entrou na torre da Grifinória. Os alunos, que estavam se distraindo no momento, alguns conversando, outros jogando Xadrez de Bruxo, Snap Explosivo e outros jogos típicos entre os jovens, logo ficaram tensos quando a viram. Ela nunca entrava nas Casas, a não ser quando queria pegar algum aluno para castigar.


Com seu olhar cruel ela olhou em torno, como que procurando alguém, e ao fazer uma expressão de reconhecimento, deu um sorrisinho cruel e, numa voz asmática, falou:


— Me acompanhe, Gina Weasley.


A garota ficou pálida e ligeiramente trêmula. Mas logo, mostrando o quanto era “raçuda”, escondeu qualquer expressão que pudesse sugerir medo e ergueu o queixo, olhando com insolência para Aleto Carrow.


— Unh, veio fazer a gentileza de me convidar para um chá da tarde inglês em sua magnífica companhia? É muita bondade sua, Professora, mas creio que estou indisposta... Olhar seu rosto me deu uma indigestão, sabe como é...


Os outros alunos ficaram assustados com o comportamento da garota, que à medida que as férias iam se aproximando vinha perdendo o medo e agindo com mais ousadia. Alguns a olharam, advertindo-a com apenas o olhar, mas ela fingiu que não percebeu o súbito silêncio no Salão Comunal e os olhares velados de preocupação e advertência.


Aleto, ao ouvir a ousada resposta da garota, que achava atrevida demais, ergueu sua varinha e, não querendo usar um feitiço não-verbal para que os demais alunos ouvissem, falou em alto e claro som:


Crucio!


Não era a primeira vez que Gina era torturada com a Maldição Cruciatus, mas a dor horrível era sempre a mesma. Ela se contorceu, sofrendo durante os cinco minutos em que Aleto a torturou. Quando finalmente a Maldição foi interrompida, ela se levantou do chão, onde caíra sem nem mesmo perceber, e andou até a bruxa com pernas trêmulas, mas cabeça erguida. Segurando-a pelo braço com muita força, Aleto a arrastou para fora da Casa, levando-a da torre da Grifinória até a sala dos diretores. Lá, Gina viu mais três alunos, dois da Corvinal e um de Lufa-Lufa. Ela os olhou sem compreender. Na sala, junto aos outros, estavam Snape, Amico e o Prof. Slughorn. Ao ver o professor, Gina engoliu em seco. Estava com os braços erguidos, cordas mágicas envolviam seus pulsos e o deixavam preso. Tinha no rosto a expressão de quem já sofrera demais. 


— Vamos, meu caro, diga logo como funciona esse Medalhão com o Feitiço de Proteu... — disse Amico, seu corpo pesadão há poucos metros do professor, a varinha na mão. — Deve ter uma senha, não sei, algo que faça com que precise se comunicar com a Ordem da Fênix... Você sempre ligou apenas para você mesmo e suas mordomias, sabemos disso, por que mudar sua maneira natural de ser por causa de uns Sangues-ruins e Traidores do sangue? Por que aguentar tortura? Crucio!


O professor gemeu. Seu rosto balofo estava coberto de suor e de manchas avermelhadas, sua careca brilhava de suor, pelo esforço de aguentar sucessivos ataques da Maldição Cruciatus. Mas ele não falava nada. Apenas respirava ofegante. Sentia-se muito culpado pelo que já fizera na vida, principalmente o incentivo ao jovem Tom Riddle, falando sobre as Horcruxes e elogiando sua agudeza de espírito, astúcia e ambição.


— Bem, meu caro Slugh, então não resta alternativa a não ser fazer algo... Sei que sua aluna preferida esse ano é a traidorazinha de sangue aqui, a filha dos Weasleys... Não sei por que até hoje meu Lord não a usou para pegar os Weasleys, membros de fato da Ordem da Fênix... Talvez a tenha mantido como um trunfo a ser usado, uma carta na manga, não sei... Mas agora ela vai servir! Se não me disser como contatar com os membros da Ordem da Fênix pelo seu Medalhão de Proteu, eu a torturarei bem diante seus olhos e depois a matarei!


Os olhos de Slughorn e dos alunos presentes na sala se arregalaram e eles pareciam apavorados. Agora a ameaça era ainda mais real. Morte. Gina olhou para o professor, pálida, mas pensando no bem da batalha contra Voldemort, encheu-se de coragem e disse, a voz firme:


— Deixe que façam o que quiserem comigo, Professor... Não ligue, pense na Ordem e na Resistência... na vitória sobre o Cara-de-cobra... — ela foi subitamente calada por um bofetão que recebeu de Aleto, que deixou a face vermelha e com rasgões de sangue provocados por suas longas e afiadas unhas.


Nesse momento, saindo de uma porta, entrou uma pessoa na sala que deixou Gina pálida. Alguém que ela sabia ser extremamente desumana. Belatriz Lestrange. A bruxa, toda vestida de negro, os cabelos longos e negros caindo em ambos os lados do rosto, levava nos olhos de pálpebras pesadas uma expressão cruel. Os lábios escarlates sorriam com perversão.


— O bebê Potter não vai gostar de saber que sua amiguinha está sofrendo...


— Você sabe que eu cumpro minhas ameaças, Slughorn! — continuo Amico sem fazer caso da presença e das palavras de Belatriz. — Diga agora como contatar os membros da Ordem! Crucio! — dessa vez, a Maldição foi direcionada a Gina, que caiu no chão, contorcendo-se de dor.


— Não, pare, pare! Eu conto, eu conto, mas deixe a garota em paz! — gritou Slughorn, que sempre tivera um carinho e admiração por Gina.


Aleto parou a tortura e o olhou com um cruel sorriso.


— Boa escolha, Slughorn, boa escolha...


O professor contou, então, a Aleto, Amico, Belatriz e Snape como utilizar o Medalhão de Proteu e Bela não perdeu tempo em utilizá-lo.


***


Na casa de Ana, ela, Harry, Rony e Hermione estavam se preparando para irem para Hogwarts. Tinham feito um plano de irem via Chave de Portal pela madrugada à Casa dos Gritos, em Hogsmead, e de lá usarem a passagem que havia entre a Casa e o Salgueiro Lutador, isso se Snape, que conhecia a passagem, não a tivesse fechado. Caso isso tivesse acontecido, usariam outra passagem, através do porão da Dedosdemel. Teriam que ter o maior cuidado, pois Hogsmead inteira devia estar sendo muito bem vigiada e controlada pelo Ministério. Voldemort sabia que Hogwarts era um dos lugares que, em algum momento, seja por qual motivo fosse, Harry e a Ordem tentariam tomar. Tirando o Ministério da Magia e talvez Godric's Hollow, Hogwarts era o principal baluarte naquela guerra, para ambos os lados.


Pela tarde, enquanto todos tomavam um lanche, de repente os Medalhões de Proteu de todos brilharam, sinal de uma mensagem de alguém da Ordem. Eles o abriram e, ao ler o que estava escrito todos, sem exceção, ficaram abalados:


 


Aos membros da Ordem


            Aqui em Hogwarts temos em nosso poder quatro filhos de membros da Ordem. Queremos que nos entreguem Harry Potter e Ana Christie de Macquay-Howell Gryffindor, junto com as partes do Amuleto de Merlin e o livro, senão os mataremos. Para apressá-los, aviso que as torturas já começaram,


                                                                                                          Aleto Carrow.


 


Harry deixou cair sua xícara no chão. Gina. Ela estava sendo aprisionada e torturada. No íntimo, ele sabia que ela era um daqueles alunos. Os dentes apertados, ele ergueu-se, tremendo muito.


— Gina — disse, a voz cheia de dor e ódio.


Molly abraçou Arthur e começou a chorar. Os músculos todos tensos, Harry se dirigiu à porta da casa, decidido.


— Harry, aonde você vai? — perguntou Hermione, levantando-se também.


— Me entregar! Não posso deixar que torturem e matem a Gina!


A garota ergueu a mão e o segurou firme pelo ombro.


— Ah, é? E o que você acha que irá acontecer quando você aparecer lá, sem proteção alguma, sem plano algum? Acha que ela, Amico, Snape e sabe-se Deus lá quem está com eles lá dentro vão parar as torturas? Vão liberá-la e soltá-la apenas porque você apareceu?


— Me solta, Hermione! — ele gritou, começando a se rebelar, cheio de ódio, de medo e de dor. Estava histérico. Hermione lhe deu, então, uma bofetada no rosto. Isso o fez parar e olhá-la, pasmo.


— Você não vai se entregar coisa alguma! Nós todos, inclusive o pessoal da Ordem que estiver aqui, iremos nos sentar e elaborar um plano! Está claro que a guerra começou, Harry! Pelo menos de verdade, uma guerra armada.


— Mas a Gina... Ela está sendo torturada... Não temos tempo...


— Aposto que ela prefere que a gente vença essa guerra, como membro e uma das atuais líderes da AD, é o que ela espera de você! Aposto que prefere enfrentar a tortura para que a gente tenha alguma chance! Por isso não despreze o sacrifício que com certeza ela está fazendo por nós, pela guerra, por você!


— Líder da AD? Eu não acredito! Hermione, me explique direito essa história, por favor!


— Eu sabia, mas ela me fez jurar não contar a você e a ninguém mais que ela, Neville e Luna estavam pensando em reorganizar a AD para treinar os alunos para a batalha que viria!


— Você devia ter nos contado, Hermione! — falou Molly, chorosa e olhando para a garota com raiva.


— Eu prometi, e eles estavam certos, Harry, não agiram de maneira diferente da que nós três, eu, Rony e você, temos feito desde que entramos na escola, combatendo essas forças das trevas! Não vamos desperdiçar o trabalho e sacrifício de Gina, Neville, Luna e todos os que estão se preparando para essa batalha!


— Hermione tem razão — disse Aberforth. — Essa é uma hora em que a gente tem que agir usando a razão, o raciocínio, e não a emoção, por mais que seja difícil para nós, principalmente para alguns de nós — seu olhar passou de Molly, que chorava nos braços de Arthur, para Rony e Gui, que pareciam perplexos, e desses para Harry, que parecia a personificação da dor.


Uma máscara de frieza cobriu o rosto de Harry. Ele respirou fundo e se acalmou. Parecia ter envelhecido dez anos em dez minutos. Agora lembrava totalmente um homem, sem mais resquício algum do garoto que sempre demonstrara ser.


— Vocês estão certos. Vamos nos organizar.


E assumiu de uma hora para outra um papel de liderança que jamais demonstrara. Usando ainda os antigos Medalhões de Proteu da AD, ele chamou os membros da antiga AD que estavam fora de Hogwarts, alunos que tinham saído da escola logo que o Ministério fora dominado por Voldemort ou que já tinham se formado: Colin Creevey, Dino Thomas, Angelina Johnson, Katie Bell, Alicia Spinett, Justino Finch-Fletchley, Miguel Corner, Cho Chang, Ana Abbot. Alguns tinham saído logo por medo de perseguição, pois sabiam ser Nascidos-trouxas, como Thomas, outros, por não suportar viverem na escola com a nova “administração”, como Creevey. Os membros da AD que ainda estavam em Hogwarts não poderiam comparecer, uma vez que não se podia aparatar e desaparatar dentro dos limites da escola. Através de Patronos, pois viram que não era mais seguro o uso dos Medalhões de Proteu dos membros da Ordem da Fênix, todos chamaram os membros da Ordem que estavam fora da casa, exceto os que estavam em Hogwarts. Enquanto eles não vinham, Harry reuniu os que estavam na casa, aumentou uma mesa por meio de magia e começou a fazer planos.


O plano basicamente não iria mudar muito em relação ao plano original em que apenas ele, Rony, Hermione e Ana utilizariam. Agora ele seria usado por muitas pessoas mais, e tinham que tomar cuidado para evitar que esse fato atraísse a atenção dos vigias que com certeza Voldemort deixara em Hogsmead. Em questão de três horas a casa era um “caos organizado”, cheia de pessoas, muito mais do que tinham imaginado que viriam, pois os membros da Ordem e os da AD tinham trazido outras pessoas que também queriam lutar em prol da vitória contra Voldemort.  Olívio Wood, o antigo capitão do time de quadribol da Grifinória, que atualmente atuava como capitão do time de quadribol inglês Poddlemere United, apareceu, convidado por Alicia Spinett, Katie Bell e Angelina Johnson, trazendo consigo todo o time de quadribol junto. Os pais e alguns outros membros das famílias de alguns dos alunos, tantos os que estavam dentro quanto fora de Hogwarts, também apareceram, mostrando fervorosamente que queriam ajudar.


Os últimos que apareceram foram Carlinhos e cinco tratadores de dragões da reserva da Romênia. Eles entraram no pandemônio que aquela casa parecia, uma casa fervilhante de gente, de emoção e de agitação com a iminência da batalha, e seus sorrisos foram imensos. Estavam cheios de energia e de alegria por poder, enfim, lutar. Os olhos de Carlinhos revoaram por todo o local, querendo ver apenas alguém. Quando pousaram em Ana que, entretida com os planos com Harry e os demais, não percebeu a chegada deles, ele estacou, o rosto transbordante de amor. Com passos largos e firmes se dirigiu até ela, o rosto tenso e cheio de emoções, não deixando que nada atravancasse seu caminho, empurrando e desviando-se das pessoas, então finalmente a alcançou. Segurando-a pela cintura, por trás, levantou-a da cadeira e a fez girar de frente para ele.


Quando fora pega pela cintura, sem saber quem fazia isso, Ana se assustou e deu um gritinho de medo e raiva, enquanto se sacudia, tentando se soltar. Estava suspensa no ar. Ao ser virada de frente, o rosto dela se modificou imediatamente ao ver a face tão querida de Carlinhos. Deu um grito de alegria e o abraçou com pernas e braços. Ele girou com ela pela sala, rindo de alegria, para logo em seguida beijá-la apaixonadamente, num beijo erótico, escandaloso e delicioso. Só quando estavam há uns bons minutos se beijando perceberam o súbito silêncio que havia na sala antes fervilhante de conversas. Os dois ficaram bastante corados e Carlinhos pôs Ana no chão; ambos riam envergonhados, e logo as pessoas passaram a lançar assovios e fazer comentários maliciosos e amigáveis. Molly e Arthur riam de prazer ao ver a nora que tinham encontrado. Sim, nora, porque tinham a certeza absoluta que seu filho encontrara a mulher da sua vida, pois Carlinhos não protagonizaria uma cena daquelas na frente de todos caso não realmente amasse a garota. Conhecia seu filho, e aquela não era a maneira normal de ele agir.


Esses momentos de descontração logo foram substituídos por muita tensão. Todos estavam bastante temerosos e agitados com a batalha iminente, e temiam pelas vidas e pela integridade física e mental de Gina e dos outros alunos. Aleto, Amico e Snape tinham imensas possibilidades nas mãos, com uma quantidade de alunos tão grande como a da escola. Se quisessem, poderiam ameaçar as vidas de todos os alunos para usá-las em uma barganha. A única chance era chegar num ataque surpresa. De maneira mais séria, todos participaram da elaboração de um plano de ataque. Fred e Jorge trouxeram da Gemialidades Weasley vários de suas capas, luvas e chapéus escudo, que ajudariam os combatentes a evitarem feitiços mais simples, até a intensidade de um Feitiço Estuporante. Iriam em grupos, pois não queriam alertar sua presença aos vigias de Voldemort em Hogsmead. Kingsley, que tinha “conversado” bastante com o Comensal levado à sua casa para interrogatório, recebera algumas informações preciosas, como o fato de ninguém poder aparatar diretamente nas ruas do povoado, protegidas com Feitiços de Alarme contra aparatação e percorridas de cima abaixo por Comensais da Morte e lobisomens, os que tinham aceitado lutar sem a liderança de Fenrir Grayback. Aparentemente Voldemort conseguira uma poção que fazia os lobisomens se transformarem mesmo sem a lua propícia, essa poção levava pó de pedra-da-lua colhida em noite de lua-cheia. Não poderiam aparatar nem mesmo dentro de locais fechados, pois Voldemort obrigara que todas as casas do povoado ficassem sob o Feitiço de Alarme contra aparatações, inclusive a Casa dos Gritos. Entretanto, Voldemort, de acordo com o Comensal refém, não se preocupara em pôr Feitiços de Alarme contra Chaves de Portal, imaginando erroneamente que todas as Chaves eram monitoradas pelo Ministério da Magia.


Ficou decidido que, à madrugada, um por um os grupos formados iriam via Chave de Portal para dentro da Casa dos Gritos, liderados cada grupo por um bruxo, e deveriam aparatar já prontos para lutar, caso houvesse alguma armadilha, armadilha que podia estar sendo preparada para quando aparecessem pelo Salgueiro Lutador. Lupin e Carlinhos e seus tratadores iriam para a escola só depois, uma vez que tinham outras missões a cumprir que, mais tarde, poderiam ser decisivas na hora da batalha contra o grosso das forças de Voldemort. Alguém ficaria na casa, para poder conduzir à Casa dos Gritos qualquer um que aparecesse tardiamente e quisesse lutar. A pessoa escolhida foi Fleur que, grávida, não poderia correr o risco de participar de uma batalha. Outro bruxo ficaria com ela, pois naquele estado ela não poderia ficar sozinha.


***


A madrugada finalmente chegou. Todos estavam com os nervos à flor da pele, a tensão parecia que podia ser cortada com uma faca. Eram sete grupos ao todo, cada um com umas dez pessoas, e seus líderes eram Harry, Rony, Hermione, Moody, Kingsley, Tonks e Aberforth. Nessa ordem, cada um dos grupos iria usar uma Chave de Portal feita por Hermione, cada uma com uma diferença de tempo de dez minutos. Os grupos se reuniram antes da primeira leva, e todos os integrantes olharam para Harry, assumindo abertamente que agora ele era seu líder. E o papel de liderança foi aceito pelo rapaz sem hesitação pela primeira vez.


— Estamos todos com você, Harry — disse Arthur, olhando-o com emoção.


— Lutaremos sem medo, por estarmos com você — disse Kingsley. — Você é nosso guia.


Todos revelaram, seja por meio de uma palavra, um gesto ou um olhar, sua confiança em Harry e em sua liderança, e sua capacidade, com a ajuda de todos, em vencer aquela guerra.


— Antes de partirmos, gostaria que fizéssemos uma oração pedindo a benção do Criador sobre nós — disse Molly. Apesar do seu nervosismo, sua vontade de estar em Hogwarts, e com Gina, Harry aceitou. Afinal, toda ajuda era necessária, ainda mais que faltavam duas Horcruxes a serem destruídas.


Todos se deram as mãos, formando um grande círculo, baixaram suas cabeças e fizeram uma oração pessoal em silêncio, pedindo as bênçãos do Criador sobre eles e que a vitória estivesse de seu lado. Uma emanação de Magia suave, poderosa e brilhante fluiu do imenso grupo, que tinha mais de setenta pessoas. E foi aí que Harry percebeu o que Dumbledore sempre falara, a força que eles tinham e que Voldemort jamais conhecera: o Amor. Todos ali lutavam por amor a alguma coisa, seja uma pessoa, um ideal, um mundo melhor.


Enfim, os grupos começaram a viajar via Chave de Portal. O primeiro a ir foi o de Harry. Como Snape conhecia aquela passagem para a escola, Harry pensava que haveria uma armadilha os esperando, alguns Comensais e talvez até dementadores dentro da Casa dos Gritos, mas, para sua surpresa, a casa estava totalmente vazia. Se houvesse uma armadilha, ela estaria perto do Salgueiro Lutador, na saída do túnel que existia entre a árvore e a Casa dos Gritos. Harry esperou que todos os outros seis grupos aparecessem para que o seu grupo entrasse no túnel. Quando chegasse à saída, mandaria um Patrono dizendo aos outros grupos se o caminho estava livre ou se havia uma armadilha.


O grupo de Harry inteiro acendeu suas varinhas para iluminar o caminho. O caminho era um pouco longo, e quanto mais se aproximavam da escola, mas Harry e os demais ficavam tensos, todos ficando preparados para combater, caso fossem esperados por Comensais. Ao chegar à saída do túnel, Harry cobriu-se com o Feitiço da Desilusão e saiu. Novamente, para sua surpresa, não havia ninguém ali fora. Preocupado com inimigos que também estivessem desilusionados, ele lançou um feitiço não-verbal.


Homenum Revelio”, pensou, girando a sua varinha ao redor do seu corpo. E comprovou que, do lado de fora do castelo de Hogwarts, pelo menos na região próxima ao Salgueiro Lutador e à Floresta Proibida, não havia nenhum ser humano. E como não sentia sensação de tristeza e de frio, tampouco dementadores. Ficou preocupado. Tudo estava parecendo fácil demais. Tinham que ir em frente, contudo. Gina e os outros necessitavam deles.


— A barra está limpa... — disse aos integrantes do seu grupo, e logo mandou um Patrono aos demais grupos ainda na Casa dos Gritos.


***


À tarde, antes de pegar os alunos e Slughorn, Aleto tinha ministrado à Prª McGonagall, ao Prof. Flitwick, à Prª Spraut e à Madame Hooch uma poderosa Poção do Sono, sem que eles percebessem. Por isso eles, como membros da Ordem da Fênix, não tinham percebido nada, nem mesmo quando os Medalhões de Proteu receberam a mensagem que Aleto tinha mandado pelo medalhão de Slughorn. Quando acordaram à noite, meio desorientados por não saberem o porquê de estarem dormindo, cada um estava num canto na Sala dos Professores, onde tinham tomado o chá da tarde. Então eles viram o brilho dos medalhões, pois a mensagens continuavam até que fossem lidas. Quando leram, todos empalideceram.


— Slughorn... — falou Pomona. — Pegaram o Slughorn, foi pelo medalhão dele que Aleto mandou a mensagem para o pessoal da Ordem!


— Vamos logo, todos devem estar em perigo! — gemeu o Prof. Flitwick, e logo os quatro se levantaram. A porta não queria abrir com o Alorromora, então Minerva os afastou com uma braçada decidida, gritando:


— Saiam da frente! Bombarda!


Logo a porta explodiu e eles saíram pela abertura, correndo apressados pelos corredores, indo em direção à torre onde ficava a Sala do Diretor. De repente, deram de encontro com várias pessoas que vinham também apressados em sentido contrário e vários deles caíram. Todos se ergueram e apontaram as varinhas para os opositores, quando só então perceberam que não eram inimigos. Era o pessoal da Ordem, mais um monte de gente conhecida!


— Harry!


— Prª McGonagall!


Numa reação tão inesperada na Prª McGonagall que deixou muita gente espantada, ela deu um abraço em Harry de esmagar ossos.


— Meu filho, você não veio se entregar, não?!


— Mas é claro que não, Professora! Nós viemos lutar! E salvar Gina e os outros! A guerra começou, Professora!


— Eu sei, meu garoto, eu sei! Vamos, temos que ir à Sala dos Diretores!


Os quatro professores se juntaram aos demais e todos correram em direção à Sala.


Aleto, Amico e Belatriz, covardes como eram, e acreditando fielmente que todos padeciam do mesmo mal, tinham imaginado que alguém da Ordem trairia Harry e que traria o rapaz até eles. Por isso a única precaução que tinham tomado fora fazer Snape pôr um dementador nos portões da escola e na porta do castelo para drenarem as forças de quem aparecesse para assim ficar mais fácil para eles aprisioná-los até chamar o Lord das Trevas a Hogwarts. Além disso, eles saberiam na hora em que qualquer pessoa aparecesse em Hogsmead. Por isso foi a maior surpresa quando aquele monte de gente com varinhas empunhadas invadiu a Sala dos Diretores. Amico, covarde, pegou Gina por trás, encostando a varinha em seu pescoço. Aleto correu para trás dos outros alunos, usando-os como escudo humano. Belatriz se escondeu atrás de uma cortina antes que alguém a visse. Apenas Snape permaneceu no seu canto no fundo da sala, encostado na parede com os braços cruzados.


— Harry! — gritou Gina com os olhos cheios de lágrimas. Apesar das ameaças, Aleto não a tinha torturado mais desde que conseguira o que queria, mandar a mensagem ao pessoal da Ordem.


Tenso, Harry olhou para sua amada, que para seu alívio não mostrava sinais de quem passara uma tarde e uma noite sendo torturada. Estava apenas trêmula de nervosismo e temor e pálida. Ele deu um passo à frente, mas Aleto pressionou a varinha com mais força e ele retrocedeu. Ninguém da Ordem tinha coragem de dar um passo ou falar algo, com medo de que os bruxos das trevas ferissem, ou pior, matassem, os alunos e Slughorn, esse sim com uma aparência bastante ruim, como se tivesse sido torturado intensamente e por muito tempo.


— Solte-a, Aleto. É a mim que você quer — disse Harry, dando mais um passo de maneira cuidadosa.


A bruxa, ofegante, olhava para todos os cantos, procurando uma saída. Não podia desaparatar dali, e se matasse a jovem bruxa que tinha como refém, seria morta no ato, pois ela tinha apenas dois aliados, Snape e seu irmão Amico, enquanto eles eram num número bastante superior. Aleto saiu andando de costas, fazendo os outros se afastarem, dando-lhe espaço com receio de que ela ferisse Gina se se sentisse mais acuada. As coisas a partir desse momento aconteceram de maneira tão rápida que tudo pareceu surreal. Aleto tinha as costas viradas para um aliado, mas mesmo assim foi atingida por trás por um jorro de feitiço de cor verde. Ela gemeu surdamente antes de seu corpo amolecer e ela soltar Gina e cair. Todos olharam para quem a matara por uma fração de segundo. Severo Snape olhava para Aleto com expressão tensa, a varinha em riste na mão apontada para onde as costas dela estariam caso estivesse de pé.


O pessoal da Ordem, vendo o que acontecera, invadiu a sala, um rugido tumultuoso de excitação e fúria. Amico, escondido atrás dos quatro alunos, tentou fugir, se esgueirando pelas paredes, querendo sair de fininho da sala. Sirius partiu para cima dele, querendo impedi-lo, e não percebeu que Belatriz Lestrange saia de trás da cortina e o olhava com uma expressão abismada, pois ela, que fora quem o jogara através do véu negro, não sabia de seu retorno, bem como ninguém mais exceto o pessoal da Ordem. Ela ergueu sua varinha para atingi-lo pelas costas. Harry, Lupin e outros, que ficaram surpresos com a presença dela, hesitaram por uma fração de segundo, que era o tempo necessário para ela poder matar Sirius. Isso não aconteceu, porque Snape friamente apontou sua varinha para ela e disse:


Estupefaça!


A bruxa caiu gritando:


— Traidor!


Todos olharam para Snape, impressionados com a dupla traição que ele acabava de fazer aos seus aliados. Sirius atingiu Amico, então, com um Bombarda, mas antes de ser atingido pelo feitiço, o Comensal apertou a Marca Negra tatuada em seu braço com a ponta do dedo, e só então se deixou cair, morrendo pelo impacto do feitiço explosivo. Na mesma hora Harry caiu ajoelhado no chão, sendo atingido por uma intensa dor em sua cicatriz.


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Resposta ao comentário:



Ayla Teresa: Muito obrigada por não ter abandonado a fic, você foi realmente a única. Bem, eu adorei escrever o capítulo anterior, mostrar o lado mais selvagem do Arthur e da Molly. Ora, todos nós, em algum momento, lutamos por algo, e acho que JK deveria ter valorizado um pouco mais isso. E o Percy... eu tenho um verdadeiro asco desse nojento. Trair a própria família e os amigos assim... Espero que tenha gostado do capítulo, Ayla. Beijos.


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Até o próximo. Talvez.



Ana Christie

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