Ao chegarmos a Hogwarts, não me dirigi àqueles traidores nenhuma vez. Antes de me sentar à mesa da Grifinória, vi que Scorpius acenava para mim, me chamando, mas fingi que não vi. Que presunção... Ele acha mesmo que depois de praticamente me chamar de brutamonte tudo pode ficar às mil maravilhas? Idiota, ou melhor, idiotas. Todos os que riram inclusive o Albus. Ai Albus, eu esperava bem mais de você, mas tudo bem... Homens são todos iguais.
Após assistir a seleção dos novatos, dentre eles a mais nova da família a Lucy, filha do tio Percy, que caiu na Corvinal, fui direto pro dormitório. Mas não antes de mandar um gesto bastante obsceno com a mão para os meus dois supostos melhores amigos, que ficaram chocados. Chocados com o quê? Hunf, até parece que nunca me viram mostrando o dedo durante os jogos de Quadribol ou quando alguém esbarra em mim no corredor...
Na manhã seguinte eu continuava com a carranca do dia anterior. Scorpius e Albus se sentaram cada um de um lado meu na mesa da Grifinória enquanto eu tentava comer meu café-da-manhã em paz.
- Saiam daqui. – iniciei. – Essa mesa não é a de vocês...
- Estranho, porque sempre sentamos aqui e ninguém reclamou antes. – Albus fingia-se de bobo.
- É porque antes vocês não eram dois retardados, mas agora que são dêem o fora! – Me zanguei, cortando um pedaço de bolo com tanta força que quebrei o prato ao meio.
Os dois engoliram a seco, assustados.
- Pensando bem, talvez seja a coisa mais sensata. – Hugo sentado a minha frente se intrometeu, baixando o livro que lia. – Voltem depois que a TPM dela passar!
- E você não dê palpite! – berrei com meu precioso irmão mais novo. TPM! Até parece...
- Foi mal, Rose! – Scorpius pousou a mão no meu ombro e eu senti um frio na barriga familiar, que me irritava profundamente. Por que um toque tão banal como aquele já me fazia perder a linha de raciocínio? Voltei a me concentrar no que ele dizia assim que consegui. – A gente não quis dizer aquelas coisas...
- É! Você também pode ser muito, hã... – Albus encarava o prato partido em dois. – Delicada.
Eu olhei para meu primo com uma sobrancelha erguida.
- Está tirando com a minha cara de novo.
- NÃO! – ele negou imediatamente, aumentando o tom de voz. – Eu e o Scorpius te achamos a fragilidade em pessoa!
- Menos quando está arremessando no Quadribol. – Scorpius disse, me fazendo rir.
Sorri para eles. Eu sabia que não adiantava nada ficar brava com eles, pois gostavam de implicar comigo sempre que podiam, mas apenas como brincadeira. Se passavam dos limites, sempre pediam desculpas.
- Ok, estão perdoados.
O sonserino e o corvinal começaram a fazer uma dancinha estranha da vitória. Cobri o rosto com uma das mãos, envergonhada.
- Parem já com essa palhaçada! Vão perder pontos das suas casas por bancarem os idiotas em público.
- Isso eles estão sempre fazendo. – Lorcan Scamander que estava ao lado de Hugo disse em tom brincalhão. Sendo filho da tia Luna, ele herdou os mesmos cabelos loiros porém não o ar isso meio desligado dela. Lysander o seu irmão gêmeo idêntico, porém, é completamente fora do ar! Lorcan é da Grifinória e Lysander da Corvinal. Mas voltando a história... – Nada que o colégio inteiro ainda não tenha se acostumado.
Eu ri, me levantando.
- E então? Que tal a gente ir pra primeira aula?
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Só Albus e eu seguimos para a aula de poções, pois o horário de Scorpius era diferente e ele só teria aula com a Lufa-Lufa nos dois primeiros períodos. A Professora Zeller de poções era um tanto entediante, ou seja, a aula foi chata. Ainda mais sem o Scor... Ops! Lá vou eu viajar em devaneios! Droga, por quê? Eu ainda pego esse cupido e faço churrasquinho dele, ah se faço...
A aula seguinte era de Estudo dos Trouxas. Após ouvirmos quinze minutos de falatório sobre o funcionamento do aspirador de pó e mais outros dez sobre cortadores de pelos nasais, tivemos que escrever quarentas centímetros de pergaminho sobre trouxas e seus utensílios. Quando saímos de lá, Albus parecia que havia descoberto uma civilização perdida com a empolgação que tinha.
- Sério mesmo que aquela coisa limpa o chão?! Tipo, clica um botão e zupt! A poeira some?
- Hã... Eu ainda não entendi o que tem demais nisso. – ergui uma sobrancelha para ele pela segunda vez no dia.
- Como não? É impressionante o que esses trouxas são capazes de fazer... – Albus coçava o queixo, pensativo. – O vovô me disse que eles têm um armário enorme e gelado onde guardam a comida, acredita? Eu não acreditei até ver uma gemadeira de verdade.
- É geladeira, Al. – afinal, eu tenho a obrigação de saber tendo a mãe que tenho, não é?
Já ia falar mais alguma coisa sobre o assunto, mas algo fez com que eu simplesmente paralisasse, parando de andar de supetão.
- Scorpitcho, você é mesmo incorrigível! – ouvia a voz aguda e irritante que perfurava meus tímpanos.
Certo, eu não sei se é isso que eu deveria sentir nesta situação, mas a questão é a seguinte. Um aperto no peito originava uma insuportável dor em mim, tanto física quanto mental. Um turbilhão de pensamentos desagradáveis me importunava de uma vez só e eu não conseguia fechar meus olhos para ao menos me poupar de mais uma série de idéias indesejáveis. Meu cérebro tentava processar a cena ao mesmo tempo que tentava não aceitá-la. Não podia ser! Mas tão cedo?!
- Ih, o Scorp já arranjou namorada... – Albus me deu uma cotovelada, piscando e eu mal me movi.
O pescoço do corvinal era envolvido pelos longos e pegajosos braços de uma garota. Ou melhor,dela.
- Marshall... – sibilei, não me agüentando de fúria e morrendo de vontade de arrancar os fios de cabelos loiros da sonserina um a um.
Artemis Marshall era a sonserina mais metida e arrogante do nosso ano. E sabe o pior? Todos a achavam a última bolacha do pacote, como se aqueles olhos verdes fossem lá essas coisas... Ou os cabelos mais sedosos que cetim... Ou o rosto angelical sem nenhuma espinhazinha... Ou a cinturinha fina de dar inveja... Ou... AHHH! Mas que porcaria. E logo o Scorpius? Por que ela não podia ir atrás de alguém que não fosse do meu interesse, tipo... O Elliot Davies! Assim resolvíamos dois problemas: o dela de arranjar um cara e o meu de me livrar daquele puxa-saco incômodo. Daí todo mundo ficava feliz!
Mas como essa é a vida real e a minha tem a tendência de fazer tudo dar errado, era óbvio que não aconteceria.
- Vamos deixá-los aí. – dizia meu primo, querendo não atrapalhando o casalzinho ternura. – Vem, Rose.
Sorri zombeteiramente.
- Acho que não.
- Quê?
Antes que Albus me impedisse, eu já andava em direção aos dois pisando forte. Podia sentir quase as paredes do castelo tremerem.
- Scorpius... – tentei incorporar um tom de voz três vezes mais fino e suave que o meu habitual, querendo ser gentil e feminina. Pisquei os olhos repetidas vezes, como se fosse uma garotinha inocente e frágil.
O loiro sorria descaradamente para aquela baranga, como se eu não estivesse lá, como se eu fosse feita de vidro. Totalmente transparente...
Isso me irritou. E muito.
- SCORPIUS!! – berrei em seu ouvido. Ele largou a garota e deu um pulo para trás, batendo a cabeça num pilar qualquer. – Vê se me escuta quando eu falo com você! – cruzei os braços, batendo o pé.
- Pirou, é?! – Scorpius levantou-se, massageando a nuca dolorida.
- Foi mal, mas parecia que estava com um sério problema de audição. – falei, secamente.
- Se eu não estava, com certeza estou agora... Você é cega ou não reparou que eu estava ocupado? – ele acenou com a cabeça para Artemis e eu a encarei com desdém
- É, não reparei.
Artemis jogou seu peso em uma das pernas, apoiando uma das mãos na cintura. A loira parecia estar me desfiando. Como ela se atrevia?!
- Weasley, por que você não volta pra o quartel militar donde saiu? Vá fazer uma de suas atividades brutas e sudoríferas que você ganha mais!
Fiquei boquiaberta e olhei para Scorpius, esperando por sua reação.
- Não fale assim da Rose, Mih... – ele disse, lançando um olhar levemente irritado a ela.
- Ah, qual é! Ela é mais macho que metade dos garotos da escola, ganha até de você.
Eu bateria nela, e acreditem, nada me daria mais prazer naquela hora.
- VACA! – voei em seu pescoço e comecei a atingir o que podia.
Arranhões, tapas, puxões de cabelo... Era uma baixaria só! E o pior é que ela estava ganhando a briga. Já havia uma rodinha a nossa volta e Scorpius não conseguia nos separar de maneira alguma.
De repente, o estrondo como o de uma bala de canhão se chocando contra o concreto foi ouvido e nós paramos imediatamente com as agressões.
- Ok, agora fudeu. – eu disse mais para mim do que para aquele projeto mal feito de Barbie.
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- Inadmissível. – A diretora Minerva balançava a cabeça negativamente, nos censurando ao máximo.
Estávamos na sala da diretora, sentadas de frente para McGonagall. Ela estava atrás de sua grande mesa lotada de parafernálias.
- Duas moças como vocês... – ela dizia, mas foi interrompida por Artemis.
- Uma moça. – a sonserina erguia o braço, exibindo um sorrisinho repulsivo.
- Calada, Srta. Marshall. – Profª McGonagall lançou um olhar severo a ela. – Duas moças como vocês, que receberam educação de como se portar e agir, brigando feito um par de cães vadios por um pedaço de carne? Inadmissível. – repetia ela. – Detenção para as duas e menos dez pontos de suas casas. Saibam que o comportamento de vocês foi repugnante e eu espero que isso jamais se repita. Garotos brigam às vezes, mas duas jovens bonitas como vocês se engalfinhando no meio do corredor? Não, não...
- Ela que estava implicando comigo! – me defendi.
- Você quem começou interrompendo a mim e Scorpius! E você é um verdadeiro moleque, Weasley, isso a gente vê a um quilometro de distância, eu só estava afirmando o óbvio. – me olhava da cabeça aos pés com nojo.
- Essa atitude agressiva não é digna de nenhuma garota. – Minerva cortou nossa nova discussão. – As duas estão erradas. Agora podem sair, o que tinha de ser dito eu já disse.
Saí bufando dali. Essa Artemis... Ela realmente acha que sabe algo sobre mim! E daí que eu não exalo todo o charme que os cabelos loiros platinados esvoaçantes junto daquela carinha de santa do pau-oco dela exalam? Tenho toda a capacidade de ser uma ‘garota’, só basta eu me esforçar um pouquinho... Quer dizer, eu acho. Primeiro eu tenho saber como se faz isso e... Droga! Como eu vou descobrir isso? A maioria das meninas já nasce sabendo, mas eu sempre estivesse cercada de garotos e do universo deles, não faço a menor idéia de como... AHÁ! Já sei!
Scorpius que me aguarde.
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N/a: Será que estão gostando da fic? Eu espero que sim... Foi muito divertido escrevê-la, por isso eu espero que curtam tanto quanto eu!
Obrigadíssima por todos os coments :)
Bjooooooos!