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2. Capítulo 2


Fic: A Lista de Desejos de Hermione Atualizada


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Capítulo 2


 


A boca de Hermione secou e por um momento ela não podia pensar em nada para falar. Tudo o que ela queria era que ele não se lembrasse dela.


— Estou no lugar certo?


Como ela não reconheceu a voz dele? Macia e grave, extremamente sexy.


A livraria? Você ligou para a Duke's Yard para que consertássemos uma janela.


Foi assim que ela percebeu que ele não sabia seu nome; sempre a chamava de princesa.


Naquele tempo, ela era uma garota magra, de 13 anos, com roupas doadas e óculos com arma­ção de metal — e com seu longo cabelo em uma trança infantil, calmamente seguindo seu herói pela escola.


Exceto, claro, que ele nunca fora herói.


Um herói não desapareceria de sua vida sem uma palavra.


— Sim. — Ela se recompôs, ignorando o desapon­tamento, pois enquanto ele causava o maior impac­to nela, ela nem sequer tocara em sua memória. Hermione se recusou a se arrepender pelo fato de não ter se esforçado mais no que diz respeito à sua aparên­cia. Maquiara-se um pouco e arrumara o cabelo, só isso.


— Sim, aqui é a livraria. Mas não preciso de um cavaleiro errante. Preciso de um vidraceiro. Ou pelo menos alguém que troque o vidro. — Ela se dirigiu à passagem de acesso ao fundo da loja para indicar onde estava a janela quebrada. Ela se abaixou para pegar uns cacos de vidro no chão, sem tirar os olhos dele.


— Solte isso. — Ele se abaixou ao seu lado e to­mou os vidros da mão dela.


 Atônita, ela o fitou.


— Você pode se cortar.


— Certo. Obrigada.


Não, ele não mudara nada. Estava mais pesado, claro, mas eram músculos. Havia  imperceptíveis rugas delimitan­do seu rosto, saindo de seus olhos, dando persona­lidade a sua aparência. Mas ele era o mesmo Harry Potter e ela teve a mais estranha impressão quando, olhando sua lista de metas, ambições, en­terrara-o no passado.


— Gostaria que ficasse pronto hoje.


— Se está insinuando que eu não cheguei em dez minutos como tinha dito, então a culpa é sua. Se tivesse aberto a porta da primeira vez que bati, ti­nha adiantado 30 segundos.


— Oh, era você?


— Você achou que eu estava sendo otimista de­mais ao dizer dez minutos?                                


— Bem, sim. — Então, percebendo que não era a coisa mais sábia a dizer: — Não! Você foi muito rápido. Achei que você fosse um cliente.


— Então você ignorou? Não quero dizer como deve tocar seu negócio, Hermione, mas assim não vai vender muitos livros.


— Você está certo — ela disse. — Mas não vendo livros.                                                              


Ele se encostou na mesa, insinuando-se para ela.


Alguns homens não conseguem evitar, e mesmo sabendo que ela não era o tipo dele — e ele também não era seu tipo —, tinham que esticar seus músculos. Bem ele estava perdendo tempo com ela. Há muito trabalhando com homens, ela sabia que para evitar esse tipo de investida a melhor estratégia era permanecer calma e com uma postura profissional. Jamais demonstrar qualquer insinuação sexual. O máximo que poderia acontecer era pegar a fama de fria, mas havia coisas piores. Estupidez, por exemplo. Ainda bem que o tipo dele tinha uma atenção muito limitada; sabia que se uma mulher não respondesse aos músculos salientes e ao peitoral bem definido, haveria outra em questão de minutos. Eram os homens quietos, aqueles com cérebro, que tinham que ser observados.


— Esperava que você ligasse e confirmasse que eu era uma adolescente passando trote.


— Nenhuma adolescente soaria como você, prin­cesa.


Com certeza, ele chamava todas de princesa. Mais fácil do que lembrar vários nomes.


— Você consegue arrumar isso? Quero dizer, quanto tempo vai levar?


— Vamos ver. Vou medir a janela, pegar o vidro e limpá-lo, enquanto isso, você podia me fazer um cafezinho e contar a história da sua vida.


— Quanto tempo? — ela repetiu. Ele devia achar aquilo uma diversão.


— Uma hora deve dar, dependendo de como a sua vida foi interessante até hoje.


Meu Deus, uma hora de flerte e conversa fiada. E quanto custa uma hora do seu tempo? Por que você não paga o almoço e estamos quites? E ele tinha nervos para criticar o senso de negó­cios dela.


— Vou trazer um bife do açougue da esquina, pode ser? Creio que você o coma cru.


Ele pegou uma trena no bolso e mediu a janela.


— Você sabe, tive que adiar meu almoço, estava saindo quando o telefone tocou, ia almoçar com uma pessoa. Devia ter dito que estava ocupado.


— E por que não disse?


— É que pareceu que você precisava de ajuda.


Ela se recusava a cair na sedução de sua aparen­te empatia.


— Eu preciso de um vidraceiro não de uma pes­soa para conversar, por que não esquece o café e a história da minha vida? Chame a pessoa que ia al­moçar com você. — Ela se recusou a sucumbir ao ciúme que passou por sua cabeça.


— Tenho certeza de que ela esperará meia hora.


— Você esperaria? Esperaria?


— Em primeiro lugar, não concordaria em almo­çar com você, por isso a ocasião nunca aconteceria.


— Considere hipoteticamente.


Era tudo sua culpa. Ela quebrara a regra capital — nunca se envolver com alguém do escritório. Seis meses atrás, ela poderia passar por essa conversa sem se aborrecer. Mesmo com Harry Potter.


Mas seu senso de humor foi destruído pela rígi­da desculpa de Draco e não importava quanto ela ten­tasse manter seu astral elevado, a raiva continuaria extravasando como um vulcão em erupção.


— Hipoteticamente? — ela repetiu.


Fria. Calma. Educada como uma duquesa — não, como uma princesa. Isso ela podia fazer.


— Foi o que disse.


— Então, hipoteticamente — ela respondeu —, eu diria que se tivesse concordado em almoçar com você e você me explicasse que estava atrasado porque estava ajudando uma donzela em perigo... — ela parou, notando a armadilha logo à frente.


— Continue — ele disse, sem esconder o fato de estar se divertindo muito com aquilo.


— Tenho certeza de que você pensaria em algo.


— Você não estaria sugerindo que eu tenho mui­ta prática em dar desculpas, estaria?


— Isso é mais forte do que você — ela disse, deci­dindo que ficar fria e tranqüila não adiantaria nada. Era melhor ser natural. — Você é homem. O meca­nismo de desculpas vem junto no pacote com os cromossomos. — Ela ouvia as palavras que saíam de sua própria boca com certo fascínio. Para uma mulher que até alguns meses nunca se arriscara na vida, ela parecia ter perdido os freios.


Felizmente, seu cavaleiro errante estava bastante ocupado anotando as medidas da janela em seu ca­derno. Era um caderno idêntico ao seu. A capa preta brilhante, desgastada pelo uso. Deveria estar quente, pois estava dentro de seu casaco, ela pensou.


— Por favor, fique sabendo que aprecio muito o sacrifício que está fazendo — ela disse.


Aquilo provocou uma reação nele. Nada exces­sivo. Apenas um movimento suave de uma sobran­celha, sugerindo que ele não estava totalmente impressionado pela declaração de apreço, não importava o quão profunda era essa declaração.


— Mas eu ficaria muito grata se você terminasse logo o serviço para que ambos pudéssemos seguir em frente com nossas vidas — ela concluiu. — Imagino que você tenha uma vida.


— E você tem?


Ele olhou para cima, e pensou no que ela disse, enquanto ela se dava conta de que era melhor que ele permanecesse concentrado no trabalho. Comen­tários de cunho pessoal eram um convite aberto para ele desenvolver suas técnicas de persuasão.


Ao ver que ela não iria responder, ele disse:


— O fato é que gosto de mostrar interesse pelos meus clientes. Gosto de conhecê-los. Criar um re­lacionamento.


— Muito digno. — Assim era melhor. Manter uma distância prática. — Prometo que se um dia precisar novamente consertar uma janela, Duke's Yard será o nome em que pensarei.


— Sarcasmo não é atraente numa mulher, Hermione.


Sarcasmo? Isso não era sarcasmo.


— Bem, obrigada...


Ela se conteve. Ele a chamava pelo nome numa tentativa de fazê-la perguntar pelo seu. A verdade era que ela chegou muito perto de usá-lo sem pen­sar. Se ela fizesse isso, ele ia querer saber como ela sabe e, ao passo que ele não ficaria nem um pouco envergonhado por não ter lembrado dela, ela fica­ria muito envergonhada se ele soubesse que ela nunca o esquecera. Ela não precisaria da razão em palavras. Ele simplesmente saberia porquê.


— Vou anotar esse conselho — ela disse — e o co­larei num lugar onde possa vê-lo todos os dias.


Agora isso era sarcasmo, ela se congratulou. E, então, no momento de silêncio que se sucedeu, ela se deu conta de que ele estava certo. Isso não era nada atraente. Não que isso o impedisse de tentar mais alguma coisa.


— Então, o que aconteceu com Maggie Crawford? — ele perguntou. — Você está no controle da livraria agora?


— Não.


— Está trabalhando para ela?


— Também não.


— Que pena. Este lugar bem que precisava de al­guma coisa para trazer-lhe algum brilho.


Nisso ela concordava com ele, mas não ia admitir. Mas, no que diz respeito a ela trazer algum bri­lho...


— Maggie caiu de uma cadeira hoje de manhã. Estava tentando colocar um pedaço de papelão na janela para bloquear o frio. Ela foi levada para o hospital.


— Sinto muito em ouvir isso. — Ele foi muito con­vincente. Ela quase acreditou nele. — Então, qual a sua conexão com ela?


Ele simplesmente não desistia.


— Você não tem que ir atrás de algum vidro? — ela perguntou.


— Quer saber, estou com fome. Talvez você este­ja certa. Ainda posso...


— Não!


— Não?


— Olha, sinto muito, mas esta manhã tem sido muito complicada. Só vim aqui para apanhar um livro para minha mãe. Encontrei Maggie caída no chão.


— E acabou ficando para consertar a janela? — ele perguntou, e ao olhar à sua volta viu-a olhando para ele. — Para alguém que você não conhece?


— Ela estava preocupada e muito agitada. E eu a conheço, sim. Pelo menos minha mãe a conhece. Eu vinha muito aqui quando estava na escola. Ela me deixava sentar num cantinho e ler os livros que eu não podia comprar.


— Entendo. Sinto muito. Creio que você tem que voltar para o trabalho.


— Não, não tenho pressa. Estou desempregada.


— Haverá uma vaga aqui, pelo que parece. Pelo menos uma vaga temporária.


— Sim, bem, perguntarei à sra. Crawford o que ela vai fazer quando estiver bem o suficiente. En­quanto isso, não posso deixar a loja aberta ao deus-dará. Ou a algum bandido à procura de uma edição rara daquele livro popular Guia para principiantes de arrombamentos de sucesso.


Era para ele ter rido disso. No entanto, pareceu pensativo e olhou de volta para a janela.


— Creio que a pessoa que fez isso estava era ten­tando invadir a farmácia ao lado.


— Um viciado em busca de alguma droga? Que bom. Isso me deixa muito mais tranqüila.


— Você poderia deixar um bilhete lá fora dizen­do: Isto é uma livraria. Favor arrombar a porta ao lado...


— Tenho certeza que o farmacêutico ia adorar.


— O sistema de segurança dele deve ser muito melhor — ele disse caminhando na direção da porta. Vou atrás do vidro. Por que você não vai atrás de umas guloseimas para acompanhar o chá, conside­rando que o almoço foi cancelado? Faz muito tem­po desde o café da manhã.


— Isto é uma livraria, não um supermercado...


Ele saiu e a deixou falando sozinha, numa atmosfe­ra saturada de feromônios e um ronco de motoci­cleta.


Harry Potter era uma figura medieval. Não, na verdade um Neanderthal. Como ela chegou a pensar que ele fosse... bem, não interessa o que ela havia pensado. Pelo menos ele pareceu saber o que estava fazendo. E também veio, como pro­metera. Talvez ela não devesse ser tão dura com ele.


Por outro lado, ele não precisava de nenhum en­corajamento. Ela se assegurou de que a porta esta­va trancada e sentou-se à mesa com o café morno, procurando pelo endereço do filho de Maggie.


Ela não encontrou o endereço, muito menos a bolsa de Maggie. Isso teria de esperar até que ela fosse ao hospital. Talvez ela tenha algum vizinho que possa cuidar de algumas coisas pessoais dela.


Alguém que se responsabilizasse pela loja.


E, então, quando o estômago dela a lembrou que estava com fome, olhou no relógio e se deu conta de quanto tempo havia passado desde que o cava­leiro errante partira. Ótimo. Talvez ele tenha tido uma oferta melhor. Ou talvez tenha decidido ir al­moçar. Ela não o culpava, afinal tinha sido sarcásti­ca ao extremo.


Ela suspirou. Não deveria tê-lo deixado se apro­ximar tanto dela. Ele não era responsável pela ad­miração infantil que ela tivera por ele. Bem, era sim, mas tudo o que ele fizera tinha sido ajudá-la quan­do ela caíra no chão. Colocara-a de pé. Juntara suas coisas, e através daquela boa ação mante­ve as crianças que implicavam com ela longe por meses. Elas só voltaram a perturbá-la quando ele desapareceu...


Ela olhou para a janela. Se ele não voltasse logo, era ela quem subiria naquela cadeira instável para tentar afixar um pedaço de papelão na janela.


Que alegria...


Ela telefonou para o hospital fingindo ser um parente de Maggie. Não havia nada de novo além do fato de sua admissão no hospital e estar confor­tável.


Seu café já estava frio e ela preparou outra xíca­ra. E percebendo que estava com muita fome, arrancou um pedaço da baguete e preparou um san­duíche de queijo.


Ao dar a primeira mordida, ouviu alguém bater na porta de trás. Sem esquecer que ainda podia ha­ver um viciado pelas ruas em busca de alívio, ela não abriu a porta antes de perguntar, com a boca cheia:


— Quem é?


— Hermione?


Ela abriu a porta.


— Perdão — ela disse, gesticulando com o pão.


Obrigado — ele disse, pegando-o da mão dela, como se ela tivesse lhe oferecido. — Estou morren­do de fome. Sabe que eu cheguei a pensar que o seu invasor tinha voltado e amarrado você para evitar que você tagarelasse.


— Não sou tagarela... — ela disse, espirrando fa­relo de pão por toda parte.


Ele deu uma mordida no sanduíche.


— Oh, que maravilha...


Ela parou, mastigou e engoliu.


— Por que demorou tanto? — ela perguntou.


Ele terminou de comer o sanduíche dela e de­pois de lamber os dedos disse:


— Como aquela janela é de acesso tão fácil, fi­quei procurando algo mais firme do que vidro para servir de proteção. Segure a porta enquanto trago lodo o material aqui para dentro.


Todo material?


— Que material?


Ele não respondeu, apenas abriu as portas tra­seiras de uma pequena van com o nome Duke's Yard e entregou a ela uma caixa que, de acordo com o rótulo, continha um kit de segurança com alarme.


— Não. Espere... — Ele olhou para ela. — Não posso...


— Não pode o quê?


O que diabos havia de errado com ela? Estava tão indecisa quanto uma menininha no primeiro dia de trabalho. Mas ela nunca fora assim. E sempre soube muito bem o queria — estava tudo em sua lista —, e estava sempre determinada a conseguir.


Não, ela tremia como uma menininha que acaba de ser posta de pé pelo menino mais sexy da escola. O menino por quem qualquer menina queria ser notada. Até mesmo menininhas magricelas de ócu­los...


— Olha, sinto muito sr... Cavaleiro. — Ah, como isso era bom. — Sr... Errante. Ou seria sr. Duque? — ela perguntou.


— Agora você está querendo me insultar — ele disse. — O meu nome — já que você perguntou — é Potter, Harry Potter — ele disse.


— É mesmo? — ela disse, voltando para o presen­te. — Acho que não ouvi direito da primeira vez. — E então: — Sinto muito, sr. Potter, mas não estou na posição de fazer esse gasto pela sra. Crawford.


— Harry — ele disse. — Apenas as pessoas de quem não gosto devem me chamar de senhor. E quem foi que falou em gasto? Pague um jantar e estamos quites.


Bem, ele tinha suas prioridades definidas. Um pedaço de vidro era equivalente ao almoço. Um alar­me contra invasores era equivalente ao jantar. Ela nem quis saber o que ele esperava em troca da gra­de de ferro que ele retirava de dentro da van.


— Por outro lado, estou certa de que Maggie fi­caria muito mais tranqüila se soubesse que sua loja estava mais segura — ela disse.


— O jantar sairia mais barato — ele disse ao entrar.


Não, de acordo com a experiência dela.


— Sinceramente, não estou interessada, sr. Potter.


— As mulheres geralmente me chamam de Harry ele disse.— Só chamo pelo primeiro nome as pessoas de quem gosto — ela respondeu —, mas não me importo de parar de chamá-lo de senhor, se isso o ofende. E apenas para mostrar-lhe que não era nada pes­soal, ela sorriu e disse: — Vou preparar aquela xíca­ra de chá, Potter.


— Você é um doce — ele disse, ao enfiar a mão no bolso da jaqueta —, mas creio que tenha sido uma boa idéia eu ter trazido alguns bolinhos de choco­late.


Ele entregou o pacote a ela, ainda com o calor do seu corpo.


— Adorável — ela disse, ao segurar o pacote a certa distância, como se ele mordesse. Ela sabia que o chocolate grudaria em seus dedos e ela não resisti­ria em lambê-los. Uma vez que fizesse isso...


Não. Ela apenas deixou o pacote em cima da mesa. Se ele quisesse, teria que abri-lo por conta própria.


— Gasto muito pouco num encontro — ele disse.


— Vou lembrar disso — ela disse ao dar-se conta de que ele a fitava com certa expectativa de que seu coração desse pulos em resposta àqueles olhos verdes. Da maneira como acontecia todos aqueles anos atrás. — Se um dia precisar de um encontro barato, vou lhe avisar.


Ela o deixou ali e foi até a cozinha encher a cha­leira, indicando a ele que, se dependesse dela, a conversa já tinha acabado e ela agradeceria muito se ele seguisse com o trabalho.


Não que ela esperasse que ele desistiria assim tão fácil. Ela ficou surpresa — e para ser honesta, um pouco desapontada — quando ele não fez qual­quer comentário fora de linha. Ela olhou para trás.


Ele havia tirado a jaqueta e, por ela ter olhado, ele tirou a camisa, revelando uma camiseta colada no corpo. Apenas um homem desejando mostrar seus dotes de Tarzan usaria algo daquele tipo, ain­da mais no trabalho, ela pensou. Mas o silêncio dele era explicado pelo fato dele estar concentrado na remoção dos cacos de vidro da janela.


Ao se esticar, os músculos do ombro se enrije­ceram e a camiseta subiu, ameaçando expor alguns centímetros de carne de sua cintura.


Ao dar-se conta de que estava prendendo a res­piração ao antecipar aquela visão — ela podia até estar desligada da metade masculina da população, mas não estava morta —, ela se virou rapidamente e acendeu o fogo sob a chaleira antes de voltar à loja, onde se manteve ocupada arrumando os livros em cima da mesa. Vasculhou a correspondência para ver se havia algo urgente e deu a si mesma um tempinho para se recuperar do desejo irracional que a pegara de surpresa.


Ela nunca agia de maneira irracional, mas tinha que admitir que a proximidade de um homem de jeans apertados fazia enorme diferença se comparado a ho­mens de ternos caros, camisas de alfaiataria e cortes caros de cabelos, preferências dos homens que, até recentemente, faziam parte do seu dia-a-dia.


Para dizer a verdade, apesar de estar um pouco grande, os cabelos de Harry Potter eram corta­dos por alguém que entendia do assunto.


— Acho que você deveria fazer alguma coisa em relação a essa chaleira — ele gritou, interrompendo os pensamentos dela.


Por outro lado, no mundo corporativo politica­mente correto, ninguém esperaria que ela fizesse chá. Não que isso fizesse alguma diferença, afinal das contas.


Para chegar ao topo na Markham & Ridley ain­da era preciso fazer xixi de pé.


— Você podia comprar uma daquelas chaleiras que desligam sozinhas — ele disse, enquanto ela re­tornava àquela pequena cozinha repleta de vapor.


Sem se preocupar em perceber a presença dele, ela desligou o fogo, pôs um sachê de chá numa ca­neca e despejou a água quente.


Era para ter desligado sozinha. Certamente, já estava estragada. Assim como o resto da loja. Como o resto da rua.


— Creio que Maggie tenha outras coisas em mente — ela disse, enquanto adicionava leite e açúcar an­tes de deixar a xícara na mesa atrás dele.


— Então, quem vai cuidar das coisas por aqui? — Ele encaixou o vidro na abertura. — Enquanto ela estiver no hospital.


— Hã? Oh, não faço idéia — ela disse, desviando o olhar dele. — Talvez o filho dela volte para casa e resolva alguma coisa.


— Jimmy? Eu duvido. Ele é que não aparecerá por aqui mesmo.


— Você o conhece?


— Estudamos na mesma escola. E você?


— Se eu estudei na mesma escola que você e Jimmy Crawford? — ela perguntou, querendo ga­nhar tempo.


Ele riu.


— Você só pode estar brincando. Você tem o tipo de voz peculiar às pessoas que estudaram em escolas privilegiadas como a St. Mary's Ladies College. Ou algum lugar parecido.


E obviamente, Hermione pensou, se os rumores que rondavam a escola depois que ele sumiu fossem verdadeiros, ele saberia tudo sobre isso.


— Só quis saber se você conhecia Jimmy Crawford ele insistiu.


— Oh, entendi. Bem, suponho que já o tenha vis­to na loja, mas nunca conversei com ele. — Ele não pareceu acreditar no tom da resposta dela. — Não vivo em Melchester desde que saí para a universi­dade.


Ele deu de ombros.


— Se é o que você diz. É que ainda estou tentan­do entender o porquê de você se prestar a todo esse trabalho. Você poderia simplesmente ter trancado a porta e ido embora depois que ambulância partiu com Maggie.


— Sou uma cidadã considerada e responsável — ela respondeu, tentando não lembrar do pânico inicial de sua reação. A fração de segundo em que ela quase se mandou dali.


— Oh, certo. Bem, então é isso. E onde você tem vivido? Londres? — Ela não o encorajou nem um pouco. Ele não precisava disso, e entendia o silên­cio dela como consentimento. — E agora voltou para casa. Por quê? Separação?


Ele não desistia nunca. Mais cinco minutos dessa conversa e ele saberia de tudo nos mínimos detalhes, inclusive a lamentável história da volta para casa para se afogar nas mágoas.


Uma batida forte e contínua na porta da frente a salvou.


— Para dizer a verdade, acho que vou atender à porta. Já que estou presa aqui por um tempo, vou aproveitar para fazer algo útil. Como vender alguns livros. Se me dá licença...


Ela não esperou nem mais um segundo. Talvez ela não tivesse a menor idéia sobre como vender livros, mas sabia que era bem mais fácil do que li­dar com Harry Potter.


Harry  a fitou enquanto ela saía. Aquela mulher tinha muita classe, e não era apenas na voz. Mas havia algo estranho, ela parecia estar fugindo de alguma coisa. Sem maquiagem, cabelos desarruma­dos, sua primeira impressão foi de desapontamen­to. Mas quando ela se abaixou para pegar os cacos de vidro e logo em seguida olhou para ele, era como se já tivesse vivido aquilo antes.


Algo naqueles olhos caramelos e naqueles cabelos era muito familiar. E quase chegou ao pon­to de perguntar Não conheço você de algum lugar?


Felizmente, ele conseguiu se frear. Ela não po­deria ter deixado mais claro que não estava interes­sada, e não era preciso muita imaginação para des­cobrir a maneira como teria respondido a uma can­tada velha como aquela.


 

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