Capítulo 8
Resgate
Hermione não soube em que momento perdeu os sentidos. Apenas sentiu seu corpo dolorido e não teve forças para levantar-se do chão. Estava deitada de maneira torta e deixou seu corpo rolar de forma que fitasse o teto escuro. Não conseguiu conter as lágrimas.
- O que fará agora que está livre? – ela perguntou servindo-se de um copo de suco – Quer?
- Quero alguma coisa com álcool. – ela indicou um armário com algumas garrafas e ele encheu seu copo – Primeiro, matarei a Granger na frente do Draco, claro. Depois, cuido dele... Ainda lembro-me do nosso último encontro.
Trecho resgatado de Amor Improvável I:
- Crucius! – Quando o moreno levantava – Crucius...
Blaise levantou-se:
- Ora, ora.... Então existe um Comensal escondido em você? Sabe, podia ter chegado daqui uns 15 minutos, sua garota realmente...- Mas não terminou, Draco deu um soco na boca de Zabini. Depois mais um soco atingindo o nariz. Quando ele foi ao chão, Draco deu chutes no estômago de Blas. Ele estava incontrolável e a voz de Hermione o fez voltar à realidade. Ele empunhou a varinha.
- Ele não vale pena, Draco.
Draco mantinha a varinha apontada para Zabini. Sua mão tremia.
- Como você pôde? Como, Blás? Eu te considerava meu amigo! – ele falava com raiva nos olhos.
- Como VOCÊ pôde? Envolver-se com traidores do sangue? O que seu pai iria pensar?
- E acha que ele teria matado você? – a mulher perguntou.
- Sem dúvida. – ele virou todo conteúdo do copo de um gole só – Não vai mesmo deixar-me brincar com a Granger?
- Se tiver excitado, sabe que tem a mim. Agora precisamos mandar um recadinho para seu amigo, Blaise.
- Um pedaço da sangue-ruim? – e a moça sorriu ao ouvir a sugestão.
- Não seria uma má idéia, sabe?
Jane Granger precisou ser sedada. Estava muito nervosa com o desaparecimento de filha e suas crises estavam piorando o clima na casa. Desde que vira os pensamentos de Draco e depois de muito vomitar o senhor Granger estava sentado em silêncio. Apenas observava os jovens que andavam de um lado para outro, as aparatações dos aurores e objetos mágicos voando pela sala. Com os ombros caídos e recostado no sofá, ele era a imagem da pura desolação.
Draco não falara com o futuro sogro. Ainda estava nervoso e o culpava pelo ocorrido. Não importava que ele estivesse afundando em remorso. Aquela imagem era boa para si. Os minutos pareciam horas. Da outra vez, eles sabiam por onde começar e tinham algumas pistas para seguir. Agora, estavam no escuro.
Não sabia se estava dia ou noite. Não sabia quanto tempo havia passado. Um dia, dois. Uma hora ou várias horas. Era uma tortura aquele lugar fechado. Sentiu-se um pouco melhor e resolveu que era melhor andar. Levantou-se devagar. A cabeça doía. Na verdade, o corpo todo doía. Suas pernas não agüentaram seu corpo e voltou a sentar.
Depois de um tempo indefinido a porta foi aberta e por ela passaram os dois bruxos. Logo percebeu que Zabini trazia alguma coisa nas mãos. Só que ela não conseguia identificar o quê.
- Estamos sem pistas. – falou Eddie, um auror que acabara de chegar do Ministério.
- E o que faremos? – Jorge falou em voz alta.
- Não tenho idéia... – murmurou Rony.
- Estamos sem pista nenhuma. – Harry falou de forma desanimada confirmando o que o outro auror disse há pouco – Olhavam papéis e mais papéis que não levavam a lugar nenhum.
- A nossa única pista é essa tal de Linda Spencer. – Rony emendou – Precisamos descobrir a verdadeira identidade dela. Quem será que ela é?
- Como faremos para saber? Não temos foto, não temos nada além de documentos e pistas falsas! – Jorge bateu a mão na mesa com força.
- Há um jeito – Draco manifestou-se pela primeira vez desde que mostrara suas lembranças para John.
- Qualquer coisa, qualquer coisa... – falou o senhor Granger com lágrimas nos olhos.
- Eu preciso entrar na sua mente. Ela deve ser alguém da Sonserina. Estou autorizado?
- Entrar na minha mente? Do que está falando?
- É um feitiço. Um feitiço que permite com que Draco entre em suas lembranças. Veja seus pensamentos. – diz Rony.
- Na verdade, ele nem precisa pedir sua autorização... É capaz de...
-Nunca faria isso, Potter. Não sem autorização. Só em casos extremos invado a mente de alguém.
- O que preciso fazer? – o senhor Granger perguntou. Era nítida em sua voz toda a culpa que carregava. Todo o arrependimento por ter sido tão tolo em duvidar das escolhas de sua filha. Uma mulher que ele tão bem educara.
- Pense na mulher, nos encontros que tiveram. Preciso ver quem é ela. O retrato falado que fizeram está mal feito. – Draco sentou-se em frente ao futuro sogro. Pegou sua varinha e apontou. De repente, estava na mente de Morgan Granger. Precisou olhar a mulher algumas vezes até ter certeza de quem era realmente. Quando voltou à realidade, quebrou algumas coisas que encontrou pelo caminho. Ele falava os piores xingamentos e palavrões.
- E aí? – perguntou Jorge ansioso.
- Eu sei quem ela é.
Gina já havia se sentado e levantado diversas vezes. A enorme barriga atrapalhava seus movimentos, mas seu estado de nervos fazia com ela ignorasse essas dificuldades.
- Preciso saber notícias, mamãe! – falou desesperada.
- Você precisa se acalmar, Gina! Ficar assim não faz bem para você e nem para o bebê! – falou calmamente a senhora Weasley passando a mão pelos cabelos da filha que já estava novamente sentada. – Por favor... Acalme-se. Logo saberemos alguma coisa.
- O senhor Granger agiu de forma muito errada...
- Ele queria apenas proteger a filha, Gina.
- Proteger? – ela revirou os olhos – Estamos falando da Hermione! Ele podia muito bem ter conversado com a filha, ao invés de ter agido por trás. Se algo acontecer com ela,... Não consigo nem pensar na reação de Draco. Acho que mata um.
- Não diga tolices, Ginevra! – bronqueou Molly. – Artur... Dê um jeito na sua filha. - Mas o homem sabia que Gina tinha razão. Draco sempre fora impulsivo. Mesmo mudando de lado, sabia que o sonserino faria de tudo para proteger quem era de seu interesse.
- Eu vou até a casa de Malfoy. Daqui a pouco volto com notícias – e, sem esperar qualquer comentário, Artur aparatou.
Hermione encolheu-se. Queria tanto estar com sua varinha.
- O que querem?
- Apenas trazer um pouco de água. Deve estar com sede. Sirva-a, Blaise. – o homem aproximou-se com a bandeja. Hermione não ousou mexer-se.
- Não está envenenada, sangue-ruim. Nossa diversão ainda nem começou. – disse a voz fria da mulher. A luz que entrava no ambiente era escassa e era impossível distinguir os traços dela. Desde que ela se revelara a traidora, Hermione passava seu tempo consciente tentando lembrar-se de onde conhecia aquele rosto. Com as mãos trêmulas, pegou o copo e bebeu de um gole só. Encheu-se magicamente e Hermione repetiu o gesto. – Precisa usar o banheiro?
- Sim.
- Então, sua sangue-sujo, use aquele cantinho ali. Tenho certeza que se acostumará ficar na sujeira. É de lá que veio. – e com um gesto fez com que Zabini a seguisse para fora do quarto.
- Pai? Que faz aqui? – perguntou Jorge ao ver o pai aparatando na sala de Draco.
- Sua irmã está um pouco preocupada com Hermione. Conseguiram alguma pista?
- Sim, papai. Draco acabou de descobrir que é a nova aliada de Zabini. – respondeu Rony.
- Posso falar um minutinho com você, Malfoy? Em particular – Draco estranhou ser chamado para uma conversa pelo senhor Weasley. Assentiu, ainda digerindo a informação que acabara de descobrir.
Os dois foram até o escritório.
- Sou apenas um velho, Malfoy. Vi em você um jovem que sofreu muito, mas também que mudou durante todos estes anos.
- Aonde quer chegar, senhor Weasley?
- Não tome nenhuma atitude precipitada...
- Precipitada, como? Farei o que estiver ao meu alcance para trazer Hermione de volta. Temos a pista que faltava. – Draco disse encarando o homem a sua frente.
- Draco, meu filho... – e Artur colocou a mão no ombro dele – Não faça nada que se arrependa quando estiver com a cabeça fria.
- Se algo acontecer com ela, eu nunca ficarei de cabeça fria. Nossa conversa está terminada. Não quero faltar o respeito com você, senhor Weasley. Por favor... – e abriu a porta do escritório. Quando se juntaram ao resto das pessoas, Draco falou:
- Tenho um plano.
- Vamos negociar sua liberdade, Zabini.
- Ah sim... E devo esperar que eles paguem meu hotel também? – ele riu com ironia.
- Estamos com a melhor amiga de Harry Potter. Ele é auror. Vamos forçar uma ação deles. – disse a mulher.
- Você ainda não disse qual seu objetivo com Draco Malfoy nisso tudo.
- Ele vai sofrer da mesma maneira que eu. – ela saiu da sala e voltou com uma faca afiada.
- Vai mesmo cortar um pedaço dela? – ele perguntou sorrindo de lado.
- Apenas mandar um recado. Abra a primeira gaveta e pegue a máquina.
A porta foi novamente aberta e Hermione encolheu-se. Viu um objeto brilhar na mão da mulher que ainda não havia reconhecido. A faca foi passada para mão de Zabini.
- Fique em pé, sangue-ruim!
- O que farão...
- Zabini, acho que ela precisa de ajuda... – com violência, Blaise segurou-a pelos cabelos e levantou-a. – Agora... preciso de você amarrada... – com um movimento da varinha duas grossas cordas de aço desceram do teto. Os pulsos de Hermione foram amarrados. Depois, mais duas correntes saíram do chão e envolveram os tornozelos da morena.
- Que tipo de atividades fazia aqui? – perguntou Zabini olhando os objetos que surgiram.
- Sabe que gosto de sexo selvagem, Blaise. Agora, cale-se.
- Você está fudido, Zabini! – gritou Hermione nervosa – A hora que Draco chegar...
- A hora que ele chegar estará preocupado em juntar seus pedaços, vagabunda... – a voz cortante e fria da mulher fez a prisioneira calar-se. Amarre isso nela, Blás. Vende-a. O moreno obedeceu.
- Sabe, estou ficando cansado de apenas seguir ordens... – ele murmurou. Ficou sem resposta. Passou o pano pelos olhos de Hermione. Ela tremia de medo.
- O que vocês farão? O que está acontecendo... – Hermione sentia que andavam em volta dela. De repente sentia sua blusa sendo rasgada e temeu o que viria.
- Comece a fotografar, Blaise... – a morena percebeu que a mulher estava atrás de si. Sentiu primeiramente uma pressão fria e leve em suas costas. Sabia que não seria boa coisa... depois um grito, sentiu sua pela sendo cortada.
- Eu sei onde ela mora. Costumava ir lá para as festas de Natal. Algumas confraternizações dos Comensais também ocorreram naquele lugar. Conheço bem aquele antro...
- Isso tem muitos anos. Ela pode ter se mudado. – falou Harry olhando as anotações e uma planta desenhada por Draco.
- Há algumas coisas que todas as famílias de sangue-puro mantêm... Uma delas é a tradição de deixar a casa com a mesma decoração, arquitetura... Devia saber, Potter, já que conhece muito bem a casa da família Black.
- Chegamos e invadimos? – perguntou Jorge – Gostei.
- Eles estão em desvantagem. – falou um dos aurores.
- Mas, estão com Hermione... – disse Rony olhando para o desenho também. Algo aguçou sua curiosidade – Que sala pintada de preto é essa?
- É onde Hermione deve estar presa. – ele disse de forma fria – É onde ela deve estar, contudo...
- Contudo... – continuou Artur vendo que o loiro havia interrompido sua frase.
- É melhor torcermos para que ela não esteja aqui...
- Por quê? – perguntou Harry, mas a resposta foi interrompida. Uma coruja entrou voando e deixou um envelope cair. Harry adiantou-se e pegou o objeto. Assim que abriu o envelope, precisou respirar fundo.
- O que tem aí, Potter?
- Melhor você não ver, Draco. – ele deu um passo para trás.
Hermione acordou. Não sabia quando havia desmaiado. A claridade incomodou seus olhos. A sala nunca esteve tão iluminada. Percebeu que vestia apenas o sutiã e suas calças. Havia uma mesa com uma garrafa de água e um copo. A estranha estava sentada em uma cadeira, apenas observando.
- P-por quê? – Hermione murmurou.
- Não está mesmo me reconhecendo, não é? Estudei em Hogwarts... Só que era mais nova, você era do mesmo ano que minha irmã. Claro que sou uma sangue-puro pertencente à Sonserina.
- Mas você não esteve em...
- Beausbatons? Menti.
- Sempre estive em Hogwarts. Sabe que conheço o Draco desde que nasci? Nossas famílias eram muito próximas. Passamos vários Natais juntos. – a calma da mulher era o que mais incomodava Hermione – Sabe que ele foi o primeiro cara que eu beijei? Eu tinha 13 anos e ele 15. Foi lindo. No ano novo... Com fogos pelo ar. Ficamos um tempo escondido pelos corredores de Hogwarts, eu era uma menininha boba. Acreditando nas palavras de Draco. Achando que eu era a única que ele comia. Tolinha... Sabia que quando ele mudou de lado, quando traiu suas crenças, ele não abandonou apenas a família Malfoy?
Hermione olhou atentamente as feições da mulher à sua frente. Então, um lampejo de reconhecimento. Uma garota que vivia andando às costas de Draco. Sorrindo bobamente quando ele passava. Uma sombra que ele desprezava
- E-eu não acredito que é você! M-mas, por quê? – a outra percebendo o olhar de reconhecimento de sua prisioneira sorriu.
- Não tem nem ideia, Granger? – a mulher respondeu de forma fria. – Está na hora de saber um pouco da minha história... Como eu te disse, ele abandonou muito mais que a família. Ele já contou que foi noivo? Ele já contou que foi meu noivo? – os olhos de Hermione ficaram arregalados – pelo visto ele ocultou esse detalhe. Normal vindo de Draco. É uma tradição que os sangues-puros casem-se entre si para manter a linhagem, certo? Ele foi o primeiro cara que eu beijei e transei... então...
- Não acredito em você...
- Não quero mais nada com o Draco. Apenas que ele sofra o que eu sofri.
- E o que Zabini tem haver com isso?
- Apenas um antigo amigo... Ele também tem coisas a tratar com o Draco. Faremos a justiça que os Comensais não puderam fazer.
- Por favor... Preciso ir ao banheiro...
- Você é uma sangue-sujo. Não precisa de banheiro. – saiu da sala que mergulhou novamente na escuridão. Hermione não pôde conter as lágrimas, sentia-se humilhada. Sem poder segurar mais, sentiu o líquido quente escapar entre suas pernas.
- O que tem aí, Potter? Não perguntarei de novo! Estamos falando da minha mulher! – ele aproximou-se e puxou o envelope. Dentro dele várias fotos. Nelas, ele via Hermione sem a parte de cima da roupa. Uma mão segurando uma faca. Ele via as feições dela de dor. Em outras fotos, apenas a faca marcando a pele. Até encontrar uma foto onde pôde ler a mensagem gravada nas costas da morena:
Esperando
As fotos foram amassadas entre os dedos do loiro.
- Isso acaba agora. – com um floreio, ele aparatou.
- Malfoy! – chamou inutilmente Harry – Merda!
- Ele pelo menos falou quem é a tal mulher? – perguntou o senhor Weasley.
- Sim. – respondeu Rony pegando a planta da casa em suas mãos – Astoria Greengrass.
Draco chegou ao seu destino. A frente da casa era como ele se lembrava. Sem dúvida entraria com facilidade já que tinha o sangue-puro. Empurrou o portão imponente. Um baixo rangido foi ouvido. Pouca coisa havia mudado. Andou a passos rápidos pelo caminho que conduzia até a porta da casa.
Do lado de dentro, Zabini comia um lanche. Viu Astoria entrando e sentando-se à frente dele.
- Nosso convidado acaba de chegar. – ela disse.
- Como? – ele perguntou com a boca cheia.
- Draco. Acabou de chegar. – os olhos do moreno vibraram. Queria vingar-se do antigo amigo. Ainda lembrava-se do quanto apanhou. – Acho que nossa mensagem surtiu efeito. Ele veio sozinho.
- Outros virão. Da outra vez achamos que ele agiria sozinho, mas veio acompanhado do Potter e de outros. Como lutarei?
- Calma, meu querido. Primeiro, Draco conseguiu entrar por ser sangue-puro.
- Os Weasleys também são... – falou de forma prepotente.
- Mas eles não são bem-vindos. Além do mais... Tem algumas armadilhas espalhadas por aqui... Fora e dentro da casa. E respondendo à sua pergunta... – ela tirou do cós uma varinha – Essa á para você. Consegui roubar no hospital. – o fugitivo esticou a mão para pegá-la, mas Astoria puxou de volta. – É sua desde que não use para tentar suas gracinhas para cima da sangue-ruim.
- Não pode estar falando sério...
- Acordo entre bruxos, meu caro. Aceita ou não? – ela disse levantando uma sobrancelha.
- Sim,... Não há muita opção, certo? – ele tomou a varinha em sua mão. Tanto tempo... Só para sentir a magia lançou alguns feitiços simples pelo ambiente. Sorriu. Ouviram uma batida na porta.
- Ele é todo seu... Só não o mate... Quando ele tiver imobilizado, chame por mim. Acha que pode vencê-lo? – Astoria perguntou deixando bem claro sua ironia na pergunta.
- Não sabe o quanto espero por isso...
- Sabe onde encontrar-me. A senha para entrar é Sonserinos. – dizendo isso, virou e dirigiu-se para a sala.
Draco tornou a bater na porta com mais força. Tentou observar através da janela, mas tudo estava fechado com cortinas. A casa estava no mais completo silêncio. Devia estar cheia de feitiços. Draco observou a maçaneta girando e empunhou a varinha. Não estava ali para negociações. Notou que a porta foi aberta por magia já que não havia ninguém atrás dela. Observou o ambiente antes de entrar. Caminhou lentamente e parou no batente. Era impressionante como o Malfoy frio, racional e maldoso podia aparecer em segundos. Um sorriso de lado irônico.
- Que bom rever você... – ele disse apontando sua varinha e assumindo um gesto de duelo.
- É aqui... – constatou Harry ao olhar para o grande portão fechado. Ele estava acompanhado de Rony, Jorge, Neville (que foi chamado às pressas) e mais três aurores; Jack, Eddie e Jenna.
- Os dois estão agindo sozinhos. Será fácil capturá-los. – disse Jenna animada com sua missão.
- Sim, mas devemos ser cautelosos – avisou Rony olhando atentamente o portão. Eddie, um jovem e impulsivo auror se aproximou do portão dizendo:
- Acho que devemos agir logo! Zabini é um prisioneiro perigoso e ficar aqui conversando não nos ajudará de nada. – ele adiantou-se para o portão. Os gritos de Harry e Rony chegaram atrasados e assim que Eddie tocou o portão pareceu que uma onda de eletricidade passou pelo seu corpo. Ele foi jogado longe. Jorge correu até lá. O jovem tremia. O ruivo estava prestes a realizar um feitiço quando foi impedido pelo irmão.
- Espere... Arte das Trevas... Não podemos fazer nada por ele agora, apenas esperar... Garoto tolo... Harry, que acha de chamar Lupin e Tonks? – o amigo assentiu e Neville tomou a iniciativa de ir atrás do ex-professor e da auror.
- Não vamos entrar de uma vez? – perguntou Jenna.
- A casa deve estar cheia de armadilhas! Que tipo de treinamento é dado nos cursos para aurores hoje em dia? – Harry perguntou bravo. – Acho que está na hora de uma reforma nesse ensino... – ele andava de um lado para o outro. No chão, Eddie parava aos poucos de tremer.
- Garoto estúpido! – brigou Rony. Os outros dois jovens ficaram em silêncio.
- Que bom rever você... – ele disse apontando sua varinha e assumindo um gesto de duelo.
- Draco, Draco... É assim que dá as boas-vindas aos seus antigos amigos? – Zabini perguntou.
- Você nunca foi meu amigo... Cadê Hermione?
- Hermione, Hermione – repetiu de forma debochada – Ela está descansando depois da noite agitada de ontem à noite...
- Chega de conversa, Zabini... Vim aqui para negociar. – Draco já estava perdendo a paciência.
- E eu – retrucou apontando a varinha – para te matar. – Ignorou completamente o combinado com Astoria. Um jato verde foi em direção à porta, mas Draco agiu rápido e desviou escondendo-se atrás de um sofá. Xingou Zabini mentalmente. Respirou fundo e levantou-se rapidamente lançando um feitiço de corpo preso que foi desviado.
- Onde ela está, Zabini? Chega de brincadeirinhas! – o loiro exclamou nervoso. A risada irritou ainda mais a Draco.
- Saudades da vadia? Bem saborosa, devo admitir. – Draco esqueceu todo o cuidado e postou-se em pé.
- Do que está falando?
- Estou falando que não fui interrompido dessa vez e pude terminar o que há muito tempo comecei – Draco distraiu-se e foi atingido por uma maldição cruciatus. Sua varinha caiu de sua mão. Nada mais importava. Zabini chegou mais perto. – Comi sua namoradinha, Malfoy. Ela implorava para eu parar, pedia por favor e isso tornou tudo ainda mais delicioso. – aproveitando a proximidade, Draco deu um chute no joelho de Zabini que perdeu o equilíbrio. O loiro alcançou sua varinha e levantou-se. Acertou um soco no olho esquerdo do outro que estava ajoelhado devido ao golpe anterior.
- Cala a sua boca! Se você tocou em Hermione novamente eu te mato. Mato agora mesmo. – Blaise ainda tinha a varinha em sua mão e com um feitiço não-verbal lançou Draco até o outro lado da sala. Ele bateu a cabeça que na hora começou a sangrar.
- Garoto estúpido! – brigou Rony. Os outros dois jovens ficaram em silêncio.
Pareceu uma eternidade, mas em menos de cinco minutos Neville voltara na companhia do casal.
- Devíamos ter sido chamados antes – ralhou Tonks.
- Conhece seu primo. Ele já está lá dentro. – Harry falou. – Deve haver algum tipo de feitiço protetor.
- Claro que há. Estão querendo entrar assim... Na casa de uma família declaradamente seguidora de Voldemort nos tempos da guerra?
- Não íamos entrar assim. – irritou-se Rony – Esse aí que se apressou! – Lupin estava agachado e em silêncio examinando o rapaz. Ele havia parado de tremer. O lobisomem perguntou:
- Alguém tocou nele?
- Não – respondeu Jack. – O que houve?
- Ele está morto. Eu e Tonks vamos na frente desarmando os feitiç... – Lupin foi interrompido por Harry.
- Sou tão auror quanto Tonks!
- Sim, mas é mestiço e eu não. Sem dúvida há armadilhas especiais para... o jovem aqui não era filho de trouxas? – Harry e Rony concordaram em silêncio. – Vamos invadir a casa, mas com calma e inteligência.
- Cala a sua boca! Se você tocou em Hermione novamente eu te mato. Mato agora mesmo. – Blaise ainda tinha a varinha em sua mão e com um feitiço não-verbal lançou Draco até o outro lado da sala. Ele bateu a cabeça que na hora começou a sangrar.
- Claro que toquei nela, traidor. Toquei no corpo todinho dela. – um outro feitiço acertou Zabini. – Isso não vai acabar, Draquinho... Enquanto eu viver estarei atrás de você, da sangue-ruim e de qualquer outra coisa que seja importante para você. – Draco estava tão tomado pela raiva que apenas lançava feitiços. Não conseguia mais falar. O duelo estava acirrado. Os dois homens sangravam muito, mas o fugitivo estava visivelmente mais enfraquecido. – Aliás... Sem filhos, Malfoy? Quem sabe eu não tenha conseguido fazer o que ainda não fez... – Tomado pela raiva, o loiro empunhou a varinha e gritou:
- AVADA KEDRAVA! – o barulho causado pela pequena batalha cessou. Draco Malfoy continuou na mesma posição durante alguns segundos sem acreditar no que havia acabado de fazer. Correu na direção da ex-colega e constatou que ele estava realmente morto.
O grupo avançava a passos lentos. A casa estava realmente bem protegida e os principais alvos eram os mestiços e nascidos trouxas. Felizmente, ninguém foi ferido gravemente. O peso de uma perda no início da missão havia abalado o grupo, especialmente os aurores mais novos que estavam iniciando nas missões.
Enquanto isso...
- Seu queridinho chegou... Tenho certeza que daqui a pouco ele estará por aqui...
- Greengrass, sua vingança é sem sentido... Isso já faz tantos anos! – Hermione não precisou ouvir o feitiço para saber que fora atingida com uma cruciatus. Ela ainda estava amarrada pelos braços. Sentia o pulso dolorido e os tornozelos dormentes.
A porta da casa ainda estava aberta.
- Será que ainda tem alguma armadilha por aqui? – perguntou Jenna.
- Provável – respondeu Harry. Constataram mais uma maldição na porta e desfizeram o feitiço. Ao adentrar, perceberam que o ambiente estava livre de outras armadilhas. Logo notaram a destruição da sala e as manchas de sangue em vários pontos. Rony foi até o corpo desacordado de Zabini:
- Ele está morto. Um Avada Kedrava, sem dúvida.
- Que merda, Malfoy – murmurou Harry. – Precisamos achar a maldita sala.
A parede foi aberta e Draco entrou no lugar que iluminado apenas por algumas velas. Seu coração apertou-se de dor ao ver o estado de Hermione. Deu cerca de dois passos na direção dela, mas foi impedido.
- Nem pense nisso, Draco.
- Astoria.
- Jogue sua varinha no chão e sente-se naquela cadeira. – ele não obedeceu.
- Seu parceiro está morto. Tem aurores vindo para cá. Entregue-se e solte Hermione. Faça isso antes que seu destino seja o mesmo que o de Zabini.
- Sempre quis saber quantas cruciatus sua titia precisou lançar nos Longbottons até eles ficarem babando... – Draco colocou sua varinha no chão e foi até a cadeira apontada anteriormente.
- Pronto, Astoria.
- Draco... – a voz de Hermione era fraca.
- Hermione – ele fez menção de levantar, mas foi impedido pela varinha apontada de Astoria.
- Por que está fazendo isso?
- Ora, Draco... Eu estava aqui contando nossa história para sua noivinha. Aliás,... toda essa pose de homem correto e não contou sobre seu primeiro noivado?
- Diga que ela está mentindo, Draco... – Hermione falou.
- Eu estou está mentindo, Malfoy?
- Não, ela não está... – ele notou a decepção nos olhos da sua namorada – Só que não foi um noivado como o nosso. Foi imposto! Não fui consultado! Eu não pedi a mão dela! Astoria! – Draco dizia desesperado. – Astoria, pare com isso agora. Solte Hermione e vamos conversar.
- Nada de conversa... – a fala dela foi interrompida por um pequeno estampido. – Ora... Parece que seus novos amiguinhos chegaram, Draco.
Rony foi até o corpo desacordado de Zabini:
- Ele está morto. Um Avada Kedrava, sem dúvida.
- Que merda, Malfoy – murmurou Harry. – Precisamos achar a maldita sala.
- Eu trouxe a planta da casa – anunciou o ruivo. Falando isso, tirou-a do bolso e estendeu sobre uma mesa.
- Temos que seguir por esse corredor – disse Tonks apontando a direção. – Acho que podemos nos separar em dois grupos.
- Sim. Ela não pode fugir se formos pelos dois lados. – concordou Lupin – Eu, Harry e Jenna vamos por esse lado. Tonks, Rony e Jack vão por aqui. – todos assentiram e tomaram seu caminho.
- Nada de conversa... – a fala dela foi interrompida por um pequeno estampido. – Ora... Parece que seus novos amiguinhos chegaram, Draco.
- Astoria, entregue-se. Potter e Weasley são aurores e você sequestrou e torturou a melhor amiga deles...
- Draco... Você não entende? Ninguém sairá vivo daqui... – não aguentando mais a situação ele ficou em pé e deu dois passos na direção dela.
- Chega dessa infantilidade, Astoria! Somos todos adultos! Não temos mais 15 anos!
- Cala a boca, Draco! – ela colocou a mão no ouvido. Hermione apenas observava. Não tinha mais forças.
- Não, não calo. Você sempre foi uma garota mimada, Astoria. Por isso enjoei de você. – ele encontrou o ponto fraco. – Por isso ficava com outras!
- Cale-se, Draco! – ela gritava freneticamente.
- Sempre dominada. Garota tola. Dominada pelo seu pai, até pela sua irmã e amigas. Aliás, sabia que eu já fiquei com sua irmã?
- Mentira! Mentira! – Draco estava próximo à sua varinha. Tinha que continuar a provocá-la. Ainda não era a hora de movimentos bruscos. Apenas mais um passo. Porém, nesse momento a sala foi invadida por Tonks, Harry e Rony.
- Astoria Greengrass, abaixe sua varinha! Entregue-se! – Harry declarou em tom autoritário. Desesperada ela apontou a varinha para Hermione.
- Se alguém der um passo eu mato essa sangue ruim.
- Você está em desvantagem, Greengrass... Temos mais três bruxos lá fora. – afirmou Rony. Ninguém ousava dar um passo, mas as varinhas continuavam todas apontadas para Astoria.
- Não serei presa! Azkaban não tem estrutura para receber alguém como eu! – ela dizia eufórica. A varinha tremendo.
- Abaixe a varinha e deixe de agir como a garota mimada que é! Deixe de infantilidade, Astoria! – brigou Draco. Os olhos dela banhados em lágrimas e loucura.
- Vamos, querida... Você tem uma chance. Abaixe a varinha agora – ordenou Tonks em um tom conciliador percebendo o estado emocional fragilizado que a moça se encontrava.
Astoria olhou atentamente para todos. Estava cercada. Sem saída. Sem chance. Seu destino seria o mesmo que o de Blaise Zabini. A prisão. Azkaban. Dementadores. Começou a abaixar lentamente sua varinha. O clima, pesado até então, ganhava mais leveza. Draco deu um passo na direção da ex-noiva e num movimento rápido, ela apontou a varinha para si mesma e falou com firmeza:
- Avada Kedrava.
Hermione fechou os olhos, nervosa. O corpo caiu com uma delicadeza que há muito não existia em Astoria Greengrass. A sala foi invadida pelo resto do grupo que se assustou com a maldição, pensando que algo saíra errado na negociação.
- Eu... eu... só estava... – Draco não conseguia articular as palavras.
- A culpa não foi sua, primo. Vamos soltar Hermione – o loiro adiantou-se e pegou a garota no colo, já que ela não tinha forças para manter-se em pé. Ele foi em direção à saída, mas seus olhos encontraram-se com os de Harry e Rony.
- Draco, deixe que Lupin e Rony acompanhem Hermione para o Hospital. – declarou Harry.
- Eu quero ir com ele, Harry – Hermione murmurou num fio de voz.
- Desculpe, querida... Ele precisa ir comigo – Harry falou aproximando-se da amiga.
- Por quê? – ela perguntou.
- Porque eu matei Zabini. - em silêncio passou Hermione para os braços de Rony. Draco a cobriu com sua capa e, antes que ela pudesse fazer qualquer pergunta, sentiu o conhecido desconforto da aparatação.
- Por que o matou, Draco? – perguntou Tonks pegando a varinha dele que ainda estava no chão. Ele não respondeu.
- Desculpe por tudo isso, mas sou auror e um crime foi cometido.
- Apenas vamos terminar logo com isso, Potter.
O grupo de aurores aparatou direto no Ministério, levando Draco que seria acusado do uso de uma Maldição Imperdoável e do assassinato do fugitivo Blaise Zabini.
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Mil perdões pela demora... Mas estava tão difícil encerrar esse capítulo! A ajuda da Maris e da Isa Malfoy foi muito importante para meu “destravamento”.
Para quem não sabe, Amor Improvável é minha primeira fic e a continuação surgiu do pedido de alguns leitores. É curta, mas a ideia era fechar alguns pontos que ficaram abertos na primeira parte.
Aguardem pelo epílogo que não demora para sair. Prometo!!!
Comentem!!!
Nota da Maris: Bem, só queria dizer a todos que eu fui a primeira a ler o último capítulo. Ganhei de presente pela minha cara de gatinho do Shrek :p. Artemis querida, esse capítulo ficou excelente, bom demais. Tenho um carinho muito grande por essa fic, pois além de eu ser apaixonada pela trama, AI sela uma grande amizade entre nós duas. Parabéns querida. Agora aguardamos ansiosas pelo epílogo e quem sabe um AI 3? Beijos, Maris.
P.S.: Obrigada, Maris, que betou esse capítulo em cima da hora para mim!