Capítulo 6
A verdade é revelada – Parte I
O senhor Granger tomava seu chá. A xícara tremia em sua mão e por várias vezes o líquido era derramado. As finas e delicadas mãos de Linda Spencer repousaram sobre a sua:
- Entendeu por que precisamos ser um pouco mais enérgicos? Ela precisa entender... precisa saber! Você tem que me ajudar.
- T-tudo bem – ele concordou. Concordou ignorando o aperto em seu coração e a intuição que lhe dizia para conversar com sua filha antes de fazer aquela escolha que acabara de fazer.
Draco e Hermione assinaram o contrato com aquele sítio. Eles ocupavam seus finais de semana escolhendo decoração, música e tudo que há num casamento. Durante a semana, a medibruxa ajudava Harry e Gina na decoração do quarto. O tema escolhido era quadribol. Com dois pais apaixonados pelo esporte, não seria diferente com a filha deles.
Hermione estava no fim do seu expediente quando a porta de seu consultório foi aberta com um grande estrondo.
- É um absurdo!
- Acalme-se, senhor... – Hermione reconheceu o chefe da ala de envenenamento entrar atrás de seu namorado. O rapaz estava nervoso.
- Draco? – ela chamou, mas ele apenas gritava com o outro.
- É um absurdo! Saberem disso há duas semanas! Duas semanas! E minha mulher desprotegida. Vocês são uns incompetentes! Cadê seu superior? – o medibruxo não tinha tempo de responder, pois Draco não parava de gritar – Um absurdo! Tem aurores a caminho! Quanta incompetência!
- DRACO! – Hermione falou mais alto para ser ouvida. O loiro estava fora de si e ela sabia as consequências quando ele ficava assim. – Será que alguém pode me dizer o que está havendo?
Ele encarou-a. Então, Hermione percebeu que algo muito sério estava acontecendo. Nos olhos dele, ela lia desespero e medo. Poucas vezes o vira assim.
- Zabini está internado aqui. – ele falou de uma vez. Hermione que havia levantado deixou o corpo cair na cadeira. Phillip Clapertton, o chefe da ala de envenenamento, estava pálido. Rony e Harry entraram bufando.
- Mas, que merda está havendo? – Harry perguntou para o medibruxo – De que forma um prisioneiro como Blaise Zabini é trazido e a informação não chega aos aurores?
- A-achamos que alguém em Azkaban falaria com vocês...
- Já tem outros aurores lá para cuidar dessa outra incompetência. – Rony aproximou-se de Draco – Ela já sabe?
- Estou aqui, Rony – Hermione murmurou.
- Você não sai de perto de mim até ele estar atrás das grades novamente, entendeu? – Draco aproximou-se dela, levantando-a delicadamente. Hermione assentiu silenciosamente.
- Você anda calado, querido.
- Não é nada, Jane... Apenas apreensivo com o casamento de Hermione.
- Ainda achando que Draco não é certo para ela? Queria saber de onde vem toda essa cisma...
- Logo você saberá – e levantou-se do sofá ignorando as perguntas que a mulher fazia.
- Que merda aconteceu, Potter? – Draco perguntou ainda abraçado com Hermione que nada falava.
- Não sei, não sei. Os aurores que nos ajudaram no caso estão agora mesmo em Azkaban. – respondeu o moreno – Por que não houve uma notificação? Você sabe como essas coisas funcionam! – exclamou dirigindo sua atenção para o medibruxo.
- E-eu....- Phillip não sabia como dizer que muitas vezes pensara em falar com o chefe da ala de Hermione, mas havia uma mulher que o prendia ali. Palavras, gestos, provocações que o faziam deixar de lado as precauções necessárias. Agira como um adolescente inconseqüente.
- Pare com essa gagueira, homem! – irritou-se Rony. – Leve-nos até o prisioneiro.
- N-não posso. Ele não pode receber visitas.
- Zabini está aprontando alguma e, você agora, resolve seguir protocolos?
Draco levou Hermione para casa. Nada havia sido explicado. Harry e Rony voltaram para o Ministério para pegar informações com seus colegas. Eles estavam enfurecidos pela enorme falha de comunicação. O chefe do Hospital estava sabendo do mal entendido e, tomando as dores de Hermione, havia suspendido Phillip Clapertton. A decisão além de ter um fundo pessoal, também era profissional, ficou sabendo as verdadeiras razões para a falha do bruxo.
Hermione não falava nada. Havia sido conduzida pelo loiro na aparatação. Jogou seu corpo na cama e Draco seguiu seus movimentos.
- Ele não chegará perto de você...
- Ele estava perto o suficiente por esses dias, Draco. – ela falou num fio de voz. - Como soube?
- O pedido de poções contra envenenamento aumentou muito. Achei estranho. Tenho uma planilha de controle e percebi que esse foi a única poção pedida em número excessivo. Tenho controle sobre isso, para não haver desvio, sabe? Fui até o Hospital e conversando com aquele incompetente filho-da-puta é que fiquei sabendo. Ele foi só suspenso! Deveria ter sido demitido!
- Deixa para lá... Logo ele volta para Azkaban. O tratamento dele deve estar no final. Uma desintoxicação leva em torno de três a quatro semanas.
- Quer comer alguma? Peço para Cody preparar seu prato preferido.
- Não estou com fome... – ela aninhou-se nos braços dele com a esperança de esquecer os últimos instantes que havia passado com Blaise.
Draco puxou-a para mais perto, segurando-se para não ir atrás do medibruxo que havia falhado e dos guardas de Azkaban. Ela estava vulnerável por tanto tempo. Ele havia jurado cuidar dela. Aquela falha o deixara enfurecido. Sentia a respiração pesada dela sobre si. Após alguns minutos, falou:
- Tome algum suco, pelo menos. Não é hora de ficar doente, amor.
- Está certo... – Hermione não conseguiu negar quando viu os olhos dele. – Quero suco de laranja.
- Cody! – o elfo apareceu no quarto – Prepare um suco de laranja, por favor? – o pequeno concordou e partiu. – Vou tomar um banho e já volto. Fique aqui, promete? – ela sorriu e deu um beijo nos lábios do loiro. Quando Draco saiu do banheiro encontrou o copo vazio sobre o criado-mudo, mas nada de Hermione. Sentiu um frio no coração, mas durou pouco ao ouvir a voz dela vindo da sala no andar de baixo. Desceu e encontrou-a conversando com os amigos.
- Boa noite, Potter e Weasley. Novidades?
- Sim – falou Rony – Eles alegam a falta de informação por causa da urgência com que Zabini foi levado ao Hospital. Estão agora jogando a responsabilidade para St. Mungus. Já foi instaurada uma Comissão de Investigação, pois alguns fatos não estão se encaixando.
- Que fatos? – Hermione perguntou.
- Ele anda recebendo visitas conjugais. – respondeu Harry.
- Visitas conjugais? De quem? – Draco perguntou curioso, achando tudo muito estranho.
- Uma tal de Spencer. – o ruivo respondeu conferindo um bloco de anotações.
- Esse nome não me é estranho – Hermione murmurou.
- É um nome comum, querida. – Draco passou a mão pelo ombro dela. Mas, o argumento não pareceu convencer Hermione que tentava lembrar onde já ouvira aquele nome, mas não conseguia.
- Só viemos aqui para avisar. Já deslocamos alguns aurores para ficar de guarda no quarto e no corredor dele. Gina mandou-lhe um beijo, Mione – Harry disse já se despedindo do casal. Rony fez o mesmo e aparataram.
O casal foi dormir. Draco apertou Hermione com força em seus braços. Sentia que algo estava muito estranho naquela história toda.
Hermione acordou e percebeu que Draco estava sentado olhando para si. Ela sorriu.
- Dormiu bem, Mione?
- Sim. Se ainda não houve nada, não temos mesmo com o que nos preocupar. Não dormiu?
- Pouco... Tive pesadelos – ele respirou fundo – Eu levarei você até o Hospital.
- Não precisa... – ela levantou-se o puxando pela mão.
- Eu quero. Ficarei mais tranquilo. Hoje almoçamos juntos. Chame a Weasley se quiser.
- Tudo bem... Acordei morrendo de fome! – Hermione passou seus braços ao redor do pescoço dele, ficando na ponta dos pés.
- Então vai tomar seu banho, enquanto eu dispenso Cody e preparo o nosso café – ele sorriu de forma sedutora.
Minutos depois, Hermione desceu já pronta para ir trabalhar. Encontrou a mesa pronta, com um simples café e uma rosa sobre seu prato.
- Quis fazer algo mais elaborado, mas você tem que sair e logo os estagiários chegam.
- Vem cá. Dará tudo certo – ela abraçou Draco e passou a mão de leve pelo pescoço dele arrepiando-o. Respirou profundamente próximo ao pescoço de Draco e depois passou a língua de maneira superficial.
- Hermion-ne... – ele abraçou com mais força. Andou de costas até sentar-se no encosto do sofá, levando-a consigo. Os lábios se tocaram e a língua de um dominou a boca do outro. Ele sentou-se e abriu um pouco as pernas. Dessa forma ficavam da mesma altura e Hermione sentiu as mãos dele apertando sua cintura. Os dedos ágeis subiram pela lateral do corpo da mulher até alcançar o primeiro botão da blusa. Depois o segundo. A pele fina e fria de Draco causava sensações maravilhosas pelo corpo de Hermione. Sua cabeça pendeu para trás, em um gesto de entrega. A excitação já se fazia presente no loiro. Ele ainda usava uma calça de agasalho e Hermione tocou-o arrancando um gemido baixo dele. Rapidamente ela desfez o nó da calça e abaixou-a o suficiente para puxar de lá o pau firme e duro do namorado. A blusa já estava toda aberta e Draco já dirigia seus lábios para os seios de Hermione quando a campainha tocou.
- Merda! – berrou Draco. – Quem é o infeliz que chegou mais cedo? Será advertido!
- Por ter sido pontual? – perguntou Hermione rindo-se da irritação do loiro. Não que ela havia gostado da interrupção, mas era melhor mostrar-se calma. Vestiram-se o pouco que haviam despido. Hermione foi atender a porta enquanto Draco subia para vestir-se.
- Entre, Kevin. Bom dia – Hermione cumprimentou dando passagem para o jovem de cabelos negros e crespos entrar.
- Sei que cheguei cedo, senhorita Granger, mas tive algumas coisas para resolver logo cedo.
- Não tem problema. Eu já disse que pode me chamar de Hermione. Quer tomar café?
- Eu aceitaria um gole de suco, por favor. – ele agradeceu com a cabeça e seguiu a morena.
Draco juntou-se aos dois um pouco mais tarde. Após o café, fez aparatação acompanhada com Hermione.
- Não saia desse Hospital sem minha presença, entendeu?
- Tudo bem, Draco.
- Não saia do seu andar.
- Não sairei...
- Não cuide de casos estranhos.
- Não cuidarei... Estarei bem, amor. – ele abraçava Hermione fortemente. Ela tentava passar uma segurança que não existia. – Volte para casa.
- Volto para almoçarmos juntos.
- Tudo bem – eles despediram-se com um longo beijo. Draco partiu sentindo seu peito pesado. Uma intuição de algo estava prestes a acontecer rondava seu pensamento.
Hermione estava tratando de uma paciente quando uma funcionária anunciou uma visita. A morena não deixou de se surpreender pela presença em sua sala:
- Pai!?
- Não está feliz em me ver? – ele perguntou sorrindo.
- Claro! Claro que estou! – ela deu um abraço nele. – Que faz por aqui?
- Saudades, minha filha. Faz muito tempo que não venho aqui e queria saber se podemos almoçar juntos. – ela encarou o pai. Achava aquele pedido estranho, mas leu em seus olhos, preocupação. Como se ele quisesse falar alguma coisa, compartilhar algo.
- Tudo bem, pai. Podemos almoçar aqui? É que tem uns probleminhas acontecendo...
- Sim, não há problema! – ele concordou. Na verdade, ele proporia de almoçarem. De acordo com o plano, Hermione deveria estar lá.
- Só preciso avisar Draco. Ele viria para cá. Um segundo – ela rabiscou algo em um pergaminho, saiu da sala e logo voltou. – Pronto. Pedi que enviassem uma coruja. Como a mamãe está?
- Bem, muito bem! Hoje estava com o dia cheio de atendimentos. O número de pacientes tem aumentado bastante.
- Que ótimo! Pai, eu preciso fazer mais um atendimento... Pode me esperar lá fora?
- Claro... – ele saiu e, minutos depois, entrou uma mulher. Linda Spencer.
A hora do almoço chegou e Hermione dirigiu-se até o refeitório com seu pai. Eles cumprimentaram Gina que optou por deixar pai e filha almoçarem sozinhos. Ela conhecia bem como a relação estava tensa com a proximidade do casamento.
- Eles têm aqui um bom restaurante – ele falou olhando as opções que eram servidas.
- Você gostará muito da comida também. – havia um clima estranho. Eles estavam sendo formais em excesso e Hermione não sabia por aonde ir para contornar essa situação. Deram algumas garfadas em silêncio até ele ser quebrado:
- Eu queria conversar com calma com você, Hermione.
- Papai... – ela começou sabendo o rumo da conversa.
- Quero apenas que conheça o meu lado, as minhas questões,... – ele colocou a mão no bolso e puxou um envelope.
- O que é isso? – ela esticou a mão, mas ele não entregou.
- Quero apenas explicar algumas coisas, filha. Espero que entenda meu lado, quero que entenda por que acho que Draco não é para você. Eu tive acesso a algumas informações. Coisas que ele escondeu de você.
- Pai, do que está falando?
- Espero que entenda meus motivos. Ele não gosta de você, minha filha. Ele não gosta de bruxos que nasceram em famílias não-bruxas.
- Isso foi quando ele era jovem, pai. Eu já sabia disso.
- Tem coisas, filha... Aqui tem a foto de um jovem... Um jovem que ele envenenou.
- Draco jamais faria isso, papai.
Draco estava colocando uma poção dentro de um delicado recipiente quando o vidro quebrou em sua mão. Os alunos olharam assustados, mas nem pensaram em dizer nada ao ver a expressão do chefe. Algo estava estranho. Aquela sensação que o esmagava por dentro.
- Kevin, você será o responsável até eu voltar. Cuide de tudo, entendeu?
- Sim, senhor Malfoy.
- Eu preciso ir... Acredito que esteja de volta dentro de uma hora. Se eu não voltar, dispense todo mundo.
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- Lembra aquele jantar? Nosso último jantar? – ela concordou com a cabeça – Conheci uma bruxa e ela contou-me coisas.
- Que coisas? Pai, não estou entendendo. Aonde quer chegar?
- Algumas respostas estão aqui, minha filha.
Hermione pegou o envelope e o abriu. Havia muitas coisas lá dentro, ela puxou uma foto e assim que viu a imagem disse com a voz trêmula:
- Pai... Você não sabe o fez...
Draco entrou correndo no restaurante e só deve tempo de ver o corpo de Hermione desaparecer diante de si.