Cap. 25 - Uma Recaída
Ele estava cansado.
A reunião dessa noite havia sido terrível, muitos planos, muitos erros cometidos por Black e Lestrange, acobertados por Malfoy. Punições a todos que erraram.
Eram quase 4 horas, sua mãe estava dormindo, entrou em casa fazendo o menor barulho possível. Foi à cozinha, bebeu água, muito gelada, estava febril, de nervosismo, de cansaço, de tristeza, talvez.
Subiu as escadas.
Estancou no corredor.
Aquele cheiro... rosas selvagens e flores do campo úmidas pelo orvalho da manhã, sob o leve toque do sol.
- Florence. – murmurou, seu coração saltando à boca.
Parou na porta de seu quarto, sim, ela estava ali, tinha de estar, o cheiro dela estava muito forte pelo corredor. Entrou. E, lá estava ela. Linda, adormecida em sua cama, uma camisa branca dele em seu corpo, as pernas descobertas. Aproximou-se devagar, não tão perto ao ponto de o poder veela o atingir com muita força. Sentou aos pés da cama, longe dela, apenas perto o suficiente para admira-la sob a luz suave do abajur de cabeceira. Ela estava realmente dormindo. Ele sabia. Nas muitas noites que dormiram juntos, nessa cama, ele acordava pela manhã, bem cedo para poder observa-la enquanto dormia, mas Florence sempre sentia que estava sendo observada e acordava. Mas desta vez isso não aconteceu. Ela continuou adormecida.
“Perfeita...”
Levantou-se e foi para o banheiro, precisava tomar um banho. Não dormiria essa noite, ficaria a observá-la, até que ela acordaria e eles brigariam.
- Não importa, eu escolhi assim. Ela tem razão em não querer ficar perto de mim, olha no que fui me meter... – ligou a água bem quente, precisava relaxar, precisava esquecer do que vira essa noite.
&&&
Florence acordou...
“Barulho de chuveiro?”
Levantou, rapidamente, e ficou espreitando a porta do banheiro. Menos de meio minuto que ela havia levantado, Snape aparece apenas de toalha da cintura pra baixo, o corpo molhado do banho. O perfume dele a atingiu, “Madeira molhada de chuva, pergaminho, maçãs secas...” fazendo suas pernas bambearem, seu coração parar de bater e um ódio sem tamanho surgir em seus olhos.
- O que está fazendo aqui, Snape? – sibilou ela.
- Olha, Dellacourt, a intrusa aqui é você! Eu moro aqui, esta é a casa da minha mãe! – ele rosnou.
- É também a casa da minha madrinha. Ninguém te chamou aqui, Snape. Dê o fora!
- Dê o fora, você! Agora, por acaso eu tenho de passar a avisar quando eu quero vir dormir na minha própria casa! Dê o fora, Dellacourt! – terminou ele, cuspindo o nome dela, com nojo.
Ficaram se encarando, as varinhas apontadas um pra cara do outro. Ninguém se renderia. Nenhum dos dois daria ouvidos ao que seus corações, que batiam juntos, berravam em seus ouvidos. Até que Florence virou-se e passou a catar suas coisas pela penteadeira e joga-las na pequena valise, com a varinha chamou suas roupas que estavam na cadeira.
- Isso, dê o fora daqui. Vá pra casa dos seus amiguinhos grifinórios. – sussurrou ele, arrependendo-se de tudo o que havia falado à ela.
Florence foi ao banheiro e se trocou. Saiu de lá em um vestido francês xadrez comportado e um sobretudo café nos braços.
- Acho que isso é seu. – com um movimento da varinha a camisa branca dobrou-se e repousou suavemente sobre a cama.
Florence rapidamente virou para a porta, mas não o suficiente para evitar que ele visse seus olhos. Ela chorava. Ele a fizera chorar. Estava de costas pra ele, indo para a porta, mas ele sentia, ele sabia que ela chorava. Snape não pôde se conter, correu até a porta antes dela e a fechou, ficando frente a frente com Florence, muito próximos. Ela baixou o rosto, fechando os olhos, permitindo lágrimas silenciosas caírem.
- Abra a porta. – mandou ela, olhando-o com uma raiva quase líquida brilhando nos olhos verde escuros, misturando-se às lágrimas.
- Eu não posso te deixar ir... – ele sussurrou. – Simplesmente não posso... – ele passou as mãos por seu rosto, limpando o rastro que as lágrimas haviam deixado, passando os dedos de leve por seus lábios, dando um passo pra frente. Estavam a milímetros agora, a valise e o casaco já haviam caído da mão dela.
Snape se aproximou até encostar seus corpos, sabia o que aconteceria se a beijasse, não parariam antes de ele tê-la amado, enlouquecido, ele não pararia até vê-la gemer saciada em seus braços. Snape aproximou mais seus lábios dos dela, tomando de leve o lábio inferior, os olhos fechados.
- Não faça isso... – ela pediu, sussurrando, movendo seus lábios por sobre os dele.
- Não posso,... eu não consigo mais parar...
E ele a beijou, profundamente, apaixonadamente, intoxicando-se, perdendo os sentidos nos lábios e no corpo dela, grudado no seu. Como ele havia sobrevivido esses dias sem o gosto dela? Era por isso que estava desanimado, só podia ser, porque agora não havia uma gota sequer de cansaço em seu corpo, pelo contrário.
Pressionou-a contra a porta fechada, subiu o vestido pelos braços dela, jogando-o no chão, tendo-a apenas numa combinação em renda fina preta, os seios fartos ressaltados pela renda delicada do sutiã.
Florence se derretera nos lábios dele. Deixando uma mão subir e se perder nas mechas ainda molhadas dos cabelos pretos. Ele inclinou a cabeça, de modo a arrebatar completamente os lábios dela, deliciado com a própria habilidade de fazê-la estremecer. Snape já havia perdido a toalha, puxou Florence pelo quadril, ela entrelaçando as pernas em seu redor. Carregou-a até a cama. Deitou por cima dela, descendo os lábios pelo rosto, colo, voltando à boca, beijando-a possessivo. A língua dele acariciando a dela por completo a fez perder a coerência de seus pensamentos. Uma das mãos longas e hábeis em seus seios, a outra passeando pelas coxas.
Desceu os beijos para o colo, retirando o sutiã, passando à barriga, ao ventre, às coxas, pernas e fazendo esse caminho tortuoso de volta, desta vez mais forte, mais possessivo do que nunca. Ele parou, a centímetros dos lábios inchados dela. Verdes intensos em pretos desejosos. Ele colou seus lábios, numa carícia suave, o amor mais forte do que nunca. Aprofundou o beijo, indo ao pescoço, lambendo e brincando com os seios.
- Severus... - ela gemeu.
Não esperaria nem mais um segundo, se ajeitou entre as pernas dela, começou a esfregar a cabeça de seu membro na entrada dela, admirando, deliciado, ela erguer o quadril para tentar aumentar o contato. Snape deslizou suavemente por toda ela, entrando apenas com a cabeça, até a ver implorar.
- Agora, Severus, não aguento mais. – ela arfou.
E aquilo foi o fim das resistências do homem, com uma estocada firme ele a penetrou por inteiro, ouvindo-a gemer seu nome, as mãos indo às suas costas, forçando-o mais para dentro dela. Seus corpos numa doce batalha, os suores se misturando. Snape aumentou os movimentos, ouvindo-a gemer mais, apertá-lo dentro de si. Ele desceu a boca para um dos seios e o sugou delicadamente, a sentiu estremecer, as pernas se fechando mais fortemente ao seu redor, obrigando-o a entrar mais, alcançando o orgasmo, gemendo o nome dele.
Snape diminuiu o ritmo, tomando os lábios inchados dela nos seus, sentindo os espasmos que ainda tomavam o corpo dela. E retomou a velocidade das estocadas, ela entregue em seus braços, ele enfiado entre suas pernas, fazendo-a gozar enlouquecida. Florence gemia descontrolada, ela não aguentava mais de prazer. Snape penetrou-a profundamente, o único pensamento coerente que passou pela cabeça dela naquele instante foi que ela era dele, não podia negar, não conseguia viver longe dos braços dele. E ela foi levada a outro orgasmo violento, ele completamente enfiado dentro dela, gemendo em seu ouvido.
- Isso... minha. Goza gostosa. - a voz rouca inebriando-a mais. E, numa estocada final, impetuosa, ele gozou dentro do corpo de sua amada e, em meio do triunfo final, ele arfou em seu ouvido: - Você é minha mulher, será sempre minha.
E Florence não pode negar.
Snape saiu de cima dela, abraçando-a, beijando seus lábios apaixonadamente. Adormeceram perdidos nos lábios e no corpo um do outro.
&&&
Pela manhã.
Eileen acordara e descera para a cozinha.
- Bom dia, Mestra.
- Bom dia, Sam. - e Eileen reparou na capa que a elfa segurava. - Você pegou pra lavar?
- Sim. O menino Snape chegou tarde da noite e largou a capa sobre o sofá, está muito suja, Sam vai lavar.
Eileen gelou.
- Severus está em casa?
- Sim. – confirmou a elfa, alegremente.
- Onde?
- No quarto dele, Mestra.
- Por Merlin. - ela murmurou e subiu as escadas.
Bateu na porta do quarto do filho.
&&&
Florence acordou se espreguiçando, o corpo relaxado, uma felicidade no peito. Tivera um sonho tão real... e ela se virou na cama. O sonho fora tão real que Snape ainda dormia na cama, os dois completamente nus. Ela ia gritar com ele quando ouviu batidas na porta e Snape acordou.
- Bom dia, Flor... - ele fez que ia a abraçar para puxá-la para seu peito de novo.
- Pare com isso. - ela se levantou, catando suas peças de roupa pelo chão e as vestindo, o sutiã, a calcinha, meia, vestido. - Espere, madrinha. Já vou abrir... - Florence pegou sua valise, ajeitou magicamente os cabelos. - Cubra-se! - e foi para a porta.
- Flor, você não pode ir embora assim. - ele a segurou.
- Me larga, Severus, por favor.
- Mas...
- Não podemos. – disse Florence, firme.
- Por que não?
- Foi você quem escolheu assim!
- Eu sei, eu mereço sua indiferença... mas você me ama. Você é minha... - Snape a enlaçou pela cintura, beijando-a. E ela não pode resistir. Ao final do beijo, ambos tinham as respirações irregulares. - Você não vai conseguir me esquecer, Flor...
- Mas não custa nada tentar.
- Como assim? – perguntou ele, desconfiado.
- Estou namorando. - ela sorriu, maldosa.
- O quê? - ele enfureceu-se. - Com quem?
- Sirius. Você já é passado, Snape. - ela falou, ríspida. - Não há nada que possa me fazer voltar pra você.
- Você é minha! – rosnou ele. – Por que você está fazendo isso?
- Olha, eu não estou fazendo nada demais. Você sabia da minha opinião. Você fez a sua escolha. Se ela é pesada demais pra você, a culpa é só sua.
E ela saiu para o corredor, onde Eileen estava parada. Ela passou pela madrinha, descendo as escadas.
- Onde você vai, Florence? – perguntou Eileen.
- Embora. Vou passar na casa de Lily e vou para Hogsmead. - lágrimas teimavam em cair.
E ela bateu a porta da frente da casa ao sair.
&&&
Eileen entrou no quarto do filho, furiosa.
- O que você está fazendo aqui?
- Vim dormir em casa. – respondeu ele, uma sobrancelha arqueou-se.
- Por que não me avisou?
- Como é que eu ia saber que ela estaria aqui? - Snape se vestia.
- Me avisando que viria! Eu não teria permitido que Florence dormisse aqui! O que você fez com ela? - vociferou Eileen.
- Eu não a obriguei a nada, mãe! Florence me ama e eu a amo.
- Se você a ama como diz, por que você fez o que fez? Por que se juntou com aqueles... aqueles malucos?! – ela gritava.
- O que eu teria a oferecer à uma mulher como Florence? Antes eu não tinha nada, mas agora eu tenho. Eu fiz tudo por...
- Não ouse dizer que foi por amor, Severus Snape! – interrompeu Eileen, furiosa. - Foi por poder, por dinheiro! Por qualquer outra porcaria dessas, mas não, NUNCA, por amor!
Snape não respondeu, terminou de se vestir e saiu do quarto sem mais nenhuma palavra. Eileen sentou na cama do filho, chorando por ele, pelo que ele jogara fora e só agora se dera conta; chorando por Florence que jamais seria mãe; chorando por si própria.
&&&
Florence entrou na casa dos Evans pela porta dos fundos. Sabia que naquele horário todos já estavam de pé. Subiu as escadas silenciosamente, entrando no quarto de Lily, se atirando sobre a cama, aos prantos.
- Florence? - a ruiva colocara a cara na porta do banheiro. - Mas, o que houve? - foi até a amiga e percebeu que ela chorava, a abraçou.
- Ele apareceu lá...
- Não! – exclamou Lily.
- ...no meio da noite e... – os soluços impediram Florence de continuar.
- Vocês...?
- Sim. - Florence levantou da cama, andando pelo quarto, ainda chorando. - Droga, Lily, como eu o odeio... como é possível amar e odiar uma pessoa ao mesmo tempo?
- Você não o odeia, Flor. – disse a ruiva, compreensiva.
- Mas eu devia.
- Vai contar pro...?
- Não. Só você e minha madrinha saberão. Ninguém mais. - Florence parou de chorar. – Não quero magoar Sirius.
- Vamos dar uma volta para você espairecer? – convidou Lily.
- Onde?
- Tenho prova do vestido hoje.
- Sério? Mas é claro que eu vou com você! Nossa, falta pouco mais de um mês... – disse Florence, sentando ao lado da amiga, sorrindo, apesar das lágrimas.
- É.
- E aí a Srta. Evans, se tornará, Sra. Potter. Que horror!
- Não diga isso! A culpa é toda sua! - e Lily empurrou a amiga.
Meia hora depois, as duas desceram e, junto com a Sra. Evans, foram à costureira. Passaram uma tarde extremamente agradável, cheia de conversinhas de mulher, chás e muitas guloseimas doces para afastar o frio.