N/A: diferente da prévia que eu havia postado, esse capítulo é apenas Rose/Scorpius e Vincent/Sophie. Espero que não fiquem chateadas [os] com isso, e que gostem.
Sem mais, boa leitura!
Capítulo 13
Duas semanas depois...
Rose acordou com o barulho das panelas da cozinha. Antes ela até estranharia toda essa confusão, mas depois de duas semanas convivendo com uma grávida cujos hormônios estão a flor da pele, acabou acostumando com toda a loucura que sua vida havia virado.
Como Sophie ainda não havia dito a Vincent a respeito do filho que estava esperando, ela mesma era obrigada a realizar seus desejos – que já começavam a ficar bem estranhos. Talvez se dissesse de uma vez o que estava acontecendo, teria a sorte de ser mimada como a Alice, e todos os seus problemas estariam acabados; mas como o medo de contar ao noivo sobre a chegada do novo bebê era maior, ela preferia satisfazer os próprios caprichos, e deixar essa coisa de grávida fresca para a futura esposa do Alvo.
- Céus, você poderia fazer menos barulho quando decidisse transformar a cozinha em um campo de guerra? – Rose criticou sonolenta, enquanto ia até a geladeira pegar uma garrafa de leite.
Sophie a ignorou completamente e continuou mexendo sabe-se lá o que no fogão. As suas experiências culinárias tinham um aspecto terrível, mas ela sempre ficava satisfeita.
- Você deveria parar de reclamar e me passar o sal. – Sophie disse e provou um pouco da sua mistura que agora tinha um aspecto marrom-esverdeado.
Rose lhe passou o sal e deu uma espiada na panela, fazendo uma nota mental de que quando aquele período maluco passasse, ela jamais permitiria que Sophie fizesse qualquer coisa na cozinha novamente.
- Eu posso saber o que é isso? – Rose arriscou.
Sophie deu de ombros.
- Um pouco de tudo, na verdade. Chocolate, leite, feijão, maionese, sopa... Acho que devo ter usado quase tudo que estava na geladeira – os olhos de Sophie brilharam com o desejo – Você quer provar?
Rose fez uma careta.
- Não, obrigada, meu estômago quase gritou em protesto com a ideia de colocar uma colherada dessa coisa na minha boca. – Rose disse com sinceridade.
- Você não deveria fazer piada da minha comida. Um dia passará pela mesma coisa, Rose, e quando esse dia chegar, quem vai rir da sua cara de grávida será eu.
Rose deu uma risada e balançou a cabeça. Não adiantava mesmo tentar argumentar, pois tinha certeza que quando sua vez chegasse, seria capaz de fazer coisas bem piores para comer.
- Certo, grávida do ano, é o seguinte – Rose encarou Sophie – Você não vai poder esconder isso pelo resto da vida, e apesar de me ignorar todos os dias, a verdade é que a sua barriga logo vai começar a crescer, e o Vincent não é burro para acreditar que você está gorda por comer demais.
Sophie suspirou e bateu com a colher de pau na panela em que mexia seu café da manhã grudento.
- Eu sei disso, ok?! – ela disse irritada – Sei muito bem que não vou esconder isso pelos próximos nove meses, mas você pensa que é fácil? Acha que é simples olhar para o cara que você ama e jogar uma bomba dessas na cabeça dele?
- Sim, eu acho!
- Ah é? Então porque não contou para o Scorpius sobre a sua nova oferta de emprego?
Rose abriu a boca para rebater, mas ficou em silêncio. Era bem verdade que, assim como Sophie, também estava escondendo algo importante do cara que amava. Algo que poderia alterar e muito a história dos dois.
Há pouco mais de uma semana havia ido se reunir com representantes do Ministério da Magia de Londres, da França, da Irlanda e, por incrível que pareça, dos Estados Unidos. Todos, é claro, ficaram impressionados com o carisma da jovem e, principalmente, com a sua descoberta. Era incrível como uma garota de vinte e dois anos havia sido capaz de encontrar o antídoto para um veneno, que pesquisadores do mundo inteiro jamais haviam encontrado. Foi essa capacidade que comoveu o Ministro da Magia Estadunidense – que estava acompanhado da família naquele evento – e o fez propor a Rose algo praticamente irrecusável: morar em Nova York por um ano para dar palestras e lecionar na Escola de Magia e Bruxaria Americana. Ele acreditava que esse tempo era o suficiente para que Rose transmitisse seus conhecimentos da melhor forma e preparasse os outros professores para que seguissem com seu planejamento de ensino.
- ‘Tá vendo? Não é tão simples quanto parece. – Sophie disse com um sorriso vitorioso.
- Não, não é. Mas, se eu aceitar esse emprego vou ficar longe do Scorpius... Se você contar a Vincent sobre a sua gravidez, ele ficará ao seu lado para paparicá-la e fazer coisas um pouco melhores do que essa gororoba nojenta que você pretende comer. – Rose rebateu.
- Você não entende! – Sophie disse com os olhos marejados.
- É claro que eu não entendo! Não pode ser tão difícil contar ao Vincent que está grávida.
- Ele não quer ter esse filho, Rose! – Sophie gritou – Ele não quer ser pai, não quer nenhuma responsabilidade agora, entende?
Rose passou a mão por seus longos cabelos ruivos, e revirou os olhos impacientemente.
- Como você tem tanta certeza disso? Já experimentou dizer a ele a verdade? Não! Então não pode afirmar algo que não sabe. Você não pode prever o futuro, Sophie!
- Eu sei que não – Sophie disse em voz alta, no exato momento em que viu pelo canto do olho, Scorpius aparecer à porta da cozinha. Por sorte, ele não havia percebido que ela já sabia que estava ali – E você também não pode! Então por que não conta de uma vez ao Scorpius sobre seu incrível emprego em Nova York?
- Me contar o que? – a voz de Scorpius ecoou pela cozinha, fazendo com que Rose saltasse com o susto.
- Você sabia que ele estava ali o tempo todo, não é? – Rose murmurou e seus olhos marejaram.
Sophie deu de ombros, pegou a panela que estava no fogão, e murmurou de volta:
- O que eu posso dizer ao meu favor? Eu sou uma Sonserina! – ela encarou os olhos da amiga e em seguida encarou Scorpius – Vou deixar vocês sozinhos.
Sophie anunciou e logo saiu da cozinha, parando apenas para dar um beijo na bochecha do Scorpius, que mal conseguiu corresponder ao gesto. Seus olhos cinzentos estavam pregados nas costas de Rose, que ainda não tinha reunido coragem o suficiente para encará-lo.
- E então? Que novidade é essa agora? – a voz fria de Scorpius fez com que Rose sentisse um incômodo aperto no peito.
- Eu posso explicar.
- Ah, eu sei que pode. – Scorpius deu uma risada seca – E acho bom que comece a fazer isso de uma vez, antes que eu perca o fio de paciência que me restou e saia por essa porta sem querer ouvir mais nada.
Rose engoliu em seco e virou para encarar Scorpius. Seus olhos frios e avaliativos a fizeram sentir um arrepio por todo o corpo. Ele só a olhava daquela forma quando estava completamente irritado, coisa que era rara acontecer ultimamente.
- Eu estou esperando...
Rose respirou fundo e então despejou sobre ele tudo o que havia sido tratado naquela Conferência, e explicou com detalhes a oferta feita pelo Ministro Estadunidense. Parte dela esperava que a explicação fizesse Scorpius relaxar a postura rígida e fizesse seu olhar frio desaparecer; enquanto a outra parte sabia exatamente que aquilo era o começo de uma briga terrível. Sophie havia sido bem cruel dessa vez.
- Quer dizer que você recebeu uma proposta para trabalhar fora do país? Que interessante! – Scorpius disse com a voz moderada – E é claro que você esperava me contar isso quando estivesse com as malas prontas para partir, não é?
- Scorpius, não é isso! Eu...
- Você o que, Rose? – ele finalmente perdeu o controle e gritou – Será que é tão difícil para você vir até mim e falar o que está havendo? Que diabos, achei que nós havíamos superado a maldita fase de medos e segredos quando deixamos Hogwarts.
- E nós superamos!
- Tem certeza? Porque a meu ver não parece que temos algo superado aqui. Você me escondeu algo de incrível importância, Rose, e isso não se faz!
- Eu não sabia como contar! – Rose gritou de volta – Não é fácil olhar para você e dizer que me ofereceram um ótimo emprego do outro lado do oceano.
- Está fazendo isso agora, não está? – Scorpius rebateu – Para mim não parece tão difícil. Ah não ser que... – ele fez uma pausa; de repente, tudo fez sentido – Você está pensando em aceitar o trabalho, não está?
Rose abaixou a cabeça, enquanto as lágrimas escorriam por seu rosto. Aquilo era mais difícil do que imaginava.
- Seu silêncio já responde tudo, Rose. – Scorpius riu mais uma vez – E quer saber de uma coisa? Faça o que quiser! Aceite o emprego e seja feliz com seus novos amigos americanos. – ele disse friamente – Só não espere que eu vá ficar aqui esperando você voltar.
Rose ergueu a cabeça e o encarou confusa.
- O que você quer dizer com isso?
- O que eu quero dizer? – ele deu três passos grandes e parou em frente a Rose, para encará-la de perto – Há duas semanas você está agindo de forma estranha comigo. Anda ocupada algumas noites, desmarca as coisas comigo para terminar sabe-se lá Merlin o que... Rose, você pensa que eu sou idiota a ponto de cair nas suas desculpas? Céus, você não sabe mentir, não sei para que insiste em tentar me enganar.
Cara a cara, Rose pode ver a mágoa nos olhos de Scorpius, que tentava escondê-la por trás de uma máscara de frieza.
- O que está acontecendo, Rose? – Scorpius segurou o rosto da jovem entre as mãos.
Rose quis contar a ele a verdade. Quis dizer que as noites sumidas, que as tarefas misteriosas envolviam a gravidez de Sophie. Quis contar a ele que não estava fazendo nada de errado. Ela quis dizer tudo isso, mas não fez. Ao invés de falar o que realmente estava acontecendo, Rose simplesmente desviou o olhar do seu e chorou.
- Ok então. – Scorpius soltou o rosto de Rose – Fique aqui com suas mentiras e com sua ótima oferta de trabalho. Não vou mais incomodar com isso.
- O que você quer dizer com isso?
- Quero dizer que você tem passe livre para fazer o que quiser. Mas, como eu disse, não espere que eu vá ficar sentado esperando você aparecer e decidir me contar tudo o que está acontecendo.
Scorpius se afastou. Já estava na sala, pronto para ir embora, quando ouviu a voz de Rose vindo da cozinha:
- Você é um idiota!
- Eu sou é?
Rose caminhou até a sala em passos firmes. Estava mais irritada do que chateada, e já que era para brigar, faria isso direito.
- Sim, você é! Você é o cara mais idiota e insensível que eu conheço. Já passou pela sua cabeça que o fato d’eu não te contar algo, não significa que queira enganá-lo? Por Merlin, você sempre quer tirar as conclusões que lhe convém, sem parar para pensar um maldito segundo se eu tenho ou não motivos que justificam meu silêncio.
- Mentir não ajuda em nada, Rose.
- Que droga, eu não estou mentindo para você!
- Mas também não está falando o que está havendo.
- Porque eu não posso! – Rose gritou – Eu não posso contar, ‘tá legal? Agora aceite isso e espere mais um tempo para descobrir, ou vá embora e pense as barbaridades que quiser. Mas, já deixo avisado, Scorpius, que se você passar por essa maldita porta me acusando de coisas que eu não fiz, nem se dê o trabalho de voltar e me pedir desculpas.
- Eu não estava mesmo pensando em voltar. – Scorpius disse e simplesmente aparatou.
Rose, que estava próxima a escada que dava acesso ao segundo andar de seu apartamento, simplesmente se sentou no primeiro degrau e começou a chorar desconsoladamente.
Aquilo tudo era uma droga. Não deveria ter falado para ele não voltar, porque sabia que Scorpius só estava falando as coisas da boca para fora e logo se arrependeria de sua atitude grosseria. Mas, seu maldito orgulho não pôde ficar preso e ela teve que falar aquela besteira para ele, que obviamente levou a sério.
- Rose? – Sophie a chamou e desceu os degraus cuidadosamente – Rose, eu ouvi a briga, e...
- Espero que esteja feliz, Sophie! – Rose se levantou de um salto e se virou para encarar a amiga – Espero mesmo que esteja feliz por ter conseguido arruinar o meu dia. E sabe o que é pior? O pior é ver o Scorpius sair daqui magoado comigo, pensando coisas absurdas, apenas para proteger o seu segredo. Eu sou mesmo uma idiota!
Rose disse tudo isso e antes mesmo que Sophie pensasse em algo para dizer, aparatou.
***
- Você não deveria ter gritado com ela. – Vincent comentou, enquanto caminhava ao lado de Scorpius pelo campo de quadribol. – A Rosecreide não é como as outras garotas. Ela jamais faria algo para te magoar, Scorpius! Você deveria ter respirado fundo e ter deixado essa passar. Tenho certeza que ela tem uma ótima explicação para tudo isso.
- Vincent, eu posso ter errado ao gritar com ela, mas a Rose também não foi nenhuma santa ao dizer na minha cara que estava mentindo sobre alguma coisa.
Vincent balançou a cabeça.
- Ela não disse que estava mentindo, cara, disse apenas que não podia te contar naquele momento o que estava havendo. Omitir não é mentir, lembre-se disso.
- Fala isso porque a coisa toda não é com você.
- Não. Eu falo isso porque sempre fui o cara mais paciente, lindo e divo da dupla. Se fosse comigo, enlouqueceria por não saber, mas também não descontaria minha raiva em cima da Sophie.
- Porque ela com certeza revidaria.
- E arrancaria meu couro, mas esses são apenas detalhes que eu deixo para lá.
Scorpius riu e entrou no vestiário, onde os outros jogadores já o esperavam.
- Eu gostaria de ter essa sua paciência, Vincent, mas a verdade é que estou enlouquecendo e, sinceramente, não quero ver ou falar com a Rose tão cedo.
Vincent revirou os olhos e deu a volta no vestiário, parando em frente ao seu armário.
- Você está sendo um idiota e sabe disso – Vincent disse em voz alta, ignorando os outros companheiros de equipe – Conserte isso de uma vez, antes que as coisas fiquem realmente feias.
- Para mim? – Scorpius perguntou.
- É claro que não, me refiro ao time. Todas as vezes que você e a Rose passam por uma crise conjugal quem paga somos nós.
Todos riram e concordaram com Vincent, enquanto seguiam para fora do vestiário para mais um dia de treino que – com sorte – não seria regado de broncas e do mau humor do Capitão Scorpius Malfoy.
***
Scorpius não costumava fazer muito isso nos dias de semana, mas considerando que a sua situação não era a melhor de todas, foi para o único lugar em que conseguia se sentir bem e seguro: a casa dos pais.
Quando aparatou no jardim da famosa Mansão Malfoy, sentiu-se bem imediatamente. Estar em casa o fazia sentir como nos velhos tempos, quando não tinha tantos problemas na cabeça e sua única preocupação era tirar boas notas no colégio.
- Scorpius, meu menino, meu senhor – Willy, o elfo doméstico da família, apareceu e fez uma reverência exagerada – Em que posso servir o senhor?
- Hey Willy! – Scorpius o cumprimentou normalmente, como se fosse um grande amigo (e de fato era) – Na verdade eu não quero nada. Só vim dar uma volta e dar um “oi” para a minha mãe. Ela está em casa?
Willy precisou apertar o passo com suas perninhas curtas, para conseguir acompanhar Scorpius.
- Está sim, menino Scorpius, ela está lá dentro.
- Ok, Willy, obrigado!
- Willy vive para servir a família Malfoy, meu senhor. – Willy disse e com um estalido sumiu do local.
Scorpius seguiu até a sua casa, e foi até a biblioteca, onde sua mãe costumava ficar quando seu pai não estava. Ler e planejar festas eram o passatempo favorito de Astoria.
Estava pronto para entrar, quando ouviu um choro vindo do interior da biblioteca. Por um segundo pensou que fosse sua mãe ou quem sabe Rose, mas assim que a dona do choro começou a falar, percebeu que era sua amiga Sophie.
- Eu fui a pessoa mais egoísta do mundo, tia. – ela dizia em meio ao choro – Em toda a minha vida fiz planos e os cumpri. Nunca passou pela a minha cabeça mudar as coisas e fazer o Vincent passar por isso quando ele não quer.
- Querida, não chore! – Astoria tentava acalmá-la – Você não tem que se sentir assim. Na verdade, você deveria se sentir a pessoa mais feliz do mundo.
- Você se sentiu assim?
- Eu me sinto assim até hoje.
“O que está acontecendo?” Scorpius pensou, e continuou parado do lado de fora, apenas escutando toda a conversa. Sabia que isso era errado, mas a sua curiosidade e preocupação falavam mais alto.
- Deveria contar a ele de uma vez – Astoria sugeriu – Rose está certa ao dizer que adiar as coisas não vão ajudar em nada.
- Sim, eu sei. Mas tia, e se ele não me quiser mais depois disso?
- Estamos mesmo falando do Vincent aqui? Porque para mim parece que estamos falando sobre algum garoto idiota e insensível. – Astoria falou com o seu famoso tom maternal – O Vincent e o Scorpius são os garotos mais decentes que eu conheço, querida. Ele jamais te abandonaria por isso.
- Querida, ele não vai te deixar por você estar grávida.
- A Sophie está grávida? – Scorpius falou um pouco mais alto do que pretendia, e percebeu que não adiantava mais continuar escondido depois do seu descuido.
Sentindo-se como uma criança que fora pega fazendo uma arte, Scorpius entrou na biblioteca e viu sua mãe e sua melhor amiga sentadas no sofá, com expressões divididas entre a repreensão e a diversão.
- Er... Oi mãe! Oi Sophie!
- Oi Scorpius! – as duas responderam em uníssono.
- Desculpe, eu não...
- Ahhh, você queria ouvir sim seu curioso de uma figa! – Sophie o acusou e jogou sobre ele uma almofada, fazendo-o rir – Só deveria ter sido mais discreto.
- Pequeno, eu já lhe disse que é feio ouvir atrás da porta, não disse? – Astoria o repreendeu, zangada.
- Sim mamãe – Scorpius se sentou na poltrona em frente a que elas estavam sentadas – Sei que não deveria me meter, mas já que agora sei a verdade, será que posso dar a minha humilde opinião?
Sophie estreitou os olhos na direção de Scorpius, com vontade de esganá-lo por se meter na sua vida.
- E tem outro jeito? – ela revirou os olhos.
- Ótimo – ele sorriu – Você deve contar ao Vincent o que está havendo. Por mais que ele seja um completo maluco, jamais iria chutar você por estar grávida. Acho que ele iria pirar sim, mas de felicidade. Qual é Sophie? Você conhece o cara tão bem quanto eu.
- Sim, eu conheço e é por isso que sei que ele não quer esse filho.
- Ele quer qualquer coisa que venha de você, Sophie. – Scorpius afirmou.
- Ah é? Como você tem tanta certeza disso?
- Porque ele te ama da mesma forma que eu amo a Rose. É algo grande, incondicional e imprescritível. Não há nada no mundo capaz de fazer com que esse amor diminua. E eu sei que mesmo se eu não quisesse ter um filho e a Rose me dissesse que está grávida, aceitaria isso da melhor forma possível, porque tudo o que vem dela é puro e sincero. – Scorpius disse tudo com tanto carinho, que fez sua mãe chorar – Se você disser ao Vincent que está grávida, ele vai aceitar perfeitamente bem, porque ele te ama mais do que a própria vida.
Sophie abaixou a cabeça e começou a chorar. Naquele momento teve a certeza de que estava agindo feito uma completa idiota. Não deveria, para começo de conversa, ter escondido tudo isso por duas semanas, e, principalmente, ter agido como uma estúpida naquela manhã com a sua melhor amiga.
- Hoje à noite eu vou contar a ele – Sophie disse finalmente – Mas... Eu... Eu acho que não estou pronta para aparecer à porta da sua casa e despejar isso na cabeça dele.
- Pois eu tenho uma grande ideia – Astoria disse e pela forma que seus olhos brilharam, Scorpius já imaginava do que se tratava – Daremos um jantar aqui essa noite. Sophie, você avisa a Rose, e peça para ela convidar o irmão e sua linda noiva. Scorpius, você chama o Vincent. – ela já estava de pé, imaginando todas as coisas que precisaria para aquele jantar de última hora – Como seus pais estão fora da cidade, querida, chamarei apenas os pais da Rose e do Vincent.
- Espera, espera, espera tia – Sophie disse rapidamente – A senhora quer que eu anuncie minha gravidez para todo mundo durante o jantar?
Astoria riu.
- Não, é claro que não. – Astoria disse tranquilamente – Antes ou depois do jantar, você vai dar uma caminhada pelo nosso jardim e aproveita a linda paisagem para contar tudo ao Vincent. Se ele tiver um colapso nervoso, nós estaremos aqui para ajudá-lo. E então, o que acha?
Sophie trocou um olhar rápido com Scorpius, e então encarou Astoria com um sorriso e balançou a cabeça positivamente.
Nem foi preciso outro sinal de sua parte para que a mãe do seu melhor amigo saísse pela porta da biblioteca, já chamando todos os elfos da casa e lhes dando ordens – de forma muito gentil – para arrumarem tudo para o jantar.
Apenas quando teve certeza de que estava sozinha com Scorpius, foi que Sophie o encarou repleta de culpa e deu um longo suspiro. Precisava corrigir a burrice que fizera mais cedo.
- Scorpius, hoje de manhã eu ouvi a sua briga com a Rose e...
- Esquece isso, Sophie. Você já tem seus problemas para se preocupar com os meus.
- Não, me escute – Sophie pediu – Hoje cedo vocês não brigaram apenas por ela ter recebido uma proposta de trabalho. Discutiram porque você acha que ela está mentindo sobre alguma coisa, e a verdade é que está certo. A Rose estava mesmo mentindo sobre as coisas que estava fazendo, porque eu pedi para ela.
- E por que você faria isso?
- Eu não queria que ninguém descobrisse sobre a gravidez e fiz ela me prometer que não contaria nem a você. – Sophie encarou o chão por um momento, antes de erguer novamente o olhar para o melhor amigo – Nessas últimas semanas ela tem me ajudado a passar por coisas chatas como enjoos e desejos malucos. Ela deveria ter te contado isso mais cedo, quando por minha culpa vocês começaram a discutir, mas ao invés disso deixou com que gritasse com ela.
Scorpius sentiu-se o pior dos homens. Julgou Rose da pior forma, quando ela na verdade estava ajudando sua melhor amiga a passar por um momento difícil. Céus, era bom que ela não tivesse falado sério a respeito dele não poder voltar para se desculpar, caso contrário iria enlouquecer se não conseguisse olhar em seus olhos e admitir que era realmente um completo imbecil.
- Me desculpa, eu não deveria ter pedido para que ela guardasse esse segredo até de você.
Scorpius respirou fundo e encarou a melhor amiga.
- Está tudo bem. Eu que não deveria ser um idiota e pensar logo a pior coisa. Vou agora mesmo até o apartamento de vocês e...
- Não adianta! – Sophie o interrompeu, sentido-se ainda mais culpada – A Rose aparatou assim que você saiu. Ela estava bem brava comigo.
Scorpius a encarou confuso.
- Brava com você? Por quê?
- Porque não era para você saber sobre a proposta de emprego dela daquela forma. Ela estava bem confusa sobre como contar a você e eu meio que ferrei com tudo quando te vi parado à porta da cozinha e anunciei o rolo sobre Nova York apenas para que ouvisse e chamasse a atenção dela, para que ela me deixasse em paz. – ela confessou – Me desculpe... De novo! Eu não deveria ter feito isso com vocês. Merlin, eu sou a pior melhor amiga do mundo, fatão.
- Não... – Scorpius revirou os olhos e foi abraçar a amiga, que já estava se sentindo mal o suficiente para que ele ainda piorasse as coisas – Você só é uma Sonserina filha da mãe, assim como o Vincent e eu.
Sophie riu.
- Obrigada, agora me sinto realmente bem – ela brincou – Você não está mesmo bravo comigo?
- Não, não estou. – Scorpius garantiu – E mesmo que estivesse, seria uma sacanagem minha querer te punir, quando a minha mãe já vai fazer isso tão bem. Querida amiga, se não quer que esse jantar vire o seu chá de bebê, é melhor correr e conter a dona Astoria.
Sophie arregalou os olhos em falso espanto e deu uma risada em seguida. Sentia-se bem mais leve e feliz que antes.
- Obrigada, Scorpius, de verdade. – ela agradeceu.
- Não há de que! – ele sorriu – Agora eu preciso encontrar a Rose e implorar o perdão dela, antes que seja tarde demais.
- Nunca é tarde demais, você sabe. – Sophie sorriu – E se serve de consolo, só existe um lugar no mundo que é capaz de fazer com que a Rose melhore, sem que ela precise dar nenhuma explicação, e esse lugar é...
- A Toca!
***
Rose estava sentada à sombra de uma árvore, lendo o exemplar do Profeta Diário que estava sobre a mesa da cozinha da sua avó. Não havia muito que fazer ali. Já havia ajudado com as roupas e com a arrumação da casa, agora aproveitava para descansar, enquanto a sua avó preparava o almoço.
Sua mente vagava enquanto lia as linhas do jornal sem assimilar nada. Não estava com cabeça para prestar atenção em nada, embora quisesse muito se focar em alguma coisa para esquecer toda a confusão que ocorrera em sua casa mais cedo. Scorpius havia sido muito injusto com ela, e toda aquela discussão havia lhe deixado com uma maldita dor de cabeça. Não queria vê-lo nem pintado de ouro. Queria que ele sumisse e não aparecesse tão cedo.
- Rose?
É claro que o desejo de Rose não foi atendido porque Merlin parecia ter tendência a virar as costas para ela quando pedia algo.
- O que você quer, Scorpius? – Rose nem se preocupou em erguer a cabeça para encará-lo, pois tinha certeza que seus olhos estavam vermelhos e inchados, e também porque era óbvio que ele iria se sentar ao seu lado sem pedir permissão.
Scorpius suspirou e, assim como Rose previra, sentou ao seu lado. Não se apressou em começar a falar, pois precisava ter certeza de encontrar as palavras certas para se desculpar e também de que Rose não iria expulsá-lo dali aos berros.
- Rose, eu...
- Você veio se desculpar – Rose disse, e com certa violência virou a página do jornal – É, eu sei.
- Você tem razão ao me chamar de idiota.
- Tenho mesmo. – Rose virou a página do jornal novamente, só que com mais um pouco de violência, amassando as folhas.
Por um segundo, Scorpius se perguntou se ela não queria fazer com ele a mesma coisa que estava fazendo com o jornal: transformá-lo em picadinhos.
- Rose, eu fui um imbecil ao gritar com você ok?! Deveria ter te escutado e ter agido de forma madura, e não como um completo...
- Grosso? Estúpido? Cretino?
- Eu ia dizer idiota, mas acho que essas palavras também me definem. – Scorpius disse, segurando a vontade de rir – A Sophie me contou o que aconteceu, e sabe...
- A Sophie te contou, é claro. Quando eu digo alguma coisa você não acredita, mas quando a sua melhor amiga fala, você vai e aceita? Ah, por Merlin, Scorpius, é melhor você parar de falar antes que piore ainda mais a sua situação.
Rose encarou Scorpius, furiosa por ele não ter acreditado em sua palavra e sim na de Sophie. Céus, será que o mundo inteiro resolveu agir de forma estúpida com ela naquele dia? Primeiro sua amiga decide reviver a sonserina perigosa que existe dentro dela, e depois seu noivo decide agir como um perfeito trasgo. Ela só podia estar pagando por algum pecado para que aquilo tudo estivesse acontecendo.
- Rose, por favor, me escute.
- Eu não quero te escutar, ok?! – ela desviou o olhar de Scorpius e rapidamente se colocou de pé, jogando o jornal de lado. Segundos depois estava caminhando para longe do rapaz, que lhe deu apenas alguns segundos de vantagem antes de se colocar de pé e segui-la.
- Só para constar, estou atrás de você.
- É claro que está – ela revirou os olhos – Você anda rápido demais.
- Na verdade você que é baixinha, tem as pernas curtas e não consegue dar passos longos e rápidos.
- Como é que é? – Rose se virou rápido e acabou trombando com Scorpius, que a segurou pela cintura e a trouxe para perto de si.
- Déjà vu – Scorpius abriu aquele sorriso irresistível, sabendo perfeitamente que Rose adorava – É engraçado lembrar que em quase todos os nossos primeiros encontros nos esbarramos e terminamos exatamente nessa situação. Nossa atração era mesmo forte.
- Você pode me soltar, por favor? – Rose tentou fingir que não estava gostando daquela situação.
- Você não quer que eu te solte, querida – Scorpius sorriu mais uma vez e inclinou o rosto em direção ao pescoço dela, sentindo seu perfume doce que o deixava louco – Eu sei que não quer.
Rose não conseguiu evitar um sorriso acompanhado de um arrepio quando ele começou a beijar seu pescoço e suas mãos apertaram ainda mais a sua cintura.
- Você está jogando sujo, Malfoy, e sabe disso.
- Oh não, Weasley, não estou. Se nós estivéssemos sozinhos eu mostraria a você o que é jogar bem sujo, mas aqui na casa da sua avó eu preciso me comportar – ele sussurrou e mordiscou a pele de seu pescoço, fazendo-a estremecer.
- Idiota safado! – Rose deu uma risada – Você me deixou triste quando pensou que eu estava mentindo por estar fazendo coisas erradas. Eu nunca magoaria você, Scorpius!
Scorpius se afastou um pouco apenas para encarar os olhos azuis de Rose e sentiu-se extremamente culpado por tê-la magoado.
- Eu sei, Rose, é só que... Olha, eu fiquei meio desesperado com essa coisa de você se mudar para longe e... É egoísmo da minha parte agir assim, quando eu deveria estar orgulhoso por você ser tão talentosa a ponto de impressionar pessoas de todas as partes do mundo. – Scorpius estava visivelmente arrependido – Eu não deveria ter gritado com você e muito menos dito todas aquelas coisas terríveis. Merlin, se você soubesse como estou arrependido. Eu não queria ter te magoado dessa forma.
- E eu não deveria ter escondido de você algo tão importante. Mas quer saber de uma coisa? Você não tem com o que se preocupar. Eu não vou aceitar o emprego mesmo.
Scorpius pode ouvir por trás daquela afirmação uma pontinha de decepção, e isso foi o suficiente para que ele respirasse fundo e dissesse:
- Você vai aceitar sim. Seria uma burrice tremenda negar uma proposta tão boa, e, minha querida, eu tenho certeza que você não é burra. – ele sorriu, encorajando-a.
- Você... Você está falando sério?
- Nunca falei tão sério em toda a minha vida. – garantiu – Amanhã você deveria avisar logo ao Ministro dos Estados Unidos que aceita o convite e que vai ser a melhor professora daquela Escola de Magia e Bruxaria.
Rose sorriu e jogou os braços em volta do pescoço de Scorpius, o abraçando forte.
- Eu amo você!
- Eu te amo mais!
- Não ama nada!
- Amo sim, porque eu sou maior. – Scorpius disse e riu quando Rose lhe deu um tapa no braço.
- Pare de zombar da minha altura, ok?!
- Não tenho culpa se você é pequena, amor. – ele disse.
- Eu não sou pequena, você que é grande demais.
Os dois riram e no segundo seguinte já trocavam um beijo apaixonado, que só foi interrompido porque Arthur apareceu no jardim e pigarreou tão alto, que foi impossível ignorar.
- O almoço está pronto, queridos. É melhor que lavem as mãos e se sentem logo à mesa antes que Molly decida buscá-los.
Rose e Scorpius fizeram um sinal positivo com a cabeça, enquanto caminhavam em direção a casa.
- Ah, antes que eu me esqueça, hoje você vai jantar na casa dos meus pais – Scorpius disse parando a poucos passos da porta da cozinha.
- Ok, mas por quê?
- A mamãe vai ajudar a Sophie com esse lance do bebê. A loira pensa que vai ser melhor contar ao Vincent se não estiver sozinha, enquanto a Dona Astoria acha que vai ser mais fácil socorrê-lo dessa forma, caso ele decida ter um ataque cardíaco ou coisa assim.
Rose riu.
- Bom, nisso as duas têm razão. – Rose disse – Duvido muito que o Vincent vá terminar com ela por isso.
- Eu também duvido, mas a Sophie está convencida de que ele entrará em crise existencial... Enfim, chame o Hugo e a Lily, ok?! A minha mãe vai convidar seus pais e os pais do Vincent também. Não quero nem ver no que isso vai dar.
- Nem eu, talvez seja mais...
- Vocês dois querem entrar logo?! – Molly apareceu à porta da cozinha, com as mãos na cintura – A comida vai esfriar e se continuarem demorando vão comer apenas as sobras que o Arthur deixar. Andem, entrem de uma vez!
Rose e Scorpius trocaram um olhar rápido, e correram para dentro d’A Toca. Contrariar Molly Weasley nunca era uma boa ideia.
***
Sophie estava nervosa. Ficou impressionada em ver como o dia voou e agora estava entrando em pânico por ter que enfrentar Vincent e contar a ele toda a verdade. Não deveria ser tão difícil olhar para ele e dizer que estava grávida. Talvez essa fosse a tarefa mais fácil da noite. Difícil mesmo seria ouvir e ver a reação dele a respeito dessa novidade. Ela não gostava nem de imaginar.
Ela estava tão preocupada com tudo o que iria acontecer naquela noite que começou a dar voltas e voltas no próprio quarto, completamente desesperada.
- Sophie, eu posso entrar? – Rose deu três batidas na porta.
- Claro, entre – ela autorizou e naquele momento se deu conta de que não havia se desculpado pela forma como tinha agido mais cedo.
- O Scorpius e o Vincent já chegaram – Rose disse – É melhor descermos logo antes que eles decidam subir e nos arrastar.
- Ok, eu só... Só preciso achar a minha bolsa. – Sophie balançou a cabeça nervosamente, enquanto olhava para todo o quarto e não encontrava o que queria.
- Sophie?
- O que foi?
- Aqui está a sua bolsa – Rose pegou o acessório em cima da cama da amiga e a entregou – Você está linda e precisa se acalmar. Vai dar tudo certo, ok?!
- Merlin, você não deveria ser legal comigo. Não quando eu agi de forma tão estúpida com você. Sou uma péssima amiga!
Rose sorriu e se adiantou para abraçar a melhor amiga.
- Está tudo bem! Nem me lembro do que aconteceu ok?! Agora vamos descer logo, temos uma festa para ir. – Rose disse e se afastou da amiga.
- Rose, nós vamos a um jantar.
- Um jantar organizado pela minha sogra – Rose lembrou – Preciso lembrar que a Astoria consegue transformar qualquer evento em uma grande festa?
- Não mesmo! – Sophie disse com um sorriso.
- Meninas, andem logo! Se vocês ficarem mais bonitas do que já são, as Veelas tentarão cometer suicídio por se acharem feias.
Rose e Sophie caíram na risada quando ouviram o chamado de Vincent, e em seguida saíram do quarto. Aquela noite com certeza seria bem longa.
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Tudo corria perfeitamente bem.
Astoria havia planejado aquele jantar rapidamente, mas sua experiência fez com que as coisas ficassem em seus devidos lugares e tudo saísse conforme o planejado.
Os coquetéis já haviam sido servidos, e todos estavam perfeitamente a vontade enquanto conversavam a respeito das confusões do dia a dia.
Rose havia combinado com Scorpius de não mencionar a respeito da mudança para Nova York, apenas para não enlouquecer seus pais em pleno jantar. Ela contaria tudo para eles depois com mais calma.
- Fico tão feliz em ter todos vocês aqui. – Astoria disse com um sorriso sincero – Precisamos reunir a família mais vezes, não acha querido?
- Claro, Ast, você tem razão. – Draco concordou – Minha vida ficaria incompleta se eu não jantasse uma vez por mês ao lado do meu velho amigo Ronald.
- Para mim também é um imenso prazer jantar olhando para você, Draco. – Rony concordou e todos riram daquela famosa provocação.
Era fato que Rony e Draco, depois de tanto tempo convivendo juntos, já se davam muito bem, mas isso não fazia com que eles parassem de provocar um ao outro, pelo contrário. Os dois pareciam se divertir bastante soltando suas farpas durante as conversas.
- Vocês dois nem pensem em começar com isso – Astoria disse séria – Não antes do jantar, que por sinal vai ser servido agora. Me acompanhem, por favor.
Todos fizeram o que Astoria pediu e foram para a gigantesca Sala de Jantar dos Malfoy. Uma linda mesa havia sido posta e cada um sentou em seu respectivo lugar para começar a serem servidos pelos elfos domésticos.
Hermione, que já havia se acostumado a ver os elfos servirem os Malfoy – que não os maltratavam, é claro –, agradeceu quando Willy colocou em seu prato um assado com batatas que parecia maravilhoso; Rony estava ansioso para logo abocanhar sua comida, que tinha um cheiro e uma aparência deliciosa.
Quando Willy foi servir o vinho para todos, Astoria o chamou e se abaixou para cochichar uma ordem.
- Não coloque vinho para a menina Sophie, Willy. – ela disse em voz baixa, e sem se dar conta de que seu marido começou a prestar atenção em sua conversa, continuou – Na verdade, não coloque nenhuma bebida alcoólica para ela, está bem? Ela está grávida.
- A Rose está grávida? – Draco disse mais alto do que pretendia, e de repente o caos tomou conta daquela mesa de jantar.
Rony, que havia aproveitado a distração de Hermione para enfiar uma batata na boca, se engasgou e começou a tossir furiosamente, enquanto o pai de Vincent dava tapinhas amigáveis nas costas de Scorpius, lhe dando os parabéns.
- Rony, pelo amor de Merlin, cospe a batata, cospe! – Hermione disse afobada.
- Caraca, você vai ser pai! – Vincent disse chocado – Agora sabemos por que a Rose andava agindo de forma estranha ultimamente.
- Eu... – Scorpius olhou para Rose, que estava tão vermelha quanto seus cabelos.
- Querida, você está se cuidando? Precisa se alimentar bem. – A mãe de Vincent disse gentilmente. – Oh meu Merlin, o primeiro filho é sempre uma benção!
- Eu não...
- VOCÊ ENGRAVIDOU A MINHA FILHA! – Rony finalmente gritou. Ele segurava o garfo de forma ameaçadora e apontava para Scorpius, como se estivesse prestes a pular sobre ele e furar seus olhos com o objeto de prata – SEU... SEU...
- Eiii, vamos parar de gritar, Weasley? O Scorpius não engravidou sua filha por telepatia, ok?!
- Ele seduziu a minha anãzinha! – Rony parecia que ia ter um ataque cardíaco, de tão nervoso que estava.
- Papai, pelo amor de Merlin, se acalma! – Rose pediu e novamente encarou Scorpius.
Sophie, que até então apenas observava aquela confusão, decidiu colocar um ponto final naquela bagunça quando viu Rony espetar uma batata e enfiar inteira na boca, a fim de se engasgar.
- Pelo amor de Merlin, parem com isso! – Sophie gritou.
- Ah amor, não corta o barato, vai?! ‘Tá tão divertido ver o desespero deles. É bom saber que, pela primeira vez, o casal de descuidados não somos nós!
Sophie sentiu tanta raiva do comentário do Vincent, que reuniu toda a coragem que tinha e disse em voz alta:
- Não é a Rose quem está grávida. Sou eu!
O silêncio que se instaurou naquela Sala de Jantar foi de enlouquecer. Pelo menos para Sophie, que esperava alguma reação de Vincent.
- Você não vai dizer nada? – ela finalmente perguntou.
Vincent a encarou, mais sério do que jamais esteve em toda a sua vida.
- Dizer o que? Parabéns mamãe? – Vincent perguntou com certa ironia – Não, obrigado, passo essa. Quando eu me sinto um idiota, o melhor que faço é ficar calado.
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Quando Sophie finalmente conseguiu encontrar Vincent, ele estava sentado próximo à fonte que havia no jardim da Mansão. Seu rosto estava inexpressivo, o que não era um bom sinal.
- Posso? – ela perguntou antes de se sentar.
Vincent deu de ombros e se afastou um pouco, deixando um espaço para ela no banco.
- Há quanto tempo você sabe? – ele perguntou.
- Duas semanas.
- Hummmm...
Sophie esperou que Vincent dissesse alguma coisa, que gritasse, que jogasse na sua cara o quão estúpida havia sido, mas ele não fez. Ao invés disso ficou em silêncio, pensativo, como se buscasse alguma resposta para toda aquela confusão.
- Por Merlin, diz alguma coisa! – Sophie pediu impaciente.
- Sou eu mesmo quem tenho que dizer algo? Tem certeza? – ele se virou para encará-la. Seus olhos continuavam enigmáticos – Quem escondeu as coisas de mim foi você, então nada mais justo que me explique o motivo disso. Eu quero entender, Sophie. Quero entender por que não me contou que estava grávida.
- Eu não contei porque você não queria esse filho.
- Como eu posso não querer ter algo que eu nem sabia da existência? Isso não faz nenhum sentido para mim.
Sophie se colocou de pé, apenas para poder encarar Vincent de frente e, se fosse preciso, correr dali quando ele dissesse que estava tudo terminado.
- Você sempre disse que não queria ser pai tão jovem. Falou que enlouqueceria caso acontecesse com você o mesmo que aconteceu com o Alvo, e que não estava preparado para uma responsabilidade dessas tão cedo. – Sophie disse nervosa – Você disse todas essas coisas para mim, e logo depois descobri que estava grávida. Como esperava que eu reagisse?
- Eu esperava que viesse até mim e dissesse o que estava acontecendo.
- Para que? Para que você me dissesse que não quer essa vida? – Sophie disse rápido demais, sem parar para pensar no impacto que essa acusação teria.
No mesmo instante, Vincent se colocou de pé, revoltado com tudo aquilo.
- Então é isso que você pensa de mim? Que eu sou um monstro capaz de te chutar para fora da minha vida por causa disso?
- O que você queria que eu pensasse?
- EU QUERIA QUE VOCÊ CONFIASSE EM MIM! – Vincent gritou, ainda que não fosse sua intenção.
- E COMO EU PODERIA CONFIAR, VINCENT? VOCÊ POR ACASO QUERIA UM FILHO?
- NÃO!
Sophie não ouviu mais nada depois disso. Sabia que Vincent estava dizendo alguma coisa atrás dela, mas seus pés a guiavam para longe dele, de volta à Mansão. Ela só queria pegar suas coisas, voltar para casa e nunca mais olhar na cara dele.
- Sophie? – Scorpius a chamou, assim que ela passou pela porta – Sophie o que houve?
- Onde está a minha bolsa? Eu quero ir embora. – ela disse entre lágrimas – Rose? Rose, cadê você?
- Estou aqui. – Rose veio rapidamente.
- Você pode vir comigo, por favor? – ela pediu – Eu... Eu não quero ficar sozinha. Aconteceu o que eu já sabia. Ele não quer o meu filho!
A essa altura, todos já estavam reunidos onde Sophie chorava desconsoladamente, incluindo os pais de Vincent.
- O meu filho disse que não quer o meu neto? – o Sr. Williams perguntou, chocado demais para acreditar que Vincent seria capaz disso.
- Não, eu não disse! – Vincent passou pela porta, inexpressivo – Ela havia me perguntado se eu queria ter um filho, e eu respondi que não. Até essa noite eu não queria ser pai, porque não fazia ideia de como era imaginar essa situação. Eu não sabia que no momento em que você me dissesse que está grávida, passaria a ver a vida de uma forma totalmente diferente e começaria a me sentir um cara mais maduro e responsável, ainda que eu não seja nada disso. Eu não queria ser pai porque não tinha noção do quanto é bom ouvir da mulher que você ama, que ela está esperando um filho seu. Mesmo que ela diga isso aos berros enquanto tem uma pessoa na mesa se engasgando com uma batata.
Vincent se aproximou de Sophie, ignorando as risadas da sala por causa da sua piada.
- No momento em que você me disse...
- Eu gritei.
- Ok, no momento em que você gritou que estava grávida, passei a querer esse filho com todas as minhas forças. – Vincent disse com tanta sinceridade, que seus olhos arderam por causa das lágrimas que ele se recusava a deixar cair – Eu quero você, quero essa criança, e, pelo amor de Deus, nunca mais pense que vou te abandonar, porque eu te amo mais do que tudo nessa vida e deixar você seria pior do que a morte.
Sophie se esqueceu completamente que estava cercada por várias pessoas e jogou seus braços em volta do pescoço de Vincent, o beijando logo em seguida.
Como pôde ser tão tola a ponto de pensar que ele faria algo para magoá-la? Foi uma perfeita idiota, fato.
- Han-Han – Draco pigarreou para chamar a atenção do casal – Certo, agora que já estamos entendidos, felizes e eu descobri que não vou ser avô...
- Graças a Deus! – Rony disse com uma satisfação tremenda.
- Argh, pare de me interromper, Cenoura! – Draco revirou os olhos – Enfim, como eu dizia, agora que já estamos com tudo sob controle, podemos voltar para o nosso jantar?
Todos concordaram, é claro, e não demorou nem dois minutos para que estivessem novamente sentados à mesa para aproveitar o jantar. O clima entre eles era tão leve e divertido, que nem parecia que aquela confraternização havia sido interrompida por uma briga. A única coisa que diferenciava aquela cena da anterior era que agora Vincent mantinha uma das mãos sobre a barriga de Sophie, que nunca estivera tão feliz em toda a sua vida.
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N/A: Antes de qualquer coisa, devo desculpas a vocês pela demora. A previsão era voltar a escrever quando eu estivesse com internet, mas por inúmeros motivos perdi completamente a inspiração. Me peguei diversas vezes com a porcaria do Word aberto, tentando digitar algo que fizesse sentido e que me agradasse, mas nada. Nadinha de inspiração para essa fic.
Foi anteontem que a inspiração decidiu voltar, e não me perguntem como e por que HAUHAUHAUAH
Enfim, vamos deixar essas explicações de lado e vamos ao que interessa né?!
Vcs lembram da prévia que havia deixado? Pois bem, depois de ter escrito QUASE todo o capítulo 13, percebi que estava tudo muito misturado e que não havia desenvolvido bem a parte do Vincent e essa história da Rose... Tudo estava muito vago e sem sentido, sério. Se vocês pudessem ler o rascunho, entenderiam o que estou falando. Daí anteontem decidi deletar o que havia escrito e recomeçar, mas dessa vez focando somente nos dois casais principais da história. De fato, as cenas da prévia nesse capítulo, mas não ficaria tão legal =/
Pois então, NO PRÓXIMO CAPÍTULO, teremos a turma que vocês conhecem de volta. E sim, vcs verão o Alvo entrar em crise existencial por causa dos desejos da Alice HUAHUAAH
Por enquanto é só, pessoal!
Mais uma vez, me desculpem pela demora, e sinceramente espero que tenham gostado.
MANDY, UM BEIJO PRA VC MEU AMOR *-* (ela quase me torturou pra que eu voltasse a escrever, gente, agradeçam a ela ok?! kkkkkkkkkkkkk)
Amo todos vocês, meus amores *-* até a próxima!
Xoxo,
Mily.